Capítulo 50: Just like our last kiss

 

Era a noite anterior à viagem de Kyuhyun e a casa de Donghae estava agitada. Os amigos, colegas e parentes de Kyuhyun e Siwon estavam reunidos ali, para uma modesta confraternização de despedida. Eram colegas que trabalhavam com eles na faculdade, diretores, alunos que participavam de suas pesquisas, além é claro de seus queridos amigos. Os pais de Kyuhyun não se demoraram ali, uma vez que fizeram um almoço de despedida no dia anterior, para que pudessem aproveitar a companhia de seu querido filho apropriadamente.

Donghae tentava se distrair com os afazeres daquela festa e mal saiu da cozinha. Ele havia preparado quitutes, comprado bebidas e preparado sua casa para receber aquele grande volume de pessoas. Hyuk ficou responsável por recepcionar as pessoas e acomoda-las confortavelmente em sua sala, por mais que doesse em seu coração ver Kyu partindo, e seu Hae reagindo tão tristemente àquela viagem.

Junsu apareceu cedo e foi embora cedo, deixando presentes aos dois rapazes em nome dele e de Micky, que não fez a menor questão de acompanha-lo. Kyu achou que levaria uma bronca, ou no mínimo uma lição de moral daquele rapaz, no entanto, ele nada disse sobre seu término de namoro. Junsu entregou os presentes, abraçou os rapazes, afirmou que Micky mandou lembranças e se despediu.

Yunho também apareceu sozinho e não se demorou na festa. Seu namorado havia se chateado quando soube que Changmin terminara seu namoro e não o procurara logo de início, e esperou duas semanas até contar-lhe o ocorrido. Assim, ele também não compareceu à festa de despedida, apenas mandando um “boa sorte” por meio de Yunho. Claro que Kyu chateou-se de perder a última oportunidade de ver seus amigos, entretanto, entendeu seus motivos.

Kyuhyun estava na sala a pedido de Donghae, ou teria ficado na cozinha fazendo-lhe companhia. Ele se sentia vazio, oco por dentro, tal qual as bonecas que colecionava. Seu terceiro copo de uísque com limão e gelo chegava ao fim, enquanto seu olhar se perdia na rua deserta, e as vozes misturadas na sala pareciam apenas um burburinho sem qualquer significado.

Ele desejava vê-lo, toca-lo, saber que ele era real e não apenas uma lembrança boa, no entanto, suas chances haviam desaparecido e lá estava ele, fazendo algo que realmente era bom, ser profissional. Kyuhyun fechou os olhos e viu aquele sorriso que tanto gostava, sentiu a maciez dos cabelos finos e negros do rapaz e aqueles olhos profundos como a noite, que tocavam sua pele com a mesma destreza de seus dedos.

Ele sentiu braços fortes envolverem sua cintura com firmeza e o corpo alto recostar á suas costas, finalmente notando o perfume cítrico ao qual ele mesmo estava habituado a usar. Ele pensava em Changmin, mas os braços que o envolviam eram os de Siwon. Kyu repousou a mão sobre a do mais velho, deixando seu copo no console da janela, sentindo o rapaz apoiar o rosto em seu ombro e indagar a ele:

– Não está aproveitando a festa?

– Estou, hyung.

– Não está não.

Kyuhyun suspirou pesadamente e voltou-se para Siwon que mais uma vez estava perigosamente próximo. O mais alto aproximou-se para beijar-lhe a testa, mas Kyu desviou o rosto e selou seus lábios de seu ex-companheiro, o surpreendendo. Siwon retribuiu o beijo, que não passou de um beijo estalado, antes do rapaz se afastar e se desvencilhar de seu abraço. Siwon soltou o ar pesadamente, quando o ouviu falar:

– Avisa o Hae-hyung que eu vou dar uma volta, por favor, Wonie.

– Pode ir se despedir dele. – Afirmou Siwon. – Só não esqueça, nosso voo sai depois do almoço.

– Eu não… eu não vou esquecer, Wonie.

E assim, Kyuhyun deixou a casa, sem perceber o olhar decepcionado do rapaz atrás de si. Ele precisava olhar para ele, mesmo que não houvesse mais palavras a serem trocadas, mesmo que ele não soubesse que estava sendo observado. O ar da noite tocou sua pele e ele correu, tomando toda coragem que ainda restava em si e ignorando seu orgulho que gritava o quão humilhante era sua situação. Ele precisava vê-lo, pela última vez.

Era estranho para Changmin reunir Jaejoong e Yoochun em sua casa, no entanto, os dois decidiram que não iriam à festa de despedida de Kyuhyun e ficariam em sua companhia. Claro que ele sequer saberia da existência de tal festa não fossem seus fiéis companheiros. Ele estava se preparando para mais uma noite sozinho, e estranhou a surpresa visita dos dois rapazes, que não faziam questão de conversar entre si.

Ele abriu espaço para a entrada os dois rapazes, que perceberam algumas mudanças na sala de estar de Changmin, que deixava sua decoração mais funcional e menos colorida. Eles se acomodaram no sofá, e o anfitrião os serviu de duas pequenas garrafas de cerveja, após ouvir os motivos de sua visita. Era a primeira vez que ele falava de Kyuhyun aquela semana, e saber que ele partiria no dia seguinte não era algo que o deixava animado:

– Vocês deviam ter ido, dizer tchau pra ele e para o Siwon.

– Eu mandei recado. – Afirmou Yoochun deixando espaço no sofá para Changmin que se sentou ao seu lado. – Se o Su não fosse, o Hyuk teria ficado com raiva dele.

– E como você está, Changminie? – Interrompeu Jaejoong.

– Bem. – Afirmou Changmin. – Trabalhando mais na verdade, e você? Ainda está chateado comigo?

– Estou. – Disse Jaejoong. – Só que eu estou mais preocupado do que chateado.

– Eu estou bem. – Afirmou Changmin. – Não tem porque se preocupar, mas eu também sei que isso não vai te tranquilizar.

– Não vai mesmo. – Afirmou Jaejoong. – Eu sinto falta de conversar com você, Changminie, ainda somos amigos né?

– Você vai sempre ser o meu melhor amigo. – Sorriu-lhe Changmin. – Eu terminei um namoro, não matei alguém, não estou bebendo ou entrando por um caminho sem volta, eu estou lidando com isso, do meu jeito.

– O que o Jaejoong quer, é que você não se afaste dele. – Afirmou Micky. – E eu também não quero que se afaste de mim.

– Não precisa enfrentar tudo sozinho. – Afirmou Jaejoong.

– Não vou enfrentar, Jae-ah.

Eles mudaram de assunto, e depois deste início de conversa, o nome de Kyuhyun ou o término do relacionamento não foram mais citados. O clima tornou-se menos pesado a medida que eles conversavam sobre outros assuntos, desde que Jaejoong e Micky continuassem se ignorando e dando apenas atenção à Changmin. Até que o relógio deu às onze da noite e os dois rapazes seguiram para suas próprias residências.

Yunho passou para pegar Jaejoong, enquanto Micky chegou ali em seu próprio veículo. Changmin os acompanhou até a saída do prédio, a fim de também cumprimentar Yunho antes de deixa-los seguirem para suas próprias residências.  Era uma noite agradável, o céu estava estrelado e quando seus amigos partiram, Changmin decidiu permanecer ali para aproveitar alguns instantes daquela brisa fresca.

Era a última noite de Kyu em Seul e a cidade parecia ter caprichado em seu céu de despedida. Changmin imaginou alguém escolhendo as posições das estrelas de forma que deixassem a cidade ainda mais iluminada. Ele se perguntou se o rapaz havia parado para olhar para aquele belo céu, se sabia aproveitar a beleza melancólica de sua noite de despedida. Era mais provável que estivesse grudado em Donghae, se perguntando o que seria de sua vida sem seu tutor.

Passos pesados na calçada chamaram a atenção de Changmin. Ele desviou o olhar da imensidão negra e estava pronto para se recolher, quando os passos se aproximaram e ele desviou o olhar. Seus olhares se encontraram, intensos, inseguros, cheios de estranhamento, constrangimento. Kyuhyun diminuiu o passo, e se aproximou de Changmin ainda parado à calçada. O mais alto desejou se afastar, encerrar-se portão adentro, onde aquele homem não teria acesso a si, no entanto, ele não o fez e Kyu se aproximou.

– É falta de educação fugir da sua própria festa de despedida, Kyuhyun.

– Algumas pessoas não foram se despedir de mim. – Explicou Kyuhyun recostando o corpo ao portão do prédio.

– Algumas pessoas não seriam bem vindas à sua festinha. – Afirmou Changmin. – Por que estava correndo?

– Não sei, eu queria te ver. – Confessou Kyuhyun. – Um último ato egoísta, para o eleito egoísta do ano. Um a mais ou a menos não faria diferença na minha contagem.

– E qual seria esse último ato?

– Olhar pra você. Ter certeza de que você não foi a melhor coisa da minha vida, a qual eu mesmo afastei.

– Agora, você já olhou. – Afirmou Changmin. – Está pronto para ir embora?

– Não.

Kyuhyun tomou um impulso e voltou-se para o mais alto o agarrando pelo colarinho, o fazendo colar o corpo ao próprio. Changmin o segurou pelos ombros e virou o rosto evitando um beijo, sem perceber que deixava seu pescoço exposto até que os lábios de Kyuhyun colaram-se à sua pele, deixando selares estalados. Changmin tentou afasta-lo, mas aquele perfume o inebriou, cítrico, e ele virou o rosto novamente, desta vez para fitar Kyuhyun.

Os olhos se encontraram e Changmin escorregou suas mãos pelo corpo de seu ex-namorado, até envolvê-lo pela cintura e pressiona-lo contra si, sentindo aquela pele quente embaixo do tecido, com uma fina camada de suor fazendo sua camisa aderir ao seu corpo. Changmin ainda o amava, mas precisava encontrar em algum lugar de seu psicológico, orgulho próprio para não demonstrar seus sentimentos.

No entanto, Kyuhyun o desvendava com seus olhos analíticos, como fazia com os seus problemas matemáticos. Changmin o puxou consigo quando destravou o portão e com passos incertos os dois adentraram o prédio. Era instintivo e não algo pensado, eles iam em direção onde seus corpos desejavam e não onde suas mentes gritavam que eles deveriam. Se entreolhando e sem trocar uma única palavra, eles chegaram ao apartamento de Changmin. Ambos sabiam que aquilo não era uma reconciliação, mas também não sabiam afirmar, o que era.

Quando trancou a porta, Changmin começou a se perguntar o que Kyu fazia ali e porque exatamente ele o teria guiado apartamento adentro. Foi o máximo que ele conseguiu raciocinar, antes de ter seus cabelos agarrados e seus lábios colados aos do outro, com força, tendo seu rosto apertado contra o do rapaz. A mão de Changmin agarrou o pescoço do rapaz e o apertou, sem muita força, pois não queria cortar seu fluxo de ar, e sim, faze-lo sentir alguma dor, por mínima que fosse.

Changmin o agarrou pelo colarinho, fazendo questão de amassar entre seus dedos a camisa de algodão que o rapaz usava aquela noite e o arrastou apartamento adentro, sentindo seus passos trôpegos vacilarem. No meio do caminho suas línguas se encontraram e se entrelaçaram, provando novamente aquele sabor que jamais deixaria suas mentes. Kyuhyun sugou os lábios do outro como se quisesse tomar para si a alma do rapaz, e talvez aquela fosse mesmo sua intenção aquela noite.

Enquanto caminhavam cegos até a cozinha, os dois bem sabiam, que quem seria subjugado no final das contas, era o próprio Kyuhyun. Eles adentraram o local, esbarrando em móveis e derrubando objetos de decoração. Kyu retirou seus sapatos no caminho, e suas meias sociais deixavam o piso da cozinha escorregadio para si, ele certamente teria caído não fosse o abraço firme de Changmin o segurando.

Eles se atrapalharam pela cozinha, até Changmin posicionar o rapaz na bancada com as pernas afastadas, agarradas a sua cintura, o enlaçando. Foi quando a intensidade do beijo diminuiu, foi quando eles se provaram mais uma vez. Changmin apoiou-se nas coxas do rapaz, e deixou o mesmo beija-lo, deixou a língua do mesmo explorar sua cavidade bucal, a sentindo aproximar-se até mesmo de sua garganta. Os dedos longos de Kyuhyun alcançavam seu rosto e o acariciavam lentamente, sentindo a tez quente do outro ao seu tato.

Eles cortaram o beijo, ofegantes, extasiados, excitados e claramente arrependidos. Eles eram fracos um diante do outro, não eram homens suficiente para dizer não para tais situações, dois covardes que não sabiam controlar seus instintos e sentimentos. Kyuhyun desceu da bancada e colou o corpo ao do rapaz, deixando sua testa recostar-se a do mesmo. Aquele Changmin a quem ele tanto amava, tão entregue a si, aquilo era um pecado, e ao mesmo tempo uma dádiva.

– Não foi pra trepar comigo que você veio até aqui. – Afirmou Changmin.

Kyuhyun negou com a cabeça e selou os lábios do rapaz.

– Por que veio então?

– Porque eu ainda te amo, acho que eu vim te pedir perdão, por tudo.

– Não é tão fácil assim.

– Eu imaginei que não. – Disse Kyuhyun escondendo o rosto contra a volta do pescoço do mais alto, que apoiou sua mão em sua nuca o acariciando ali. – É a minha última noite aqui, me permite fazer um pedido absurdo?

– Essa situação já não está absurda o suficiente? – Indagou Changmin se afastando para poder fitar o rapaz. – Peça.

– Faz amor comigo, uma última vez.

– Tem razão, é um pedido absurdo.

Finalmente Changmin voltou a beija-lo, deixando desta vez que sua língua explorasse a boca do rapaz, tomando para si aquele sabor que ele tanto amava. Kyu o agarrou pelo pescoço, correspondendo ao beijo como podia, enquanto esvaziava sua mente de todos os pensamentos. Era a última vez, precisava ser perfeito. As mãos de Changmin exploravam seu corpo, vez ou outra se atentando aos botões de sua camisa, que aos poucos revelavam a pele clara do rapaz.

Kyu fitou Changmin se afastar e retirar a própria camiseta a esquecendo em algum canto na cozinha. O menor fez o mesmo com a própria camisa e deixou que seus lábios abusassem do tórax do rapaz, permitindo que seus joelhos cedessem, enquanto seus lábios escorregavam até o abdômen definido do rapaz. O cheiro da pele de Changmin era agradável mesmo quando não estava maquiada por nenhuma colônia.

Kyu deixou a ponta de seus dedos sentirem os músculos bem definidos do rapaz, o sentindo arrepiar quando tocou seu umbigo. Kyu passou os dentes por ali arranhando a pele morena do rapaz, antes de lambê-lo, ouvindo os ofegos de Changmin que o fitava com intensidade, enquanto sua mente atribulada se confundia entre um sentimento de ódio e repulsa, e um amor maior do que ele imaginara sentir. Naquele momento, Kyu era o céu e o inferno, a salvação e a perdição, unidos em uma única pessoa de joelhos à sua frente.

Kyuhyun agarrou o tecido da calça e o puxou para baixo de uma vez, revelando as coxas finas do rapaz, e sua boxer preta com detalhes vermelhos no elástico. Changmin abaixou-se de frente para Kyuhyun e tomou novamente os lábios do rapaz contra os próprios, o sentindo perder o equilíbrio e cair sentado no chão frio da cozinha, que tanto contrastava com sua pele quente.

Changmin finalmente parou para fita-lo. O volume em sua calça estava tão evidente que ele quase conseguia ver seu formato por cima do tecido fino da calça social de Kyuhyun. A ereção de Changmin pulsou com tal visão, e ele sentiu necessidade de algum alívio e esse alívio viria de seu amado Kyuhyun. O rapaz se acomodou no chão e o puxou pela boxer, para que o rapaz ficasse de joelho sobre si, com a virilha próxima ao seu rosto.

Ele podia ver o brilho do pré-gozo saindo pela fenda em seu membro, gota por gota, molhando sua boxer até ser absorvido pelo tecido. Kyuhyun puxou o cós de sua boxer e como ele previu o membro de Changmin não só estava pulsante e rijo, mas também com sua ponta deliciosamente úmida. Kyu o agarrou pela base e o roçou em seu rosto, o deixando depositar o líquido ali antes de abocanha-lo.

Ele o sugou, com firmeza, vontade, desejando que Changmin considerasse aquele o melhor sexo oral que ele já recebera. Sua mão o segurava com firmeza, puxando a pele de seu membro enquanto o massageava na mesma velocidade que sua boca se movia, com sua língua o circulando, o pressionado deixando aqueles movimentos mais intensos, úmidos e apaixonantes.

E Changmin reagia com veemência. Seus dedos entrelaçados aos cabelos do rapaz arranhavam o couro e se entrelaçavam aos fios embaraçados os puxando com força. Sua voz ecoava pela cozinha, reverberando nas paredes, ecoando por todo apartamento e ele não fazia questão de esconder o quanto estava amando tudo aquilo, o quanto desejava ir além e tirar de Kyu tudo aquilo que ele poderia oferecer aquela noite. Seu quadril ia para frente e para trás, acompanhando os movimentos de Kyuhyun.

Changmin afastou seu quadril dos lábios do outro, sentindo os dentes do rapaz arranharem seu membro, antes deste bater contra o rosto do rapaz. Kyuhyun ainda beijou sua glande antes de deixar o mais alto se afastar. Changmin se afastou e abriu os botões da calça do rapaz, revelando sua boxer branca, e seu falo rijo embaixo daquele tecido apertado e incômodo. Ele queria aquele homem completamente nu a sua frente, ele o desejava.

Como se lesse seus pensamentos, Kyuhyun deitou-se no piso e apoiou os pés no chão, erguendo o quadril. Sua mão foi ao cós de sua roupa íntima e a puxou para baixo, até que tanto sua calça quanto sua boxer estivessem devidamente afastadas de suas nádegas e virilha. Changmin o auxiliou, jogando aquelas roupas para longe e o deixando completamente nu no chão da cozinha.

Changmin fitou aquele corpo, tentando evitar pensar que aquela seria a última vez que o veria daquela maneira, tão frágil, tão entregue a si. Ele era seu, seu homem, seu amante, seu companheiro e ele seria quem Changmin precisava. Aquilo poderia ser uma ilusão, um vislumbre do homem que ele poderia ser, que poderia ter sido, e Changmin amava aquele homem, sabia que aquele amor ainda não havia desaparecido.

Changmin terminou de se livrar de suas roupas e deitou-se ao lado do rapaz, sentindo o chão frio se contrastar com sua pele. Kyu voltou-se para si e os dois se ajeitaram um de frente para o outro, mais uma vez trocando olhares que serviriam de explanação, no lugar das palavras. Kyuhyun tocou o rosto de seu amado, deixou seus dedos escorregarem pela pele macia do rapaz, o fitando fechar os olhos ao seu toque. Seus corpos tão próximos que eles sentiam o calor emanando de um para outro.

Changmin sentiu Kyu aproximar seu rosto e beijar seus lábios, com suas línguas se entrelaçando preguiçosamente uma sobre a outra, enquanto o chão antes frio começava a ficar escorregadio com o suor de seus corpos. Kyuhyun queria senti-lo dentro de si, ainda era guiado por instintos e apenas desejava se tomado por seu homem, e assim, ele cortou o beijo e fitou Changmin, que prontamente entendeu suas vontades.

Kyuhyun rolou o corpo para a direção oposta a Changmin, até que estivesse deitado de costas para o rapaz. Eles se abraçaram apertado, Changmin com seu corpo todo colado às costas do rapaz, assim como seu rosto escondido em sua nuca, aproveitando seu aroma, e saboreando a pele de seu pescoço com beijos. Seus corpos se encaixaram sozinhos, com suas formas perfeitas um para o outro.

Changmin deixou seu braço rodear a cintura do rapaz e este entrelaçou os dedos aos seus, sentindo o membro de Changmin escorregar para dentro e fora de si, lentamente, em movimentos curtos para que ele não se machucasse. Era a primeira vez que ele não fazia questão de estar devidamente lubrificado, que não fazia exigência alguma, senão ter seu corpo tomado como o homem que ele amava fazia.

O corpo de Changmin tensionava e relaxava a medida que ele se movia na direção do outro rapaz. Sem diminuir os movimentos de seu quadril, Changmin apoiou o cotovelo ao chão e pendeu o tórax em direção ao outro rapaz para poder fita-lo. Kyuhyun antes permanecia de olhos fechados, apenas sentindo seu corpo ser invadido, aquela dor latejante em seu interior, misturada com toda a luxúria e o romance do momento, até Changmin se mover, e exigir silenciosamente seu olhar.

Eles se entreolharam, entrelaçados, suados e excitados. Suas mãos se apertavam enquanto seus corpos ondulavam um contra o outro, sem pressa, apenas se sentindo, se amando. Changmin encurvou o corpo e selou seus lábios demoradamente, ainda se movimentando contra o rapaz, e deixou Kyuhyun voltar a sua posição inicial, com seus olhos fechados, colado a si, como se desejasse que aquele momento não chegasse ao seu fim.

No entanto, Changmin tinha suas necessidades, e naquele momento, ele queria olhar para Kyuhyun. Ele saiu do interior do outro que o fitou desapontado, e finalmente sentou-se com suas costas coladas na geladeira. Kyuhyun ergueu-se, e engatinhou em sua direção, afinal, ele sabia o que fazer. Changmin o apoiou pela coluna e o auxiliou para que se sentasse em seu colo, voltando a se encaixar em seu corpo, e assim Kyuhyun o fez, sentando-se precisamente sobre seu membro, o esmagando.

Kyuhyun não empregou uma velocidade diferente do que Changmin antes fazia, tudo entre eles naquela noite era lento e torturante, com exceção do tempo que passava sem piedade alguma. Seus olhares mantinham-se um no outro, por mais que olhar outras partes de seu corpo também fosse por demais tentador. Eles se sustentavam, se declaravam, se perdoavam ainda que momentaneamente, eles se amavam.

O corpo de Kyuhyun apenas ondulava para frente, deixando suas mãos firmemente apoiadas nos ombros do outro. Changmin mal se movia, com sua mão espalmada na coxa do rapaz e a outra em sua cintura o puxando mais contra si quando ele se movia. As nádegas macias do outro escorregavam em sua virilha, acariciando toda região de seu baixo ventre, o pressionando com o peso de seu corpo.

O cheiro de sexo espalhou-se no ar, deixando um aroma intoxicante na cozinha. O suor escorria por suas peles, misturando seu cheiro, modificando seus sabores enquanto eles ainda se perdiam em seus olhares. Kyu somente aumentou a velocidade quando sentiu seu próprio orgasmo se aproximando, e ele queria ir até o fim, queria tomar tudo de Changmin e deixar-lhe seu máximo.

Eles ganharam ritmo, mas isso não durou muito, uma vez que seus orgasmos se aproximavam e nenhum dos dois fazia questão de segura-los por muito mais tempo. Kyuhyun sentiu as descargas de adrenalina em seu corpo com tanta intensidade que um nó se formou em sua garganta e ele sentiu vontade de chorar. Finalmente ele tocou seu membro e escondeu o rosto no ombro de Changmin, derramando lágrimas quentes que se misturaram ao suor do rapaz. E seu orgasmo se fez presente, sem gemidos, palavras ou sons, apenas ele, suas sensações e Changmin entrelaçado a si.

O orgasmo de Changmin também veio sutil e silencioso, não fossem os jatos quentes de sêmen em seu interior e a respiração descompassada, talvez ele tivesse passado despercebido aos olhos de Kyuhyun. Era como se não houvesse palavras ou sons que descrevessem o mix de sensações que os dois rapazes tinham naquele momento, tudo ali era intenso demais, de seus braços circulando seus corpos, ao cheiro de sexo que pairava em volta deles. Uma aura que eles ainda não haviam atingido, em todo seu relacionamento.

Kyu se afastou do ombro do rapaz e o deixou enxugar suas lágrimas, deixando selares pelo caminho que elas percorreram em seu rosto. Kyu deixou seus dedos enlaçarem-se nos cabelos do mais alto enquanto sentia o membro do mesmo escorregar para fora de si. Eles estavam cansados, exaustos, e tudo era confuso demais naquele momento. Parecia um sonho, que eles não tinham certeza se tratar de algo agradável ou uma premissa de pesadelo. Com dificuldade, Kyuhyun saiu do colo de Changmin e se levantou, um tanto cambaleante e dolorido.

Changmin se apoiou na geladeira, sem saber direito como encarar Kyuhyun depois daquilo, ao mesmo tempo em que as feições do rapaz estavam tão confusas que não davam sequer uma pista de como ele se sentia. Então, assim como Kyu fizera em uma das suas reconciliações, Changmin optou por um tema não relacionado aos seus sentimentos ou dúvidas:

– Eu te machuquei?

– Não, Changminie, está tudo bem. – Disse Kyuhyun. – Eu só não tenho certeza se essa foi uma boa ideia.

– Na verdade não, foi péssima.  – Afirmou Changmin começando a reunir suas roupas do chão.

– Você não gostou?

– Não, eu amei. – Afirmou Changmin vestindo sua boxer. – Talvez você devesse tomar um banho antes de ir.

– É uma boa ideia.

Kyuhyun também reuniu suas roupas e esperou por Changmin para que eles seguissem juntos para o banheiro, onde tomariam um breve banho, apenas para que se livrassem de seus fluidos corporais. Eles não conversaram mais, não por não sentirem a necessidade, mas por não saberem o que falar. Eram tantos sentimentos implícitos, que ficava difícil se expressar, talvez se eles tivessem se expressado melhor antes, não tivessem chegado àquele ponto.

Eles saíram ainda silenciosos do chuveiro e Changmin vestiu roupas confortáveis, ao que Kyu trajou as mesmas peças sociais que usava antes na festa. Ele precisava sair dali, precisava voltar para a casa de Donghae de onde viajaria no dia seguinte com Siwon para a Inglaterra, mas não queria. Ele queria ficar ali, ao lado do homem que amava, e com alguma sorte passar o resto da vida com ele.

Ele viu Changmin dar as costas para ele e deitar-se na cama, ele o esperava partir, e sabia que não era um espetáculo que ele gostaria de presenciar. Kyu voltou a se sentir vazio, como se parte de si estivesse impregnada em Changmin, como o cheiro do rapaz continuava em sua pele mesmo depois do banho. Kyuhyun contornou a cama e se sentou na beirada, fitando Changmin que parecia novamente chateado consigo. Ele não fora lá para usar o rapaz, e sim para se despedir dele, e é o que ele faria.

– Changminie?

– Você tem que voltar, já está tarde.

– Eu vim me despedir. – Afirmou Kyuhyun. – Mas eu não sei como posso fazer isso.

– Eu ainda te amo, Kyuhyun, e a sua presença aqui dói em mim.

– Eu também te amo, e eu espero conseguir o seu perdão algum dia, mesmo que eu não esteja aqui para presenciar o seu perdão. – Afirmou Kyuhyun. – Obrigado por fazer amor comigo, foi a melhor da minha vida.

– A minha também. – Disse Changmin voltando-se para o rapaz. – Eu acho que tive uma ideia melhor para a sua despedida.

– O que é?

– Fique aí sentado, me olhando, fazendo carinho em mim, até eu adormecer, assim quando eu acordar, eu vou pensar que foi um sonho muito bonito.

Kyuhyun meneou a cabeça afirmativamente e se levantou, se posicionando na cabeceira da cama, e finalmente deixando Changmin apoiar seu rosto em uma de suas coxas e ele tratou de acariciar os cabelos do mais alto. Aquela noite o demonstrou o quanto Changmin ainda o amava, o quanto ele parecia disposto a tentar mais uma vez, o quanto ele amava aquele relacionamento que eles construíram, ao qual Kyu não soubera dar valor.

Changmin era perfeito para Kyuhyun, apesar de seus defeitos, ele era tão paciente, tão compreensivo, uma peça única que poucas pessoas reconheciam. E ele sabia, que qualquer outro homem ou mulher escolhido por Changmin seria uma pessoa de sorte se soubesse valorizar aqueles atributos. Tarefa que, quando Kyuhyun parou para analisar, não parecia assim tão difícil.

Talvez alguns jantares com seu amado, algumas oportunidades para que ele pudesse falar o que se passava em sua mente, talvez não priorizar tanto Siwon e perceber que o mundo não ruiria se as coisas não seguissem como seu professor queria, meia dúzia de ações que poderiam tê-lo feito ocupar o lado direito daquela cama, com um Changmin dormindo satisfeito ao seu lado. Arrependimento era algo que doía demais, e ele ainda não sabia o quanto mais aquilo poderia doer.

Ele estava quase dormindo, e ver o cansaço tomar conta de Changmin, era como ver a areia caindo em uma ampulheta, logo ele teria que deixa-lo. A respiração do rapaz ficou mais pesada, ele não se movia tanto e seu corpo pendia contra a perna de Kyuhyun, demonstrando o quão relaxado ele estava naquele momento. Pouco antes de pegar no sono, Changmin fez uma pequena observação sobre Kyuhyun, sua última observação:

– A Inglaterra é um lugar apropriado para um príncipe.

– Se você me pedir, eu desisto e fico aqui com você.

Era tarde demais, e o pedido de Changmin, por mais que estivesse implícito em suas ações, nunca seria feito verbalmente, e a frase de Kyuhyun ficaria em sua mente como uma incógnita. Kyuhyun deixou as lágrimas escorrerem em seu rosto e depois de ajeitar Changmin em sua cama ele selou sua testa demoradamente, o cobriu com seu fino cobertor e deixou o apartamento, assim como, o homem que mais amou ao longo de sua vida. A última noite havia chegado ao seu fim.

Quando Changmin acordou no dia seguinte, já era tarde e por alguns instantes ele tateou a cama em busca de Kyuhyun, sua audição se apurou, em busca do chuveiro ligado, ou de passos pela sala, panelas batendo na cozinha, e nada. Ele havia partido. Changmin abriu os olhos e o teto branco de seu quarto parecia querer esmaga-lo, se aproximando lentamente, quando ele acreditava que suas maiores agonias já haviam terminado.

O que ele faria dos seus dias, de suas horas e daquele amor tão intenso que ele sentia, sendo que o objeto de sua paixão naquela mesma hora tomava um avião e se dirigia para longe de si? Sua vida sem Kyuhyun parecia um campo minado e ele ainda não sabia onde pisar. O certo e o errado se misturavam em frente aos seus olhos o deixando confuso, e é claro, aquela agonia que faria parte de seus dias dali em diante. Sem falar na saudade, que ele escondia em sua própria gaveta de coleção, envergonhado de que as pessoas o julgassem bobo, infantil.

Changmin se levantou preguiçosamente, como se algo magnético o puxasse novamente para a cama. Ele precisava caminhar, precisava se afogar em pensamentos para que depois eles fossem organizados. Precisava chorar, precisava ter aquela sensação estúpida de auto piedade, para depois perceber o quão bobo ele parecia, e finalmente erguer a cabeça, e só então, voltar a sorrir.

Ele caminhou por seu apartamento, olhando nas paredes os porta-retratos que não mais continham fotos dele e Kyuhyun. Enfim, ele chegou à sala, e sobre a mesinha de centro havia uma lauda com a letra bela e curva de seu ex-namorado a preenchendo. Como uma prova de que não fora um sonho, ali havia uma carta deixada por Kyuhyun, com algumas lágrimas borrando a caneta azul. Changmin ajoelhou-se diante da mesa e sem que pudesse refrear suas vontades ele leu o que Kyu havia deixado ali escrito.

Meu querido Changminie.

Não existe em lugar algum do mundo um manual, artigo ou livro que ensine como se despedir do homem que ama, assim como não existem palavras em qualquer dialeto que expliquem o que é ter que tomar para si tão árdua e injusta tarefa. O que a vida também não ensina, é que a despedida é muito mais difícil se para trás você deixa um rastro de erros e magoas, como uma sujeira esquecida e que não terá tempo de ser lavada.

Aqui estou eu e este é o meu definitivo adeus, eu estou partindo e levando parte seu coração comigo, algo que me foi dado com tanto apreço, o que eu negligenciei tão egoistamente, que chego a me enojar ao pensar no meu eu de alguns poucos meses atrás. Dormir ao seu lado ao mesmo tempo em que ignorava as suas necessidades, o seu olhar, gritando por uma atitude que só poderia vir de mim, e que eu só fui compreender, depois que você já não me pertencia de corpo e alma.

Sim, Changminie, eu sou mais um daqueles tantos, que só percebem o quanto vale um ato e uma pessoa, quando este não está mais ao seu alcance. Eu nunca te valorizei o suficiente, meu amor, você merecia muito mais. E aí vem a segunda e pior parte do meu processo de despedida, a culpa. Se existe um quê vingativo em você, meu Changminie, permita-o que se sinta triunfante, pois eu sinto a culpa me corroendo com um câncer que rapidamente toma conta do meu corpo.

E eu sei, que assim que eu colocar os pés para fora desse apartamento, virá aquilo que tirou parte de meu sono nas últimas semanas longe de você, a saudade. Será que você vai sentir saudades de mim? Ou aquilo que te machucou vai se sobressair e você irá pensar “é, eu prefiro ele longe”? Confesso que me consolaria saber que você iria sentir minha falta, mais um pensamento egoísta, para alguém que não soube compartilhar uma vida sem querer sugar para si a vida alheia.

Você mudou tanto desde que nos conhecemos, Changminie, é como se a sua própria máscara tivesse se dissolvido e você fosse quem nasceu para ser ao meu lado. A pessoa que antes não tinha apreço por nada na vida, começou a valorizar até mesmo o menor dos acontecimentos, e como isso foi bom. Ver você viver cada sentimento, ver você cuidar dos meus sentimentos e amarguras, curando um por um com seus beijos e essa paciência que só você tem.

E você fez de mim o seu príncipe, e escreveu com as suas próprias mãos o nosso conto de fadas, descrevendo esse mundo novo e lindo do qual nós dois fazíamos parte. Era o nosso mundo e nós fizemos tudo à nossa maneira. Ao final das contas eu percebo que o verdadeiro príncipe dessa história é você, pois príncipes não abandonam seu reinado em busca de uma aventura, pelo contrário, eles lutam por ele, para que não tenham que ver a sua ruína diante de seus olhos.

Foi quando eu entrei naquele mundo do qual você não fazia parte, e não somente isso, como ignorei o quanto isso te machucava. Eu abri feridas no coração daquele que curou as minhas feridas. Eu fui baixo, Changmin, e cheguei tão perto de te trair, que se você soubesse, teria terminado com esse relacionamento antes. E por algum motivo, eu não achei nada do que eu fiz errado, talvez porque a maioria das pessoas à minha volta continuassem repetindo: “tudo bem, a culpa não é sua”.

Não estou tentando justificar aqui meus atos por meio das outras opiniões, só quero que você saiba, que eu sei que a culpa é minha, que eu finalmente percebi que meus amigos me julgam errado e te julgam errado. Admitir meus erros é difícil pra você e eu não acho que terei coragem de admitir para eles, mas fazendo as contas, nenhum deles passaria ileso. Eu decepcionaria a todos.

Se existe algo que eu aprendi, é que os amigos são bons pontos de apoio, mas não são donos da verdade. Você tem bons amigos, Changminie, pessoas de valor, que não te julgaram bruscamente quando o mundo se voltou contra você. Eu já vi você se fechar para o mundo, e não fiz nada sobre isso, mas agora se me permite um pedido, eu não quero que você o faça de novo. Você sabe que eles não vão te julgar, então se abra para os seus amigos, eles irão consolar você e certamente serão melhores companheiros do que eu fui.

Acho que é aqui que chega ao fim o nosso conto de fadas. A boneca saiu da sua estante, mas leva com ela um pedaço de você Changmin, e essa mínima parte será muito bem cuidada. Eu espero que você consiga encontrar a sua felicidade à sua maneira. Eu espero que continue crescendo, e que essa aura linda que você possui nunca desapareça. Você é o melhor namorado do mundo, não existe ninguém que se compare a você, Changminie, e eu espero que você encontre conforto diante de tanta dor que eu causei a você.

Finalmente, eu quero que você saiba, que você é a pessoa que eu mais amo e eu não acho que jamais conseguirei amar outro alguém como amo você. No final da sua primeira carta, você me entregou o seu coração, e disse que cabia a mim, decidir o que fazer com ele. Eu espero que algum dia você me perdoe, por não ter cuidado de algo tão frágil com a dedicação que você merecia. Eu amo você, Changminie, e eu nunca vou te esquecer.

Com amor.

Do seu príncipe Kyu.

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