Capítulo 09: From kiss to kiss

 

Changmin acordou na manhã seguinte sozinho na cama. Kyuhyun havia deixado o rapaz adormecido e substituíra seu corpo por um travesseiro ao qual ele se encontrava abraçado. Ele se remexeu e sentiu o aroma do outro ainda espalhado pelo quarto e percebeu que o chuveiro do banheiro de seu quarto estava ligado e pijama de Kyuhyun estava dobrado ao lado de sua mochila aberta.

Changmin se revirou na cama e fitou a porta fechada de seu banheiro, sentindo uma sensação gelada no estômago ao pensar naquele que lá dentro se encontrava. Ele ainda sentia o sabor dos lábios do outro sobre os seus, a pele quente deste roçando sobre a sua, seu aroma intoxicante o levando ao seu mais profundo estado de torpor. O chuveiro desligou e Changmin sorriu.

Ele voltou a abraçar o travesseiro que fora posicionado entre seus braços e manteve o olhar sobre a porta que ele agora ansiava que se abrisse. E alguns minutos depois seu anseio foi cessado e Kyuhyun se revelou de trás da porta do banheiro. Kyuhyun trajava roupas simples e sua toalha estava jogada por seu pescoço. O rapaz trazia consigo sua escova de dentes, a qual foi devolvida para a mochila assim que ele se aproximou da cama.

– Bom dia, bela adormecida.

Changmin apenas sorriu em resposta enquanto fitava o rapaz embalando seus pertences com calma. O mais alto sentou-se na cama e se espreguiçou enquanto ainda fitava o outro que agora retirara um vidro quadrado de sua bolsa, com um líquido verde claro. Ele passou uma gota da colônia em cada lado de seu pescoço, próximo ao lóbulo de sua orelha e logo aquele cheiro se espalhou pelo local, fazendo Changmin suspirar profundamente.

O mais alto se levantou ainda sem respondê-lo e aquilo fez Kyuhyun sentir-se inseguro. Changmin foi ao banheiro e deixou a porta recostada enquanto o usava, deixando o menor sozinho com seus pensamentos. Ao contrário de Kyu, o mais alto não levou mais de dez minutos para deixar o banheiro já com o hálito fresco e os cabeços alinhados. Kyuhyun olhou para ele desconfiado e mais sério, mas o que ele fez acalmou seu coração.

Changmin caminhou em sua direção a passos largos e segurou ambas as suas mãos. Kyuhyun desviou o olhar do mais alto e este já reconhecia as negações do outro antes mesmo que seus lábios se pronunciassem. Ainda assim ele o desejava, como o desejara na noite anterior e na anterior. Antes que Kyu pudesse reagir, os lábios de Changmin juntaram-se aos seus e eles se provaram uma segunda vez. Suas línguas dançaram em suas bocas, e o néctar doce daquele beijo que ambos tanto gostaram foi sentido novamente. Quando se separaram, o olhar de Changmin encontrou-se ao do outro e ele disse em voz baixa.

– Bom dia, Kyunie.

Os lábios de Kyuhyun estavam úmidos quando exibiram um sorriso discreto ao ouvir a saudação do rapaz. O menor envolveu ele pelos ombros e recostou sua cabeça contra o corpo do mesmo, ali descansando. Changmin repousou suas mãos na cintura do outro e o deixou recostar-se a si, era a primeira vez em anos que ele sentia uma paz tão pura e plena. Se era aquilo o que os escritores afirmavam ser “estar apaixonado” ele ainda não saberia dizer. Antes que ele pudesse reafirmar seus pensamentos, Kyuhyun voltou a falar.

– Eu disse noite passada que nós conversaríamos agora pela manhã.

– Quer conversar agora?

– Não. Eu quero falar com o Donghae-hyung antes. Eu sempre converso com ele quando as coisas ficam complicadas e assustadoras.

– Está assustado?

– Um pouco. – Afirmou Kyuhyun escondendo o rosto contra o pescoço do outro. – Você é uma incógnita pra mim, sempre foi, desde o dia que resolveu me procurar atrás do Candy Bar.

– Uma incógnita? Achei que depois do que passamos ontem, as minhas intenções estavam mais do que claras.

– Então verbalize, Changmin, o que exatamente você quer de mim? – Disse Kyuhyun erguendo o rosto a fim de buscar o olhar do outro rapaz.

– Eu quero… você. Isso não é suficiente?

– Isso é muito vago! Se você me dissesse, sei lá, quero transar com você porque você parece com as vadias da faculdade, eu entenderia. Ficaria com raiva, socaria sua cara, nós nunca mais nos falaríamos de novo, mas eu entenderia.

– Não é isso que eu quero de você e nem de longe você se compara a qualquer outra pessoa com quem eu tenha me relacionado.

– Então o que é? Você espera o que de mim? Um relacionamento sério? Você é gay então? Ou bissexual? Ou só um curioso me usando como cobaia? Você está apaixonado ou é só tesão? Você sabe como é estar apaixonado?

– Kyu, não existe relacionamento sem riscos, por mais superficiais que eles sejam, sentimentos são involuntários. Não tem como você prever se daqui um mês estará apaixonado por mim ou sentindo nojo de mim. Resta decidir até que ponto estaríamos dispostos a arriscar.

– Mas eu também não posso entrar em algo que são apenas riscos. O que acontece, Changmin, é que tem alguma coisa em você que me deixa abalado. Você me confunde e depois me beija e depois me confunde de novo. Isso não se faz!

– Eu não faço por mal, eu estou tão confuso quanto você senão mais. Pelo menos você tem certeza que é gay, eu não sei mais como me classificar e ainda assim, eu não quero que isso que começou acabe. Nós mal começamos, Kyuhyun, pra que complicar tanto?

– Eu não quero que dê errado de novo. – Disse Kyuhyun amargurado. – E eu juro que se você não me deixasse exatamente como ele me deixava, nós nem estaríamos tendo essa conversa!

Changmin afrouxou o abraço assim que o outro fez menção de se afastar de si. Kyuhyun virou de costas para o mais alto e suspirou profundamente, sentindo seus ombros tensos já pela manhã. Changmin enxugou a testa com as costas da mão fitando o rapaz a sua frente um tanto agoniado. Ele queria respostas e o mais alto não podia culpa-lo por isso. Changmin se aproximou do outro e o envolveu pelos ombros, depositando um beijo no topo de sua cabeça antes de se manifestar.

– Eu quero o seu bem, Kyuhyun.

– Eu sei disso, Changminie.

– Vamos combinar assim, você conversa com o Donghae-hyung enquanto eu coloco as minhas ideias no lugar e depois tomamos uma decisão mais duradoura. Até lá, trocamos beijinhos escondidos, o que você acha?

– Beijinhos são de graça não é Changminie? No coração é onde mora o problema.

– Eu vou cuidar do seu coração, Kyu, vou curar as feridas que ainda machucam ele e te dão medo.

– Não prometa o que não pode cumprir.

– Eu jamais faria isso, mas compreendo a sua insegurança.

– Changmin, eu sei que nosso relacionamento não é sério nem nada, mas… se importa em não ficar com mais ninguém enquanto estiver comigo? Eu não gosto de dividir.

– Tudo bem. – Afirmou Changmin. – Você sabe que horas são?

– Quinze minutos para muito atrasados para a aula. – Disse Kyuhyun entre risos, virando-se de frente para o outro. Ele agarrou a barra da camisa do rapaz e a puxou para cima, exibindo o abdômen do mais alto. – E você ainda nem se trocou.

– Pois é, ainda não. – Disse Changmin retirando sua camisa e deixando que o outro admirasse seu físico bem trabalhado. – Ou a gente podia ficar aqui, sabe? Sem roupa?

– Você quer parar com isso, a gente nem começou ainda e você já quer…

Changmin riu alto e finalmente roubou um selar dos lábios do outro, que socou seu ombro antes de correspondê-lo. Kyuhyun finalmente se desvencilhou do abraço e voltou a arrumar suas coisas com o outro ainda o fitando. Changmin, por sua vez, foi ao seu guarda-roupa de onde retirou o que usaria aquele dia, assim como uma toalha. Ele o avisou que tomaria banho e depois de Kyuhyun reclamar o quão atrasados eles já estavam o outro entrou no banheiro.

Kyuhyun deitou-se na cama do mesmo com ar emburrado. Ele estava faminto e detestava atrasos, ao contrário do irresponsável Changmin. O rapaz levou pouco mais de vinte minutos no banho enquanto o outro fitava seu armário fixamente, sentindo seu coração apertar e acelerar toda vez que ele pensava em Changmin. Quando a empolgação e curiosidade de Changmin passasse, não sobraria muito para Kyuhyun e ele não estava disposto a ter seu coração dilacerado novamente.

Quando o outro saiu, ele encontrou o rapaz cochilando sobre sua cama. Ele constatou que poderia passar o resto do dia apenas o observando daquela forma, calmo e silencioso, no entanto eles tinham seus afazeres. Changmin terminou de se arrumar e como Kyu não se moveu ele resolveu chama-lo, deitando-se logo atrás deste e o abraçando pela cintura. Kyuhyun acariciou a mão do outro sobre sua barriga e suspirou pesadamente, se recolhendo naquele delicioso abraço.

– Vamos pra aula? – Disse Changmin. – Eu paro em uma lanchonete de Waffles, e nós podemos pedir um cappuccino e ir comendo no caminho.

– Waffles? Com melado?

– Até chantilly se você quiser, meu príncipe.

– Príncipe? Que apelido mais gay, Changmin! – Disse Kyuhyun entre risos virando o rosto para poder fitar o outro. – Sabe o que eu queria? Ficar aqui, uns três dias seguidos e deixar os meus pensamentos do lado de fora. Só eu, você e os seus beijos.

– E daí? Ninguém está sabendo do seu apelido mesmo. – Disse Changmin entre risos. – Nós dois temos desejos, Kyunie, mas já combinamos como vai ser.

– Changminie, você quer ir viajar comigo no feriado? – Disse Kyuhyun atropeladamente, sentindo o rosto corar ao terminar a frase.

– Viajar? Pra onde, Kyu?

– É que o Donghae-hyung me chamou pra ir a praia com ele, em um lugar que nós já fomos antes. E iríamos eu, ele, o Hyuk-hyung, o Sungmin e o namorado dele. São dois casais e eu, aí o Hae-hyung disse que eu poderia levar mais alguém e bem… podia ser você né?

– Claro que podia, mas como vocês vão? – Afirmou Changmin, sorrindo.

– Bem, o hyung disse que o Sungmin vai no carro dele com o namorado, então nós dois podemos ir no carro do Hyukie-hyung.  Nós podemos dividir o quarto,  a casa que eles alugam quando vão pra lá é bem grande.  Vai ser no próximo feriado, o que você acha?

– Eu iria amar ir com você e os seus amigos pra praia, Kyunie, mas você acha que eles vão gostar de mim?

– Eles já gostam.

Changmin exibiu ao outro seu sorriso mais feliz ao saber de tal notícia, ele roubou um selar dos lábios do outro e o puxou pela mão para que eles finalmente saíssem do quarto. Àquela hora, a aula já havia começado e eles estavam terrivelmente atrasados, mas fora uma manhã produtiva para os dois confusos rapazes. Como o prometido Changmin comprou waffles para eles no caminho, e ao chegar à faculdade, Kyuhyun teve que lavar o rosto já que não conseguiu manejar o melado no carro, o que arrancara boas risadas de Changmin.

A aula se passou rapidamente apesar dos dois rapazes atrasados. Mesmo com seus complicados pensamentos, eles conseguiram se concentrar na aula que naquele dia fora demasiadamente pesada. Ao final, Changmin estava sonolento e Kyuhyun com dor de cabeça, mas seus afazeres estavam terminados. Assim que o professor tratou de guardar suas coisas e se arrumar para fazer a chamada, Kyu voltou-se para Changmin que atrás de si cochilava sobre a carteira.

– Acorda, seu preguiçoso! Dormiu até tarde e depois ainda dorme na aula, que coisa feia, Changmin!

– Essa aula foi mais chata do que o normal. – Disse Changmin com o rosto escondido entre seus braços.

– Changminie, me dá uma carona até o Candy Bar hoje? – Indagou Kyuhyun, fitando o rosto do outro que ergueu o olhar para si.

– Vai trabalhar hoje?

– Não é isso. O Donghae-hyung disse que queria me ver lá, pra eu ajudar ele com o estoque, ele me mandou uma mensagem.

– Então você vai trabalhar.

– Ah, mais ou menos. Quando eu e o hyung ficamos sozinhos trabalhando a gente mais conversa do que trabalha. – Disse Kyuhyun entre risos. – É divertido.

– Eu te levo lá, Kyunie. Não quer jantar antes? Eu estou te devendo uma refeição mesmo.

– Jantar onde?

– Não sei. Você gostou do restaurante aqui da frente? A gente pode comer lá.

– Por mim está ótimo e desta vez, eu pago e nem comece porque você já pagou várias. Qual é, Changmin, eu não sou tão pobre assim.

Changmin riu-se do comentário do outro e terminou por concordar com este. Eles saíram do campus e seguiram a pé ao restaurante onde jantaram e finalmente puderam conversar sobre a aula do dia e de como seria o resto de sua semana. Como combinado, Kyuhyun pagou a conta e eles saíram do local rapidamente, ao contrário de toda enrolação que fora sua manhã quando eles não desejavam deixar o quarto.

Na saída os dois encontraram Jaejoong e Yunho que conversavam em frente a um bar, cada um com uma pequena garrafa de cerveja nas mãos. Eles conversaram animadamente e os dois não puderam deixar de notar quando Yunho acariciou a mão do mais jovem com a ponta dos dedos, o fazendo sorrir sem jeito, mas retribuir seu contato. Assim, eles se aproximaram e permaneceram algum tempo conversando com os dois que estavam animados com a noite.

Kyuhyun somente apressou Changmin para que eles saíssem dali quando o segundo sms de Donghae chegou ao seu celular. Eles se despediram e deixaram o local a passos lentos, até adentrarem o carro de Changmin no estacionamento. Os dois falaram das reações de seus amigos e dos olhares que eles trocavam vez ou outra, concluindo que eles também sentiam um pelo outro algo que ia além da costumeira amizade.

Assim que eles adentraram o carro, Changmin saiu dali enquanto Kyuhyun respondia a mensagem de Donghae o avisando que eles já estavam a caminho. Ele cogitava qual seria a reação do mais velho quando ele contasse o que acontecera na noite anterior, e sorriu ao perceber que certamente ele ouviria vários “eu avisei!”. Changmin o flagrou com o sorriso no rosto e teve que se esforçar para prestar atenção ao trânsito novamente, uma vez que amava aquele sorriso.

Ele não demorou a parar o carro em frente ao bar e desviar o olhar a Kyuhyun que agora o fitava. Seus olhares se encontraram e as palavras e diálogos se perderam entre eles. Os dois soltaram o cinto de segurança e seus lábios voltaram a se pressionar um contra o outro. Eles faziam barulhos estalados um contra o outro, enquanto a mão de Kyuhyun segurava a nuca do outro com firmeza.

O beijo se aprofundou e suas línguas se encontraram provando seus sabores novamente e os saboreando. Changmin segurou a cintura do outro com firmeza e a medida que eles se moviam o corpo do menor escorregava cada vez mais em direção ao outro. Os ofegos roucos eram abafados por seus lábios pressionados um contra o outro, já úmidos com a saliva que chegava a roçar em seu queixo.

Desconfortável com a nova posição, Kyuhyun com auxílio do outro sentou-se em seu colo, deixando uma perna em cada lado de seu corpo. Aquela posição era nova para Changmin e destreinada pra Kyuhyun. As nádegas macias do menor estavam deliciosamente pressionando seu membro e quando o rapaz se movia, arrepiado, ele as sentia massageá-lo por cima das roupas. Não foi difícil formar uma ereção entre suas pernas, assim como Kyuhyun.

Os lábios de Changmin desviaram ao pescoço do outro, o qual ele sugou com afinco, deixando um caminho molhado de saliva por ali. Aquela pele era a mais macia e quente que seus lábios já haviam saboreado. Kyuhyun ainda ofegava com os olhos fechados e jogando os quadris para frente em busca de mais contato. Quando os lábios de Changmin desceram por seu tórax pela gola em V de sua camisa, o corpo de Kyuhyun pendeu para trás até tocar o volante. Ele se apoiou ali e a buzina alta do veículo soou assustando a ambos.

Eles se separaram sobressaltados, em busca da origem do som, imaginando terem sido flagrados aos beijos. Kyuhyun impulsionou o corpo para frente e a buzina tocou novamente fazendo-os perceberem que o som vinha de seu próprio veículo. Changmin riu primeiro, e depois a risada de Kyuhyun o acompanhou até que as duas se tornaram gargalhadas. O menor saiu de seu colo, ainda recuperando o fôlego das risadas, assim como o outro que enxugava as lágrimas nos cantos dos olhos. Quando conseguiu voltar a falar, Kyuhyun comentou:

– Não foi uma boa ideia.

– Nem um pouco. – Disse Changmin massageando a barriga que doía pelas risadas.

– Da próxima, escolhemos um lugar mais reservado e espaçoso, está bem? – Disse Kyuhyun aproximando o rosto do outro e selando seus lábios.

– Kyunie, eu estive pensando. – Kyuhyun voltou a sua posição inicial e apoiou a cabeça o banco fitando o outro. – Ontem foi o nosso primeiro beijo e foi bem legal, mas não foi um encontro.

– Se isso foi um encontro, eu não quero ter outro.

– Você nunca teve um encontro?

– Com esse propósito de namorar, acho que não. Comigo as coisas acontecem ao acaso e raramente são planejadas.

– Eu acho que nós deveríamos ter um encontro, como um casal.

– Um encontro é? E o que vai ter nesse encontro?

– Eu quero o maior clichê de filmes românticos do mundo. Jantar, teatro ou cinema, e depois vamos pra minha casa ou pra sua e dormimos juntos.

– Só pra te avisar, se vamos mesmo ter um encontro, nem pense que vai terminar em um motel.

– Você estava bem saidinho até agora!

– Eu me deixei levar, isso não vai mais acontecer. – Afirmou Kyuhyun incisivo.

– Então você não vai se importar se eu me masturbar pensando em você, certo? – Disse Changmin lançando um olhar lascivo ao outro. – Eu só não fiz até agora porque estava incomodado em como reagir na sua frente depois, mas agora que você até sentou no meu colo eu me sinto com mais liberdade pra isso.

– Isso lá é coisa que se diga, Changmin! – Ralhou Kyuhyun com o rosto corado, desviando o olhar deste enquanto sentia os pelos de seu braço se eriçarem ao pensar no que o outro faria quando chegasse em casa. – Sinceramente, eu achei que nunca te causaria uma ereção, porque pra mim você continua sendo heterossexual.

– Eu não sei o que eu sou, mas que você é uma tentação, você é. – Confessou Changmin. – De qualquer maneira, não precisa se preocupar, eu vou respeitar o seu tempo e as suas vontades.

– Lembre-se que nós ainda temos muito o que decidir, antes de… avançarmos. – Afirmou Kyuhyun.

– Eu sei ser paciente. – Disse Changmin selando o rosto do menor. – E você devia ir, o seu hyung deve estar te esperando.

– Dirija com cuidado e com as duas mãos no volante, seu safado! – Disse Kyuhyun entre risos, selando os lábios do outro em despedida. – E obrigado por me receber na sua casa.

– Minha casa está aberta pra quando você quiser voltar. – Afirmou Changmin retribuindo o selar do outro. – E você se cuide também, qualquer coisa é só ligar que eu venho correndo.

– Boa noite, Changminie.

Changmin apenas murmurou uma “boa noite” e acenou ao rapaz assim que este saiu do carro com sua mochila nas costas. Kyuhyun não se demorou a entrar no bar e o outro partiu dali dirigindo calmamente em direção a sua casa. Quando fechado, o Candy Bar era um local silencioso e até mesmo sombrio, e Donghae jurava que já vira um fantasma no local. Assim que Kyuhyun parou na entrada do porão que era iluminado por uma única lâmpada, ele chamou seu hyung que se levantou sobressaltado.

– Aish, Kyuhyun, que susto!! – Disse Donghae soltando a caixa de garrafas que carregava e se aproximando do outro.

– Achou que era o fantasma da vodca de novo?

– Mas é claro! Eu tô aqui com uma caixa de absolut na mão e de repente uma voz sombria me chama, só pode ser o fantasma da vodca! – Disse Donghae entre risos. – Espera, então você é o fantasma!

– Sou sim! Eu uso uma máscara na metade do rosto, uma capa, sei cantar ópera e moro no porão de um teatro.

– Desce aqui então, Gasparzinho! – Disse Donghae sorrindo e voltando a se sentar em um pequeno banco de madeira. – Separa o absinto naquela caixa preta, mas deixa cinco garrafas pra fora porque vão pra geladeira.

– Nós agora temos absinto? – Disse Kyuhyun deixando sua mochila em um canto e puxando um banco empoeirado para si.

– Estava em promoção, então vamos fazer essa como a semana do absinto ou algo do gênero. Só espero que não leve ninguém ao coma alcoólico. – Afirmou Donghae posicionando as garrafas organizadamente dentro da caixa e as levando a sua estante específica. – E então, já decidiu se vai levar alguém pra praia com a gente?

– Aish, hyung, era sobre isso que eu queria conversar com você. – Disse Kyuhyun, sem fitar o outro rapaz. – Aconteceu uma coisa ontem.

– O que aconteceu?

– Eu e o Changminie, a gente se beijou e agora eu não sei como as coisas vão ser.

– Se beijaram? Explique isso direito, foi só um beijo?

– Ah, nós ficamos bastante tempo beijando e voltamos a nos beijar de manhã e depois no carro quando ele me deixou aqui. Eu ainda não sei o que o Changmin espera de mim, era pra ele querer no máximo as minhas aulas de cálculo e agora nós já estamos dividindo a mesma cama, trocando beijos, ele nem sabe se é gay, ele nunca se apaixonou, e é tão inconsequente e irresponsável.

– Do que exatamente você tem medo? – Disse Donghae ignorando o que o rapaz havia dito até então.

– De me apaixonar de verdade, como era com o Siwon e aí um dia essa curiosidade do Changmin desaparecer e eu ficar sozinho de novo. – Disse Kyuhyun deixando a caixa sobre uma prateleira e levando as outras garrafas até a geladeira.

– Você acha que não está apaixonado por ele ainda? – Disse Donghae levantando o olhar ao rapaz. – Você está sim. Eu estou falando de paixão, que é uma emoção meio superficial, você pode não amar ele ainda, mas está apaixonado. E eu acho que ele também está apaixonado por você e vocês ainda são tão imaturos que não sabem lidar com isso.

– Eu já me apaixonei antes, hyung.

– Se deixou levar, ser controlado, até o momento em que quem te controlava te obrigou a andar sozinho. – Disse Donghae puxando seu próprio banco para mais perto do outro. – Eu sei que você não quer cometer os mesmos erros, mas qual o problema em acertar de novo? Eu não estou dizendo que você e o Changmin são perfeitos um para o outro, aliás, vocês dois são quase opostos, mas por que não arriscar com ele, quando finalmente depois de quatro anos alguém conseguiu fazer você se sentir bem de novo? Não é um relacionamento por comodidade, é algo que envolve sentimentos, não era isso o que você me disse que estava esperando?

– E se acabar semana que vem? O que eu faço?

– Você não pode basear seus relacionamentos nos seus conhecimentos esotéricos e na adivinhação do futuro, Kyu. – Disse Donghae entre risos. – Você tem que tentar, errar, resolver, errar de novo, acertar. No entanto, se privar de viver algo tão bonito, de se permitir sentir-se bem ao lado de outra pessoa por pura covardia, é algo inadmissível, Kyu. Você é tão jovem, se o Changmin não for o cara certo, ele ainda estará por aí esperando por você. O relacionamento de vocês pode durar uma semana, um mês ou dez anos, vocês podem nunca chegar a se amar de verdade, mas você só vai descobrir se tentar.

– Como eu posso ter certeza de que ele está apaixonado por mim também?

– Você não pode. Eu acredito que nem ele saiba o que está sentindo, e você bem sabe que declarações e palavras são levianas. Você só vai descobrir se ele está apaixonado por você se permitir que ele seja seu companheiro. Não tenha medo, Kyu, covardia não é do seu feitio.

– Eu quero levar ele com a gente pra praia, talvez seja melhor estar ao lado dele, ao voltar lá depois de tanto tempo.

– Ele é muito bem vindo. – Disse Donghae o abraçando pelos ombros. – Não se esqueça, não interessa quantos homens vão passar na sua vida, eu e o Hyuk sempre estaremos aqui pra você.

– Muito obrigado, hyung. Sabe, ele tem um beijo bem gostoso, me faz querer beijar ele sempre. – Confessou Kyuhyun.

– Eu aposto que ele tem. – Disse Donghae rindo baixinho, e selando o topo da cabeça do outro antes de se afastar e voltar ao trabalho. – E o que ele te disse depois do beijo.

– Nós discutimos algumas coisas hoje pela manhã e ele me disse que me daria algumas respostas, pra eu me sentir mais seguro.

– Me avise quando vocês conversarem, está bem?

– Tá bem, hyung.

Assim que a conversa sobre Changmin chegou ao seu fim, eles começaram a falar sobre a esperada viagem do feriado. Eles comentaram dos lugares dos quais se lembravam e de momentos que haviam passado juntos esperando poder revive-los quando voltassem ao local. Quando Hyukjae juntou-se a eles, também os assustando na entrada, o trabalho terminou mais rápido.

A ideia de abrir uma das garrafas de absinto partiu de Donghae e os três sentaram-se no meio da pista de dança no andar de cima, afim de dividir o liquido esverdeado entre si. Claro que aquele não era o verdadeiro absinto, este havia sido proibido na Coréia muitos anos antes, mas a bebida era bastante forte. Quando a garrafa chegou ao fim, o mundo a volta de Kyuhyun girava e ele não conseguia mais se concentrar no que os outros dois falavam.

Ele se deitou no chão, apenas para descansar por um ou dois minutos e apagou. Quando Kyuhyun voltou a abrir os olhos ele ainda sentia o chão frio embaixo de si. Sua boca estava seca e o lugar parecia mais úmido e sombrio do que o normal. A música que Hyukjae havia colocado para eles ouvirem já não mais tocava e apenas uma das luzes estava acesa, o iluminava. Kyuhyun se perguntava se havia passado a noite no chão do bar e como seus amigos puderam deixa-lo ali sozinho.

Até que ele percebeu não estar sozinho, havia alguém sentado ao seu lado e ele sabia que não era Donghae ou Hyukjae. Ele se virou tentando focalizar o individuo que o observava e sentou-se ainda sem enxerga-lo uma vez que o local estava escuro. Kyu voltou a olhar em volta na esperança de que Donghae e Hyuk pudessem dizer-lhe quem era aquele homem ali, mas quando não os viu, resolveu se manifestar.

– Você sabe onde estão os meus hyung-dul?

– Eles foram pra casa. – Respondeu o individuo simplista e Kyuhyun sentiu familiaridade com aquela voz.

– Nós nos conhecemos?

– Já esqueceu seu professor favorito? – E como em Alice no país das maravilhas, o sorriso e apenas o sorriso de Siwon se iluminou fazendo Kyuhyun sentir o medo tomar conta de si.

– Não pode ser, não! Você está na Europa, não aqui, você…

– Changmin. Achou mesmo que eu ia deixar isso acontecer? Achou mesmo que você poderia simplesmente me trocar assim?

– Você foi embora, não é real, você…

– Você é meu, Kyuhyun!

A voz de Siwon ecoou rouca pelo local e sua mão estapeou o rosto de Kyuhyun com força. Com o susto ele caiu de costas no chão, mas não foi o piso frio que ele sentiu atrás de si, mas sim o macio do sofá da casa de Donghae e Hyukjae. Ele fitou o teto assustado, confuso e a vontade de chorar ainda presa em sua garganta. Aquilo fora apenas um pesadelo, mas ele continuava tremendo da cabeça aos pés, sentindo o suor de seu corpo colar o tecido de suas roupas à sua pele.

Kyuhyun sentou-se no sofá e sentiu a cabeça pesar em função da ressaca, assim como a boca seca e o estômago sensível. Ele olhou pela janela e o sol já havia nascido, ele não fazia ideia de como chegara à casa dos dois. Kyuhyun se levantou e constatou ainda ser cedo apesar de já ter amanhecido, ele escovou os dentes, arrumou os cabelos e tratou de ir pra casa, uma vez que não pisava lá há dois dias.

Antes de sair, ele deixou um bilhete de despedida, avisando que tivera que ir para casa e agradecendo a ambos por cuidarem dele. Kyuhyun deixou o pequeno papel sobre o criado-mudo, e selou a testa dos dois que dormiam pesadamente, antes de sair do local calmamente. Ele caminhou até sua casa, tentando se livrar daquela sensação de medo que aquele pesadelo o trouxera.

Ele gostaria de entender o que aquilo significava. Era um presságio de um futuro infeliz ao lado de Changmin, ou apenas uma brincadeira de seu subconsciente que trouxera a tona seus piores medos, aqueles que nem mesmo ele sabia que existia. Certamente ele teria o apoio de Donghae e Hyukjae se arriscasse com Changmin, e talvez ele precisasse mesmo daquele rapaz para apagar tais ideias de seu inconsciente ou talvez aquele fosse o pior erro de sua vida. Restava agora saber o veredicto de Changmin.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s