Capítulo 52: And I need you somehow

 

 

“Conceitos básicos em economia. Um estudo sobre teorias econômicas e suas aplicações.” Kyuhyun fitou a grande mesa com vários livros espalhados posicionada na entrada do local do evento e o seu era um dos poucos seletos para ficar em evidência. A capa com cores sóbrias não se destacava entre as outras, mas ele não via problemas, afinal não vivia da venda de seus livros. Eles eram apenas seu cartão de visitas no mundo acadêmico, algo que fazia para que as pessoas vissem seu potencial.

As palestras começariam naquela tarde, pouco depois do almoço e lá estava ele, já devidamente alimentado, trajando um de seus melhores ternos, pronto para ensinar um bando de empresários entediados alguma coisa sobre economia. Kyu era muito melhor em sala de aula, ele se considerava um palestrante chato, no entanto, ainda era contratado pela universidade, e faria o que eles mandassem.

Kyuhyun ouviu passos pesados atrás de si, e logo a mão pesada de Siwon envolvia sua cintura, enquanto a outra entregava-lhe um copo de café. Ele desviou o olhar e sorriu agradecendo, pois estava demasiadamente sonolento e certamente cafeína era algo que ele necessitava naquele momento. Kyu bebericou o líquido ainda quente, enquanto ao seu lado, Siwon fitava os livros se demorando nos títulos. Certamente os empresários comprariam, mas se entenderiam seu conteúdo, era outra história.

Kyuhyun daria palestras nos três dias do evento, sobre três temas diferentes. Ele olhou seu relógio que brilhava imponente no pulso e constatou que era hora dos portões se abrirem e assim aconteceu. Homens engravatados adentraram o local, seguindo sem pressa para a recepção, mulheres também vestidas socialmente, com cabelos presos em coques severos e seus saltos martelando o assoalho, seguiram na mesma direção.

Assim que eles entraram, Kyuhyun e Siwon seguiram para seus lugares ao auditório, onde esperariam que as pessoas se acomodassem para que o ciclo de palestras pudesse começar. No local, os outros palestrantes já se encontravam sentados em uma fileira separada, enquanto discutiam suas temáticas. Kyu e Siwon juntaram-se a eles, no entanto apenas o mais velho participou diretamente do diálogo, Kyu se perdeu em seus pensamentos.

Ele tivera um sonho estranho na noite anterior, um sonho bobo na verdade, mas que o deixou melancólico ao se levantar. Ele fitou o copo de café entre suas mãos, enquanto as imagens passeavam novamente por sua mente. Ele estava novamente na sua última noite em Seul, e acariciava os cabelos de Changmin que aos poucos era levado para longe de si pelo sono. Era como se ele ainda pudesse sentir a textura fina dos cabelos do rapaz na ponta de seus dedos.

E ele pedia, “Se você me pedir, eu fico aqui com você”, e como quatro anos antes, ele ficava apenas com o silêncio. Ainda assim, ele não partia, não escrevia sua carta de despedida, não deixava o apartamento. Em seu sonho, ele se deitou ao lado de Changmin e o fitou adormecido, segurando sua mão, tão quente em seu imaginário quanto era naquele tempo. E assim, ele ficou, até que Changmin acordasse e sorrisse para ele.

Aquele sorriso que ele tanto amava. Sua mente conseguia desenhar perfeitamente os olhos negros do jovem Changmin, o formato fino de seu rosto, o contorno de seus lábios protuberantes e a fileira de dentes brancos. Um suspiro pesado deixou os lábios de Kyuhyun, que chamou a atenção de Siwon. O mais velho voltou-se para o silencioso rapaz e o indagou:

– Tudo bem, Kyunie?

– Não dormi bem, estou com sono ainda. – Afirmou Kyuhyun.

– Ah Kyunie, o que eu te disse? Tem que descansar. – Afirmou Siwon acariciando os cabelos do outro rapaz. – Beba o seu café, vai se sentir melhor.

– Obrigado, Wonie.

Kyuhyun sorriu discreto e voltou sua atenção ao seu café, se esforçando para esvaziar sua mente. Ele precisava de concentração, precisava ser profissional e não devanear sobre alguém que estava tão distante. A palestra iria começar e por mais que ele não fosse o primeiro, ele precisava estar pronto. Kyu tomou seu café e finalmente ergueu a cabeça, era hora de ser profissional e não sentimental.

 

Changmin e Yoochun corriam de um lado para outro no bagunçado quarto de hotel. O carrinho com seu almoço estava abandonado com pratos e talheres sujos em um canto, enquanto os dois se apressavam para se vestir. Eles haviam pousado na cidade na madrugada anterior, e empolgados com a cidade, demoraram a adormecer. O resultado foi os dois atrasados, comendo às pressas e correndo entre nós de gravatas e sapatos sociais.

Changmin resolveu usar aquele dia algo que há muito não usava, uma pulseira discreta de prata que Kyuhyun dera-lhe. Ele bem sabia que era o fato de estar na Inglaterra o que o deixava nostálgico e temeroso. Ele se imaginara visitando a ponte de Londres e encontrando Siwon e Kyuhyun a atravessando de mãos dadas em uma cena grotescamente romântica. Changmin ajeitou seus cabelos de lado como gostava e Yoochun entregou-lhe os convites para o evento sem os quais, eles não entrariam.

Eles saíram a passos largos, deixando o cheiro de suas colônias masculinas por onde passavam, o que chamava a atenção das moças que transitavam pelo hotel. Eles saíram do luxuoso edifício e trataram de pedir um taxi, para que chegassem ao local mais rapidamente. Claro que o trânsito de Londres se equiparava a várias capitais e eles demoraram a chegar ao seu destino.

O hotel que havia cedido o auditório para o evento era luxuoso, e se ergueu imponente diante de seus olhos assim que eles desceram do taxi. Havia uma movimentação na entrada, das pessoas se deslocando para uma grande escadaria que daria acesso ao auditório. Eles então suspiraram satisfeitos, afinal, não estavam assim tão atrasados. Depois de pegarem seus crachás, eles puderam finalmente percorrer pela entrada do evento.

Havia um cronograma exposto em um grande quadro, ao qual eles apenas se atentaram ao horário do intervalo, se perguntando que tipos de quitutes seriam servidos. Eles ainda conversavam quando parte da multidão se dissipou e eles visualizaram a mesa com os livros a venda. Yoochun puxou Changmin pelo pulso e se aproximou do local em busca de algo útil. O mais alto percorreu o olhar e se prendeu ao livro de Kyuhyun ali exposto, ele esticou o braço e alcançou o objeto o fitando demoradamente.

– Olhe hyung. – Disse Changmin, desviando o olhar para Yoochun que tinha outro livro em mãos, o qual ele fitava com concentração.

– Esse livro parece interessante, Changminie, fala da variação da bolsa de… caramba foi o Siwon que escreveu! – Exclamou Yoochun.

– Aqui também tem o livro do Kyuhyun. – Afirmou Changmin. – Será que eles são uma espécie de escritores famosos aqui na Inglaterra?

– Eu não sei, talvez o Donghae saiba. – Afirmou Yoochun. – Eu nunca pergunto deles para o Hae ou o Hyuk, sempre acho que eles vão cair no choro.

– Talvez eles fossem mesmo. – Disse Changmin, rindo discreto, enquanto abria o livro de Kyuhyun e lia um trecho.

– Changmin, tem duas mulheres olhando para nós ali no canto. – Avisou Yoochun, constrangido.

– E daí, hyung?

– E daí que você vai fingir que é o meu namorado, porque mesmo estando há quilômetros de distância eu não quero nenhum mal entendido com o meu Junsu.

– Hyung, isso não faz o menor sentido. – Afirmou Changmin finalmente desviando o olhar do livro e rindo do mais velho.

– Elas estão se aproximando, rápido, me dá a sua mão. – Disse Yoochun estendendo a mão ao outro.

-Micky-hyung, isso não…

– Dá a mão, Changmin!

Changmin riu e entrelaçou os dedos aos do mais velho, ainda sem saber como as pessoas cairiam naquela farsa, sendo que um usava aliança e o outro não. O mais alto riu enquanto voltou a atenção ao livro, sentindo-se um adolescente em uma brincadeira boba. Certamente Junsu não se incomodaria que eles andassem de mãos dadas por Londres, desde que isso mantivesse possíveis interessados longe dele.

– Hyung, isso não vai dar certo.

– Já deu, elas estão indo embora. – Afirmou Yoochun, voltando sua atenção para o livro de Siwon. – Andar de mãos dadas com você é mais fácil do que dizer “desculpe moça, mas eu não posso foder com você essa noite, pois sou gay e tenho um macho delicioso me esperando de volta em Seul.”.

– Ah hyung, seria legal ver isso. – Riu-se Changmin, ainda percorrendo o olhar pelo livro. – Até que o que ele escreveu não é assim tão ruim.

– Quer comprar o livro? – Indagou Yoochun. – Era melhor comprar a tradução para o coreano então, você não acha.

– Pode ser. – Afirmou Changmin, devolvendo o livro ao apoio em que o havia encontrado. – Sabe, hyung, acho que andar de mãos dadas com você pode não ser tão ruim. Acho que em dupla nós conseguiremos chegar à mesa do café mais rápido e pegar todos os doces mais gostosos.

– Esfomeado! – Acusou Yoochun, finalmente notando que a entrada do local estava praticamente vazia, a palestra já iria começar. – Vamos entrar, Changminie, eu quero um lugar no fundo pra cochilar numa boa.

– Só não vá babar!

Yoochun riu do comentário do rapaz e eles seguiram sem pressa ao auditório, unindo-se à multidão que se aglomerava ali. Eles atravessaram o auditório e seguiram para cadeiras acolchoadas em veludo vermelho, posicionadas em um dos cantos do local. Eles não queriam ser incomodados, então optaram pelas fileiras menores do canto, acomodando-se lado a lado e finalmente voltando a dar as mãos.

Changmin ria-se quando se lembrava de sua situação, pensando em quão deprimente deveria ser fingir namorar seu amigo apenas para livra-lo de ser paquerado por outras mulheres. Yoochun somente soltou sua mão quando todos já estavam devidamente acomodados em sua cadeira e não havia ninguém para aborda-lo. Changmin forçou a vista em direção aos palestrantes que estavam de costas para si, apenas percebendo que se tratavam de três homens e uma mulher.

Yoochun então se distraiu sua atenção ao mandar uma mensagem de texto ao seu amado, o avisando que as palestras iriam começar e que ele tivera a brilhante ideia de andar de mãos dadas com Changmin para não ser paquerado, sabendo que ele riria de sua situação. A luz do lugar aumentou e um dos pontos recaiu sobre as cadeiras onde os palestrantes se encontravam. Changmin fitou a silhueta de um rapaz esguio e de cabelos acobreados, perdendo-se em pensamentos sobre a pele alva de seu pescoço exposto.

Ao seu lado estava outro mais alto e que aparentava ser mais encorpado, com os cabelos negros repicados em um corte moderno. Foi neste momento, quando o apresentador do evento desejava-lhes um polido boa tarde que Changmin teve sua primeira surpresa. O rapaz alto virou seu rosto brevemente de lado, para poder falar algo ao ouvido do outro, e Changmin viu sua silhueta iluminada. Um frio percorreu sua espinha ao perceber que ele era extremamente parecido com Siwon.

– Hyung? – Chamou Changmin em tom sussurrado.

– O que foi? – Indagou Yoochun, finalmente desviando o olhar ao rapaz.

– Quem são os palestrantes desse simpósio?

– Ah, Changminie, eu não vi o nome de todos. – Afirmou Yoochun, diminuindo o tom de voz ao ouvir um “sshhh” de algum lugar na plateia. – Eu tenho o cronograma aqui, deixe-me dar uma olhada.

– Eu também não olhei, mas tenho a impressão de que estamos em uma fria.

– Por que diz isso? – Indagou Yoochun, retirando de sua pasta e xingando em coreano seja lá quem fosse que fez o seu “ssshhh” pela segunda vez. – Aqui Changminie, são quatro palestrantes são Elisabeth Neuman, James Maxwel… droga.

– Droga o que, hyung? – Indagou Changmin sobressaltado.

– Aish! – Reclamou Yoochun. – Se você quiser correr, esse é o momento.

– Hyung, me dá isso aqui!

Changmin puxou o cronograma da mão do rapaz que parecia desconcertado, enquanto voltava o olhar para onde os palestrantes estavam sentados. Changmin leu com alguma dificuldade, devido à luz que baixou e uma salva de palmas soou, anunciando o primeiro palestrante que subiu ao palco. Changmin leu o cronograma finalmente, incrédulo, sentindo uma vertigem tomar conta de sua mente, como se tivesse tomado muitas doses de vodca. Ali, em letras miúdas, entre os nomes dos palestrantes estavam “Choi Siwon e Cho Kyuhyun.”.

Changmin deixou o papel ir ao chão e ergueu o olhar, abismado. Era ele, o rapaz de cabelos castanhos acobreados e com a pele alva tão familiar para si. Aquele com quem Choi Siwon conversava segundos antes era seu ex-namorado, Kyuhyun. Era o que Changmin mais temia, vê-lo pessoalmente depois de tantos anos, depois de fazer as pazes com seu próprio passado. Ele estava ali, ao seu alcance, para que ele pudesse se vingar, ou gritar com ele, ou chorar com um bebê.

Reações ridículas, pensou Changmin. Ele estava abalado, mais do que poderia prever que ficaria. Ver Kyuhyun, mesmo que de longe, doía como facas em brasa atravessando seu coração. Era como vê-lo destruir sua vida por uma segunda vez, era como ser abandonado novamente, era como perder o controle de suas ações sem saber para onde seria levado. Quando voltou a si, Yoochun segurava sua mão com firmeza, o fitando seriamente. Changmin teve vontade de correr, mas não o fez, seu orgulho falou mais alto.

Quando conseguiu finalmente perceber o clima a sua volta, o palestrante no palco disse em tom animado: “Acho que para me explicar melhor, vou precisar de dois voluntários. A moça de vestido rosa, e o rapaz à frente de gravata vermelha, poderiam vir ao palco, por favor?” E um holofote iluminou Changmin que apenas desejava se desintegrar por aquela luz vibrante e que o cegava. Ele então desviou o olhar para Kyuhyun, e sua feição era indescritível.

Assim que o palestrante anunciou que queria voluntários, Kyu pôde imaginar o constrangimento dos que assistiam. O holofote se acendeu e ele virou o corpo automaticamente para ver de quem se tratava o escolhido, e era a última pessoa que ele imaginava ver ali. Com os olhos ofuscados pela luz, ele viu Changmin, que apenas esperou sua visão se acostumar para retribuir seu olhar.

Ele estava ali, um Changmin mais maduro, trajando terno e gravata e os cabelos impecavelmente arrumados. O rapaz se levantou, assim como a moça escolhida e as pessoas aplaudiram, com exceção de Kyuhyun e Siwon que estavam demasiadamente estupefatos diante de tal situação. Kyu o acompanhou com o olhar, incrédulo, enquanto ele descia a plataforma íngreme até a beirada do palco e finalmente subia ao mesmo.

Era como se o mundo girasse em câmera lenta e se cada passo dele aproximando-se de si, roubasse um punhado do fôlego de seus pulmões. Ele se obrigou a fitar Changmin até que este estivesse no palco, e como se o desafiasse, ele segurou seu olhar sobre si. Era como uma das cenas mais clichês de filmes de suspense, para eles, a plateia havia desaparecido e restavam somente eles e seus olhares magnetizados um pelo outro.

Kyuhyun apenas voltou para sua realidade quando a mão de Siwon pousou em seu ombro e ele finalmente desviou o olhar de Changmin. Siwon aproximou o rosto de seu ouvido, enquanto Kyu calmamente afastava sua mão de seu corpo. Ele não queria que nada o tocasse naquele momento, apenas desejava voltar a olhar o rapaz, toca-lo, falar com ele tudo aquilo que imaginou ao longo dos quatro anos.

– Kyunie, não se esqueça, estamos em uma palestra, temos que ser profissionais.

– Eu sei.

Kyuhyun soou frio propositalmente, pois queria afasta-lo de si, pela primeira vez em anos. Talvez ele estivesse sendo injusto, no entanto, Siwon tinha sua parcela de culpa pelo afastamento dos dois e Kyu não deixaria que aquilo acontecesse novamente. Era a segunda chance que ele tanto desejara, com o que tanto sonhara e ele sabia que deveria tentar, arriscar-se ao máximo, mesmo que terminasse ainda mas machucado.

Claro que a situação toda não era nada favorável, ver Changmin ali e não poder gritar pedidos e mais pedidos de perdão, além de declarar aos ventos o quanto ainda o amava, era frustrante demais. Ele amava aquele rapaz, deixa-lo para trás fora um de seus maiores erros e o maior arrependimento de toda sua vida. No entanto, parecia que sua sorte havia mudado e lá estava ele, à sua frente, o fitando tão intensamente que seu olhar quase o machucava. Changmin quase não conseguiu se concentrar nas atividades no palco, mas aquilo pouco o importou, ele estava finalmente frente a frente com Kyuhyun, colocando à prova toda coragem que havia em si.

Sob outra salva de palmas Changmin deixou o palco, e um Kyuhyun desconcertado e com vontade de chorar o observou se afastar. Ele não tinha certeza se estava feliz ou assustado com a presença de Changmin ali tão próximo a si, e não podia negar que o tempo fora generoso com o rapaz. Ele parecia ainda mais bonito, seu andar agora era mais altivo e seu olhar ainda era penetrante. Kyuhyun fechou os olhos e lembrou-se de seu sonho da noite anterior, ele quase podia classifica-lo como um sonho premonitório.

Changmin saiu do palco e depois daquilo não ouviu mais uma palavra sequer da palestra. De quando em quando, respondia a Yoochun de que estava tudo bem e que ele não precisava tomar um ar. Micky ficara preocupado e sempre que Siwon disfarçadamente desviava o olhar na direção de Changmin, ele se perguntava como eles haviam entrado em uma roubada como aquela.

Changmin não sairia dali, não daria a Siwon o gosto de saber o quão abalado ele estava por rever Kyuhyun. Ele ainda odiava aquele homem, por mais que por longos anos, ele tivesse varrido a imagem de Siwon de sua mente. Changmin fitou as costas daquele rapaz que não conseguia parar quieto em seu lugar e vez ou outra virava o corpo em sua direção. Era como ele previu, naquele momento, constrangimento seria um sentimento até agradável.

A primeira palestra acabou sob uma salva de palmas e depois de alguns poucos minutos de pausa, Kyuhyun subiu ao palco. O microfone tremia em sua mão e há muito ele não se sentia tão nervoso ao discursar. As fichas em sua mão começavam a ficar molhadas com seu suor, e ao final ele ficou feliz ao perceber que ainda eram legíveis. Ele as fitou demoradamente, então disse em tom calmo ao microfone:

– Boa noite.

Kyuhyun nunca discursou com tanta paixão. Era como se ele estivesse falando apenas para Changmin, como se seus olhos o desnudassem e o livrassem não só de suas roupas, mas de todas as camadas que o cobriam. E ele podia finalmente mostrar a quem realmente importava, como ele era um bom profissional. Kyuhyun satisfeito terminou sua palestra, com uma belíssima salva de palmas e sentindo-se animado com a evolução de sua oratória. Ele não poderia estar mais feliz.

No entanto, assim que ele desceu do palco, a insegurança se apoderou dele e o deixou ansioso. Enquanto apertava as mãos de seus colegas palestrantes, Kyu ouviu o apresentador anunciar o café e antes que ele pudesse se desvencilhar de seus colegas, Changmin já havia se precipitado para fora do auditório. Ele ainda fitava a porta, quando Siwon se aproximou de si novamente e sussurrou em seu ouvido:

– Eu sei no que você está pensando, Kyunie, mas quero te alertar, ouvi falarem sobre dois rapazes andando de mãos dadas do lado de fora. Vá com calma, está bem?

Kyuhyun não conseguiu disfarçar seu desapontamento. Era muita pretensão sua imaginar que Changmin, sendo um namorado tão dedicado, teria escolhido a solidão como ele. Ele teria escolhido alguém para si, alguém que certamente o acompanharia em viagens internacionais, um companheiro de verdade. Kyuhyun fitou Siwon demoradamente, então deixou o local, com passos incertos em direção à porta.

Seria uma péssima brincadeira do destino colocar Changmin em seu caminho apenas para humilha-lo ainda mais, e relembra-lo pela milésima vez que ele não era uma pessoa feliz. Kyuhyun atravessou o hall e percorreu o olhar entre as pessoas ali presentes, até encontrar Changmin, e ao seu lado, com ar preocupado, estava Micky Yoochun. Seria melhor que fosse outra pessoa, um desconhecido, não aquele que se enfiou em seu relacionamento quando tudo ia mal.

O ciúme inflamou o peito de Kyuhyun, assim como a inveja. Claro, a escolha de Changmin era óbvia, ele se apoiaria naquele que esteve ao seu lado o tempo todo, mesmo quando todos estavam contra ele. Kyuhyun seria bobo, se deixasse levar pelo ciúme, talvez não tivesse uma terceira chance. Era ainda mais bobo pensar que àquela altura ele poderia substituir quem mais apoiou Changmin, no entanto, ele precisava tentar. Kyuhyun os fitou conversar de perto da porta, tentando não adentrar em conversas complexas com as pessoas que o parabenizavam.

Changmin se obrigou a repetir um milhão de vezes para Yoochun que ele estava bem, e que assistiria às palestras normalmente, uma vez que eles haviam pagado por tudo aquilo. Ele ainda não sabia como reagir, e a única coisa que decidira até então, era que desejava manter distância de Siwon. Certamente, olhar para ele novamente o faria ter náuseas e ele queria poder passar o dia sem isso. Yoochun demorou a se dar por satisfeito e finalmente pediu que Changmin o esperasse ali, pois ele iria à mesa escolher alguns quitutes do coquetel para eles.

Changmin riu a da preocupação de seu amigo, e apesar de seu interior estar borbulhando de ansiedade, ele não compartilharia aquilo. Changmin estava desnorteado, ainda não sabia se queria ir embora, ou olhar para ele mais uma vez, como fizera na última hora e se perdera em sua voz, seus trejeitos. Um lado seu desejava esfregar na face de Kyuhyun o quão bem ele estava, enquanto outro insistia em gritar o quão grande era aquela mentira. Sua vida não era um mar de rosas, e ele não tinha muito do que se vangloriar.

Sua carreira era bem sucedida, mas em sua mente, nem se equiparava à carreira de Kyuhyun com seus livros publicados e as milhares de libras esterlina que ele deveria estar ganhando por uma hora de palestra. Changmin estava perdido em seus pensamentos quando a voz rouca e melodiosa se fez presente, chamando seu nome com uma doçura que facilmente o envolveu. Changmin girou o corpo e lá estava ele, Kyuhyun, com as mãos no bolso da calça social, seu perfume cítrico, seus cabelos macios e um sorriso discreto nos lábios.

– Olá Kyuhyun. – Disse Changmin, polidamente o reverenciando ao que ele foi correspondido.

– Eu vi você lá na plateia, está gostando das palestras?

– Estou sim. – Afirmou Changmin, desconcertado. – Você é palestrante agora?

– Eu sou professor. – Afirmou Kyuhyun. – Então quando a faculdade manda eu dou algumas palestras.

– Eu sou empresário agora. – Afirmou Changmin. – Montei uma empresa em parceria com o Yoochun-hyung.

– Com o Yoochun-hyung? – Disse Kyuhyun, fechando seu sorriso automaticamente. – Ele tem sorte.

– De fato. Ele e o Junsu-hyung completaram cinco anos mês passado. Eles foram de novo pra Jeju, e ficaram lá uma semana toda. Acho que eu nunca trabalhei tanto quanto nesses dias.

– Mas ele está com o Junsu-hyung?

– É claro que está! – Afirmou Changmin pensativo, rindo-se ao se lembrar do começo de seu dia. – Nós estávamos de mãos dadas mais cedo, é sobre isso que você deve estar pensando.

– Eu… me contaram isso. – Confessou Kyuhyun. – Se você estiver com ele, tudo bem, sabe?

– Eu não estou. – Afirmou Changmin, friamente. – E você e o Siwon? Felizes para sempre?

– O meu feliz para sempre ficou em Seul, Changmin, não está aqui. – Disse Kyuhyun.

– Você escolheu isso. – Concluiu Changmin, mais sério.

– Eu sei. – Disse Kyuhyun amargurado, fitando Yoochun retornar com dois pequenos pratos.

– Changminie, não tem doce, só tem umas coisas estranhas de atum e eu nem sei o que é isso. – Afirmou Yoochun, parando de falar assim que viu Kyuhyun ali. – Boa tarde Kyuhyun.

– Boa tarde Yoochun-hyung. – Disse Kyuhyun, sorrindo discreto.

– Ahm… eu vou deixar vocês conversarem, aqui, pegue o seu prato. – Afirmou Yoochun repassando um dos pratinhos para Changmin. – Eu vou lá atrás telefonar para o Su, depois nos encontramos.

– Está bem, hyung. – Afirmou Changmin fitando com estranhamento os quitutes.

– Juízo, Changmin. – Alertou Yoochun antes de se afastar, e o deixar ali.

– Tudo bem, hyung. – Em partes ele acreditava que deveria ter ido com seu amigo, mas outra parte de si estava atraída por Kyuhyun. Queria ouvi-lo, queria olhar para ele e secretamente, queria toca-lo.

– Então, você quer comer um doce? – Indagou Kyuhyun abrindo um sorriso agradável à Changmin que abandonava o pequeno prato sobre uma mesa próxima.

– Não necessariamente, mas… o que são essas coisas?

– Esse é canapé de atum com azeitona preta, patê de fígado com geleia de amora, pontas de aspargo, e esse pequeno é um cubinho de rabanete. – Afirmou Kyuhyun. – Tem um agridoce aqui.

– Vocês comem essas coisas?

– São sempre os mesmos coquetéis, depois de um tempo enjoa. – Afirmou Kyuhyun. – Quer ir comer um doce? Eu conheço um lugar legal.

– Melhor não, Kyuhyun. – Afirmou Changmin. – Nós temos todo o simpósio e é melhor não sairmos daqui.

– Aposto como você vai aproveitar a palestra do Siwon. – Afirmou Kyuhyun. – Ele consegue ser mais chato do que eu.

Changmin riu discreto do comentário alheio, negando com a cabeça.

– Vamos? É pertinho daqui, eu te devolvo inteiro, eu prometo. – Insistiu Kyuhyun.

– Kyuhyun…

– Você não tem nada a perder, Changmin, é só um café, que mal poderia fazer?

Changmin suspirou pesadamente e deu de ombros ao rapaz que sorriu ao perceber que ele aceitara sua proposta. As coisas começavam a mudar a favor de Kyuhyun, por mais que ele ainda estivesse receoso por falar com o rapaz. Ele seguiu em direção à saída sabendo que Changmin caminhava logo atrás. Para Kyuhyun, ter Changmin o acompanhando era um dos momentos mais sublimes desde que ele chegara à Londres.

Kyu atravessou a rua sem pressa e seguiu para uma cafeteria que ele já conhecia. Changmin seguiu logo atrás do rapaz, se perdendo no contorno da silhueta esguia do outro que caminhava à sua frente. Kyuhyun ainda era um homem bonito, apesar das olheiras evidentes em sua pele alva. Ele sorria, mas parecia cansado, Changmin arriscaria dizer que ele estava esgotado. Kyuhyun parou e abriu uma discreta porta que dava acesso a uma pequena cafeteria.

Changmin o seguiu estabelecimento adentro e Kyu escolheu uma mesa próxima a janela. Havia uma cafeteria mais sofisticada há algumas quadras dali, mas ele não quis arriscar seguir para mais longe e dar tempo de Changmin mudar de ideia. Ainda assim aquele lugar era aconchegante, apesar de estar movimentado devido ao simpósio. A garçonete trouxe um cardápio o qual Kyuhyun recusou e logo fez seu pedido.

– Posso pedir pra você?

Indagou Kyuhyun, fitando o olhar intrigado de Changmin. Ele finalmente assentiu e Kyuhyun pediu para ele um pedaço de cheesecake com calda de blueberry e uma xícara de expresso machiatto. Então ele voltou a fitar Changmin que parecia analisa-lo com certa frieza. Era como se ele o estivesse estudando, buscando intenções por trás de suas ações. Intenções as quais o próprio Kyuhyun tinha suas dúvidas.

– Então, Changmin, como estão as coisas em Seul?

– Está tudo indo bem. – Afirmou Changmin.

– E os meus hyung-dul? O Hae e o Hyuk, você tem visto eles?

– Eles são clientes da minha empresa. – Explicou Changmin. – As vezes nós conversamos, mas não é como quando você estava lá. Eu não frequento a casa deles, ou passo o natal com os dois.

– Eu sinto falta deles, dos meus pais, de Seul. – Afirmou Kyuhyun. – Eu sinto sua falta, Changminie.

– Você…

– Eu sei. – Interrompeu Kyuhyun. – Foi minha escolha.

– Se você sentiu tanta falta de Seul e das pessoas, por que não voltou?

– Porque você me disse que era hora de sair de baixo da asa do Donghae-hyung e de fato, não foi fácil passar por tantas coisas sem ele. Se eu voltasse, você me acharia um covarde, você me julgaria por eu não ter superado, por sempre precisar de proteção em cada coisa que eu faço. Eu não queria que você pensasse assim.

– A minha opinião conta tanto assim?

– Mais do que você pode imaginar. – Afirmou Kyuhyun. – Eu quis voltar, acredite, me imaginei milhares de vezes pegando um avião e correndo de volta, tentando reconquistar o que eu deixei pra trás, o que eu perdi.

– O que te segurou aqui? Só a minha opinião? Deve ter algo mais, o Siwon, o seu emprego, algo assim.

– Se tem algo que eu aprendi, é que o Siwon não vai se desintegrar se eu desapontar ele. – Afirmou Kyuhyun. – Eu tive medo, Changmin, medo de chegar em Seul e perceber que era tarde demais. Que tudo havia mudado e a vida que eu conhecia já não existia mais. Eu não queria ver você com outra pessoa, não queria saber que você estava mais feliz com outro homem ou que tinha constituído família com uma mulher, por mais óbvio que isso fosse. Eu não queria que você me rejeitasse, pois manter uma falsa esperança é mais confortável.

– Falsa esperança? – Indagou Changmin abrindo espaço para atendente que os servia. – O que espera de mim?

– Changminie, não me entenda mal. – Afirmou Kyuhyun repousando sua mão sobre a do rapaz. – Eu estou falando de cenários que eu montei na minha mente quando me senti sozinho, quando percebi meus erros e me arrependi de todos eles.

– De quais erros você está falando?

– De todos eles. – Disse Kyuhyun, sorrindo com o canto dos lábios ao perceber a pulseira que ele dera ao rapaz anos antes, ali reluzindo em seu pulso. Kyu se permitiu brincar com os dedos do rapaz, sem olhar em seus olhos enquanto falava. – Eu tinha o nosso relacionamento firme embaixo dos meus pés, tinha você ao meu lado, tinha todo o seu amor, os seus olhos eram voltados apenas para mim. Eu era o seu príncipe. Quando eu penso em nós anos atrás, vejo que eu poderia ter mudado o rumo da nossa história. Estava ali, Changminie, era só olhar pra você, era só eu ter feito alguma coisa. Você não me pedia nada impossível, e eu decidi ignorar. Acho que esse é o pior tipo de erro, ignorar os próprios erros, porque as consequências são desastrosas. Erros se acumulam, assim como as mágoas e a medida que vai passando, fica mais difícil se redimir.

Changmin sentiu um nó se formar em sua garganta, então baixou o rosto e delicadamente afastou sua mão do toque quente e gentil do outro rapaz.

– Por que tão tarde? Por que quando tudo já se foi, você vem me dizer isso? – Indagou Changmin fitando seu próprio colo.

– Porque eu não sabia, eu aprendi muito com você, Changminie. Aprendi coisas que nenhuma faculdade ou livro ensina. Eu nunca quis te machucar, e mesmo assim, no auge da minha ignorância e infantilidade eu machuquei. Eu carrego essa culpa comigo desde que saí de Seul, e um dia você pode seguir sua vida e se casar com outra pessoa, mas eu ainda vou carregar essa culpa por ter perdido você. Por isso o isolamento aqui em Londres parece um gentil apoio para quem tem que criar suas próprias esperanças imaginárias, quando elas não existem mais.

– Acha que eu não senti a sua falta?  Que eu não rezei para que o próximo voo vindo de Londres trouxesse você de volta? Acha que eu não me sinto vazio, oco por dentro quando tudo o que me restou foi aceitar as suas condições, a sua vida?

– Changminie…

– Depois de tudo isso, acha que tem o direito de me pedir alguma coisa? Qualquer coisa?

Kyuhyun negou com a cabeça, por mais que diversos pedidos e desejos estivessem presos em sua garganta.

– Eu te amei tanto, e pra você, eu parecia não ser nada. – Afirmou Changmin desviando o olhar para longe. – Você só se importava com você e em agradar o Siwon.

– Eu sei. – Afirmou Kyuhyun. – E eu tive que te perder para perceber que você era tudo para mim. Me perdoe, Changminie.

– Eu já perdoei, Kyuhyun. – Afirmou Changmin provando finalmente do pequeno pedaço de bolo. – Eu perdoei há muito tempo. Apenas não desejo que olhe para mim e diga: “Vamos recomeçar”, porque isso seria estúpido.

– Eu sei. – Afirmou Kyuhyun baixando o olhar para sua torta intocada. – Eu não quero te chatear, mas estar perto de você de novo, é tão bom.

– É eu sei como você se sente. – Disse Changmin ainda comendo de sua torta.

– Você vem nas palestras amanhã? – Indagou Kyuhyun, avisando a garçonete que levaria sua torta para casa.

– Venho todos os dias. – Afirmou Changmin, finalmente dando atenção para seu café.

– Quer conhecer o meu apartamento?

– O que? – Indagou Changmin surpreendendo-se com tal convite e a mudança brusca de assunto.

– Você pode levar o Yoochun-hyung se quiser, eu faço um jantar para nós três. – Afirmou Kyuhyun. – Eu sei que você vai logo embora, e por mais estúpido que seja esse convite, eu preciso arriscar a levar um belíssimo “não” seu.

– Um jantar? Que tipo de jantar?

– Um jantar casual. Com pessoas que não se veem há muito tempo e que acabaram de admitir que sentem saudades. – Disse Kyuhyun sorrindo discreto. – Eu não quero tomar mais o seu tempo, afinal você pagou para assistir palestras e não me fazer companhia. Eu vou pra casa, amanhã estarei aqui cedo, me responda depois.

Kyuhyun se levantou sem pressa e pegou o pequeno pacote das mãos da garçonete. Changmin o fitou ansioso, e finalmente o rapaz desviou o olhar para si com um belo sorriso em seus lábios. Há muito Changmin não era banhado por aquela sensação, de ter os olhos de Kyuhyun somente para si. Kyu tinha todos os seus compromissos em Londres, uma carreira e ainda assim, seus olhos pertenciam à Changmin.

Kyu pagou a conta dos dois, enquanto o mais alto se perdia em pensamento e nos trejeitos do rapaz. Era como voltar no tempo, e cada gesto ou olhar do outro remexesse em alguma coisa em seu coração. Ele se sentiu como aquele rapaz descompromissado de muitos anos antes que arrepiava somente com o breve esbarrar de ombros de Kyuhyun.  E depois de trocar meia dúzia de palavras com a garçonete, ele voltou o corpo para si.

Sem saber direito o que fazia, ou as consequências de seus atos, Changmin se levantou. Em sua mente, ele se lembrava do bartender o consolando na noite que ele percebeu sua sexualidade. Ele se aproximou de Kyuhyun inseguro, e lembrou-se dos movimentos ágeis dele pulando a bancada depois que o chamou. E como naquela noite, quando nem de longe Changmin tinha uma pista de como seria seu futuro, ele o segurou pela cintura.

Em uma imitação perfeita daquela madrugada, Changmin colou seu rosto na curva do pescoço do rapaz e inspirou aquele perfume cítrico e o cheiro delicioso da pele do mesmo, tal qual um alucinógeno que ele tinha antes abdicado e finalmente cedia aos seus impulsos de viciado. Novamente o corpo de Kyuhyun ameaçou ceder com o susto, mas Changmin o apoiou firmemente pela cintura e finalmente o rapaz retribuiu o abraço.

Kyuhyun retribuiu o abraço o enlaçando pelos ombros. Abraça-lo daquela forma e colar o corpo ao dele, era quase tão inebriante quanto beija-lo. Ele deixou seus dedos acariciarem a nuca do rapaz, enquanto seu rosto ainda estava afundado contra o ombro do mesmo. E Kyu desejou desaparecer, levando consigo apenas aquele homem com o corpo colado ao seu, o homem que ele ainda amava com todas as suas forças.

Quando deu por si, Changmin se afastou, o empurrando delicadamente para longe de si. Aquilo não era certo, era seu passado o instigando a cometer os mesmos grandes erros que o machucaram tão profundamente anos antes. E como no final de seu relacionamento, Changmin não conseguiu verbalizar o que sentia, talvez nem existissem palavras em seu vocabulário que pudessem descrever tamanha complexidade.

Ele fez então o que pareceu sensato e correu para fora do estabelecimento, fugindo daquele olhar, daquele perfume e daquela pele macia e quente. Ele fugiu do único homem capaz de desestrutura-lo, sua grande fraqueza, seu calcanhar de Aquiles em carne e osso. Ele correu para dentro do hotel, se escondendo em um lugar aos fundos. Não queria ser encontrado em seu estágio mais frágil. Ele precisava se distanciar de Kyuhyun, ao mesmo tempo em que o queria em seus braços de novo e de novo. Era apenas seu primeiro dia em Londres, e ele já se sentia sugado para fora de seu corpo como alguém que cai em pleno vácuo. E pela primeira vez em anos, ele se sentia novamente completo.

Kyuhyun seguiu para seu carro com um sorriso bobo em seus lábios. Depois de toda aquela frieza, aquela distância que parecia intransponível, Changmin o abraçara daquele jeito que apenas ele conseguia. E Kyu agora tinha uma missão em mãos. Se Changmin aceitasse seu convite para jantar, ele o levaria ao seu apartamento, percorreria cada canto daquela alma machucada, e curaria cada um daqueles ferimentos que ele sabia que ainda estavam abertos.

Mesmo que Changmin partisse, mesmo que ele não tivesse retorno algum para si, mesmo que aquele tivesse sido seu último abraço e fosse negado a ele um último beijo, ele precisava fazer aquilo. Ele precisava limpar a sujeira que deixara ao sair de Seul, para que seu rastro de erros fosse lentamente apagado e não o perseguissem. Ele precisava abrir o coração de Changmin e faze-lo despertar, como aquele rapaz romântico e dedicado que somente Kyuhyun conhecia. Ele faria isso, porque ele o amava, e trocaria sua vida por mais alguns sorrisos de Changmin.

Kyuhyun finalmente compreendia, o significado verdadeiro de amar alguém.

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Um pensamento sobre “Capítulo 52: And I need you somehow

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