Capítulo 14: Back in Town

Kyuhyun e Changmin estavam há um tempo trancados no banheiro. Eles não faziam ideia de que horas seus companheiros de viagem chegaram, mas eles acordaram algumas horas mais tarde. Isso deu tempo deles levantarem, se alimentarem, limparem a cozinha e só então se juntaram em mais um demorado banho. Depois de tirarem de seus corpos os sinais do sexo da noite anterior, eles trataram de dividir a pia para se barbear.

Foi o único momento que suas risadas e conversas divertidas pararam, afinal a lâmina exigia atenção dos rapazes. Somente quando a espuma saiu de seu pescoço foi que Kyuhyun percebeu o estrago que seu namorado havia feito em sua pele. Haviam pelo menos quatro hematomas na pele clara do rapaz e em dois deles, era possível ver os dentes do rapaz marcados ali.

Changmin sorriu orgulhoso ao ver o olhar analítico do rapaz sobre seu pescoço, mas logo ele recebeu socos no braço o que o fez rir ainda mais. Aquela noite havia sido memorável e ele estava satisfeito em saber que os dois voltariam para Seul com marcas de seu libidinoso ato.  Assim que eles saíram do banheiro, encontraram Hyukjae e Donghae já vestidos, arrumando a sala de estar e avisando que eles deveriam aprontar as malas já que logo eles pegariam a estrada de volta para Seul.

– Vocês já comeram? – Indagou Hyukjae dando a Donghae a ultima maçã que fora o que sobrou do que eles haviam comprado.

– Já, hyung. – Afirmou Kyuhyun. – Mas a gente pode passar naquela confeitaria que o Minnie gosta e comprar umas coisinhas pra comer no carro né?

– Apoiado! – Disse Changmin, meneando a cabeça afirmativamente.

– Esfomeados! – Disse Donghae. – E por falar em fome, da próxima você podia tentar não sugar a alma do Kyu pelo pescoço, sabe?

– Você também tá com marca, hyung! – Acusou Kyuhyun. – E eu tô vendo um arranhão no maxilar do Hyuk-hyung também.

– Mas não dá pra ver as marcas dos dentes dele no meu pescoço! – Defendeu-se Donghae. – Agora vão fazer as malas!

Kyuhyun riu-se do comentário do outro e puxou Changmin pela mão para que eles voltassem ao seu quarto. Novamente o silêncio se instalou entre eles enquanto distraídos os dois ajeitavam seus pertences nas grandes malas que eles trouxeram. Kyu adorava viajar, mas sempre tinha aquela sensação incômoda quando se via obrigado a voltar para sua rotina. Aquela sensação estava acentuada pois a incerteza de seu futuro com Changmin voltava a incomoda-lo.

Changmin pelo contrário tivera suas esperanças renovadas com aqueles poucos dias na praia. Ele descobrira como conviver com Kyu, suas manias, suas opiniões, seus trejeitos já não eram tão misteriosos para o rapaz. Ele se aprofundara no sentimentalismo do rapaz, desvendara pedaços de seu passado, e acima de tudo ele o tomara para si e fizera de Kyuhyun seu homem na noite anterior. Changmin era acostumado a transar com qualquer um, mas com Kyu fora muito mais do que isso.

Assim que suas malas estavam fechadas sobre a cama e o quarto devidamente organizado, eles fecharam a janela e as cortinas só então desviaram o olhar um para o outro. Kyuhyun repousou ambas as mãos nos ombros do rapaz que se aproximou de si e o envolveu pela cintura delicadamente. Changmin sabia que o menor desejava conversar, mas esperaria que ele começasse o assunto.

– Changmin-ah, como você acha que vai ser daqui pra frente? Nós dois?

– Eu espero que nós possamos continuar assim, como namorados, mesmo que seja escondido. E na faculdade, nós vamos nos comportar como bons amigos como viemos fazendo desde o mês passado.

– Como você pretende explicar para os caras da faculdade que você não está mais a fim de ir para o bar procurar por uma mulher?

– A minha melhor desculpa tem sido as minhas notas baixas, e nesse feriado eu disse que ia viajar com você.

– Você contou pra eles que vinha comigo? Aish, Changmin-ah, o que você espera que eles pensem?

– Não precisa se preocupar, eu falei que você ia trazer uma prima e que eu vim por causa dela. Isso vai explicar as marquinhas que você deixou em mim e eu tenho certeza que eles não têm moral pra perguntar das suas marquinhas.

– Espertinho. – Disse Kyuhyun mais tranquilo com a afirmativa dos outros. – Changmin-ah, vamos supor que uma das meninas com quem você já transou, uma das mais bonitas e boas de cama com quem você já passou a noite viesse te propor uma noite louca de sexo, você toparia?

– Você continua não me levando a sério, Kyunie?

– Não é isso, Changmin-ah. Você já me provou que pode ser um namorado incrível e eu acho que nunca me senti tão bem quanto agora, com você. Eu preciso saber o que você acha de ser tentado, porque você vai ser tentado, cedo ou tarde e eu também vou. Eu quero que você me diga como acha que vai reagir e eu quero que seja sincero.

– Eu não pretendo me deixar levar por esse tipo de atitude de novo, Kyu-ah. Primeiramente porque seria uma grande falta de respeito com você e em segundo lugar porque eu não tenho mais interesse em fazer sexo com uma mulher, isso perdeu a graça depois que eu experimentei com você. E você? Eu sei que levar cantadas de outros homens faz parte do seu trabalho no bar, mas como você lida com as tentações?

– Eu não vou me deixar levar por isso. É o meu local de trabalho, Changminie e também, eu gosto mesmo de você. – Confessou Kyuhyun, desviando o olhar sem perceber o sorriso discreto nos lábios de Changmin.

– Eu sei que se o cara te seguir até os fundos do bar e te pagar uma cerveja, vai ser um problema. – Disse Changmin entre risos.

– E me pedir aulas de cálculo em plena sexta de madrugada? Qual a probabilidade disso acontecer? – Disse Kyuhyun entre risos.

– A mesma de você dividir a cama comigo e me deixar experimentar o seu beijo. Depois o seu cheiro, e o seu gosto e finalmente, o seu corpo. – Disse Changmin selando os lábios do outro demoradamente.

– Você é um em um milhão, Changmin.

Changmin sorriu abertamente com o elogio do outro e o puxou contra si para que ele se encaixasse confortavelmente em seus braços. Kyuhyun gostava de momentos como aquele em que ele podia simplesmente se permitir ser abraçado por seu namorado, sem se cobrar por estar se entregando rápido demais. Eles somente se soltaram quando Hyukjae abriu a porta e avisou que eles estavam de saída.

Somente então eles se afastaram e saíram de mãos dadas do quarto. Eles se despediram de Henry e Sungmin que tomariam um rumo diferente quando eles chegassem a Seul, e Changmin já se sentia a vontade diante do casal. Eles saíram à frente, enquanto Hyukjae e Donghae checavam se na casa estava tudo fora das tomadas e as janelas estavam devidamente fechadas.

Kyuhyun e Changmin colocaram sua bagagem no porta-malas e se acomodaram de mãos dadas no banco de trás do carro. A mão de Changmin estava repousada sobre as coxas do menor que brincava com seus dedos, com ar distraído. Eles somente ergueram o olhar quando Donghae e Hyukjae entraram no carro. Eles deram partida no veículo e não se demoraram a pegar a estrada em direção a Seul.

Antes de saírem da cidade, eles passaram na confeitaria indicada por Kyuhyun e enquanto Donghae saboreava um refrescante frappuccino os outros dois comiam torteletes de morango que eles haviam comprado. Vez ou outra eles riam um do outro por lambuzarem o rosto com o creme, ou comentavam algo sobre a comida, até serem interrompidos por Donghae:

– Hey, pombinhos, me expliquem uma coisa. Como vai ser na faculdade de vocês quando souberem que os dois estão namorando?

– Nós não vamos assumir ainda, hyung, isso é muito complicado, o Changminie tem muitos amigos lá na sala e ia ficar ruim pra ele. – Explicou Kyuhyun.

– Changmin-ah, se eles forem seus amigos de verdade, vão aceitar. – Intrometeu-se Hyuk – O Jaejoong já aceitou, não?

– Já, mas o Jae tá no mesmo barco que eu! – Afirmou Changmin. – Quer dizer, ele tá é em uma furada, isso sim. O problema, hyung, é que para todo mundo que convive comigo na faculdade eu ainda sou o cara que pega todo mundo. Eu estive pensando, se eu e o Kyunie assumíssemos agora, todo mundo ia sair dizendo que eu tô pegando ele pra aumentar as minhas notas.

– Além de você ser taxado aos quatro ventos como o novo gay da faculdade. Não vai ser fácil quando nós assumirmos, Changminie. – Avisou Kyuhyun.

– Esse tipo de intriga não é mesmo saudável pra nenhum relacionamento, mas vocês sabem que não vão conseguir esconder por muito tempo não é? – Afirmou Donghae. – Não é bom vocês se desgastarem demais tentando esconder, então vá se preparando, Changmin.

– Qualquer coisa, Changmin, eu e o Donghae estamos aqui. – Afirmou Hyukjae.

– Obrigado, hyung. – Disse Changmin, sorrindo abertamente.

– Mudando de assunto, a festa do Junsu é na terça-feira agora! – Avisou Donghae.

– E a minha missão é levar o Jae até lá, certo? – Disse Changmin entre risos.

– Isso mesmo, não falhe! – Disse Hyukjae.

Changmin riu divertido do comentário do outro e eles ainda conversaram por alguns instantes para em seguida, Kyuhyun e Donghae caírem no sono. Changmin o abraçou pela cintura e o acariciou ali com a ponta dos dedos, deixando que o rapaz se ajeitasse em seus braços para poder dormir melhor. Ao contrário do clima ameno de quando eles saíram da praia, as chuvas se aproximavam de Seul.

Assim que eles adentraram o perímetro urbano, Changmin ligou para Jaejoong que já esperava sua ligação para ir busca-lo no apartamento de Kyuhyun. Assim que o mais alto desligou o aparelho, seu namorado despertou com ar sonolento e um tanto desconcertado. Changmin depositou um beijo na testa de seu namorado que sorriu com o canto dos lábios.

– Você dormiu? – Indagou Kyuhyun, sonolento.

– Não, não estava com sono. Fiquei cuidando de você.

– Lindo…

– Querem parar com isso, eu tô ficando enjoado! – Ralhou Hyukjae.

Os dois riram e só então Kyuhyun desencostou a cabeça do ombro de Changmin que passou a mão em seus cabelos o ajeitando. Donghae ainda dormia pesadamente com o rosto recostado à janela do carro, e eles já estavam a caminho da casa de Kyu, onde seria a primeira parada. Kyuhyun estava desanimado com o fato de ter que passar o resto da tarde e a noite sozinho, mas por outro lado ele tinha tantas roupas para lavar que nem valeria a pena pedir para Changmin ficar e fazer-lhe companhia.

– Quer ir lá pra casa? –Indagou Changmin, pensando que lavaria suas próprias roupas quando tivesse tempo.

– Não posso, Changminie, tenho muita coisa pra fazer. E eu aposto que você também, seu preguiçoso!

– Eu tenho, mas não quero! – Disse Changmin entre risos. – Já que você vai me fazer ficar sozinho hoje, amanhã poderíamos ver um filme lá em casa depois de terminarmos a conclusão do nosso artigo.

– Tem que mostrar para o professor na quarta, então sem filme até esse trabalho estar pronto! Você conseguiu achar a variação da bolsa alemã de 44 que faltava né?

– Achei sim, príncipe. – Afirmou Changmin. – Não estressa, tá tudo pronto é só levar para o professor revisar e aí sim se estressar porque ele vai mandar a gente mudar tudo.

– E que filme você vai querer ver? – Indagou Kyuhyun.

– Ainda não sei, eu tenho alguns em casa, eu vou escolher um de lá. – Afirmou Changmin. – E você leva a pipoca!

Antes que Kyuhyun pudesse responder a afirmativa do rapaz, Hyukjae encostou o carro e deu alguns tapinhas leves nas coxas de Donghae para que este finalmente acordasse. Eles descarregaram as malas dos dois rapazes e por mais que Hyukjae tivesse insistido, Changmin não o deixou levar para casa e sim, esperaria por seu amigo.

Eles se despediram e Changmin ajudou seu namorado a levar as malas até seu apartamento e só então ambos desceram para esperar por Jaejoong. Ambos se recostaram ao portão enquanto a carona do mais alto não chegava e escondido atrás de seu corpo, suas mãos brincavam com seus dedos, os acariciando. Kyuhyun olhou de relance para o porteiro de seu prédio que fitava atentamente um jogo de baseball na televisão e só então roubou um selar nos lábios de Changmin.

O mais alto sorriu e então entrelaçou os dedos aos do outro o puxando para que ele ficasse de frente para si e finalmente eles puderam encaixar seus lábios. Eles trocaram alguns beijos leves e estalados, se separando quando algum pedestre passava por eles e só então voltando aos beijos. Kyuhyun vez ou outra fitava o porteiro, mas ele não estava atento ao que acontecia do lado de fora do prédio. Quando eles cortaram o beijo, Kyu viu por cima do ombro de Changmin o carro de seu amigo estacionar próximo a eles.

– Seu amigo chegou. – Avisou Kyuhyun.

Changmin sem pressa alguma soltou seu namorado enquanto fitava Jaejoong sair do carro e acenar para ele. Em uma das mãos, Changmin puxava sua mala e a outra estava enlaçada à Kyuhyun que caminhava ao seu lado. Ele somente o soltou quando deu um abraço breve em Jaejoong que o cumprimentava. O rapaz também abraçou Kyuhyun que sorriu simpático a ele.

– Como foi na praia?

– Foi incrível! – Afirmou Kyuhyun enquanto Changmin guardava seus pertences no porta-malas. – O lugar é lindo, e fez sol quase todos os dias!

– E vocês? Se acertaram? – Indagou Jaejoong em tom quase sussurrado, fazendo Kyuhyun rir discreto.

– Nos acertamos sim. – Afirmou Kyuhyun . – Eu vou deixar o Changminie te contar os detalhes.

– Depois eu te conto tudo. – Afirmou Changmin voltando a companhia dos outros dois. – Agora vamos, Jae-ah, o Kyunie tem que descansar porque amanhã nós temos aula e eu sei que ele tem muita coisa pra fazer.

– Aahh não, por que vocês não entram um pouquinho? Eu faço um café.

– Ah, desculpe, Kyu-ah, mas eu tenho mesmo que ir. – Disse Jaejoong. – O Yoochun-hyung vai lá em casa hoje, e coisa boa não deve ser.

– Por quê?

– Porque eles brigaram anteontem e o Yunho -hyung saiu de casa e passou a noite no nosso apartamento. Tenho quase certeza que é sobre isso que ele quer falar.

– Toma cuidado, Jaejoongie, o Yoochun-hyung é bastante ciumento. – Avisou Kyuhyun.

– Então nós vamos pra que você não se atrase. – Afirmou Changmin.

Jaejoong ainda agradeceu o outro rapaz e o abraçou brevemente antes de adentrar o carro e deixar o casal se despedir. Eles já não tinham mais o que falar um ao outro, então Kyuhyun segurou ambas as mãos do mais alto e se aproximou deste. Changmin primeiramente buscou seu olhar antes de roubar um demorado selar de seus lábios.

Changmin ainda acariciou os cabelos curtos do outro antes de se afastar e acenar ao mesmo. Kyuhyun sorriu abertamente a ele e também acenou para por fim dar-lhe as costas e deixar e seguir em direção ao portão do prédio. Antes de entrar ele virou-se e encontrou Changmin o fitando pela janela do carro que lentamente se movia. O menor acenou mais uma vez a ele que sorriu-lhe seu mais apaixonado sorriso.

Assim, depois de vários dias dividindo a mesma cama, eles se separaram. Kyuhyun sentiu um aperto no peito e um vazio interior, mas ele sabia que aquilo logo passaria, pois no dia seguinte eles estariam juntos. Como havia dito a Changmin, ele voltou ao seu apartamento e desfez suas malas, para por fim, seguir para a lavanderia do prédio e acabar logo com aquilo. Aquela tarefa tomaria grande parte de sua noite e antes de dormir, Kyu apenas teria tempo para mandar a mensagem de boa noite ao seu namorado.

No carro, Changmin não conseguia disfarçar o quão preocupado ele estava com a repentina visita de Micky. No entanto, Jaejoong demonstrava certa tranquilidade e não parecia disposto a tocar novamente naquele assunto. Changmin cogitou ir contra o que parecia ser a vontade do outro, mas este começou com um assunto diferente e muito mais agradável.

– Então, Changmin-ah, deu certo! A carta deu certo!

– Ele gostou bastante da carta, Jae-ah. Nós estamos namorando.

– Namorando? Já está sério assim?

– Foi o jeito que eu encontrei de convencer o Kyunie de que eu não estava brincando com os sentimentos dele.

– Você tá tão apaixonado! – Constatou Jaejoong entre risos. – E como foi na praia? Como são os amigos dele? Vocês passearam bastante? Ah, eu aposto que não pararam de se beijar nem um minuto!

– Calma, calma, eu te conto! – Disse Changmin entre risos. – A praia era linda, a casa também. Os amigos do Kyu são no mínimo diferentes. O Henry e o Sungmin são mais reservados, acho que é porque eles começaram a namorar agora e estavam aproveitando o tempo juntos. O Donghae-hyung, ele é quase uma mãe. Ele cozinhava, brigava com a gente se fizéssemos bagunça, chega a ser engraçado. E o Hyuk-hyung é o mais brincalhão, eu me dei muito bem com ele na verdade. No começo achei meio estranho o jeito deles conviverem com o Kyu, mas depois eu vi que era uma amizade muito bonita.

– Só foram homens, eu presumo.

– Só os caras do Candy Bar e os seus namorados. – Disse Changmin entre risos. – Isso soou muito cruzeiro gay, não soou?

– Demais, Changmin-ah! – Disse Jaejoong entre risos. – E vocês dois? Como ficaram lá? Tipo casalzinho mesmo?

– Nós até dividimos o mesmo quarto. – Afirmou Changmin. – Ele é um bom namorado, Jae-ah, apesar de ainda ser inseguro.

– É diferente? Namorar outro cara?

– É sim. Apesar de o Kyunie ser sensível e ter lá os seus dramas, ele ainda é homem e age como um. Ele acorda e tem que se barbear, ele dorme de cueca e camiseta, ele tem um cheiro masculino, é tudo muito diferente.

– Você gosta? Dessa masculinidade do Kyuhyun?

– Eu amo! O toque dele é mais firme e os beijos dele são mais intensos e controladores do que os das mulheres.

– Por falar em toque, já que vocês dividiram o mesmo quarto e pelo hematoma que o Kyu tinha no pescoço eu presumo que rolou algo bem intenso por lá.

Changmin riu sem jeito antes de dar continuidade à conversa. No entanto, por mais constrangido que ele estivesse, ele queria contar a Jaejoong sobre sua mais nova experiência.

– Rolou algo intenso por lá sim, Jae-ah.

– E como foi? Qual foi a intensidade? – Indagou Jaejoong.

– A intensidade? Digamos que foi bem profundo. – Disse Changmin entre risos. – O Hyukjae-hyung me fez ir na farmácia pra comprar lubrificante no primeiro dia e o cara que me atendeu ficou me olhando torto.

– Pra que lubrificante?

– Então, se você não usar isso o cara pode se machucar, sabe? Aí tem que colocar lubrificante pra escorregar direitinho e antes tem que abrir espaço com os dedos, senão também machuca.

– Changminie tá virando expert no assunto! – Brincou Jaejoong. – É bom saber que existem meios de fazer doer menos.

– Estava preocupado com isso?

– Um pouco. – Confessou Jaejoong. – Eu quero fazer também, Changmin-ah!

Changmin riu-se do comentário do outro rapaz e ele o entendia perfeitamente, sabia qual era sua curiosidade. Eles mudaram de assunto e falaram sobre a praia, a casa, novamente sobre os colegas de Kyuhyun e não se demoraram a chegar em casa. Changmin descarregou o carro e logo ele e Jaejoong estavam em casa.

Changmin e Jaejoong seguiram juntos para o quarto do mais alto onde ele começou a desfazer as malas, ainda falando de sua viagem e sanando as dúvidas de seu melhor amigo. Ele mostrou a Jaejoong a boneca de Kyuhyun e contou-lhe a história que o deixou boquiaberto. Ao final, os dois empolgados com o assunto desistiram das malas e roupas para lavar e seguiram juntos para a sala, cada qual com seu notebook, para pesquisar um lugar que restaurasse Josephine.

Os dois sentaram-se sobre almofadas com seus respectivos computadores no colo e uma jarra de suco ao lado, o qual eles saborearam ao longo da próxima meia-hora quando discutiam qual era o melhor lugar para Changmin restaurar a boneca. Eles se divertiram com a atividade e discutindo se deveriam manter as características do brinquedo ou muda-las, tanto que esqueceram a visita do dia. Até serem recordados pelo som da campainha.

O sorriso de Jaejoong desapareceu de seu rosto e ele desviou o olhar para a porta. Changmin percebeu a tensão de seu amigo e por alguns insanos instantes ele cogitou fingir que não havia ninguém em casa e esconder o rapaz no banheiro. Jae sorriu sem jeito para ele e deixou o computador sobre a mesa, suspirando pesadamente. Ele sabia quem estava do outro lado da porta, mas o que verdadeiramente o esperava ainda era um mistério.

– Deixa que eu atendo. – Disse Changmin.

– Não, eu atendo ele. – Disse Jaejoong o segurando pelo pulso e finalmente se levantando e seguindo a passos largos em direção à porta. Ele suspirou mais uma vez e a abriu, encontrando Yoochun do outro lado com um sorriso indecifrável nos lábios.

– Olá Jae-ah. – Disse Yoochun. – Desculpe o atraso, eu peguei um trânsito terrível vindo pra cá, tinha um acidente bem próximo à entrada da sua rua e isso travou a via.

– Não se preocupe com isso, hyung, entre e sinta-se a vontade.

Yoochun sorriu com mais convicção para ele e adentrou o apartamento. Assim que ele chegou à sala, cumprimentou cordialmente Changmin com uma reverência que foi  prontamente respondida pelo rapaz. O mais alto avisou que iria para seu quarto a fim de deixar-lhes mais confortáveis, mas Jae disse que eles ficariam na cozinha afinal ele deveria preparar um café para sua visita.

Yoochun concordou e seguiu Jaejoong para a cozinha, saindo do campo de visão de Changmin. Ele apenas podia ouvir suas vozes e seus movimentos, no entanto, era quase como se ele pudesse assisti-los. Ele ouviu uma cadeira sendo arrastada e sabia que Yoochun estava se acomodando na mesa. Ele ouviu a cafeteira sendo ligada e sabia que Jaejoong estava recostado na bancada mexendo no eletrodoméstico.

O que ele não viu foi o olhar analítico de Yoochun sobre o rapaz. Seus olhos novamente percorreram as curvas de Jaejoong e suas entranhas reviraram. Ele concluiu que Jaejoong não era ciente da sua beleza ou não estava usando todo seu charme para com Yunho. Quando o rapaz se virou com duas xícaras de café na mão, Yoochun acordou de seus devaneios e voltou a sorrir com o canto dos lábios.

– Espero que goste de café forte. – Disse Jaejoong sentando-se de frente para o outro.

– É o meu favorito. – Afirmou Yoochun. – Você deve saber porque eu vim aqui hoje, não sabe Jae-ah?

– Eu acredito que sei.

– Sabe, Jae-ah, eu me assumi gay há uns quatro anos atrás. Não é lá muito tempo, mas eu já convivi com todo tipo de homossexual que você possa imaginar, você foi ao Candy Bar, sabe bem do que eu estou falando.

– Sei sim, hyung, mas aonde você quer chegar?

– Onde eu quero chegar? Eu quero chegar à você Jaejoong. Eu conheço alguns milhares de caras como você, e sei bem o que caras como você querem. Eu já fui assim também.

– Caras como eu?

– Eu estou falando dos curiosos. Os rostinhos bonitinhos do Candy Bar, que falam que estão ali só para conhecer, mas assim que um cara chega mais perto só falta soltar coraçõezinhos pelos poros da pele – Afirmou Yoochun tomando um breve gole do líquido amargo. – Aquele seu discurso de heterossexualidade não colou comigo, Jaejoong, nem o seu, nem o do seu amiguinho apaixonado pelo bartender.

– Eu não menti para você, hyung.

– Eu sei que não, meu querido. – Disse Yoochun sorrindo a ele. – Você só está confuso, certo? Será que eu sou gay, será que eu não sou? É difícil passar por isso, eu entendo. O que eu quero te dizer, é que, apesar do seu rostinho bonito, você não é em nada diferente de todos os outros caras do Candy Bar. Não há nada especial em você Jaejoong, absolutamente nada.

– Hyung…

– Eu sei o que você está se perguntando, o que será que isso tem haver com o meu hyung? Eu vou te dizer, Jaejoong, o meu problema com isso é o fato do meu namorado ter vindo se consolar com você. Você e a sua curiosidade. – Yoochun bebericou outro gole do café em uma pausa a qual Jaejoong sequer conseguia se mover. – Tem mais uma coisa que eu sei que você vai negar. Você quer o Yunho.

– Está me ofendendo, hyung.

– Te ofendendo? Está certo, é uma ofensa, mas também é uma verdade. Não vou arriscar dizer que você quer o meu lugar, mas no mínimo, você quer dormir com o meu namorado e o seu olhar indignado não me nega isso. – Yoochun voltou a sorrir, e deu tapinhas leves no ombro do outro. – Eu te entendo Jae-ah, o Yunho é lindo, irresistível, inclusive é por isso que eu escolhi ele para ser o meu namorado. No seu lugar eu também iria querer dormir com ele.

– Por favor, hyung, eu jamais faria nada com o Yunho-hyung em respeito ao relacionamento que vocês possuem.

– Ah não? Mesmo se ele chegasse a você cabisbaixo porque pela milésima vez eu não quis transar com ele? O que me incomoda não é o seu desejo por ele, mas o fato de que se ao invés dele ir para o bar se consolar, ele vem aqui, a probabilidade de você conseguir o que quer é muito maior.

– Talvez se você desse tanto valor a esse relacionamento quanto o Yunho-hyung dá, você não tivesse medo dele vir se consolar comigo. – Afirmou Jaejoong se levantando e jogando seu café já frio na pia. – Eu sei o que você quer saber, se eu transei com ele.

– Claro, ele dá muito valor a porra do nosso relacionamento dormindo na sua casa, Jaejoong. Essa com certeza é a melhor maneira dele demonstrar isso. – Ralhou Yoochun. – Olha pra mim e me diga, transou com ele ou não?

– Não, eu não transei. – Disse Jaejoong virando-se para o outro. – Nós nem nos beijamos, ele não dormiu no meu quarto e não houve nada demais. Se você vai acreditar em mim ou não já não é problema meu.

– Claro que eu acredito em você Jae-ah, porque certamente se vocês tivessem efetivamente transado, você não perderia a oportunidade de me dizer que a culpa na verdade era minha. – Disse Yoochun, sorrindo novamente discreto. – Eu preciso ir pra casa Jae-ah, antes que você banque o herói e me diga que está fazendo tudo para salvar o meu relacionamento, o que certamente eu vou acreditar ser uma grande hipocrisia sua já que você gosta do meu namorado.

– Você tem uma visão muito distorcida das coisas, hyung. – Afirmou Jaejoong.

– Claro que eu tenho. – Disse Micky ironicamente.

Antes que Jaejoong pudesse finalmente se despedir do outro rapaz, eles foram surpreendidos mais uma vez pela campainha. Os dois seguiram para a sala, e quando lá chegaram, Changmin já havia atendido a porta e Yunho perguntava animado sobre sua viagem enquanto se dirigia para a sala. A animação do rapaz minou assim que encontrou seu namorado ao lado de seu amigo, ambos com feições nada amigáveis.

– Micky! – Disse Yunho, com ar surpreso.

– Surpreso em me ver?

– Claro que estou, o que faz aqui?

– Vim tomar um café com o seu novo melhor amigo. – Afirmou Yoochun. – Não me avisou que passaria aqui depois do trabalho.

– Eu só vim devolver o seu livro, Jae-ah. – Disse Yunho, tão incomodado e constrangido quanto Jaejoong ao pegar o livro de sua mão.

– Obrigado, hyung. – Disse Jaejoong.

– Bem, eu e o Yunho não vamos mais te incomodar, Jaejoongie. – Disse Yoochun sorrindo discretamente.

– Vocês não incomodam. – Disse Jaejoong ainda sério.

– Vamos, Yunho? – Disse Yoochun em tom autoritário.

– Vamos. – Disse Yunho murmurado, tentando definir o que o olhar magoado de Jaejoong significava. Ele desejava abraçar aquele rapaz, mas se o fizesse, certamente seria repreendido por seu namorado. – Não esqueça que nós vamos ao cinema amanhã Jae-ah!

– Não vou esquecer.

Antes que eles pudessem dar continuidade ao diálogo, Yoochun puxou seu namorado pela mão e juntos os dois seguiram para a saída. Jaejoong saiu logo atrás deles e ao contrário do que era de costume não os acompanhou até o elevador e nem deixou-se ficar abraçado com Yunho por mais alguns instantes antes deste partir. Ele acenou e sorriu discreto, recebendo do mais velho um olhar significativo.

Changmin estava logo atrás de Jaejoong quando o rapaz fechou a porta e suspirou pesadamente. O mais alto repousou a mão sobre o ombro do outro que desviou o olhar para ele com ar entristecido. Ele viu o olhar de Jaejoong encher-se de lágrimas antes dele suspirar pesadamente e controlar suas emoções. Ele podia ler em suas feições o quão apaixonado Jaejoong estava e o quão impossível era aquela paixão.

– Jae-ah.

– Ele é um cara horrível, como o hyung consegue suportar isso?

– Ele está com ciúmes, o Hyukjae-hyung me disse que ele era muito ciumento. –Recordou-se Changmin. – Jae-ah, eu tenho uma proposta para você.

– Que proposta? – Indagou Jaejoong seguindo com o outro em direção a sala.

– O que você acha de sair e conhecer outros caras? Sabe, esperar por uma decisão do Yunho-hyung não está te fazendo muito bem e ter que lidar com o namorado dele também não está ajudando.

– O problema é que eu gosto dele, Changmin-ah.

– Eu sei, eu entendo, mas ficar contando com o término desse namoro não é nada bom pra você. Por que você não tenta sair e conversar com outros caras e aí quando o Yunho-hyung decidir terminar com o namorado dele você reconsidera a possibilidade de ficar com ele?

– Eu não vou conseguir me afastar totalmente do hyung.

– Eu sei que não e nem precisa. Você não está procurando um namorado e sim alguém pra se distrair enquanto as coisas não acontecem entre vocês.

– Assim eu poderia experimentar também né? Mas Changmin-ah, não tem outro cara que faça eu me sentir , entregue.

– O Hyuk-hyung me disse que ele tem um amigo que está voltando do Japão, e eles vão dar uma festa pra ele de boas vindas. A gente podia ir não é?

– Como eu vou pra festa de boas vindas de um cara que eu nem conheço?

– Ah, você podia ir lá conhecer ele. O Donghae-hyung disse que ele é bem bonito e vai por mim, eu sei que vocês dois tem algumas coisas em comum. Vamos nessa festa? Aí você pode conhecer gente nova e se distrair um pouquinho também.

Jaejoong ainda parecia relutante quando aceitou ir á festa do rapaz, finalmente deixando Changmin satisfeito. Eles ainda conversaram por alguns instantes mas logo o chateado rapaz foi tomar um banho e se recolher em seu quarto. Changmin por sua vez ainda separou as roupas que lavaria na manhã seguinte e quando sua mala estava devidamente desfeita ele tratou de tomar um banho.

Com toda aquela confusão relacionada ao seu amigo, ele sequer tivera chance de avisar Kyuhyun que eles haviam encontrado um lugar para restaurar Josephine. Changmin ainda tomou um demorado banho, vestiu-se de um pijama e finalmente seguiu para a sacada de seu apartamento. Ele se sentou em uma das cadeiras e fitou o céu nublado da noite coreana, imaginando o que seu namorado estaria fazendo àquela hora.

Como se lesse seus pensamentos, o celular de Changmin vibrou sobre a mesinha ao seu lado, indicando uma mensagem de Kyuhyun. Ele imaginou que seu namorado deveria estar trajando também uma roupa confortável, provavelmente sentado preguiçosamente na poltrona de sua sala enquanto escrevia aquela mensagem.

“Changminie, o Donghae-hyung mandou as fotos da viagem para o seu e-mail. Meu quarto está vazio sem você comigo, você está me deixando mal acostumado. Tenha uma boa noite, e sonhe com os anjinhos.”

Changmin sorriu bobo com a mensagem e não se demorou a seguir para seu quarto e abrir seu e-mail a fim de ver as fotos. Enquanto fazia o download dos arquivos, Changmin respondeu a mensagem de Kyuhyun que certamente estaria esperando por sua resposta.

“Agradeça o hyung por mim e avise que consegui convencer o Jae a ir à festa do amigo do Hyuk-hyung. A minha cama também está vazia sem o meu príncipe comigo, mas não se preocupe, amanhã estaremos juntos de novo. Tenha uma boa noite, sonhe com os anjos enquanto eu vou sonhar com você.”

Changmin sentou-se em sua cama com o computador no colo e abriu as fotos que o mais velho havia mandado. Haviam recordações de todos os dias, fotos deles juntos, na praia, cozinhando, dos dois deitados na rede dormindo, do gato do vizinho que vinha pedir comida todas as manhãs. De todas as fotos, Changmin amou duas delas que continham apenas ele e Kyuhyun. Uma delas era na sacada da casa, onde eles tinham visto o sol nascer, eles estavam abraçados e Kyuhyun tinha o rosto recostado ao dele, ambos sorrindo. A outra, que ele sequer sabia ter sido tirada, de ambos com os pés na piscina, sentados na beirada da mesma com seus lábios colados em um beijo discreto e apaixonado.

Com essa imagem em sua mente e Changmin ajeitou-se na cama e adormeceu. Segunda-feira ele voltaria para sua complicada e chata rotina, mas com um diferencial que dava vida nova aos seus atos. Ele agora tinha alguém para si, alguém que correspondia seus sentimentos e que o pertencia de corpo e alma. Ele entrara em um relacionamento tão incerto quanto emocionante e cada nova descoberta fazia a vida correr por suas veias. Cho Kyuhyun era o sopro que faltava para que ele passasse de jovem para adulto, ele agora era um homem e ele agora tinha um namorado.

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