Capítulo 45 – Fireworks upon the Han river

 

 

Kyuhyun acordou sozinho na cama, o que era algo raro, no entanto, o sol alto entrando por sua janela o indicava que o horário já era tardio. Desde o começo das férias, Kyu tinha seus finais de semana ao lado de seu namorado que já não andava tão ranzinza e mal-humorado. Changmin costumava a acordar tarde, no entanto, aquela manhã, uma semana antes do natal, o rapaz pulara da cama mais cedo e deixara seu amado adormecido.

Kyu ainda permaneceu ali, preguiçoso demais para se levantar com o clima frio na cidade. As nevascas diminuíram com a chegada de dezembro, no entanto, a neve ainda não derretera completamente e estava acumulada nas ruas, dando uma paisagem extremamente branca à capital coreana. O rapaz sentiu o aroma do café, com algo que parecia doce e sabia que seu namorado preparava algo na cozinha. Kyuhyun preguiçosamente levantou-se e assim que o ar gelado tocou sua pele coberta por um pijama de algodão ele se arrepiou.

Depois da higiene matinal, com preguiça de vestir algo mais quente, Kyu enrolou-se em um roupão felpudo que cobria a si e seguiu para a cozinha onde sabia que encontraria seu querido Changmin. A verdadeira trégua entre eles começara depois da banca e eles pareciam aos poucos voltar ao normal, ainda que sua nova normalidade fosse um tanto estranha. Kyu chegou à cozinha e viu seu namorado de costas, o corpo esguio mexendo em algo com a colher de pau.

Ele certamente estava pronto para sair, o que deixou Kyuhyun brevemente chateado. Ele adentrou a cozinha, enquanto Changmin soprava a colher com algo grudento e vermelho e depois de depositar o conteúdo na palma de sua mão, ele o provou, lambendo os lábios. Kyu sorriu com a cena e se aproximou do outro que finalmente notou sua presença, e pegou um pouco do conteúdo da pequena panela:

– Aqui, meu príncipe, prova a minha calda de frutas vermelhas.

– Calda? – Indagou Kyu colocando o líquido viscoso em sua mão e o lambendo. – Está uma delícia, Changminie.

– É para comer com waffles. – Afirmou Changmin apontando a pilha de waffles sobre a mesa, depois de desfrutarem de sua mais nova aquisição, uma máquina própria para waffles. – Eu vou usar essa receita em um manjar para a ceia de natal na casa do Hae-hyung.

– Eu estou ansioso, é a primeira vez que eles passam o natal aqui, longe da família. – Afirmou Kyu sentando-se à mesa.

– Eles não vão mesmo para Mokpo?

– As neves desse ano foram muito fortes, as estradas estão perigosas demais e a mãe do Hae disse que bate nele se ele dirigir assim. – Contou-lhe Kyuhyun. – E aonde você vai assim todo arrumado?

– Eu vou sair com o Micky-hyung, lembra?

– De novo, Changmin?

– Eu te disse que hoje eu ia ajudar ele a procurar um presente para o Junsu-hyung. – Afirmou Changmin, colocando a calda em um recipiente e a deixando sobre a mesa. – Ele me ajudou a encontrar o seu.

– Você teria encontrado sem a ajuda dele, tenho certeza. – Afirmou Kyuhyun, servindo-se de uma xícara de leite quente. – Vai demorar?

– Eu acho que não, tem algo em mente para hoje? – Indagou Changmin sentando-se de frente para seu namorado.

– Na verdade não. – Afirmou Kyuhyun. – Mais tarde talvez o Hae-hyung venha aqui, mas ele não deu certeza.

– Eu volto para o almoço, eu prometo. – Afirmou Changmin, sorrindo discreto.

– O Yoochun-hyung vem almoçar aqui?

– Claro que não, imagine se ele vai perder um sábado todinho com o Junsu-hyung. – Afirmou Changmin arrastando sua cadeira em volta da mesa até parar ao lado de seu namorado. – E imagine se ele iria querer atrapalhar a minha tarde com o meu príncipe ciumento.

– O sujo falando do mal lavado. – Disse Kyuhyun mordendo seu waffle depois de derramar a calda que Changmin havia preparado.

– Eu volto logo. – Disse Changmin pendendo o corpo e deixando um beijo demorado no rosto de seu namorado. – Vai sentir saudades?

– Não sei, será que vou? – Brincou Kyuhyun, sorrindo discreto.

– Eu vou te morder se você não disser que sim. – Riu-se Changmin, recostando os dentes ao maxilar de seu namorado que se encolheu.

– Você está me maltratando, Changminie, isso não é justo. – Disse Kyuhyun deitando sua cabeça no tórax de seu amado que o abraçou. – Nós vamos mesmo passar o ano novo com o Yoochun-hyung?

– Não quer ir ver os fogos no rio Han?

– Quero, mas o Yoochun-hyung tem mesmo que ir junto?

– O Junsu-hyung também vai. – Argumentou Changmin. – Eu vou ter que passar o natal com o Siwon, você pode passar o ano novo com o Micky-hyung.

– Vai ser chato. – Disse Kyu, por mais que soubesse o quão agradável era a companhia dos dois rapazes.

– Sabe o que seria chato? Eu colocando laxante na comida do Siwon, isso seria chato. – Disse Changmin entre risos.

– Changmin! – Ralhou Kyuhyun. – Pare com isso, você vai é ficar quietinho do meu lado e nada mais.

– Vai acabar com a graça da festa.

Changmin deixou um beijo demorado no rosto de seu namorado e depois de pegar um waffle, saiu pela casa, terminando de se arrumar para sair, afinal sabia o quanto Yoochun era impaciente. Kyu terminou seu desjejum e encontrou seu namorado enrolando um cachecol em seu pescoço em frente ao espelho. O celular e chaves do carro já dispostos sobre a cama, assim como um pequeno envelope de cor branca.

– O que é esse envelope, Changminie?

– Um cartão personalizado que o Yoochun-hyung vai dar para o Junsu-hyung. – Disse Changmin. – Eu peguei pra ele na gráfica ontem.

– Não vai mesmo demorar, certo? Eu não quero ficar sozinho.

– Eu volto logo, meu príncipe.

Changmin voltou-se para Kyuhyun e roubou um beijo de seus lábios. O menor o agarrou pelos ombros e deixou alguns beijos em seu rosto antes de solta-lo para que pudesse se afastar. Changmin ainda o carregou consigo pela cintura até a porta e Kyu colocou o sobretudo preto nos ombros de seu namorado, a fim de protege-lo do frio. Eles se despediram mais uma vez e Changmin deixou o local, sem pressa, apesar de estar ansioso.

Kyu fechou a porta e depois de limpar a cozinha, ele deitou-se no sofá com um cobertor sobre as pernas, para assistir um programa qualquer matinal. Ele passou boa parte da manhã no telefone com Donghae mais tarde com Siwon, tendo como assunto principal a festa de natal para a qual ele estava animado. Não poderia dizer o mesmo do ano novo, mas ele sabia que sobreviveria a uma noite no rio Han com Changmin pendurado em Yoochun.

Quando Changmin chegou em frente ao prédio de Yoochun o rapaz já estava impaciente. Ele deixara Junsu adormecido, pois depois de uma longa sexta-feira, tudo o que seu namorado precisava era dormir até tarde. Micky entrou no carro, ralhando com Changmin pelo seu atraso e por tira-lo de casa em um dia tão frio como aquele. O mais alto guiou por ruas menos úmidas, atravessando mais uma vez a região central em direção às zonas periféricas.

– Foi difícil encontrar um presente para o Junsu-hyung?

– Claro que não, eu conheço ele. – Afirmou Yoochun. – E ele vai ficar lindo naquele suéter.

– Um suéter? Achei que iria dar um óculos de sol também! – Riu-se Changmin.

– Fui olhar no armário e descobri que ele tem uma coleção deles! Não valia a pena. – Defendeu-se Yoochun. – O que disse pra o seu namorado hoje? Onde ele pensa que você está indo?

– Comprar o presente do Junsu-hyung. – Afirmou Changmin. – Você é meu álibi.

– Não que ele vá acreditar muito em mim. – Riu-se Yoochun, pegando o envelope no porta-luvas. – Acha que estamos indo para o lugar certo?

– Eu espero que sim. – Disse Changmin adentrando um bairro residencial, no qual estivera poucas vezes em sua vida.

– Sabe, Changmin, o seu namorado devia parar de ter ciúme de mim. – Afirmou Yoochun, rodando o envelope entre seus dedos. – Não é como se eu fosse te pegar em um sábado de manhã, te levar para um motel e te comer até a hora do almoço.

– Até porque se alguém iria comer alguém aqui, não seria você né hyung? – Riu-se Changmin.

– Você tá abusado hoje hein, Changmin?

– É porque eu te amo, hyung. – Riu-se Changmin.

– Deixa o seu príncipe ciumento ouvir isso. – Alertou Yoochun. – Não será a minha cabeça que ele vai querer em uma bandeja.

– Hyung, por que você não dá um apelido para o Junsu-hyung?

– Ele tem um apelido, eu chamo ele de Su.

– Hyung, isso não é apelido. – Riu-se Changmin. – Como o Hyuk-hyung, que chama o Hae de peixinho de vez em quando.

– Acho que eu não cheguei a esse nível de viadagem ainda, sabe? – Riu-se Yoochun. – Já basta ele me chamando de Mickey Mouse quando quer me provocar.

– Que fofo, hyung. – Disse Changmin entre risos, recebendo uma cara emburrada de Yoochun. – E como o Yunho-hyung te chamava?

– Peste, aberração, encosto, desgraça, filho da…

– Tá bom, eu já entendi! – Disse Changmin entre risos, desviando o olhar para uma placa. – É nessa rua, hyung, procura o numero pra mim?

Yoochun pegou o pequeno papel no porta-luvas e começou a procurar entre as pequenas casas da rua arborizada pelo número indicado. Eles haviam conseguido aquele endereço com Hyukjae e lá descobririam se a família ainda morava no mesmo lugar ou se haviam se mudado dali. Changmin reduziu a velocidade, quando Yoochun apontou uma pequena casa branca com a pintura descascada e janelas em estilo antigo.

Ele parou o carro em frente a residência e conferiu o número do papel na mão de seu amigo. Eles observaram a casa por alguns instantes, apesar da pintura mal cuidada, os portões eram novos e as janelas estavam impecavelmente limpas. Enquanto os dois observavam deixando o suspense se instalar no carro, os deixando ansiosos e com frio na barriga, como caça fantasmas em uma mansão mal-assombrada.

Enquanto eles espiavam o local, uma moça abriu a janela da sala e dependurou-se para fora, pendurando uma samambaia do lado de fora. Era graciosa, com a pele clara, os lábios finos e os cabelos negros na altura dos ombros. Os dois não puderam deixar de notar a semelhança com Kyuhyun, no entanto, nenhum dos dois se manifestou, pois não queriam decepcionar um ao outro, caso estivessem enganados. Yoochun desviou o olhar para Changmin e entregou-lhe o envelope, dizendo:

– Vamos tocar a campainha.

– E se eles não forem a família Cho? E se não quiserem saber do Kyunie?

– Nós só vamos descobrir se formos até lá. Vamos, Changmin, você veio até aqui.

Changmin assentiu e antes que perdesse a coragem, ele saiu do carro, seguido por seu amigo. Yoochun que seguiu ao seu lado até o portão da casa. O mais velho tocou a campainha e a moça voltou à janela, os fitando demoradamente, enquanto ao longe eles ouviram vozes perguntando quem era ao portão. A moça respondeu que não sabia, e não se demorou a sair da janela e destrancar a porta.

Ela pendeu o corpo para fora e analisou os dois rapazes com certo ar desconfiado e defensivo. Changmin e Yoochun se entreolharam, a medida que a moça de olhos amendoados e corpo magro e esguio se aproximava, os fitando com curiosidade, e preparando-se para despachar os possíveis vendedores que batiam à porta da casa de sua mãe aquela hora da manhã.

– Pois não?

– Bom dia. – Disse Yoochun, enquanto Changmin perdia-se naquele olhar curioso sobre si, antes de segui-lo a cumprimentando com uma breve reverência.

– Eu não quero parecer indiscreto, mas esta é a casa da família Cho?

– Sim. – Disse a moça, cruzando os braços. – Do que vocês precisam?

– E-eu não sei bem como começar isso. – Disse Changmin constrangido, desviando o olhar brevemente. – Você deve ser a noona, do Kyuhyun.

Ahra entreabriu os lábios e puxou o ar rapidamente, soltando os braços e arregalando os olhos. Ela fitou os dois rapazes demoradamente, também sem saber direito o que dizer-lhes, apesar de saber que seu irmão não era um assunto de somente seu interesse. Impulsiva, ela deu-lhes as costas e correu para dentro de casa, antes que os dois pudessem insistir para que os ouvisse. Changmin já achava que havia estragado seu plano e a mão de Yoochun pesou em seu ombro o consolando, quando a irmã de Kyu voltou com um molho de chaves na mão.

– Entrem. – Disse Ahra. – Mas sejam sutis, minha mãe é muito emotiva quando falamos do Kyuhyun.

Changmin sorriu-lhe e ambos a reverenciaram quando atravessaram o portão. Uma gaiola com dois pintassilgos estava pendurada próximo a porta e a simpática sala de estar se abria diante de seus olhos. Uma senhora estava parada próxima à porta, com um pano de enxugar louças nas mãos e um avental rosa bebê pendurado em sua cintura. Os cabelos negros como os da filha, e os lábios de Kyuhyun.

– Entrem, meus filhos, está frio aí fora. – Disse a mãe de Kyuhyun, assim que os dois adentraram sua sala e Ahra fechou a porta atrás deles.

– Sentem-se. – Convidou Ahra, ainda os fitando analiticamente. Até mesmo seus trejeitos lembravam Kyuhyun, principalmente quando esta se sentou em uma das poltronas e puxou com delicadeza sua mãe pelas mãos.

– Antes de qualquer coisa, meu nome é Shim Changmin e esse é meu amigo, Yoochun. – Disse Changmin.

– Eu sou Cho Ahra e essa é a minha mãe. – Disse Ahra. – Você falou do meu irmão, o conhece?

– Sim. – Disse Changmin. – Eu sou o namorado dele na verdade, ele vive comigo.

– Ele… como está o meu filho? – Disse a senhora Cho, se aproximando de Changmin. – Ele veio com você?

– Não, o Kyu não veio. – Disse Changmin sentindo um aperto em seu peito. – Ele queria vir, de verdade, mas esse ano foi corrido pra ele.

– Ele teve um problema com o meu pai, você sabe sobre isso? – Indagou Ahra.

– Eu sei, ele me contou.

– Nós sofremos muito quando ele decidiu ir embora. – Contou-lhe a mãe de Kyuhyun. – Meu marido teve raiva dele por um tempo, depois sentiu falta do nosso menino. Ele não conseguiu entender que o nosso menino era… assim…

– Gay? – Complementou Yoochun.

– Isso. – Afirmou a senhora Cho. – Depois de um tempo meu marido se sentiu culpado e até hoje ele sente saudades do nosso Kyu, por favor, me diga como está o meu filho?

– Ele está bem. – Afirmou Changmin, sentindo as mãos da senhora de meia idade apoiarem-se nas suas. – Ele trabalha como pesquisador em uma faculdade, está se formando esse ano e é por isso que eu estou aqui. Eu vim convidar vocês para a formatura do Kyu.

As lágrimas rolaram pelo rosto da mãe de Kyuhyun, a quem Ahra abraçou pelos ombros, com os olhos também lacrimejantes. O portão da casa se abriu ruidosamente e momentos depois, o pai de Kyuhyun revelou-se na sala. Um senhor alto, encorpado, com poucos cabelos grisalhos e um ar severo. Ele estranhou a cena em sua sala, e Ahra estava pronta para explica-lo, quando Changmin novamente confiante tomou a dianteira e reverenciou o mais velho:

– Bom dia. – Disse Changmin, estendendo a mão. – Eu sou Changmin.

– Bom dia, Changmin. – Cumprimentou o senhor Cho. – A que devo a sua visita?

– Eu vim em nome do meu namorado, o seu filho Kyuhyun. – Afirmou Changmin. – Ele vai se formar em janeiro e eu vim convida-los.

– Por que ele não veio pessoalmente? – Disse o senhor Cho visivelmente desapontado.

– Ele tem andado ocupado, então eu resolvi surpreender ele.

– Changmin, eu não sei como nos encontrou, mas o que te leva a pensar que o Kyu quer contato conosco novamente? – Indagou Ahra. – Por que eu levaria meus pais ao encontro de quem eu não sei se os querem bem.

– Noona, usando as palavras do Kyunie, ele errou na forma que contou aos seus pais sobre a sexualidade dele e a ideia de chama-los para a formatura veio dele mesmo. – Afirmou Changmin voltando a se acomodar no sofá, enquanto o senhor Cho deixava sua maleta de trabalho em um apoio, ainda com ar desconcertado.

– Me contar de outra maneira não teria me feito aceitar esse absurdo. – Disse o senhor Cho. – Mas ele ainda é meu filho, e a idade me ensinou que eu devo ama-lo acima disso.

– A sexualidade do seu filho não fez dele uma má pessoa. – Defendeu Changmin, enquanto a mãe de Kyu limpava suas lágrimas no avental. – Ele é trabalhador, é bem sucedido, o senhor tem motivos pra se orgulhar dele.

– Você é o namorado dele? O que os seus pais acham disso, meu rapaz? – Indagou a mãe de Kyuhyun.

– Eles estão no Japão, vou contar a eles quando eles estiverem aqui para a minha formatura. – Afirmou Changmin. – Eu garanto que as minhas intenções com o seu filho são as melhores.

– Não brigue com eles, Changmin, não vale a pena. – Aconselhou Ahra.

– O Kyu me disse a mesma coisa. – Afirmou Changmin sorrindo discreto e finalmente estendendo o envelope para o pai de Kyuhyun. – Estes são os convites, e eu sei que o Kyu iria amar ter vocês lá. Faria a noite dele muito mais especial.

– Nós vamos né pai? – Disse Ahra. – Changmin, eu queria levar o meu noivo.

– Não se preocupe, tem um convite a mais aí, eu coloquei por via das dúvidas.

– Rapaz, venha comigo.

O pai de Kyuhyun chamou Changmin que de imediato se levantou do sofá e o seguiu casa adentro. O mais velho destravou uma porta que deu para um quarto de cor azul escura, com uma cama no centro, uma estante e uma escrivaninha vazias e caixas empilhadas. Ele o indicou a cama para que Changmin se sentasse e puxou uma cadeira de rodinhas que rangeu quando acomodou seu peso.

– Este era o quarto dele, do Kyuhyun. – Afirmou o senhor Cho. – Rapaz, como está o meu filho? Quer dizer, eu vi poucos adolescentes saírem de casa e serem bem sucedidos como você disse. Seja sincero, como ele está?

– Ele teve ajuda, senhor Cho. – Explicou Changmin. – Ele tem hyungs que auxiliam ele desde que ele saiu de casa. O Donghae-hyung, por exemplo, é quase uma mãe pra ele, são pessoas confiáveis e que nunca deixaram ele sozinho. O Kyu é um bom homem, senhor Cho, e ele merece uma chance de te pedir perdão pelas coisas que ele disse aos dezesseis anos, o senhor não acha?

– Eu bati nele, rapaz, achei que poderia concertar ele, achei que errei quando ele era criança em algum momento. – Afirmou o senhor Cho. – Ele não era um menino como os outros, gostava de brincar com a irmã, gostava de bonecas, de coisas delicadas. Eu nunca consegui entender isso nele até o dia que ele me disse, que gostava de beijar outros meninos. Entenda, rapaz, não é o que se espera de um filho, eu queria que ele casasse com uma boa moça, que me daria netos. Eu achei que depois da adolescência ele mudaria, que voltaria pra casa, que diria que estava enganado, mas aqui está você me mostrando que eu estava enganado e que ele não mudou em nada.

– Ele cresceu, senhor Cho, não é mais um menino, é um homem. – Afirmou Changmin. – Ele é gay sim, como eu também sou, mas isso não faz dele menos homem. O senhor não fez nada errado, ele nasceu assim.

– No final das contas eu terminei com duas filhas, afinal, você não é o primeiro rapaz que senta no meu sofá e me diz que suas intenções são as melhores. – Afirmou o senhor Cho, rindo discreto ao final. – Nós vamos a essa formatura, eu acho que já está a hora de rever o meu filho, enquanto a minha idade e a minha saúde ainda me permitem.

– Ele vai adorar te ver lá.

Quando Changmin se levantou para se despedir, o pai de Kyu o abraçou brevemente pelos ombros, deixando tapinhas discretos em suas costas. Changmin não conteve um sorriso e logo eles voltaram a sala, e a mãe e a irmã de Kyu já faziam planos sobre que roupa usariam na formatura. A mãe de Kyuhyun fora a que mais o agradeceu, deixando beijos e abraços tanto em Changmin quanto em Yoochun. Estava feito, a família Cho se reuniria novamente e Changmin mal podia esperar para ver a reação de seu namorado na formatura.

A semana se passou voando, e Changmin manteve aquilo em segredo de todos à sua volta, com exceção de Yoochun que não resistiu e contou a Junsu. No natal, eles estariam reunidos na casa de Donghae, que passou a semana melancólico, sentindo falta de seus pais. Hyuk também ficou melancólico, o que piorou quando soube que Junsu não passaria o natal com eles, pois reservara um restaurante e um motel para ele e Micky passarem juntos.

O natal chegou com neve, mas em uma intensidade muito menor do que as nevascas de novembro. Kyu e Changmin caminharam até a casa de Donghae e Hyukjae, Changmin com um manjar com calda de frutas vermelhas na mão e Kyu com uma sacola de presentes. Eles abriram o pequeno portão e foram recebidos por Choco e seu latido estridente, que não demorou a se acalmar. Assim que Donghae os atendeu, o casal percebeu que eram os últimos a chegarem ali.

Henry e Sungmin estavam preguiçosamente acomodados no sofá, com alianças prateadas reluzentes em seus anelares, e as mãos dadas. Yunho e Jaejoong estavam em cadeiras, cada um com um copo de bebida nas mãos. Changmin cumprimentou Donghae, que guiou até a cozinha para que o rapaz colocasse a sobremesa na geladeira. Kyu não demorou a se aproximar de Sungmin, com quem perdera contato depois que deixou o Candy Bar e engatou uma conversa com o casal sentado no sofá.

Changmin voltou da cozinha, uma vez que Donghae o expulsou de lá para que pudesse se organizar, e se juntou a Jaejoong e Yunho, que andavam ocupados com suas próprias rotinas.  Eles juntaram-se em uma conversa descontraída, que durou uma boa meia hora. Tornou-se menos descontraída quando Hyukjae e Siwon voltaram do quarto, onde antes conversavam distraidamente. Logo que viu Changmin, Siwon procurou Kyu com o olhar e sorriu quando o encontrou.

– Kyunie!

A voz de Siwon acordou Kyu da conversa com Sungmin. O mais novo sorriu, levantou-se e abriu os braços recebendo um abraço apertado do mais velho, que escorregou a mão por suas costas antes de se afastar. Kyu somente o soltou quando percebeu o olhar irritadiço de seu namorado sobre si, e assim ele voltou a se sentar, um tanto constrangido, com Siwon ao seu lado.

– Você está tão bonito hoje. – Elogiou Siwon, ignorando Henry e Sungmin que arregalavam os olhos por trás dos ombros de Kyu.

– Obrigado, Wonie. – Disse Kyuhyun. – Eu te trouxe um presente, eu espero que você goste.

– Eu sei que vou gostar. E lá vem o seu namorado.

Quando Kyu virou-se, Donghae puxava Changmin pelo pulso para a cozinha, dizendo em voz alta que este deveria ajuda-lo com a sobremesa. Atrás dele, Jaejoong o empurrava, seguido de Yunho que ria da relutância do ciumento rapaz. Kyu arqueou as sobrancelhas e suspirou pesadamente, para por fim arrastar-se pelo sofá e fazer menção de se levantar.

– Eu vou dar uma olhadinha nele.

– Relaxe, o Donghae afoga ele na pia se ele começar a choramingar. – Disse Hyukjae entregando a Kyu e Siwon um copo de conhaque. – Pra esquentar.

– Ele vai ficar chateado. – Concluiu Kyu.

– Teu namorado é um fresco, Kyuhyun. – Reclamou Siwon. – Não dou mais aula pra ele, então não é mais antiético falar dele.

Hyukjae riu, no entanto, Kyu estava preocupado demais para achar graça. Na cozinha, Donghae ouvia com certa impaciência as reclamações ciumentas de Changmin. O que no final das contas surpreendeu os três presentes, era a quantidade de vezes que o rapaz citava Yoochun em seu monólogo. Mais de uma vez Jaejoong e Yunho se entreolharam e na terceira vez que o nome de Micky aparecia na conversa, Yunho tratou de interrompê-lo:

– O Micky-hyung me disse ontem mesmo que eu devo falar para o Kyu como eu me sinto…

– Changmin! – Interrompeu Yunho. – Desde quando o Yoochun-hyung é o seu guru sentimental?

– Ele não é o meu guru sentimental! – Defendeu Changmin. – Ele é meu amigo.

– Desde quando? – Disse Yunho.

– Não sei, desde pouco antes da banca, eu acho. – Afirmou Changmin, baixando o rosto quando disse. – Desde a briga na verdade.

– Como assim? Você ligou pra ele chorando e… – Começou Donghae.

– Não, nós nos encontramos e começamos a conversar! – Interrompeu Changmin. – Por que o interrogatório?

– Não é nada, mas vocês nunca foram próximos nem nada. – Estranhou Jaejoong. – Você sabe que eu não gosto muito do Micky-hyung e te ver tão próximo dele é estranho.

– Ele é um bom amigo, Jae-ah, nós saímos juntos e vamos na casa um do outro, como eu faço com vocês. – Afirmou Changmin. – Na verdade, isso meio que começou porque o Kyu estava ocupado demais com o artigo e o Junsu-hyung estava trabalhando mais, aí nós fizemos companhia um para o outro.

– Companhia? – Indagou Donghae finalmente se sentando ao lado de Changmin. – Só companhia?

– O que mais seria? – Indagou Changmin.

– Me diz você. – Afirmou Donghae cruzando os braços.

– Vocês passam tempo demais com o Siwon, faz mal pra mente, sabia? – Disse Changmin se levantando bruscamente.

– Hey, hey! – Disse Donghae se levantando ao mesmo tempo.

– Ele me pinta como um completo babaca, e… vocês acreditam! – Disse Changmin indignado. – Acha que se fosse pra ter um caso, eu ainda estaria com o Kyu? Pra que? Machucar o homem que eu amo?

– Changmin, o Hae falou sem pensar. – Defendeu Yunho. – É que todo mundo sabe que o Yoochun nunca foi de ter amigos e…

– E digamos que você não anda demonstrando muito o seu amor pelo seu namorado, sabe? – Disse Donghae se aproximando de Changmin. – Eu não quero te ofender, Changmin, mas se aproximar de outro homem não é a melhor solução pra quem quer salvar um relacionamento e você já fez besteira antes.

– Eu sei que eu fiz, mas qual o problema de eu ter com quem sair? – Indagou Changmin. – Não insinue o que você desconhece, hyung, isso magoa as pessoas.

– Sabe o que me magoa? O Kyuhyun chorando, isso me magoa. – Disse Donghae.

– Ele não é de açúcar, hyung.

– Nem você. – Afirmou Donghae. – Agora pare de se fazer de vítima porque você tem tanta culpa quanto o Kyu nesse relacionamento.

– Hyung, já chega. – Disse Jaejoong, apoiando a mão nos ombros do surpreso Changmin. – O Changminie já aprendeu a lição, não precisa ficar relembrando ele, o Siwon já faz isso bastante, não acha?

– Changmin. – Disse Donghae apoiando uma das mãos nos ombros do rapaz que não o fitava. – Cresça, e pare de se importar com os abracinhos que o Siwon e o Kyu dão, você tem problemas maiores meu amigo e talvez ainda não tenha se dado conta disso. Você precisa ser um bom namorado, senão, não vai funcionar.

– Me desculpe, hyung, eu quero que funcione, mas não acho que colocar o Kyu em uma redoma de vidro e adora-lo é a solução. O Yoochun-hyung me disse que um relacionamento é uma via de duas mãos e eu tenho que receber algo de volta. Eu não sou o anjo da guarda do Kyu, eu não sou você nem o Hyuk-hyung, eu sou o namorado dele e não sou o único quem tem que aprender a ser um namorado melhor.

– Faça do seu jeito, mas se magoar ele de novo, eu acabo com a sua raça, Changmin. – Afirmou Donghae.

– Eu assumo as consequências, hyung. – Disse Changmin suspirando pesadamente, sentindo os braços de Jaejoong envolvê-lo pela cintura em um abraço.

– Anda, vem me ajudar, eu não quero estragar a sua noite de natal.

Changmin aceitou o convite de Donghae e os dois trataram de cortar as frutas para enfeitar uma grande salada que o mais velho havia preparado. Yunho e Jaejoong pouco entenderam como aquela discussão, que poderia ter ganhado proporções terríveis, foi terminar com os dois cortando carambolas em forma de estrela e as colocando em uma bandeja de prata. Donghae não tocou mais no assunto do ciúme de Kyu e logo os dois rapazes voltaram a conversar normalmente.

O que no final das contas os três rapazes perceberam é que Changmin mudara muito rapidamente, e eles sabiam que aquilo era influência do tempo que ele passava com Yoochun. Changmin parecia mais audacioso e mais desbocado, do que o rapaz polido que eles antes conheciam. Talvez aquela fosse uma reação ao relacionamento enfraquecido com Kyu, mas eles sabiam que ele estava diferente, e Jaejoong conseguia reconhecer um pouco de amargura, da mesma maneira que reconhecera em Yunho quando o conhecera.

Eles se uniram na ceia de natal não muito tempo depois, quando os ânimos estavam mais calmos e nem Donghae nem Changmin pareciam ter discutido, e nenhum dos presentes pareceu desconfiar, muito menos Kyuhyun. Depois do delicioso e farto jantar, eles trocaram presentes. Claro que Changmin detestou ver que Siwon ganhou um terno de linha, isso até Kyu entregar-lhe seu presente.

Era um Ipod que havia acabado de ser lançado, com tantas funções que Changmin desconhecia que o deixou embasbacado e brevemente envergonhado com os óculos de sol que dera a Kyu. Não que fossem baratos, mas não se comparavam a tal novidade tecnológica. Kyu sorria ao seu lado, enquanto Changmin ligava o objeto, dizendo em tom calmo, mas um tanto desconcertado:

– Não foi caro, meu príncipe?

– Eu trabalhei muito esse ano, achei que você merecia um mimo.

Kyu viu Siwon rir-se dele e se afastar, guardando seu presente novamente no pacote, uma vez que tinha muito carinho pelo mesmo. O resto da noite, depois da troca de presentes fora tranquilo. Eles uniram-se na sala e contaram histórias sobre aquele ano e as grandes mudanças pelas quais passaram. Kyu deitou-se nos braços de Changmin e aproveitou o momento para ficar mais próximo de seu namorado, que deixava carícias em seus cabelos.

Kyu ficou mais do que satisfeito com o óculos de sol e ganhou de Siwon uma bela corrente de ouro branco. Foi a primeira vez que Changmin percebeu a diferença financeira entre ele e Siwon e aquilo pouco o agradou. Donghae depois da entrega de presentes ficou mais próximo a Hyuk, apenas observando Kyu, que parecia especialmente feliz aquela noite, o deixando intrigado se o motivo de sua felicidade era por ter Changmin presente, ou Siwon.

Aquele fora o natal que Kyu mais se recordaria, pois para ele, aquele dia marcava sua vitória acima dos problemas que tivera naquele ano. Ele havia superado e lá estava ele nos braços de Changmin. Enquanto Changmin finalmente concluiu que Donghae era um bom amigo, mas sempre, inconsideravelmente ele estaria ao lado de seu querido Kyuhyun e Changmin de forma alguma o culpava.  O posicionamento de Donghae o pegou de surpresa, mas ele decidira que não aconteceria novamente, ele ainda confiava em seu hyung, mas não cegamente como Kyu.

A semana se passou rápida e sem neve, o que deixou a noite de ano novo brevemente mais quente e muito mais transitável. Aquilo era perfeito para os planos que Yoochun e Changmin haviam feito de passarem a virada do ano no rio Han de onde era possível ver os fogos de artifício. Kyu desejava passar seu ano novo com Donghae, no entanto, deixa-lo sozinho com Yoochun na noite da virada não pareceu uma boa ideia, por isso ele tratou de acompanha-lo.

Changmin dirigia animado em direção ao ponto turístico da cidade, que estava brevemente agitada, por mais que já fossem dez horas da noite. Eles haviam jantado em um delicioso restaurante o qual fora reservado com antecedência por Changmin e finalmente, bem alimentados, eles seguiam para o local onde combinaram de se encontrar. Eles tiveram dificuldades de encontrar um lugar para estacionar, e acabaram um tanto afastados da entrada.

A caminhada até onde haviam combinado com Junsu e Yoochun fora lenta devido ao grande número de pessoas que por ali transitava. Quando eles os encontraram, os dois rapazes tinham estendido uma toalha no chão, como se fosse um piquenique e ambos estavam deitados sobre ela, Junsu sobre seu estômago e Yoochun de costas o fitando atentamente. Assim que os visualizou, Junsu ergueu a mãos os chamando e o casal se aproximou sorridente.

O casal após cumprimentar Kyu e Changmin sentou-se dando espaço para os dois sobre a grande toalha esticada no gramado. Eles tiraram os sapatos e Changmin se sentou primeiro, acomodando seu namorado entre suas pernas, que preguiçosamente se apoiou em si. Eles não demoraram a engatar uma conversa animada, o que fez Kyu se sentir a vontade, apesar de um tanto enciumado de como Changmin rapidamente sentia-se bem ao conversar com o Yoochun.

Entre sucos de laranja e cachos de uva trazidos por Junsu e Yoochun eles mal viram as horas passarem, enquanto aos poucos o local ficava mais cheio, todos procurando um lugar para se acomodar no gramado em volta do rio. Vez ou outra os casais deixavam as conversas de lado e davam atenção ao seu próprio par, o que finalmente satisfez completamente Kyuhyun, que amava ter beijos discretos distribuídos em seu pescoço, além da atenção total de Changmin. Junsu recebia beijos em seu pescoço quando disse:

– Chunnie, esse cheiro de maçã do amor está me matando, compra uma pra mim?

– Onde eles estão vendendo?

– Ali, hyung. – Disse Changmin. – Você quer uma, Kyunie?

– Quero. – Disse Kyuhyun, sorrindo ao seu namorado.

– Eu não demoro.

Changmin roubou um selar dos lábios de seu namorado antes de se levantar e se afastar lado a lado com Yoochun. Micky abraçou o rapaz pelos ombros, enquanto eles caminhavam, sentindo o ar da noite apesar de frio, revigorante. Changmin apertou o cachecol em seu pescoço a fim de protegê-lo, para por fim perguntar ao mais velho:

– Como foi o seu natal?

– Foi bom, Changmin-ah, eu senti falta de jantares mais sofisticados com o Su. – Afirmou Yoochun. – E como foi na casa do Hyuk?

– Poderia ter sido melhor, hyung.

– Por que?

– Primeiro porque o Siwon estava lá e eu não pude colocar veneno na comida dele. – Changmin pausou quando Yoochun riu. – Depois porque o Hae me disse um monte de coisas sobre eu ser um namorado melhor.

– Donghae pensa que é a sua sogra, Changmin.

– Ele meio que insinuou que eu e você tínhamos um caso?

– O que? Esse Donghae andou cheirando as meias do namorado dele né?

– Ele disse que você não era muito de ter amigos e achava estranho nós dois apegados exatamente porque os nossos namorados estão ocupados.

– E o que o Kyu disse sobre isso? Ele quer que eu me afaste, não quer?

– O Kyu não sabe, a menos que o Hae-hyung tenha contado algo a ele. – Afirmou Changmin. – Eu não quero que isso se espalhe, hyung, eles podem ficar com raiva de nós. O Junsu-hyung e o meu príncipe.

– O Su não me preocupa, acredite, se algo incomodar ele, eu vou saber como lidar. – Afirmou Yoochun. – Não posso dizer o mesmo do seu namorado.

– Eu gosto tanto dele, hyung, mas parece que as coisas conspiram contra nós. – Disse Changmin antes de pedir uma maçã do amor ao senhor que as vendia.

– O que me deixa indignado é que eu não posso ter um amigo sem parecer suspeito. Eu sei que não sou a pessoa mais amigável do mundo, mas eu gosto da sua companhia e nem por isso quero te levar para um motel comigo.

– É injusto, hyung, com nós dois.

Changmin e Yoochun se demoraram reclamando das opiniões de Donghae enquanto ao longe, Junsu os observava carinhosamente, percebendo que há muito não tinha um ano novo tão agradável como aquele. Assim que os rapazes estavam distantes, Kyuhyun se arrastou sobre a toalha e se sentou ao lado de Junsu que sorriu-lhe simpático. Kyu se remexeu ansioso, desejando começar um tópico com o mais velho, ainda sem saber como, ele introduziu o assunto sutilmente:

– O Changminie e o Yoochun-hyung estão se dando tão bem ultimamente não é?

– Estão sim, Kyu. – Disse Junsu que apesar de gostar da nova amizade, estava ciente do ciúme de Kyuhyun.

– O Changminie antes passava muito tempo em casa, mas agora ele sempre sai com o Yoochun-hyung. – Afirmou Kyuhyun, brincando com seus dedos, sem fitar o mais velho.

– Ah sim, de fato eles tem se divertido muito. – Afirmou Junsu.

– Você não se importa, hyung? Com seu namorado menos tempo em casa? Saindo com outro homem?

– Aonde quer chegar, Kyunie?

– Não é nada, hyung, é só…

– Eu sei que você não é a pessoa que mais aprova essa amizade, mas isso é porque você é inseguro. – Afirmou Junsu, deixando o outro corado e sem reação. – O Yoochun não é a pessoa mais fácil de conviver, ele é sozinho neste mundo, sempre foi, desde que eu o conheci. A família dele se afastou quando ele se assumiu homossexual, e não sobrou muito pra ele, por isso eu acho uma dádiva ele ter encontrado um amigo. Alguém com quem ele não tenha pudores de reclamar da vida, de falar mal das pessoas e de compartilhar bons momentos.

– Enquanto ele compartilha estes momentos com o Yoochun-hyung, ele passa menos tempo comigo. – Reclamou Kyuhyun, impensadamente.

– Fala como se você tivesse todo tempo do mundo para estar com ele. – Acusou Junsu. – Eu também não tenho, e detestava chegar em casa e ver que o meu Micky tinha jantado sozinho, assistido ao noticiário sozinho e passado a noite sozinho. Não entendo os seus medos, Kyuhyun, o Yoochun pode ter o carinho que for pelo Changmin, eu sei que não vou ser substituído e olha que o nosso histórico depõe contra o Yoochun.

– Como você pode ter tanta certeza de que não vai perder ele de novo, hyung?

– Porque ele pode virar a noite com o Changmin, é pra mim que ele sempre volta. E ele pode voltar com toda sorte de histórias entre ele e o amigo dele, mas ele continua sendo o meu Yoochun, os beijos dele são pra mim, os carinhos, o amor dele ainda é meu. Eu sei que estou com menos tempo ao lado dele, mas ver ele voltar feliz pra casa e pra mim, vale o preço.

– Talvez você tenha razão, hyung.

– Talvez? – Indagou Junsu com ar estupefato. – Pare de ser egoísta, Kyuhyun. É tudo em torno do que ele faz por você, de quanto tempo ele passa com você, do quanto ele te apoia, olhe para o seu namorado, ele está feliz com uma amizade e não te abandonou por causa dela, fique feliz por ele ao menos uma vez.

Kyuhyun piscou algumas vezes e desviou o olhar assim que os dois chegaram. Ele detestara ser chamado de egoísta, e repreendido daquela forma, no entanto, disfarçou seu desgosto assim que Changmin sentou-se próximo a si. Ele aceitou a maçã do amor de bom grado, e sorriu ao rapaz que o abraçou pela cintura carinhosamente. A opinião de Junsu sobre aquele assunto era por demais controversa e Kyu o considerou bobo por não desconfiar por um segundo sequer de Yoochun.

Changmin recostou o rosto em seu ombro, enquanto um silencioso Kyu comia a maçã do amor. Ele o observou demoradamente, enquanto ao seu lado, Junsu e Yoochun dividiam o doce, rindo um do outro quando se lambuzavam de caramelo. Foi nesse clima romântico que o ano novo sul coreano chegou, trazendo esperanças e expectativas aos dois casais. Enquanto os fogos iluminavam-se diante de seus olhos, Kyu e Changmin sentiam as batidas aceleradas de seu coração.

Eles sabiam que o ano seguinte trazia-os problemas, apenas esperavam que conseguissem superar, continuar juntos, como estavam, como adultos, como homens apaixonados. Kyu apertava-se contra Changmin, sentindo a pele do mais alto sobre a própria, acalmando seu coração, lavando sua alma, renovando suas esperanças. Ele não tinha dúvidas de quanto amava Changmin, e do quanto era amado pelo rapaz, restava que os fatores externos não superassem aquele amor.

Changmin estava mais otimista para o ano que se aproximava. O casal ao seu lado era o melhor exemplo a ser seguido e ele desejava chegar aos noventa anos como aqueles dois, apaixonados, unidos e cheios de cumplicidade. Ter Kyu em seus braços, seu corpo recostado ao seu o lembravam daquele sentimento forte de pertencimento que ele teve quando o pediu em namoro. Aquele era o seu Kyuhyun, o homem a quem amava, e com quem desejava passar o resto de sua vida.

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3 pensamentos sobre “Capítulo 45 – Fireworks upon the Han river

  1. Oie Rô o/

    Posso falar que Candy Bar está confusa? Não no sentindo literal, mas no quesito sentimentos (?) entende. Houve uma reviravolta que não esperava, como essa amizade do Chang com o Yoochun isso embolou ainda mais a situação. O que deixa a estoria mais imprevisível, sem saber como isso vai acabar. Por mais que eu goste do Changmin se posicionando e tal sinceramente essa amizade dele com Yoochun não me agrada. Acho o Chun um encrenqueiro amargurado que está influenciando de forma errada o Changmin ele fica se baseando no seu relacionamento com Yunho e enchendo a cabeça do Chan de besteiras…. rs por favor não me bata por falar assim do Chun eu só acho ele assim aqui na fic..lol

    Fiquei tensa com esse embate do Donghae com o Chang, nossa o Hae totalmente aquela mãe que defende a cria de unhas e dentes. Mas eu gostei dessa discussão saiu muitas verdades, concordo quando o Hae diz que quando um relacionamento vai mal se aproximar de outra pessoa não é uma coisa boa a se fazer, embora eu não acredite que eles se envolveriam romanticamente. Posso está errada mais não acho que isso ocorreria. Changmin não está com a cota alta entre Hae e Hyuk depois do que aprontou então é compreensível Donghae está um pé atrás em relação as suas atitudes afinal o que importa para o Hae é o bem estar do Kyuhyun. Mas tbm acho que Eunhae mima e protege demais Kyuhyun o que é prejudicial.

    Você tem o dom sabe, porque me fazer ficar de nariz torcido pra toda e qualquer interação entre WonKyu tem que ter o dom. Porque é o que acontece quando Siwon aparece na fic. Essa maldita intimidade deles me dá nos nervos esses apelidos Kyunie, meu menino, Wonnie bléh, os abraços, as opiniões do Siwon sobre o Changmin tenho vontade de vomitar. Sério mesmo. Siwon é insuportável nessa fic, nossa. u_u Ele age como fosse o senhor perfeito enquanto foi o que fez a merda maior na estória. Se acha o absoluto, que volta pra vida do Kyuhyun depois de abandona-lo e quer ter a mesma importância que tinha antes de ir embora e a besta do Kyu deixa.

    Esse diálogo entre Junsu e Kyuhyun foi muito bom. Junsu falando umas verdades do Kyu que ninguém tinha falado, fazendo Kyuhyun ouvir o que não gostou, mas ninguém mandou ele insinuar coisas pra o Junsu né. No fim ChangKyu tão fazendo tudo errado, mantendo amizades de forma errada e isso só irá ferrar com o relacionamento deles, porque os ciumes que sentem um do outro só vai deteriorando a relação e as vezes chega em um ponto que não tem volta.

    A parte bonita da fic foi o encontro com os pais do Kyu. Sr. Cho me surpreendeu quando ele chamou Changmin pra conversar. Achei que ele seria grosseiro mais nem foi, ele ainda depois de todos esses anos acha difícil aceitar que o filho é gay, mas pelo menos quer voltar a fazer parte da vida do Kyu. Achei engraçado ele falando que no fim ele teve duas filhas. Tomara que a reação do Kyu quando ver os pais na sua formatura seja a melhor possível.

    Rô a fic tá linda como sempre. Obrigada pela atualização.

  2. Que gracinha o Changmin indo convidar os pais do Kyu pra formatura,gente *—* ❤ O Changmin super amor, sempre pensando nele e o Kyuhyun ainda tem o disparate de desconfiar dele! Injusto u.u….. Eu tô é adorando essa interação do Changmin com o Yoochun (YooMin <33333333 8D) Mas acho que o Kyu merece uns cascudinhos, viu. Às vezes parece que ele não sabe o que quer, se o Min o colocar na parede e mandar escolher de uma vez entre ele e o Siwon, ele ainda vai demorar a responder! O Siwon já chegou chegando, depois de tudo ainda passa Natal debaixo do mesmo teto que o Kyu e o Changmin e todos os apelidinhos de antes! Não é normal voltar tudo assim como se nada tivesse acontecido! Por mais que o Kyu diga que ama o Changmin, olha… ele ainda tem todos os tombos pelo Siwon (não é nem queda…)

    Menina, acho realmente incrível como você consegue manter um padrão nas atualizações ç_ç… Ai obrigada XD~~
    Desnecessário dizer que a cada capítulo amo mais ainda a fic!
    beijoo ❤

  3. Unnie… Não fique chateada… Mas eu não consigo ver os seus personagens como o Kyu, Changmin, Donghae e os demais reais… Eu os vejo como personagens de vida própria, e não consigo visualizá-los como os membros por trás deles… Eu não acho que isso seja algo ruim, Unnie. Você criou pessoas novas, um mundo novo, e eu sei o quanto isso significa para um escritor.

    Agora, falando sobre a sua história. Unnie, eu não gosto do Changmin com o Kyu. Não sei se é pessoal ou algum fator que me é desconhecido, mas eu gosto mais do Kyu com o Siwon. Porque o Siwon é mais sério, sensato e dá mais valor para o Kyu que o Changmin. Sim, por mais que o Siwon tenha abandonado o Kyu no passado, por mais que ele tenha deixado o homem que amava pelos seus sonhos e ideais, ambos ficaram sangrando… E as feridas do coração, Unnie… Essas se abrem, doem, e machucam muito… Outras pessoas podem vir e ajudá-las a se fecharem… Mas sempre restam cicatrizes… Não é como se aquela pessoa ficasse intocada… E eu acho que a única pessoa que pode renovar o coração do Kyu, que pode deixá-lo bem novamente, é o próprio Siwon. Só ele pode desfazer o mal que ele fez. Eles se amam, mesmo cicatrizados, mesmo ressentidos… Eu sei que o que eu disse não muda as coisas, mas… Eu acho que me afeiçoei pelos seus personagens, kkk.

    Eu gosto dos demais casais, mas ainda acho que o Changmin não leva jeito para estar ao lado do Kyuhyun… Ele é imaturo, ele não pensa no que faz, e por mais que o Kyu goste dele, esse com certeza vai ser um relacionamento que vai machucá-lo muito…

    Enfim, parabéns pela história, Unnie! Você escreve maravilhosamente bem. Conte com uma fã.

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