Capítulo 21: When you sing happy birthday to somone you love

Depois de um dia muito corrido, finalmente Donghae colocava o último balão na parede do Candy Bar que agora estava todo enfeitado. O bolo de morango encomendado por Junsu adornava uma grande mesa de centro, e em glacê azul estava escrito: “Changmin e Kyuhyun”. Aos poucos, os seletos convidados estavam chegando, e os últimos seriam os dois aniversariantes do mês.

Passara mais de uma semana do aniversário de Kyuhyun e ainda faltava uma para o de Changmin, no entanto, Donghae não podia admitir que tal evento passasse em branco e por isso os uniu em uma única festa. Hyukjae estava no canto com Junsu enquanto os dois escolhiam o repertório que tocaria ao longo da noite, nada agitado, afinal aquilo era muito mais uma reunião social do que uma festa.

Sungmin deveria estar ajudando na decoração e Donghae já o pedira milhares de vezes que arrumasse as velas sobre o bolo, no entanto ele estava mais preocupado em passar o tempo com seu namorado do que em ajudar os outros rapazes. Kyuhyun tinha poucos amigos e Donghae não convidara os colegas de classe do rapaz, por já conhecer seu histórico. Alguns conhecidos clientes do bar também foram chamados, o que Hyukjae nomeou como a lista VIP do Candy Bar.

Yunho chegou por último devidamente acompanhado de seu namorado, pouco antes dos aniversariantes. Ele parabenizou Donghae pela decoração e depois se ajeitou em uma mesa com Micky, deixando os presentes que haviam comprado para o casal sobre a mesa. Micky se remexeu incomodado ao ver Junsu acenando para si e logo acenou de volta, sob o olhar reprovador de seu namorado.

Jaejoong era o responsável por trazer o casal de aniversariantes até ali sem que estes desconfiassem de nada. O rapaz agora dirigia pelas ruas em direção ao shopping onde encontraria os dois rapazes. Ele disse que os levaria ao Candy Bar, pois Donghae queria mudar decoração da despensa do local e precisaria de mais pessoas para ajuda-lo na árdua tarefa, uma desculpa esfarrapada, mas que funcionou para os dois rapazes.

Kyuhyun e Changmin prontamente aceitaram o trabalho, mas antes de irem ao bar eles passariam na joalheria do shopping para buscar suas alianças que estavam finalmente prontas. Quando Jaejoong estacionou o carro em frente ao shopping, encontrou o casal sentado nas escadarias do local com sorrisos largos nos lábios. Eles olhavam os dois anéis, checando se na face interior estavam devidamente escritos seus nomes.

Antes de avisar-lhes de suas presença ali, Jaejoong fitou os dois colocarem as alianças um no anelar do outro e depois selarem seus lábios demoradamente. Eles aprofundariam o beijo, mas a buzina do carro de Jaejoong os fez se separarem e se afastarem, ainda que estivessem de mãos dadas. Changmin se levantou primeiro e ajudou o outro a fazer o mesmo, para em seguida eles partirem em direção ao carro.

Kyuhyun tomou o banco de trás enquanto Changmin parou ao lado do motorista que sorria discreto para ele, tentando disfarçar a ansiedade que sentia pela festa surpresa. Changmin e Kyu certamente não notariam tal diferença, uma vez que comentavam animados a experiência de comprar pela primeira vez em suas vidas, alianças de compromisso, as quais reluziam prateadas em seus dedos.

Eles conversaram ao longo de todo o trajeto sobre as alianças e sequer notaram quando Jaejoong desviou a frente do bar para que eles não vissem os carros ali estacionados. Jaejoong fora indicado para guia-los pelas portas dos fundos e assim ele o fez. Kyuhyun, ainda alheio ao que havia sido preparado, tomou a frente para guia-los por dentro do bar, Jae riu-se da pressa de seus amigos e foi o último a entrar no estabelecimento.

Kyu estava puxando seu namorado diretamente para despensa já que imaginava que eles precisariam de sua ajuda, mas a voz de Donghae o chamando no salão principal chamou sua atenção. Changmin entrelaçou seus dedos aos do outro e o seguiu para o salão principal que tinha as luzes apagadas e os diversos convidados prendiam suas respirações até que eles se aproximassem.

Assim que eles chegaram à entrada do salão as luzes se acenderam e os cegaram por alguns instantes. Antes mesmo que eles pudessem enxergar os convidados, o coro de “parabéns a você” iniciou e eles foram surpreendidos pela festa preparada para si. Os dois se olharam desconcertados, e riram divertidos do que acontecia em frente a eles, ainda sem saber como reagir.

– Você sabia? – Indagou Kyuhyun.

– Não, príncipe!

– Então a festa deve ser pra você, porque o seu aniversário é semana que vem.

– É pra vocês dois! – Disse Jaejoong entre risos, para em seguida apontar o bolo no meio do salão. – Vão lá apagar as velas.

Kyuhyun riu-se discreto e sentiu Changmin segurar-lhe a mão e seguir juntamente com ele para onde o bolo estava posicionado. Eles fitaram o bolo e o sorriso de ambos se abriu ainda mais quando viram seus nomes em glacê sobre o doce. O parabéns terminou e os convidados ainda batiam palmas quando Hyukjae se aproximou e pediu-lhes para que se abraçassem para tirar uma foto.

Changmin enlaçou seu amado pela cintura e colou o rosto ao dele, sorrindo para Hyukjae que tirou a fotografia e em seguida eles se encurvaram e juntos apagaram as duas velas que formavam “23” sobre o bolo. Os dois fizeram uma reverência aos convidados e finalmente eles se aproximaram para abraçar o casal e os parabenizar. Donghae como organizador da festa tomou a frente e abraçou o casal primeiro.

– Foi sua ideia, não foi, hyung? – Disse Changmin, entre risos.

– Claro que foi. Não estou nem aí para os seus planos, vocês não iam passar o aniversário longe de mim.

– Ciumento! – Disse Kyuhyun entre risos.

Donghae apenas riu-se e se afastou do casal para que os outros convidados pudessem também abraça-los e tirar fotografias. Eles receberam os mais diversos presentes dos mais diversos tamanhos que foram todos deixados em uma mesa própria separada por Donghae. Assim que os convidados estavam novamente espalhados e entretidos com suas conversas, Hyukjae tratou de colocar uma música ambiente e Donghae, juntamente com o casal foram partir o delicioso bolo. Eles cortaram o doce em vários pedaços e Changmin e Kyuhyun se espalharam entre as mesas, recepcionando os convidados.

Changmin estranhou quando percebeu que Jaejoong e Junsu dividiam a mesma mesa de Yunho e Micky, mas aos poucos ele estava desistindo de entender aqueles dois casais. O clima entre eles não era pesado, mas tampouco era animado. Eles conversavam cordialmente, quase como colegas de trabalho, o que pouco condizia com o clima geral do bar aquela noite. Quando Changmin se aproximou trazendo pedaços de bolo, eles sorriram ao rapaz que distribuía os doces.

– Changmin-ah! Gostou do bolo? – Indagou Junsu.

– Eu não experimentei ainda, mas o Donghae-hyung disse que foi você quem encomendou. – Comentou Changmin.

– Foi ele sim. – Confirmou Micky ao aniversariante. – Senta um pouco com a gente.

Changmin fez menção de se sentar, mas viu seu namorado se aproximar com um pedaço de bolo. Kyuhyun aproximou uma cadeira da mesa para Changmin e disse que ele podia ficar ali com seus amigos, já que ele iria se sentar com Donghae, Hyuk, Sungmin e Henry. Changmin se sentou e Kyu encurvou o corpo, deixando o prato plástico sobre a mesa para por fim selar os lábios de seu namorado demoradamente. “Cuidem do meu namorado.”, brincou Kyuhyun antes de se afastar.

Finalmente quando seu amado se afastou, o rapaz provou o delicioso doce. A massa fofinha quase derretia em sua boca, como o glacê doce, mas não enjoativo. Kyuhyun escolhera uma das pontas para ele e um morango vermelho e suculento foi aos seus lábios, quase tão delicioso quanto os beijos de seu namorado. A mesa ficou um tanto silenciosa enquanto eles saboreavam o doce, e o primeiro a fazer um comentário foi Jaejoong.

– Onde você comprou isso, hyung? Está uma delícia.

– Eu sabia que você ia gostar. – Disse Junsu, sorrindo-lhe. – Uma confeitaria que eu conheço desde criança.

– Eu vou levar o resto pra casa e comer como se não houvesse amanhã. – Disse Changmin, retirando as ultimas raspas de glacê do fundo do prato. – Obrigado mesmo, hyung.

– Se você dividir com o Kyu, não vai durar vinte minutos. – Disse Jaejoong entre risos.

– Onde você encontrou eles, Jae-ah? – Indagou Yunho.

– Ah, eles foram buscar as alianças. Está ficando sério o negócio, sabe? – Brincou Jaejoong.

– Agora te amarraram mesmo, Changmin. Quando chega a aliança, é melhor esquecer a vida de solteiro. – Brincou Junsu.

– Eu já esqueci, hyung! – Explicou Changmin entre risos.

– E você Junsu? Já esqueceu como é ser solteiro? – Indagou Yoochun.

– Eu não gosto da vida de solteiro. – Afirmou Junsu. – Eu gosto de ter alguém ao meu lado e quem melhor do que o meu Jaejoongie?

– Seu Jaejoong? – Disse Yunho.

– Seu é que não é. – Alfinetou Yoochun.

– O Jae é uma pessoa, e não uma propriedade. – Ralhou Yunho.

– Hyung, o Junsu-hyung não falou literalmente. – Afirmou Jaejoong, abrindo um sorriso à Yunho, como se levasse suas afirmações na esportiva, ao contrário dos outros rapazes à mesa.

– Nós poderíamos mudar de assunto? – Indagou Changmin, incomodado.

– Claro. – Disse Jaejoong sorrindo aliviado ao seu amigo. – Eu vou lá buscar um pedaço de bolo, quem quer?

Changmin entregou seu prato a Jaejoong e finalmente ele se afastou para a mesa de centro a fim de se servir de mais um pedaço de bolo. Quando ele se encontrou longe, Changmin voltou a olhar os outros três e estes se encaravam, com ares sérios e o clima na mesa estava novamente pesado. O aniversariante pigarreou e quando os olhares estavam novamente em si ele fitou Junsu e disse animado:

– Então, hyung, quando você vai dar alianças ao Jae?

– Alianças? – Indagou Junsu arregalando os olhos.

– Eu sei que vocês não são muito de comemorar aniversário de namoro, mas vocês já estão juntos há uns sete meses né? Eu sei também que nunca teve um pedido oficial de namoro, mas as coisas já estão mais sérias entre vocês não?

– Você nunca pediu o Jaejoong em namoro? – Indagou Micky, debochado. – Isso sim que é romantismo.

– Eu não vou nem comentar, pra não estragar a festa. – Resmungou Yunho, cruzando os braços.

– Eu não acho que seja o momento, Changmin. – Afirmou Junsu, ignorando os outros dois. – Nosso namoro não é tão sério quanto o seu, pelo menos eu não o levo tão a sério.

– Por que namorar se você não vai levar a sério? – Indagou Yunho.

– Porque eu gosto dele. – Justificou Junsu. – Eu não disse que não o levo a sério, só não estou no mesmo nível do Changmin e eu sei que o Jaejoong também não leva a serio.

– Como você pode saber? – Indagou Micky.

– Pelo tempo que ele gasta com o Yunho e não comigo. – Afirmou Junsu, demonstrando pouco se preocupar com o assunto.  – É melhor encerrar esse assunto por aqui.

– De forma alguma, já que você começou, vamos falar sobre isso. – Afirmou Micky, afetado.

Micky sentou-se em posição defensiva enquanto seu namorado revirava os olhos impaciente. Changmin não deveria ter começado tal assunto, mas também não imaginaria que rumo a conversa dos três tomaria. Logo que Micky terminou a frase, Jaejoong se aproximou e se acomodou ao lado de seu namorado que parecia extremamente incomodado. Assim que se sentou, Jae disse em tom dócil:

– O que eu perdi?

– Ah, nada demais, só falamos do tempo que você passa com o Yunho e o fato de nós não levarmos o nosso relacionamento a sério como eles esperavam. – Explicou Junsu.

– E isso é um problema? Quer dizer, não há nada de errado nisso. – Concluiu Jaejoong.

– Sete meses não levados a sério e você acha isso normal? – Disse Yunho. – Que raio de relacionamento é esse, Jaejoong?

– Eu não estou pronto para um relacionamento sério, hyung, e o Junsu-hyung concorda comigo. – Defendeu-se Jaejoong. – E eu não vou elevar o nível do nosso relacionamento enquanto eu não estiver pronto.

– Agora, pra transar nenhum dos dois precisou estar pronto né? – Ironizou Micky. – Não faça tempestade em copo d’                agua Yunho, eles querem transar, só isso. Aliás, eu deveria te agradecer, Junsu-ah, por ter desvirginado o Jaejoong, quem sabe por quanto tempo mais o meu namorado aqui iria aguentar.

– Nem começa com isso. – Ralhou Yunho.

– É Micky, vamos deixar os desejos do seu namorado em segredo. – Afirmou Junsu, sorrindo discreto.

– Fala como se o seu namorado não tivesse os mesmos desejos. – Provocou Micky.

– Nós somos só amigos, eu já disse. – Defendeu-se Jaejoong.

– É claro que são. – Defendeu Changmin. – Se não fossem eu já saberia, agora vocês dois, parem de fazer acusações infundadas.

– Infundadas? – Disseram Yoochun e Junsu em uníssono.

– Totalmente infundadas. – Defendeu-se Jaejoong.

– Não precisa negar, Jaejoongie. – Disse Junsu, abraçando seu namorado pelos ombros. – Você querer algo a mais com o Yunho não muda o fato de que você é o meu namorado e não vai me trair. Eu sei que você gostava dele, você mesmo me disse quando nos conhecemos.

– E seria muito legal da sua parte se você não repetisse na frente do namorado dele! – Ralhou Jaejoong com o rosto corado.

– Como você sabe que ele não vai te trair? – Indagou Yoochun.

– Porque ele não tem colhões pra me enfrentar depois e ele sabe disso. Por isso, não vai me trair.

– Eu não vou te trair porque nós somos namorados e eu te respeito, hyung.

– Mas não o ama. – Acusou Yoochun. – Vocês nem se amam, isso não é um relacionamento de verdade.

– E vocês? Se amam? O seu relacionamento é real, Micky? – Disse Junsu, com ar superior. – Quem é você pra falar de amor, quando você mesmo escolheu a comodidade ao amor?

– Vai querer mesmo falar do passado, Junsu-ah? – Disse Yunho, com um sorriso discreto. – É melhor não, eu não quero ver você chorar de novo, ainda consigo me lembrar do som dos seus soluços.

– Você não vai fazer o meu namorado chorar, hyung! – Defendeu Jaejoong. – Você não seria capaz, e eu duvido que…

– Eu te disse que ele era prepotente. – Disse Junsu, acariciando os cabelos do rapaz e finalmente selando seu rosto demoradamente. – Está tudo bem, eu tenho você.

– Chega desse assunto! – Concluiu Changmin. – Se vocês querem resolver pendências do passado, façam isso sozinhos, não metam o Jae no que não é problema dele.

– Se tornou problema dele, desde que ele e o Yunho se tornaram irmãos siameses, Changmin. –Acusou Yoochun. – Eu entendo o seu lado, eu também defenderia se fosse meu amigo, mas ele bem sabia que estava se enfiando em um problema quando se aproximou do Yunho.

– Só que o Jae não estava lá há anos atrás quando você escolheu o Yunho-hyung, as suas escolhas são um problema seu e não dele, assim como as consequências delas. – Defendeu Changmin.

Micky suspirou pesadamente e finalmente cedeu, desviando o olhar para Jaejoong, ainda com o mesmo ar superior. Yunho e Junsu não mais se ignoravam como no início da noite, e agora se encaravam como se pudessem gritar um contra o outro, por meio de suas íris. Jaejoong estava incomodado e desejava sair correndo dali, mas acima de tudo, ele desejava roubar Yunho e desaparecer dali.

“Eu vou ao banheiro.” Essa finalmente foi a resposta de Micky e assim, Changmin terminara a discussão. Assim que Yoochun deixou a mesa, Jaejoong sorriu para seu melhor amigo mais tranquilamente. Junsu desviara o olhar de Yunho e acompanhou Yoochun até que este desaparecesse longe no corredor, sentindo um aperto em seu peito. Junsu engoliu seco esperando que seu namorado não o levasse a mal quando disse:

– Eu vou lá ver se o Micky está bem.

– Não demore. – Pediu Jaejoong.

Junsu sorriu para ele e deixou a mesa, sem olhar para trás. Claro que Yunho estranhou tal atitude, mas decidiu não investigar, não quando ele finalmente tinha um tempo para se aproximar de Jaejoong e conversar com ele mais confortavelmente. Ele se levantou de onde estava antes e se sentou ao lado do rapaz que sentia dores de cabeça com a conversa da última meia-hora. Changmin sentiu-se de repente incomodado com a aproximação dos dois, e quando ele virou o corpo para procurar Kyuhyun o encontrou acenando para si.

Ele pediu licença aos dois e se levantou da mesa, não se demorando a seguir em direção ao rapaz, deixando os outros dois sozinhos. Jaejoong estava visivelmente chateado e não mais olhava para Yunho, tampouco desejava a companhia de seu namorado. Ele tinha os braços cruzados e desejava ignorar o rapaz, caso ele difamasse seu namorado novamente. Yunho escorregou felinamente em volta da mesa e finalmente se acomodou ao lado do outro.

Jaejoong não desviou o olhar para ele, afinal seu humor não estava dos melhores e Yunho ameaçara magoar alguém com quem ele se importava. O mais velho deixou a ponta dos dedos escorregar pela maçã do rosto do rapaz na tentativa de chamar-lhe a atenção, Jaejoong descruzou os braços e deixou seu olhar recair sobre suas próprias coxas e o ar escapar por seus lábios entreabertos.

– Por que está tão chateado?

– Sabe, hyung, eu te perdoo por você me desejar mesmo sendo tão errado. Eu te perdoo por me dar falsas esperanças e por não se afastar de mim quando o ideal seria me deixar apagar você da minha memória. Eu te perdoo por ser o melhor hyung e o pior namorado do mundo. – Explicou Jaejoong erguendo o olhar a ele quando terminou sua frase. – Mas eu não te perdoaria se você fizesse o Junsu-hyung chorar, apenas por orgulho próprio. Eu sei, você não gosta dele e ele sabe ser venenoso quando quer, mas se você fizer ele chorar de novo por causa do passado, eu não vou te desculpar.

– Jaejoongie…

– Você nem se importa mais com o Micky-hyung e é por sua culpa que ele é assim, amargurado. Ele me odeia porque eu sou a personificação do que machuca ele, vocês tem um relacionamento de fachada e você acha que se encontra no direito de julgar o meu relacionamento? Não amar o Junsu não quer dizer que eu não me importe com ele, ao contrário de você, hyung.

– O que você me sugere, Jaejoongie? Que eu troque um pelo outro? Que eu apague da minha memória tudo o que eu vivi com o Micky? Que eu me afaste de você?

– Eu sugiro que se decida. Salve o seu relacionamento com ele, ou livre-se dessa prisão. Mesmo que não seja para ficar comigo, hyung, se o seu relacionamento não melhorar é melhor permanecer sozinho do que ao lado de uma pessoa a qual você nem respeita, muito menos ama.

Yunho meneou a cabeça afirmativamente e finalmente baixou o olhar. Jaejoong nunca fora duro consigo, nem o julgara por qualquer de seus atos, mas aquela noite, ele bem sabia que merecia. Ele julgara o modo de vida de seu amigo, e ameaçara o namorado deste, desrespeitando pela primeira vez aquele relacionamento que ele engolia como uma pedra fria e sem sabor. Jaejoong checou o corredor e como não havia nem sinal dos outros dois rapazes ele se permitiu abraçar o outro pelos ombros.

Yunho fechou os olhos e o aroma da pele de Jaejoong invadiu suas narinas assim que ele recostou a testa nos ombros do rapaz. Seu estômago se retorceu com a mínima possibilidade de se afastar daquele rapaz e finalmente, ele se arrependeu do que fizera a Junsu. Naquele momento ele entendeu porque aquele rapaz saiu do país e desapareceu por longos anos, pois ele amava Micky, tanto quanto Yunho amava secretamente Jaejoong.

Quando Junsu fugiu, ele o acusou milhares de vezes de covardia, mas ali abraçado a Jaejoong ele entendeu que aquela fora uma atitude de bravura, quase tão corajosa quanto voltar e se reaproximar daqueles que tanto o machucaram. Yunho o apertou pela cintura antes de se afastar e finalmente fitar o rosto agora sombrio do rapaz magoado. Ele se deixou mergulhar nas íris castanhas do rapaz e finalmente disse baixinho:

– Eu não vou fazer o Junsu chorar, foi uma ameaça impensada. Eu vou conversar com o Micky, sobre o nosso relacionamento e quando chegarmos a uma decisão, eu te aviso.

– Eu não quero que você se afaste de mim, mas se você achar que é a melhor decisão, eu vou entender.

– Não pense nisso agora, só fique comigo.

Jaejoong meneou a cabeça afirmativamente e finalmente deitou a cabeça, pesada com seus sentimentos, sobre os ombros do rapaz. Ele o envolveu em um abraço discreto e sem mais falar nada, eles permaneceram naquela posição, à espera de seus respectivos namorados. Ao longe, sentado em outra mesa, Changmin os observava com ar sério. Ao seu lado, Kyuhyun conversava ainda animado com Donghae, que o contava como fora quando ele e Hyukjae compraram suas alianças.

– Você viu, Changminie? A aliança do Hae-hyung é de ouro branco!

Assim que se voltou para o rapaz, Kyu o encontrou com ar sério, fitando a mesa de seu amigo e não ficou satisfeito com o que viu. Afinal, aquela era uma noite para eles se divertirem e não para deixa-lo preocupado. Kyu segurou a mão de Changmin e Donghae pendeu o corpo para frente a fim de ouvir a conversa dos dois. O mais alto somente desviou o olhar quando sentiu o toque das mãos quentes do outro sobre as próprias.

– O que foi? – Disse Kyu, entrelaçando os dedos aos de seu amado.

– Acho que eles continuam discutindo.  – Disse Changmin com ar desanimado. – Eu queria que eles se divertissem e não ficassem brigando.

– Changminie, se eles estão brigando é porque querem, isso é uma festa e eles bem podiam deixar as diferenças de lado e se divertirem. E como você pode ver, mesas vazias não faltam, eles sentaram juntos porque queriam. – Disse Donghae.

– E você não deveria estar se preocupando com isso, já que não vai conseguir resolver o monte de problemas deles hoje. – Concluiu Kyuhyun. – Vamos, Changminie, curte a festa.

– Está bem. – Changmin sorriu discreto e terminou meneando a cabeça afirmativamente e mudando de assunto. – Quando você se muda, hyung?

– Vai demorar um pouco, Changmin-ah. – Disse Donghae sorrindo-lhe simpático. – Eles ainda estão construindo as casas do condomínio, mas nós entramos lá e é perfeito. Eu vou poder ter um jardim!

– Que a Choco vai destruir em dois dias! – Intrometeu-se Hyukjae entre risos, se sentando ao lado de seu companheiro. – Eu não resisti e comi o quarto pedaço de bolo.

– Seu guloso, vai ficar gordo assim! – Brincou Donghae.

– Você vai amar a minha fofura que eu sei. – Disse Hyukjae entre risos. – Vocês estavam falando da casa?

– Eu quero ir visitar, hyung! – Pediu Kyuhyun.

– Nós te levamos lá quando estiver pronta, afinal vocês dois vão ajudar na mudança.

– Nós vamos? Às vezes eu acho que esses dois hyung abusam de nós, Kyu. – Brincou Changmin.

– De nós não, de você! Pra mim eles pagam um salário! – Disse Kyuhyun entre risos.

– Nós te demos uma festa de aniversário, não seja mal-agradecido! – Disse Donghae entre risos.

– Uma festa linda, diga-se de passagem. – Disse Changmin, com um largo sorriso nos lábios. – Sabe, hyung, eu espero que um dia eu e o Kyu possamos ser assim igual a vocês, felizes.

– Sabe qual é o segredo? – Disse Hyukjae, abraçando Donghae pelos ombros. – Sinceridade, respeito e amor, tendo esses três, o que sobra vocês ajeitam.

– O Hyuk é ótimo em falar coisas bonitas pra todo mundo, mas pra mim que é bom nada. – Reclamou Donghae.

– Então quem é o cara que diz que te ama toda noite antes de você dormir? – Riu-se Hyukjae, selando demoradamente o rosto de seu companheiro.

– Você é bobo, Hyuk-ah. – Disse Donghae, selando os lábios do outro demoradamente.

– Hey, arrumem um quarto!

Kyuhyun riu-se do comentário de seu namorado, deitando a cabeça contra o ombro do outro. Changmin o abraçou pelos ombros e alguns convidados se aproximaram de sua mesa, a fim de se despedir já que era plena terça-feira e no dia seguinte suas rotinas começariam cedo. Assim, como uma onda, os convidados um a um vinham agradecer-lhes a festa e parabenizar-nos mais uma vez.

Quando somente ficaram no local os mais próximos, Donghae tratou de começar a arrumar a bagunça com a ajuda de Changmin, Kyuhyun, Sungmin e Henry, uma vez que Jaejoong cochilava no ombro de Yunho, ambos alheios ao que acontecia à sua volta. Quando Junsu se esgueirou por aquele corredor não imaginou que teria uma conversa tão longa e esclarecedora com o outro rapaz.

Ele o encontrou no sofá de dois lugares de frente para o banheiro, uma nova aquisição do Candy Bar para auxiliar aqueles que abusavam dos drinks e precisavam de um lugar para se recostar. Com a luz baixa, seus olhos demoraram a se acostumar e perceber onde Yoochun estava sentado, com os joelhos separados, os cotovelos sobre os joelhos e o rosto escondido por suas mãos. Por alguns instantes, ele acreditou que o rapaz estava chorando, mas quando sentou-se ao seu lado, não ouviu soluços.

Assim que sentiu o estofado afundar ao seu lado, Yoochun ergueu o olhar e revirou os olhos ao ver quem se sentava ao seu lado. Junsu cruzou as pernas, e repousou as mãos sobre as mesas, ainda fitando o rapaz que voltara a esconder o rosto com ar desanimado. Por alguns instantes ele se permitiu fitar o rapaz, sentindo seu coração se apertar mais uma vez, sem que nada ele pudesse fazer para evitar aquela sensação.

– Micky…

– Escute aqui, eu juro que se você abrir a boca pra me julgar, falar do passado, do Yunho, daquele filho da mãe do seu namorado ou qualquer coisa do gênero, eu quebro a sua cara.

– Eu só queria saber como você estava. – Disse Junsu em tom calmo.

– Como eu pareço estar? – Disse Yoochun erguendo o olhar amargurado e sombrio para o outro, finalmente recostando o corpo ao assento. – Bem diferente do Micky que você estava acostumado não é? Acho que o Yunho me estragou.

– A culpa não é só dele. – Concluiu Junsu. – Você sabe não sabe? Que o Yunho gosta de verdade do Jaejoong? E que o Jaejoong gosta dele também?

– Claro que eu sei. – Afirmou Micky, escorregando o corpo até sua nuca se recostar ao encosto do sofá. – Ele diz que não, porque uma parte dele ainda se importa comigo e com o nosso relacionamento. Parte dele quer salvar o que já não tem mais salvação.

– Você também quer? Recuperar o que vocês tinham no passado?

– Querer voltar no tempo, eu bem que queria, agora recuperar hoje o que já se perdeu, eu não sei se quero me esforçar pra tanto. Não quando o olhar dele brilha olhando pra outro homem.

– Sabe o que me irrita? – Disse Junsu, se aproximando do outro e deitando o rosto em seu ombro. – Ver como eles são perfeitos um para o outro.

– Aish, você percebeu também? – Reclamou Junsu, voltando-se para o rapaz e o envolvendo pelos ombros. – O Jaejoong é tudo o que o Yunho mais gosta, ele é frágil, simpático, bonito, de onde saiu essa criatura? Parece que foi montado exatamente pra ser como ele gosta, que ódio disso!

– Sem contar que eles têm o mesmo gosto, o mesmo jeito, frequentam os mesmos lugares, leem os mesmos livros, mas que inferno! Pessoas assim não existem, não é possível isso, aish é tão errado.

– Me responde uma coisa, com sinceridade, por que você namora esse cara? Ele não é nem de longe o tipo de cara que você gosta.

– Eu já te disse, eu gosto dele, da companhia dele. Você sabe, não é amor, mas existe um sentimento entre nós e eu gosto disso. – Junsu escorregou no sofá até se deitar sobre as coxas do outro e finalmente desviar o olhar a ele. – Eu sei o que você está pensando, que é uma vingança ao Yunho, mas não é. Eu me interessei pelo Jae porque nós temos algo muito forte em comum, nós fomos impedidos de seguir o que o nosso coração manda por causa do relacionamento de vocês.

– Faz sentido. – Disse Micky, acariciando os cabelos finos do rapaz no nosso colo. – Sabe que se eles nos vissem assim, não iam gostar, certo?

– Uma vez, eu vi o Yunho e o Jaejoong de mãos dadas, e eles ficavam fazendo carinho um na mão do outro. Se eles podem pegar na mão, eu posso deitar no seu colo, simples assim. – Explicou Junsu, aproveitando daquelas carícias. – Micky, se eles são o casal perfeito, que papel nós fazemos nisso tudo?

– Nós somos os malvados, Junsu-ah. Os caras que impedem os mocinhos de ficarem juntos e de terem o seu final feliz. Nós somos a escória desse romance, o que sobra diante de uma paixão tão grande.

– Nós não poderemos ter um final feliz, poderemos, Micky?

– Eu acho que não, Susu.

– Susu? Sério? – Disse Junsu entre risos. – Eu não ouço esse apelido há anos!

– E você achando que eu tenho a memória ruim. – Disse Yoochun entre risos, ainda deixando a ponta de seus dedos alisarem os fios escuros dos cabelos do outro.

– Micky, por que você não gosta do Jae? Quer dizer, eu sei que é por causa do Yunho, mas não é como se ele fosse de todo culpado pelos seus problemas né?

– Não, ele não é. – Confessou Yoochun. – O Yunho conheceu o Jaejoong aqui, em uma das noites que ele saiu sozinho, pra beber e espairecer. Naquela noite, ele chegou em casa e quis fazer sexo e bem, nós fizemos, mas no final ele chamou esse nome, Jaejoong. Na manhã seguinte ele não falou nada e eu até comecei a achar que eu estava imaginando coisas, mas aí ele me disse alguns dias depois, que havia conhecido um novo amigo que se chamava Jaejoong. Por um tempo eu ainda neguei, mas quando o Yunho me levou pra conhecer ele, eu percebi que estava sendo trocado. Meu problema com o Jaejoong é esse, toda vez que eu olho pra ele, eu percebo que por mais que o Yunho durma comigo toda noite, eu fui abandonado.

– Eu sinto muito, Micky. – Disse Junsu segurando uma das mãos do rapaz e a deixando repousada sobre seu peito.

– Acho que conhecer o Jaejoong aproximou o estopim da nossa crise de relacionamento, e a sua volta está apenas adiando o inevitável.

– O que você quer dizer com isso?

– Você sabe o que eu quero dizer. – Micky sorriu com o canto dos lábios. – Eu sinto muito que o seu sacrifício tenha sido em vão, mas me deixar pra ele não funcionou. Não é o que eu desejei, mas é o que aconteceu.

– Eu queria que você fosse feliz, porque você pode até ser o vilão da história do Yunho, mas pra mim você ainda é o herói.

– Eu devia ter cuidado de você.

Junsu sorriu com o canto dos lábios e voltou a se sentar sobre o sofá, finalmente se voltando para o rapaz. Ele apoiou o antebraço no encosto do sofá e depois de se erguer em seus joelhos, selou a testa do rapaz demoradamente. Yoochun acariciou o rosto do outro, com uma deliciosa sensação nostálgica se espalhando por seu peito, e a vontade de beijar os lábios de Junsu aumentando em seu ser.

No entanto, por mais tentador que pudesse ser, eles não se beijaram. Eles apenas se entreolharam, se deliciaram com aquele momento, transportaram seus sentimentos mais proibidos para um lugar secreto e finalmente saíram dali. Os dois encontraram Jaejoong adormecido no colo de Yunho que lia um livro de bolso, sem aparentar preocupação alguma em ser flagrado com o outro rapaz. Assim que os dois rapazes se aproximaram, Yunho apertou seu amigo pela cintura e o chacoalhou de leve para que este despertasse.

Jaejoong abriu os olhos desconcertado e com o pescoço dolorido, demorando a perceber que adormecera nos ombros do outro rapaz. Por alguns instantes ele achou que Micky o atacaria por tal feito, mas o rapaz apenas chamou Yunho para que eles fossem embora. Jae se afastou e os dois se levantaram, para finalmente seguirem até onde Changmin e Kyuhyun cortavam o que restou do bolo para que os que ali permaneceram pudessem levar um pedaço para casa.

Eles se despediram dos rapazes e cada um saiu com um pedaço de bolo, em um pequeno prato plástico, coberto por guardanapos. Changmin ainda perguntou se estava tudo bem o que o foi confirmado pelo sonolento rapaz, antes que eles finalmente se despedissem e cada qual seguisse para sua respectiva casa. Quando o bar estava devidamente organizado e os pedaços de bolo finalmente separados, Hyukjae os chamou para uma partida de baralho antes de a noite acabar.

Foi assim, que terminou a primeira festa de aniversário que Changmin e Kyuhyun passaram juntos e eles não poderiam estar mais felizes. Eles saíram de lá com uma grande sacola de presentes, entre roupas, objetos de decoração entre eles um porta-retratos em formato de cubo em acrílico com fotos dos dois em todas as faces que fora carinhosamente dado por Sungmin e Henry e que ganhara a atenção dos dois rapazes. Eles se trancaram no escritório, com os outros dois casais e somente depois de várias partidas, eles finalmente se separaram e voltaram a seus lares.

Eles passaram bons momentos ao lado de pessoas por quem possuíam um carinho especial, e quando o sol já estava para nascer, os dois seguiram para o apartamento de Kyuhyun, onde finalmente poderiam descansar. Eles deixaram a grande sacola de presentes ainda empacotados na sala, e Changmin não deixou de notar a boneca adornando a estante do rapaz. Uma peça demasiadamente colorida, perto dos livros de capa escura e os poucos porta retratos quase sem moldura.

Kyuhyun o puxou pela mão até seu quarto, onde eles apenas retiraram seus sapatos e as incômodas calças jeans antes de se deitarem na confortável cama e cobrirem seus corpos com uma coberta fina, já que a madrugada tinha um clima ameno. Eles se deitaram um de frente para o outro, e sorriram quando seus olhares voltaram a se encontrar. Finalmente, antes de se entregarem ao sono, ao invés do costumeiro boa noite, Changmin disse sussurrado:

– Feliz aniversário, meu príncipe.

– Feliz aniversário, Changminie.

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