Capítulo 46: Family

 

Há tempos Changmin não se sentia tão ansioso. Suas mãos suavam frias e ele esfregava as palmas uma contra a outra enquanto caminhava de um lado a outro pela sala devidamente arrumada. Kyu estava sentado na confortável poltrona, com seus óculos nos olhos e o olhar sobre um livro em seu colo. Changmin sentou-se no sofá, por cinco minutos e depois voltou a caminhar, sentindo o frio na barriga aumentar.

Seus pais estavam na cidade há três dias e sua formatura era dali dois dias, ele não tinha mais como escapar. O senhor e a senhora Shim estavam hospedados em um hotel no centro e ainda não conheciam o novo apartamento de seu único filho. Eles visitaram Jaejoong na casa de Yunho e não aparentaram desconfiar do relacionamento daqueles dois e Changmin bem sabia que sua própria revelação seria um baque muito grande para os dois.

As perguntas sobre sua nova moradia e seu novo companheiro de apartamento foram todas deixadas para depois, pois Changmin os prometia que os contaria quando o apresentasse. Aquela era a noite, ele e Kyu haviam combinado todos os detalhes e apenas esperavam os pais de Changmin chegarem de sua tarde de compras no centro de Seul. Um jantar preparado pelos dois rapazes esperava na cozinha, pronto para ser esquentado e servido aos dois.

Quando se cansou da agitação de seu namorado, Kyu deixou o livro de lado e se levantou seguindo em direção ao mesmo. Changmin suspirou pesadamente, quando Kyuhyun segurou suas mãos e se aproximou dele, unindo seus lábios demoradamente. Changmin o abraçou pela cintura e Kyu o acariciou nos ombros, tentando sem sucesso tranquiliza-lo. O menor beijou seu pescoço e acariciou seus cabelos negros se afastando enquanto dizia:

– Fique tranquilo, meu Changminie. – Afirmou Kyuhyun. – Você é corajoso, vai dar tudo certo.

– Eu não posso mentir mais pra eles, mas não vejo como isso pode dar certo, meu príncipe.

– Eu vou estar aqui com você. – Afirmou Kyu acariciando os cabelos do outro. – Se ficar difícil, você pode pedir licença e ir até o quarto, ficar comigo lá trancado por alguns minutos e depois voltar para a sala.

– Acha que isso pode terminar bem, meu príncipe?

– Só vamos descobrir tentando.

Assim que Kyu terminou a frase, Changmin se permitiu beijar os lábios do rapaz demoradamente. Enquanto seus lábios se encontravam em selares estalados a campainha tocou, anunciando a tão esperada visita. Aquele era o grande momento de Changmin colocar toda sua coragem a prova, e ele sabia que Kyu estaria o apoiando. Ele roubou um selar de seus lábios, e Kyu voltou a pegar seu livro antes de se afastar em direção ao quarto, onde esperaria pelo momento certo.

Changmin seguiu para a porta, e no caminho sentiu seu celular vibrando no bolso traseiro de sua jeans. Ele abriu a mensagem de texto e tinha uma mensagem de boa sorte de Yoochun, o relembrando para manter a calma, independente da reação de seus pais. Changmin abriu a porta e sorriu. Sua mãe voltou a abraça-lo e seu pai deu tapinhas em seu ombro direito antes do rapaz abrir espaço para que os dois entrassem.

– Que lugar bonito, meu filho. – Elogiou a senhora Shim logo que chegou à sala.

– Obrigado, mãe. – Disse Changmin, ansioso.

– Você que decorou? – Indagou seu pai, começando a se atentar aos detalhes da sala e Changmin percebeu quando seu olhar recaiu sobre a boneca que adornava a estante.

– Eu e o Kyuhyun. – Disse Changmin, vendo sua mãe fitar demoradamente uma das fotografias na estante em que ele e Kyu estavam abraçados.

– E onde está este seu amigo? – Indagou o senhor Shim.

– No quarto. – Afirmou Changmin. – Por que vocês não se sentam? Eu preciso conversar com vocês na verdade.

Os dois se entreolharam, agora tão ansiosos quanto seu filho. Eles se acomodaram no sofá, de mãos dadas, o fitando com ar sério. Eles conheciam Changmin, sabiam que ele escondia algo de si, reconheciam suas respostas evasivas, suas mudanças de assunto. É claro, ele havia mudado drasticamente desde a última vez que se encontraram, apenas não faziam ideia de quais proporções as mudanças de Changmin haviam tomado.

O rapaz arrastou a poltrona e se sentou próximo a seus pais, de forma que pudesse fita-los de frente. Changmin juntou as mãos em seu colo, enquanto seus pais silenciosos tentavam ler o que o rapaz queria dizer por trás de suas feições. Eles tentavam se convencer que se tudo estivesse bem com a saúde do rapaz, nada poderia abala-los, mas eles bem sabiam que não era assim.

– Diga, meu filho. – Encorajou sua mãe, o acordando de seus pensamentos.

– O que eu quero falar, é sobre o rapaz que mora comigo, o Kyuhyun. – Disse Changmin, vendo seus pais assentirem silenciosamente. – Ele não é meu amigo. Quer dizer, ele não é só meu amigo.

– O que quer dizer com isso? – Indagou o senhor Shim.

– Ele é, na verdade, o meu namorado.

A mãe de Changmin puxou o ar pela boca sonoramente, cobrindo os lábios com a mão, enquanto seu pai baixava a cabeça cobrindo os olhos. Ele bem sabia que aquilo não era bom, sabia que algo os machucara em sua frase. Sua mãe desviou o olhar para a fotografia, ainda tentando absorver aquela nova informação, enquanto seu pai procurava as palavras corretas para definir o que se passava em sua mente naquele momento. Changmin tinha a impressão que eles gritariam consigo a qualquer momento. Seu pai finalmente ergueu o olhar, enquanto os olhos de sua mãe enchiam-se de lágrimas.

– Você perdeu a cabeça, Changmin?

– Pai, eu posso explicar.

– Explicar o que? Que o meu filho é uma bicha? Foi pra isso que eu te criei, garoto?

– Changmin, meu filho, isso está errado! – Começou a senhora Shim.

– Por que? Eu tenho a minha vida, me sustento, tenho o meu emprego e moro com alguém que eu amo, o que há de errado nisso?

– O que te deu na cabeça pra achar normal namorar outro homem, Changmin? – Indagou seu pai.

– Eu gosto dele, appa! – Defendeu Changmin. – E me chamar de bicha não vai me afetar.

– Changmin, qual é o seu problema? – Disse seu pai, se levantando exaltado. – Você é meu único filho, e não nasceu pra ser viado!

– E o que você vai fazer sobre isso? Que opções o senhor acha que tem?

– Changmin, eu não vou concordar com esse absurdo, o que as pessoas diriam? Seus tios, seus avós?

– Eles não me sustentam e não vão se intrometer na minha vida! – Afirmou Changmin se levantando. – Eu já passei por muitas coisas desde que eu assumi o meu namoro com o Kyu, pai, eu fui taxado de viado, perdi amigos, apanhei na rua, eu comi o pão que o diabo amassou do lado dele. Quando eu disse a vocês que eu sofri um acidente, na verdade eu e ele fomos atacados atrás do bar onde ele trabalhava por estarmos andando de mãos dadas.

– Changmin, por que só nos contou isso agora? Por que mentiu? – Indagou sua mãe, ainda mais surpresa com tal revelação.

– Porque eu não estava pronto pra assumir isso ainda. – Contou-lhes Changmin. – Não naquelas circunstâncias.

– É por isso que você não mora mais com o Jaejoong? Ele também não aceitou. – Concluiu o pai de Changmin.

– Ele namora o Yunho, pai. – Afirmou Changmin. – Ele é tão gay quanto eu e nós apenas não moramos juntos porque eu quis me mudar com o Kyu.

– E de pensar que eu financiei isso.

– Eu te devolvo cada centavo, se o seu problema é dinheiro. – Afirmou Changmin. – Eu não estou te pedindo pra aceitar, pai, não estou te pedindo pra gostar, aplaudir as minhas escolhas, estou te pedindo para respeitar.

– Filho…

– Você não tem escolha, pai, você pode me respeitar ou me renegar como seu filho. – Afirmou Changmin. – E se a sua escolha for a segunda, vai me magoar muito, mas eu vou superar.

– Não! – Disse a senhora Shim, segurando a mão do mais alto. – Você e meu filho e eu amo você, apesar de não gostar desse seu estilo de vida, você ainda é meu filho.

– Pai? – Chamou Changmin.

– Se essa é a sua escolha. – Disse o senhor Shim. – Mas saiba que eu não aprovo isso, Changmin, você é um homem e eu não posso mais dizer o que você deve ou não fazer. Saiba que eu não me orgulho disso, e muito menos gosto, mas você é meu filho e eu amo você.

– Eu também amo você, pai. – Disse Changmin soltando a mão de sua mãe e abraçando seu pai, quando se afastou ele disse calmamente. – Acho que é hora de vocês conhecerem ele.

– O que? – Disse o casal em uníssono.

– Ele está no quarto, esperando.

Changmin sorriu-lhes e antes que pudessem rebatê-lo, ele os deixou, seguindo corredor adentro até o quarto que dividia com Kyuhyun. Seu namorado estava sentado sobre a cama, trajando roupas casuais e seu livro no colo. Ele ergueu o olhar assim que o sorridente Changmin apareceu à porta e o sorriso no rosto de seu namorado tranquilizou seu coração ansioso. Kyu deixou o livro sobre a cama e caminhou até a porta, dizendo baixinho:

– Tudo bem?

– Acho que sim, meu príncipe. – Afirmou Changmin. – Quer dizer, acho que eles ainda estão absorvendo a ideia.

– Vai demorar um pouquinho pra eles se acostumarem.

– Vamos, eu quero te apresentar.

– Eu estou bonito? – Disse Kyuhyun alisando sua blusa fina de mangas compridas.

– Está lindo.

Changmin estendeu a mão ao seu namorado que roubou um selar de seus lábios antes de sair do quarto. Kyu estava ansioso e entrelaçou os dedos aos do outro rapaz, enquanto os Shim o esperavam na sala, sem saber direito como reagir em tal situação. Assim que eles apareceram à sala, Kyu os reverenciou polidamente por diversas vezes. Os pais de Changmin desnorteado apenas o corresponderam, enquanto Kyu se apresentava.

Ao contrário do que os pais de Changmin imaginaram, Kyu não era um rapaz afeminado. Ele não usava roupas ou acessórios espalhafatosos, não tinha um jeito afetado e nem voz fina. Não tinha trejeitos estranhos, nem nada que denunciasse sua sexualidade, não fosse o fato de estar de mãos dadas com seu filho e de usar uma aliança semelhante no mesmo anelar. No final das contas, Kyuhyun era apenas mais um rapaz, e passaria despercebido como amigo de Changmin se ele assim o desejasse.

Claro que as desconfianças dos Shim começaram a partir do momento em que viram as fotos dos dois abraçados nas estantes. A aliança de Changmin também o denunciava, mas claro, eles esperavam conhecer uma moça e não outro rapaz. Kyuhyun e Changmin os guiaram para a cozinha, onde esquentaram e serviram o jantar que haviam preparado, deixando os pais de Changmin embasbacados. Eles não falaram nada, até Kyu se acomodar em uma das cadeiras, então finalmente a mãe de Changmin se manifestou:

– Então, Kyuhyun, como você conheceu o meu filho?

– Nós estudamos juntos, ahjuma. – Afirmou Kyuhyun.

– E como isso começou? Quer dizer, tudo isso, como foi?

– Bem… – Disse Kyuhyun pausadamente, vendo Changmin sorrir para ele ao juntar-se a eles na mesa. – O Changminie não era muito bom com os cálculos, então ele me pediu ajuda e nós acabamos nos aproximando.

– Mas você já era gay antes de conhecer o meu filho?

– Omma! – Chamou Changmin, rindo-se da pergunta da mesma.

– Eu sempre fui gay, ahjuma. – Explicou Kyuhyun.

– E o que os seus pais pensam sobre isso, Kyuhyun? – Indagou o pai de Changmin.

– Bem, eu perdi contato com os meus pais há alguns anos. – Afirmou Kyuhyun. – Eu me assumi da forma errada, ahjusshi, e depois saí de casa ainda muito jovem.

– E existe uma forma certa de se fazer isso? – Duvidou o senhor Shim.

– Sim, o que eu não acho que existe é uma forma fácil disso acontecer. É um processo, exige tempo e paciência. Eu não espero que vocês gostem de mim e do nosso relacionamento da noite para o dia, e eu disse isso ao Changminie.

– Não é nada contra você, rapaz, mas essa situação toda é estranha.

– Eu sei que é, pai, mas eu sou feliz assim. – Explicou Changmin. – Eu nunca fui tão feliz em toda minha vida quanto ao lado do Kyu.

Seu pai suspirou pesadamente, mas Changmin pôde ver um resquício de sorriso nos lábios de sua mãe. Ele sempre fora mais próximo de sua mãe que compreendia melhor seus sentimentos desde que ele era um menino. A sensibilidade feminina, o instinto maternal faziam daquela senhora uma pessoa mais paciente e compreensiva do que o pai, que pouco acreditava no potencial do filho até vê-lo ali independente e agora com diploma.

O jantar se seguiu tranquilo, mas os pais de Changmin não permaneceram muito tempo por ali. Suas mentes ainda giravam enquanto eles digeriam não só o jantar, mas a nova faceta de seu único filho. Eles sabiam que depois de tanto tempo longe, não poderiam impor sua vontade sobre Changmin, ele precisava trilhar seus próprios caminhos. Claro que a mesma pergunta ainda os abordava, em busca de erros que tivessem levado seu filho por aquele caminho, sem saber direito em quem ou no que colocar a culpa.

A formatura dali três dias não os deu muito tempo para digerir, apesar de terem conversado muito com Changmin, na tentativa de entender melhor como seu filho se sentia e os motivos de ter escolhido aquela como sua vida. Eles conheceram Yoochun e Junsu e de repente o futuro de Changmin não pareceu aos seus olhos algo assim tão terrível. Donghae e Hyukjae também deram-lhes novas expectativas do que esperar de Changmin. Nenhum daqueles casais apresentados eram chamativos ou espalhafatosos, e na formatura os pais de Changmin viam certa normalidade naqueles casais que se uniram a eles na formatura de seu filho.

A noite de formatura em janeiro chegou sem neve apesar do clima frio. Como Donghae prometera à senhora Shim, ele ajudaria Changmin a se arrumar apropriadamente, assim como Kyuhyun. Os smokings haviam sido preparados com antecedência, e se ajustavam perfeitamente aos corpos dos dois formandos. Donghae caminhava de um lado a outro, entre nós de gravatas e golas perfeitamente dobradas. Na sala, quando estava devidamente arrumado, Changmin viu Donghae calmamente penteando os cabelos de Kyu que se ajeitaram emoldurando seu rosto fino.

Os olhos de Kyuhyun percorreram a silhueta de Changmin que se recostara à parede com as mãos nos bolsos da calça. Ele achou o mais alto especialmente bonito aquela noite, com seus olhos negros combinando com a cor escura do terno que usava. Kyu se lembrou da primeira vez que o vira, a primeira vez que o vira adentrando à sala de aula e achara suas feições atraentes e em seguida se desinteressou devido à personalidade irresponsável do rapaz.  E lá estava o irresponsável Changmin, em um belo smoking, pronto para pegar seu suado diploma.

Eles fariam a cerimônia de colação de grau em um auditório e o jantar e baile seriam em um salão ao lado. Donghae terminou de arrumar o cabelo de Kyu que se levantou e caminhou em direção ao seu namorado, roubando um selar de seus lábios. Donghae ralhou para que os dois não desmanchassem seus cabelos ou amarrotassem o traje, por mais que ambos soubessem que ele não duraria a noite toda. Quando Hyuk chegou, eles beliscaram algumas maçãs na cozinha e seguiram para o local do evento.

Poucos de seus colegas se formariam naquele dia, e eles tinham Siwon como patrono de sua turma que se afeiçoara ao rígido professor, com exceção de Changmin que ainda o considerava detestável. Assim que chegaram encontraram Siwon junto ao professor de cálculo e o diretor do curso, todos trajando vestes de veludo com as cores da faculdade. Kyu desejou ir cumprimentar Siwon, no entanto, eles foram guiados para vestirem as becas, com a faixa azul devido ao curso.

Entre aquela correria nos bastidores, para arrumar as vestes e organizar os poucos formandos daquela turma, os convidados foram chegando. Hyukjae e Donghae chegaram com Sungmin e Henry, muito antes do evento começar. Logo ao seu lado, os pais de Changmin elegantemente trajados se acomodaram, aos poucos o auditório ia se enchendo com um burburinho, enquanto as pessoas se acomodavam. Yoochun e Junsu chegaram mais tarde, e assim que viram onde seus amigos estavam acomodados, Micky puxou seu namorado na direção oposta.

– Eu não vou cumprimentar o Donghae!

– Claro que vai, anda o Hyuk tá lá, e ele já viu a gente. – Disse Junsu acenando.

– Ele disse que eu não sou flor que se cheire, e que eu tô pegando o Changmin, eu não vou falar com o Donghae!

– Já assistiu aquele desenho Madagascar? – Indagou Junsu. – É o mesmo princípio, sorria e acene.

– Eu lá tenho cara de pinguim?

– Micky, eu não vou sentar longe do Hyuk, e até os pais do Changmin estão ali, anda!

Yoochun revirou os olhos e eles se acomodaram uma fileira atrás dos casais, que viraram-se para cumprimenta-los. Junsu realmente ficou surpreso quando Micky realmente ignorou Donghae, vendo o rapaz também ignorar seu namorado. Eles estavam lá reunidos e aos poucos a agitação ia diminuindo enquanto eles esperavam a formatura finalmente começar. Yoochun foi o único que reconheceu os Cho quando eles adentraram o recinto e não demorou muito para os três familiares de Kyu se acomodarem ao seu lado.

Yoochun conversou com os três que pareciam ansiosos para ver Kyu, e o rapaz tratou de acalma-los, dizendo-lhes que a cerimonia não demoraria a começar. Junsu pendeu o corpo para frente, e como não recebeu atenção de seu namorado, ele o chacoalhou, em busca de sua atenção. Yoochun desviou o olhar para seu namorado que apontou discretamente o casal, a moça e o rapaz que viera com ela, o perguntando de quem se tratavam.

– Ah, esses são os pais do Kyu.

Donghae e Hyukjae viraram o rosto tão rapidamente que por alguns instantes, Junsu podia jurar que eles haviam se machucado. Eles fitaram os Cho demoradamente e logo Donghae abriu um largo sorriso afirmando que era ótimo finalmente conhecê-los. Claro que ele não deixaria de ressaltar o quão orgulhosos eles deveriam estar de Kyuhyun, e sobre como ele crescera e se tornara um homem maravilhoso. De cara, a mãe de Kyu se identificou com o rapaz, mas eles não deram continuidade ao diálogo, uma vez que a luz baixou anunciando o começo da cerimonia.

Foi quando os atrasados Yunho e Jaejoong chegaram e uniram-se a eles, nas poucas poltronas vazias na fileira. Eles estavam de mãos dadas e trajavam belos ternos, recebendo elogios da mãe de Changmin. Assim que eles se sentaram, as cortinas se abriram e revelaram os formandos sentados em fileiras no palco. Yoochun sorriu ao ver os olhos da senhora Cho ao seu lado encher-se de lágrimas ao ver seu filho no palco. As homenagens foram demoradas, mas ainda assim a colação fora uma cerimônia muito bonita.

Kyu fez a homenagem aos professores e de longe ele pôde ver Siwon discretamente afastar as lágrimas de seu rosto. Changmin fora o único que não abraçou o docente na entrega dos diplomas e Siwon tampouco parecia disposto a abraçar o rapaz, um aperto de mãos fora mais do que suficiente. Em compensação, seu abraço com Kyu fora o mais demorado, por mais que ele não tivesse acariciado os cabelos do mesmo como gostava de fazer, no entanto, ele pôde sussurrar no ouvido do menor como estava orgulhoso dele.

Os pais de Changmin já não se importavam com a sexualidade de seu filho, não diante de tal realização do rapaz. Ele os deixara orgulhosos, era finalmente um homem formado, responsável e independente. A família Cho também estava maravilhada com os feitos do jovem Kyuhyun, que percorrera aquele trajeto árduo sem seu apoio. Mas nada os deixou mais orgulhosos do que o prêmio que Kyuhyun recebera por ser o melhor aluno do curso. Era de praxe que a faculdade premiasse o aluno com as notas mais altas, e Kyuhyun saiu de lá não somente com seu diploma, mas com uma bolsa para uma pós-graduação.

Changmin somente pôde parabenizar seu namorado quando a cerimônia chegou ao fim, e sob aplausos eles jogaram seus capelos para o alto em comemoração. Assim que a cortina fechou, Kyu jogou-se nos braços de Changmin, que roubou alguns beijos de seus lábios, o parabenizando por seu feito. Enquanto eles trocavam de roupas e interagiam com seus colegas, seus familiares e amigos eram guiados para o salão ao lado para o jantar, foi quando finalmente a família Cho conheceu a família Shim.

Os pais se entrosaram com facilidade, o que deixou os amigos dos dois rapazes mais do que satisfeitos. Eles começaram o jantar, enquanto aos poucos os formandos iam juntando-se às suas famílias. Kyu e Changmin saíram de mãos dadas dos bastidores, trajando então os smokings, e os cabelos novamente penteados. Eles chegaram ao salão e logo Changmin avisou seu namorado que ele teria uma surpresa.

Kyu o fitou demoradamente, enquanto Changmin o puxava em direção à mesa. Logo que se aproximou, ele viu os olhares recaírem sobre si, e sorriu-lhes de volta. No entanto, seu coração falhou uma batida, ao ver sentados na companhia dos pais de Changmin, seus pais e sua irmã. Kyu parou de caminhar, sentindo seu coração palpitar e por alguns instantes seu corpo amoleceu e ameaçou colapsar, ao que foi apoiado por seu namorado. Seus olhos encheram-se de lágrimas e um nó se formou em sua garganta, sendo apenas capaz de proferir uma palavra:

– Mãe!

A mãe de Kyuhyun levantou-se bruscamente e Kyu se desvencilhou do abraço de Changmin para correr em sua direção. Ele a abraçou pelos ombros, e chorou alto, derramando sobre ela toda saudade que sentira ao longo dos anos. Quando se afastaram, Kyu percebeu que ela também soluçava, enquanto suas mãos acariciavam seu rosto afastando as lágrimas que por ele escorriam. Quando ele afastou o abraço, Ahra pulou em seu pescoço, também se debulhando em soluços e lágrimas saudosas de seu irmão.

Seu pai se aproximou por último e finalmente Kyu sentiu-se receoso, uma vez que não sabia quais as intenções dele ali, e quais mágoas ainda mantinham-se em seu peito. O pai de Kyuhyun colocou uma das mãos no ombro do rapaz e finalmente sorriu a ele, enquanto Kyu voltava a chorar e o abraçava demoradamente. Entre soluços ele pediu-lhe desculpas pelas coisas que disse no passado, por passar tanto tempo longe e o quanto ele sentira falta de sua família.

– Como vocês souberam da formatura? – Indagou Kyuhyun quando finalmente se acalmou, abraçado a sua mãe.

– O seu namorado foi à nossa casa e levou os convites. – Afirmou Ahra. – Venha, eu quero te apresentar meu noivo.

– Você está noiva, noona? – Indagou Kyu segurando a mão de sua irmã, que apontava-lhe seu noivo.

– Este é Yang SeungHo. – Disse Ahra. – Nós conhecemos os seus amigos.

– Omma conheceu o Donghae-hyung? Ele quem cuidou de mim e cozinha muito bem. E vocês já conhecem o Changminie, que é o melhor namorado do mundo.

Assim que ouviu a frase de seu namorado, Changmin abriu um largo sorriso ao mesmo. Ele se afastara, se posicionando ao lado de Yoochun enquanto seu namorado matava as saudades de sua família. Os dois estavam mais do que satisfeitos com o resultado de sua surpresa. Kyu se aproximou de seu namorado e selou seus lábios antes de se unir novamente à sua família, com quem certamente tinha muitos assuntos a tratar. Ele sentou-se à mesa, enquanto Changmin ia recebendo os parabéns pela formatura.

Yoochun foi o último a abraça-lo, estava feliz por seu amigo e sabia que aquela era uma grande realização. Changmin finalmente uniu-se aos seus pais no jantar que não demorou a ser servido. Eles já se alimentavam, quando sua mãe deixou claro sua satisfação pelo que Changmin havia feito por seu namorado, afinal, família é algo muito importante e não deve ser negligenciada. Vez ou outra, Changmin fitava Kyuhyun que intercalava entre os abraços com sua mãe e sua irmã, ou momentos separados de conversa com seu pai, que parecia satisfeito em finalmente conversar com o rapaz.

Changmin percebeu que não havia ferida que o tempo não amenizasse, e que ver seu filho receber um diploma e ser um homem bem sucedido, se sobressaiu sobre as coisas que ele dissera no passado e que finalmente eles perceberam que sua sexualidade não afetara seu caráter. Finalmente Kyu chamou Donghae para que se unisse a eles, e o apresentou como a pessoa que o guiou e cuidou de si ao longo de sua adolescência e mesmo na fase adulta.

Como Kyu previra, sua mãe rapidamente se afeiçoou a Donghae, e não demorou para que ela começasse a contar histórias de sua infância e ele de sua adolescência. A formatura dos rapazes não poderia ser melhor, eles estavam unidos, com seus familiares e amigos. Depois do jantar, que fora muito animado nas mesas dos rapazes, eles seguiram para o salão para a valsa.

Kyu dançou primeiro com sua mãe, enquanto Changmin dançava também com sua mãe. E para a segunda valsa, eles haviam combinado que dançariam um com o outro, mas Changmin sabia que Kyu iria valsar com sua noona e por isso encarecidamente convidou a senhora Cho para dançar consigo. Enquanto rodopiavam pelo salão, a mãe de Kyuhyun não continha-se em si de felicidade por rever seu filho em um momento tão bom de sua vida. Assim que a dança terminou, ela abraçou o companheiro de seu filho e disse baixinho:

– Eu nem sei como te agradecer, por me devolver o meu filho.

– Sou eu que agradeço por fazer dele um homem tão compromissado. – Afirmou Changmin tomando o braço de sua sogra e se encaminhando em direção à mesa.

Logo que as valsas terminaram, o baile começou eles trataram de ir para a pista de dança a fim de se divertirem pelo resto da noite. Apenas ficaram na mesa, o pai de Changmin que engatara uma conversa com o pai de Kyu enquanto eles tentavam entender o estilo de vida dos dois rapazes. Changmin há muito não via seu namorado tão feliz, e aquilo certamente o fazia feliz. Ao menos aquela surpresa havia dado certo.

Em certa altura da noite, Yoochun e Junsu o puxaram para longe da pista de dança e o fizeram voltar à mesa. Do bolso, Junsu retirou um pequeno embrulho azul escuro e o entregou, sentando-se ao seu lado, enquanto Micky se acomodava do outro. Changmin abriu o embrulho e encontrou uma caixinha de veludo bordô com uma marca francesa entalhada na ponta. Ele abriu e encontrou uma caneta reluzente, e muito bonita, que o fez abrir um largo sorriso e chamou a atenção dos pais ainda sentados à mesa.

– É para as suas futuras atividades. – Disse Junsu. – Você merece, Changminie.

– Obrigado, hyung! – Disse Changmin ainda fascinado com o belo presente.

– Agora me fala, quando você vai esfregar na cara do Donghae que você trouxe a mãe do Kyu?

– Hyung, não! – Disse Changmin entre risos.

– Anda, Changminie, só uma esfregadinha! E me avisa porque eu quero filmar!

– Você é muito mau, hyung!

– Eu sou lindo, ele que é ruim! – Riu-se Yoochun. – Anda, vamos dançar.

– Vamos! – Disse Junsu se levantando e puxando seu namorado pelas mãos. – E pare de se incomodar com o Donghae!

– Ele quem começou!

Changmin fitou-os se afastar e logo se sentou ao lado de seu pai para poder fazer-lhe companhia, juntamente com o senhor Cho. Ele se distraiu na conversa, tanto que não viu Siwon, agora trajando um belo smoking, atravessando o salão diretamente em direção a Kyuhyun. Claro que o rapaz não perdeu tempo ao apresentar à sua mãe e noona o homem que o acolhera quando ele saiu de casa. No entanto, Siwon avisou-lhes que não poderia ficar para o baile e que apenas estava ali para parabenizar o rapaz.

Siwon guiou Kyuhyun para longe da multidão, e na direção oposta de onde seu namorado se encontrava. Em um canto escuro, um tanto escondido, Siwon parou, deixando Kyuhyun aflito e ao mesmo tempo ansioso. O professor retirou de seu bolso uma pequena caixinha e ele mesmo a abriu, mostrando à Kyu uma pequena pulseira masculina de ouro branco, apenas um mimo delicado para o pulso do rapaz por quem ele tinha uma imensa afeição.

– É linda, Wonie. – Disse Kyuhyun, enquanto Siwon encaixava a joia no pulso do rapaz. – Por que você não fica no baile?

– Eu tenho mais uma colação de grau hoje, meu menino.

– Minha mãe ficou feliz em te conhecer, apesar de eu achar que ela tem um favoritismo pelo Hae-hyung. – Contou-lhe Kyuhyun, entre risos. – Eu queria te agradecer, Wonie.

– Não precisa agradecer, eu sou o seu professor, afinal.

– Não é só isso. – Disse Kyuhyun o abraçando pelos ombros e recostando a cabeça em seu peito. – Eu queria te agradecer por tudo.

– Eu estou muito orgulhoso de você. – Disse Siwon acariciando a nuca de seu aluno. – E você vai longe, Kyu, eu sei que vai.

– Obrigado, Wonie.

Siwon selou a testa do rapaz demoradamente e finalmente se afastou deixando um confuso Kyuhyun parado no escuro. Ele não se demorou a voltar para a pista, pois não queria que Changmin desse por sua falta, o que não passou despercebido pelos olhos de Yoochun. A noite voou diante de seus olhos e aos poucos o baile foi se acalmando. Os pais de Kyu foram os primeiros a deixarem o local, é claro, com a promessa de se visitarem logo no próximo final de semana, em um jantar no apartamento de Kyu.

Os pais de Changmin também não se demoraram ali e depois de abraços demorados eles deixaram o recinto, parabenizando seu filho mais uma vez. Assim que voltou para a pista, Changmin viu que uma música lenta tocava, enquanto seu namorado estava distraído em uma conversa com Hyuk e Donghae. Ele finalmente acreditou que era momento de ficar ao lado de seu namorado, nem que fosse pelos cinco minutos da música.

Antes mesmo de Changmin se aproximar, Junsu puxava um relutante Yoochun para a pista, e o abraçava para que eles pudessem embalar-se ao som da balada. Changmin se aproximou de Kyuhyun e se apoiou em seus ombros, pedindo permissão pra que Kyu fosse consigo, o que foi prontamente dado pelo outro casal. Donghae já não tinha mais aquela imagem de Changmin, ele definitivamente provara seu valor ao trazer a família Cho à formatura, no entanto, palavras ditas não são facilmente retratadas.

Kyu e Changmin andaram de mãos dadas até o centro da pista, onde se misturaram aos outros casais. Os braços de Changmin envolveram a cintura de seu namorado que se apoiou em seus ombros, o fitando demoradamente. Seus corpos começaram a mover-se lentamente ao ritmo da música, roçando-se discretamente, com seus cheiros se misturando e seus olhares que se encontravam, devotos, apaixonados.

– Você está feliz, Changminie?

– Muito e você?

– Eu também estou, você trouxe meus pais, eu não sei como te agradecer.

– Me ame. – Disse Changmin. – Me ame como eu amo você, e eu não preciso de mais nada.

– Eu amo. – Afirmou Kyuhyun acariciando o rosto do mais alto.

– Nós vamos ficar bem juntos, não vamos?

– Vamos.

– E o meu namorado agora vai pra pós-graduação.

Kyuhyun riu alto e apoiou o rosto no ombro de Changmin, o abraçando com força, tendo seu abraço prontamente correspondido. Discretamente seus lábios se uniram em um beijo demorado, sendo iluminados somente pelos reflexos do globo de espelhos que girava no teto. Foi assim, com um beijo apaixonado que eles concluíram todos os anos de esforço em sua graduação. Era nostálgico, era o fim de uma fase importante e a porta de entrada para suas vidas profissionais.

Eles ainda continuaram o baile no apartamento de Changmin e Kyuhyun, onde Yunho e Jaejoong se acomodaram aquela noite. Changmin nunca vira Jaejoong unido a alguém como ele era com Yunho, e certamente eles eram um casal mais harmônico do que ele e Kyuhyun. Os dois casais conversaram até o amanhecer daquele dia, relembrando os momentos mais marcantes da festa.

Eles acordaram tarde no dia seguinte, e Yunho e Jaejoong seguiram para seu próprio apartamento pouco antes do almoço. Kyu e Changmin almoçaram juntos e em seguida o menor foi para a casa de Donghae que chamara o casal para assistir a um filme, no entanto, Changmin receberia sua mãe em casa. Não que Kyuhyun não tivesse gostado de sua sogra, no entanto, acreditou que Changmin precisava de um tempo a sós com ela, assim como ele desejava um tempo mãe e filho com sua mãe, o que não demoraria a acontecer.

A mãe de Changmin surpreendeu-se quando entrou no apartamento de seu filho e o encontrou retirando do forno um pão recheado com frios que ele mesmo havia preparado para si. O rapaz colocou a mesa de café calmamente, enquanto ela o fitava carinhosamente, pensando em como sentiria falta do rapaz dali alguns dias, quando tivesse que voltar ao Japão com seu marido.

– Sabe, Changmin, acho que nós dois precisamos ter uma conversa.

– Sobre o que omma?

– Sobre este seu relacionamento, meu filho. – Ela ergueu a mão quando Changmin revirou os olhos. – Eu não vou te criticar, mas acredito que tem algumas coisas que você deveria saber.

– Como o que? – Disse Changmin, servindo uma xícara de café para sua mãe.

– Seu pai, ele não tem demonstrado, mas está muito desapontado com você, Changmin. Eu sei que você vai me dizer que não é grande coisa, mas é sim, filho.

– Eu sei que é, mãe, mas eu vou ser muito paciente.

– E isso é o suficiente? Changmin, não é como se nós estivéssemos lidando com uma fase da sua adolescência, não é como se você estivesse se divertindo à custa deste rapaz como você fazia na adolescência. Você mora com esse rapaz, divide uma vida com ele, e nós não podemos ignorar isso.

– Não, não podem. – Afirmou Changmin. – Mas mãe, eu já contei toda a verdade a vocês, eu não posso fazer nada senão esperar que sejam compreensivos comigo. Eu gosto dele, mãe.

– Isso eu compreendo, meu filho, ele é um rapaz adorável e que seu pai não me ouça, mas eu o achei muito bonito. – Comentou a mãe de Changmin, arrancando um sorriso de seu filho. – Apenas, não nos peça para gostar dessa situação, porque não é o que nós esperávamos pra você, Changmin.

– Eu sei, mãe, eu não queria desapontar vocês, mas mentir não era a melhor opção. Meu appa vai se acostumar com isso, eu tenho certeza.

– Tem mais alguma coisa que você queira me contar, Changmin? Qualquer coisa.

Changmin, ainda silencioso, fitou sua mãe demoradamente e finalmente, se levantou e começou a cortar o pão que ainda estava quente. Ele não a fitou enquanto pensava em como perguntar certas coisas à sua mãe sem deixa-la preocupada. A senhora Shim o fitava demoradamente enquanto esperava a resposta de Changmin, tendo certeza de que o rapaz escondia algo dela.

– Mãe, o que é ser feliz?

– Depende, filho, feliz em que sentido?

– Em um relacionamento, o que é ser feliz em um relacionamento? Você é feliz com o meu pai, não é?

– Sou, claro que sou.

– E como a senhora sabe que é feliz? Ninguém é feliz todos os dias da vida, e ainda assim se dizem felizes no casamento, como é isso?

– Bem, filho, que acho que a felicidade em um relacionamento está ligada as realizações de um casal e do fato deles estarem em paz juntos. Claro que vão existir conflitos, dúvidas, inseguranças, mas isso é sempre algo passageiro, e pode ser facilmente resolvido com diálogo.

– Em paz? – Disse Changmin pensativo, enquanto servia um pedaço do pão para sua mãe e outro para si.

– Por que a pergunta, filho?

– Eu não queria preocupar vocês, mas a verdade é que eu e o Kyu não somos bem um casal exemplo. Nós não somos como o Junsu-hyung e o Yoochun-hyung, por exemplo, que se dão bem e resolvem suas diferenças com facilidade.

– Vocês brigam muito, filho?

– Não, mas o Yoochun-hyung disse que deveríamos brigar mais ao invés de guardar as mágoas.

– Changmin, filho, você não é feliz com esse rapaz?

– Sou mãe, eu amo mesmo ele. – Afirmou Changmin. – Mas as vezes nós temos tantos problemas, as coisas foram complicadas para nós nos últimos meses.

– Filho, tem certeza que fez a escolha certa vindo viver com esse rapaz?

– Era o que eu mais queria, omma. – Afirmou Changmin, baixando o rosto. – Eu não quero te falar das nossas brigas, mas eu tenho me sentido tão sozinho.

– Sozinho?

– A verdade é que o Kyu tem muitas pessoas ao lado dele, mesmo quando ele está errado. – Afirmou Changmin. – Eu não vou ser injusto e dizer que eu não tenho amigos, mas eu sempre acho que eles não me entendem, ou me julgam ao invés de me ajudarem. O único que parece me entender ao menos um pouco é o Yoochun-hyung.

– Changmin, olhe para mim. – Disse a senhora Shim, apoiando as mãos sobre as de seu filho. – Eu não sei do que exatamente se tratam os seus problemas com esse rapaz, mas em um relacionamento, o amor tem que vir dos dois lados, assim como o comprometimento. Por mais que você ame este rapaz, não vai conseguir carregar este relacionamento sozinho, e se este for o caso, é melhor que termine.

– Mãe…

– Filho, eu quero te ver feliz, apenas isso. Seja sozinho, com uma moça, com este rapaz, ou com qualquer outro rapaz, eu não quero ver você sofrendo e muito menos que se sinta desamparado. – Os olhos de Changmin encheram-se de lágrimas, e ele se viu obrigado a disfarçar. – Eu vi o que você fez por este rapaz, vi que você o uniu com a família dele e isso me deixa orgulhosa de você, e me faz perceber o quanto ele significa pra você.

– Eu quero fazer ele feliz, mãe, só isso.

– Não, filho, para um relacionamento dar certo, ele tem que querer te fazer feliz também, é uma via de duas mãos. – Afirmou a mãe de Changmin, se levantando e o abraçando pelos ombros, enquanto o rapaz recostava-se ao seu corpo. – Se as coisas se complicarem você sabe que pode ir para o Japão e ficar um tempinho lá com a gente, certo?

– Eu sei, omma. – Afirmou Changmin. – Eu quero que dê certo.

– Precisa de mais do que isso pra dar certo, Changminie, você precisa dele pra que dê certo.

Uma lágrima discreta rolou o rosto de Changmin quando sua mãe selou sua testa. Era bom sentir-se protegido, apoiado, por maiores que fossem os erros. Claro que sua mãe ficaria preocupada com essa sensação de desamparo que perseguia Changmin, e teria uma longa conversa com Yoochun sobre este assunto, e ficaria satisfeita com a paciência do amigo de seu filho. Nos últimos dias de estadia, sua mente estava mais aberta do que no dia da revelação e ela ainda olharia para Kyuhyun com outros olhos, ainda sem ter certeza se aquilo era bom ou não.

Naquele dia, Changmin percebeu que precisava de muito mais do que ele fizera para que seu relacionamento desse certo, ele precisava de Kyu ao seu lado. Seus pais partiriam dali poucos dias e ele sabia que logo se veria sem ter com quem contar. Changmin não tinha por trás de quem se esconder quando as coisas complicavam, e sem seus pais próximos, ele se sentiria como da primeira vez que eles partiram de Seul para o Japão.

Apesar dos últimos dias cheios de felicidade, Changmin temia pelo futuro de seu relacionamento. Temia a proximidade crescente de Siwon, a superproteção de Donghae e é claro, a personalidade egoísta de seu namorado a qual ele não explanara para sua mãe durante aquela conversa. Ele não precisava apenas de paciência, precisava de coragem, sem nada que pudesse empurrar-lhe em direção ao sucesso.

Kyu agora tinha uma pós-graduação em suas mãos, tinha Siwon ao seu lado diariamente e tinha Donghae dando suporte para todas as suas decisões. No entanto, acima de tudo ele tinha Changmin que não mais o cobrava por atitudes, não nos últimos meses pelo menos. E em sua opinião, agora que eles estavam formados, eles tinham tudo para dar certo e era o momento de convencer Changmin, que eles continuariam juntos e de que tudo estava bem entre eles. Para Kyuhyun, não havia motivos para preocupação.

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2 pensamentos sobre “Capítulo 46: Family

  1. Vou ser biase nesse comentário porque o que eu li hoje me irritou de alguma forma… Sei lá porque (lol). Todo mundo acha que a culpa é só do Kyuhyun por esse relacionamento não está dando certo. Sei lá não gosto quando as coisas são assim, quando um é o vilão e o outro é o mocinho… Acho meio tendencioso. Na vida real não é assim, por mais que os casais sempre achem que só tem um culpado no naufrágio da relação. E assim que eu vejo Changmin, ele acha que tudo é culpa do Kyuhyun, porque o Kyu é superprotegido, porque o Kyu dá brecha do Siwon, porque o Kyu só pensa na carreira dele. Acho que no fim, Changmin é um pouco ciumento (invejoso) do que o Kyu tem, nesse diálogo com a mãe dele eu senti isso. Ele vê que mesmo que o Kyu tenha sido rejeitado pelos pais ele tem uma base boa onde se apoiar e ele não. Isso o frustra. Ele perdeu os amigos da galinhagem, seus pais estão sempre ausentes… Changmin é carente. No inicio da fic eu acha que Kyuhyun era carente, mas é o Chang. Até porque ele queria que o Kyu fizesse dele o centro de seu mundo como ele fez/faz Kyuhyun o seu, mas Kyu não fez isso. Acho que está na hora do Changmin perceber que um relacionamento é muito mais do que sentimentos, eu sempre achei o Chang sentimentalista demais, idealizador demais utópico. Ele idealizou um tipo de relação e como essa fantasia não está se concretizando ele fica frustrado e chateado e amargurado. Novamente digo, não estou isentando Kyuhyun de culpa porque ele as tem, mas essa pose de vitima do Changmin me irrita. E como agora ele encontrou um aliado (Yoochun) isso só está se potencializando. Ele precisa focar em outras coisas talvez no trabalho, fazer algum hobbie, sei lá. Encontrar novos amigos, que não sejam tão loucos e chatos como Yoochun (sim cada dia gosto menos dele). Ele precisa perceber que a vida dele não é o Kyuhyun, o mundo dele não deve virar (vira) em torno do seu príncipe. Okay isso é um erro que muitas pessoas que estão apaixonados fazem sim, mas já tá na hora dele acordar. Acho que se alguém ler esse meu comentário irá me odiar pra sempre, porque estou sendo do contra e não estou sendo do team Changmin aparentemente. Eu quero que os terminem juntos sim, não quero o Kyu com Siwon, mas nem por isso vou ficar achando o Chang o coitadinho da parada. Precisa-se de dois para se dançar o tango, se o relacionamento está afundando tem culpa dos dois aí. Bem sobre os pais do Chang já era de se esperar né, nenhum pai irá soltar fogos e aceitar numa boa quando o filho vem e diz: Pai estou namorando um cara ou Pai sou gay. Achei a reação até moderada poderia ter sido pior, mas se pior iria acrescentar um drama a mais na cabeça do Changmin e ele não tá podendo lidar com esse tipo de drama agora.
    O reencontro do Kyu com os pais foi lindooo *-* <3333 ~~ haha sabia que a mãe dele ia adorar o Donghae, o Hae é muito amor. Vejo que a maioria do povo anda o odiando o Hae não? Rsrsrssrs por eu amooo esse Donghae chato defensor da cria não me cansarei de dizer isso e acho que sou a única… Sou do contra =D. Mas sério não podia se esperar menos dele, outra atitude seria totalmente fora do personagem, ele praticamente criou o Kyu, e depois que o Siwon foi embora e deixou o menino aos pedaços quem foi que cuidou? Ele! Se pararem pra pensar e comparar com a nossa mãe em uma situação parecida o que acham que ela faria? Principalmente (volto a ressaltar) depois que o Changmin bateu no Kyuhyun, não tem essa ele vai proteger o Kyu de todas as formas possíveis e será chato com o Changmin sim *-*. Esse Donghae não irá mudar e, por favor, não o mude mesmo… hahahahahaha

    Bem já divaguei demais, já expus meus pensamentos, agora vou dormir. ;D Rô capitulo ótimo. Estou no aguardo das novas emoções de Candy Bar.

    Beijos ♥

  2. Sim Anna, li seu comentário, mas não quero lhe matar XD
    Concordo com tudo o que a Anna disse acima, por isso meu comentário não vai ser tão grande, *chatiada qn
    Eu percebi isso do Chang conversando com a mãe dele também, mas não acho que ele seja invejoso, apenas está carente, de ter conselhos de verdade, de ter um amigo que ajude ele a sustentar uma parte da dor dele, assim como o Jae fazia quando eles moravam juntos. A questão é que todos sabem que o Yoochun não é o melhor amigo do mundo. Está acontecendo o contrario do que devia acontecer, o Yoochun está mudando aos poucos o Chang e não o contrario, que deveria ser o caso. Antes de encontrar o Yoochun, o Chang era uma pessoa boa e bem menos amargurada, e nunca na vida ele iria aceitar que brigando ele iria resolver os seus problemas com o Kyu.
    E sim, ainda sou a favor de todo o mimo que o Donga da pro Kyu, e não é tão cedo que ele vai aceitar tão bem o Chang como o fazia no inicio de namoro deles.
    Ja esperava que o encontro do Chang com os seus pais fossem assim, ja que se fosse mais dramatico iria prejudicar o Changmin.
    O Siwon não apareceu muito nesse capitulo LOL
    Acho que o Changmin deveria se importar menos com o Siwon, afinal o Kyu já deu diversas provas que o ama. Mas ainda não saiu da minha cabeça que o Siwon ainda tem que ir embora U_U
    E também uma coisa que não quer sair da minha cabeça desde o capitulo anterior, o Chang tem que voltar a grudar no Jae e menos no Yoochun. Não acho uma coisa boa ele ficar com ele, por que os seus pais vam embora e ele vai se sentir carente de novo por que o Kyu sempre vai se esforçar ao máximo pra ser bem sucedido, nada vai tirar isso da cabeça dele, e ele estando com o Jae ele vai se sentir melhor e talvez parem de implicar um pouco com ele, por que digamos que o JJ é uma pessoa BoA lol
    Enfim… o reencontro do Kyu com seus pais foi muito fofo >.<' Sabia que a mãe dele ia gostar do Hae, porque também é uma mãe *O* Não esperava menos… quando ele viu a mãe dele e falou 'mãe' eu pensei: é agora, é agora qqq E quando ele falou com o pai dele meu receoso e ao mesmo tempo ansioso… enfim, foi muito lindo :3'

    Bem já escrevi muito, os seja já estou com preguiça qqq Muito obrigado pelo capitulo de hoje/ontem q Muito bom *-*

    Até o próximo Rô, Chuu ~ ~ ♥ !

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