Capítulo 36 – Let’s do it your way

 

Era um ensolarado sábado de final de fevereiro. As cortinas claras do quarto de Junsu balançavam com o vento da fresta deixada na janela e o sol matutino já iluminava seu corpo coberto com um cobertor leve. Ele despertou assim que sentiu os lábios quentes de seu companheiro recostarem em seu pescoço, deixando ali um beijo estalado. Ainda assim, a preguiça tomou conta de si e ele sequer se moveu da cama, tentando adormecer novamente. A cama balançou enquanto Micky o deixava ali cochilando e tomava seu rápido banho.

Ambos adormeceram nus na noite anterior, devido às divertidas horas que passaram juntos madrugada adentro. Junsu parou de brigar com seu consciente e finalmente abriu os olhos, percebendo o chuveiro ainda ligado e o vapor adentrando em seu quarto pela porta aberta. Micky cantarolava uma música que o rapaz desconhecia, mas o fato de seu namorado ter amanhecido bem-humorado o deixou renovado para espantar a preguiça e finalmente se levantar. Antes de seguir para o banheiro, Junsu abriu uma fresta da cortina e fitou o belo dia que fazia do lado de fora.

Micky desligou o chuveiro e enrolou uma toalha em sua cintura, vendo seu namorado juntar-se a si no banheiro. Ele selou os lábios do rapaz e o agarrou pela cintura, sem se importar quando sua toalha foi ao chão. Junsu apoiou suas mãos no pescoço do outro e roubou alguns selares de seus lábios para si, sem pressa alguma, deixando os barulhos estalados se espalharem pelo banheiro. Micky distribuiu beijos por todo o rosto do rapaz que riu-se discretamente antes de desejar-lhe:

– Bom dia, Micky.

– Bom dia. – Disse Yoochun o apertando pela cintura. – Eu tenho um relatório pra terminar, senão passaria o resto da manhã aqui com você.

– Tudo bem, eu vou tomar um banho e depois preparar um café bem gostoso para nós dois. – Disse Junsu roubando um último selar do rapaz. – Vá fazer o seu trabalho, se você terminar logo podemos dar uma volta em um parque.

– Acho uma ótima ideia. – Afirmou Yoochun estapeando uma das nádegas do rapaz antes de se afastar.

Junsu riu-se do rapaz e jogou sua toalha contra o outro antes de correr para dentro do box, a fim de evitar que o rapaz revidasse seu ataque. Yoochun prometeu que aquilo teria volta e depois de deixar Junsu rir-se de seus comentários, ele se afastou e vestiu roupas confortáveis para que pudesse trabalhar. Junsu por sua vez não se demorou em seu banho e ainda se barbeou, e escolheu uma roupa íntima e uma camiseta para ficar em casa, aproveitando o clima quente do dia.

Quando Junsu passou pela sala, encontrou seu companheiro displicentemente sentado no sofá com seu notebook no colo e um olhar concentrado em sua tela. Faziam alguns meses que Micky deixara o apartamento de seus tios para passar um tempo com Junsu e o único tipo de discussão que eles tinham até o momento era sobre quando o rapaz procuraria um lugar para si, uma vez que Yoochun queria um apartamento próprio e Junsu queria que ele ficasse consigo. A casa fora bem dividida, e Micky possuía um bom espaço e apesar de dividir as despesas, ele ainda se considerava um hóspede de Junsu.

Junsu retirou da geladeira metade do bolo que eles haviam comprado na noite anterior, deixou algumas frutas sobre a mesa e ligou a cafeteira. Ele torrou alguns pães e deixou geleia sobre a mesa, fazendo um desjejum mais americanizado. Quando estava tudo devidamente pronto ele caminhou até a sala e se jogou no sofá ao lado de seu namorado que não desviou o olhar do computador. Junsu sorriu e começou a distribuir selares de seu pescoço até seu rosto até que o rapaz também sorrisse e desse-lhe sua atenção.

– Vem tomar café, Chunnie, depois você termina.

– Deixa só eu concluir esse raciocínio, e eu já vou. – Afirmou Micky deixando um beijo nos lábios do outro.

Junsu deitou o rosto no ombro do rapaz que escreveu mais dois parágrafos e finalmente deixou o notebook sobre o assento do sofá que estava livre, para poder fazer seu desjejum com o rapaz. Yoochun se levantou e puxou o outro pela mão, caminhando lentamente em direção a cozinha enquanto ouvia do rapaz a lista de alimentos que eles tinham para aquela manhã. Micky sentou-se próximo de seu amado e serviu-se de uma xícara de seu café, fitando outro besuntar uma torrada com geleia de morango.

Eles comeram sem pressa, divertindo-se enquanto saboreavam as frutas frescas que Junsu dispusera sobre a mesa. Micky vez ou outra cortava um pedaço do que comia e o repassava ao rapaz para que ele experimentasse, fazendo comentários sobre o sabor do alimento. Depois de uma xícara de café, o rapaz sentiu-se mais disposto para realizar seu trabalho, apesar de ainda desejar passar o resto da manhã com Junsu. Eles deixaram a louça na pia e Yoochun já se dirigia para a sala quando Junsu o puxou pela mão e em um impulso, sentou-se com as pernas afastadas sobre bancada.

Micky achava covardia seu companheiro puxa-lo para que se aproximasse enquanto ele estava em uma posição tão deliciosamente vulnerável. Ele se encaixou entre suas pernas e apertou suas coxas, deixando o outro baixar o rosto e colar os lábios aos seus, dando início a um beijo calmo, com o qual eles aproveitavam para sentir a textura dos lábios um do outro, sem que suas línguas se encontrassem. As mãos de Yoochun passeavam pelas coxas macias e bem torneadas do rapaz, sabendo quando causava-lhe arrepios, pois ouvia os suspiros pesados do mesmo.

Yoochun estava pronto para jogar aquele relatório para o espaço e tirar a roupa do outro rapaz ali na cozinha mesmo quando a campainha tocou os fazendo se separar com um barulho estalado nos lábios. Eles se entreolharam confusos e Junsu pediu espaço para que pudesse saltar da bancada. A campainha soou mais uma vez e Micky gritou um “Já vai!” antes de agarrar seu namorado pela cintura e distribuir beijos por seu pescoço o fitando tentar se safar, entre risos:

– Chunnie, tem visita, você tem que ir atender!

– Por que eu? – Indagou Yoochun dando alguns passos com o rapaz grudado em si.

– Porque eu estou de cueca!

– E daí? Fica de cueca, e eu expulso seja lá quem for!

– Vai atender a porta! – Implorou Junsu, finalmente cedendo e selando os lábios do rapaz demoradamente, até ouvir a campainha uma terceira vez.

– Aish! – Reclamou Micky deixando o rapaz se desvencilhar de si e correr para o quarto. – Já vai!

Yoochun resmungou e seguiu para a porta, enquanto seu namorado vestia algo mais apropriado. Micky se surpreendeu quando encontrou Kyuhyun do lado de fora, ao mesmo tempo que este também ficou surpreso ao vê-lo ali, já que esperava ser atendido por Junsu. Eles se fitaram por alguns instantes constrangidos, mas logo Micky deu espaço para o rapaz que parecia um tanto apressado. Eles seguiram silenciosos para a sala de estar, onde Yoochun deixou o visitante se acomodar no sofá.

Junsu não demorou a juntar-se a eles na sala, e sorriu assim que visualizou Kyuhyun. Micky sentou-se novamente no sofá com seu computador no colo e tratou de dar atenção ao seu relatório, uma vez que agarrar Junsu estava novamente fora de cogitação. Kyuhyun levantou-se de imediato e fez uma breve reverência ao rapaz que indicou para que ele se sentasse novamente. Kyu então sorriu e polidamente disse:

– Desculpe, hyung, eu não posso ficar muito. Na verdade, eu só vim pegar um livro seu emprestado.

– Um livro? Você nunca vem me visitar e quando aparece, está com pressa? – Ralhou Junsu se aproximando da estante de livros.  – Do que você precisa?

– Daquele seu livro com os dados de juros imobiliários que você ganhou antes de ir embora para o Japão. Você ainda tem ele?

– Tenho sim, é para a sua monografia? – Indagou Junsu erguendo-se na ponta dos pés e puxando um livro do alto da estante.

– É para um artigo, na verdade. Eu estou juntando bibliografia para ver no que dá.

– Um artigo? Que interessante, Kyu-ah! – Afirmou Micky ainda fitando seu próprio computador. – Vai publicar?

– Se tudo der certo, eu vou publicar sim, hyung. – Afirmou Kyuhyun pegando o pesado livro que o rapaz estendeu a si. – Vocês moram juntos agora?

– Mais ou menos. – Disse Yoochun.

– Nós moramos sim, o Chunnie é que fica de besteira. – Ralhou Junsu, mostrando a língua ao rapaz que riu-se. – E como está o Changminie? Se dando bem com o Siwon?

– Claro que não né? – Riu-se Yoochun. – É a mesma coisa que me pedissem para eu me dar bem com o Jaejoong, não tem como dar certo.

– Ele não está mesmo muito feliz em ser aluno do professor Siwon. – Afirmou Kyuhyun sorrindo sem jeito.

– Você só não se dá bem com o Jae porque você é um chato, o Jae é um cara…

– Quer mesmo começar a falar do Jaejoong? – Indagou Yoochun. – Nunca dá certo quando nós falamos dele.

– Isso porque além de chato você é ciumento. – Ralhou Junsu. – Desculpe, Kyunie, não ligue para o chato do meu namorado.

– Tudo bem, hyung. – Disse Kyuhyun entre risos. – Agora eu preciso mesmo ir.

– Nós vamos te bater se você não voltar aqui com tempo para tomar um café com a gente. – Afirmou Junsu.

– E traga o Changmin! – Disse Micky.

– Eu prometo que venho com mais tempo e obrigado pelo livro, hyung.

Junsu riu-se da pressa do mais novo, lembrando-se brevemente de seus tempos de faculdade. Tempos que pareciam mais simples, mas não tão felizes quanto o que ele vivia naquele momento com Yoochun. Ele observou seu concentrado companheiro por alguns instantes antes de seguir para a cozinha e arrumar a bagunça de seu desjejum. Com as obrigações devidamente terminadas o casal pôde finalmente se divertir em seu caloroso sábado.

Kyuhyun não se demorou a se despedir de seus dois amigos e sair apartamento afora, deixando o casal apaixonado para trás. Ele ajeitou sua mochila sobre os ombros e seguiu para enfrentar mais uma vez o metrô que o levaria até a faculdade. Kyu se sentia mal de não poder passar mais tempo com seus amigos, no entanto, quanto mais ele se demorasse ali, mais tarde chegaria à faculdade e mais tarde em casa, onde seu namorado preparava um delicioso almoço para eles.

No metrô, que estava relativamente vazio para uma manhã de sábado, Kyu folheou as páginas do livro que seu hyung o emprestara, tentando se concentrar em seu conteúdo. Vez ou outra ele pensava em como seu namorado deveria estar chateado consigo, apesar de não demonstrar, no entanto, por mais agoniado que estivesse ele apenas poderia esperar chegar em casa e tentar arrancar aquilo de seu querido Changmin. As estações do metrô passaram rapidamente e logo ele desembarcou na mais próxima de sua faculdade.

Pouco mais de cinco minutos depois ele adentrou o campus, vazio por se tratar de um final de semana. As cafeterias espalhadas pela faculdade estavam fechadas e apenas alguns poucos funcionários e alunos circulavam por ali. Kyuhyun adentrou seu bloco e seguiu por um longo corredor escuro e vazio. Seus passos ecoaram pelo silencioso local até que ele se aproximou da última sala com a porta entreaberta, de onde podia ouvir algumas vozes.

Alguns dos alunos daquela sala eram seus conhecidos, que ficaram para trás ao longo dos anos de curso e que fitavam fixamente o quadro. Kyuhyun afastou a porta e bateu na madeira com o nó dos dedos, chamando a atenção do professor que escrevia uma longa equação no quadro. Os alunos estavam sentados em círculo em volta da mesa de Siwon que por sua vez sorriu assim que viu Kyuhyun adentrar a sala e se acomodar em uma cadeira separada do grande grupo.

Alguns alunos o cumprimentaram, dos quais, Kyu apenas se lembrou do nome de Jonghyun. O rapaz que jogara uma mulher em cima de seu namorado e mais tarde se desculpara por sua atitude preconceituosa. Assim que terminou de repassar sua lista de exercícios, Siwon puxou uma cadeira e chamou Kyuhyun com um sinal e assim o rapaz se levantou e se sentou ao lado do professor que sorriu para si uma segunda vez naquela manhã:

– Eu sabia que você viria. – Concluiu Siwon. – Do que você precisa, Kyu?

– Eu decidi escrever o artigo. Quer dizer, eu vou começar agora e depois vou dar continuidade durante as férias de julho para dar tempo. – Afirmou Kyuhyun. – Eu trouxe alguns livros e queria ver o que você acha.

– Deixe-me ver. – Afirmou Siwon puxando para si os livros que o rapaz trouxera e analisando os capítulos que ele havia marcado como leitura, assim como suas observações em um grande e organizado papel. – Eu não quero ser indiscreto, mas o seu namorado sabe que você veio me procurar?

– Sabe. – Afirmou Kyuhyun incomodado. – Eu vou conversar com ele melhor quando voltar, por isso não posso demorar aqui. Eu só queria saber como começar.

– Bem, você já começou, meu garoto. É exatamente assim, separando a literatura, e é claro, lendo o que você separou. Talvez você não devesse começar a ler imediatamente, já que eu imagino que esteja ocupado com a sua monografia.

– O Changminie talvez tenha razão, é muita coisa para pouco tempo. – Cogitou Kyuhyun.

– Não necessariamente. A monografia você tem um prazo menor para entregar enquanto o artigo pode demorar o quanto você quiser. É o seu primeiro, Kyunie, não se cobre demais.

– É que… você é o meu orientador.

– Sim, eu sou.

– E se você for embora eu não vou terminar o artigo. – Afirmou Kyuhyun desviando o olhar para a janela iluminada da sala, a fim de não fitar o sorriso que se formou nos lábios do Siwon. Ele sabia que Siwon iria sorrir.

– Eu não vou embora tão cedo, Kyunie, não fique preocupado com isso.

– Quer mesmo que eu acredite nisso? – Resmungou Kyuhyun, fitando Siwon se levantar e seguir para a carteira de um de seus estudantes para tirar-lhe uma dúvida. O professor somente voltou a se manifestar quando se sentou ao lado do rapaz novamente.

– Não quero que se preocupe mais uma vez com uma possível partida minha. Você sabe, se acontecer, você ficará sabendo com antecedência, e nós encontraremos uma maneira de você terminar o seu artigo.

– Então pra começar, é só isso? Não é melhor eu escrever uma introdução?

– Se quiser pode começar a escrever a introdução, mas não perca tempo aprofundando porque ela vai mudar a medida que o seu artigo for ganhando forma. – Assim que Siwon terminou sua frase, os alunos começaram um a um a se levantar e deixar as folhas com as equações resolvidas sobre a mesa, para que o professor avaliasse e tirasse mais tarde suas dúvidas.

– Você só faz isso nos finais de semana aqui? – Indagou Kyuhyun fitando os alunos deixarem a sala.

– Não necessariamente. Eu passei diferentes equações para ver quais eles tem mais dificuldade, e se alguém quiser saber algo em especial pode me perguntar pessoalmente. No entanto, para alunos de universidade perderem o seu sábado em um reforço, é porque eles devem saber quase nada de matemática.

– Alguns estudavam comigo. – Afirmou Kyuhyun. – Acho que o Changminie estaria aqui se não tivesse começado a namorar comigo.

– É o que acontece quando o aluno regular se une ao bom aluno. Normalmente ele acaba tirando notas por associação e não merecimento.

– Você desconhece o potencial do Changmin. – Criticou Kyuhyun.

– E talvez eu nunca conheça. Eu vou orientar a monografia de vocês e seja lá qual for o potencial dele, ficará encoberto pelo seu.

– Você vai ver que não. Nós fizemos uma boa separação de temas e ele vai tomar metade da monografia. Eu não deixaria nada injusto acontecer ao nosso trabalho.

– E mesmo que você fosse deixar, eu seria a última pessoa a saber, afinal, sou seu orientador.

– Não seja desconfiado, Siwon!

– Eu dou aula há anos, Kyu, estou sendo realista. – Concluiu Siwon.

– Está muito longe da realidade, isso sim. – Afirmou Kyuhyun. – Acho que era só isso o que eu precisava, assim que eu tiver alguma dúvida ou escrever algo, eu te aviso.

– Eu tenho uma coisa pra você. – Disse Siwon se levantando caminhando pela sala. Do armário do canto da sala, ele retirou um grande embrulho e voltou à mesa. – Achei que você viesse semana passada, mas como você não veio eu trouxe essa semana de novo.

– O que é isso? – Indagou Kyuhyun se levantando após guardar seus pertences e abraçar o livro de Junsu, como sempre, com ar defensivo.

– Um presente. – Disse Siwon simplista. – Eu não dei antes porque você estava irritado e eu não queria… eu queria que você aceitasse o presente.

Kyuhyun o fitou desconfiado, antes de pegar a grande caixa embrulhada com um papel laminado de cor azul. Ele a deixou sobre a mesa e calmamente desembrulhou o presente, revelando uma belíssima boneca, de uma marca da qual Kyu não conseguiria pronunciar o nome.  Era uma boneca mais sofisticada do que as que ele ganhara no passado, os cabelos encaracolados eram de um castanho natural e não possuíam aquele brilho específico de cabelos falsos. Um chapéu com um laço de cetim rosa adornava sua cabeça e cobria parte de seu rosto. Os olhos grandes e esverdeados pareciam reais, com cílios finos e um contorno em preto, o nariz delicado e a boca pequena, de lábios finos e em vermelho escuro.

Ao contrário de todas as bonecas que ele ganhara, esta não possuía feições infantis e era muito mais digna de um objeto de decoração do que de um brinquedo. O vestido de época, relembrava séculos atrás, quando as mulheres usavam espartilhos e vestidos longos e belos. Um pequeno casaco de pele adornava os ombros delicados e extremamente brancos à mostra e as mãozinhas delicadas, faziam um sinal sutil, como se o objeto posasse para uma fotografia. Era expressivo, belo e deixou Kyuhyun boquiaberto fitando a caixa em suas mãos.

– É bonita, não é?

– S-sim.

– Eu comprei em Verona na Itália, há dois anos atrás, é uma versão da Julieta de Shakespeare. – Afirmou Siwon, delicadamente envolvendo o rapaz pela cintura. – Assim que eu olhei pra ela, me lembrei de você.

– Não precisava ter trazido de tão longe pra mim. – Disse Kyuhyun com sinceridade, ainda sem fitar o mais velho. – Ela é linda, deve ter sido cara. Eu não coleciono mais.

– Eu sei que não. Mas eu sou um bobo que vive no passado. – Riu-se Siwon. – É sua, pode fazer o que quiser com ela agora. Eu só peço que se for se livrar dela, faça adequadamente.

– Por que eu me livraria dela? – Indagou Kyuhyun abraçando a caixa discretamente.

– Porque fui eu quem te dei, porque o seu namorado tem ciúmes, porque você não quer mais colecionar, pelo motivo que te apetecer.

– Não vou me livrar dela, o meu Changminie é muito compreensivo.

– O ciúme leva uma pessoa a fazer coisas inimagináveis. – Afirmou Siwon apertando a cintura do rapaz antes de soltá-lo.

– Você está implicando com o Changminie desde que soube que ele estava namorando comigo. – Concluiu Kyu. – Você não devia fazer isso, ele é um bom rapaz, tem muitas qualidades.

– E muitos defeitos. – Completou Siwon. – Você tem muitas qualidades, Kyunie, não culpo ele por ter se apaixonado desta maneira.

– E me culpa por alguma coisa? Seja lá o que for, eu te culpo muito mais. – Defendeu Kyuhyun.

– Eu sei. – Disse Siwon parando de frente para o rapaz e acariciando seus cabelos. – Eu também me culpo.

– Obrigado pela boneca, professor, eu preciso ir pra casa. – Disse Kyuhyun se desvencilhando da carícia do mais velho, assim como de seu olhar.

– Aqui, leve a sacola. – Disse Siwon pegando a caixa dos braços do rapaz e a guardando. – Você vai voltar como? O Hyuk vem me buscar, você quer uma carona?

– Não, eu vou de metrô mesmo, a casa do Changminie não é longe daqui.

– Tem certeza?

– Absoluta. – Concluiu Kyuhyun reverenciando o professor quando este entregou-lhe a sacola. – Obrigado pelo presente.

– Não precisa agradecer, meu garoto, já fico satisfeito em saber que vai manter ela.

Kyuhyun sorriu, discreto mas sincero, finalmente se permitindo trocar alguns olhares com o mais velho. Eles se reverenciaram e Kyuhyun finalmente deu-lhe as costas e saiu a passos largos da sala de aula. Enquanto um confuso Kyuhyun deixava sua casa, Changmin mexia em uma grande panela de molho vermelho com carne, sem pressa alguma. Jaejoong e Yunho estavam na cozinha juntamente com ele, o mais velho recostado à bancada e Jaejoong em seus braços.

O casal andava preocupado com Changmin, ele nunca fora uma pessoa calada ou com dificuldades de dizer o que se passa em sua mente. No entanto, o ciúme estava tomando conta dele sem que ele soubesse o que fazer. Claro que desabafar com Kyuhyun fora algo consolador, no entanto, isso não mudava o fato de que eles continuariam a conviver com Siwon, a vê-lo todos os dias e a atura-lo como seu orientador. Finalmente, Kyu decidira insistir no artigo o que minara qualquer sinal de bom-humor de Changmin.

Por um lado ele sabia que seria extremamente injusto tentar manter Kyu preso a si, tentar impedi-lo de fazer algo que gostava e com o qual sonhava. Kyuhyun sempre levara sua vida acadêmica muito mais a sério do que Changmin e ele sabia que ter um artigo científico publicado, certamente seria uma grande realização. O grande problema era que fazer aquele artigo significava passar muito mais tempo do que o necessário ao lado de Siwon.

Changmin tentara provar para si o quanto confiava em Kyuhyun e o deixou seguir seu curso para a faculdade, no entanto sua cabeça doía somente em imaginar aqueles dois sozinhos em uma sala. Ele desligou a panela e finalmente misturou o molho ao macarrão recém-preparado, afinal ele não estava em seu momento mais criativo. Ele contara aos seus amigos onde seu namorado se encontrava aquela manhã e finalmente os dois tentaram conversar com Changmin sobre o assunto:

– Changminie, que horas o Kyu volta? – Indagou Jaejoong.

– Ele disse que estaria aqui para o almoço. – Afirmou Changmin misturando o macarrão e depois jogando queijo ralado sobre a travessa que iria ao forno. – Por que?

– Você parece ansioso. – Afirmou Jaejoong um tanto inseguro.

– Eu só queria que ele chegasse logo. – Concluiu Changmin. – De preferência sem nenhuma novidade do professor Siwon.

– Changmin, é só um trabalho, uma relação de professor e aluno, nada demais. – Afirmou Yunho.

– Não, hyung, é o meu namorado reencontrando o cara que ele amou mais do que a própria vida, sozinho, em uma sala de aula que foi onde eles se viram pela primeira vez.

– Amou é um verbo no passado. – Afirmou Yunho. – Você poderia ter ido com ele.

– E aturar o Siwon comendo o meu namorado com os olhos aos sábados também? Não, muito obrigado. Se eu tenho que me acostumar com essa droga, que seja da maneira mais fácil.

– E você tem certeza que essa é a maneira mais fácil? – Indagou Yunho.

– Não, mas também nunca passei por nada parecido. – Confessou Changmin. – O que você faria no meu lugar?

– Eu? Não sei, Changmin, acho que eu tentaria não ver o Siwon como uma ameaça. Porque ele só é uma ameaça se o Kyuhyun permitir e eu não acho que isso vá acontecer.

– Ele se aproximou tão rápido do meu príncipe. – Concluiu Changmin. – Parece que eu fui bobo e deixei isso acontecer.

– E o que você poderia ter feito pra impedir? – Indagou Jaejoong. – Intimado o Siwon? Gritado com o Kyu? Nenhuma dessas soluções é efetiva, Changminie.

– Essa sensação de impotência é o pior. – Afirmou Changmin. – Mas se eu reclamar disso o tempo todo com o Kyunie ele vai enjoar de mim.

– Esconder isso dele também não é uma boa opção. – Afirmou Yunho. – Confie nele, Changmin, faça dele seu confidente e conte o que se passa em sua mente.

– E se ele enjoar de mim?

– Ele ainda vai berrar muito com você antes de enjoar. – Riu-se Yunho. – Ele gosta de você, nada muda isso.

– Eu ainda estou tentando me convencer disso.

A voz de Changmin saiu pesada, cansada, assim como o suspiro que deixou seus lábios antes dele voltar a se aproximar do fogão e retirar do forno seu delicioso macarrão. Ele pôs a mesa e antes que pudesse reclamar do atraso de Kyuhyun ele ouviu a chave girar no trinco da porta e seu namorado adentrar o apartamento. Kyu procurou seu namorado que seguiu para a sala, enquanto Yunho e Jaejoong sentavam-se à mesa e serviam-se do macarrão.

Kyuhyun roubou um beijo de seu namorado assim que o encontrou na sala, vendo seu olhar recair sobre o pacote que ele trazia da rua. Changmin alisou os cabelos de seu namorado e retribuiu seu selar o deixando se livrar de sua mochila pesada e do livro que havia emprestado de Junsu naquela manhã. Changmin estava curioso e Kyu bem sabia que logo seria indagado sobre seu presente. Changmin sentou-se na beirada do sofá e apontou para o que o rapaz não soltara juntamente com seus pertences:

– O que você trouxe aí, príncipe?

– É um presente. – Afirmou Kyuhyun sem saber como começar aquilo. – O Siwon me deu um presente.

– Qual seria a ocasião? – Indagou Changmin com ar irritadiço.

– Não há nenhuma ocasião, Changminie. – Afirmou Kyuhyun sentando-se ao seu lado. – Há dois anos atrás ele foi à Verona, viu uma boneca e se lembrou de mim.

– Você me disse que não colecionava mais.

– Eu não coleciono. – Disse Kyuhyun retirando a caixa de dentro do pacote e a mostrando para Changmin. – Mas ela é linda, deve ter sido cara, eu não pude recusar.

– Ele ainda acha que você tem treze anos de idade. – Debochou Changmin.

– Eu gostei da boneca. – Confessou Kyuhyun.

– E você não ajuda em nada se comportando como um adolescente. – Criticou Changmin.

– Se eu tivesse mentido pra você e dito que comprei a boneca você não estaria me criticando.

– Qual o próximo passo dele? Te beijar na biblioteca? Te levar pra comer hambúrguer? Te levar para aquele apartamento e foder você o resto da noite?

– Changmin, foi só um presente! – Ralhou Kyuhyun. – Se cada vez que eu abrir a boca pra falar do Siwon você ficar assim…

– Então não fale. – Interrompeu Changmin. – E você deveria chamar ele de professor Siwon, a menos que…

– Se você me acusar de mais alguma coisa eu vou mandar você pra um lugar que você não vai gostar. – Disse Kyuhyun com ar irritadiço. – Eu sabia que não devia ter aceitado essa droga de boneca, eu sabia que você não ia gostar!

– O problema não é a boneca, mas quem te deu ela. Se você queria uma poderia ter me pedido.

– Eu não queria boneca nenhuma, eu não pedi nada pra ele e ele sabia que eu poderia perfeitamente não aceitar o presente ou jogar no lixo. É uma boneca bonita, Changmin, só isso.

– Quer mesmo que eu acredite que…

– Quero! Quero que acredite que é só uma boneca e que pare de me criticar! Você fala como seu eu tivesse te traído quando na verdade eu só aceitei um presente. Isso machuca, Changminie!

– Eu já disse que eu não gosto desse cara, não gosto do jeito como ele te trata. – Afirmou Changmin.

– Eu não estou te pedindo pra gostar dele, estou te pedindo pra não me julgar por gostar de um presente. Isso não me faz te amar menos, Changmin.

– Faça do seu jeito.

“É tudo sempre do seu jeito!” A voz de Changmin saiu ácida quando ele se levantou e deu as costas para seu namorado que o fitava irritado. Kyu permaneceu sentado no sofá olhando para o corredor por onde seu namorado adentrara, antes de bater a porta do quarto. Ele tinha vontade de gritar, no entanto, tratou de ser mais racional e decidiu voltar para seu apartamento. Antes que ele pudesse se levantar, Yunho apareceu à porta da cozinha e o chamou com um sinal.

Kyu negou, ele desejava sair dali e deixar seu namorado sozinho com seus pensamentos, no entanto, seu hyung insistiu. Kyu se aproximou da porta da cozinha, e Jaejoong o convidou para que se juntasse a eles em seu almoço ao que o rapaz negou veementemente, uma vez que seu apetite havia desaparecido. Jaejoong suspirou pesadamente e então tratou de argumentar com o rapaz:

– Kyu, eu conheço o Changmin há muito tempo. Ele está irritado, mas isso logo passa. Almoçe com a gente e depois leve um prato pra ele, e tente fazer as pazes.

– Do jeito que ele está é capaz de jogar o prato em mim. – Reclamou Kyuhyun sentando-se à mesa e deixando que Jaejoong servisse-lhe um prato.

– Ele não é assim, só está com ciúme. – Afirmou Jaejoong. – Eu também tinha vontade de jogar um prato no Yoochun-hyung, mas eu tinha os meus motivos.

– E o hyung também queria jogar coisas em você, Jae-ah. – Disse Kyuhyun rindo discreto e provando do macarrão. – Foi o Changminie que fez?

– Foi sim, e ele já estava mau-humorado de manhã, Kyu. – Contou-lhe Yunho.

– Está gostoso mesmo assim. – Afirmou Kyuhyun tratando de comer o macarrão.

Kyuhyun não quis dar continuidade à conversa e desta maneira ele aproveitou-se da deliciosa refeição que seu namorado havia preparado. Jaejoong e Yunho apenas esperaram que o rapaz se acalmasse antes de deixa-lo, avisando-lhe que se precisasse eles estariam no quarto. Kyu terminou sua refeição e depois de lavar os pratos ele preparou um para seu namorado. Depois de reaquecer a comida ele seguiu para o quarto de Changmin.

Quando o rapaz apareceu à sua porta, Changmin estava sentado em sua cama lendo um dos livros que usaria em sua monografia, sem dar qualquer atenção ao seu conteúdo. Kyu adentrou o quarto a passos largos e seu namorado ergueu o olhar para poder fita-lo até que o menor sentou-se na beirada da cama e ofereceu-lhe o prato. Changmin negou com a cabeça e o outro baixou o rosto entristecido, sem saber direito o que dizer-lhe, ou como fazer aquela frieza e irritação de Changmin desaparecer.

Changmin suspirou pesadamente antes de deixar o livro de lado e aceitar o prato que o rapaz oferecia a si. Ele começou a comer sem pressa, muito mais para agradar seu namorado do que se alimentar, uma vez que estava sem apetite. Kyu engatinhou sobre a cama e se sentou ao seu lado apoiando a cabeça em seu ombro, sabendo que o rapaz não o fitava. Ele finalmente escondeu o rosto contra sua camisa e com os olhos fechados cortou aquele silêncio pesado e constrangedor:

– Eu vou devolver a boneca. – Disse Kyuhyun.

– Não precisa. – Disse Changmin simplista antes de dar outra garfada em seu prato.

– Vai ficar frio comigo por quanto tempo?

Changmin deu de ombros em resposta, fazendo Kyuhyun erguer o rosto com ar sério.

– Não faz isso comigo, Changminie, por favor.

– Você sabe que eu não gosto dele e mesmo assim quer fazer esse bendito artigo, além disso ele me aparece com presentinhos pra você, o que espera que eu…

– Por que você não para de pensar nele e pensa em mim? Eu não quero passar esse ano brigando com você, Changminie, nós nunca brigamos assim.

– Ele não vai começar a te dar outras bonecas não é? E a frequentar a sua casa? Ou te levar pra sair?

– Claro que não. – Disse Kyuhyun segurando a mão de seu namorado com firmeza. – Ele comprou essa boneca há anos atrás e eu não acho que ele vá começar a comprar outras. Foi só um presente, Changminie.

– O próximo você não vai aceitar, não é? A menos que seja uma ocasião especial, como natal, você não vai aceitar.

– Não vou aceitar. – Reafirmou Kyuhyun selando o rosto de seu namorado demoradamente. – Eu prometo.

Changmin deixou seu prato ainda pela metade sobre o criado-mudo e puxou seu namorado pela cintura. Kyuhyun arrastou-se pela cama até acomodar as nádegas sobre as coxas do rapaz, deixando suas pernas jogadas de lado sobre o colchão. O menor sentia vontade de chorar, talvez gritar, se esconder, no entanto ele amava Changmin e sabia que se afastar do mesmo naquele momento significaria uma chance maior de perdê-lo.

Changmin se descobrira extremamente ciumento desde a volta de Siwon e a cada ação deste ele o detestava mais. No entanto, ter Kyuhyun em seus braços certamente acalmava seu coração e o fazia ter certeza de que aquele rapaz o pertencia por completo. Claro que em seu interior, Changmin tinha desejos de prender seu namorado em seu quarto e impedi-lo de ver Siwon até que este desaparecesse mundo afora. Desejo este que ele já não fazia tanta questão de esconder.

Kyuhyun deitou o rosto contra o peito de seu namorado e suspirou pesadamente. Ele acariciou a mão do mesmo com a ponta dos dedos, sem negar o quão chateado ficara com a discussão dos dois. Eles passaram longos minutos em silêncio, trocando carícias discretas que em suas mentes, serviriam como pedido de desculpas que jamais viria em sua forma verbal. Kyu começou a se sentir sonolento e por isso afastou o rosto do corpo de seu amado para poder fita-lo.

Changmin roubou um beijo de seus lábios que logo foi aprofundado pelo menor. Eles se deitaram sobre a cama com suas línguas se entrelaçando e brigando por algum espaço, deixando barulhos molhados e estalados escaparem de suas bocas. Nenhum dos dois se atreveu a ficar excitado, sequer tinham forças psicológicas para tanto, apenas precisavam se desculpar, precisavam provar que ainda desejavam ficar juntos, precisavam gritar seu amor aos quatro ventos. Changmin rolou por cima de Kyuhyun e cortou o beijo, se entregando aos olhos do rapaz.

Entretanto, era a primeira vez que Changmin via algo a mais no olhar de Kyuhyun que não fossem os sentimentos com os quais ele estava habituado. Havia algo dolorido nele, alguma mágoa enrustida, ou talvez um sentimento de culpa. Algo que fazia Kyuhyun vacilar e deixar a insegurança agarra-lo com suas garras afiadas, o deixando vulnerável e carente, como Changmin o conhecera. Da última coisa que ele precisava era que Kyu voltasse a usar uma máscara de ferro e fingisse ser alguém que ele não era.

– As coisas não podem ser sempre assim, Changminie. – Manifestou-se Kyuhyun tirando Changmin de seus devaneios.

– Assim como?

– Uma briga cada vez que o nome do Siwon for pronunciado. As coisas que você disse, não são verdades. – Disse Kyuhyun sentindo seus olhos arderem e seu rosto esquentar e corar, além do típico nó na garganta. – Eu não vou dormir com ele, não vou voltar com ele.

– Não chora.

– Aquilo doeu, Changminie.

– Não chora. – Repetiu Changmin apertando o rapaz em seus braços com firmeza suficiente para que o outro se sentisse seguro. – Eu fiquei com raiva, falei besteira, eu sei.

– É só uma boneca, não era pra ser grande coisa. Eu não achei que fosse te deixar tão irritado. – Confessou Kyuhyun fechando os olhos que já estavam pesados com suas lágrimas, ele puxou o ar com força, disfarçando um soluço.

– Já passou. – Disse Changmin apertando o rapaz em seus braços.

– Eu posso devolver ela e tudo volta ao normal.

– Não precisa. – Disse Changmin erguendo o rosto. – Fique com ela, e deixe esse assunto morrer. É o que eu quero fazer, e você?

– Vamos fazer do seu jeito então.

Changmin sorriu discreto com a conclusão do rapaz. Ele soltou o abraço e deixou que Kyu se ajeitasse na cama e enxugasse suas lágrimas com as costas da mão. Ele acariciou o rosto do menor com a ponta dos dedos, percebendo como seu peito dilacerava com o fato de ter feito seu namorado chorar, mesmo que por poucos minutos. Ele deveria aprender a lidar com Siwon, apenas ainda não sabia como.

Changmin sabia que se havia algo que ajudaria em seu namoro seria a sua mudança com o rapaz e assim começar sua vida de casal com ele. Ter um apartamento para chamar de próprio, afirmar que morava com seu companheiro, marido, ou a nomenclatura que viesse em sua mente no momento. Ter certeza de que com ou sem a presença de Siwon, era ao seu lado que Kyuhyun iria dormir no fim do dia e que ainda estaria ocupando o posto de homem da sua vida.  Foi com esse ânimo que eles saíram para procurar um lugar para si na manhã de domingo.

Kyu sabia que seria criticado por Siwon se soubesse que ele havia deixado um dia inteiro de estudos para pesquisar apartamentos na área onde moravam Donghae e Hyukjae. No entanto, ele também sabia que nada deixaria seu namorado mais satisfeito do que contrariar as vontades de Siwon, mesmo que por alguns instantes. Claro que seria uma missão impossível encontrar um apartamento que se encaixasse em suas exigências em apenas um dia, no entanto, eles voltaram animados para casa.

Por aquele domingo, eles cumpriram a promessa de esquecer-se do professor e focaram apenas em seu relacionamento e no futuro que haviam decidido para ele. Quando o final de semana terminou, Kyuhyun teve a impressão de ter entrado em uma montanha-russa, em função da quantidade de emoções diferentes que ele provara em tão pequeno espaço de tempo. Ele sabia que relacionamentos eram complicados e emocionantes, mas não sabia que sentiria tanto e com tanta intensidade.

Aquela não seria a última discussão sobre Siwon que eles teriam, tampouco seria a última vez que se sentiriam felizes com o rumo que deram para seu relacionamento. Não seria do dia para a noite que Changmin aprenderia a controlar seu ciúme e nem que Kyu se deixaria levar brevemente pelo charme do jovem professor. Eles ainda teriam que descobrir do que era formado um relacionamento e se o amor que sentiam estava realmente acima dos fatores externos.

Era no fim do dia, quando deitavam-se abraçados em sua cama de casal, as vezes trajando nada mais do que suas roupas íntimas, que eles se lembravam o quanto desejavam continuar um casal, o quanto seus corações precisavam da presença um do outro para que batessem calmos e sem agonias. Changmin anotaria mentalmente como era melhor fazer Kyuhyun sorrir do que chorar, enquanto o rapaz voltaria a se sentir completo e seguro com as mãos do outro circulando sua cintura.

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