Capítulo 20: Encontros e desencontros

 

O cheiro de chocolate havia impregnado a cozinha do apartamento, enquanto Jaejoong mexia aquela panela com uma colher de pau. Havia uma bagunça generalizada sobre o grande balcão de mármore em que caixas de leite, chocolate em pó e raspas de chocolate meio amargo estavam espalhados.  Ele desligou o fogo quando seu chocolate quente ganhou uma textura cremosa e o líquido que foi repassado para uma pequena garrafa térmica tinha uma aparência apetitosa. Jae deixou a garrafa sobre a mesa e sentiu um frio na barriga quando sua campainha tocou.

 

Ele correu em direção à porta a abrindo imediatamente, encontrando do outro lado Yunho que sorria para si. Jaejoong sorriu abertamente de volta e deu espaço ao rapaz para que este adentrasse o seu apartamento. Ele deixou o mais alto retirar o casaco e os sapatos e só então o abraçou por trás, envolvendo sua cintura e escondendo o rosto em seu ombro. Yunho sorriu com o canto dos lábios e acariciou suas mãos com a ponta dos dedos em resposta.

 

Jaejoong ficou receoso de estar incomodando o rapaz e somente por isso o soltou, para que este finalmente voltasse o rosto para si. Yunho o puxou pela nuca e selou sua testa demoradamente, fazendo o rapaz sorrir tranquilamente antes que eles finalmente pudessem se cumprimentar como bons amigos.

 

– Tudo bem Jae-ah? Desculpe a demora, tinha trânsito.

 

– Esse horário é um caos, hyung. – Disse Jaejoong o puxando em direção a cozinha. – Ah céus, eu esqueci! Você não pode entrar aqui!

 

– Por que não? – Disse Yunho, parando logo a frente do outro que apoiara as mãos em seu tórax. – Tudo bem se você matou e esquartejou o Junsu na cozinha, eu te ajudo a limpar.

 

– Que horror, hyung! – Disse Jaejoong, rindo-se em seguida. – Eu fiz chocolate quente para nós, mas eu não limpei a bagunça.

 

– Aish, Jae-ah, é só isso? Então me deixa entrar que eu te ajudo a limpar.

 

– Não!

 

Yunho revirou os olhos e o enlaçou pela cintura com firmeza, o guiando para dentro da cozinha, enquanto o rapaz ainda argumentava com ele. Assim que eles adentraram a cozinha, Jaejoong estapeou o tórax do outro e cruzou os braços com ar emburrado, mas ainda satisfeito por ter seu corpo preso contra o do outro rapaz. Yunho o soltou, olhou a volta e voltou a falar ainda com um sorriso discreto nos lábios.

 

– Não está tão ruim, Jae-ah.

 

– Está sim! Senta aí que eu vou ajeitar isso.

 

– Eu te ajudo.

 

– Não, hyung, nem pensar! – Insistiu Jaejoong. – Se você colocar a mão naquela bancada, fica sem chocolate quente.

 

– Essa é a ameaça mais infantil que eu já ouvi. – Disse Yunho entre risos.

 

– Não seja teimoso, Yunho-hyung.

 

Yunho sorriu para seu adorável amigo e se sentou comportadamente em uma das cadeiras próximas a mesa. Jaejoong virou-se de costas para ele e tratou de arrumar a bancada, sem pressa, retirando as sobras e guardando os pertences. Yunho adorava observar o rapaz, ao mesmo tempo em que o achava extremamente tentador. Até mesmo sua postura causava nele uma vontade impulsiva de toca-lo.

 

Foram poucas as vezes que ele cedeu aos seus impulsos, mas aquele dia eles estavam sozinhos em casa e Jae tinha o corpo inclinado para frente, tão alheio ao mundo a sua volta, que sequer percebeu quando o rapaz se levantou de sua cadeira. Ele se aproximou do mais novo sorrateiramente e o envolveu pela cintura, colando seu corpo ao dele. Jaejoong parou com o que fazia, e arregalou os olhos, assim que sentiu em suas nádegas os quadris do outro rapaz.

 

– Assim não, hyung. – Disse Jaejoong. – Nós temos namorado, não podemos fazer assim.

 

– Não, não podemos. – Disse Yunho com a voz rouca contra o pescoço do outro. – Um dia, eu vou fugir com você, pra um lugar em que eu possa te tocar sem peso na consciência e sem essas roupas pra me atrapalhar.

 

– Um dia, hyung. – Disse Jaejoong, virando-se de frente para o rapaz e beijando seu rosto demoradamente. – Não hoje.

 

– Eu vou te contar um segredo. – Yunho desviou o rosto até o ouvido do outro e só então disse sussurrado. – Eu sonhei com você, e o seu gosto na minha boca era uma delícia.

 

Jaejoong soltou a respiração que prendera ao longo da frase do outro e suas pernas começaram a tremer. Ele precisou forçar seu psicológico para que uma ereção não se formasse entre suas pernas, afinal ele não teria como se livrar dela depois. Ele se apoiou na pia e deixou o outro rapaz o soltar e lentamente se afastar, com um olhar desejoso sobre si.

 

– Não faça mais isso, hyung, por favor.

 

– Eu não vou prometer o que não posso cumprir, já cometi esse erro antes com o Micky. – Disse Yunho, desgostoso. – Vem, vamos assistir a um filme juntos. Deixa essa louça pra amanhã.

 

Yunho sentou-se no sofá e Jaejoong sentou-se ao seu lado, procurando na televisão algo que pudesse interessar a eles. Finalmente, ele deixou em um filme qualquer de romance e se ajeitou apoiando-se no ombro do outro que o abraçou calmamente. Eles não mais se falavam, mas seus desejos ainda estavam sincronizados, escondidos por trás de suas íris.

 

Os dois ainda estavam atentos ao filme quando a porta do apartamento bateu, os fazendo levantar o olhar com ar sobressaltado. O corredor finalmente revelou Changmin agarrado a seu namorado aos beijos, totalmente alheios à suas presenças ali. Suas mãos passeavam por seus corpos agora sem pudor algum, a medida que aos tropeços eles iam para o quarto. No caminho, suas mochilas e algumas peças de roupas foram deixadas até eles finalmente se encerrarem no quarto de Changmin.

 

Jaejoong tinha o rosto corado e ainda olhava para o corredor como se temesse que os dois rapazes voltassem ali completamente nus. Yunho por sua vez, ria-se da reação do rapaz ao seu lado que parecia por demais desconcertado com a cena anterior. Jaejoong virou o corpo repentinamente para seu hyung e finalmente disse em tom afetado:

 

– Você viu aqueles dois, hyung?

 

– Claro que eu vi. – Disse Yunho entre risos.

 

– Eles nem viram a gente aqui, de tanto… – Jaejoong começou a rir logo em seguida. – Esses dois estão parecendo coelhinhos essa semana. Eu nunca vi o Changminie assim.

 

– Ainda bem que eles não vão ter problemas com a ninhada né? – Disse Yunho, ainda entre risos e ouvindo a risada gostosa de Jaejoong tilintar em seus ouvidos. – Isso é fase de namoro, Jae-ah, daqui a pouco eles voltam ao ritmo normal. Você e o Junsu devem estar na mesma fase, então não ria de seus amigos.

 

– Por que você acha que eu e o Junsu estamos nessa fase?

 

– Pelo tempo de namoro, é o mesmo do Kyu com o seu amigo.

 

– Eu e o Junsu-hyung temos uma vida sexual normal. – Disse Jaejoong, com um sorriso discreto nos lábios. – Você nunca fala do meu namorado, o que te deu hoje?

 

– Não sei. – Afirmou Yunho, pensativo. – Acho que é porque você está especialmente bonito hoje e eu estou com ainda mais inveja do Junsu.

 

Jaejoong riu sem jeito e voltou a se ajeitar nos ombros do outro sem responder sua sentença. Ainda havia meia-hora de filme e o melhor momento do enredo estava para ser apresentado. Assim, eles voltaram a sua atenção para a tela e não mais se moveram ou se falaram. O humor de ambos era bom, e seus corações agora estavam novamente tranquilos. Nada naquele momento poderia estragar o humor de ambos.

 

 

 

No centro da cidade, uma chuva gelada de fim de inverno despencava sobre os prédios comerciais. O humor de Yoochun não estava dos melhores, afinal aquele fora o pior dia para levar seu carro para a revisão. Ele não atravessaria a cidade de metrô e conseguir um taxi em dia de chuva era uma missão quase impossível. Seu guarda-chuva não segurava o grande volume de água e a barra de sua calça social estava se molhando.

 

Qual não foi sua surpresa quando um carro preto com vidros fumê estacionou ao seu lado. Ele já estava desviando dali para procurar um taxi quando o vidro se abriu revelando Junsu que o chamou com um gesto. Micky ainda olhou a volta em busca de um taxi, ou algo que o salvasse de entrar no mesmo carro que aquele rapaz, mas ao ouvir um “Entra logo, Micky!”, ele fechou o guarda-chuva e adentrou o veículo.

 

Ele colocou o cinto de segurança e finalmente desviou o olhar para o rapaz que agora fitava o trânsito lento daquela via. Yoochun por sua vez não sabia como reagir, o que falar, como o agradeces e sequer sabia para onde o rapaz o levava. Ao perceber Micky calado, Junsu resolveu cortar o silêncio e para isso abaixou o volume do rádio o qual tocava uma balada romântica.

 

– Está indo para onde?

 

– Eu? Eu estava indo para a casa do seu namorado na verdade, o Yunho está lá e eu preciso de uma carona.

 

– O que houve com o seu carro?

 

– Está na revisão. Se eu soubesse que o mundo ia cair, tinha deixado para amanhã. – Reclamou Micky. – Essa cidade está um inferno, eu fiquei meia-hora ali e nada de um taxi aparecer! Ainda bem que…

 

– Eu te salvei. – Disse Junsu entre risos. – E para a sua sorte eu também estou indo ver o Jae, o que eu não sabia é que o bonitão está lá também.

 

– Eles iam assistir um filme, ou algo do gênero. – Reclamou Micky. – Você trabalha por aqui?

 

– Não. Sabe aquela confeitaria no fim da rua? Eu fui lá encomendar um bolo de aniversário surpresa para o Kyuhyun e o Changmin. O Jaejoong não sabe ainda, foi tudo ideia do Donghae e do Hyuk.

 

– Eles fazem aniversário juntos?

 

– Os dois fazem esse mês, mas eu acho que o do Kyuhyun já passou e o do Changmin é semana que vem. – Afirmou Junsu. – Eles fazem um casal bonito, você não acha? O Changmin e o Kyuhyun?

 

– Acho que sim, sei lá. – Disse Yoochun, simplista.

 

– Sabia que o Changmin era hétero antes de começar a namorar o Kyu? Comia várias menininhas por aí, igual você, Micky.

 

– Eu não comia várias menininhas, só gostava de algumas, as mais bonitas é claro.

 

– E quem diria que você ia terminar como a esposa do Yunho. – Disse Junsu entre risos. – Logo você.

 

– Não enche, Junsu-ah. E só pra você saber, eu não sou esposa de ninguém.

 

– Você é sim e essa aliança no seu dedo não me deixa mentir. – Disse Junsu, debochado.

 

– Sabe, você voltou com toda essa pose de machão lá do Japão, querendo pagar de homem de família e pra provar está até pegando o bonequinho de porcelana e brincando de tirar a roupinha com ele, mas nós dois sabemos que entre quatro paredes, quem cede é você.

 

– Eu nunca cedi nada para o Jaejoong, ele é o meu…

 

– Eu não estou falando daquela puta, eu estou falando de você. – Disse Micky entre risos. – Então pare de bancar o macho para o meu lado, porque eu já vi você gemer bem bonitinho de quatro pra mim.

 

– Sabe que eu nem me lembro disso. – Disse Junsu sem disfarçar seu incômodo com o tema. – Vamos mudar de assunto.

 

– Mentiroso. – Disse Micky entre risos. – Nós poderíamos ficar em silêncio, é mais confortável.

 

– Por que?

 

– Não quero entrar em nenhum assunto desagradável. – Confessou Micky, desviando o olhar para a janela.

 

– Quer ficar meia-hora em um carro comigo em silêncio? Sério mesmo, Micky?

 

– Você é sentimental demais para ter uma conversa decente comigo. – Acusou Micky.

 

– Vamos falar do seu namorado e ver qual de nós dois fica mais sentimental. – Desafiou Junsu.

 

– Aish, eu sabia que você ia começar de babaquice. – Reclamou Yoochun. – Que tal nós falarmos do seu namorado.

 

– Achei que você detestasse o Jae.

 

– Eu detesto. – Concluiu Yoochun antes de indagar-lhe. – Você gosta mesmo desse cara? Assim, de verdade?

 

– Do jeito que você gosta do Yunho?

 

– Não, do jeito que você gostava de mim.

 

– O fato de eu gostar dele de um jeito diferente, não quer dizer que eu não goste dele.

 

– Não é a mesma coisa, é? – Indagou Micky.

 

– Eu já te superei, não faça suposições absurdas só porque eu quis te dar uma carona.

 

– Absurdas, claro. – Ironizou Micky, vendo finalmente o trânsito se dissipar e eles tomarem a via que os levaria para o apartamento de Jaejoong. O local não era longe, mas o fluxo de carros os atrasara. – Eu conheço você, Junsu-ah, conheço cada pedaço seu e sei quando você mente pra mim.

 

– A sua prepotência me irrita e você é bem mais maleável quando está bêbado. E quer saber, eu também te conheço, tão bem que estou lendo nos seus olhos o quanto você quer gritar que não quer falar sobre aquela noite no bar.

 

– Olhe para o trânsito e não para os meus olhos, se tem um lugar que eu não quero morrer é em um carro com você.

 

– Relaxa, Micky, vaso ruim não quebra. – Disse Junsu, rindo discreto. – Acho que há muito tempo eu não tenho uma conversa tão babaca e sem sentido quanto essa. Ela não vai nos levar a lugar algum.

 

– Eu disse pra calarmos a boca, foi você que insistiu em conversar. – Reclamou Yoochun. – Estou ficando com dores de cabeça, eu detesto tomar chuva. Meus pés estão gelados e eu quero ir logo para casa.

 

– Eu também quero chegar logo.

 

– Posso te perguntar uma coisa?

 

– Achei que era para calarmos a boca.

 

– Cala a boca e me responde.

 

– Como eu vou te responder com a boca calada?

 

– Quer parar com isso? Que inferno!

 

– Pergunte logo!

 

Com aquela exclamação, Junsu estacionou o carro em frente a apartamento de seu namorado e finalmente desviou o olhar para seu ex-namorado. Yoochun descruzou os braços e soltou o cinto, finalmente virando o corpo para o outro rapaz. Junsu fez o mesmo, sentindo a tensão vinda do outro quando eles se encontraram frente a frente. Yoochun não conseguiu evitar sentir borboletas no estômago, então tratou de terminar com sua curiosidade de uma vez.

 

– Supondo que nós tivéssemos uma conversa que te levasse a algum lugar, comigo, que lugar seria esse?

 

– Depende do contexto, Chunnie. – Afirmou Junsu, utilizando um apelido que há muito não proferia.

 

– Você disse que essa conversa não nos levaria a lugar algum, eu quero saber que lugar é esse.

 

– Não existe um lugar para nós chegarmos hoje, além da cordialidade e coleguismo que nós estamos cultivando. Essa é a nossa posição de direito.

 

– Então vamos fingir, por dois minutos que eu e você vivemos em um universo paralelo e que ninguém te condenaria pelas suas escolhas, ou pelo seu desejo, o que você escolheria? Para que lugar você nos levaria?

 

– Você está falando por parábolas e isso não é muito a sua cara. Eu não tenho a resposta para a sua pergunta, porque existem muitas coisas envolvidas, mas se eu pudesse reviver um momento ao seu lado, seria a noite do festival, que nós dois fomos ver os fogos lá do observatório. Se eu tivesse o poder de nos colocar em algum lugar, seria lá e eu não mudaria nada naquele dia, que eu nem acho que você lembra.

 

– É claro que eu lembro. E se você pudesse apagar alguma coisa, o que seria?

 

– Seria a noite que você me disse que não se importaria se eu fosse embora.

 

– Se eu soubesse que…

 

– Não! – Interrompeu Junsu. – Eu não quero ouvir justificativa alguma depois de tanto tempo.

 

– Desculpe. – Yoochun suspirou pesadamente e finalmente tocou o lado do rosto do outro carinhosamente, dizendo em tom confidente. – Eu devia ter cuidado de você.

 

Junsu negou com a cabeça após soltar um suspiro pesado. Ele segurou o pulso do rapaz e afastou a mão de seu rosto, beijando a ponta dos dedos do outro rapaz antes de solta-lo. Micky baixou o rosto e engoliu seco, antes de abrir a porta do carro e sair dali, correndo prédio adentro para fugir da chuva que ainda castigava a cidade. Junsu trancou o carro e o seguiu, parando ao lado do rapaz já no elevador.

 

 

 

Jaejoong não esperava outra visita que não fosse aquele que o fazia companhia naquele momento. Eles haviam se enfiado no quarto e Jaejoong mostrava a ele fotos da última vez que fora ao Japão visitar seus pais, anos antes. Yunho estava sentado com o rapaz entre suas pernas e os dois olhavam para o notebook sobre as coxas do menor. Eles riam divertidos de uma foto de um cachorro que pertencera a sua família quando a campainha tocou.

 

Yunho o ajudou a sair de seu colo, ele deixou o computador com o mais velho e saiu do quarto calmamente. No corredor, Changmin entreabriu a porta do quarto, e colocou o rosto para fora olhando para si. Jaejoong não conteve seu riso da situação do rapaz, já que ele parecia extremamente cansado e o suor escorria por suas têmporas.

 

– Eu nem sabia que você estava em casa! – Afirmou Changmin ao fitar seu amigo. – Está esperando alguém?

 

– Não, o Yunho tá comigo lá no quarto. – Explicou Jaejoong, ouvindo a campainha uma segunda vez.

 

– Atende você, eu e o Kyu vamos tomar um banho, se for pra mim, manda esperar. – Avisou Changmin. – Vocês já jantaram? Eu estava pensando em pedir uma pizza.

 

– Pode ser, agora vai tomar seu banho!

 

Changmin bateu a porta do quarto e Jae continuou seu trajeto até a porta, estranhando a cena que viu quando a abriu. Micky sorria como Jaejoong nunca vira antes e Junsu que estava apoiado na porta, sorria-lhe de volta. Jaejoong arqueou as sobrancelhas e pigarreou discreto, chamando a atenção dos dois que não o fitavam apesar de saberem de sua presença ali.

 

– Oi Jaeoong, o Yunho está aqui? – Indagou Micky, fechando seu sorriso.

 

– Está sim, hyung, por que vocês não entram?

 

– Eu espero ele aqui fora.

 

– Entra, Micky.

 

Junsu falou-lhe em tom calmo e o puxou pelo pulso, selando os lábios de Jaejoong antes de atravessar a entrada e seguir para a sala. Yoochun o seguiu um tanto relutante e o desconcertado Jaejoong fechou a porta logo atrás deles, tentando entender como aqueles dois haviam chegado a sua casa. Os dois visitantes percorreram o olhar pela sala e depois fitaram o anfitrião.

 

– Onde ele está? – Disse Yoochun.

 

– No meu quarto, hyung, eu vou lá chamar ele.

 

– O que vocês dois faziam sozinhos no seu quarto, Jaejoong? – Indagou Junsu, cruzando os braços.

 

– Nós estávamos vendo fotos no meu computador, hyung, nada demais.

 

– Nesse caso, eu mesmo chamo ele. Seu quarto é a última porta do corredor se bem me lembro. – Disse Yoochun.

 

– É sim, hyung, mas pode deixar que eu…

 

Yoochun não o deixou terminar sua sentença e seguiu corredor adentro para encontrar seu namorado. Ele abriu a porta do quarto repentinamente e encontrou Yunho parado próximo a janela, fitando a paisagem urbana que a vista da mesma proporcionava. O rapaz arqueou as sobrancelhas, surpreso com a presença de seu namorado ali, enquanto Micky não parecia nada bem-humorado.

 

– O que faz aqui? – Disse Yunho.

 

– Eu vim ver… eu vim… meu carro está na revisão e você sabia que eu vinha aqui.

 

– Veio ver se eu não estava te traindo, foi isso que você veio buscar no quarto. Sinto te desapontar, meu amor.

 

Yoochun revirou os olhos e saiu dali em direção a sala que estava novamente vazia, tanto quanto sua alma. Ele cruzou os braços apenas desejando sair dali e voltar para a comodidade de sua casa e Yunho tinha o mesmo desejo. As últimas vezes que Jaejoong e Micky ficaram juntos no mesmo recinto, foram momentos extremamente desagradáveis. O rapaz chegou à sala e já seguia para a saída quando Junsu apareceu na porta da cozinha.

 

– Vocês não vão embora sem tomar chocolate quente.

 

Micky estava pronto para argumentar quando Junsu se enfiou na cozinha novamente, deixando Yunho também incomodado. Ele e Micky se entreolharam desgostosos, mas não demorou mais de um minuto para Jaejoong voltar da cozinha com quatro xícaras fumegantes em uma bandeja. Ele as repousou na mesinha de centro e voltou-se para o outro casal:

 

– Eu tive que reaquecer, mas está gostoso.

 

– Eu não quero, obrigado. – Disse Micky.

 

– Não seja bobo. – Disse Junsu, sorrindo e entregando uma xícara ao rapaz enquanto evitava olhar para Yunho.

 

– Onde vocês dois se encontraram? – Indagou Jaejoong, pegando uma xícara para si logo depois dos outros dois se servirem.

 

– Eu estava esperando um taxi e o Junsu apareceu e me deu uma carona.

 

-Ele apareceu? Tipo mágica ou foi mais para um gênio da lâmpada? – Indagou Yunho, pouco acreditando em tal relato.

 

– Tipo o cara que deu carona para o seu namorado, não seja paranoico. – Disse Junsu, bebericando da xícara. – Está uma delícia, Jae-ah.

 

– Obrigado. – Disse Jaejoong, ainda desconcertado. – Vocês podem sentar, não precisam ficar em pé.

 

– Nós já estamos de saída. – Disse Yunho, incisivo.

 

– Por que? – Disse Jaejoong, sem disfarçar seu desapontamento. – Por que vocês dois não ficam? O Changminie disse que ia pedir pizza.

 

– Fiquem mais um pouco. – Insistiu Junsu, para a surpresa de seu namorado e de Yunho.

 

– Você quer ficar? – Indagou Yunho ao seu namorado.

 

 

 

 

 

Trancados no quarto e alheios à discussão em sua sala, Changmin e Kyuhyun ainda descansavam em sua cama. Completamente despido e com os lençóis amarrotados embaixo de seu corpo, Kyuhyun já cochilava depois de mais uma sessão de sexo com seu namorado. O suor escorria por sua pele, se misturando aos fluidos corporais depositados sobre ele. Deitado logo trás de si, Changmin depositava beijos por toda extensão de suas costas.

 

O baixo ventre de Kyuhyun ainda formigava e seu corpo parecia pesado sobre o colchão e por ele, dormiria por horas ali. No entanto, seu estômago reclamava e os beijos que Changmin espalhava por sua pele não o deixavam adormecer apropriadamente. O rapaz terminou beijando o rosto de seu namorado demoradamente. Changmin também estava suado e cansado, mas tinha visitas em sua sala e ele precisava atendê-los.

 

– Quer dormir um pouco, meu príncipe?

 

– Estou com fome. – Reclamou Kyuhyun, virando-se preguiçosamente na cama. – Eu preciso tomar um banho também.

 

– Eu falei para o Jae que só íamos tomar um banho e depois eu ia pedir uma pizza para nós. – Afirmou Changmin selando os lábios do outro. – Você está com uma carinha de sono que chega dar dó de te fazer levantar.

 

– Você também está com cara de sono, eu sei que está cansado.

 

– Vamos ficar aqui, juntos, pelados e deixar o Jae com fome, vai.

 

– Mas eu também estou com fome. – Disse Kyuhyun entre risos.

 

– Tsk, meu plano se foi por água baixo porque o príncipe está faminto. – Disse Changmin entre risos. – Kyuhyunie, eu estive pensando.

 

– Essa é uma novidade pra mim, Changminie pensando.

 

– Aish! – Disse Changmin entre risos. – Nós já namoramos há um tempo, e já assumimos para a maioria das pessoas que nós conhecemos, mas está faltando uma coisinha, sabe?

 

– Eu sabia que esse dia ia chegar! – Disse Kyuhyun animado se sentando na cama e finalmente se voltando para Changmin. – Você vai me deixar brincar com o seu bumbum, não vai?

 

– O que?? De onde você tirou isso?

 

– Ah, você veio todo manhoso, falando no diminutivo, eu achei que iriamos negociar as nossas posições!

 

– Brincar com o meu bumbum, era só o que me faltava mesmo! – Disse Changmin com ares de indignação. – Eu ia falar sobre alianças, Kyu-ah!

 

– Alianças? Tá bom, vamos falar sobre alianças e depois voltamos a falar do seu bumbum. – Disse Kyuhyun voltando a se deitar, entre risos.

 

– Vai tirando o seu cavalinho da chuva, porque na minha traseira você não encosta. – Afirmou Changmin se deitando de lado para o rapaz e repousando o braço sobre sua cintura. – Eu pensei em fazer uma surpresa no seu aniversário quando nós fomos jantar, mas fiquei com medo de você achar muito precipitado. O que você acha de usarmos alianças de compromisso?

 

– Eu sempre achei alianças uma coisa muito bonita, mas o Siwon disse que nós só usaríamos quando eu me tornasse maior de idade. Eu nunca usei. – Afirmou Kyuhyun, com ar pensativo. – Isso deixaria as coisas ainda mais sérias entre nós, Changminie.

 

– Eu sei. Agora, convenhamos que lá no bar tem muito homem dando em cima de você e se você usasse aliança isso diminuiria.

 

– Pena que isso não funciona com você, já que as piranhas não estão nem aí se você está namorando ou não. – Disse Kyuhyun, emburrado. – Se eu pudesse, grudava em você e não deixava vadia nenhuma chegar perto. Já que eu não posso, você vai usar uma aliança bem grande nesse dedo.

 

– Olha, eu sou ciumento, mas você se supera Kyunie! – Disse Changmin entre risos.

 

– O que é meu, é meu Changmin-ah, eu não nasci para dividir. – Afirmou Kyuhyun, escondendo o rosto contra o ombro de seu amado. – Nós vamos usar alianças então, eu quero comprar logo.

 

– Está bem, amanhã antes da aula nós damos uma olhada em uma joalheria. Agora que tal um banho bem gostoso e depois uma pizza de pepperoni?

 

– Achei que nós falaríamos do seu bumbum.

 

– Quer ficar com fome?

 

– Não! Vamos tomar banho!

 

Kyuhyun riu-se e se levantou em um pulo correndo em direção ao banheiro, sendo seguido por seu namorado que jogava alguns travesseiros contra ele. Deixando o quarto bagunçado para trás, os dois se trancaram no banheiro e Kyuhyun tratou de adentrar o box e abrir o registro. A água saiu fria, mas logo se aqueceu e ele a ajustou de acordo com a sua preferência. Changmin adentrou ao lado do rapaz e fechou a grande cortina, antes de pegar a esponja macia pendurada em um canto.

 

Ele espalhou sabão pela mesma e a entregou a Kyuhyun para que ele pudesse se lavar adequadamente, enquanto Changmin molhava e espalhava shampoo por seus cabelos. Kyuhyun o fez virar-se de costas para si e depois de pegar mais sabonete, tratou de esfregar as costas definidas de seu namorado. Eles trocaram de posições e enquanto Changmin enxaguava seus cabelos, Kyuhyun fazia espuma nos seus cabelos. Somente quando ambos estavam devidamente lavados, eles desligaram o chuveiro.

 

Changmin entregou ao seu namorado uma das toalhas que ali ficavam estrategicamente penduradas. Eles ainda se enxugaram no banheiro e em seguida, Kyuhyun pegou na gaveta separada para si, um pijama de tecido mole e um tanto felpudo. Changmin se vestiu com um conjunto de moletom e os dois ainda arrumaram o quarto e deixaram a cama pronta para que dormissem depois do jantar, já que Kyu precisava descansar.

 

Eles saíram do quarto e pegaram as coisas que deixaram no caminho quando haviam chegado, e finalmente ambos pentearam seus cabelos molhados para trás, só então, seguiram para a sala e a cena que encontraram era por demais estranha. Uma vez que eles imaginavam só encontrar Jaejoong e Yunho em casa, foi por demais estranho se deparar com seus respectivos namorados também presente, em especial, Yoochun.

 

Os quatro estavam silenciosos e pareciam ansiosos aos olhos atentos de Changmin. Kyuhyun que estava logo atrás de seu namorado, posicionou-se ao seu lado para cumprimentar aos outros quatro que sorriram para ele. Changmin sentou-se na poltrona vazia e pegou o telefone móvel de cima da mesinha, a fim de discar para a pizzaria, enquanto Kyuhyun se apoiava no braço do sofá, preguiçosamente.

 

– Vocês vão jantar com a gente, né? – Indagou Kyuhyun, fitando o pequeno panfleto da pizzaria com os sabores.

 

– Nós vamos. – Afirmou Micky, finalmente respondendo a pergunta de Yunho. – Só que eu não quero demorar, meus pés estão gelados.

 

– Ah, aqui é bem rapidinho. – Disse Changmin, com um largo sorriso. – Qual sabor vocês querem?

 

– Você ainda gosta de napolitana? – Indagou Junsu desviando seu olhar a Micky.

 

– Gosto. – Disse o rapaz, sorrindo discreto. – Pode ser essa?

 

– Claro. – Afirmou Jaejoong, finalmente se levantando do sofá onde ele havia se ajeitado e reunindo as xícaras de cima da mesa.

 

– Eu estou com vontade de comer pepperoni, pode ser meio a meio? – Disse Kyuhyun.

 

– Claro. – Afirmou Yunho, estranhando a atitude calma de seu namorado.

 

Changmin tratou de ligar para pizzaria enquanto Jaejoong e Yunho seguiam para a cozinha, para deixar as xícaras ali. Yoochun levantou-se do sofá de dois lugares e tratou de se sentar ao lado de Junsu e os dois começaram uma conversa em tom baixo que não permitia ao curioso Changmin saber de seu conteúdo. Vez ou outra os dois rapazes sorriam com discrição, e logo que seus respectivos namorados voltaram, estranharam tal cena.

 

Eles se sentaram agora separados, Yunho tomou lugar ao lado de Jaejoong, enquanto Micky e Junsu permaneciam lado a lado no sofá maior. Changmin estranhou tal atitude, mas não questionou nenhum deles e decidiu dar atenção ao seu próprio namorado. Devido aos beijos, ele se esquecera momentaneamente porquê pedira para Kyuhyun passar a noite consigo. Ele puxou seu amado pela mão e sem dizer uma palavra, eles voltaram ao quarto.

 

Kyuhyun estranhou a atitude de seu amado, mas voltou para o local logo atrás dele. O rapaz soltou sua mão e seguiu para o armário, no qual, atrás de algumas roupas ele havia escondido a pequena caixa, embrulhada em papel azul claro. Ele a retirou com cuidado e estendeu para Kyuhyun, que já imaginava do que se tratava.

 

– Não precisava embrulhar de novo. – Disse Kyuhyun, sorrindo discreto.

 

– Eu trouxe você aqui pra te devolver, mas já estava esquecendo. – Afirmou Changmin, entregando-lhe o pacote. – Desculpe a demora.

 

– Obrigado, meu amor.

 

Kyuhyun sentou-se sobre a cama, e como ele havia imaginado, no pacote estava embrulhada uma caixa pequena, com sua antiga boneca dentro. Changmin levara meses para encontrar um local que a restaurasse sem mudar suas características e finalmente ela estava voltando para seu dono original. Changmin sentou-se ao lado de seu amado e acariciou seus cabelos com a ponta dos dedos, enquanto este olhava o objeto, fascinado.

 

Ao contrário do que ele imaginou quando pediu a restauração, ele não ganhou uma boneca nova e sim a mesma Josephine que ele ganhara aos 13 anos. Ele retirou o objeto da caixa e observou mais de perto suas mudanças. O vestido era o mesmo, apenas as rendas haviam sido trocadas, o rosto de porcelana reluzia novamente e os olhos azuis de vidro não mais estavam quebrados e manchados.

 

Fora um belo trabalho, e ele estava verdadeiramente agradecido à Changmin.  O mais alto o abraçou pelos ombros e selou o topo de sua cabeça demoradamente, enquanto o rapaz ainda fitava seu antigo objeto. Kyuhyun a guardou com cuidado em sua caixa e finalmente se voltou para Changmin, selando seus lábios demoradamente. Claro que ele ainda tinha suas inseguranças e toda vez que eles pisavam em sala de aula, as incertezas dele voltavam.

 

No entanto, Changmin sempre tinha seus meios de relembra-lo, que a melhor decisão que ele tomara, fora aceitar seu pedido de namoro. Kyuhyun deixou a caixa sobre a cama, e se levantou, se encaixando em pé entre as pernas de Changmin. As mãos do menor se posicionaram em seu pescoço e ele uniu seus lábios novamente, depositando ali alguns selares estalados.

 

Os dois foram interrompidos pelo toque da campainha e depois de guardar sua boneca em um local seguro, ambos voltaram de mãos dadas para a sala, encontrando Yunho posicionando a grande pizza sobre a mesinha de centro, assim como a garrafa de refrigerante. Changmin tratou de dividir os pedaços, enquanto Jae servia o refrigerante em vários copos e os entregava aos visitantes.

 

Assim que estavam todos servidos, Changmin voltou com seu prato para a poltrona que reservara para si, enquanto seu namorado recostado no braço da mesma, comia silenciosamente. O olhar atento de Changmin não deixou de notar que Junsu e Micky ainda estavam sentados lado a lado, e o namorado de Jaejoong passava os tomates de sua pizza para o prato do outro que tinha um gosto especial pelo vegetal.

 

Changmin também percebeu que Yunho não aparentava se importar com a repentina aproximação, já que tinha seus olhos distraídos, vidrados em Jae que havia se sentado ao seu lado. A sala estava silenciosa, estranhamente pacífica para um grupo de rivais e era apenas uma hipótese, mas Changmin acreditava que eles seriam mais felizes se os casais estivessem trocados como em sua sala.

 

Changmin sentiu-se grato por não ter rivais como aqueles rapazes. Não havia um segundo homem apaixonado por Kyuhyun, e sua maior ameaça era Siwon que ele bem sabia, era muito mais alguém da memória de seu namorado do que uma figura real. Ele estava seguro de que reinava plenamente na vida e no coração daquele rapaz ao seu lado e estava mais do que satisfeito com sua posição de importância na vida do outro.

 

Claro, Kyuhyun exigia seus cuidados, sua atenção e principalmente, seu lado romântico antes não explorado e ele se esforçaria para não desagradar seu sensível namorado. Changmin repousou a mão sobre a do rapaz, e o acariciou, recebendo em retorno um sorriso discreto com o canto dos lábios. Ele mal via a hora de ter uma aliança reluzindo em seu anelar, com seu nome e o de seu namorado marcados no interior.

 

Yunho e Yoochun partiram, assim que terminaram de comer, já que o rapaz ainda estava incomodado com seus pés gelados. Junsu ainda ficaria com seu namorado por mais algum tempo, mas logo eles se despediriam e o rapaz voltaria para sua casa. Era tarde quando Kyuhyun e Changmin juntaram-se na cozinha, para lavar a louça da noite de forma que não se acumulasse para o dia seguinte.

 

Enquanto Changmin lavava a louça, Kyuhyun secava os pratos e copos e os guardava nos armários espalhados pela cozinha. Em situações como aquela, Kyu permitia sua mente divagar como seria morar com seu namorado e dividir mais momentos como aqueles, em que eles poderiam apenas aproveitar a presença do outro. Assim que guardou o último copo, Kyuhyun puxou seu namorado para o quarto, já que eles deveriam estar descansando para as aulas do dia seguinte.

 

Com as luzes apagadas, e ainda ouvindo as vozes abafadas no quarto ao lado, onde seus interlocutores pareciam discutir algo não muito agradável, os dois se deitaram devidamente abraçados. Eles ouviram Junsu sair da casa e Jae voltar para seu quarto, finalmente apagando todas as luzes da casa. Ainda chovia e o barulho da mesma batendo contra a calha ajudou o sono dos dois rapazes a aumentar. Pouco antes de dormir, Changmin disse sussurrado:

 

– Sabe o que eu acho?

 

– Hmm? – Disse Kyuhyun sonolento.

 

– Que você vai ficar lindo de aliança.

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