Capítulo 27: Easy like sunday morning

Naquela manhã, Jaejoong acordou confuso, sentindo os cobertores macios pesados sobre seu corpo, e as mãos agarradas a um tecido fino de algodão. A luz matinal que vinha pelas cortinas finas da janela machucaram seus olhos quando ele tentou abri-los. Ele se moveu e sentiu seu corpo roçar ao do rapaz ao seu lado, ao mesmo tempo em que ele tomou consciência de onde estava. O aroma da pele de Yunho tomou conta de suas narinas e ele o focalizou, ainda adormecido ao seu lado.

Jae escorregou sobre o colchão, até que seu rosto repousasse sobre o peito do rapaz e ele pôde sentir sua respiração subindo e descendo, assim como as batidas calmas de seu coração. Jaejoong voltou a fechar os olhos e se deixou ficar ali, sentindo a felicidade exalar pelos poros de sua pele até a ponta de seus dedos, há muito tempo ele não acordava tão bem. Yunho se remexeu quando despertou, e em uma tentativa de respirar fundo, ele sentiu o peso do rapaz sobre seu peito.

Yunho demorou poucos segundos para se lembrar de quem estava consigo e assim que sua mente tomou consciência, ele envolveu os ombros do rapaz sobre si. Ele abriu os olhos e se deparou com os cabelos castanhos do rapaz roçando em seu queixo e as carícias do mesmo com a mão espalmada sobre seu peito. Yunho beijou o topo da cabeça do outro demoradamente, o apertando contra si como se temesse que o rapaz saísse correndo dali e finalmente desejou-lhe:

– Bom dia, Jae.

– Bom dia, hyung.

Jaejoong ergueu o rosto e recostou a ponta de seu nariz contra o maxilar do outro, sentindo sua barba por fazer deixar sua pele áspera, mas completamente beijável. E foi o que ele fez, esticou seu corpo e beijou seu rosto demoradamente, com um ruído estalado que fez o outro sorrir e se remexer sobre a cama, preguiçosamente. Qualquer um que os visse naquela posição, acreditaria que se tratava de uma lua de mel ou que eles haviam acabado de fazer amor.

Jae rolou sobre a cama, dando liberdade ao rapaz para finalmente bocejar demoradamente. Yunho sentou-se sobre a cama, esticando os braços para se espreguiçar e esfregar o rosto tentando espantar a preguiça matinal. Ele acariciou os cabelos do outro rapaz com a ponta dos dedos enquanto este se permitia ficar ali, com os olhos fechados, sentindo o ar da manhã revigora-lo.

– Eu preciso escovar os dentes. – Concluiu Jaejoong.

Yunho riu do comentário banal do rapaz e tratou de saltar da cama, diretamente para o banheiro de seu corredor. Jae o seguiu e já no conhecido cômodo o rapaz entregou-lhe uma das escovas fechadas que ele guardava para hospedes, uma vez que recebia, vez ou outra, colegas de trabalho em sua casa. Ele colocou a pasta de dentes sobre as cerdas de sua própria escova e depois sobre a do rapaz e em silêncio os dois fizeram sua higiene matinal.

Em frente ao espelho, Jaejoong ainda ajeitou seus cabelos, e alisou o pijama como se tentasse desamarrota-lo com suas mãos. Yunho seguiu para a cozinha, e deixou a cafeteira preparando seu café, para depois perceber decepcionado que sua geladeira não continha nada realmente a altura de Jaejoong. Assim que o rapaz parou à porta da cozinha, Yunho fechou a geladeira, tentando raciocinar o que faria para o outro se alimentar.

– Jae-ah, não tem nada na minha geladeira, eu não sei o que fazer.

Jaejoong abriu a geladeira do rapaz e a fitou demoradamente, antes de ter uma brilhante ideia para seu desjejum. Ele separou os ingredientes e ficou feliz ao ver que ainda sobraram alguns pães no armário do rapaz. A receita de torrada francesa viera dos pais de Donghae, que ensinara a Changmin e finalmente chegara a Jaejoong. E Yunho não sabia qual era o melhor sabor da manhã, o delicioso prato ou ter Jaejoong preparando-lhe uma refeição com tanto carinho.

Eles comeram juntos na pequena mesa que adornava a sacada do apartamento de Yunho. O café quente os deu energia, e eles se lambuzaram de melado quando espalharam estes por suas torradas. Havia uma brisa fresca em meio ao dia quente que se formava na capital coreana, e seus cabelos caiam em seus olhos enquanto eles conversavam. Quando a mesa já estava vazia, Jaejoong se levantou e apoiou seu antebraço no concreto que protegia a sacada.

Por alguns instantes ele se perguntou como estaria Junsu, se teria se jogado diretamente nos braços de Yoochun ou se estaria ainda inseguro. Sua mente estava perdida em pensamentos quando as mãos furtivas de Yunho o envolveram pela cintura e o rapaz o encaixou em um abraço apertado. As pernas de Jae perderam as forças e por alguns instantes ele perdeu o controle de seus sentidos.

– Jaejoong.

A voz de Yunho acariciou seus ouvidos quando chamou seu nome, rouco, preciso, sensual e cheio de sentimentalismo. Sua pele se eriçou quando os dedos do rapaz repousaram em sua nuca, pressionando seu couro cabeludo até que alguns fios de seu cabelo estivessem enlaçados em seus dedos e ele pudesse controlar seus movimentos. Jaejoong virou o tronco na mesma medida que Yunho guiou sua cabeça para que se voltasse para si. Quando Jae voltou a abrir os olhos, seus rostos estavam estreitamente próximos.

Yunho reparou em cada traço do rapaz que segurava com tanta firmeza, o contorno de seu rosto fino e de pele clara e macia, o formato de seus olhos grandes e com as íris castanhas e sempre tão expressivas. As sobrancelhas bem delineadas que davam a ele um ar masculino e ao mesmo tempo inocente, seu nariz proporcional que parecia ter sido esculpido pelo mais talentoso anjo que Deus pudesse dispor, e finalmente seus lábios, aquela perdição rosada e carnuda que parecia pedir para serem tocados.

Ele deixou a ponta de seus dedos roçar nos lábios de Jaejoong, eram macios, quentes e se umedeceram com seu toque. Jae salivava de desejo, ele também desejava sentir aquele sabor e explodir com aquilo que ele tanto desejou experimentar. Lentamente, como se não desejasse perder um instante sequer daquele sublime momento, Yunho selou um beijo nos lábios de Jae, este saiu rápido e estalado e era apenas uma prévia do que estaria por vir.

Eles sequer abriram os olhos ou separaram seus rostos, logo seus lábios voltaram a se encaixar e se sugavam discretamente, causando ruídos estalados quando se separavam, provando de suas texturas únicas. Em sincronia, seus lábios se entreabriram e suas línguas se buscaram, tocando-se primeiramente de forma tímida, sentindo os sabores e sensações. Não demorou muito e a língua de Yunho tratou de explorar a boca do outro, buscando cada canto da mesma.

Jae agarrou-se em seus ombros, ou certamente cairia sacada abaixo e se permitiu ser beijado. Ele virou seu corpo em direção ao outro que mantinha as mãos firmes em sua cintura, pressionando o local quando o beijo se tornava mais intenso, de acordo com a necessidade de ambos. Antes mesmo de se dar conta, Jae gemia contra os lábios do outro, ofegava, engolia o néctar que jorrava para dentro de sua boca, provando daquele delicioso pecado que era o beijo de Yunho.

Yunho cortou o beijo. Ele precisava falar com Jaejoong, precisava dizer-lhe que aquele era de longe o melhor beijo que ele já havia provado, que ele era o homem mais lindo que ele já havia conhecido, mas percebeu algo novo naquelas feições que sua memória carinhosamente guardara. Seus lábios antes apetitosos, agora estavam úmidos, inchados e avermelhados de forma que ele ainda não havia visto. Algo tentador demais para ser ignorado pelo seu fraco psicológico.

Ele o beijou novamente, com mais intensidade, mais desejo por aquele que povoara as suas mais proibidas fantasias noturnas, e o impedia de se concentrar em qualquer outra coisa quando estava a sua frente. Jae não se opôs de forma alguma ao beijo, e amava a forma controladora como Yunho o guiava. Eles passaram o resto do domingo desta forma, entre beijos lascivos nos cantos do apartamento.

Eles teriam feito amor naquele dia, não fosse um pedido do inseguro Jaejoong que não desejava que as coisas fossem depressa demais entre eles. Afinal, sua pouca experiência no assunto o indicara que apressar um relacionamento levava ao desgaste e a erros terríveis. Yunho também não tinha pressa, e provar os lábios de Jaejoong em pleno domingo pela manhã era tudo o que ele poderia desejar.

 

No apartamento ao lado, alheio ao romance entre seus dois amigos, Changmin escrevia um bilhete avisando Jae que ele estaria na casa de Kyuhyun. Era estranho, pois por um lado ele queria estar em seu próprio apartamento, ter seu espaço, usufruir de seus pertences, já que passara duas semanas morando com o rapaz e várias visitas que iam e vinham. Por outro lado, ele passara apenas dois dias longe de seu namorado e já sentia falta de sua voz, de dividir a cama e de todas as outras coisas que a rotina trouxera.

No entanto, o que Changmin mais sentia falta era de um tempo a sós com Kyuhyun. Nas duas semanas em que literalmente morara com o rapaz, eram poucos os momentos em que ficavam sozinhos, e apenas podiam conversar sobre seus próprios assuntos nos poucos minutos antes de caírem em um sono pesado. Assim, um dia antes das aulas começarem, ele voltou ao apartamento do rapaz, com o intuito de passar o dia com o mesmo.

Changmin dirigiu sem pressa pela bela manhã de verão, com um céu muito azul e um sol que certamente mais tarde incomodaria quem desejasse passear pelas ruas. Ele estacionou seu carro em frente ao prédio e passou sem maiores problemas pelo porteiro que não parecia nada bem humorado de ter que trabalhar em pleno domingo de verão. Changmin bateu à sua porta e logo os passos do rapaz se fizeram audíveis.

Kyuhyun o recebeu tão animado quanto ele saíra de casa e aparentemente o rapaz também sentia falta de sua companhia. Ele trajava uma roupa caseira e confortável e deixou que Changmin repousasse sua mochila sobre o sofá e levasse o bolo de laranja que fizera na noite anterior até a cozinha, onde os dois o provariam. A medida que Donghae ia ensinando-lhe, os dotes culinários de Changmin iam se desenvolvendo deixando os dois mais do que satisfeitos com os resultados.

Prova disso é que metade daquele bolo desapareceu na primeira meia-hora que Changmin permaneceu naquele apartamento. Era como se não se vissem há semanas, haviam tantas coisas a serem ditas, discutidas, conversadas que eles passaram outra hora inteira, sentados na mesa apenas colocando seus assuntos em dia. Finalmente, Kyu contou ao rapaz o que fazia antes de sua chegada e aquilo o animou. Kyu naquela manhã decidira arrumar a gaveta que guardava suas antigas bonecas e Changmin há muito desejava vê-las.

Eles seguiram para o quarto, onde sobre a cama, estava espalhada a pequena coleção do rapaz, com exceção da mais antiga que ainda estava exposta em sua sala. Changmin fitou aquilo fascinado, afinal elas eram uma parte importante do passado de seu namorado, era quase como se ele pudesse vê-las expostas na antiga casa que ele dividira com Siwon.

– Elas estão meio amassadas. – Justificou-se Kyuhyun. – Elas não saem da gaveta há um tempo.

– São tão bonitas, você tem bom gosto. – Elogiou Changmin, pegando uma das bonecas e ajeitando os cabelos dela.

– Você quer dizer, o Siwon tem um bom gosto, era ele quem escolhia. – Disse Kyu, sorrindo discretos.

– Por que você não expõe elas de novo?

– Changminie, já era estranho um moleque de dezesseis anos com uma coleção dessas, para um homem de vinte e dois é algo mais do que estranho. Daqui a pouco eu vou parar naqueles jornais cheios de bizarrices. – Riu-se Kyuhyun. – Eu vou deixar elas na gavetinha e quando eu quiser olhar para elas, eu olho.

– Você é bobo, elas são lindas. – Defendeu Changmin, mas sem mais insistir no assunto. Ele sentou-se na beirada da cama e alisou o pequeno vestido de seda verde-água. – O que você vai fazer?

– Eu já tirei a poeira, agora vou só arrumar os cabelos. – Riu-se Kyuhyun, sentando-se na outra beirada da cama e pegando uma das bonecas. – Vou fazer tranças pra eles não embaraçarem. Quer me ajudar?

– Eu não sei fazer tranças, mas quando você terminar eu posso organizar a gaveta.

Eles combinaram daquela forma e aquele trabalho os distraiu pelo resto da manhã. Kyu trançava os cabelos de suas bonecas, enquanto Changmin alisava seus vestidos e arrumava seus acessórios, antes de devolvê-las ao seu local de destino. Kyu tinha uma boa memória e contou a Changmin como ganhara cada uma daquelas bonecas. Foram vários natais e aniversários que ele descreveu, entre festas, encontros familiares, noites com Donghae e Hyuk, todos momentos felizes.

Eles guardaram uma a uma e depois, com pesar, Changmin fechou a gaveta. Ele se levantou e logo em seguida seu namorado o abraçou pela cintura, recostando a cabeça em seus ombros. Aquele silêncio era bom, era confortador estarem na presença apenas um do outro, sem obrigar-se a dar atenção a outras necessidades que não a vontade de se abraçar, se beijar e se tocar. Os dois se separaram, seguiram então para a sala de estar onde teriam seu almoço.

Kyu havia ganhado de Donghae uma torta salgada na noite anterior e aquele seria seu almoço com Changmin, assim como um suco de melão que o menor fez rapidamente. Era um almoço prático para os dois preguiçosos, mas que serviu para matar a fome que aquele singelo trabalho matinal trouxera a eles. Finalmente os dois se acomodaram sobre o tapete em frente a TV e se distraíram com os programas de domingo, deixando a louça para depois.

– Príncipe, eu me lembrei de uma coisa. – Comentou Changmin com a cabeça deitada sobre as coxas de seu namorado que acariciava seus cabelos com a ponta dos dedos.

– O que?

– Você não me contou como o seu relacionamento com o Siwon terminou.

Kyu surpreendeu-se com a repentina pergunta do rapaz e por alguns instantes parou de alisar o cabelo do outro. Sua curiosidade era válida, mas aquele questionamento pegou-o de surpresa. Changmin ergueu o olhar buscando por seu namorado, e o fitou suspirar pesadamente. Ele baixou o rosto e sorriu discreto a Changmin.

– Não é a história mais feliz da minha vida, mas você foi paciente, merece saber ela toda.

– Me conte e eu prometo não dormir.

Kyuhyun riu-se do comentário do rapaz e voltou a suspirar pesadamente. Ele se ajeitou no chão e ainda acariciava os cabelos de seu namorado quando, deixando seu olhar perdido em sua boneca de estimação, ele voltou a falar:

– Eu já tinha 18 anos, era maior de idade e tinha alguns trabalhos temporários que ajudavam nas contas com o Siwon. Eu ainda estudava, estava no último ano da escola e estava pronto para ir para uma faculdade. Era só o que eu queria, trabalhar, ganhar mais dinheiro, ajudar o Siwon a pagar as contas, ter um diploma e continuar com ele. O que eu mais gostava era me sentir importante, eu cuidava do Siwon, Changminie. Eu cuidava da casa dele, das roupas dele e até da agenda dele de vez em quando. Ele quase não parava em casa, então eu também cuidava da saúde dele, e acreditava fervorosamente que ele era tão dependente mim quanto eu dele. Para mim, o Siwon era insubstituível, tanto quanto eu era insubstituível pra ele.

Flashback.

Kyuhyun sempre fora um rapaz romântico, mas não imaginava que aos dezoito anos ele já teria tudo que um homem poderia desejar. Ele morava em um apartamento espaçoso, que ele mesmo decorara ao longo dos últimos anos. Agora além das fotos do passado de Siwon, fotos dos dois juntos também adornavam as estantes e paredes do local.  Haviam mais cores no local desde que o rapaz fora morar lá, com um toque de delicadeza diante da frieza e praticidade de Siwon.

A rotina de Kyu quando ele fora morar com Siwon se tornara mais restrita e ele assumira um papel mais adulto do que a sua idade normalmente exige. Ele tomara o papel de pai de família cedo demais, abrindo mão das regalias que a maioria dos adolescentes possui. No entanto, com a evolução da vida acadêmica de Siwon, as coisas estavam para mudar, e seu mundo estava prestes a desmoronar.

Kyu sabia que seu companheiro tinha ambições de estudar na Europa e já havia analisado algumas propostas, avisando o menor quando algo o interessava e isso sempre causava discussões. Eles quase não brigavam, pois Kyu havia se condicionado a seguir as regras de seu amado sem questiona-lo, tornando-se assim o homem perfeito para permanecer ao seu lado.

Por outro lado, Siwon não percebera o quão dependente de si aquele rapaz se tornara. Desde seus treze anos o mundo de Kyuhyun girou em torno de seu relacionamento com Siwon e todas as outras coisas foram adaptadas de acordo com isso. Suas amizades eram relacionadas com Siwon, ele perdera o contato com sua família para se manter com ele e montara sua vida escolar e profissional de acordo com sua vida afetiva. Para Kyu, aquele era um viés de mão única e não havia outro modo de vida.

Em certa noite, como eles faziam todas as noites de segunda a sexta, depois do jantar os dois estavam recolhidos no escritório. Siwon sempre levava trabalhos para casa e Kyu tinha suas lições as quais ele se acostumara a manter adiantadas, a pedido de seu companheiro. Naquela noite, como de costume, Kyuhyun terminou suas lições primeiro e de praxe pegou um livro e se sentou em uma poltrona separada no escritório para que ele pudesse ler.

Siwon precisava conversar com o rapaz e acreditou que aquele momento de calma e silêncio fosse o melhor momento. Ele deixou o óculos de grau e armação transparente sobre a grande pilha de papéis que revisava e girou o corpo na cadeira que acompanhou seu movimento. Seus olhos recaíram sobre o rapaz que lia com ar tranquilo e por alguns instantes ele se arrependeu de acabar com um momento de paz em seu dia.

– Kyu.

Assim que sua voz soou, os olhos do menor se ergueram do livro e o fitaram demoradamente, como sempre analíticos. O mais velho puxou a cadeira pelos apoios de mão e se aproximou da poltrona onde o outro havia se acomodado e voltou a sua posição anterior, tentando manter o ar relaxado e não alertar o rapaz sem motivos. Ele respirou profundamente e finalmente voltou a falar:

– Nós precisamos conversar.

O menor assentiu, silenciosamente.

– Você já sabe do meu projeto de pesquisa na faculdade, sabe que eu já fui chamado a desenvolver ele em vários outros lugares, mas não aceitei, pois estava bem estruturado aqui. Pois bem, eu recebi uma nova oferta, em uma boa faculdade britânica que tem muitos recursos…

– Siwon. – Interrompeu Kyuhyun. – Você não está pensando em aceitar, está?

– Eu já aceitei. – Disse Siwon sem titubear. – E você não pode ir comigo.

– Siwon, o que você quer…

– Eu juro que tentei. Eu procurei os mais diversos projetos de intercâmbio, lugares que nós poderíamos ficar juntos, eu pensei em várias possibilidades, mas nenhuma delas passou de um projeto. Eu não vou conseguir levar você comigo e não posso deixar essa oportunidade passar.

– Você não aceitou isso, aceitou? Você não pode ir embora e me deixar aqui, Siwon. – Disse Kyuhyun com tom endurecido de alguém cuja irritação começava a aumentar.

– Eu aceitei, Kyu. É uma oportunidade única na minha carreira de desenvolver projetos ao lado dos mais renomados especialistas em matemática e economia. Eu vou continuar dando aulas, vou morar em um campus de faculdade e não posso te colocar lá dentro comigo, sendo tão jovem.

– E qual é o seu plano?? Me largar aqui sozinho? Quem mais eu tenho além de você, Siwon?

– Você tem o Hyuk e o Hae, eles vão cuidar de você.

– Quanto tempo você vai passar fora? Quanto tempo tem esse projeto?

Siwon suspirou pesadamente, e esfregou o rosto com ar cansado. Ele sabia que não seria fácil, mas olhar dolorido do rapaz estava machucando por demais seu coração, no entanto, era um mal que ele deveria enfrentar.

– É por tempo indeterminado. Eu posso voltar em dois anos, três, cinco, dez, ninguém sabe dizer.

– Você pode nunca mais voltar? Ficar lá pra sempre?

– É o mais provável.

– Siwon… e eu? – Os olhos de Kyu encheram-se de lágrimas. – O que eu sou? O seu aluno que você usa e depois de anos você descarta porque ele não serve pra ir para a Europa com você?

– Kyu, não é isso, é a minha carreira.

– Que se dane a sua carreira, nós dois somos casados! – Kyu nunca atestara aquilo em voz alta como naquele dia, mas Siwon sabia que ele tinha razão. – Você não pode me deixar assim. Eu não tenho pra onde ir, eu não tenho nada, eu só tenho você.

– Você não vai ficar desamparado, meu amor, eu vou te deixar tudo. Esse apartamento vai ser seu, o meu carro, e você tem os seus empregos e a sua poupança da faculdade que nós dois mantemos. E o Hae e o Hyuk não vão te deixar sozinho, eles vão cuidar de você, vão te guiar como eu faço.

– Quer mesmo que eu me satisfaça com isso? Acha que isso tudo é o suficiente para cobrir a falha que você vai deixar? Você não pode fazer isso comigo, Siwon!

– E você não pode me fazer escolher entre a minha carreira e você, é injusto.

– E é justo você me abandonar por causa da sua avareza e da sua ganância? Da sua droga de egoísmo?

– Você está sendo egoísta ao tentar me manter aqui, Kyuhyun.

– Como você espera que eu viva sem você?

– Eu já disse que vou deixar o apartamento, dinheiro e logo você vai se virar, não precisa de mim.

– Para de falar de dinheiro, Siwon! Eu amo você mais do que tudo no mundo, como espera que eu fique bem sem você? Eu não tenho mais a minha família, eu mal fiz dezoito anos e já vou perder o homem da minha vida! – Kyuhyun terminou a frase entre soluços e cobrindo o rosto para poder finalmente, chorar. – Eu te amo, Siwon, não me deixa sozinho.

– Me perdoa.

A voz de Siwon saiu como sempre calma por mais preocupado que ele estivesse. Ele sentou-se no apoio de braço da poltrona e o abraçou pelos ombros, na tentativa de consola-lo. Aquela mesma discussão daquela noite se repetiu pelos meses seguintes, a cada novidade de sua ida para a Europa, era uma nova discussão. Siwon desejava evita-las, mas preparar-se à surdina para a viagem não era nem de longe a melhor opção.

Os seis meses seguintes passaram depressa e turbulentos. Kyuhyun tomou como projeto de sua vida evitar que Siwon fosse para a Europa. Ele não passava os recados do telefone, desligava o aparelho quando podia, dificultando o acesso ao seu namorado. Ele tratou mal os diretores quando Siwon os levou pra jantar e queimou a comida propositalmente. Finalmente, em um último ato desesperado, ele inutilizou os papeis de sua viagem, jogando vinho sobre estes, o que causou a maior discussão que eles tiveram em todos os anos.

As discussões entre eles, que antes não passavam de conversas exaltadas tomaram proporções maiores a ponto do menor gritar e se trancar por horas no banheiro, chorando alto e desesperadamente. A pior delas, certamente fora na noite do vinho, na qual eles chegaram a jogar coisas um contra o outro e se acusar mutuamente dos mais terríveis absurdos. Ao final dos seis meses, o psicológico de Kyuhyun estava mais desgastado do que nunca.

A maior crise do rapaz fora quando Siwon começou a empacotar as poucas coisas que levaria consigo, seus objetos estritamente pessoais e os livros mais importantes. Naquela noite o rapaz chorou como nunca e pediu várias vezes perdão pelos seus erros durante seu relacionamento, para por fim, implorar para que Siwon não fosse ou que o levasse consigo. Naquela noite ele chorou até tarde, até que o mais velho desistisse de fazer suas malas e o levasse consigo à sua cama, o tomasse nos braços e acariciasse seus cabelos até que ele dormisse. Siwon não lhe fez falsas promessas, apenas pediu perdão, várias vezes.

Ele continuou fazendo as malas, aos poucos, para que Kyu fosse absorvendo sua partida e aos poucos fosse entendendo seus motivos de fazê-lo, compreensão esta que ele jamais teria. Mesmo anos depois, quando Kyu conhecia Changmin, ele não entendia ter sido trocado por uma oportunidade no exterior, pois em sua mente, aquele relacionamento era mais importante e estava acima de toda e qualquer circunstância.

Na noite anterior à viagem, Kyu não mais chorava, o que tornava a situação ainda pior. Ele estava sendo frio em relação a tudo á sua volta, como se viver fosse apenas um ato mecânico e instintivo. As malas na sala quando ele chegou em casa, foram a beira do precipício do qual ele se jogaria na manhã seguinte rumo a escuridão sem fim e mais a frente, o nada. Ele estava deitado de lado quando Siwon deitou-se ao seu lado e o abraçou pela cintura.

Eles fizeram amor pela última vez, e Kyu pelos quarenta minutos que se seguiram, voltou a ser o garoto apaixonado que Siwon conhecia e tanto amava. Ao final, eles caíram cansados sobre a cama, mas antes de dormir, Kyu tinha uma última sentença que ele carregaria consigo pelo resto de seus dias e que acreditava que atormentaria Siwon por toda sua vida:

– Se você me deixar, eu não vou te perdoar, nunca.

Siwon não conseguira o que tanto almejava, o perdão de seu namorado, no entanto ele sabia que era tarde demais para continuar tentando. No dia seguinte um avião o levaria para longe dali e em sua mente ficaria somente a bela lembrança do colecionador de bonecas que ele amava desde que ele era apenas um garoto magro e inseguro.

Na manhã seguinte, Kyuhyun acordou antes do sol nascer e sua mente girava. Era como se ele tivesse bebido vinho demais e não tivesse forças ou coordenação motora para se mover. Siwon ainda dormia, agarrado a sua cintura e ainda completamente nu, tal qual o mais novo. Ele se sentou na cama e assim que seu olhar se acostumou ele observou a silhueta de Siwon ainda tranquilamente adormecido. Kyu segurou sua mão e o acariciou calmamente, aquele era o dia que ele perderia seu amado.

Parecia surreal, uma brincadeira de mau gosto ou o pior de seus pesadelos, mas aquele que ele tanto amava realmente estava abandonando-o. Seu coração estava se contorcendo, como se alguém tivesse o envolto em arame farpado e estivesse estrangulando-o, em sua agonia lenta. O que seria dele sem Siwon? Que rumo sua vida tomaria? Ele estava com medo e machucado, como uma criança com medo dos trovões que trariam a tempestade.

O sol nasceu, enquanto Kyuhyun saboreava o fel do último amanhecer com o homem que amava. Siwon não tinha piedade de sua agonia, pois assim que seus olhares se encontraram ele sorriu, aquele sorriso que o menor tanto amava. Kyu não respondeu o selar em seus lábios, enquanto o mais velho seguia para o chuveiro para um rápido banho antes da viagem. Kyu vestiu seu pijama e seguiu para a sala, desolado, desnorteado, as malas recostadas em uma parede apenas o lembravam de seu trágico destino.

Kyu sentou-se na poltrona favorita de Siwon e encolheu os joelhos até conseguir recostar a testa neles e abraçar suas pernas. E daquela maneira ele permaneceu, os olhos fechados, mas os ouvidos atentos à movimentação pela sala. Siwon guardou seus últimos pertences, fechou as malas e então seguiu para a cozinha. Minutos depois ele voltou a sala, com uma xícara de café fumegante na mão direita e uma tigela do cereal favorito de Kyuhyun.

– Eu trouxe o seu cereal, Kyunie.

Kyuhyun apenas negou com a cabeça e ele não mais insistiu, apenas deixou a tigela sobre a mesinha de centro da sala e voltou aos seus afazeres, sua mente maquinava formas de consolar seu amado, mas não havia o que fazer. Não demorou muito e a campainha tocou e Kyu pôde ouvir as vozes de Donghae e Hyukjae adentrando em sua sala de estar. Eles abraçaram seu amigo e comentaram os últimos detalhes da viagem.

Donghae se aproximou de Kyuhyun e ajoelhou-se de frente para o rapaz, repousando suas mãos sobre a do rapaz. Ele ergueu o olhar, desolado, e fitou Donghae demoradamente, o implorando para que ele fizesse aquela dor passar, que impedisse Siwon de ir embora, que não o deixasse partir. No entanto, no fundo, ele sabia que Donghae não tinha aquela responsabilidade e nem poderio para tanto. A decisão era do próprio Siwon e restava a seus dois amigos respeitarem-no.

No entanto, Donghae achava Siwon frio demais por deixar Kyuhyun daquela forma, mas aquilo já fazia parte de sua personalidade. Sua cabeça voltou a descansar sobre seus joelhos e ele sentiu os dedos de Donghae acariciarem sua nuca o consolando em silêncio. Não demorou muito e a mão pesada de Siwon repousou no ombro de Kyuhyun chamando sua atenção. Ele tomou o lugar de Donghae e se ajoelhou de frente para o rapaz, repousando sua mão nos braços do mesmo.

– Kyu, está na hora de nós dois nos despedirmos.

– Não vai, pelo amor de Deus, não vai. – Disse Kyuhyun se permitindo chorar pela primeira vez naquela manhã. – Fica comigo.

– Eu preciso ir, você sabe disso meu amor. O que eu espero que você entenda, é que eu te amo, e essa decisão foi a mais difícil da minha vida. – Siwon passou a mão em seu rosto, enxugando suas lágrimas que ainda rolavam. – Eu sei que não vou mais estar aqui para te guiar, mas eu quero que você cresça e se torne um bom homem, um homem de valor, digno de respeito e bem sucedido. Quero que você estude muito, que se esforce, dê sempre o seu melhor. Não se prenda a mim, você ainda vai longe meu garoto.

– Fica comigo, Siwon. – Implorou Kyuhyun uma última vez.

– Mais uma vez, me perdoe Kyuhyun. – Siwon se levantou e selou os lábios do menor com o gosto salgado das lágrimas e depois depositou um beijo em sua testa.

– Não, eu não te perdoo. – Kyuhyun terminou sua frase agarrando o terno do outro e o puxando contra si. Seus dentes cerrados o impediam de gritar, por mais que seus soluços escapassem finos e desolados. Donghae e Hyuk sentiam uma dor em seu peito de ver o rapaz daquela forma, mas eles estavam de mãos atadas. – Fica aqui!

As mãos de Siwon foram delicadas quando afastaram as mãos de Kyuhyun de si. O menor levantou-se bruscamente e o abraçou pela cintura, escondendo o rosto contra seu ombro, ele negava com a cabeça enquanto chorava alto, um choro doído e magoado. Siwon o envolveu pelos ombros e cobriu os olhos quando estes se encheram de lágrimas, algumas poucas rolaram por seu rosto.

Estava tarde, e finalmente Donghae se posicionou atrás de Kyuhyun, calmamente o afastando de Siwon. Ele o envolveu pela cintura e deixou que a cabeça do mais novo apoiasse em seu ombro enquanto ele ainda chorava. Frases desconexas ficaram soltas no ar, mas foram dolorosamente absorvidas por Siwon como: “Não vai.”, “Eu te amo, Wonie.” e “Fica aqui comigo.”.

Donghae pediu para que os dois fossem de uma vez por todas para o aeroporto que ele ficaria para cuidar de Kyuhyun. E eles partiram, Kyu acompanhou com os olhos o rapaz silencioso e com o rosto úmido de lágrimas dar a volta na sala, pegar sua malas, deixar sua chave no apoio, olhar uma última vez para ele e dizer: “Eu amo você, vá crescer meu garoto.” Então finalmente ele saiu e bateu a porta.

Era o fim dos melhores quatro anos da vida de Kyuhyun até então, o fim de seu casamento e de tudo o que ele construíra até então. Kyu chorou horas a fio nos braços de Donghae até que este preparou-lhe um chá de camomila que fez com que seus soluços parassem. Momentos depois ele cedeu ao cansaço emocional e dormiu sobre o sofá, com a cabeça sobre as pernas de Donghae que acariciava seus cabelos.

A última coisa da qual ele se lembrava antes de pegar no sono aquele dia, fora o pequeno diálogo entre Hyukjae e Donghae assim que o rapaz voltou do aeroporto. Como ele mantinha os olhos fechados, ambos acreditavam que ele já estava dormindo e por isso não se dirigiram a ele enquanto comentavam:

– Ele já foi? – Indagou Donghae.

– Já sim. – Confirmou Hyuk. – O que nós faremos com o Kyunie? Não podemos deixar ele aqui sozinho.

– Eu não sei o que exatamente nós faremos, mas nós vamos cuidar dele, Hyuk-ah. Ele vai ficar bem.

 

Fim do flashback.

– Depois disso eu dormi no colo do Hae e a partir daí você já conhece. Eu saí do apartamento, aluguei, fui morar com os dois e finalmente terminei aqui no meu cantinho. – Comentou Kyuhyun suspirando pesadamente ao final da história. – Foi assim que acabou, ele preferiu a carreira dele a mim. Na época eu era jovem, sofri muito com esse término.

– Você nunca perdoou ele?

– Não. Me lembrar disso sempre me machucou, sempre doeu em mim, e eu tenho impregnado em mim esse rancor pelo Siwon por ter me abandonado para ir atrás dos sonhos dele sem se importar com o fato de que os meus sonhos dependiam exclusivamente dele.

– Você devia perdoa-lo, Kyu, eu sei que ele te causou mal, mas por outro lado, você não estaria onde está hoje se tivesse ficado preso a ele. – Afirmou Changmin.

– Talvez esse fosse o meu destino, mas na época eu não pensei com estes olhos, para mim nunca houve positividade no que ele me fez. Eu não poderia saber na época que alguém como você me deixaria menos amargurado com a vida.

– Me diga uma coisa, o seu sonho mudou ou você ainda quer constituir família?

– Eu tenho tanto medo de me machucar que prefiro manter esse sonho escondido, mas sim, eu quero ter uma família com você. Eu não quero te assustar, ainda é cedo para pensarmos em algo assim, mas eu acho que eu seria plenamente feliz se um dia eu pudesse afirmar que você é meu marido.

– Não me assusta, eu também já pensei nisso. Nós dois, morando juntos em uma casa, trabalhando em algo bem sucedido como o Hae e o Hyuk. Você poderia cuidar da decoração, eu cuidaria do jardim e lavaria o carro aos domingos. E nós teríamos um quintal grande, para termos um cachorro.

– Eu quero um cachorro grande e dócil como São Bernardo, Golden Retriever ou talvez um Labrador, o que você acha?

– Acho perfeito, mas isso ainda parece tão distante. – Disse Changmin.

– O Siwon me disse que antes de acontecerem, os sonhos precisam ser sonhados e é isso que estamos fazendo, sonhando acordados.

– Já que estamos sonhando, eu posso ir mais longe. – Disse Changmin, sorrindo discreto. – Você quer ter filhos? Não pense nas dificuldades de adoção ou no fato de vivermos em um país onde é necessário travar uma batalha para que casais como nós possam ter filhos. Pense apenas em criar uma criança.

– Deixando de lado todas as dificuldades, eu adoraria ter filhos no futuro depois que eu estivesse bem estruturado e pudesse criar uma criança. Acha que nós seríamos bons pais?

– Não sei, mas eu iria me esforçar ao máximo. – Changmin fitou o nada com ar sonhador. – Você prefere menino ou menina?

– Uma menina. – Afirmou Kyuhyun ainda acariciando os cabelos de seu amado. – Uma menininha de cabelos longos para que eu pudesse fazer tranças e deixar ela linda. Eu poderia dar as minhas bonecas para ela brincar e enfeitar o quarto dela com bichinhos e laços de renda. E se ela crescesse e quisesse se casar com outra menina, eu seria o primeiro a apoiar, a dizer para ela que o amor não escolhe gênero, a guia-la pelo caminho mais certo, longe do preconceito.

– Você seria um bom pai, Kyunie. – Afirmou Changmin sentando-se e o abraçando pelos ombros. – Eu espero que no futuro eu também possa te chamar de “meu marido” e que eu possa acompanhar todos os seus sucessos e que eu possa chamar você de “O pai dos meus filhos”.

– Eu te amo, Changmin. – Afirmou Kyuhyun se encaixando em seus braços. – Eu não sei o que esperar do futuro, mas sei o que eu desejo, é poder ficar assim com você, pelo resto dos meus dias.

– Eu também te amo, meu príncipe.

Changmin estava mais do que satisfeito com o desfecho de sua romântica tarde com seu namorado e cogitar a hipótese de um futuro ao lado de seu amado era algo renovador. Ele finalmente percebera que Kyu poderia sim ser o homem de sua vida, aquele com quem ele passaria o resto de seus dias e com quem ele iria constituir família. Ele desejava envelhecer ao lado daquele rapaz que o fazia tão bem.

Há algum tempo atrás, certamente Kyu teria medo daquelas deliciosas sensações que sonhar acordado trazia para seu peito. Aquele formigamento em sua barriga e a excitação com a possibilidade de ser extremamente feliz ao lado daquele rapaz era algo que ainda o deixava inseguro. No entanto, ele sempre fora sonhador e aqueles sonhos eram a essência de sua vida, um sonho normalmente almejado por jovens moças, também eram o desejo de Kyuhyun.

Claro que ele não tinha pretensões de adentrar em uma igreja e receber uma benção religiosa, nem mesmo ir a um cartório e assinar uma certidão de casamento, afinal seu sonhos ainda estavam na ilegalidade em seu país. No entanto, passar o resto da vida com seu amado Changmin era algo belíssimo de ser almejado e ele certamente lutaria para que aquilo tivesse futuro.

Pela primeira vez, Changmin sentiu-se grato por uma das ações de Siwon, por ter permitido que Kyu experimentasse a vida sem ele e tivesse guiado o rapaz pelo caminho que o levaria até aquela sala de aula, até aquele bar, o que findaria no relacionamento deles. Finalmente ele concluiu que certamente se algum dia em sua vida se ele o conhecesse, o agradeceria por ter partido naquele fatídico dia.

Ao contrário do que ele planejara, Kyu sentia-se mais leve após contar aquela história para Changmin. Agora, sua vida era um livro aberto para o rapaz, ele não mantinha segredos de seu namorado, pois já vira vários relacionamentos ruírem em função disso. No final das contas, Changmin amava o fato de conhecer cada canto da profunda alma de seu namorado e se orgulhava de ser o escolhido por ele para cuidar de algo tão precioso quanto seu coração.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s