Capítulo 16: Argumentações

Aquele mês passou rápido, apesar das chuvas que castigaram a metrópole ao longo das quatro semanas. Assim que a estação úmida passou, o inverno começou a se aproximar da capital coreana, assim como o fim do ano. Com isso, vieram as produções de trabalhos de última hora, as divisões de grupo para os seminários, e mais cobranças dos universitários que se interessavam em não pegar dependência alguma.

Para Changmin estava ficando cada vez mais difícil acompanhar o ritmo de estudos de Kyuhyun. A impressão que ele tinha era de não fazer mais nada de sua vida além dos malditos artigos, questões, cálculos, apresentações de slides, discursos, entre outros. Ele não sabia até então, mas Kyu era perfeccionista com a maioria das coisas relacionadas à faculdade e para que Changmin pudesse continuar acompanhando seu ritmo era necessária dedicação que ele não tivera em momento algum na vida acadêmica.

Em função disto, a vida social do rapaz tornou-se muito limitada. Não que ele não gostasse de passar um tempo com Kyuhyun, mas desejava fazer mais coisas com o rapaz do que somente estudar. Algumas vezes ele ainda conseguia arrancar alguns beijos do outro, mas logo ele voltava a focar nas suas atividades do dia e eles voltavam para os estudos. Claro que depois de um mês naquele ritmo, Kyu percebeu o desânimo de Changmin.

Estranhamente, aquela descoberta não decepcionou Kyuhyun, afinal ele conhecia o rapaz desde que eles entraram na faculdade e o outro nunca fora realmente dado aos estudos. Kyu não seria duro com ele, mas também não desejava que Changmin desistisse de todo trabalho que eles haviam tido até então. Ele sabia que o rapaz precisava de uma brecha, uma folga pelo menos em um dos dias da semana.

Ao contrário de seu distraído namorado, Kyuhyun percebeu que as pessoas já estavam estranhando o fato de Changmin ter trocado o bar pela biblioteca e seu grande grupo de amigos pelo cara estranho de óculos. Kyu não se importava com o estranhamento, mas também não queria que aquilo se tornasse uma desconfiança, que logo se tornaria um rumor, um boato e finalmente eles descobririam a verdade.

Kyu estava no controle de sua vida social, mas agora tinha a reputação de Changmin para manter também. Baseando-se nisso, ele disse ao rapaz que deveria voltar a sair com os rapazes da faculdade algumas vezes. Desde que ele não traísse, não havia problema dele sair para beber com outros caras e assim, ele teria uma folga dos estudos antes que seu ritmo diminuísse a ponto dele não conseguir mais o acompanhar.

Changmin não conseguia entender como às vezes seu namorado conseguia lê-lo como se suas opiniões fossem um livro aberto na cabeceira de sua cama. Claro que se ele precisava de um tempo livre, e seria muito mais proveitoso se pudesse passa-lo ao lado de seu amado, no entanto, este trabalhava. Suas manhãs eram sempre corridas e às vezes ele estava cansado demais para qualquer atividade.

Changmin estava achando que estar em um relacionamento sério era mais complicado do que ele imaginara. Ele havia adaptado toda sua rotina para poder estar com Kyuhyun, ainda que seus momentos juntos consistissem em sua grande maioria em longos e demorados planos de estudo. Finalmente, naquele final de mês, ele teria tempo para voltar a socializar com seus colegas de classe, ainda que algumas coisas o incomodassem.

Era uma noite fria de sexta-feira e ele finalmente havia aceitado os convites de seus colegas para eles se divertirem no bar. E lá estavam ele, Jaejoong, e outros cinco rapazes de sua sala de aula. Era um grupo relativamente grande e eles demoraram a conseguir uma mesa que comportasse todos eles. Changmin e Jaejoong começaram na vodca com soda e ambos concluíram mais tarde que os drinks do Candy Bar eram de longe, muito melhores do que aqueles.

Eles saborearam os drinks enquanto Changmin entrava em uma agradável conversa sobre esportes com os outros rapazes e seu amigo silenciosamente saboreava seu drink. No entanto, algo que ele sabia que aconteceria aquela noite começou a incomoda-lo quando a meia noite se aproximou. Claro que seus colegas iriam buscar por companhia aquela noite e eles estranharam quando notaram que não eram Changmin e Jaejoong tomando frente naquelas tentativas.

Não demorou muito e algumas meninas juntaram-se a eles na mesa, e pela primeira vez Changmin sentiu-se desconcertado diante de uma mulher. Uma vez que ele não possuía mais desejos ou objetivos diante delas, não havia o que dizer, ou o que fazer e isso constrangeu tanto a ele quanto a Jaejoong. A noite se adentrou e o nível de álcool no sangue dos ocupantes da mesa aumentou os fazendo falar e rir mais alto. Claro que ele sentia a pressão dos olhares dos outros para que escolhesse uma menina, desse o primeiro passo, mas ele não queria isso.

A madrugada já adentrava quando o seu mais temido assunto foi abordado na mesa. Um silêncio recaiu sobre o local, dando a entender que aquela era uma curiosidade geral e não somente do locutor da pergunta. Claro que seu amigo tentou usar do tom mais informal possível, mas ele sabia que eles esperavam uma confissão bombástica ou um posicionamento preconceituoso.

– Changmin-ah!! – Começou Jonghyun, um de seus colegas de classe. – Conta pra gente, qual é a do seu novo amigo?

Changmin sentiu como se uma pedra caísse fria em seu estômago e seu sorriso se esvaiu. Seu olhar encontrou o de Jaejoong, ambos aflitos com tal questionamento. Como iria ele, explicar seu relacionamento com Kyuhyun sem falar a verdade? Claro que ele preferia assumir aos quatro ventos que na verdade aquele rapaz era seu namorado e finalmente correr dali e daquela pressão que sentia sobre si. Ele sorriu sem jeito e respondeu com outra interrogativa:

– Como assim qual é a dele?

– Ah, o cara é viado, não é? – Perguntou outro de seus colegas.

Changmin sentiu um frio na espinha ao ouvir o termo ser proferido por seu colega de classe. Não havia um tom jocoso, ou sequer amigável quando a frase foi formulada e aquilo doeu em Changmin. O que seria dele quando os outros descobrissem que ele também era “viado”? O rapaz obrigou-se a respirar fundo antes de respondê-lo, da forma mais simplista que conseguiu formular. Não queria dar continuidade àquela discussão.

– Ele é gay sim.

– É estranho vocês dois andando sempre tão juntos, sabe? Pega mal pra você, Changmin-ah! – Aconselhou seu amigo.

– O Kyu é um cara legal, eu não vou deixar de andar com ele porque pega mal. – Formulou Changmin, relativamente satisfeito com sua resposta.

– Mesmo assim… – Insistiu um dos rapazes.

– Você nem conhece ele, por que pensa que tem direito de falar dele? – Defendeu Changmin. – Ainda mais ele não estando presente e sem a chance de rebater os seus argumentos.

– Não conheço porque não quero que ele dê em cima de mim, mas aparentemente você não se importa.

– Ele nunca deu em cima de mim, ele tem um namorado e é muito fiel a ele se quer saber.

– Credo, Changmin, para de defender o cara assim, fica até estranho. – Disse outro de seus colegas.

– O Kyuhyun é uma ótima pessoa e vocês seriam pessoas melhores se parassem de ser tão preconceituosos com ele. Vai por mim, ele ganha de todos vocês não só na inteligência, mas em vários outros aspectos. – Changmin se levantou e disse com firmeza. – E querem saber o que mais? Eu…

– Nossa carona chegou, Changmin-ah! – Interrompeu Jaejoong se levantando também e apontando para a porta, onde Junsu os esperava.

– Você o que, Changmin? – Disse um dos rapazes, firmemente.

– Eu estou cansado de como as pessoas tratam o Kyu sem ao menos trocarem meia dúzia de palavras com ele. Vocês deviam conhecer ele primeiro e depois julgar. Vai por mim, se tem uma coisa que eu sei que ele não vai fazer é dar em cima de vocês ou tentar convencer alguém a ser como ele. Sejam menos preconceituosos, por favor, cresçam!

Changmin deixou uma nota sobre a mesa que certamente cobriria seu consumo e saiu dali, andando a passos largos em direção ao outro rapaz. Jaejoong saiu em seus calcanhares, ainda com ar sobressaltado. Ele bem sabia que se não tivesse sido interrompido, Changmin teria confessado seu namoro ali aos gritos e aquilo não seria bom. Ele se lembrou de quando Kyuhyun o explicou que aquilo não deveria ser dito em um momento de exaltação e sim explicado com calma para que fosse assimilado e só então, aceito.

Ao ver a feição endurecida dos dois rapazes o sorriso de Junsu esmoreceu, certamente algo havia acontecido naquela mesa, uma vez que os ocupantes ainda olhavam para eles. Jaejoong tomou dianteira e pediu que eles saíssem dali de uma vez, já que a noite havia sido um total fracasso. Junsu ainda o abraçou pela cintura e seguiu ao lado de Changmin em direção ao seu carro estacionado em frente ao local.

– O que houve?

Junsu os indagou somente quando eles já estavam dentro do carro e a caminho do Candy Bar onde seria a segunda parada de Jaejoong aquela noite. Uma vez que Changmin acabara indo junto, ele não se oporia a ir ao local, até porque precisava dialogar com seu namorado se fosse possível. Jaejoong explicou a Junsu a conversa final daquela noite, assim como as garotas que sentaram lá esperando por uma ação deles.

– Me desculpe Jae-ah, mas o Changmin assumir o namoro deles seria uma mera formalidade, acho que não existe mais alguma dúvida sobre essa nova fase de vocês dois.

– O Kyu não queria que eles soubessem, mas sair com eles e esconder isso foi impossível.  – Afirmou Jaejoong.- Vocês deveriam assumir isso logo.

– Eu vou conversar com o Kyunie sobre isso de novo e nós veremos. – Concluiu Changmin – Até lá, eu vou me afastar deles, não tem como manter isso.

Com aquela afirmação eles encerraram o assunto, afinal não queriam chatear ainda mais o rapaz no banco de trás. Jaejoong e Junsu foram conversando entre si sobre a semana de provas do rapaz enquanto o outro aproveitou para observar a paisagem e se perder em seus pensamentos. Não demorou muito e eles estacionaram em frente ao bar e adentraram o local a passos largos.

Como todas as sextas-feiras, o estabelecimento estava cheio e apenas perdia para os sábados que sempre ficava mais agitado e lotado. Eles chegaram lá à uma da manhã e Changmin foi ao bar pedir por um drink feito por seu amado. Kyu aparentou se animar com sua presença ali, e eles voltariam a conversar no seu intervalo. Changmin saboreou a bebida nomeada Blue Sky por sua coloração azul, em uma das mesas afastadas do centro.

Ele não permaneceu ali sozinho por muito tempo, já que Hyukjae sentou-se com ele. Changmin não queria chatear o rapaz com seus lamentos então tratou de falar sobre outros assuntos com ele. Changmin achou a companhia de Hyuk muito mais agradável do que de seus outros colegas, uma vez que ele não estranhava suas atitudes nem esperava por ações de sua parte. Jaejoong e Junsu, agora suados por estarem dançando há muito tempo, juntaram-se a eles, para mais alguns drinks.

Perto das três da manhã, Donghae tomou frente dos atendimentos do bar e Kyuhyun roubou de seus colegas a companhia de seu namorado. Ele estava ansioso para saber como fora a noite do rapaz com seus amigos e se ele conseguira se divertir e recuperar o fôlego para continuar os estudos. Changmin segurou sua mão e eles seguiram juntos para os fundos do bar onde haviam conversado pela primeira vez. Kyu se recostou à mesma parede, mas desta vez, Changmin estava abraçado em sua cintura e com o rosto apoiado carinhosamente em seu ombro.

– Como foi a sua noite? – Indagou Kyuhyun acariciando os cabelos do outro com a ponta dos dedos.

– Não muito boa e a sua? – Confessou Changmin apertando o outro mais contra si.

– A minha foi agitada. – Afirmou Kyuhyun virando o rosto e selando o topo da cabeça de seu namorado. – Quer me contar o que aconteceu?

– Quero. – Disse Changmin afastando o rosto e fitando seu namorado. – Começou tudo bem sabe, mas aí chegaram umas meninas e…

– Changmin, o que você fez? – Indagou Kyuhyun em tom firme.

– Me deixa contar, Kyu-ah! – Ralhou Changmin. – Eles chamaram as meninas para a mesa, eu não ia falar que não. O problema não foi esse, foi que eles ficaram me olhando, esperando que eu paquerasse alguma delas.

– E você paquerou?

– É claro que não! Eles estavam estranhando a minha atitude e do Jae porque nós não demonstramos interesse em nenhuma das que estava ali, não porque elas não eram bonitas, mas porque eu já sou compromissado. Aí pra completar, eles falaram de você e isso me chateou.

– O que eles falaram?

– Ah, eles disseram que andar com você pegava mal, que eu não deveria te defender tanto porque estava ficando estranho e te chamaram de viado. Eu não gostei disso, não gostei de como chamam meu namorado, aí eu disse que eles deveriam te respeitar e eu quase fiz uma besteira.

– Você não contou né? Changmin, nós combinamos que…

– Eu sei o que nós combinamos, mas eu não consigo mentir tão bem assim, Kyuhyun. – Irritou-se Changmin – O que você esperava? Que eu engolisse o sapo e tivesse uma atitude igual a deles, te chamar de viado sendo que eu mesmo sou tão gay quanto você?

– Changminie, eu também não gosto de ser chamado assim, mas você tem que entender que esta é a visão deles sobre mim e que isso não vai mudar do dia para a noite. Saber que nós agora namoramos também não vai mudar o que eles pensam de mim, mas vai mudar o que eles pensam de você.

– Se eles não conseguem aceitar o meu namoro é porque não devem ser meus amigos de verdade, e se esse namoro implica deixar essas pessoas de lado, eu vou deixar. O que eu não posso aturar é eles te ofendendo sem que você sequer possa se defender!

– Changmin, você não deve sacrificar a sua vida social em função do nosso namoro, isso não é saudável. O que você pretende? Ficar como eu, dependente dos amigos do seu namorado para ter seus próprios amigos?

– Que tipo de amigos são esses que não vão me aceitar como eu sou? Eu prefiro não ter amigo nenhum se esse é o caso!

– Não diga isso, Changminie, eu não vou deixar você se afastar dos seus amigos por minha causa.

– Eu não me importo! Não é como se você estivesse me mandando escolher entre você e eles, mas eles possuem um tipo de atitude que não condiz com a minha relação com você e eu não posso aceitar isso, Kyu!

– Está bem!  – Desistiu Kyuhyun, uma vez que também havia se chateado com o assunto. – Você quer acabar com a sua imagem, isso é problema seu, mas nós não vamos assumir agora.

– Por que não? – Insistiu Changmin.

– Porque é muito cedo, nós só namoramos por um mês.

– Não é como se eles não desconfiassem, não depois de eu te defender hoje.

– Deixe que desconfiem, eu duvido que eles venham perguntar diretamente se nós temos um relacionamento ou não, mas não é verdade até nós dizermos que é. Agora chega desse assunto.

– Me fala, quando você quer assumir então?

– No fim do ano nós assumimos. Aí deixamos eles absorverem nas férias e enfrentamos isso no começo do ano que vem.

– Só me diz uma coisa, eu sei que você quer evitar a homofobia e tudo mais, mas eu sei que você ainda está inseguro com o nosso namoro e sinceramente eu não sei o que ainda falta para nós.

– Qual a sua dificuldade de entender que você é meu primeiro namorado depois do Siwon? Eu estou tentando, Changmin, eu estou me esforçando porque eu gosto de você! Por que está me cobrando isso agora? Eu sabia que a sua paciência não ia durar muito.

Changmin suspirou pesadamente e negou com a cabeça assim que o outro parou de falar. Aquela discussão havia ido longe demais e ele certamente estava descontando o stress da faculdade em seu namorado, o que era algo por demais injusto. Ele sabia da insegurança de Kyuhyun quando eles começaram a namorar, e não deveria tentar mudar o rapaz assim tão repentinamente.

Era a primeira vez que uma atitude de Kyuhyun o irritara e ele sabia que eles teriam outras vezes, mas ele não queria terminar aquela noite da pior forma possível, brigado com Kyu. O menor havia virado as costas para ele uma vez que ele não respondera seu último ataque e cruzou os braços em frente ao corpo. Changmin deixou sua mão se apoiar no ombro do outro e aos poucos se aproximou do mesmo.

– Me desculpa. Eu ando irritado ultimamente, e eu sei que você não tem culpa disso.

– Nós não vamos assumir o nosso namoro na faculdade agora e pronto. – Insistiu Kyuhyun.

– Está bem, faremos do seu jeito. Até lá, eu não quero sair com ninguém para quem eu tenha que mentir.

– Tudo bem. – Disse Kyuhyun virando-se para o rapaz. – Não vamos apressar as coisas, Changminie, deixe acontecer.

– Eu vou pra casa, Kyu-ah, minha noite foi um fiasco e eu quero que ela termine logo.

– Não, fica mais um pouco. – Insistiu Kyuhyun. – Essa noite era pra você relaxar e não o contrário.

– Da próxima, eu quero relaxar com você e não com os outros.

– Você sabe que hoje eu não podia, mas segunda-feira no mínimo nós vamos pegar um cinema. E hoje, por que você não dorme lá em casa? Eu te dou a chave e você vai de carona com o Junsu-hyung. Pelo menos nós dormimos juntinhos.

– Isso que nós tivemos, foi mesmo uma briga? – Indagou Changmin.

– Foi uma bem fraquinha – Disse Kyuhyun rindo discreto. – Mas eu avisei que nós iriamos brigar, não avisei?

– Não gostei de brigar, eu espero que aconteça pouco.

– Eu também.

Kyuhyun roubou um selar dos lábios do outro e o abraçou pelos ombros demoradamente. Era a primeira vez que eles argumentavam, a primeira vez que discordavam seriamente de algo e eles bem sabiam que aquele assunto não estava terminado. De mãos dadas, os dois voltaram para dentro do bar e Changmin tratou de juntar-se novamente aos seus amigos que ainda conversavam na mesma mesa.

Assim que Kyuhyun voltou ao seu posto, Donghae juntou-se com eles na mesma mesa, trazendo consigo alguns drinks preparados pelos rapazes. Kyuhyun preparou um especial para animar seu namorado, uma vez que ele deixara a discussão no passado. Changmin saboreou com calma o drink e após este, ele sentiu o cansaço pesar em seu corpo. Ele avisou Junsu e os três foram ao caixa pagar por seu consumo antes de saírem dali.

Assim que ele se despediu de seus hyungs e de Sungmin que o atendera no caixa do bar, Changmin puxou Kyuhyun em um canto e ele deu-lhe a chave de seu apartamento para que o mais velho tivesse acesso ao local. Eles trocaram alguns beijos, mas antes de deixar Kyu voltar ao seu trabalho, ambos repararam que Junsu e Jaejoong, que antes conversavam calmamente próximo a bancada, agora tinham também como companhia Yunho e Yoochun.

Changmin não precisou se aproximar para perceber a tensão entre os dois casais, suas feições endurecidas e cheias de emoções veladas. Jaejoong estava com os braços cruzados e em uma posição defensiva, provavelmente receoso dos comentários ácidos de Yoochun. O outro casal sequer olhavam para ele, pareciam assustados com a presença de Junsu, como se um fantasma tivesse se materializado entre eles.

– Quando você voltou? – Indagou Yoochun, sem conseguir disfarçar sua surpresa com a presença do outro.

– Há pouco mais de um mês. – Afirmou Junsu.

– Você sentiu minha falta e voltou que eu sei. – Provocou Yoochun, entre risos, voltando ao seu humor lascivo.

– Eu voltei por causa de um emprego, sinto muito te decepcionar.

– Como você conheceu o Jae? – Indagou Yunho, com ar grave, temendo que suas suspeitas se afirmassem.

– Ele foi à minha festa de boas vindas.

– Então, ele é o cara?

Após direcionar a pergunta ao rapaz que permanecera em silêncio, Yunho se aproximou um passo de Jaejoong que tinha os ombros encolhidos e fitava o nada, com o rosto corado. Ele sabia que deveria ter contado ao mais velho sobre quem se tratava seu misterioso casinho, mas sua coragem se esvaia cada vez que seu olhar se encontrava ao dele. Ele sentiu o braço de Junsu envolver seus ombros e desejou que ele não o tivesse feito, uma vez que aquilo de nada ajudaria.

– Achei que você tivesse contado pra ele, Jae-ah. – Afirmou Junsu.

– Eu ia contar.

– Contar o que? – Indagou Yoochun, com ar de poucos amigos.

– Nós estamos saindo, Chunnie. Ele ia contar ao Yunho, porque você sabe, eles são amigos e talvez ele não aprovasse muito o nosso relacionamento. Não que isso faça alguma diferença.

– Por que não contou? Não precisa esconder isso, nós aqui não mordemos. – Disse Yunho voltando a sua posição inicial, assumindo uma atitude polida. Se havia algo que ele não deixaria era Junsu e Yoochun perceberem era o quão afetado ele estava com aquele relacionamento.

– Fale por você. – Disse Yoochun. – Sabe Junsu-ah, eu sempre achei que você preferisse personalidade a rostinhos bonitos.

– Então qual o problema de sair com alguém que tem o pacote completo? – Disse Junsu, sorrindo cínico. –E por que isso te incomoda?

– Exatamente, hyung. Por que isso te incomoda? – Indagou Jaejoong.

– Isso é da sua conta? Imaginei que não. – Disse Yoochun antes mesmo de deixar Jaejoong se explicar.

– Mas é da minha. – Afirmou Yunho.

– Se você acha que não me deve explicações também, está muito enganado. – Atacou Yoochun. – Falaremos sobre isso em casa, eu não quero estragar a noite do casal.

– Olha só, o casal perfeito também discute. – Constatou Junsu, com ar lascivo. – Infelizmente ninguém está livre do que o tempo faz com um relacionamento. Eu imagino como três anos de rotina devem ter desgastado vocês, e aquele sentimento que parecia eterno agora não passa de um discurso clichê para defender algo que não existe mais. O remorso ganha força e te corrói por dentro como um câncer, e de repente o passado aparece e te assombra, não é mesmo, Chunnie?

– Belo discurso, Junsu, pena que esteja tão longe da realidade. – Afirmou Yunho – Ao contrário dos seus amargurados remorsos eu e o Yoochun evoluímos e crescemos juntos, e eu garanto que ainda temos um longo trajeto juntos.

– Ah, mas é claro que vocês têm. – Junsu se aproximou de Yunho e percebeu o corpo do outro ficar tenso e defensivo, então ele disse em seu ouvido para que só ele ouvisse. – Isso se você resistir às tentações dos rostinhos bonitos não é Yunho?

– Não fale do que você desconhece. – Afirmou Yunho, assim que o outro se afastou. – Ah, eu esqueci que você é o cara que fala sem perceber como as suas palavras podem se voltar contra você.

– Você já deveria ter aprendido a manter a boca fechada. – Atacou Yoochun.

– Você também, hyung. Você fala demais. – Acusou Jaejoong, com ar amargurado.

– Ah, Jaejoong-ah, você quer tanto assim o meu posto? A ponto de correr atrás do meu antigo relacionamento? Qual o seu próximo passo, roubar o meu emprego? Fala, seu invejoso, o seu rosto não compra tudo pra você?

– Eu gosto do meu posicionamento, não preciso da sua vida. E que saber? Vai pro inferno!

Jaejoong não esperou a resposta de nenhum dos três, deu as costas e saiu dali em direção a Changmin que os observava de longe. Os dois seguiram juntos para a saída e Changmin não teve coragem de perguntar o que se passara entre os dois casais, afinal raras vezes ele vira seu amigo tão nervoso.  Junsu pretendia repreender Yoochun por sua atitude antes de se afastar dos outros dois, mas o rapaz se manifestou antes:

– Aproveite que vocês estão juntos e ensine boas maneiras ao seu bonequinho, antes que eu quebre aquele rosto angelical e irritante.

– Você mereceu. – Constatou Yunho. – Eu te espero no carro.

E terminando a frase, Yunho se afastou dos dois que se encaravam. Ele já não se importaria com o que Junsu falaria para Yoochun, ele queria apenas voltar para casa e ficar em silêncio, com seus próprios remorsos. Quando ele chegou ao lado de fora, encontrou Jaejoong com o rosto apoiado no ombro de seu amigo e como ele sabia que Yoochun ainda trocaria meia dúzia de palavras com o outro, ele decidiu se despedir do menor. Quando ele se aproximou, Changmin avisou o outro rapaz que ergueu o rosto com ar desanimado.

– Você devia ter me contado. – Disse Yunho, com o mesmo ar sério. – Justo ele, Jae-ah.

– Me desculpe, mas o passado de vocês não me diz respeito e ele é um cara legal.

– Você prometeu que me contaria. – Afirmou Yunho.

– Você me diria para eu me afastar dele e eu não queria isso. Eu não queria te desapontar e eu queria que você tivesse um namorado menos prepotente.

Yunho se aproximou do outro e acariciou seus cabelos finos com a ponta dos dedos, os retirando de seus olhos para que ele pudesse fitar suas orbes escuras. Jaejoong soltou o braço de Changmin que tinha uma feição de poucos amigos para a aproximação de Yunho. Não por não gostar do rapaz, mas por não gostar de suas atitudes diante de seu amigo, mesmo ele estando saindo com outra pessoa.

– E eu queria que você fosse menos perfeito, mas nós não podemos ter tudo o que queremos. Boa noite, Jaejoongie.

Changmin ia se manifestar, mas o mais velho se afastou a passos largos deixando os dois atordoados. Assim que o rapaz se afastou, Yoochun saiu do bar e sem notar a presença dos dois rapazes ali seguiu para a mesma direção de Yunho. Ao contrário dos outros três, Junsu aparentava tranquilidade quando saiu do bar e sorriu a Jaejoong quando se aproximou. Ele acariciou os cabelos do rapaz, assim como Yunho havia feito momentos antes e o abraçou pelos ombros.

– Vamos pra casa? O Changminie deve estar cansado de esperar.

– Não se preocupe comigo, hyung. – Disse Changmin, amargurado com o rumo de sua madrugada.

Jaejoong apenas assentiu e os três seguiram para o carro a passos lentos. Eles adentraram o carro e Changmin não demorou a ser deixado em frente ao prédio de Kyuhyun. Ele pediu a Jae que o telefonasse caso precisasse dele e o rapaz o agradeceu e disse que o faria caso se sentisse mal. Changmin se despediu e deixou os dois seguirem para seu apartamento, onde ele sabia que eles dormiriam, já que o de Junsu ainda estava bagunçado com sua mudança.

Changmin teve alguma dificuldade para encontrar as chaves certas do portão e quando passou pelo hall percebeu que o porteiro dormia em seu posto. Ele não se demorou a adentrar o aconchegante apartamento de Kyuhyun e assim finalizou-se a pior noite de seu ano. Não bastasse cobranças de seus colegas, sua argumentação com Kyuhyun, ainda tinha que finalizar com Jaejoong chateado. Naquele momento ele apenas desejou dormir e esquecer o que acontecera.

O rapaz foi ao banheiro e depois de escovar os dentes com sua escova que ali permanecia, ele escolheu uma das roupas de Kyuhyun em seu armário e estas ficaram um tanto justas em si. Somente quando ele se deitou foi que percebeu o quanto sua cabeça doía por conta do consumo do álcool e de sua agitada noite. Ele fechou os olhos e aquela noite passou diante dele como um filme, e a agonia apertou em seu peito.

Changmin tentou dormir pela hora seguinte, mas desistiu quando o sol despontou pelas cortinas claras do quarto de Kyuhyun. Ele se levantou seguiu para a sala, onde se acomodou no sofá e esperou a chegada de seu namorado que não demorou a tocar sua campainha, uma vez que não estava em posse de suas chaves. Quando Changmin abriu encontrou seu namorado cansado, recostado à batente da porta.

Eles selaram os lábios demoradamente e Kyu o puxou pela mão para que eles adentrassem a casa. Changmin ainda estava com dores de cabeça e irritadiço, mas tinha esperanças de que agora que seu namorado estava consigo as coisas melhorassem. Enquanto Kyu foi ao armário escolher um pijama, Changmin ajeitou a cama para que eles pudessem dormir mais confortavelmente. Ambos ostentavam olheiras terríveis e tinham um ar exausto em suas feições.

– Você estava dormindo, meu amor? – Indagou Kyuhyun, ainda de costas para o outro.

– Não consegui dormir, eu estava na sala, deitado no sofá.

– É por causa da nossa discussão?

– Também. – Disse Changmin com sinceridade, fitando o rapaz se despir. – Eu perdi o sono, aconteceu muita coisa em uma noite só.

– Quer um chá? – Questionou Kyuhyun sentando-se ao lado de seu namorado. – Pra relaxar um pouquinho?

– Só quero deitar, ficar com você já está de bom tamanho para mim.

– Está bem.

Kyuhyun apagou as luzes de seu quarto e deitou-se em sua cama, deixando Changmin recolher-se ao seu lado e deitar a cabeça em seu peito. O menor acariciou seus cabelos com a ponta dos dedos e se demorou a dormir. A noite não havia sido das melhores para si, mas ele sabia que havia sido ainda mais complicada para Changmin e que ele precisava de apoio. Os carinhos de Kyuhyun fizeram efeito e Changmin finalmente relaxou e dormiu, ao som da respiração calma de seu amado.

Kyu ainda levou um tempo para relaxar, enquanto sua mente maquinava maneiras de assumir seu relacionamento sem ferir Changmin e ele ainda pensava nisso quando dormiu. Kyu sabia que não havia maneiras fáceis de fazer as coisas, mas sua mente insistia em tentar buscar soluções criativas. Por mais que seu relacionamento se desdobrasse em uma infinidade de problemas e inseguranças, seus desejos eram simples. Ele apenas queria Changmin ao seu lado, sendo o homem que ele conhecia, teimoso, agitado, bobo, mas seu namorado.

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