Capítulo 08: Molhado

Demorou uma semana inteira, mas finalmente Changmin havia convencido Kyuhyun a fazer parceria com ele no artigo final de Teorias Econômicas. Não que Changmin tivesse preguiça de escrever ou quisesse se apoiar na inteligência do outro, apenas desejava sua companhia e acreditava que eles juntos fariam uma boa dupla para o final do ano. Inspirados pelo filme que haviam assistido na semana anterior, quando Changmin deixou transparecer sua pior fraqueza, eles decidiram que a temática seria a economia da Alemanha no período da Segunda Guerra Mundial.

Sobre aquele dia, como proposto por Kyuhyun, eles não voltaram a falar do assunto e ainda assim, os toques e abraços iniciados por Changmin estavam cada vez mais frequentes. Assim como o combinado pelos dois, eles apenas o faziam quando estavam sozinhos, em público suas aparências se mantinham intactas. Era por isso a insistência de Changmin em fazer tal trabalho com Kyuhyun, desta maneira eles teriam mais tempo a sós. Eram mais oportunidades de deixa-lo em seus braços, sentir seu perfume e observar cada ação suas sem que tivesse que se preocupar por estar sendo observado.

Naquela segunda-feira, Kyuhyun chegou à sala um tanto atrasado e visivelmente irritado. Ele carregava consigo uma grande quantidade de livros grossos, com os quais mal conseguia se equilibrar em pé. Ele deixou os livros sobre sua mesa um a um para não fazer barulho e atrapalhar o andamento da aula por mais que todos olhassem para ele. Assim que ele se sentou, Changmin repousou a mão sobre seu ombro e disse sussurrado.

– Pra que todos esses livros?

– Para o nosso artigo, é claro. Acredita que eles vão colocar a biblioteca em reforma? Em pleno final de semestre a droga da biblioteca em reforma, só pra cara do reitor mesmo.

– Eu vou ter que ler todos esses livros? – Disse Changmin envolvendo os ombros do outro em um abraço.

– Changmin, o que pensa que está fazendo? – Disse Kyuhyun suspirando pesadamente.

– Aish, tá bom, eu solto. – Disse Changmin emburrado, e afastando os braços do outro. – Agora me responde logo que o professor tá olhando feio pra gente.

– Você só vai ler alguns capítulos, nem daria tempo de ler isso tudo, agora se ajeita aí antes que a gente leve uma do professor, anda!

Changmin sorriu e ainda passou a ponta dos dedos nos cabelos do outro antes de se recostar a sua cadeira novamente. Kyuhyun ajeitou os livros sobre sua mesa e o espaço para escrever ficou limitado, mas ele conseguiu dar jeito para assistir o resto da aula. E depois de duas horas de equações os quais Changmin se viu mais familiarizado, o professor saiu da sala e deu espaço para o próximo.

Assim que este se levantou, Kyuhyun virou-se para Changmin que bocejava preguiçosamente. O menor pegou três dos seis livros e os entregou a Changmin, indicando a ele quais capítulos ele deveria ler. O mais alto fitou atento o que o rapaz dizia e anotou em sua agenda para que sua memória não falhasse. Kyuhyun dera aquela agenda para que ele se animasse a usar, e ele desejava demonstrar o quão grato estava pelo presente.

– Eu te aconselho a ir lendo e escrevendo, senão não dá tempo. – Concluiu Kyuhyun. – Mas eu estou preocupado, como vamos nos encontrar para estudar com a biblioteca fechada?

– Você não tem um notebook?

– Tenho.

– Então vamos estudar na minha casa. Aí se você quiser, pode ficar pra dormir.

– Dormir na sua casa? Não sei Changmin-ah. Onde eu vou dormir?

– Comigo, na minha cama, oras!

– Changmin, o que eu te falei sobre a sua reputação? Esse é o tipo de assunto para nós discutirmos aqui?

– Mas foi você que começou desta vez. Anda, dorme lá em casa amanhã e nós podemos escrever a introdução, lemos um pouco do que você separou e depois resolvemos a lista de exercícios de cálculo.

– Depois nós discutimos isso, Changmin. – Disse Kyuhyun incisivo. – Eu tô com fome porque passei a manhã na biblioteca pesquisando esses livros e eu detesto ficar com fome.

– Eu vou lá na cantina comprar algo pra você então.

– De jeito nenhum, assim vai acabar levando falta, fica sentado aí. – Ralhou Kyuhyun, desviando o olhar para o fundo da sala quando alguns colegas chamaram por Changmin. – Seus amiguinhos estão te chamando.

– Eu já vou! – Disse Changmin aos rapazes atrás de si. – Depois conversaremos sobre isso e no próximo intervalo vou arrumar algo pra você comer.

– Aish, some daqui, Changmin. – Disse Kyuhyun virando-se de frente e começando a mexer em seus livros, sem mais fitar o outro que sorria para suas costas.

Changmin seguiu para o fundo da sala, onde passou a conversar sobre algo fútil com seus colegas de classe. Kyuhyun distraiu-se com seus afazeres e logo voltou a atenção para o professor que entrava na sala. Depois de discutir novamente algumas datas de entrega o docente voltou a abordar o mesmo tema da aula anterior, mas desta vez de forma mais aprofundada.

Uma hora de teorias, e assim que o professor anunciou o intervalo, Changmin saiu da sala afim de ir buscar algo para Kyuhyun se alimentar. O menor estranhou o outro sair da sala com tanta rapidez, mas resolveu aproveitar o intervalo para tirar algumas dúvidas com o professor. Eles conversaram por alguns instantes e ele já se despedia do professor quando Changmin voltou carregando consigo uma sacola com lanches.

A sala havia esvaziado e apenas um colega de classe deles permanecia lá, usando seu notebook e com fones de ouvido. Changmin sorriu a Kyuhyun que continuava mal-humorado e se aproximou deste. O menor sentou-se de frente para a carteira de Changmin, sabendo que logo este o chamaria e assim ele não teria de se dar ao trabalho de fazê-lo. O mais alto sentou-se em seu lugar e deu a Kyuhyun um assado de frango e uma caixinha de suco e pegou os outros para si.

– Não precisava comprar pra mim.

– Não reclama, Kyu-ah, e aproveita que eu peguei os mais quentinhos. – Disse Changmin sorrindo discreto ao outro. – E eu trouxe doce de abóbora pra você, pra adoçar o seu humor.

– Eu só tô de mau-humor porque tô com fome. – Explicou Kyuhyun dando uma grande mordida em seu lanche.

– Eu sei, eu sei. – Disse Changmin sorrindo ao rapaz. – E então, Kyu-ah, vai dormir lá em casa?

– Eu não sei, Changminie. Você não vai se sentir mal se eu dividir a cama com você?

– Depende, você ronca?

– Um pouquinho. – Disse Kyuhyun entre risos. – E eu vou babar no seu travesseiro.

– Eu coloco tampões de ouvido e um plástico no travesseiro. – Afirmou Changmin. – Vamos Kyunie, assim poderemos estudar em paz. Eu ofereceria o quarto do Jae, mas ele vai estar em casa.

– De jeito nenhum que eu fico com o quarto do seu amigo. Eu durmo na sua cama mesmo, mas espera, é cama de casal, certo?

– Não! A ideia é ficarmos apertadinhos!

– Você tem noção do quão gay você parece falando assim?

– Eu tô brincando, Kyunie, é claro que é de casal. Se fosse pra te deixar desconfortável eu nem te chamaria.

– Bem melhor. – Disse Kyuhyun sorrindo discreto, enquanto comia o ultimo pedaço de seu lanche. – Então é pra eu ir pra lá amanhã e de lá, viemos direto pra faculdade?

– Por mim está ótimo. – Afirmou Changmin. – Almoçamos em um lugar legal e depois podemos vir pra aula, porque eu sou péssimo na cozinha.

– Eu também. – Disse Kyuhyun rindo discreto. – Tá bom, Changminie, amanhã depois da aula, vamos pra sua casa.

Changmin sorriu em expectativa, pensando em todas as possibilidades que teria ao dormir sozinho com o rapaz. Ele terminou seu lanche, e os dois limparam o que sujaram e assim o professor voltou para a sala. O resto da aula foi maçante e repetitivo, e no final das contas, Changmin desejava que aquele dia passasse rápido e que o dia seguinte chegasse, para que ele e Kyuhyun pudessem ficar juntos. A aula acabou e como costumeiro, Changmin deixou Kyuhyun em casa antes de seguir para seu próprio apartamento.

Assim que chegou em casa, Changmin adentrou o local esperando encontrar Jaejoong e contar que seu amigo iria dormir lá no dia seguinte, no entanto, para sua surpresa, Yunho também estava lá. Os dois estavam sentados no sofá, cada um com uma taça de vinho branco em sua mão. A televisão estava ligada, mas eles estavam de frente um para o outro e riam de algo que Changmin desconhecia. Assim que ele se aproximou os dois perceberam sua presença e desviaram o olhar para si.

– Ah, Changmin-ah, que bom que chegou. – Disse Jaejoong animado – O Yunho-hyung trouxe jantar, nós já comemos, mas tem pra você ainda.

– Ah, obrigado hyung. – Disse Changmin, sorrindo simpático ao outro. – O que vocês andaram fazendo?

– Nós estávamos conversando na verdade. – Explicou Yunho. – Eu busquei o Jae na faculdade e nós viemos direto pra cá.

– E por falar em faculdade, o Kyunie vem dormir aqui amanhã Jae-ah. – Avisou Changmin, seguindo para a cozinha e servindo seu prato.

– E onde ele vai dormir?  – Indagou Jaejoong.

– No meu quarto, nem esquente com isso, nós vamos ficar lá estudando.

– Se você diz. – Disse Jaejoong sorrindo cúmplice para Yunho.

– E como vão as coisas com o Micky, hyung? – Indagou Changmin se recostando à parede na sala com o prato em mãos.

– Bem, eu acho que bem. Quer dizer, nós melhoramos algumas coisas, pioramos outras, é sempre assim.

– É difícil, hyung? Namorar outro homem?

– Todo relacionamento tem seus momentos difíceis, Changmin, independente do sexo. E eu e o Micky somos duas pessoas complicadas o que torna as coisas mais difíceis de acertar.

– E você? Acha o Kyuhyunie complicado? – Indagou Jaejoong.

– Ele tem os seus quês, mas eu acho que o homem que conseguir namorar com ele vai ser um cara de sorte.

– E você decididamente não iria se importar se Kyuhyun namorasse outro cara? – Indagou Yunho.

– O Jae não se importa com o seu namorado. – Acusou Changmin, fitando seu colega corar. – Eu e o Kyu somos amigos, como vocês.

– Sei. – Disse Jaejoong, sorrindo debochado do outro, enquanto disfarçava seu próprio incômodo.

– Hyung, eu posso te fazer uma pergunta indiscreta? – Disse Changmin, deixando o prato na mesa de centro e se sentando ao lado dos dois.

– Aish! – Disseram Yunho e Jaejoong em uníssono.

– Tá bom, então eu não pergunto! – Disse Changmin emburrado, fazendo os outros dois rirem. Jaejoong ainda deitou a cabeça no ombro de Yunho antes deste voltar a falar.

– Pergunte logo, Changmin. – Disse Yunho entre risos.

– Como você descobriu que gostava de beijar outro homem?

– Eu descobri quando senti vontade de beijar um amigo meu, e nós estávamos bêbados e nos beijamos. Foi quando eu comecei a explorar esse meu lado, e por mais complicado que possa ser, eu gostei.

– Quantos anos você tinha? – Indagou Changmin.

– Dezoito.

– Só aos dezoito? Antes não te dava vontade de ficar com outros?

– Não. Eu acho que me descobri aquela noite, entende? Eu sempre fui assim, só que ainda não sabia. – Explicou Yunho.

– E como você descobriu que gostava de fazer sexo com outros caras? – Indagou Jaejoong erguendo o rosto para poder fitar o mais velho.

– Aí só experimentando, Jae-ah. – Explicou Yunho. – É muito diferente e requer um pouquinho de prática pra que ninguém se machucar.

– Você já se machucou, hyung? – Indagou Changmin.

– Não, Changmin-ah, digamos que eu nunca fiquei em uma posição arriscada. – Disse Yunho rindo, para por fim envolver Jaejoong pela cintura e acariciar seu rosto para que este fitasse seus olhos. – Se quiser experimentar, escolha alguém que você confie e eu vou querer saber quem foi.

– Não, hyung, eu não quero.

Jaejoong afirmou com ar constrangido e um sorriso tímido no rosto. Suas mãos seguravam os ombros do outro e seus olhos permaneciam fixos aos do outro rapaz. O braço de Yunho continuava envolvendo o outro, enquanto sua outra mão agora acariciava a nuca do rapaz. Changmin conseguia ver os dois arrepiados com aquilo, e seus olhares pareciam hipnotizados um pelo outro.

Por alguns instantes Changmin acreditou que eles iriam se beijar e até desejou que seus lábios se tocassem para acabar com a tensão do momento, no entanto Jaejoong desviou o rosto e o escondeu contra o ombro do mais velho. Changmin suspirou baixinho e voltou a pegar seu prato já vazio da mesa, para só então desviar o olhar para Yunho que o fitava com ar tranquilo, enquanto acariciava as costas de Jaejoong com a ponta dos dedos.

– Obrigado por me responder, hyung. Se importa em guardar segredo sobre isso?

– Não se preocupe com isso, Changmin-ah.

Após se despedir dos dois, Changmin deixou seu prato na cozinha e tratou de ir para seu quarto ler ao menos um pouco do que Kyuhyun havia indicado. Ele deixou os dois sozinhos que agora conversavam em voz baixa, ainda abraçados, e então seguiu para seu quarto. No local, ele tratou de abrir o primeiro livro e se ajeitar em sua cama para lê-lo. Apesar de ser uma leitura técnica, Changmin não teve tanta dificuldade em entender o que estava escrito ali.

Quando ele já terminava o terceiro capítulo, Yunho bateu à sua porta para se despedir. Eles ainda conversaram por alguns instantes antes do rapaz partir em direção à porta, seguido por Jaejoong que falava sem parar. Changmin voltou para sua leitura, sem se importar em ter a porta de seu quarto aberta e somente desviou o olhar do livro quando algo chamou sua atenção.

Pelo reflexo do espelho de seu armário ele viu Jaejoong recostado a parede do corredor. O rapaz olhava para o teto e tinha a respiração um tanto ofegante, Changmin ainda não sabia por quê. Jaejoong retirou o moletom que usava e então exibiu seus braços com uma regata, além da jeans um tanto justa em seu corpo. O rapaz esfregou o pescoço com a mão, ainda com o rosto voltado para cima e agora com os olhos fechados.

Ele desencostou-se da parede e caminhou até a outra onde recostou a testa e cerrou os punhos com força. Changmin podia ver que o rapaz continuava ofegante, e os músculos de suas costas se tornaram mais evidentes quando seu corpo se arrepiou. Neste momento Jaejoong fraquejou e por aceitar que seu estado de espírito não aguentaria mais aquilo, ele virou-se e jogou as costas contra a parede como se punisse a si mesmo por sua fraqueza.

Changmin estava já sentado à beirada da cama, fitando o espelho fixamente e quando o rapaz se jogou contra a parede ele decidiu levantar e perguntar a ele o que havia de errado. No entanto, o que Jaejoong fez a seguir o fez mudar de ideia e permanecer ali o observando. Jae agarrou a barra de sua regata a amassando em uma última tentativa de se segurar e então sua mão escorregou por seu membro por cima da calça o qual ele agarrou com firmeza.

A mão de Jaejoong pressionava e relaxava sobre seu membro que aos poucos ganhava volume e se tornava visível mesmo por baixo da jeans de cor clara. Changmin começou a salivar e seu corpo todo se arrepiou, seu amigo estava tão excitado que ele quase conseguia sentir o cheiro de onde estava. E não era em uma mulher que o outro pensava, Changmin bem sabia, não com toda aquela intensidade, frustração e auto repreensão da parte do rapaz. Sua tese foi comprovada com o gemido que o rapaz soltou, baixo, mas claro:

“Yunho”

Jaejoong já impaciente, abriu o cinto que prendia sua calça, para por fim desfazer o fecho da mesma e a afastar, dando espaço para sua ereção. Com a ponta de seus dedos ele massageou sua própria glande, deixando sua boxer cinza com uma mancha úmida que foi prontamente captada pelos olhos atentos de Changmin. A mão de Jaejoong adentrou sua boxer e agarrou seu membro o qual ele começou a massagear.

No entanto, Changmin viu quando o outro rapaz percebeu a luz de seu quarto o iluminando no corredor de luz baixa. Ele bem sabia que quando Jaejoong erguesse o olhar, o pegaria no flagra pelo reflexo no espelho e assim com uma agilidade que não era própria ele saltou de seu lugar e correu para o banheiro de seu quarto. Ele se trancou no cômodo sem ter certeza se Jae o havia visto, e sem coragem para sair e checar. Aquilo havia sido a pior ideia que ele tivera em muito tempo. Espiar seu melhor amigo se tocando no corredor enquanto este pensava em outro homem era demasiadamente errado.

Ele saiu do banheiro depois de alguns instantes e percebeu que o outro rapaz não estava mais no corredor e isso o fez suspirar aliviado. Changmin retirou o livro de sua cama e o deixou sobre o criado-mudo, não tinha mais ânimo para estudar. Ele trocou de roupas e após estar devidamente trajado com seu pijama, deixou-se cair sobre a cama. Em seu celular, uma mensagem de “Boa noite, Changminie” de Kyuhyun estava abandonada há pouco mais de meia-hora.

Ele o respondeu com outro, “Boa noite, Kyunie, tenha bons sonhos” e só então se ajeitou para dormir. Changmin tentou se esforçar para esquecer o que vira, mas a cada vez que fechava os olhos lembrava-se de seu amigo recostado aquela parede entre gemidos e logo aqueles arrepios voltavam a sua pele. Jaejoong era bonito, Changmin admitia isso frequentemente, mas se fosse Kyuhyun recostado àquela parede, certamente ele teria perdido o bom senso.

Changmin rolou de um lado a outro na cama se esforçando para tirar aquilo de sua mente e depois de meia-hora, ele percebeu alguém parado a sua porta. Jaejoong acendeu a luz e o fitou sério com os braços cruzados em frente. Changmin sentou-se na cama ansioso, ele havia sido pego afinal e Jaejoong certamente o confrontaria. Eles haviam prometido que não fariam aquilo, que não pensariam aquelas coisas, no entanto aqueles rapazes enfraqueciam suas forças.

– Você me viu, não viu?

– Desculpe, foi sem querer. Não é como… – Justificou-se Changmin.

– Tudo bem. – Interrompeu Jaejoong desviando o olhar para o chão. – Eu estava no corredor, e não é lugar pra fazer essas coisas.

– Você precisava daquilo, não precisava? – Disse Changmin voltando a se deitar assim que o outro se sentou na beirada da cama.

– Um pouco. – Disse Jaejoong. – Depois que você saiu nós ficamos conversando sobre sexo e ele me contou aquela coisa de machucar o outro menino. E disse pra eu tomar cuidado, porque alguns caras… ele acha que eu vou… eu não vou fazer isso, Changmin-ah!

– Eu nem sei do que você está falando Jae-ah, explique isso direito!

– Ele acha que eu quero ser a menina de um cara, entendeu? – Disse Jaejoong, com ar inseguro.

– E você não quer?

Jaejoong levantou-se da cama e por um momento, Changmin acreditou ter ofendido seu melhor amigo, ele já pensava em se desculpar quando o outro parou ao lado da porta e apagou a luz de seu quarto. Ele já não conseguia ver Jaejoong, mas seus passos se aproximando da cama o indicaram que ele continuava lá. Por fim, seu colchão afundou na beirada e ele percebeu que o rapaz havia voltado a se sentar no mesmo lugar.

– Eu não quero olhar pra você enquanto falamos disso.

– Me conta.

– Não é que eu tenha virado mulher nem nada do gênero, Changmin-ah.

– Eu sei que não virou.

– Quando eu vi o Micky-hyung e o jeito que ele era, eu vi que apesar dele ser, você sabe, ele não é tão diferente assim de mim.

– Você queria estar no lugar do Micky-hyung?

– Mesmo que fosse por uma só noite, eu só queria experimentar um pouquinho do que pertence ao Micky-hyung. E eu sei que o Yunho-hyung ia me dominar, ele faz isso só de olhar pra mim, imagine se me tocasse.

– Eu não quero imaginar essas coisas. – Disse Changmin com sinceridade.

– Você deveria se aliviar assim também, ajuda a pensar melhor quando você para de lutar, mesmo que seja por alguns instantes.

– Eu sei que ajuda.

– Você já…

– Eu nunca fiz isso o que você fez pensando nele. Não sei, é estranho, acho que eu ia ter vergonha de encarar ele no da seguinte. – Afirmou Changmin. – Ele insiste pra eu arrumar uma namorada e que ele não é o que eu quero, mas o Kyunie não sabe, ele não entende como eu me sinto em relação a ele.

– O Yunho-hyung sabe o que eu quero, mesmo que eu não tenha falado nada. Ele sabe que eu quero experimentar, por isso ele falou aquilo de ser alguém em quem eu confio, e pra isso, eu só confio nele. Nenhum outro homem vai me dominar daquele jeito, Changmin-ah, não tem outro que tenha macheza o suficiente, você entende?

– Acho que sim. Jae-ah, o que você sente pelo hyung? É só tesão?

– Eu sinto um monte de coisas quando estou com ele, Changmin-ah, e nem todas as coisas são boas. Nós deveríamos ter saído com meninas, como havíamos combinado e talvez mantivéssemos uma amizade mais saudável com eles.

– De que adianta pensarmos nisso agora que eu me empolgo com cada sorriso que o Kyunie oferece pra mim?

– O que devíamos fazer?

– Eu vou fazer o mesmo que você, parar de lutar contra isso e aceitar que eu tô afim de outro homem. Ninguém precisa saber, não é mesmo? Nem eles.

– É uma boa ideia. Eu devia assumir que também quero o Yunho-hyung mais do que como amigo. Changmin-ah, se alguém souber eu estou perdido, porque o Micky-hyung vai querer acabar comigo.

– Ninguém vai saber, Jae-ah, vai ser mais um segredo nosso está bem? Só me promete uma coisa.

– O que?

– Se acontecer algo entre vocês dois, eu quero que me conte.

– E se acontecer algo entre você e o Kyuhyun eu também quero saber, esse é o combinado.

– Está bem.

– Eu posso te fazer uma ultima pergunta? – Disse Jaejoong.

– Pode Jae-ah.

– Você gostou do que me viu fazendo? O que você sentiu?

– Eu gostei. Acho que eu preferia ver o Kyu, mas eu gostei sim.

– Está bem. – Disse Jaejoong extremamente corado, o que não foi visto pelo amigo. – Eu vou dormir, Changmin-ah.

– Você vai ficar legal?

-Numa boa, eu relaxei depois que… você sabe. E você, vai ficar bem?

– Vou sim, Jae-ah, eu vou sim. Boa noite.

– Bons sonhos.

Jaejoong se levantou da cama e se espreguiçou demoradamente antes de seguir para a porta do quarto. Ele ia fechando a mesma para dar mais privacidade ao amigo, mas parou antes de bater a porta. Jae colocou o rosto para dentro do quarto e estava pronto para confessar outro segredo ao seu amigo, mas desistiu. Changmin acenou para ele que acenou de volta, sendo possível visualizar apenas as silhuetas de ambos.

E assim Jaejoong o deixou sozinho. Changmin ficou satisfeito em ter sido sincero com seu amigo, e saber que ele estava tão confuso quanto a si era algo até mesmo confortador.  E apesar de permanecer confuso em relação ao que sentia, ele dormiu tranquilamente aquela noite. Tão tranquilo que no dia seguinte acordou tarde demais para almoçar e se atrasou para a aula.

Ele chegou à faculdade meia-hora atrasado e ainda com fome, uma vez que seu almoço fora meio cupcake que Jaejoong ganhara de presente no dia anterior de Yunho e dividira consigo. Changmin subiu as escadas a largas passadas, esperando chegar logo à sala e tentar não levar mais uma falta naquela matéria. Ele estava no último degrau quando ouviu uma voz conhecida chama-lo do fim da escadaria, assim que ele se virou, Kyuhyun começou a subir em sua direção. Ele não trazia a costumeira pasta e sim uma grande mochila nas costas e um portador de notebook nos braços.

– Você está atrasado. – Acusou Kyuhyun.

– Ah, você também. – Disse Changmin sorrindo divertido ao outro, enquanto caminhava ao seu lado. – Vai acampar onde?

– Na toca do Pernalonga. – Disse Kyuhyun entre risos.

– Ei, nem começa, isso é bullying! Kyunie, eu tô com fome, acordei tarde e não almocei.

– Ah, eu tenho algo para você. – Disse Kyuhyun sorrindo e retirando de sua mochila um daqueles potes de salada de frutas que ele tanto gostava de comer e finalmente o entregando a Changmin. – Você anda comendo muito mal, tem que começar a se alimentar direito e não só esses lanches da faculdade.

– Os seus presentes sempre vem com uma bronca embutida? – Disse Changmin rindo-se ao pegar o que lhe era oferecido.

– Você sabe que merece a bronca. – Disse Kyuhyun abrindo a porta da sala ao amigo e só então entrando atrás deste.

– O que seria de mim sem você não é mesmo? – Afirmou Changmin antes de entrar na sala e seguir para seu costumeiro lugar.

Kyuhyun chegou a rir soprado do comentário do amigo e finalmente adentrou a sala de aula. Obviamente o professor olhou torto para eles, mas não fez comentário algum. Como seria um dia todo de aulas com o mesmo professor, eles decidiram pular o intervalo e terminar a aula mais cedo. E como o final desta foi uma pequena atividade sobre um texto teórico, no final, Kyuhyun e Changmin saíram da aula meia-hora antes do costumeiro.

Depois que Changmin se despediu de seus colegas, os dois saíram corredor afora e estranhamente ainda não estava anoitecendo. Os dois tinham fome, mas Changmin convenceu o menor a deixar para comer em sua casa pra que não pegassem trânsito. Assim, quinze minutos depois de deixar a faculdade, Changmin adentrava o estacionamento de seu apartamento, só então percebendo o olhar curioso de Kyuhyun.

Assim que o carro parou, Kyuhyun soltou o cinto de segurança, no entanto ao contrário do que o menor previu, Changmin virou o corpo de lado e o abraçou pela cintura. Kyuhyun mesmo que quisesse não tinha para onde escapar e assim deixou-se ficar nos braços do outro rapaz que escondera o rosto em seu ombro e agora agarrava a barra de sua camisa.

– Por que está me abraçando assim, Changminie?

– Porque você não me deixa abraçar em público e em casa você vai dizer que o Jaejoong vai ver a gente, então estou aproveitando o tempinho aqui.

– Ah, é isso. – Disse Kyuhyun rindo baixinho. – Então vem aqui.

Kyuhyun abraçou o outro pelos ombros e o deixou que recostasse a cabeça em seu peito e fechasse os olhos. Changmin sorriu com o canto dos lábios ao ouvir as batidas do coração do outro aceleradas, e assim pressionou sua cintura com firmeza. Kyu passava a ponta dos dedos pelos cabelos castanhos do outro, enquanto fitava sua feição calma. Ele gostava de Changmin e gostava daqueles abraços iniciados pelo outro, pois eram a indicação do quanto ele precisava de sua presença.

Depois de algum tempo na mesma posição, Changmin ergueu o rosto e selou a maçã do rosto do outro que corou ao toque de seus lábios. Kyuhyun o afastou e acariciou os cabelos do outro uma última vez antes de pegar sua mochila e juntamente com o rapaz sair do veículo. Changmin segurou sua mão e seguiu para o elevador puxando o rapaz consigo. Eles adentraram o elevador e permaneceram de mãos dadas enquanto esperavam este chegar ao andar correto.

Kyuhyun deixou sua mão sobre a do outro até que este a soltou para pegar o molho de chaves. Há muitos anos ele não andava de mãos dadas com ninguém e a sensação não havia sido de todo ruim. Changmin abriu a porta e abriu espaço para o outro adentrar o local. Kyuhyun sorriu discreto e adentrou o apartamento do outro, deixando seus sapatos na entrada. Changmin tratou de abrir as janelas para arejar o local e então mostrou seu quarto a Kyuhyun para que eles deixassem suas coisas.

Kyuhyun fitou o quarto do outro maravilhado. Era espaçoso e tinha uma grande cama ao recostada a parede. Um guarda roupa de seis portas e uma mesa que deveria servir para os estudos do rapaz, pois os livros deste estavam sobre ela. Kyuhyun sentou-se na beirada da cama e retirou os óculos se espreguiçando demoradamente. Só então ele abriu a mochila e retirou os exercícios de calculo que eles haviam combinado terminar aquela noite.

– Eu quero começar essas contas antes que me dê preguiça.

– Vai fazendo, Kyunie, eu vou pedir comida pra gente.

– O que vai pedir?

– Eu tinha pensado em pizza.

– Ah não, Changminie, pede kimchi com frango, eu tô com vontade de comer isso.

– Eu conheço um bom lugar que entrega kimchi, posso ver se tem de frango.

Changmin retirou seu celular do bolso e sentou-se na cadeira giratória de frente para a mesa e começou a procurar o telefone do local. Depois de algumas chamadas, Changmin negociou as duas refeições e refrigerante de acompanhamento. Assim que isso estava resolvido, Changmin pegou sua lista de exercícios e sentou-se ao lado de Kyuhyun. O mais alto apoiou as costas na cabeceira da cama e logo posicionou um travesseiro para que o outro sentasse ao seu lado.

Eles permaneceram as horas seguintes resolvendo tais exercícios e só pausaram quando as refeições chegaram. Durante o jantar, os dois conversaram sobre os mais diversos assuntos e depois voltaram aos estudos. O silêncio somente era cortado quando Changmin tinha alguma dúvida, ou quando eles queriam comparar resultados. Kyuhyun terminou sua lista antes e enquanto Changmin não chegava ao final ele tratou de continuar sua leitura técnica da noite anterior.

– Changminie… – Chamou Kyuhyun quando o rapaz comparava suas respostas prontas. – Eu estava pensando, não adianta a gente querer começar a introdução do artigo hoje se nem lemos as coisas ainda.

– Você acha que temos que desenvolver o artigo antes de escrever a introdução?

– Sim, na introdução tem que ter a estrutura e é melhor que já os tenhamos prontos. Vamos fazer a introdução por último.

– Eu já estou terminando aqui, e depois eu vou ler o que você indicou, Kyunie. – Disse Changmin voltando a fitar seus papéis.

Kyuhyun achava lindo quando aquele rapaz se concentrava de verdade em uma atividade. Seus lábios ficavam entreabertos e vez ou outra ele os pressionava. Seu olhar era fixo e a respiração mais lenta, vez ou outra ele mexia no cabelo ou coçava a nuca com a lapiseira quando tinha alguma dúvida. Kyuhyun descansou o livro em suas coxas e se permitiu observar o outro que demorou alguns instantes para perceber seu olhar sobre si.

Assim que terminou o último exercício, Changmin ergueu o rosto e flagrou o outro rapaz com o olhar fixo em si. Kyuhyun sorriu a ele assim que seus olhares se encontraram, e o mais alto prontamente retribuiu seu sorriso. Kyu pendeu seu corpo para o lado em direção ao outro e selou seu rosto demoradamente, levando uma das mãos aos cabelos do mesmo e o acariciando com a ponta dos dedos.

Eles só se afastaram quando ouviram a porta de entrada bater e Jaejoong anunciar sua chegada. Changmin o disse que eles estavam no quarto e assim Jae os encontrou lá, parando finalmente para conversar com os dois. Ele os disse que fora a mesma delicatessen que eles haviam ido na semana anterior com Yunho e seu namorado. O rapaz não pareceu tão animado ao falar de Yoochun, mas ainda assim a noite havia sido agradável para ele. Depois de conversarem sobre o dia de cada um, Jaejoong voltou a deixa-los a sós afirmando estar cansado. Somente depois que este fechou a porta, Kyuhyun desviou novamente seu olhar a Changmin.

– Eu estou cansado. – Afirmou Kyu. – Acho que vou colocar o meu pijama e me ajeitar para ir dormir.

– Eu também estou ficando com sono. – Confessou Changmin.

Kyuhyun sorriu para ele e se levantou guardando o livro em sua mochila e retirando da mesma um pijama de cor azul clara. Changmin por sua vez foi até o guarda roupa e de lá pegou uma camiseta branca e um moletom cinza. Kyu foi o primeiro a se livrar de suas roupas, e o mais alto não pôde deixar de reparar no físico do mesmo. Sua pele clara estava exposta tão próxima a si que ele sentiu sua mente girar.

Quando Kyuhyun flagrou seu olhar, ele sorriu sem jeito e tratou de retirar suas próprias roupas. Primeiramente livrou-se da camisa, deixando seu peitoral e abdômen expostos para o outro. Finalmente suas calças foram ao chão e ele exibiu uma boxer da mesma cor escura do outro que agora erguia suas calças e voltava a esconder o corpo. Kyu sorriu sem jeito enquanto guardava suas roupas e só então percebeu que era a primeira vez que ele via Changmin seminu e concluiu que o rapaz era ainda mais bonito do que ele havia imaginado.

Kyuhyun ajudou o outro a arrumar a cama e assim, sentou-se na mesma esperando pelo rapaz. Changmin apagou as luzes e se deitou ao lado de Kyuhyun, virando-se para este. Assim que seus olhos se acostumaram e ele conseguiu ver a silhueta do rapaz, percebeu sua mão próxima ao seu rosto repousada sobre o travesseiro e a segurou com a própria. Seus dedos se entrelaçaram aos do outro e se acariciaram mutuamente.

– Posso te dizer uma coisa, Changminie? – Indagou Kyuhyun.

– Pode.

– Eu te acho muito bonito. Eu sei que esse não é uma coisa pra se dizer pra um amigo, mas…

– Eu também acho você bonito. E isso é bem pior pra mim, porque eu não sou gay e mesmo assim…

– Você não me perguntou mais do Siwon. – Interrompeu Kyuhyun antes que ele ficasse mais envergonhado com os elogios do outro.

– Você quer falar do Siwon hoje? – Indagou Changmin.

– Não, é que você não perguntou mais e eu estranhei.

– Já que você comentou, me deixa te perguntar uma coisa, mas essa é bastante indiscreta.

– Aish! – Kyuhyun riu discreto, curioso para saber o que o outro desejava descobrir.

– Quando você e o Siwon faziam sexo, você era o menino ou a menina da relação?

Kyuhyun imediatamente começou a rir da pergunta do outro. Não que não fosse uma dúvida plausível para alguém que não tinha intimidade com o sexo gay, mas a forma como Changmin o perguntara aquilo fora algo cômico. Changmin estranhou a reação do outro e esperou sua resposta, em silêncio, apesar de estar ansioso.

– Desculpe Changminie, mas essa coisa de “menino e menina” me pegou de surpresa. Por que quer saber isso?

– Porque… ah, eu não posso te contar, é um segredo.

– Um segredo? Então eu também vou manter isso em segredo, se você não me contar.

– Aish, Kyunie, não é justo me deixar curioso.

– Me conta o segredo então.

– Fala você primeiro porque eu perguntei primeiro. Você era o menino ou a menina?

– Do Siwon eu era a menina. – Afirmou Kyuhyun sentindo esquentarem as maçãs de seu rosto. – Agora fala você o seu segredinho.

– O segredo não é bem meu, Kyunie, é mais do Jaejoong. – Explicou Changmin. – Você promete que não vai ficar bravo e nem estranho comigo? E que não vai contar pra ninguém?

– Eu prometo. – Disse Kyuhyun aproximando mais o corpo do outro ainda segurando sua mão.

– Ontem o Yunho-hyung veio aqui e nós ficamos conversando sobre essa coisa de sexualidade e sobre como funciona o sexo entre dois homens.

– Foi ele quem te ensinou essa de “menino e menina da relação”?

– Não, isso quem inventou foi o Jaejoong, mas eu vou chegar lá. Aí eu vim pro quarto e deixei os dois na sala conversando, e fui ler o que você tinha pedido. Foi aí que uma coisa aconteceu, lembre que você prometeu não ficar bravo. – Kyuhyun assentiu. – Eu estava deitado aí no seu lugar e vi pelo espelho o Jaejoong, e bem, ele estava, sabe, tocando naquele lugar.

– Se masturbando?

– Exato. Aí eu fiquei olhando pra ele, até que ele me pegou no flagra. Depois que tudo passou nós conversamos e ele disse que ele e o Yunho-hyung ficaram conversando sobre essa coisa de posição na hora do sexo e que o hyung estava acreditando que ele quer sabe… ser dominado por alguém.

– E ele quer?

– Não sei. – Mentiu Changmin. – Aí eu fiquei pensando em você porque você não parece o tipo de cara que se deixa dominar, mas por outro lado o Siwon era mais velho e por consequência mais forte então ele também não iria ceder.

– E ele não cedeu, mesmo quando eu fiquei mais velho, ele não me deixava nem chegar perto. – Disse Kyuhyun pensativo, se ajeitando na cama e deitando a cabeça sobre o ombro do outro que agora segurava sua outra mão. – Mas por outro lado ele também sempre foi muito controlador e eu sabia com o que estava lidando. Não havia uma brecha no discurso dele que eu pudesse usar como argumento pra ele ceder pra mim, e assim nós permanecemos até… o final.

– Você gosta disso Kyunie, de ser… invadido?

– Eu gostava quando era com o Wonie, depois… – Kyuhyun somente percebeu que usara o antigo apelido de seu namorado quando já havia feito. Ele virou o rosto e o escondeu contra o pescoço do outro, para por fim, mudar de assunto. – Vamos falar de você agora, Changminie.

– De mim?

– Você gostou do que viu o Jae fazendo?

– Se eu disser que sim, você vai dizer que eu sou gay?

– Você tentou me beijar e eu ainda não te acusei de nada. – Afirmou Kyuhyun.

– Nós combinamos que não falaríamos mais daquele dia. – Disse Changmin selando o topo da cabeça do outro demoradamente. – Mas se quer saber eu gostei sim, e eu já contei isso pra ele também.

– Você ainda quer experimentar? – Indagou Kyuhyun erguendo o rosto e o tronco para poder fitar o outro, mesmo que só conseguisse ver sua silhueta. – Sabe que não poderia ser comigo, não sabe?

– Por que não? – Indagou Changmin rolando o corpo até ter seu tronco sobre o do outro que recaíra sobre a cama. – Porque eu sou o único com potencial pra te controlar? Porque você tem medo de ser dominado por mim?

– Não seja tão petulante, você nem sabe como essas coisas funcionam ainda. – Ralhou Kyuhyun.

– Eu posso não saber como as coisas são, mas agora tenho certeza do que eu quero.

– Por favor, pare com isso.

– Você fala como se quem estivesse em dúvida com a sexualidade fosse você. Eu pedi algo absurdo, Kyuhyun? É só um beijo que ninguém vai saber que aconteceu se nós não contarmos.

– Se eu te der essa droga de beijo você me deixa em paz??

– Eu não falo mais desse assunto. – Disse Changmin escorregando o corpo e se deitando sobre o rapaz, deixando apenas o tronco elevado e apoiado pelos cotovelos.

– Vai ser só dessa vez e depois nunca mais.

Kyuhyun suspirou pesadamente em expectativa enquanto sentia o corpo do outro estremecer e vacilar sobre si. O mais alto acariciou seus cabelos com a ponta dos dedos antes de aproximar o rosto e se permitir inalar o hálito fresco de Kyuhyun. E é claro, o cheiro daquela pele que o fazia arrepiar cada vez que ele se aproximava, aquela pele que ele finalmente podia tocar mais intimamente sem medo de ser repreendido pelo outro rapaz.

Finalmente seus lábios se encontraram e foram pressionados um contra o outro. Changmin se permitiu provar da textura dos lábios quentes do outro, mas logo a urgência tomou conta de si e ele os moveu. Kyuhyun fez o mesmo em sincronia e encaixou o lábio superior de Changmin entre os seus, enquanto ele fazia o mesmo com seu inferior e eles se sugaram delicadamente.

Kyuhyun sentiu a saliva do outro recostar-lhe e umedecer seus lábios, o fazendo sugar o lábio do outro com mais afinco. Um fio de saliva se formou entre suas bocas quando Changmin cortou momentaneamente o beijo e pendendo o rosto de lado voltou a colar os lábios aos do outro. Desta vez sua boca se abriu, em um pedido mudo para que a boca de Kyuhyun também se abrisse e sua língua adentrou a cavidade bucal do rapaz.

Os dentes de Kyuhyun mordiscaram a língua do outro enquanto esta ainda transpassava para sua boca e finalmente os dois músculos úmidos se encontraram e se provaram pela primeira vez. A língua de Kyuhyun circulou a do outro antes que estas começassem a roçar a medida que seus lábios iam sugando um ao outro com mais afinco. Aos poucos a língua de Changmin explorava toda cavidade bucal do outro, experimentando a textura de cada parte assim como seus sabores.

Changmin salivava com aquele beijo que fora um dos mais molhados que Kyuhyun havia experimentado até então. Ele havia adorado a sensação dos lábios úmidos do outro escorregando sobre os próprios e sua saliva vez ou outra escorrendo deliciosamente para dentro de sua boca enquanto suas línguas brigavam por espaço. Foi Kyuhyun quem cortou o beijo quando seu fôlego fez falta e assim o mais alto se afastou ofegante. Era de longe o melhor beijo que Changmin havia provado.

Em contrapartida, o beijo de Changmin era exatamente o que Kyuhyun mais temia, algo que o paralisasse e enfraquecesse seu ego. Ele havia previsto que baixaria sua guarda caso cedesse ao rapaz, mas nunca se imaginou trêmulo como estava, com as mãos repousadas ao lado do rosto e as pernas separadas para que ele se encaixasse entre elas e seus corpos tivessem mais contato. Kyuhyun sequer se lembrava de como suas pernas terminaram naquela posição e ele não poderia fecha-las enquanto o outro não se afastasse. Mentalmente ele constatou que aquela deveria ser a posição mais perfeita para o que Changmin definira como a “menina da relação”.

– Changminie?

– Kyunie…

A voz de Changmin saiu rouca e ele rolou para o lado do rapaz antes que aquele contato resultasse em uma indesejada ereção. Kyuhyun deitou-se de lado e repousou a mão sobre a cintura do mais alto agarrando-lhe a camisa. Sem mais resistir, Changmin segurou-lhe a nuca e voltou a colar os lábios aos do outro, roubando-lhe vários selares que Kyuhyun calmamente correspondia. Os barulhos estalados de seus beijos ressoavam pelo quarto e as vezes os sussurros deles chamando um pelo outro.

– Foi mesmo o primeiro e último beijo? – Indagou Changmin entre os selares.

– Sshh, eu não consigo pensar, Changmin. – Confessou Kyuhyun, roubando alguns beijos do outro.

– Eu quero passar o resto da noite beijando você. – Disse Changmin após se demorar em um dos beijos que dera nos lábios do outro.

– A gente não pode, Changminie. Temos que descansar e conversar sobre isso amanhã. – Disse Kyuhyun sussurrado, podendo sentir a decepção do rapaz sem sequer fitar suas feições. – Você sabe que isso é errado.

– O seu beijo é tão gostoso, não pode ser errado, e mesmo que eu quisesse dormir não vou conseguir.

– Vamos tomar um copo de leite lá na cozinha, isso sempre me ajuda quando eu estou com insônia. Até lá já vamos estar mais calmos e aí vamos poder dormir.

Changmin concordou prontamente com a ideia do outro, que por mais infantil que pudesse parecer, era a única solução que eles tinham naquele momento. O mais alto indicou que Kyu ficasse ali e ele traria os copos de leite para que eles tomassem juntos. Quando Changmin acendeu a luz do quarto, Kyuhyun tinha apenas o tórax descoberto e os dois primeiros botões de seu pijama estavam abertos. Ambos estavam corados e com os cabelos desgrenhados e, obviamente, os lábios inchados e rosados pela fricção. Algo tentador demais para que eles permanecessem se fitando por muito tempo.

Changmin não se demorou a voltar com os dois copos com leite e Kyuhyun deitou a cabeça em seu ombro enquanto saboreava o conteúdo, sentindo a mão livre do outro dedilhar seu couro cabeludo. Assim que os copos estavam vazios, Changmin os deixou sobre a mesa de cabeceira e voltou a abraçar o menor pela cintura o mantendo próximo a si. Kyu sorriu tranquilamente para ele e acariciou seu rosto com a ponta dos dedos antes de indagar-lhe:

– Acha que consegue dormir agora?

– Eu posso tentar. Me deixa te abraçar quando a gente estiver deitado?

– Eu deixo.

Changmin sorriu mais do que satisfeito e finalmente levantou-se para apagar a luz e fechar a porta de forma que não fossem flagrados pela manhã. Kyuhyun deitou-se e logo as mãos habilidosas de Changmin envolveram sua cintura e seu rosto se aproximou do próprio novamente. Eles ainda estavam confusos em relação ao futuro daquilo que começara naquela noite, mas a presença um do outro os acalmava.

Naquela madrugada de céu estrelado os dois adormeceram embalados apenas por seus corações que batiam em compasso. Não havia ninguém ali para repreendê-los por seus desejos e sentimentos e por aquelas poucas horas em que beijos estalados e intensos foram trocados, os dois se despiram de seus preconceitos e se entregaram ao sentimentalismo. O amanhã de Kyuhyun e Changmin poderia ser incerto, mas o hoje certamente era um momento feliz.

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