Capítulo 24: Looks like a nightmare

As férias de meio de ano finalmente haviam chegado e sem as preocupações da vida acadêmica, Kyuhyun e Changmin podiam voltar à sua vida de casal. A primeira semana de julho chegou ao final com um evento que seria a festa do mês no Candy Bar, o aniversário de um ano de namoro de Henry e Sungmin. Era uma noite quente de quinta-feira e antes mesmo de abrir, uma fila se formara do lado de fora.

Do lado de dentro, eles davam os últimos retoques da noite antes do bar abrir ao público. As mesas tinham enfeites cor de rosa, escolhidos por Sungmin e o DJ da noite era o favorito de Henry. Sungmin não trabalharia e Donghae iria assumir seu posto no bar, ao lado de Kyuhyun, apesar de não saber fazer drinks com tanta maestria, ele desejava que o rapaz se divertisse aquela noite.

Pela porta dos fundos, Hyukjae deu acesso à Changmin e Jaejoong, uma vez que seus respectivos namorados já estavam no interior do local. Junsu havia se acomodado em uma das mesas ao canto e esperava seu namorado sem pressa alguma, tampouco parecia animado com a festa. Jaejoong nunca o vira tão frio quanto naquela semana, e ele bem sabia que o humor deste não estava dos melhores. Conversando com Yunho durante a semana anterior, Jae descobrira que Yoochun prometera voltar um mês atrás e ainda estava longe.

Yunho estava aos poucos retomando sua vida, ele colocara o apartamento a venda e acabara se mudando para o mesmo prédio de Jaejoong que era menor e mais confortável. Yunho estava se acostumando à sua vida de solteiro, mas ainda não estava pronto para enfrentar sua vida social e muito menos ver Junsu e Jae se dando tão bem. Assim, ele delicadamente negou o convite para tal festa e ficou em sua casa, arrumando sua mais nova adega.

Jaejoong não podia evitar acreditar que a frieza de seu namorado era devido à ausência de Micky, mas ainda não tivera coragem de perguntar-lhe seus motivos. Ele se sentou de frente para o rapaz que roubou um selar de seus lábios e silencioso voltou-se para seu drink. Eles mal conversavam, e o assunto apenas surgiu quando Hyukjae sentou-se ao lado dos dois para conversar com ambos.

Changmin parou para cumprimentar seu namorado que estava satisfeito de vê-lo por ali. Eles conversaram por alguns instantes e logo Kyu se afastou para preparar-lhe um drink, que Changmin sequer havia escolhido, mas ele sempre gostava das surpresas do rapaz. O bar abriu e os clientes antes do lado de fora se espalharam pelo local, se acomodando nas mesas cada qual com seu grupo de amigos.

Assim que a fila se formou no bar, o mais alto se afastou, carregando consigo um drink com gelo seco o que deixava seu copo esfumaçante. Ele seguiu para a mesa onde seu amigo havia se acomodado e o clima entre eles era animado, apesar de Jaejoong e Junsu não mantiverem muito contato um com o outro. Chagmin se acomodou ao lado de Hyukjae que contava animado como estava sua mudança e sua aventura para desmontar e montar seu guarda-roupa.

A festa se animou quando o casal da noite juntou-se a eles. Sungmin chegou de mãos dadas com Henry e depois de cumprimentar todos os seus conhecidos, juntou-se a eles em sua mesa, ambos demonstrando estarem demasiadamente felizes com o evento. A decoração, a música e até mesmo os drinks especiais da noite haviam sido feitas de acordo com os gostos do casal e aparentava estar agradando. Sungmin comentava animado sobre os enfeites de mesa cor de rosa, afirmando combinar muito mais com o ambiente do que qualquer outro enfeite escolhido antes.

Eles não se demoraram ali, e logo o grupo de amigos se espalhou pela pista de dança, com exceção de Hyukjae que foi ao bar auxiliar os outros dois quando o movimento aumentou. Changmin sempre escolhia a parte menos movimentada da pista de dança, afinal não queria chamar a atenção no local. Enquanto Henry e Sungmin seguiram para o centro, Changmin juntamente com Junsu e Jaejoong se posicionou no canto direito, próximo à saída.

Changmin deixou-se levar ao som da música, sem perceber que ao seu lado, seus amigos mais conversavam do que dançavam. Jaejoong havia apoiado seus braços nos ombros do outro e em seu ouvido, Junsu falava em voz alta para que ele ouvisse, uma vez que a música estava em volume alto. Jaejoong suspirou pesadamente, enquanto ouvia a defesa de seu namorado à seu questionamento:

– Eu não estou frio, Jaejoong-ah, só estou trabalhando muito e você sabe que eu preciso de dinheiro extra pra pintar o meu apartamento.

– Nós conversamos muito pouco este mês.

– Vamos sair daqui, eu quase não consigo te ouvir.

Jaejoong meneou a cabeça afirmativamente e eles deixaram Changmin sozinho para que este se divertisse. Os dois seguiram lado a lado em direção à mesa que antes eles ocupavam, sentando-se um de frente para o outro. Junsu não queria desenvolver uma discussão de relacionamento ali em plena festa de aniversário de seus amigos, em uma madrugada tão gostosa, tampouco estava aproveitando a festa devidamente ou deixando que seu namorado aproveitasse.

Jaejoong parecia insatisfeito, como nunca estivera durante aqueles longos meses de relacionamento, mas por outro lado, temia que seu namorado acusasse sua insatisfação devido ao término de Yunho e Micky. Jaejoong tentava demonstrar da melhor maneira possível que seu relacionamento era independente, forte e bem consolidado, por mais que seus sentimentos fossem sempre confusos.

– O que está te acontecendo, Junsu-ah?

– O que você quer dizer?

– Você anda mal-humorado, frio, distante. Parece que prefere ficar sozinho do que com as pessoas que gostam de você e nem com o Hyuk-hyung você está conversando direito.

– Não é nada, Jae-ah, eu só estou cansado do trabalho. – Explicou Junsu, suspirando pesadamente. – Eu nem queria ter vindo, sabe? Queria descansar um pouco, ficar um pouco sozinho. Não é que eu não goste da sua companhia, eu adoro, você é o meu namorado, mas eu tenho gostado de curtir a solidão, mesmo que por pouco tempo.

– Eu sei que qualquer resposta que eu te der agora vai soar pedante, por isso vou te pedir uma coisa. Seja sincero comigo. Eu quero saber se algo te aflige, se algo te incomoda, seja o que for, relacionado a mim ou não, eu quero que me fale.

– Está bem, Jae-ah.

– Tem mais uma coisa.

– Sim?

– Eu sei que você está sentindo falta do Yoochun-hyung, porque ele está longe e já deveria ter voltado.

– Como você sabe que ele ainda não voltou?

– O Yunho me disse que ele ainda não voltou e não deu notícias. Não minta pra mim, pois eu nunca menti pra você.

– Eu não quero te chatear com as minhas paranoias sobre o Micky e nós nos damos melhor sem falarmos dele e do Yunho. Vamos deixar assim, Jaejoongie, eu não te cobro por você passar mais tempo com o Yunho do que comigo e você não fala do Yoochun.

– Tudo bem. – Disse Jaejoong, contrariado. – Só me diga, o meu relacionamento com o Yunho, te incomoda?

– Eu já sabia como seria quando nós começamos esse namoro, não se preocupe, não é por causa do Yunho. Respondi as suas dúvidas?

– Acho que sim. – Afirmou Jaejoong. – Eu perdi a vontade de ficar aqui, podemos ir embora?

– Vamos ver com o Changmin, ele veio de carona e não pode voltar dirigindo.

Jaejoong assentiu e eles seguiram agora em silêncio, para onde haviam deixado o rapaz. No entanto, se depararam com o mesmo recostado ao bar conversando com Donghae. Kyuhyun estava ao seu lado, espremendo limões que usaria em um de seus drinks, enquanto o mais velho enxugava alguns copos. Assim que os viu se aproximar, Changmin sorriu-lhes:

– Vocês sumiram e me deixaram na pista, seus safados!

– Desculpe, Changmin-ah! – Sorriu-lhe Jaejoong. – Nós estamos indo, você vem com a gente?

– Por que vocês já vão? – Indagou Donghae, entregando o copo que ele enfeitara para Kyu servir.

– Nós estamos cansados, Hae-ah, a festa está ótima, mas eu já estou com sono. – Explicou Junsu. – Dê um abraço no Henry e no Sungmin por nós.

– Eu queria ficar mais. – Pediu Changmin.

– Fique, Changmin-ah, deixe os dois velhinhos irem pra casa dormir. – Riu-se Kyuhyun quando voltou a se aproximar. – Você dorme lá em casa depois.

– Vou ficar com o meu Kyunie, Jae-ah, e vocês dois se cuidem na volta. – Sorriu-lhes Changmin.

– Boa noite pra vocês.

Changmin fitou preocupado seus dois amigos se afastarem, pois ambos pareciam chateados com algo. Ele então tratou de aproveitar a noite, mas antes de voltar à pista Donghae teve a brilhante ideia de ensinar Changmin a fazer drinks. O mais alto pulou a bancada e Kyuhyun sorriu animado com a proposta. Donghae tratou de atender aos clientes que se aproximaram, enquanto Kyu apresentava para Changmin o copo de mistura.

Changmin colocou vodca, gelo e limão no copo como Kyu o indicara e o misturou animadamente. O drink não ficara de todo ruim quando ele provou e Kyuhyun também aprovou o sabor quando o experimentou na pequena taça que Changmin o colocara. Eles terminaram de beber quando Donghae se aproximou com vários copos de mistura sujos e pela primeira vez, Changmin decidiu que trabalharia no bar.

Ter Changmin lavando copos e cortando rodelas de limão e laranja, além de servir doses que não exigiam mistura alguma facilitou a vida dos dois atendentes da noite. Era a primeira vez que os clientes viam Changmin como o namorado de Kyu e não mais um dos frequentadores do local e aparentemente o simpático rapaz fora bem aceito, principalmente entre as moças. Kyuhyun teria ficado enciumado, se Changmin não roubasse selares de seus lábios cada cinco minutos.

Era a primeira vez que Kyu via Changmin interagindo com outras mulheres, e ele bem sabia que o rapaz levava jeito para a coisa. Donghae divertia-se sadicamente ao ver Kyu enciumado antes de seu namorado se aproximar com outro de seus beijos, demarcando possessivamente seu território. A medida que a noite ia passando a clientela ia diminuindo e os três rapazes tinham mais tempo para interagirem um com o outro. A certa altura da noite, os três se recostaram na bancada a espera de mais clientes e se distraíram:

– O que vocês vão querer quando fizerem um ano de namoro? – Indagou Donghae.

– Eu quero um aumento, hyung.

– E eu quero ser contratado pra começo de conversa, com carteira assinada e tudo.

– E o que mais senhor Changmin? Quer assistência médica e vale transporte também?

– E o vale alimentação, hyung? Como eu vou conseguir comprar o caviar de cada dia?

– Tá pra nascer namorado mais sem vergonha do que esse seu Kyuhyun! – Riu-se Donghae. – É sério, como vocês vão comemorar o aniversário de namoro?

– Como é no meio do ano letivo, provavelmente vamos comemorar estudando.

– Que isso, Kyuhyun? Você até parece o Siwon falando desse jeito! – Riu-se Donghae.

– Nossa, hyung, não precisa esculachar o meu namorado né? Só porque ele viveu anos com um professor de matemática e ficou meio nerd. – Riu-se Changmin.

– Changmin-ah! – Ralhou Kyuhyun. – Você fala isso, mas bem que gosta quando eu corrijo os seus trabalhos né safado?

– Eu amo! – Riu-se Changmin, abraçando seu namorado por trás. – Vou fazer o que se tenho um namorado nerd? Tenho que me adaptar né?

– É a evolução humana, Changmin, ou você se adapta ou a sua raça desaparece. Você se adaptou pra continuar vivendo. – Afirmou Donghae.

– Quantas doses você bebeu, hyung? – Riu-se Kyuhyun.

– Me deixa filosofar! – Riu-se Donghae. – E lá vem o Hyuk, tá todo animado!

Changmin riu-se do comentário do rapaz e fitou o proprietário sorridente se aproximar da bancada onde eles haviam se recostado.

– Ninguém trabalha nesse bar não? – Brincou Hyukjae. – E como assim, nós temos um funcionário novo? Como você contrata alguém sem me avisar, Hae-ah?

– Ele trabalha em troca de sexo com o Kyuhyun nas horas vagas. – Riu-se Donghae. – Bastante lucrativo, Hyuk-ah!

– Ainda bem que ele falou nas horas vagas, senão eu já ia cobrar a minha parte. – Riu-se Kyuhyun. – Hyuk-ah, você sabe se o Junsu está bem?

– Por que? Onde ele está?

– Ele já foi embora, já faz um bom tempo, hyung. – Afirmou Changmin. – Ele e o Jae não estavam muito felizes quando saíram.

– Onde você estava que não viu? – Indagou Donghae.

– Ah, eu estava conversando com aqueles jornalistas que tem uma coluna sobre a vida noturna que eu te mostrei semana passada. Eles estão montando uma matéria e eu espero que eles falem de nós, porque publicidade de graça é tudo o que precisamos!

– Se eles falarem bem né? – Afirmou Donghae. – Agora, pula pra cá que o Kyu precisa de uma pausa.

– Com você me pedindo com tanto carinho, como eu vou negar? – Sorriu-lhe Hyukjae.

– Vamos nessa, Changminie, estamos sobrando aqui! – Riu-se Kyuhyun.

Changmin riu do comentário de seu namorado e riu ainda mais da expressão indignada de seus amigos, por isso tratou de pular a bancada e ajudar seu namorado a fazer o mesmo. Kyuhyun jogou seu peso contra seu namorado quando este puxou-lhe pela cintura e logo eles saíram dali. Depois de horas em pé, o que os dois namorados mais desejavam era sentar-se por alguns instantes.

Eles foram para a mesa separada para eles naquela noite e se ajeitaram lado a lado em duas cadeiras. Kyu apoiou-se no peito de seu namorado que o abraçou pelos ombros. Ele estava cansado e um tanto sonolento, mas o dia havia sido produtivo e ele gostara de trabalhar ao lado de seu namorado. Changmin acariciou seus cabelos, e Kyu resolveu conversar com o rapaz antes que começasse a cochilar em seu colo:

– Gostou de trabalhar aqui?

– Foi divertido, príncipe, e você fica todo sexy fazendo drinks.

– Como você é safado, Changminie. – Riu-se Kyuhyun. – Você percebeu que nosso aniversário de um ano também já está chegando?

– Como você quer comemorar? Vai querer uma festa, como o Sungmin?

– Não, eu quero algo mais discreto. Nós poderíamos fazer um jantar romântico, em um restaurante bem bonito.

– Sem macarrão com salsicha, dessa vez?

– Mesmo eu amando a sua receita de macarrão com salsicha, eu quero um restaurante desta vez. – Riu-se Kyuhyun. – E se for fazer surpresa, sem dor de barriga.

– Você não esquece né? – Riu-se Changmin.

– Contarei para os nossos cachorros, que no futuro nós vamos adotar daqueles abrigos de animais.

– Aah, não, príncipe, a cachorrada vai me ridicularizar! – Riu-se Changmin. – Kyunie, hoje eu estava pensando, que tipo de homem você acha bonito?

– Lá vem você e a sua curiosidade, pra que você quer saber isso?

– Você só me falou do Siwon até hoje e do seu caso com o Sungmin quando a carência batia, mas eu ainda não sei qual o seu tipo de homem ideal. Me mostra, nesse lugar, um homem que você ache bonito, tirando o Sungmin que eu já sei que você curtia.

– Se eu apontar um homem que eu acho bonito, você aponta uma mulher que você acha bonita?

– Está bem, vai ser divertido.

Kyuhyun ergueu o rosto e olhou em volta analisando os homens que socializavam no ambiente mais calmo do bar. Ele podia ver as intenções nos olhos de alguns, mas poucos chamaram sua atenção pela beleza e ele bem sabia que era exigente. Apenas um dos rapazes atraiu seu olhar e ele o elegeria como o mais bonito do local. Kyu cutucou o braço de seu namorado e apontou discretamente o rapaz que ele escolhera.

Changmin olhou para o outro homem, e estranhou a escolha de seu namorado, afinal não acreditava que aquele rapaz tivesse grandes atrativos. Ele era alto, tinha o corpo magro e não dos mais definidos e os cabelos descoloridos. Para Changmin, era afeminado em demasia e tinha trejeitos espalhafatosos, pelo que ele pôde perceber durante o pouco tempo que observou. Kyu voltou o olhar ao seu namorado, esperando sua opinião que veio entre risos:

– Ele é menininha demais!

– Aahh Changminie, ele é lindinho, vai? Olha aquela carinha, ele deve gemer bonitinho na cama.

– Já tá pensando em pegar o cara, eu só pedi pra escolher, seu safado! – Riu-se Changmin.

– Agora é a sua vez, escolhe uma mulher, vai. Não que você vá ter muita chance, é claro.

Changmin riu-se e fez o mesmo que seu namorado fitando tudo a sua volta, em busca de uma parceira de seu interesse. Por alguns instantes ele se lembrou de como era frustrante procurar uma companhia feminina quando em sua mente, reinava somente aquele rapaz em seus braços. Ele finalmente escolheu a moça, que mais agradara aos seus olhos e a mostrou para Kyuhyun:

– Supondo que ela não seja lésbica, seria ela.

– Bem o tipo de vadia que você gosta, não é, Changmin? – Riu-se Kyuhyun. – Eu vou ter que concordar, essa aí até que é bonita.

– Faria um ménage?

– Se eu ficasse excitado com mulher, e conseguisse controlar a minha vontade de te sufocar com o travesseiro se o visse beijando outra pessoa, poderia ser uma possibilidade.

– Vamos deixar isso de lado, né Kyu? – Riu-se Changmin. – Continuando a brincadeira, se você fosse escolher alguém da faculdade que não seja eu, quem seria?

– O Jaejoong. – Disse Kyuhyun sem titubear, surpreendendo seu namorado.

– Ele? Você nunca me disse que achava ele bonito.

– Ele é bonito, e não vem me acusando porque eu me lembro do episódio do corredor. – Riu-se Kyuhyun. – Lá na faculdade não tem pessoas que realmente me chamam a atenção, então, tirando você é claro, acho que a minha escolha seria ele. Minha vez, entre o Donghae-hyung e o Hyuk-hyung, quem você escolheria?

– O Hyuk-hyung, mas eu acho que é porque eu me dou melhor com ele. Não conta pra eles, senão o Donghae-hyung vai ficar com ciúmes.

– E você também não fale nada sobre o Jaejoong, nós estamos falando sobre quem nos agrada visualmente e só. – Concluiu Kyuhyun. – Isso é divertido, não é?

– É sim! – Riu-se Changmin. – Minha vez, entre o Yunho e o Junsu, quem você escolheria?

– O Junsu, porque ele é mais fácil de dominar. Eu não sei se você sabe, mas por mais que ele tenha essa pose de machão com o Jae, quando ele namorava o Micky ele era todo derretido.

– Acho que eu já ouvi o Micky dizer isso em uma das discussões deles. – Concluiu Changmin. – E eu bem sei que ele é meio sensível mesmo, o Jae já me falou. Quando eu ouço a história do Jaejoong eu fico tão feliz em ter você e não ter de me contentar com um prêmio de consolação.

– Changminie, o que você acha que teria acontecido se eu não tivesse aceitado você? Onde você acha que nós estaríamos hoje?

– Acho que eu teria enlouquecido. – Riu-se Changmin. – Quer dizer, eu nunca senti tanta pressão na minha vida quanto no momento que eu me apaixonei por você e ter que guardar segredo durante tanto tempo foi terrível.

– Guardar segredo foi necessário, Changminie, e acho que beijar você foi a minha melhor decisão. Se nós não namorássemos, eu certamente estaria com inveja do Sungmin hoje.

– Talvez eu ainda estivesse tentando procurar uma mulher que se comparasse a você, ao seu toque, ao seu olhar, mesmo sabendo que essa mulher não existe.

– Talvez você ainda tivesse os seus outros amigos.

– Eu não quero amigos como eles, gosto mais dos novos. – Afirmou Changmin, apontando para Donghae e Hyukjae.

– Falando neles, já está fazendo fila no bar, é melhor eu voltar. – Concluiu Kyuhyun, se espreguiçando demoradamente. – Você me espera aqui, acho que logo vamos fechar, o movimento está diminuindo.

– Eu espero, meu príncipe, não demore.

Kyuhyun sorriu ao seu namorado e ainda roubou um selar de seus lábios antes de se afastar e voltar ao seu posto.Com a noite chegando ao fim, os clientes se amontoaram em volta do bar, a fim de fechar suas respectivas contas e aquela era uma das horas mais corridas da noite para os empregados. Sungmin e Henry se despediram dos rapazes, e agradeceram pela festa antes de saírem dali para a casa do menor, onde eles dormiriam juntos.

Kyuhyun e Donghae trataram de fechar as contas da noite, enquanto Hyuk ficara responsável pelo serviço de taxi para os que haviam abusado do álcool aquela noite. Aos poucos, o local começou a se esvaziar, as pessoas foram deixando suas mesas, se despedindo, se separando e por último ficaram os distraídos casais que se agarravam nos cantos mais discretos do bar. Às 5 da manhã em ponto, o estabelecimento fechou as portas.

Os seguranças do local os ajudaram a avisar os casais atrasados sobre o fechamento do bar e desta forma, os últimos clientes fecharam suas contas. Finalmente a noite havia acabado e Kyu podia sentir o cansaço tomando conta de seu corpo, já que ficara em pé a noite toda. Depois do fechamento do local, ainda havia o fechamento de caixa, o pagamento dos seguranças da noite e minimizar a bagunça do local.

Antes de Kyu fechar o caixa, Changmin se ofereceu para pagar por sua bebida, mas Donghae insistiu que já estava satisfeito com a ajuda do rapaz aquela noite. Hyuk tratou de erguer as cadeiras e limpar as mesas, enquanto Changmin lavava os últimos copos e os guardava em um local próprio. Sem a ajuda de Sungmin, o fechamento de caixa demorou mais do que o normal, mas foi tempo suficiente para permitir Changmin lavar os últimos copos.

Kyu foi trocar de roupas para que não saísse com o uniforme do bar e deixou Changmin na companhia dos mais velhos por alguns instantes. Hyukjae e Donghae guardavam os comprovantes da noite e as janelas já estavam devidamente fechadas, com o sol matutino já entrando por suas festas e iluminando algumas partes do bar. Changmin sentia os olhos pesados com o sono e apenas desejava descansar:

– Changmin-ah, vocês vão querer carona? – Indagou Hyukjae.

– Não precisa, hyung, já está dia, eu vou andando com o Kyunie.

– Vão com cuidado.

A voz de Donghae o aconselhando, fez Changmin sentir um arrepio na espinha, mas ele o atribuiu à noite agitada. Ele esqueceu rapidamente a estranha sensação, assim que seu namorado voltou, trajando outra camiseta e se aproximou dele, esperando alguma outra ordem de seus dois amigos. Uma vez que não havia mais o que fazer aquela noite, Hyuk disse que eles poderiam ir embora. Os dois se despediram dos mais velhos que apenas fechariam o andar de cima e também iriam embora, para seu merecido descanso.

Changmin propôs sair pela frente do bar, mas Kyu disse que era mais perto se eles saíssem pelos fundos, então assim eles o fizeram. Assim que a porta se fechou atrás deles, e seus olhos se acostumaram com o sol, os dois deram as mãos e seguiram pelo estreito beco que daria acesso à rua principal em direção à casa de Kyuhyun. Era um beco longo, e àquela hora do dia estava aparentemente deserto.

Os dois rapazes já se aproximavam da rua principal, quando um grupo de quatro homens adentrou o mesmo beco que eles, todos com mochilas e usando toucas próprias para motos, que escondiam o rosto. Kyuhyun sequer podia vê-los com clareza, quando constatou a estranheza daquela situação, afinal pessoas andando por aquele beco àquela hora não era algo comum, e aquele não era um bairro residencial.

Changmin observou os homens se aproximarem cada vez mais deles, a passos largos e decididos, como se houvesse pressa em chegar ao seu destino. Kyu apertou seus dedos, chamando sua atenção e o alertando para o que se aproximava. Os dois pararam de caminhar e Kyu disse sussurrado, somente para que seu namorado ouvisse:

– Acho melhor nós voltarmos para o bar.

Changmin não o respondeu em voz alta, mas deu meia volta, ainda segurando a mão de seu amado. Quando os dois olharam para trás, perceberam que atrás de si, outros dois homens, com as mesmas toucas se aproximavam deles, e de uma forma ou de outra, eles teriam que passar pelas estranhas pessoas. Eles estavam cercados e a confusa situação deixou-os paralisados. Changmin então pegou seu namorado pela mão e se precipitou em direção à rua, pronto para desviar os três homens, que trancaram sua passagem.

Sem falar nada, dois deles empurraram Changmin de volta, e ele apenas não caiu, pois Kyu o segurou pela cintura. Em segundos, o casal estava envolto por seis homens sem rosto, que os circulavam sorrindo por baixo de suas máscaras do medo estampado nas feições dos rapazes. Changmin acreditou piamente que aquilo se tratava de um assalto e logo eles sairiam dali, carregando consigo os seus celulares, relógios e carteiras. Ele não soltou a mão de Kyuhyun, esperando o anuncio de roubo, mas o que veio, foi uma voz leve, aveludada e com algum sotaque estrangeiro:

– Bom dia, moçinhas. – Disse o homem. – Sabia que pode ser perigoso andarem por aí sozinhas?

– P-por favor, leve o que quiser, e deixe a gente ir embora. – A voz de Kyu saiu falha e amedrontada, o que fez Changmin apertar sua mão para conforta-lo.

– Levar? Não, mocinha, nós não vamos assaltar vocês. – Explicou o homem. – O que na verdade está acontecendo aqui, é que eu tenho um problema. Eu odeio muitas coisas nesse país, eu odeio animais de rua, moradores de rua, prostitutas, mas sabe o que e mais odeio? Viadinhos como vocês!

Em questão de segundos, um dos encapuzados socou o rosto de Changmin por ele ser mais alto e forte do que o outro. Ele sentiu um baque e foi empurrado contra uma parede, enquanto sua mão se desprendia de Kyuhyun que era empurrado na direção oposta. O mais alto dos homens segurou suas mãos atrás de seu corpo, enquanto ele se debatia e gritava o nome de seu namorado.

Kyuhyun também se debateu, mas eles sequer seguraram suas mãos, afinal ele ficou paralisado, assim que sentiu a lâmina fria de uma faca encostar-se sutilmente à sua jugular. Ele chamou por seu namorado, mas quando gritou, o homem atrás de si apertou mais a faca contra seu pescoço, em uma ameaça clara de cortar-lhe a garganta, caso ele voltasse a falar. Kyu suava frio e ele engoliu seco, quando finalmente conseguiu focalizar Changmin logo à sua frente.

– Calma, sem escândalo, viadinho. – Voltou a falar o homem de voz tranquila. – Vai acabar tudo bem, se você colaborar comigo, está bem? Você já viu como está o seu namoradinho ali?

O estômago de Changmin embrulhou, assim que ele focalizou seu namorado. Um homem muito mais alto tinha seu braço em volta do pescoço de seu amado e uma faca que mais o lembrava aquelas utilizadas em açougues, brilhava contra o pescoço dele. Ele tornou-se ofegante e o medo o fazia tremer da cabeça aos pés, ele temia perder seu amado, ali logo na sua frente.

– Se você gritar, ele morre, se reagir, ele morre, se tentar qualquer gracinha, ele morre. E você não quer isso, quer viadinho? Ver o seu namorado sangrando e gritando como um porco na mesa de abate?

– Por favor… – Balbuciou Changmin. – Eu pago o que você quiser, mas deixe ele ir, por favor.

– Acho que você não entendeu ainda. Eu não quero dinheiro, viadinho, ainda mais um dinheiro de alguém tão nojento quanto você.

Lentamente, os membros remanescentes da gangue começaram a remexer em suas mochilas e equipar-se com armas. Dois deles tinham em seus dedos um soco inglês, enquanto aquele que falava consigo e o menor dos homens, retiraram de sua bagagem tacos que aparentavam ser de beisebol. Naquele momento Changmin sabia que ele não sairia dali ileso, e Kyu assim que percebeu gritou, e chorou. Os homens se posicionaram em volta de Changmin que tremia em expectativa.

– Nós só queremos te ensinar uma coisa, viadinho, ainda existem pessoas para defender a moral e os bons costumes nesse inferno de país. E eu garanto que você não vai esquecer dessa lição.

Kyuhyun gritou quando ouviu aquilo, e o homem atrás dele apertou a faca contra seu pescoço o ameaçando e cortando superficialmente sua pele. Kyu chorava e sabia que não havia maneira daquilo terminar bem. Changmin tinha vontade de gritar, chorar, chamar por socorro, mas sabia que qualquer gesto seu colocaria a vida de seu namorado em risco. Então ele esperou, e logo veio o primeiro soco.

O soco inglês afundou-se contra seu estômago e uma dor lancinante tomou conta do rapaz. O ar sumiu de seus pulmões e por alguns instantes ele foi incapaz de se recuperar. Seu corpo encurvou-se para frente, mas antes que ele pudesse se recuperar, uma mão firme agarrou seus cabelos e o fez erguer o rosto. Ele viu por alguns segundos o punho em sua direção, acertando seu olho, depois a maçã de seu rosto, seu maxilar e seu nariz do qual o sangue escorreu em uma das narinas.

O segundo homem com soco inglês se aproximou e seu rosto voltou a sofrer, uma dor aguda tomou conta de si quando a mão do homem acertou seu ouvido e logo de ambas as suas narinas sangravam. Cada soco, era como se parte dele se quebrasse, sua cabeça girava e ele sentia dores fortíssimas em toda sua face. Seu corpo estava pendendo para a frente, presos por seus pulsos atrás de seu corpo que um dos homens segurava.

Entretanto, o pior ainda estava por vir. Changmin sentiu o vácuo ao lado de seu rosto antes da pior dor que ele já sentira em toda sua vida. O taco de beisebol o atingira no lado de seu rosto, o fazendo vira-lo bruscamente, gemendo abafado. Ele sentiu um de seus dentes se desprender e voar para fora de sua boca, junto com sua saliva e sangue. Suas pernas perderam a força e ele caiu, sendo finalmente solto.

Changmin sentiu o chão frio do asfalto embaixo de seu corpo, segundos antes dos golpes voltarem, entre pontapés e golpes com os bastões, agora por todo seu corpo. Ele virou o corpo de lado, escondendo sua cabeça com os braços, acreditando que impedir que aqueles homens acertassem aquela parte de seu corpo, dava-lhe mais chance de sobreviver ao espancamento. Era difícil respirar, afinal, os pontapés atingiam suas costelas, seu estômago e todo seu corpo enquanto o lado que estava virado para cima era atingido impiedosamente pelos bastões.

Em um golpe específico com ainda mais violência, Changmin sentiu uma de suas costelas rachar e a dor parecia estar aumentando gradativamente, se é que aquilo era possível. Ele não sabia há quanto tempo, mas finalmente se deu conta de que estava chorando, não alto, pois ainda temia pela segurança de seu namorado. Seu corpo agora doía como nunca e sua cabeça girava, sendo que ele percebeu que sua consciência não duraria muito mais tempo, devido à dor.

Tão repentinamente quanto os homens apareceram, eles pararam com os golpes, acreditando que Changmin perdera a consciência. Assim que eles terminaram com o primeiro, seus olhares recaíram sobre Kyuhyun que chorava como uma criança. A sensação de impotência era a pior que ele já sentira em toda a sua vida, muito maior do que o medo de morrer, agora ele se sentia um covarde, por deixar Changmin apanhar daquela maneira sem que ele nada pudesse fazer.

Kyuhyun já havia aceitado sua sentença, ele acreditou que apanharia até desmaiar, como seu namorado. Ele engoliu seus soluços quando os homens se aproximaram dele e aquele, que conversara com Changmin e que Kyu acreditava ser o líder da gangue, ficou frente a frente com ele. O homem baixou a touca até que seus lábios ficassem descobertos, para finalmente cuspir contra o rosto de Kyu, que apenas fechou os olhos, trêmulo.

Eles estavam prontos para espancar Kyuhyun, quando uma sirene policial foi ouvida, se aproximando de onde eles estavam. Os homens se olharam desconcertados e trataram de guardar suas armas, rapidamente, pois não desejavam ser pegos. O homem que ameaçava Kyuhyun parecia confuso, mas não o deixaria sair ileso dali. Ele retirou a faca de seu pescoço, mas, antes de fugir, a posicionou em sua lombar, na altura do rim.

Kyuhyun sentiu uma dor terrível, assim que a lâmina perfurou sua carne e se afundou em si. Ele gritou como nunca, um grito desesperado, ainda mais alto quando ele o sentiu puxa-la para fora de seu corpo. Suas pernas enfraqueceram e ele cambaleou quando seu corpo foi solto. Ele viu os seis homens correrem para longe, sentindo algo úmido em suas costas, na região que fora ferida.

Kyu repousou a mão sobre o local e quando a colocou diante de seus olhos, estava manchada com seu sangue. Ele se ajoelhou próximo ao seu namorado, sentindo seu sangue jorrar, escorrer por trás de suas pernas manchando suas roupas. Kyu perdeu o equilíbrio, e caiu deitado, deixando o desespero tomar conta de si. Ele não desejava morrer, queria cuidar de Changmin, queria que aquilo fosse um pesadelo e ele acordasse.

Changmin se moveu com dificuldade, e seu rosto inchado, cheio de hematomas e coberto de sangue voltou-se para Kyuhyun. Eles se entreolharam, sem forças para falar, chamar por ajuda ou qualquer ação que pudesse tira-los dali. Em um último esforço, os dois se moveram, esticando os braços, até que seus dedos se tocassem e eles pudessem segurar as mãos um do outro, ambas úmidas com sangue. Eles sentiram, se consolaram em um gesto singelo e cheio de significados, o que veio depois era só a escuridão.

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