Capítulo 02: O Candy Bar

Era meia noite de sexta feira para sábado. O céu estava nublado e o vento indicava que aquela noite seria chuvosa. Changmin e Jaejoong desembarcaram de um taxi em frente ao local que eles haviam combinado na noite anterior. O Candy Bar ficava em uma rua estranha para eles. Era um local quase deserto, cheio de estabelecimentos fechados aquela hora da noite. A única luz que se destacava, naquela rua sombria e mal iluminada, era o letreiro iluminado do Candy Bar.

Changmin e Jaejoong tentaram espiar bar adentro, mas era impossível enxergar o que se passava lá dentro. Os dois se entreolharam inseguros, se perguntando em que tipo de roubada eles estariam se metendo. O segurança começou a encarar os dois que estavam parados em frente ao bar tentando decidir se entrariam ou não. Como o homem de grande porte físico parecia estar perdendo a paciência com eles, os dois adentraram o local, obviamente curiosos.

Por algum motivo, assim que pisou no estabelecimento, Changmin sentiu um arrepio percorrer sua espinha e uma sensação fria no seu estômago. Ele tinha medo da mudança e de tudo o que era novo, e por mais que sua postura permanecesse imponente e arrogante, em seu interior, ele estava nervoso em experimentar algo fora de seus padrões. Assim que eles saíram do corredor mal iluminado e adentraram no grande salão, os dois sentiram como se tivessem mergulhado em um universo paralelo.

O bar estava cheio aquela hora, mas haviam mesas vazias, já que a maioria dos frequentadores agora se aglomeravam na pista de dança. Changmin e Jaejoong se acomodaram em uma mesa um tanto afastada, mas que os permitia observar o local. Changmin achou tudo ali lindo, desde a decoração até o público. Tudo tão diferente do que ele estava acostumado, e por mais deslocado que ambos estivessem, eles se sentiram acolhidos assim que entraram no local.

Eles não se demoraram em ler as descrições de drinks que o local oferecia, e ainda estavam atentos quando um rapaz pouco mais velho do que eles se aproximou. Ele se apresentou como Lee Hyukjae e deu-os as boas vindas ao local, avisando que se tivessem qualquer problema poderiam contata-lo. Os dois sorriram nervosos ao mais velho, e o agradeceram. Era estranho para os dois serem tratados com tanta intimidade, quando normalmente os donos de bar estavam mais preocupados com os arruaceiros ao invés de cumprimentarem seus clientes.

Changmin olhou fascinado para Jaejoong logo que o outro rapaz se afastou. Nem de longe aquele lugar era o que ele havia imaginado para um bar GLS. Claro que haviam casais se beijando, se acariciando e se divertindo como o ambiente previa, mas não foi algo que os incomodou de forma alguma. As pessoas ali não pareciam buscar sexo com o primeiro rosto bonito que aparecesse e o flerte entre eles parecia envolver algo muito mais complexo e interessante do que as costumeiras manias dos dois rapazes. Animado com aquele clima, Changmin avisou Jaejoong que iria buscar um drink, enquanto o outro ainda estava perdido observando o local.

Changmin levantou-se e retirou seu blaser de camurça preta o deixando pendurado no encosto da cadeira. Ele atravessou o salão, vez ou outra recebendo sorrisos de rapazes que ele fez questão de retribuir. Changmin não percebeu isso na hora, mas ele achou bom ser desejado ao invés de sair como um cão em busca de sua presa, exatamente por esse novo posicionamento ser algo incomum para si. O rapaz chegou ao balcão onde apoiou os cotovelos, fitando as costas de um dos bartenders que pareceu-lhe brevemente familiar.

Changmin deixou seus olhos percorrerem a silhueta do rapaz a sua frente, se atentando aos detalhes deste. Ele era alto e tinha um corpo esguio, a camisa demarcava seus ombros largos e a calça adornava bem as coxas grossas. Ele tinha o cabelo jogado para o lado e a pele de seu pescoço parecia extremamente branca naquela luz. Assim que terminou o que fazia, o rapaz virou-se de frente, trazendo consigo um grande copo com um liquido alaranjado, e frutas aos pedaços.

Changmin se remexeu desconcertado, e mal percebeu quando as maçãs de seu rosto coraram. Era Kyuhyun, o rapaz da sua sala. Ele entregou ao rapaz a seu lado o copo em sua mão, assim como um papel com o seu pedido anotado. Changmin o acompanhou com o olhar até Kyuhyun olhar para ele e sorrir abertamente como se fossem velhos amigos, o mais alto expirou profundamente antes de corresponder o sorriso. Kyuhyun apoiou os cotovelos no balcão e o fitou demoradamente. Changmin teve a impressão de estar sendo julgado pelo outro e isso o deixou ainda mais desconcertado do que antes, mas ele não teve tempo para constrangimentos, pois logo Kyu se manifestou:

– Changmin-ah… o que posso fazer por você?

– Ah,você trabalha aqui?

– Sim, sou o bartender. Já sabe o que vai pedir?

– Aahhnn… sei! Mas eu esqueci o nome, eu tinha visto agorinha mesmo e…

– Quer uma sugestão?

– Claro!

– O Long Island Tea. É uma mistura de vodka, rum e tequila, com suco de limão e coca. É doce, mas nem tanto, acho que você vai gostar.

– É muito forte?

– Ah, um pouco. Mas você se você acha que não aguenta, eu posso te oferecer um leite achocolatado. – Provocou Kyuhyun.

– Você está me provocando Cho Kyuhyun?

Kyuhyun riu alto, deu as costas ao outro e pegou uma das garrafas de vodka da prateleira. Changmin arregalou os olhos, quando em um movimento rápido, o rapaz pulou no balcão e ajoelhou-se a sua frente. Kyu exibia um sorriso malicioso nos lábios, que nem de longe se parecia com o rapaz que estudava consigo, aquele silencioso e misterioso.

– Vamos ver se você aguenta, Changmin-ah!

Changmin ergueu o rosto e fitou Kyuhyun erguer a garrafa acima de sua cabeça. Ele virou o liquido que aos poucos foi engolido por Changmin como podia. Kyuhyun continuou derramando-o até o outro fechar os olhos e cambalear para o lado, um tanto desequilibrado. Kyu deixou a garrafa de lado, colocou ambas as mãos no topo da cabeça de Changmin, a girando e chacoalhando apenas para piorar o efeito do álcool.

Quando Kyuhyun o soltou, o mundo a volta de Changmin parecia uma mancha borrada. Ele apenas conseguia distinguir a feição sorridente de Kyuhyun sentado a sua frente no balcão. Aos poucos sua mente começava a se acalmar, e ele tratou de arrumar seus cabelos no lugar, sendo observado pelo olhar atento e curioso de Kyuhyun. E finalmente ele voltou a sorrir para o rapaz, e dizer também com ar lascivo.

– Viu? Eu aguento! Agora me vê o Long Island!

– Agora sim você falou feito homem!

Kyu fez menção de descer do balcão, mas um rapaz talvez pouco mais velho do que eles parou ao lado de Changmin.

– Que feio, Kyu-ah! Dando tratamento especial pra outro homem e não pra mim! Estou decepcionado!

– Você sempre vai ser meu favorito Jungsu-hyung!

E ao terminar a frase, Kyuhyun desceu do balcão e deu as costas a ambos, ainda animado. Changmin olhou o rapaz a seu lado com ar curioso, e recebeu em retorno um sorriso simpático do mesmo. Antes que Changmin pudesse se apresentar, Jungsu desviou o olhar e voltou a falar:

– Ele é lindo não é?

– Desculpe?

– Ele… o Kyuhyun. Ele é lindo.

– Ah… ele?

– Eu daria tudo por uma única noite com um homem como ele. – Disse Jungsu, ainda com o olhar fixo em Kyuhyun. – Você não?

– Ah… claro.

Changmin sorriu sem jeito, e felizmente Kyuhyun voltou a se aproximar com seu drink. Aquela situação estava ainda mais estranha agora. Quer dizer, não era estranho seu colega de classe trabalhando em um bar como aquele, mas ter um estranho ao seu lado confessando seus desejos sexuais por ele era a última coisa que Changmin imaginou para aquela noite. Ele pegou o copo, assim como a comanda que Kyuhyun postou a sua frente, ouvindo o rapaz falar.

– Divirta-se Changmin-ah.

E dizendo isso, Kyuhyun voltou sua atenção a Jungsu. Changmin não ficou para ouvir a conversa de ambos e por fim voltou a sua mesa. Aquela altura, Jaejoong não estava mais lá e ele não estava nem um pouco preocupado. Changmin sentou-se na cadeira e calmamente começou a saborear seu drink. Estava delicioso e exatamente como Kyu descrevera, forte mas nem tanto, doce mas nem tanto.

Changmin demorou-se naquele drink. Ele e Jaejoong consumiam álcool quase todos os dias da semana, mas também era algo que para ele estava caindo na rotina. No entanto, aquela mistura de sabores, e aquelas sensações ainda eram novas , aquilo o deixava instigado, e estimulado, para saber o que mais aquele lugar tinha a oferecer, mas acima de tudo, ele queria saber quem era Kyuhyun.

Changmin ainda pensava sobre aquela noite quando Jaejoong apareceu e se jogou em uma cadeira a sua frente. O rapaz tinha uma fina camada de suor cobrindo-lhe o corpo e um largo sorriso nos lábios. Há muito tempo ele não via Jaejoong tão empolgado com alguma coisa. Ele o ofereceu seu drink que foi prontamente aceito e aprovado pelo outro rapaz.

– Que delícia, o que é isso?

– Ah… se chama Long Island Tea. Tem um monte de coisa misturada com coca-cola!

– Cara, você tem que vir comigo. Tem uma pista de dança lá atrás!

– Espera. Adivinha quem trabalha aqui!

– Eu sei lá, Changmin!

– O Kyuhyun! Aquele cara lá da faculdade! Ele é muito diferente do que eu havia imaginado, foi ele quem fez esse drink!

– Ele que fez o drink? Ele deve ser bom nisso. – Disse Jaejoong pensativo. – Ah, vem dançar!

Changmin sorriu e virou o que sobrava de seu copo nos lábios, antes de correr ao lado de seu amigo para a pista. E lá eles ficaram madrugada adentro, apenas dançando. Ao longo da noite, alguns homens sorriram para eles e os cumprimentaram, mas não passou disso. Era mesmo uma bobagem imaginar que alguém daria em cima deles assiduamente naquele local.

Quando Jaejoong demonstrou os primeiros sinais de cansaço, Changmin decidiu pedir uma cerveja de saideira e ir para casa. Eram três horas da manhã, eles não haviam beijado ninguém e ainda assim, aquela fora uma das melhores noites do ano para eles.  Changmin olhou para trás, e agora Jaejoong conversava animadamente com um rapaz pouco mais alto e muito bonito. Changmin riu discreto e seguiu para o bar, onde apenas o outro bartender atendia. Estranhamente ele se sentiu decepcionado em não encontrar Kyuhyun ali.

– Pois não? – Disse o rapaz sorrindo adoravelmente para ele.

– Ah, uma cerveja, por favor. – Disse Changmin, entregando a comanda que ficou a noite toda em seu bolso. Assim que o rapaz entregou-lhe a bebida, ele voltou a falar. – Aahhnn, desculpe incomodar, mas onde está o Kyuhyun? Eu estou indo embora e queria me despedir.

– Ah, você deve ser o rapaz da faculdade que ele comentou. – Disse Sungmin, rindo discreto. – Ele está no intervalo dele, lá atrás do bar. Se você seguir reto por esse corredor vai chegar a uma porta embaixo da escada, está aberta.

– Ah, sim…

– Sungmin. Me chamo Lee Sungmin.

– Certo Sungmin. Poderia me ver outra dessa e fechar a conta para mim?

– Claro.

Sungmin serviu-lhe outra cerveja e cobrou-lhe por seu consumo, antes deles se despedirem. Changmin seguiu com as duas garrafas pequenas em direção a porta indicada pelo rapaz, não se demorando a encontra-la. Kyuhyun estava lá, recostado a parede, saboreando o que deveria ser uma maçã. Ele saboreava a fruta calmamente, deixando que o suco da mesma se depositasse em seus lábios.

Changmin o observou por alguns instantes antes de se aproximar. Mais tarde ainda naquela noite, ele se perguntaria por que havia parado para olhar Kyuhyun enquanto ele comia essa maçã e ignoraria a resposta mais óbvia. Assim que ele se aproximou, o olhar frio de Kyuhyun voltou-se para si. Por um instante ele se lembrou do que Hitchcock dizia sobre as atrizes loiras com quem ele trabalhara. Que era dever do homem aquecer seus corações.

– Hey… – Disse Changmin, lançando seu melhor sorriso.

– Ah… olá de novo, Changmin. – Disse Kyuhyun nem de longe se parecendo com o rapaz que o atendera no bar.

– Eu vim me despedir, e te trazer uma cerveja.

Kyuhyun negou com a cabeça e desviou o olhar, sem perceber a feição desapontada do mais alto.

– Por que isso? A cerveja? Se despedir? Nós somos meros colegas, não amigos.

– Você foi legal comigo essa noite.

– É o meu trabalho ser legal com os clientes. Não se sinta especial.

Changmin riu soprado e negou com a cabeça. Kyuhyun não era tão diferente assim, ele ainda era o rapaz prepotente da faculdade. O mais alto deixou a garrafa ao lado do mesmo e virou-lhe as costas, mas antes de sair dali, o menor voltou a se manifesta.

– Só… me tira uma curiosidade, Changmin.

– Diga. – Afirmou Changmin, virando somente o rosto.

– O que veio fazer aqui? O que está procurando?

– O que quer dizer com isso? – Indagou Changmin, virando-se de frente novamente para o rapaz.

– Você é popular na faculdade, exatamente por conseguir transar com todas as meninas de lá. Você pode ter quem você quiser nos bares no centro de Seul, e acima de tudo, você não é gay. O que veio procurar no Candy Bar?

– De fato, não sou gay. – Reafirmou Changmin. – Você não conhece aquelas meninas, Kyuhyun. São todas muito bonitas e atraentes, mas totalmente sem conteúdo.  É impossível manter um diálogo com elas por mais de cinco minutos.

– E acha que o público daqui tem mais conteúdo do que elas?

– As meninas daqui podem não se interessar por mim sexualmente, mas vão se interessar por quem eu sou. E os caras… não sei o que dizer deles.

– Gostou de ser desejado por outros homens? Melhor rever a sua sexualidade Changmin. – Disse Kyuhyun com ar debochado, finalmente pegando a garrafa que o outro deixou ao seu lado e a abrindo.

– Não, não gostei! Só não foi algo que me incomodou ao longo da noite. – Changmin deu de ombros.

– E encontrou o que procurava aqui?

– Não sei dizer ainda. – Disse Changmin pensativo. – Mas encontrei você e isso é legal.

– O que tem de legal em me encontrar?

– Você é sempre tão fechado. É legal te encontrar em outro ambiente e poder conversar com você. Eu tô precisando conhecer gente nova.

– Não fique tão empolgado. Segunda-feira, na faculdade, voltaremos a ser apenas dois colegas de classe.

– Por que diz isso?

– Porque segunda-feira, você vai ter vergonha de andar comigo. – Afirmou Kyuhyun com firmeza. – Eu sei que vai.

– Só porque você é gay?

– Claro. – Disse Kyuhyun, dando de ombros. – Na verdade, você deveria parar de se preocupar com novas amizades e pensar na sua nota de matemática avançada.

– Aish, nem me lembre. – Disse Changmin desgostoso. – Como você fez pra passar?

– Eu transei com o professor.

Changmin arregalou os olhos abismado. Mas não demorou muito e a feição séria de Kyuhyun foi substituída por uma gargalhada, que deixou o outro confuso.

– É brincadeira, Changmin-ah! – Disse Kyuhyun ainda sorrindo. – Eu estudei muito, só isso. Não tem nada demais.

– Sério, eu não tenho problema em você ser gay, mas teria se você tivesse transado com o professor. O cara é velho e sei lá… que nojo, Kyuhyun!

– Calma, eu não transei com ele e nem tenho a menor vontade. – Disse Kyuhyun entre risos.

– Ah, dos males o menor. – Disse Changmin, rindo discreto. – Hey… você podia me ajudar né?

– Em cálculo? E por que eu faria isso? Você não é problema meu.

– Porque eu sou bonito, oras.

Kyuhyun voltou a rir alto, desta vez acompanhado de Changmin. Era óbvio que o argumento do rapaz não fazia sentido algum para a ocasião. Os dois bebericaram da cerveja até então esquecida, antes de continuarem.

– Changmin, isso não faz o menor sentido.

– Ah, vai dizer que você não me acha bonito.

– Changmin, bonito sou eu. Você deve no máximo dar pro gasto, para aquelas vadiazinhas que você come por aí.

– Poxa, assim você me ofende. – Disse Changmin entre risos. – Mas e aí, vai me ajudar ou não?

– Não sei. – Disse Kyuhyun com sinceridade. – Aish, Changmin, eu sou ocupado, não posso…

– Me responde segunda! – Afirmou Changmin com um largo sorriso nos lábios. – E pensa com carinho tá?

– Tá dando em cima de mim, Changmin? Porque se for…

– Já disse que eu não sou gay. Só quero… passar em calculo e ter alguém com quem conversar. Não é nada demais, é?

– Acho que não.

Kyuhyun deu de ombros e virou o resto da cerveja nos lábios. Ele se desencostou da parede e desviou do rapaz para poder adentrar novamente o bar onde terminaria seu expediente. Changmin o acompanhou com o olhar e somente quando este parou à porta, ele voltou a se manifestar.

– Nos vemos segunda?

– Até segunda, Changmin.

Changmin sorriu aliviado. Era estranho ele perguntar aquilo ao rapaz, afinal, tinha certeza que o veria na segunda-feira. Mas por algum motivo, ele precisava de uma confirmação. Ele queria saber se quem ele veria na segunda-feira era o rapaz do Candy Bar, ou o antissocial da faculdade. Talvez quem ele encontrasse fosse uma mistura estranha dos dois, o que o deixava ainda mais instigado.

 

Ele deu a volta no bar e encontrou Jaejoong acenando para um rapaz do outro lado da rua. Assim que ele desviou o olhar para si, os dois pegaram um taxi e voltaram para o apartamento. No caminho, Jaejoong contou a ele sobre aquele rapaz com quem ele conversara o resto da noite. Ele se chamava Yunho, era vice-diretor de uma empresa de cosméticos, e morava com seu namorado, com quem tinha problemas.

Changmin por sua vez, contou a ele sobre sua estranha conversa com Kyuhyun e sobre como estava combinando para que o rapaz o ajudasse naquilo que ele precisava saber. Jaejoong ouviu interessado e no final também brincou com ele, afirmando que Changmin estava mesmo dando em cima de Kyuhyun o que é claro, não era verdade. Não era nem de longe o que parecia ser.

No final da noite, quando Jaejoong e Changmin já estavam seguros e adormecidos em seus quartos, Kyuhyun terminou ao lado de Sungmin o fechamento do caixa. Os dois voltaram a conversar depois que as contas estavam feitas e eles somente precisavam guardar os comprovantes para que os proprietários pudessem checar.

– E aquele carinha da sua faculdade?

– Quem? O Changmin?

– É, aquele que veio aqui hoje! Achei que você era o único assumido da sua faculdade.

– Changmin não é gay. Muito pelo contrário, ele é tão hétero que chega a dar nojo. – Brincou Kyuhyun.

– Como assim?

– Você sabe. Ele é aquele tipo de cara que gosta de transar com várias e não de namorar, sabe?

– E o que ele veio procurar aqui?

– Ah, acho que ele anda entediado com essas meninas. Foi o que ele me disse.

– Deve cansar né? Ver sempre as mesmas pessoas, fazer sempre a mesma coisa. Rotina cansa.

– Sei lá… só sei que eu nunca seria como ele.

– Mas é claro que não seria. Você é romântico demais pra isso, Kyunie.

Kyuhyun riu da resposta do outro e negou com a cabeça. Ele não era nem de longe um homem romântico, ou pelo menos, preferia assumir sua sexualidade ao seu romantismo. Com sua falta de resposta, Sungmin sorriu, pegou os papéis e saiu de trás da bancada. Mas antes de deixar o mais alto sozinho com seus pensamentos, ele voltou a falar:

– Não minta pra mim. Você se relacionou com o mesmo homem por quatro anos. É a pessoa mais romântica que eu conheço.

Sungmin sorriu e deixou-o sozinho com seus pensamentos. Kyuhyun foi para casa cheio de dúvidas naquela manhã e a maioria delas era sobre Changmin. Ele detestava mistérios e detestava não saber exatamente quais eram as intenções do outro rapaz. Uma das poucas coisas que Kyu sabia, era que Changmin era impulsivo e manipulador, e temia se aproximar demais de alguém assim. Ele precisava pensar, o ajudaria ou não? Se aproximaria ou não?

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