Capítulo 12: Josephine

 

Se alguns meses antes alguém perguntasse a Changmin quais eram os planos dele para seu futuro amoroso, certamente acordar nu, com gosto de sêmen na boca e ao lado de outro homem não passariam nem perto de suas previsões. Ainda assim, a primeira coisa que ele fez aquele dia quando a consciência tomou seu corpo foi sorrir com o canto dos lábios. Seus olhos ainda estavam fechados e ele podia sentir o peso de parte do corpo de Kyuhyun sobre ele.

Ele se remexeu na cama e finalmente abriu os olhos para fitar o rapaz ao seu lado que dormia pesadamente com os lábios entreabertos. Uma das pernas de Kyuhyun estava sobre o corpo do mais alto, assim como seu braço que envolvia seu tronco possessivamente. Changmin envolveu seus ombros e sua cintura e o virou na cama até que seu próprio corpo ficasse sobre o deste. Kyu se remexeu, resmungou, cobriu os olhos e finalmente dormiu de novo o que fez o outro sorrir abobado.

O sol já estava alto e apesar da tempestade da noite anterior, aquele dia estava quente. Claro que o violento evento da natureza deixou sequelas na pequena cidade litorânea, e além da energia de metade da cidade ter sido cortada na noite anterior, algumas vias estavam fechadas por conta de árvores que caíram com o vento. Apesar do caos que algumas partes se encontravam, o clima naquela casa estava romântico em demasia.

Changmin selou os lábios de seu amado adormecido e se levantou a fim de tomar um banho e se livrar do cheiro de sexo em seu corpo. Depois de estar devidamente vestido, o rapaz espionou seu quarto e Kyu continuava adormecido como ele desejava. Silenciosamente ele seguiu para a cozinha, e ao passar pela sala encontrou Donghae sentado no colo de Hyuk. Eles dividiam um pote de morangos com chantilly, e conversavam baixinho.

– Ah, boa tarde, Changmin-ah! Não entre na cozinha! – Avisou Hyukjae.

– Por que não, hyung? – Disse Changmin.

– Estragou o nosso telhado e a cozinha tá toda molhada. Daqui a pouco eu vou dar um jeito na bagunça. – Disse Donghae, ainda com o rosto escondido na volta do pescoço de seu namorado.

– Eu queria preparar algo pro Kyu comer. – Disse Changmin.

– Pega umas frutas e tem iogurte na geladeira, mas não faz mais bagunça na cozinha! –Ralhou Donghae, levantando o rosto com ar preguiçoso.

– Não vou bagunçar!

Changmin sorriu convicto e adentrou a cozinha cuidadosamente para não escorregar. Em uma bacia ele colocou metade de um melão já sem as sementes, alguns morangos, maçãs, uvas e dois potes de iogurte além de colheres e uma faca e finalmente deixou a cozinha. Ele sentaria na sala para descascar as frutas, mas não queria atrapalhar mais o momento íntimo de Donghae e Hyukjae, então ele finalmente voltou ao quarto.

Ele adentrou o quarto que dividia com Kyuhyun e o rapaz havia finalmente acordado. Sonolento, o menor escorregava a mão sobre a cama em busca do corpo de Changmin que não mais se encontrava lá e assim que ele o constatou arregalou os olhos em busca do rapaz o encontrando parado a porta. Assim que o viu ali, Kyuhyun sorriu sonolento e Changmin tratou de logo se sentar ao seu lado na cama e selar seus lábios.

– Vou fazer xixi.

A voz de Kyuhyun saiu abafada, pois ele cobriu os lábios e depois de se enrolar nos lençóis, saiu a passos largos em direção ao banheiro. Changmin chegava a rir-se daquela mania do rapaz de não beija-lo a menos que ambos estivessem com os dentes devidamente escovados. Assim que Kyuhyun voltou do banheiro, Changmin pôde sentir o cheiro mentolado da pasta de dentes, e viu o rapaz vestir-se de uma cueca antes de se sentar ao seu lado.

Changmin deixou a bacia de frutas sobre a cama e Kyuhyun sentou-se sobre seu colo com as pernas separadas e finalmente eles deram o primeiro beijo do dia. Seus lábios se encontraram várias vezes até o estômago de Kyuhyun roncar sonoramente e ambos rirem de tal fato. Kyu não saiu do colo do rapaz quando ambos atacaram as frutas que Changmin trouxera, até que o mais alto cortou o silêncio quando ambos comiam o melão com as colheres.

– Eu ia fazer panqueca, mas o Donghae-hyung não me deixou mexer na cozinha.

– Você ia fazer a maior bagunça que eu sei. – Disse Kyuhyun entre risos.

– Nem era isso, é que tinha goteira na cozinha e hoje tá tudo molhado lá. – Explicou Changmin.

– Changmin-ah… – Chamou Kyuhyun com a voz arrastada e sorrindo com um dos cantos dos lábios para o rapaz. – Vamos falar de ontem à noite.

– De ontem? – Disse Changmin rindo baixinho.

– Eu achei que você ia ficar com nojo. – Afirmou Kyuhyun, sorrindo discreto. – Você não ficou com um pouquinho de nojo?

– Do seu gozo na minha boca?

– É… ou de colocar o dedo no meu bumbum?

– Eu não sou nojento com sexo, Kyunie. – Afirmou Changmin, abrindo o pequeno pote de iogurte.

– É muito diferente? Transar com uma mulher?

– Totalmente diferente. – Disse Changmin após dar uma colherada no iogurte. – Pra começo de história tem aquela coisa com os dedos, mulher nunca se machuca. Quer dizer, só da primeira vez.

– Mas você já fez sexo anal com alguma delas e se fizer muito forte machuca.

– Eu nunca fiz anal, Kyunie. – Explicou Changmin. – Elas nunca deixavam e eu não tinha saco pra insistir

– Não sabe o que está perdendo. – Disse Kyuhyun rindo baixinho e mergulhando o dedo no pote de iogurte do outro e o lambendo logo em seguida.

– Eu vou saber logo logo. – Provocou Changmin. – Agora me diz uma coisa, o que você espera da nossa primeira vez? Eu sei que você quer algo romântico e quer que eu faça com carinho, mas o que mais?

– Bem, eu gosto de vinho, então seria legal começar com uma taça de vinho pra aquecer e nos deixar mais relaxados. Aí eu queria tomar um banho bem demorado junto com você e que você esfregasse as minhas costas e depois eu queria muitos beijos porque eu amo os seus beijos.

– Só isso? Nenhum lugar especial? Nenhum carinho específico além dos beijos?

– Eu quero que, quando nós transarmos, você explore o meu corpo e descubra do que eu gosto, como você fez ontem à noite.

Seus olhos se encontraram assim que Kyuhyun confiantemente terminou a frase e ambos sorriram discretos da conclusão daquela conversa. Os dedos de Changmin passearam pelo contorno do rosto de Kyuhyun até repousarem em seu queixo e seus lábios se encontrarem em um beijo demorado com sabor de iogurte de morango. Seus rostos permaneceram encostados quando o beijo foi cortado, e eles se acariciavam apenas com a ponta dos dedos.

As peles de ambos estavam arrepiadas e Kyuhyun ainda estava seminu, mas não havia tensão sexual entre eles. Era a mesma pureza, o mesmo sentimento meio inseguro, mas muito intenso os envolvendo e os fazendo suspirar profundamente. Changmin as vezes roubava selares do outro, os distribuía por seu pescoço e seu rosto, fazendo o menor sorrir discretamente.

– Vamos levantar daqui, Changmin-ah, já deve estar tarde.

– Não, quero namorar o dia todo com você. – Disse Changmin o prendendo contra si.

– Eu tenho que ajudar o Donghae-hyung a limpar a cozinha que está molhada.

– O hyung está na sala, namorando também. Deixa ele aproveitar o Hyuk-hyung e eu aproveitar você.

– Changmin-ah, como você é folgado!

Changmin ia retrucar, no entanto a porta do quarto deles se abriu, revelando mais uma vez Donghae que desejava-lhes um animado boa tarde. No entanto ao ver Kyuhyun seminu no colo do mais alto, ele desviou o olhar para um canto qualquer do quarto e reclamou:

– Qual o problema de vocês permanecerem vestidos quando estão aqui?

– Aahh hyung, é que eu acordei agora. – Disse Kyuhyun entre risos e finalmente saindo do colo do outro, para voltar a se cobrir com o lençol.

– Eu vim te chamar pra me ajudar com aquela cozinha, Kyunie. Vai ser um saco escoar aquela água para fora.

– Me deixa só tomar um banho, que eu já vou lá. – Afirmou Kyuhyun, sorrindo discreto ao mais velho.

– Eu vou acordar o Sungminie pra ver se ele ajuda o Hyuk a concertar aquelas telhas. – Avisou Donghae.

– Eu ajudo ele, hyung! – Disse Changmin se espreguiçando demoradamente. – Deixa os outros dois descansarem.

– De jeito nenhum, se você vai ajudar, eles vão ter que sair e comprar um lanche para nós. – Disse Donghae, rindo discreto – Então levantem logo e abram essa janela porque esse quarto está fedendo a sexo.

Os dois riram alto do comentário do rapaz que não demorou a se juntar a seu namorado na sala e assim eles se prepararam para ajeitar a casa que eles ainda ocupariam. Changmin juntou-se a eles, e enquanto seu namorado tomava um banho e ele e Hyukjae não se demoraram a subir no telhado a fim de substituir algumas telhas quebradas.

Quando Kyuhyun saiu do banheiro, arrumou sua cama, trocou os lençóis e finalmente seguiu para a cozinha a fim de ajudar Donghae com a limpeza. Eles escoaram a água, lavaram o chão e arrumaram a cozinha para só então, Sungmin e Henry se juntarem a eles. Assim como Donghae havia dito, eles seriam os responsáveis pelo jantar já que haviam acordado por último.

Enquanto isso, Changmin e Hyukjae já terminavam seu trabalho quando os pregos acabaram e eles finalmente desceram de lá, para buscar por mais. Kyuhyun e Donghae preparavam suco de laranja com mel quando eles entraram no local, e logo os dois sentaram-se à mesa para provar do líquido adocicado. Kyuhyun sentou-se ao lado de Changmin e deixou-se acariciar os cabelos do rapaz com a ponta dos dedos enquanto Donghae e Hyukjae conversavam sobre o dia seguinte.

Changmin finalmente avisou que iria ao porão pegar os tais pregos que faltava, e chamou seu namorado para ir consigo, assim os outros dois teriam mais privacidade para conversar. Eles abriram a portinhola e se embrenharam no local escuro, iluminado então apenas por uma pequena janela. Aquele porão era sempre úmido e tinha cheiro de mofo, além da luz amarela presa por um fio ao teto.

Kyuhyun deu a mão a Changmin antes de eles acenderem a luz e revelar no cômodo circular todo tipo de objeto deixado por ocupantes, além de peças de decoração não mais usadas. Havia um lustre de cristal quebrado sobre uma grande mesa empoeirada, peças de roupas e uma grande caixa de ferramentas, a qual Changmin abriu e sacou os pregos que ele e Hyuk usariam para finalizar seu trabalho. Kyuhyun se aproximou de um objeto coberto por um lençol de linho e o puxou, trazendo consigo uma grande quantidade de poeira e revelou um grande espelho adornado, mas com uma rachadura grande no meio.

Changmin se aproximou do namorado e fitou o objeto juntamente com ele. As bordas do espelho estavam amareladas e sujas, e os adornos empoeirados, mas ambos sabiam que algum dia aquele objeto havia sido muito bonito. Curiosos, os dois se embrenharam e encontraram uma grande quantidade de objetos curiosos ali escondidos. A maioria estava desgastada com o tempo, mas aquele local parecia silenciosamente contar a historia de outros grupos e famílias que passaram por ali.

Um dos objetos chamou a atenção de Changmin que se pronunciou em frente ao seu namorado para pega-lo, sem ver o rosto de Kyuhyun ganhar uma feição tensa. Sobre um grande armário descascado, havia uma boneca de porcelana. Seu vestido azul, rendado estava amarelado com a umidade e um dos olhos de vidro estava rachado. Changmin pegou o brinquedo de cima do móvel e se voltou para seu namorado.

– Olha que bonito, Kyu-ah!

Kyuhyun não sorriu ou concordou com ele ao contrário do seu planejado. Ele ainda sério, se aproximou e Changmin percebeu sua mão trêmula pegar o objeto de sua mão e o fitar detalhadamente. “Eu tinha uma dessas.” Foi o que ele disse, explicando superficialmente sua reação. Então o menor virou a barra da saia da boneca, e lá estava escrito, em uma letra curva e bem desenhada: “Cho Kyuhyun”.

– É sua… – Disse Changmin, de olhos arregalados após ler o nome. Ele se sentiu de repente em um daqueles filmes de terror em que segredos são descobertos nos lugares mais improváveis e de repente aquele porão pareceu sombrio demais.

– Eu tinha perdido. – Disse Kyuhyun. – Quer dizer, eu achei que tivesse perdido ela na bagagem quando vim pra cá, mas acho que eu esqueci ela aqui. O Siwon tinha escrito meu nome nela para que não se confundisse com as coisas da minha irmã.

Changmin estava se esforçando para que Kyuhyun deixasse o passado em seu devido lugar e pela primeira vez em anos vivesse o atual, e não havia como negar que o momento que eles viviam era muito bonito. No entanto o passado de Kyu ainda o perseguia e emergia nos momentos mais inapropriados. Changmin ainda queria saber de toda história, no entanto, também desejava que seu namorado se desprendesse dela.

Kyuhyun apoiou o rosto no ombro do outro quando as lágrimas se acumularam no canto de seus olhos. Seu peito doía, mas ele ainda sorria por ter encontrado seu pertence. Changmin o puxou pela cintura e se sentou em uma bancada, empoeirada, algo que algum dia deveria ter servido como cômoda em um dos quartos. Kyuhyun suspirou pesadamente após sentar-se ao lado de seu namorado e finalmente ouviu atento a afirmação do outro.

– Eu não sabia que você gosta de bonecas.

– Eu gostava quando era mais novo. Eu aposto que você também já teve a sua fase de colecionador, não teve, Changmin-ah?

– Eu colecionava joaninhas que eu pegava no sítio do meu avô. Mas minhas coleções não duravam muito.

– Seu malvado! – Disse Kyuhyun entre risos. – Eu colecionava bonecas, na minha adolescência, mas era meio que um segredo porque meus pais não deixavam. Aí elas ficavam na casa do Siwon, expostas em uma prateleira. Não era uma coleção grande, mas eu gostava.

– Quem te deu essa?

– Essa foi a primeira que eu ganhei em uma situação meio chata. – Disse Kyuhyun sorrindo discreto. – Eu ganhei do Siwon, todas as bonecas que eu tive, com exceção da primeira. Às vezes eu acho que eu era como a Claudia de Entrevista com o Vampiro, que ele achava que eu não ia crescer, ou que ele não queria que eu crescesse.

– Até mesmo a Claudia cresceu, por mais que ela estivesse presa em um corpo infantil. – Explicou Changmin. – Me conta, como você ganhou essa boneca?

– Eu tinha treze anos ainda, nós não namorávamos, mas o nosso primeiro beijo seria dali dois meses.

Flashback.

Aquele era um dia especial na escola, pelo menos para Kyuhyun. A professora de literatura havia pedido uma redação especial, que falasse de um objeto da infância do aluno e ele se esforçara em seu texto. Kyuhyun não era dos melhores com as palavras, ele era mais adepto aos números, mas contar a história de sua boneca Margot não fora algo difícil.

Desde os quatro anos ele desejava ter uma boneca para brincar, no entanto, por mais que ele pedisse em todas as datas comemorativas, ele sempre acabava ganhando algo mais relacionado com seu gênero. Kyuhyun tinha carrinhos, jogos de tabuleiro, videogames, pião, bolas, blocos de montar, mas o que ele mais desejava na época era uma boneca.

Quando finalmente em um passeio sua irmã ganhou uma boneca e depois de muita birra, sua mãe comprou uma para si também. Ela era simples, tinha longos cabelos loiros e uma roupa cor de rosa, além de sapatos da mesma cor. Não era do tipo barbie e nem daqueles grandes bebês que as meninas brincavam, mas ele finalmente tivera seu desejo realizado.

A redação descreveu com detalhes sua felicidade ao ganhar tal objeto e como ele e sua irmã brincavam escondidos com a mesma, já que seus pais reprovavam sua atitude. Margot, como ele nomeara a boneca, ficava escondida embaixo de sua cama e quando finalmente ele se via sozinho em seu quarto ele a pegava e entrava em seu próprio mundo da imaginação.

Com o tempo, é claro, ele deixou de brincar com Margot, mas ele jamais se livraria dela. Ela era o que ele considerava a parte mais bonita de sua infância, algo que ele não desejava que se perdesse em suas memórias. Seus brinquedos se quebraram, se perderam, ou foram destinados a outras crianças, mas a boneca não sairia de seu lado, ela era sua melhor companhia quando ele podia ser seu verdadeiro eu.

Sua redação foi considerada a melhor da sala, o que não significava muito para seus colegas, afinal Kyuhyun era muito inteligente para sua idade. No dia das apresentações cada aluno deveria levar seu objeto para a escola, e Kyuhyun mostrara seu brinquedo para sua classe e depois apresentara sua redação. Após todos os trabalhos serem devidamente apresentados, o sinal bateu indicando que eles deveriam ir para a aula de Educação Física.

Com o que Kyuhyun não contava era com a pegadinha de seus colegas de sala. Enquanto ele corria em volta da quadra, alguns garotos escapuliram da aula, pegaram sua boneca e a quebraram, achando é claro, tudo muito engraçado. No intervalo, todos foram comprar sua refeição, mas naquele dia a mãe de Kyu havia feito bolo e ele comeria o delicioso doce na sala de aula.

Quando ele entrou no local, seu coração falhou uma batida e um nó dolorido se formou em sua garganta. Margot fora completamente destruída. Seu cabelo havia sido cortado e o rosto todo riscado com caneta esferográfica. O vestido que Kyuhyun cuidara com tanto apreço havia sido rasgado e algumas peças, como um dos braços e um dos olhos já não estavam ali enquanto os outros estavam espalhados por sua carteira.

Ele se sentou diante de seu brinquedo quebrado e começou a chorar. Ele sabia que sofreria com as chacotas se o pegassem ali, mas aquilo doía demais para ser evitado. Ele estava irritado, frustrado, mas principalmente, estava triste. Era como ter os bons momentos de sua infância ali despedaçados à sua frente. Seus soluços saíam altos, mas ele não conseguia evitar, ele estava triste demais.

Quando o professor Siwon adentrou na sala, a fim de se adiantar e escrever as equações no quadro estranhou a cena, mas acima de tudo, ficou preocupado com o rapaz. Ele bem sabia que Kyuhyun era um garoto sensível, mas ele sempre aparentava uma frieza diante das ações maldosas de seus colegas. Certamente algo ruim havia acontecido com o mais novo. Ele deixou sua pasta sobre a mesa e então se aproximou de Kyuhyun que escondia o rosto sobre a carteira e sobre o que sobrara de sua boneca.

– Kyuhyun?

Kyuhyun não desejava falar com o professor ou com qualquer outra pessoa e se irritou quando o outro chamou seu nome. Será que ele não respeitava sua dor? No entanto, ele temeu caso não respondesse, fosse sofrer alguma represália e Siwon era seu professor favorito, ele não queria irrita-lo. Kyu ergueu o rosto vermelho e úmido pelas lágrimas, e abraçou o que sobrou de sua boneca, escondendo-a do mais velho.

– O que aconteceu?

A voz de Siwon soou calma e reconfortante o que fez Kyuhyun voltar a chorar. Suas lágrimas rolavam sem pedir licença e os soluços saíam descompassados de seus lábios entreabertos. Seu rosto estava inchado e seu nariz continha coriza o fazendo puxar o ar com força. Kyuhyun não sustentou o olhar e já ia deixando a cabeça cair sobre seus braços novamente quando Siwon segurou sua mão delicadamente.

– Tente se acalmar, Kyu. – Siwon usou de um apelido, tentando se aproximar do adolescente e assim poder ajuda-lo.

– Eles quebraram… – Disse Kyuhyun engasgado.

– O que eles quebraram?

– A Margot.

Kyuhyun então afastou os braços e mostrou os pedaços quebrados de sua boneca. Siwon sabia do brinquedo, afinal na sala dos professores pouco antes dele sair, o assunto principal era a sentimental redação de Kyuhyun, a qual ele lera. Siwon sentiu um aperto no peito, afinal sabia o que aquele objeto era valioso para seu aluno e é claro, ele desejava reverter tal situação.

– Vamos até a minha sala, conversar. – Disse Siwon.

Kyuhyun assentiu e se levantou ainda aos soluços. Ele pegou o que conseguiu dos pedaços do brinquedo e jogou sua mochila nos ombros, para finalmente seguir Siwon em direção a pequena sala que o mais velho ocupava. Siwon havia ganhado uma sala só para si, pois ao final do primeiro semestre ele ganhara o cargo de assistente da pedagogia, além de dar aulas de reforço.

Kyuhyun sentiu o outro envolver seu ombro antes de finalmente adentrar a pequena sala que continha apenas uma janela, uma grande mesa e um arquivo de aço. Sobre a mesa bem organizada, estavam dispostos alguns livros e canetas, além de uma pilha de trabalhos que o outro mais tarde corrigiria. Como era um aluno exemplar, era a primeira vez que Kyu entrava ali e o achou um tanto frio demais.

– Sente-se.

O tom de voz de Siwon ainda era reconfortante, ao contrário do autoritário professor que ele costumava ser. Kyuhyun sentou-se e deixou o que sobrou de sua boneca sobre seu colo. Siwon pegou um copo d’água em um bebedouro no canto da sala e a dispôs de frente para Kyuhyun que o tomou um tanto trêmulo.

Aos poucos seu soluço foi cessando, e seu coração se acalmou por mais que ainda doesse. Ele finalmente desviou o olhar para o severo professor que o fitava, com os braços apoiados sobre sua mesa. Siwon gostava muito de Kyuhyun, aquele garoto chamara sua atenção desde que o conhecera, no entanto, algumas atitudes dele eram infantis para alguém da sua idade. Kyuhyun não era puro, mas era muito imaturo.

– Sente-se melhor?

Kyuhyun assentiu, deixando o copo vazio a sua frente e depois pegando um lenço de papel que ele carregava em sua mochila para emergências como aquela, e assoando o nariz.

– Podemos conversar sobre isso? – Indagou Siwon.

– Sim.

– Você sabe quem fez isso?

– Não, professor. Quando eu cheguei na sala, já estava assim. – Explicou Kyuhyun, sentindo seus olhos se enxerem de lágrimas. – O que eu fiz de tão errado para eles serem maldosos a esse ponto, professor? Por que eles querem se vingar de mim?

– Eu não quero defender quem fez isso, mas foi apenas uma brincadeira de muito mau gosto, o que é muito comum na sua idade.

– Eu odeio essas brincadeiras! – Disse Kyuhyun enérgico.

– Eu sei, na verdade eu também odeio. – Afirmou Siwon. – Mas você se vira bem. Voltando à sua boneca, sem saber exatamente quem foi não há nada que eu possa fazer, não há a quem punir, Kyuhyun. Eu li a sua redação, sei o que ela significa pra você.

– Eu queria ir embora, como o Heechul-hyung foi. – Confessou Kyuhyun.  – Ele não aguentou tudo isso, era muito difícil pra ele.

– Quem é Heechul?

– O garoto que me beijou no vestiário. – Explicou Kyuhyun, corando. – Ele não aguentou as brincadeiras e foi embora.

– Fugir não parece do seu feitio. – Disse Siwon, incomodado com o outro assunto. – Eu sei que você está chateado, mas não deixe que eles percebam isso, a maior intenção da brincadeira é te deixar chateado.

– O que eu faço, professor? Eu nem posso concertar a Margot, nem posso gritar com eles.

– Continue sendo dedicado aos seus estudos, porque um dia você vai sair daqui e perceber que a única coisa que importa é o que você aprendeu. Todas essas amizades, essas brincadeiras ridículas, ficam para trás em uma lembrança de como o caráter deles era fraco e influenciável. Mas você… – Siwon repousou suas mãos sobre as do outro, e Kyuhyun estremeceu ao toque. – Você é especial. Não porque você gosta de beijar outros meninos, mas porque você não se deixa levar, você não finge ser quem não é, além de ser muito esperto. E agora pode parecer pouco, mas no futuro você vai ver que é isso o que importa.

Kyuhyun suspirou pesadamente e se levantou, soltando o toque do outro rapaz. Siwon ergueu o olhar e se levantou assim como o outro, estranhando sua atitude. O aluno desviou o olhar e circulou a mesa, deixando seus dedos escorregarem pela superfície enquanto o fazia. Ele se aproximou de Siwon e suas mãos circularam a cintura do outro, o abraçando.

Kyuhyun era alto para um garoto da sua idade, então seu rosto facilmente encontrou o tórax do outro, no qual ele se apoiou. Siwon tinha um ótimo físico, o que não poderia ser percebido pelas roupas sociais que o mesmo usava todos os dias na escola. Um tanto desconcertado, o professor o envolveu pelos ombros e o pressionou contra si, deixando o abraço mais apertado e consequentemente, mais gostoso. E o sinal bateu, eles se afastaram e foram para a aula.

Siwon ficou responsável por dar fim ao que sobrou da boneca, mas no final da tarde ele ainda estava incomodado com o que acontecera a Kyuhyun. Ele detestava sentir aquela sensação de impotência diante de tal situação. Durante o dia, ele perguntou para alguns alunos se eles sabiam quem havia feito aquilo à Kyuhyun, mas mesmo as mais bajuladoras de suas alunas, não deduraram os infratores.

Ele sabia que não deveria diferenciar alunos, que não deveria ter seus favoritos, mas sua consciência não o deixaria em paz se ele ao menos uma vez não restaurasse um erro de seus alunos para com Kyuhyun. Ele gostava daquela frieza atípica do garoto, mas também não desejava que ele se tornasse amargurado com sua adolescência. Ainda que aquilo fosse contra sua ética profissional, ele chamou Kyuhyun à sua sala no dia seguinte, assim que as aulas acabaram.

Kyuhyun estava acanhado e ainda parecia triste com o acontecido do dia anterior.  Ele sentou-se na mesma cadeira do dia anterior e deixou seu olhar percorrer a prova que o professor corrigia e ele bem sabia que aquela pessoa não havia ido bem. Siwon fechou a porta atrás deles, a fim de evitar os olhares curiosos e então, de baixo de sua mesa ele retirou um pacote de presentes de cor azulada e o posicionou sobre a mesa.

– É seu. – Disse Siwon. – Mas eu quero que me prometa que não dirá a ninguém quem te deu esse presente.

– Tudo bem. – Disse Kyuhyun ansioso, para por fim, pegar o pacote que lhe era oferecido. Ele o abriu e quando a caixa com a boneca apareceu, um sorriso se iluminou em seu rosto. – É mesmo pra mim?

– É sim. – Disse Siwon, ainda sério.

– Ela é linda!

Kyuhyun animado se levantou e abriu a caixa com cuidado para por fim retirar seu presente de dentro da mesma e o fitar fascinado. Ao contrário de sua simples Margot, aquela boneca tinha muito mais detalhes. Ela usava um chapéu com aba, azul claro como seu vestido de babados e seus olhos de vidro brilhantes. Havia rendas nas barras do vestido e nas delicadas mãos de porcelana.

– Você ainda brincava com a outra boneca? Porque essa não é bem de brincar.

– Não, professor, eu não brincava mais. Essa vai ficar em cima da minha cama, adornando o meu quarto.

– Tem algo que eu quero que você entenda. – Kyuhyun finalmente desviou o olhar para o mais velho que se levantou e parou ao seu lado, esperando até que seus olhares se encontrassem. – Eu sei que a Margot significava as suas mais belas lembranças da sua infância. Que você lutou para conquistar ela, e eu não quero que isso se perca. Eu te dei essa boneca, para que as lembranças da sua infância não fiquem manchadas pelo dia de ontem. Eu quero que elas permaneçam puras como você as descreveu.

– Obrigado, professor. – Disse Kyuhyun, sorrindo animado e o abraçando brevemente, sendo prontamente correspondido. – Eu prometo que irei cuidar dela e das minhas lembranças.

– Eu sei que vai. – Disse Siwon, abrindo um sorriso discreto para Kyuhyun. – Agora vá pra casa e não esqueça, temos prova segunda-feira.

– Está bem.

Kyuhyun colocou sua mochila nas costas e a boneca novamente na caixa para que ela pudesse ser levada para casa em segurança. Ele se despediu novamente cordial de seu professor e já ia deixando sua sala, quando o mais velho novamente o chamou:

– Me diga, Kyu, qual vai ser o nome dela?

– Josephine.

 

Changmin agora olhava fixamente para o pequeno objeto nos dedos de Kyuhyun. Ele decididamente não conseguia entender quem era Siwon, por um lado ele parecia alheio ao rapaz de treze anos que possuía uma paixonite por um professor e por outro, parecia sensível o suficiente para se sentir mal com a decepção de Kyuhyun. Como eles terminaram em um longo relacionamento ainda era um mistério para Changmin.

Kyuhyun estava em silêncio, apoiado no ombro do outro rapaz. Ele deveria terminar sua história, mas antes resolveu recuperar o fôlego que as emoções retiraram de seus pulmões. Aquela era decididamente uma lembrança boa, de como ele ganhara Josephine, no entanto ao se lembrar do quão dependente ele ficou daquele homem e de como tudo terminara, seu estômago se revirou.

– Eu menti sobre como consegui a boneca para todo mundo que perguntava. E as outras que o Siwon me deu ficaram na casa dele, para que ninguém mexesse. Quando tudo acabou eu escondi elas em uma caixa que está no meu guarda-roupa, eu ainda gostava delas, mas queria esquecer ele.

– Você brincou com alguma delas?

– Não, eu já tinha treze anos. Mas eu era muito infantil pra minha idade, pelo menos se fosse comparar com os meus colegas de classe.

– Você vai levar ela pra casa? Afinal ela ainda é sua.

– De jeito nenhum, eu não quero outra coisa em casa para me lembrar do Siwon. – Disse Kyuhyun colocando a boneca no colo de Changmin e se levantando para poder sair daquele lugar, sentindo-se novamente leve ao contar sua história. Era bom desabafar aos poucos com Changmin.

– Você não deveria se lembrar do Siwon quando olhasse para ela. – Disse Changmin, fitando o seu objeto. – Eu sei que foi ele quem te deu, mas era pra você se apegar à sua infância. Ao tempo antes do Siwon no qual você era feliz e a sua única preocupação era não ser pego brincando com uma boneca. Essas lembranças não deveriam doer e nem serem manchadas pelo Siwon.

Kyuhyun arregalou os olhos no final do discurso de Changmin que não o fitava e sim à boneca. Provavelmente ele não estava atento às suas palavras e apenas pensava alto, mas elas tiveram um grande efeito em Kyuhyun. Ele se sentiu mal, como se estivesse deixando sua infância início de adolescência se deteriorar naquele porão úmido. Era quase a mesma dor de ver a outra boneca quebrada. Changmin tinha razão, ele fora uma criança feliz e aquilo não deveria ser esquecido. Ainda assim, ele decidiu argumentar.

– Mas ela está estragada, Changmin-ah.

– Se você ainda quiser ela, eu restauro pra você. Tenho certeza que tem concerto.

– Não sei se eu quero. – Disse Kyuhyun com sinceridade, se aproximando de seu namorado que ainda estava sobre a bancada. – Não vale a pena restaurar se for pra ela ir para o guarda-roupa com as outras.

– Deixe ela exposta, no lugar que você achar melhor. – Disse Changmin. – Eu posso não gostar do Siwon, porque eu sei que ele te machucou, mas ele estava certo em desejar que sua infância fosse preservada pura e bonita como eu sei que foi. Eu bem que gostaria de ter uma lembrança mais concreta da minha, mas elas se perderam com os anos.

– Restaure a Josephine pra mim e eu vou considerar um presente seu à minha infância.

– E o Siwon?

– O Siwon vai ocupar o lugar de direito dele, no passado.

– Você não sabe como é bom ouvir isso de você, Kyunie.

Changmin sorriu discreto ao seu namorado e com um impulso ele desceu do balcão. Kyuhyun abriu os braços e eles se encaixaram em um abraço apertado e carinhoso. O menor ainda não tinha certeza se poderia cumprir aquela promessa e deixar Siwon e todo seu relacionamento para trás, no entanto, ele precisava ter esperanças para que Changmin continuasse apostando no relacionamento deles.

Eles selaram os lábios eles saíram dali em direção ao quarto e na saída foram flagrados por Hyukjae que os apressava. Changmin guardou a boneca em sua mala e eles voltaram ao telhado a fim de terminar o trabalho daquele dia. Kyuhyun juntou-se a Donghae que ficou satisfeito com a animação do rapaz ao falar da boneca que eles encontraram.

Era a primeira vez em tempos que via Kyuhyun sorrir ao contar algo relacionado a Siwon. E Donghae soube naquele momento que Changmin era o homem certo para ele, pois era o primeiro que descobrira, ainda que sem querer, como lidar com o passado de Kyuhyun. Os dois rapazes desceram do telhado e entraram ao mesmo tempo que Henry e Sungmin com o jantar, já havia anoitecido.

Changmin estava na cozinha, quando da janela ele pôde ver seu namorado calmamente sentado a beirada da piscina nos fundos. Kyuhyun estava com os pés submersos e seus olhos fitavam a lua cheia e o céu estrelado daquela noite. Assim que seus olhares se encontraram, Kyuhyun sorriu, seu melhor e mais apaixonado sorriso. Changmin o retribuiu e não se demorou a sair da casa e se juntar ao rapaz na piscina. Eles se sentaram lado a lado e suas mãos entrelaçaram os dedos, enquanto ambos fitavam o céu.

– No que o meu príncipe está pensando? – Indagou Changmin, finalmente cortando o silêncio.

– Será que um dia nós poderemos assumir nosso namoro na faculdade? Sabe, entrar na sala de mãos dadas?

– Você quer assumir? – Indagou Changmin, animado com a possibilidade de poder beijar ele também na faculdade.

– Não agora, Changmin-ah. – Explicou Kyuhyun. – Eu só estava sonhando acordado. Você sabe o que vai acontecer quando descobrirem lá na faculdade, não sabe?

– Me conte o que vai acontecer. – Disse Changmin voltando-se para o rapaz.

– Alguns colegas não vão mais querer você por perto, porque vão achar que você vai querer namorar eles. Ninguém vai ver você como Changmin, você vai ser o pegador que virou viado. Uma verdadeira decepção para o mundo masculino. Somente seus verdadeiros amigos vão ficar com você, e eu não acho que você tenha muitos destes na nossa sala de aula ou na faculdade. A grande exceção é o Jaejoong.

– Você vai estar comigo quando isso acontecer?

– Claro que vou. – Disse Kyuhyun selando o rosto do rapaz demoradamente. – Mas eu não quero assumir agora. Se tem algo que você me ensinou é que desencanar e curtir o momento nem sempre é ruim. Eu quero aproveitar o que nós estamos vivendo para depois enfrentar isso tudo.

– Como foi quando você assumiu para os seus pais? – Indagou Changmin, com ar sério.

– Não foi nada legal, Changminie. – Disse Kyuhyun apoiando o rosto em seu ombro. – Eu só tinha dezessete anos, não deveria ter feito isso tão jovem. Eu estava discutindo com o meu pai, eu nem lembro o motivo, mas era uma daquelas discussões bobas de adolescente. Aí eu disse a ele, que o que ele na verdade não suportava era ter um filho gay.

– E o que ele disse?

– Ele me bateu. Depois disse que não ia sustentar uma bicha, que se eu queria gostar de homem que eu gostasse longe da casa dele. Que aquela era uma família de bem e que não havia lugar para mim. Ele disse mais coisas, mas é disso que eu lembro.

– Que coisa mais horrível para um pai dizer. – Disse Changmin, indignado. – Depois vocês não se falaram mais?

– Eu falei com a minha noona pelo mês seguinte, e consegui tranquilizar ela e a minha mãe. Claro que eu não contei que eu estava morando com o Wonie, senão seria perigoso para ele. Aí meu pai descobriu que ela estava me encontrando na saída da escola e brigou com ela. Para não criar mais confusão, nós nos afastamos e eu nunca mais falei com a minha noona.

– Você não teve mais notícias de ninguém da sua família?

– Eles ainda moram em Seul, então uma vez eu vi meu pai e a minha mãe quando estava com o Donghae-hyung no rio Han. Meu olhar se encontrou com o dele, e eu vi pela primeira vez ele lacrimejar, e depois arrastar minha mãe para longe. Nós nem nos falamos, mas eu tenho esperança de que ele tenha se arrependido das coisas que me falou. Eu nunca mais vi a minha noona.

– Você pretende voltar a falar com eles? Com seus pais?

– Quando nós nos formarmos, eu vou descobrir o endereço atual deles e mandar convites para a nossa formatura. – Explicou Kyuhyun, sorrindo discreto. – Eu já perdoei meu pai, há muito tempo, mas eu queria que ele me perdoasse. Não pelo que eu sou, mas pela forma como eu contei a ele. Não cometa o mesmo erro que eu, Changminie, esse não é o tipo de coisa para ser dita aos gritos. Antes de contar a alguém, você precisa entender o que acontece no seu coração, sanar as suas dúvidas e quando sua confiança estiver fortalecida, você deve contar. Isso é algo que precisa ser explicado, com calma, clareza e paciência.

– E se um dia eu contar ao meu pai e a reação dele for a mesma do seu? O que você faria no meu lugar?

– Eu seria paciente. Os pais podem ficar muito tempo bravos com seus filhos, mas não dura para sempre. Eu provaria com atitudes que, apesar da minha sexualidade, eu ainda sou o filho de quem ele se orgulha. E eu tenho certeza de que ele vai se orgulhar de você um dia, Changminie.

– Esses assuntos estão começando a me assustar. – Disse Changmin com sinceridade.

– Uma vez o Siwon me disse que não tem problema sentir medo de vez em quando, mas deixar-se vencer por ele é ridículo. – Disse Kyuhyun erguendo rosto para poder fitar seu namorado.

– Nós vamos ficar bem, eu sei que vamos. – Afirmou Changmin, roubando um selar de seu namorado.

“Hey, o jantar está pronto!”

Henry estava na janela da cozinha, acenando animado para que eles adentrassem a casa. E foi neste clima que terminou a terceira noite na praia, com o grupo animado, jantando croissants com suco de amora que Sungmin e Henry haviam trazido de uma confeitaria do centro da pequena cidade. Hyukjae e Donghae jamais se arrependeriam de terem convidado os dois outros casais para aquela viagem.

Naquele começo de noite Kyuhyun e Changmin sentiam-se como um verdadeiro casal mais do que nunca. Eles falavam sobre seu futuro, sobre seu passado, resolviam problemas juntos, se aconselhavam e acima de tudo, eram envoltos por uma paixão digna de um romance cinematográfico. O que Kyuhyun ainda não sabia, era que durante o tempo que Changmin ficara no telhado com Hyukjae eles combinaram uma surpresa ao mais novo. Isso infelizmente implicava que Changmin não desceria as dunas com eles no dia seguinte, mas ele queria fazer todas as vontades de seu namorado e o dia seguinte, seria o grande dia.

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