Capítulo 40 – A new home

 

A noite chegou com clima ameno na capital coreana. Os ventos balançavam as copas das árvores, assim como as cortinas das casas da cidade, anunciando um clima frio para os dias seguintes. Kyuhyun estava no carro, vendo os prédios passarem e demorando seu olhar nas janelas acesas dos apartamentos no centro da cidade, enquanto percorria um caminho que há muito não frequentava.

Ao seu lado, não era seu namorado no volante e por isso mesmo o carro estava silencioso. Siwon dirigia silenciosamente, por uma via quase sem carros e com poucas paradas. Como o combinado na primeira semana de aula, ele e Kyuhyun iam revistar o apartamento que finalmente fora desocupado e que daria espaço para Siwon finalmente se acomodar em Seul. Kyu estava visivelmente cansado, sua própria mudança estava tirando-lhe o sono, no entanto, ele devia aquele favor ao mais velho.

Era estranho estar no mesmo carro que Siwon, em silencio, fitando a janela, como se sua adolescência estivesse escondida naquele porta-luvas o tempo todo e agora tomasse conta de si novamente. Claro que ele possuía mais preocupações agora, no entanto, ainda assim, aquele estava sendo um dos momentos mais nostálgicos de sua vida. Kyu acordou de seus devaneios com seu celular vibrando no bolso com uma mensagem de Changmin:

“Empacotar essas coisas sem o meu príncipe não tem a menor graça. Não demore!”

Kyuhyun sorriu abertamente e suspirou pesado, rodando os ombros a fim de se livrar de suas tensões para por fim, mandar uma mensagem para Changmin o tranquilizando. Siwon diminuiu a velocidade e procurou uma vaga para seu carro, o deixando no acostamento e finalmente inclinando o corpo para frente, a fim de visualizar sua antiga moradia. Ele soltou o cinto e desviou o olhar para seu silencioso aluno:

– Vamos, Kyunie? Eu não quero demorar para que você não tenha problemas.

– Vamos. – Concordou Kyuhyun.

O porteiro era novo e teve que checar o nome de Kyuhyun antes de liberar a passagem dos dois para que seguissem em direção ao apartamento. Quando a porta do elevador se abriu, Kyu parou de caminhar. Ele teve ímpetos de correr, de se esconder nos braços de Changmin e chorar como fizera em seu passado. No entanto, ele não era mais um adolescente, covarde demais para enfrentar seus próprios medos.

Siwon voltou-se para ele de dentro do elevador e segurou a porta, fitando o receoso rapaz que abraçara a própria cintura. O professor sorriu, discreto, compreensivo, vendo flashes do garoto a quem amara nos olhos do homem que pertencia a outro. Kyu deu um passo a frente e Siwon estendeu-lhe a mão, que não demorou a ser aceita pelo menor. Assim que o menor pisou no elevador o professor apertou o botão do andar onde ficava o apartamento.

Kyuhyun desejou secretamente dar um abraço no rapaz, no entanto, conteve seus impulsos e tratou de soltar a mão do outro e manusear a chave que daria acesso ao local. A porta se abriu e revelou diante deles o corredor que os dois tantas vezes percorreram juntos. Kyu tomou a dianteira, como se temesse perder a coragem no meio do caminho, enquanto Siwon o seguia com uma serenidade que até mesmo Kyuhyun desconhecia.

Kyuhyun parou em frente a porta e a destrancou rapidamente, abrindo espaço para que Siwon entrasse antes de si. Siwon passou a mão na cintura do rapaz antes de adentrar o local e acender a luz, sendo observado por um silencioso Kyuhyun. O mais alto foi até a sala e também acendeu a luz do local, finalmente desviando o olhar ao outro que permanecia parado à porta. O professor sorriu-lhe com o canto dos lábios e o chamou com um sinal:

– Vem ver, Kyunie.

Kyu atravessou o hall sem o tapete que costumava adornar a entrada e finalmente chegou à sala. Assim que ele adentrou teve a sensação vertiginosa de quando se está sonhando e acorda como se tivesse acabado de cair na cama. Ele fitou em volta a sala daquele apartamento que tanto machucara seu psicológico nos últimos anos. Os novos moradores não haviam tirado uma peça sequer do lugar.

A mesa ainda estava no centro, os sofás de ainda estavam na mesma posição e haviam sido reformados recentemente, o que fora descontado do aluguel de Kyuhyun. A escrivaninha do escritório no segundo ambiente continuava lá, sem os adornos e a estante em mogno ainda enfeitava imponente a parede, no entanto vazia, sem os livros pesados e chatos que Siwon mantinha. Siwon sorria, fascinado com o local que ainda estava do mesmo jeito que ele se recordava.

No entanto, seu sorriso dominuiu de intensidade assim que seu olhar recaiu sobre a poltrona onde ele deixara Kyuhyun da última vez que o vira. Ele desviou o olhar para o rapaz que parecia desgostoso e desanimado em dar continuidade àquela vistoria. Siwon se aproximou do menor que o fitou acuado e entretescido. Kyu suspirou pesadamente e tratou de pensar um discurso formal, falando sobre o apartamento, no entanto a pergunta de Siwon derrubou sua estrutura:

– Dói? Vir até aqui?

– É a primeira vez que eu venho aqui, em anos.

– Eu achei que você tivesse levado essa poltrona com você. – Disse Siwon se sentando na mesma.

– Eu fiquei com a do escritório. – Afirmou Kyuhyun se aproximando do mais velho. – Ainda é confortável?

– Vem, senta aqui! – Afirmou Siwon escorregando para o canto e se esmagando contra o apoio para dar espaço para o rapaz. – Cabíamos nós dois aqui antes.

– Acho que não cabe mais. – Disse Kyuhyun sentando-se no apoio de braço e deixando o corpo escorregar para junto de Siwon que o abraçou pela cintura. – Fica apertado.

– Muito. – Disse Siwon entre risos, jogando o corpo sobre o braço do sofá, dando espaço para Kyuhyun que se ajeitou ali. – Ainda é confortável.

– É sim. – Disse Kyuhyun deixando o rosto apoiar-se no braço do outro rapaz e fechando os olhos. – Vamos revisar o apartamento?

– Vamos.

Kyuhyun e Siwon percorreram o apartamento, desta vez silenciosos, em busca de vazamentos, infiltrações, insetos, pragas ou qualquer outra coisa que o deixasse inabitável. Eles testaram as lâmpadas, tomadas, torneiras e tudo o mais que pudesse não estar funcionando ali. Não levou mais de meia-hora para que eles voltassem à sala, uma vez que Kyu não quis perder tempo em nenhum cômodo da casa, sendo especialmente rápido quando passou pelo quarto.

– Se você encontrar qualquer coisa é só me avisar e eu te levo o contrato de locação na faculdade, ainda não tirei ele do cartório.

– Eu posso começar a trazer as minhas coisas pra cá?

– Claro, fique a vontade, eu vou até deixar a chave com você. – Afirmou Kyuhyun, vendo Siwon retirar uma das cópias e devolvâ-lo.

– Fique com uma cópia, se ficar com as duas eu posso acabar perdendo. – Afirmou Siwon colocando a chave em seu chaveiro enquanto falava. – Acho que é isso, Kyunie. Provavelmente eu não vou conseguir decorar tão bem quanto você, mas eu vou tentar.

– Você devia colocar uns tapetes, coloridos e bem felpudos. – Disse Kyuhyun sorrindo e se acomodando no sofá. – E uns enfeites nas estantes.

– O que acha que eu devo colocar onde ficavam as suas bonecas? – Indagou Siwon sentando-se ao lado do rapaz e apontado às prateleiras vazias.

– Devia colocar algo colorido, e que não seja difícil de cuidar. Por exemplo, um daqueles relógios modernos, ou uma escultura, algo que dê vida a isso aqui. Não deixe tudo tão cinza.

– O que vocês fez com as suas bonecas, Kyunie? Onde elas estão?

– Em uma gaveta na minha casa. – Afirmou Kyuhyun. – Eu ainda cuido delas, só não deixo exposto. Com exceção da Josephine e da nova que eu não nomeei.

– Por que não?

– Não consegui pensar em um bom nome pra ela e eu também não quis falar muito sobre ela pra não chatear o Changminie.

– Seu namorado se chateia com cada bobagem. – Criticou Siwon o envolvendo pelos ombros, fitando o menor se encaixar em seu ombro. – Você não sentiu falta? Daqui?

– Muita. – Confessou Kyuhyun. – Mas o que seria desse lugar sem você Wonie?

– Eu me pergunto exatamente o mesmo. O que vai ser desse lugar sem você?

– Vai ser a sua casa. – Afirmou Kyuhyun segurando a mão do mais alto.

– É estranho, Kyunie. As vezes você parece tanto com o menino que eu conheci e em outros momentos, parece o homem que namora o Changmin.

– Eu mudei tanto assim?

– Acho que mais do que você percebeu. – Afirmou Siwon.

– E você não gosta deste meu novo eu? Não gosta do Kyuhyun adulto?

– Claro que eu gosto, Kyunie. – Disse Siwon sorrindo. – Mas ele está tão distante de mim que me entristesce.

– Sabe, não precisa ser assim, tudo tão distante entre nós dois. Quer dizer, no começo eu queria que você se desintegrasse no ar, mas agora, acho que as coisas mudaram um pouco.

– Eu ia adorar me aproximar de você, Kyunie, passar mais tempo com você, mas nós sabemos que não daria certo. – Afirmou Siwon voltando a abraçar o outro pelos ombros. – Porque as coisas mudaram e agora você tem um namorado, inseguro e ciumento e a última coisa que eu desejo ver é você triste.

– Ele não tinha nada contra você até você implicar com ele. – Ralhou Kyuhyun deitando o rosto no peito do outro.

– Você me disse que queria que nós nos déssemos bem. – Afirmou Siwon, acariciando os cabelos macios do rapaz.

– Eu só queria que as coisas fossem diferentes. – Afirmou Kyuhyun. – Eu sempre gostei de você, não quero o seu mal.

– Mas eu te machuquei, eu sei disso.

– Eu nunca quis o seu mal, mesmo quando tudo doía. – Afirmou Kyuhyun, finalmente concluindo sussurrado. – Eu queria que você voltasse. Todas as noites eu fechava os olhos e pedia pra que você voltasse pra mim e que tudo fosse como antes. Mesmo quando o Hae-hyung achou que eu estava bem, mesmo depois que eu entrei na faculdade, e quando todo mundo me olhava com pena, eu ainda queria que você estivesse aqui.

– Eu sei, meu menino, eu sei. – Afirmou Siwon escondendo o rosto contra os cabelos macios do rapaz. – Eu também quis voltar, eu também quis você comigo e ainda te quero perto de mim, mesmo que não seja como namorado.

– Nós ainda podemos ser amigos, não podemos?

– Não, meu querido. – Afirmou Siwon recebendo de Kyu um olhar desapontado. – Você tem um namorado ciumento, e a nossa amizade só pioraria tudo. Eu já não gosto do Changmin e quando ele começar a te chatear as coisas não vão funcionar. Eu vou ficar com raiva do Changmin, o relacionamento de vocês vai ir em uma direção ruim e eu não quero isso.

– Você fala como se a culpa fosse toda com Changminie e na verdade também é sua pra começo de história, você foi embora.

– Eu sei, eu assumo a minha parcela de culpa. – Afirmou Siwon. – Tanto assumo que não ouso me aproximar de você como homem, não tento recuperar o tempo perdido e reconquistar o que eu abandonei aqui há muito tempo atrás. É a minha parcela de culpa que me impede de te provar que eu sou um marido melhor do que o Changmin, mesmo ao lado do Kyuhyun adulto.

– Não diga essas coisas, elas vão ficar no ar, incomodando a gente. – Disse Kyuhyun abraçando Siwon pelos ombros e apoiando o queixo contra o corpo do rapaz. – Eu sei que você seria um bom marido, não precisa me provar isso.

– Acho melhor eu te levar pra casa. – Disse Siwon sussurrado, e finalmente envolvendo Kyuhyun pela cintura em um abraço apertado. – Esse assunto mexe comigo, com coisas que eu já considero como certas.

– Tudo bem, Wonie, nós não vamos falar disso de novo. – Afirmou Kyuhyun acariciando a nuca do rapaz com a ponta dos dedos antes de se afastar delicadamente.

– Vamos, antes que o seu namorado se irrite.

Kyuhyun sorriu discreto e se levantou do sofá dando uma última olhada pela sala do apartamento onde já não se sentia como se tivesse caído em um terrível pesadelo. Siwon enlaçou seu indicador no de Kyuhyun e o puxou em direção à saída, apagando as luzes no caminho e finalmente trancando a porta. Kyu bem sabia que andar de mãos dadas com Siwon chatearia Changmin, mas ele seria bem capaz de guardar um segredo como aquele.

Siwon o deixou na porta do apartamento que ele ainda dividia com Changmin, eles se despediram e enquanto o professor ia pra casa, sentindo o perfume de seu ex-namorado em suas roupas, o mais novo seguia para casa onde encontraria Changmin sentado na sala de estar com uma grande caixa onde ele, depois de embrulhar em jornal, guardava os objetos mais frágeis que pertenciam a si.

Quando Kyu apareceu à porta, Changmin sorriu-lhe simpático, acenando para que seu namorado se aproximasse. Ele parecia cansado e ostentava olheiras devido às poucas horas de sono que ele sacrificava entre a mudança e a continuação de seu trabalho de conclusão de curso. Kyu sentou-se ao seu lado e roubou um selar demorado de seus lábios, o qual foi prontamente correspondido.

As caixas contendo seus pertences mais importantes estavam empilhadas contra uma parede na sala de estar. A cama de Changmin fora desmontada e agora eles dormiam em um colchão no chão, enquanto a cama já estava devidamente posicionada no apartamento novo. As estantes, prateleiras, sofá e toda a cozinha saiu do apartamento de Kyuhyun, com exceção da geladeira que sairia do apartamento de Changmin, enquanto Jaejoong dividiria a cozinha com Yunho.

O guarda-roupa de Kyuhyun fora vendido para uma loja de móveis usados e o de Changmin estava já montado no novo apartamento. O apartamento novo estava praticamente pronto, no entanto, faltava-lhes tempo para levar os pertences de decoração. Eles teriam que investir em artefatos novos para a cozinha e armários novos para o banheiro, mas de resto sua nova moradia estava devidamente mobiliada.

Na noite seguinte estava combinado que Changmin e Kyuhyun começariam a levar o que faltava de seus pertences para o novo local e isso certamente daria-lhes muito trabalho, e se tudo seguisse como o combinado eles se mudariam para o local ainda naquele sábado. Tanto Kyu como Changmin estavam ansiosos, para que aquele dia chegasse, portanto não se importavam em perder suas preciosas horas de sono entre caixas e mais caixas. Kyuhyun pegou um dos enfeites de Changmin e começou a enrola-lo em jornal, enquanto o mesmo perguntava:

– Como foi? Com o Siwon?

– Estranho. – Afirmou Kyuhyun. – Foi estranho entrar naquele lugar com ele depois de tanto tempo.

– Eu teria ido com você, príncipe, mas ainda tem muita coisa pra empacotar e sábado eu já quero estar dormindo na nossa nova moradia.

– Teria sido mais estranho ainda com você lá. – Riu-se Kyuhyun. – Foi como quando eu voltei na casa da praia, só que muito pior.

– Deu vontade de chorar?

– Mais ou menos. Quer dizer, como eu estava com o Siwon só deu um pouco de… não sei, receio.

– Receio?

– É, eu não sei explicar. Eu não quero te chatear com o que eu vou dizer agora, mas entrar lá me fez pensar em como seria a minha vida se o Siwon não tivesse ido embora ou se eu não tivesse conhecido você.

– Como assim, Kyunie?

– Eu fiquei me perguntando se eu não tivesse namorando, se eu voltaria para o Siwon e sei lá, tentaria de novo.

– Já parou pra pensar que talvez ele não queira ter algo de novo?

– Supondo que ele quisesse, Changminie.

– E a que conclusão você chegou?

– Nenhuma. – Afirmou Kyuhyun. – É uma hipótese boba, levando em conta que o Siwon acredita que ele seria um canalha se tentasse algo de novo comigo depois de ter me machucado, independente de você estar aqui ou não. Ele não tem interesse em mim e nem eu nele.

– Tem certeza?

– O que você acha? Que eu deveria dar uma chance?

– Se você estivesse sozinho? Acho que sim, Kyunie, se você tivesse em mente que aquilo que vocês viveram ficou no passado, acho que você deveria tentar de novo. Estamos falando em hipóteses né? Eu não estou assinando o nosso divórcio falando isso, certo?

– De forma alguma, Changminie, foi só algo que passou pela minha cabeça. A sua resposta me deixou surpreso agora. – Riu-se Kyuhyun. – Afinal você não gosta do Siwon.

– Eu não gosto do Siwon porque ele duvida da minha capacidade e acha que eu não passo de um babaca que não te merece, mas não posso negar o fato de que ele te fez feliz, por um longo período de tempo. Isso somado ao fato que quando eu te conheci você era todo carente, acho que se você tivesse a chance de namorar alguém que te faz bem você não deveria deixar passar.

– Isso se eu não tivesse me apaixonado por você, certo?

– Certíssimo. – Sorriu-lhe Changmin se ajoelhando a fim de fechar a caixa que já estava cheia. – Talvez eu gostasse mais do Siwon se eu não te namorasse, mas eu julgo ele por meio do meu ciúme e isso me impede de ver qualquer traço bom nele.

– Ele é um bom homem, Changminie, apesar de te julgar mal. – Afirmou Kyuhyun. – E ele sabe que eu te amo, ele tem plena noção disso.

– Ama mesmo é? – Indagou Changmin pegando a caixa e a empilhando contra a parede, terminando assim a sala de estar. – Então vem aqui me dar um beijo!

Kyuhyun riu-se e se levantou em um salto, antes de se jogar nos braços de seu namorado. Seus lábios se uniram em um selar estalado, antes do mais alto puxa-lo em direção ao quarto e eles se jogarem em direção ao colchão displiscentemente jogado no quarto praticamente vazio. Changmin deitou-se de costas para o colchão com o peso de Kyu sobre si e seus lábios voltaram a se encontrar.

Eles estavam cansados, ocupados e quase não tinham tempo para namorar, por isto mesmo trocar beijos, mesmo que não levassem a uma noite mais intensa, era um momento precioso para o casal. A língua de Kyuhyun invadiu a boca de seu namorado sem pedir licença e tomou seu sabor para si, aquele sabor que ele tanto gostava. O mais alto agarrou-o pela cintura, deixando suas mãos se apoiarem ali, totalmente entregue.

Kyuhyun sentiu seu corpo cansado pesar, e logo cortou o beijo com seu namorado deixando selares demorados naqueles lábios que pertenciam somente a si. Changmin o viu desviar o rosto e soltar um bocejo longo e demorado que logo foi imitado por si. O mais alto trocou as posições, virando Kyuhyun em direção ao colchão e estapeando uma de suas nádegas antes de se levantar.

Ele apagou a luz e voltou para a cama, vendo seu namorado retirar a calça e a camisa, preguiçoso demais para vestir um pijama, o que de forma alguma incomodava Changmin. O mais alto fez o mesmo e deitou-se trajando somente roupas íntimas ao lado de seu namorado que virou-se de costas para si o puxando pela mão para que ele o envolvesse pela cintura e se encurvasse contra si.

Changmin dormiu mais rápido que seu namorado, que passou a primeira hora da noite pensando na conversa que tivera com seu Changmin e Siwon. Era estranho pensar em uma vida diferente da que ele levava, uma vez que estava plenamente satisfeito com Changmin ao seu lado, por mais que seu trabalho no tribunal de contas estivesse começando a frustra-lo. Pensar em uma vida diferente poderia dar a ideia de que ele estava infeliz e aquela não era a verdade.

Kyu bem sabia que seu namoro despertara em Changmin um homem novo, muito diferente do garoto que entrara na faculdade. Ele perdera totalmente seu interesse em superficialidades e futilidades, e isso o tornara um namorado dedicado. No entanto, acima de tudo, Changmin trazia-lhe segurança e conforto, o que fazia com que Kyu ficasse cada vez mais preso a ele, e àquele relacionamento.

Kyu dormiu sentindo a respiração tranquila em seu pescoço e acordou realmente cedo no dia seguinte, ainda sentindo seu namorado colado a si. A primeira coisa que veio-lhe a mente foi acordar todos os dias daquela maneira e ele não pôde conter um sorriso em seu rosto. Ele desejou acordar Changmin com um beijo, mas o despertador fez seu tabalho antes de qualquer coisa. Ambos se espreguiçaram e trataram de se arrumar para trabalhar.

Kyu gostava de seu cargo no tribunal de contas, no entanto, havia algo que o incomodava naquele emprego, eram as poucas possibilidades de realmente usar seu potencial intelectual. Era um trabalho simples, burocrático e com uma ótima remuneração, no entanto, não havia nada de desafiador nele. Certamente escrever aquele artigo ao lado de Siwon era uma das atividades mais emocionantes para Kyuhyun e ele achava um desperdício não poder utiliza-lo em seu meio profissional.

Kyuhyun realizou seu trabalho como de praxe e depois de enfrentar o metrô ele seguiu para a faculdade onde naquele dia, Siwon revisaria o começo de sua análise de conteúdo sobre um livro de teorias econômicas que ele usaria como pesquisa empírica. Changmin levara sua própria pesquisa em uma pasta, sobre um livro diferente mas com a mesma metodologia. Eles não fariam pesquisa de campo em função da falta de tempo.

Quando chegou à sua sala de aula, Kyu encontrou seu namorado sozinho saboreando uma salada de frutas. Ele avisou que Siwon fora à coordenação do curso devido a reclamação de um aluno devido a sua nota do semestre anterior, e que talvez demorasse. Kyu não queria passar tempo demais ali, no entanto, tratou de comer a sobremesa que seu namorado trouxera-lhe enquanto esperava pelo professor. Kyu sentou-se sobre a mesa e enquanto comia os pequenos pedaços de fruta, Changmin se aproximou e começou a selar seu pescoço calmamente.

– O que você tem, Changminie?

– Nada, meu príncipe. Só aconteceram umas coisas engraçadas no trabalho hoje. Uma moça foi demitida por assistir pornografia.

– Uma moça?? – Indagou Kyuhyun surpreso.

– Estranho né? Quer dizer, é mais comum homens com essas taras de se masturbar onde não deve e tudo o mais. Ela era bonita até, e simpática, não esperava isso dela.

– Mas tem certeza que foi por isso que demitiram ela?

– O vídeo da câmera de segurança vazou e todo mundo assistiu. – Afirmou Changmin para o seu surpreso namorado. – Mas esquece ela, porque quem passou a tarde toda pensando besteira fui eu.

– O que você aprontou Changminie?

– Nada, príncipe, eu sou um homem muito profissional. – Afirmou Changmin. – Mas eu fiquei a tarde toda pensando no nosso vídeo e sabe, eu ando sentindo falta de você.

– Eu sei, meu amor, nós andamos sem tempo pra isso também, eu sinto muito. – Afirmou Kyuhyun, puxando o ar pesadamente ao sentir a mão do outro no interior de sua coxa afastando sua perna.

– Por que nós não aproveitamos que o professor Siwon vai demorar e namoramos um pouquinho? – Indagou Changmin se encaixando entre as pernas de seu namorado que deixou o pote vazio de salada de frutas.

– Changmin, nós não podemos transar aqui. – Afirmou Kyuhyun, sentindo seu amado agarrar-lhe pela cintura.

– Quem falou em transar, eu só quero um carinho, hoje não teremos tempo pra transar então eu quero aproveitar o nosso tempo livre. – Afirmou Changmin, segurando a perna de seu namorado firmemente. – Me deixa sentir o seu corpo nem que seja pra terminar sozinho depois.

Changmin colou os lábios aos do rapaz que os encaixou apropriadamente logo em seguida entreabrindo-os e recebendo a língua afoita de seu amado em busca da própria. Kyu agarrou os cabelos de sua nuca, guiando sua cabeça para que pendesse para o lado oposto da sua e o beijo pudesse ganhar profundidade e intensidade. Kyu sabia que era errado, que não deveria estar beijando seu namorado daquela maneira na faculdade, no entanto a expectativa de ser pego deixava tudo ainda mais emocionante.

Seus lábios se moviam um contra o outro, enquanto as mãos de Changmin percorriam o lado do corpo do rapaz, ainda coberto pela camisa social que ele usava. Suas mãos pararam nas nádegas do rapaz que encurvou a coluna quando teve aquele local pressionado pelas mãos experientes de Changmin. Kyuhyun o sentia salivar sob sua boca e bem sabia que o desejava, por mais que não tivesse uma ereção entre suas pernas.

E ele amava aquilo, amava ser desejado por Changmin, amava saber que era o seu corpo que percorria seus desejos e fantasias, que era seu cheiro que o inebriava e que era da sua boca de onde ele tirava o mel que adocicava seus dias. Kyuhyun cortou o beijo, sem fôlego, sentindo a mão de seu amado voltar a segurar-lhe a coxa, a apertando por cima do incômodo tecido da calça social de cor escura que na opinião de Changmin não valorizavam em nada as nádegas curvilíneas de seu amado.

Os lábios de Changmin abusaram do pescoço de Kyuhyun que encurvou seu rosto o mantendo escondido contra seu amado. Ele iria marcá-lo, Kyu bem sabia disso e quando os dentes do rapaz cravaram em sua pele, a dor tomou conta do local, e um arrepio se espalhou por suas costas e deixou seu baixo ventre formigando, deixando Kyu impedido de controlar as reações de seu corpo. Changmin não teve dó de si e se afastou brevemente, posicionando sua mão no interior de sua coxa, deixando seus dígitos se aproximarem da virilha do rapaz.

Uma tosse, rouca e falsa fez os dois rapazes se separaram repentinamente. Changmin soltou Kyuhyun que desviou o olhar sobressaltado enquanto seu namorado esbarrava nas carteiras fazendo um barulho alto enquanto derrubava a cadeira e arrastava a mesa com o peso de seu corpo. O rosto corado de Kyuhyun encontrou o olhar reprovador de Siwon, que parado à frente da sala, fitava o casal.

Changmin se recompôs, enxugou os lábios, arrumou a carteira enquanto seu namorado, estático, fitava o professor. Siwon parecia desgostoso e Changmin se perguntou se fora esta sua mesma reação ao assistir seu vídeo. Kyuhyun enxugou os lábios constrangido e desceu da carteira, percebendo a péssima ideia que fora deixar seu namorado agarra-lo ali em plena faculdade, por mais que a sala estivesse completamente vazia. Siwon apoiou ambas as mãos na mesa, fitando o desconcertado casal:

– Eu tenho mesmo que aturar isso? Além de tudo, eu tenho mesmo que aturar vocês se comportando como adolescentes?

– Siwonie, desculpe…

– O que vai dizer? Que foi sem querer? – Disse Siwon negando com a cabeça. – Eu não dou mais aula para Ensino Médio pra aturar esse tipo de coisa e ter que dar bronquinha e lição de moral. Vocês sabem que aqui não é ambiente pra namorar.

– Sim, nós sabemos. – Disse Kyuhyun, com a cabeça baixa.

– Que tempestade em copo d’água professor, era só um beijinho. – Afirmou Changmin pegando seu trabalho em sua pasta, fitando seu namorado fazer o mesmo. – Aqui, o meu planejamento semestral e o começo da minha pesquisa.

– Quer esfregar na minha cara que namora o Kyuhyun, Changmin? – Indagou Siwon, vendo por trás do ombro do rapaz, Kyu arregalar os olhos. – Faça isso em um momento apropriado e não em um lugar que você possa prejudicar o seu namorado, se fosse o reitor e não eu te flagrando provavelmente essa noite não teria um final tão feliz.

– Não sei do que você está falando. – Mentiu Changmin, finalmente se lembrando do conselho de Jaejoong e satisfazendo-se com a irritação do professor. – Não leve para o lado pessoal, eu só estava matando a saudade do meu príncipe, não tem nada haver com você, afinal ao contrário do que você pensa, nem tudo gira ao seu redor.

– Ao meu redor? – Indagou Siwon indignado, pegando o trabalho do rapaz, pronto para retruca-lo até ser interrompido por Kyuhyun que estendeu seu próprio trabalho.

– Desculpe, professor, eu e o Changmin garantimos que isso não vai se repetir. – Afirmou Kyuhyun, encerrando a discussão por ali.

– Desculpas aceitas. – Afirmou Siwon. – Estão liberados da aula pra dar continuidade ao trabalho, mas amanhã quero os dois aqui porque eu vou dar aula.

– Está bem. – Afirmou Kyuhyun constrangido, sentindo seu namorado abraça-lo pela cintura.

– Vão pra casa.

Concluiu um estressado Siwon diante do satisfeito Changmin. Antes do casal se afastar Kyu voltou a pedir desculpas para por fim, seguir ao lado de seu amado em direção à saída. Changmin roubou um selar de seu rosto, sabendo que seu namorado estava insatisfeito com a bronca, enquanto o mais alto não continha-se em si. Kyuhyun o fitou desgostoso, enquanto o mais alto começou a falar:

– Não fica chateado, meu príncipe, ele exagerou.

– Ele estava certo, isso não é lugar.

– Falou o professor que te beijou na biblioteca. – Ironizou Changmin.

– Quieto!! Não fale dessas coisas aqui! – Ralhou Kyuhyun.

– Ele não tem moral pra falar de você. – Concluiu Changmin. – E eu estava com saudades de te dar uns beijinhos e não estou nem aí para o Siwon.

– Isso é porque você é tonto.

Kyuhyun riu-se discreto e se desvencilhou do abraço, roubando um selar de seu namorado antes de puxá-lo pelo pulso em direção à saída. Kyu não queria chatear Siwon, apenas desejava que o mais velho o desculpasse por seu comportamento imprudente. Ele não se importava que Changmin estivesse marcando seu território, deveria tê-lo impedido de começar aquilo para começo de história.

No entanto, aquela noite, eles tinha assuntos mais importantes para tratar, a mudança de apartamento. Tanto aquela noite, como todas as noites do resto de sua semana, o que deixou seu final de semana atarefado demais, uma vez que as atividades para a monografia haviam ficado para trás. Eles demoraram mais de uma semana para se mudar o que os estressou, uma vez que desejavam estar em seu novo apartamento.

Levou duas longas e corridas semanas para que o casal finalmente estivesse em sua nova moradia. Eles se mudaram definitivamente em um sábado pela manhã, uma semana depois de Siwon ocupar o apartamento de Kyuhyun. Naquele dia, Donghae, Hyukjae, Jaejoong e Yunho se enfiaram no novo apartamento para ajudar o casal com os últimos detalhes de decoração.

Naquela manhã eles instalaram cortinas, organizaram a cozinha e a sala, além de instalarem devidamente o chuveiro do quarto do casal. Na hora do almoço, o cheiro da comida de Donghae se espalhou pelo local, enquanto Changmin colocava a última boneca que Kyuhyun ganhara na estante ao lado da mais antiga. Estava tudo bem organizado, sem deixar o ambiente carregado.

A tarde passou voando diante dos olhos dos rapazes. Jaejoong se cansou de toda aquela arrumação e se jogou no sofá, com seu namorado ao seu lado, a fim de ter alguns momentos de descanso. Depois que o casal o fez, os outros quatro também se acomodaram na sala, em uma pausa daquele atarefado dia. Changmin deitou-se sobre as coxas de seu namorado, que deixou a ponta dos dedos escorregarem em seus cabelos.

No tapete, Donghae se jogou ao lado de Hyukjae que segurava sua mão e eles permaneceram alguns momentos em silêncio tendo como som ambiente a rádio que eles deixaram ligada para animar seu dia. Fora um sábado cansativo, no entanto, todos sabiam que teriam mais tempo no domingo quando tudo já estivesse devidamente em seu lugar. Donghae acariciou os cabelos de Kyu e disse divertidamente:

– E aí? Estão prontos pra morar juntos?

– Era o que eu mais queria, hyung. – Disse Kyuhyun acariciando o rosto de seu namorado. – Um lugar só pra nós.

– Changminie, como vai ser quando os seus pais vierem? – Indagou Jaejoong pensativo, com a cabeça deitada no ombro de seu amado.

– Aí eu vou ter que assumir. – Afirmou Changmin preguiçosamente. – Não vai ter jeito Jae-ah, eles vão vir aqui e ver que só tem uma cama de casal.

– Eu vou ajudar o Changminie no que ele precisar. – Afirmou Kyu. – Mas não quero que ele sofra por antecipação. Deixe acontecer.

– Eu não estou sofrendo, pelo contrário, estou mais do que feliz. – Sorriu Changmin, agarrando a cintura de seu namorado que riu-se.

Neste dia, começou a nova fase da vida de Changmin e Kyuhyun e finalmente eles chegaram a um dos pontos máximos de um relacionamento. Kyuhyun assumiu pela segunda vez em sua vida o papel de pai de família, no entanto, desta vez tudo parecia mais sólido e mais fácil de ser vivido. Changmin ainda era inexperiente neste caso, no entanto, os primeiros meses com Kyuhyun foram os melhores de sua vida.

Changmin espalhou entre seus colegas de trabalho a boa notícia e todos eles tinham dicas para ele. Hyukjae e Donghae não eram nada diferentes e o tempo todo ofereciam conselhos aos dois rapazes sobre como conviver melhor como casal. Ao longo dos meses, Kyu e Changmin ofereceram jantares aos seus amigos que ainda não conheciam seu apartamento. Primeiro, Henry e Sungmin, depois os colegas de trabalho de Changmin e mais tarde Yoochun e Junsu.

Jaejoong não desapegara de seu amigo e visitava-o com frequência, assim como Changmin o visitava. Eles continuavam confidentes e compartilhavam sua vida de casal um com o outro, tanto alegrias quanto frustrações. Foi com essas conversas que Changmin aprendeu como lidar com seu ciúme, quando demonstra-lo e quando guarda-lo para si. Ele aprendeu a conviver com Siwon simplesmente ignorando sua existência, assim como o professor o fazia, enquanto aos poucos se aproximava de Kyuhyun.

Claro que com essa trégua, Kyu se viu livre para convidar Siwon para almoçar em seu novo apartamento e isso desagradou seu namorado, no entanto, chamar Donghae e Hyukjae para irem também amenizou a situação. Não fora o almoço mais agradável da vida de Changmin, uma vez que eles passaram a tarde falando do passado, um passado que ele já conhecia, mas do qual não fazia parte. Foi nesse dia que Changmin percebeu, antes mesmo de seu namorado, o quanto a amizade de Kyu com Siwon se consolidou com os meses.

Foram poucos os momentos desagradáveis no apartamento novo, por isso Changmin estava mais do que satisfeito. A convivência com Kyu não melhorara nem piorara ao longo dos meses, ele ainda sabia lidar com seu mal-humor e suas crises de carência enquanto Kyu se desdobrava para amenizar as crises de ciúme de Changmin. Esses eram o seu momento baixo, mas logo tudo voltava a normalidade.

E Changmin e Kyuhyun amaram a normalidade. Eles se apegaram a vida de casal da classe média como nunca imaginavam que fariam e construíram ali sua zona de conforto. Eles se sentiam inatingíveis, com sua vida pessoal, profissional, financeira e principalmente sentimental consolidada e nada nem ninguém poderia tira-los dali, somente seus próprios atos. Foi neste clima que setembro daquele ano chegou, trazendo consigo o segundo aniversário de namoro, o primeiro deles em casa e Changmin tratou de preparar uma surpresa para que fosse inesquecível. E certamente seria.

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