Capítulo 01: I miss… sex

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Era um final de semana frio do começo de janeiro.  A neve havia começado a derreter, mas a cidade ainda possuía um tom acinzentado e as árvores não tinham mais suas copas imponentes, parecendo solitárias com somente seus galhos apontando para o céu. As cortinas finas e brancas do quarto serpenteavam com o vento que entrava por uma pequena fresta. O quarto com poucos móveis era iluminado somente pela janela, por onde os raios pálidos de sol adentravam.

Changmin se remexeu na cama, sonolento e preguiçoso. Ele entreabriu os olhos e sua franja bagunçada bloqueou sua visão. Ele as afastou com as costas da mão e olhou para a janela, o que ele fitava por algumas horas antes de cair em seu sono profundo levado pelo cansaço. Já havia se passado mais de um ano desde que ele o havia abandonado e ainda assim, seus sábados matutinos eram melancólicos. Changmin se remexeu, sentindo o cobertor pesado sobre seu corpo, enquanto as vozes pela casa ficavam mais claras a medida que ele despertava.

A primeira coisa que ele se deu conta fora de que seus hyungs estavam na sala e a televisão estava ligada em um canal qualquer. Ele ouvia as risadas abafadas, indicando um programa de humor matinal sem-graça, uma vez que os dois mais velhos não riam. Changmin se remexeu na cama e desviou o olhar para o teto extremamente branco. Ele queria dormir mais, mas sabia que o sono não viria, não quando ele aos poucos começava a analisar suas manhãs de sábado.

A companhia de Junsu e Yoochun era inigualável e ao lado deles, ele podia conversar sobre qualquer assunto e fazer o que quisesse. Era a mesma liberdade que ele sentira anos antes ao lado de Kyuhyun, poder ser você mesmo. Changmin trabalhava arduamente ao longo da semana e entre sorrisos e seu brilhante profissionalismo, ele precisava de espaço para ser ele mesmo, sem máscaras sociais ou polidez. Este momento eram os finais de semana no apartamento dos dois e como na maioria das vezes, sua sexta-feira fora divertida e ele acabara por ocupar mais uma vez o quarto de hóspedes dos rapazes.

Apesar de ter seus momentos de carência por não ter mais um namorado, em geral, Changmin tinha bons amigos que supriam isso e o consolavam quando a melancolia começava verdadeiramente a atrapalha-lo. No entanto, havia algo a mais que o deixava melancólico, algo que ele estava tentando ignorar por achar bobo demais, algo que ele ainda não havia confidenciado aos dois rapazes: Ele sentia falta de fazer sexo.

Changmin nunca foi o melhor exemplo de abstêmio. Desde que sua vida sexual havia começado ele sempre fora muito ativo. Era o típico adolescente que passava as tardes sozinho com apenas uma revista de mulheres nuas. Depois veio a internet e as coisas evoluíram, mas obviamente, nessa época, Changmin já sabia manipular as colegas de sua sala de aula para que o seguissem até sua casa e cedessem algo a mais para ele. Claro que isso apenas se potencializou quando ele saiu da casa de seus pais e foi morar com Jaejoong.

Mesmo quando ele conheceu Kyuhyun e aceitou namorar o rapaz, sexo era algo constante em sua vida. Kyu tinha um grande apetite sexual e mesmo em suas piores crises, eles continuavam fazendo sexo. Durante o período de seu namoro, sua vida sexual teve seu auge, e ela decaiu logo que Kyu foi embora. Changmin já não era um adolescente, e já não tinha a mesma paciência para ir à caça. As pessoas pareciam desinteressantes e superficiais aos seus olhos, quando ele tentava se aproximar, ele não conseguia vê-los como bons parceiros.

Ele precisava de algo a mais, algo que o impulsionasse sem que ele perdesse as estribeiras e sabia que precisava de um parceiro, afinal, nada substitui a troca de carícias. Ele precisava de alguma emoção, algo que o surpreendesse e que não parecesse forçado. Por um lado, ele se considerava exigente demais, por outro, não queria correr atrás de ninguém, esperava algo natural, como se o destino o colocasse no lugar certo e na hora certa.

Changmin finalmente se levantou e depois de escovar os dentes, ele seguiu só de meias e pijama pelo já conhecido apartamento. Ao chegar à sala, ele viu a TV ligada sozinha, ainda com seus risos gravados ecoando. Ele desligou o aparelho e ouviu uma risada abafada da cozinha, concluindo que depois de desistirem do programa, eles migraram para o local. Ainda havia um cobertor amarrotado no sofá, o que indicava que os dois antes estavam ali, tentando se entreter com a programação.

Changmin então seguiu para a cozinha e a cena que encontrou no local era rotineira, mas ainda assim o fez travar por alguns segundos. Junsu estava sentado na bancada, com uma xícara fumegante de café com leite em uma das mãos. A outra mão estava enlaçada nos cabelos de seu namorado, que estava encaixado entre suas pernas, deixando selares discretos no pescoço do outro.

Junsu ainda tinha uma longa carga horária de trabalho, por isso quando estava em casa, ele colava em seu namorado a fim de matar as saudades. Era um momento costumeiro do casal, tanto que nenhum dos dois se constrangeu ao ver seu amigo na porta. Entretanto, Changmin estava constrangido, não com os dois rapazes, mas com os arrepios que percorreram sua espinha. Ele sorriu sem jeito aos dois que o perguntavam animados se ele tivera uma boa noite de sono. Changmin respondeu apenas meneando a cabeça afirmativamente e eles soltaram o abraço para acompanha-lo no desjejum.

– Tem um bolo bem gostoso na geladeira, Changminie. – Avisou Yoochun servindo-se de uma xícara de café para si. – Eu e o Su hoje vamos ao cinema, você não quer vir?

– Não sei, hyung, não acordei com vontade de sair.

– E acordou com vontade de que? – Indagou Junsu sorrindo.

Changmin demorou em sua resposta, enquanto se encaminhava para a geladeira. Ele pela primeira vez não seria sincero com seu hyung, e por isso deu-lhe uma resposta evasiva.

– De nada, hyung. Só queria ficar quieto hoje. – Mentiu Changmin.

– Credo, Changminie, falando assim você até parece aqueles velhinhos! – Brincou Junsu.

– Nem parece que tem sangue quente correndo pelas veias. – Afirmou Yoochun o analisando como de costume.

– Não é isso, hyung. – Disse Changmin, incomodado com os olhos do rapaz sobre si. – Por que vocês não vão ao cinema e depois eu encontro vocês para jantar?

– E o que você vai fazer hoje o dia todo? – Indagou Junsu.

– Não sei, hyung, acho que vou dar um pulo no apartamento do Jae-ah pra conversar com ele.   – Disse Changmin.

– Ah, então mande um abraço para ele. – Afirmou Junsu.

– E um chute na bunda. – Concluiu Yoochun colocando um biscoito inteiro na boca.

– Credo, hyung! – Disse Changmin entre risos enquanto Junsu jogava um pedaço de biscoito contra seu namorado em represália.

O café da manhã seguiu nesse clima, entre risos e brincadeiras e pouco antes do almoço, Changmin deixou o local, deixando o casal encerrado em seu apartamento e sua privacidade. Yoochun voltou para a cozinha depois de acompanhar seu amigo até a porta e encontrou seu namorado degustando um pedaço do bolo que estava na geladeira. Quando ele se sentou, Junsu aproximou o garfo de sua boca para que ele também provasse do doce.

– Gostoso não é? – Indagou Junsu deixando sua cadeira para se sentar no colo de seu namorado.

– É sim. – Disse Yoochun, recostando o rosto em seu ombro e o agarrando pela cintura. – Você não achou que o Changmin estava estranho hoje?

– Estranho? Como? – Indagou Junsu, ainda atento ao seu bolo, enquanto seu amado deixava selares estalados em seu pescoço.

– Não sei. – Disse Micky entre um selar e outro. – Ele parecia estar escondendo alguma coisa, como quando você tem dor de barriga e não quer que as pessoas saibam que você tem que ir o tempo todo ao banheiro.

– De repente ele está mesmo com dor de barriga. – Disse Junsu dando os ombros. – Ou ele está sentindo falta do Kyu, o que não seria estranho.

– Ele não fala mais do Kyuhyun. – Concluiu Yoochun, deixando um beijo no lóbulo da orelha de Junsu. – Acho que é outra coisa.

– O que é então? – Indagou Junsu, deixando seu prato vazio sobre a mesa e voltando-se para seu namorado que tratou de distribuir beijos por seu maxilar.

– Não sei, na verdade, não gosto quando ele se isola. – Disse Yoochun um tanto abafado enquanto se permitia colar novamente os lábios ao pescoço do outro e beija-lo com mais intensidade, o sentindo arrepiar em seu colo.

– Chunnie… você vai marcar meu pescoço assim. – Disse Junsu enlaçando a ponta de seus dedos nos cabelos de seu namorado.

– E daí? Esse pescoço me pertence mesmo. – Riu-se Yoochun, segurando o rosto de seu amado e o voltando para ele. – Come here, baby.

Junsu sorriu malicioso e voltou-se para seu namorado, colando os lábios aos dele. Ele abriu as pernas e se sentou de frente para o rapaz, enquanto suas línguas brigavam por espaço em suas bocas. Yoochun amava aquele homem, amava como ele se entregava para si sem pensar, confiando seu corpo a ele. Ao contrário de Changmin, Yoochun e Junsu nunca estiveram tão satisfeitos com sua vida sexual. Era como se descobrir novamente, e cada vez que se entrelaçavam era diferente.

Ao contrário do casal apaixonado que passaram o resto da manhã trancados no aconchegante apartamento, completamente nus e se beijando e acariciando, Changmin estava frustrado. Diferentemente do que havia dito aos seus amigos, ele foi para seu próprio apartamento pensar no que faria sobre o que ele sentia naquele momento. Ele não precisava de alivio e sabia que aquilo era algo que a masturbação não supriria.

Ele precisava de toques, beijos, cheiros. Precisava deitar-se sobre uma cama e esquecer o mundo por uma hora, enquanto se perdia no toque de uma pele quente sobre a sua. Precisava sentir o cheiro do suor misturado ao cheiro de sexo, e ver à sua frente a silhueta de um belo corpo masculino.  Ele também assumira que um corpo feminino não teria o mesmo efeito e talvez ele terminasse ainda mais frustrado. Ele queria um homem, um que o deixasse satisfeito como Kyuhyun fazia anos antes.

Changmin adentrou seu apartamento e afastou as cortinas a fim de iluminar a sala, enquanto sua mente ainda pensava no assunto que o atormentara pela manhã. Ele cogitou que se permitisse que seus pensamentos avançassem talvez encontrasse uma boa solução para seu problema e depois disso, poderia ir à casa de Jaejoong visita-lo. Ele trocou de roupas por outras mais confortáveis e se jogou no sofá da sala, revirando os canais em busca de algo que o interessasse naquele sábado pela manhã.

Ele chegou a deixar em um canal, mas pouco se interessou pelo seu conteúdo, afinal ele ainda tinha um problema. Changmin começou a pensar em suas opções para fazer sexo sem ferir seu orgulho. Ele sabia que procurar alguém no Candy Bar estava fora de cogitação, pois não sabia como as coisas poderiam seguir e não era de seu perfil se tornar o passivo da história. Ele poderia pagar por um profissional da área, mas se constrangia só de imaginar ser pego a procura de algo assim.  Ele estava perdido, pois não era como se ele fosse encontrar alguém interessante na fila do banco ou algo assim.

Changmin se permitiu então em pensar nas pessoas à sua volta, e os primeiros que vieram em sua mente foram os mais próximos, Yoochun e Junsu. A princípio ele riu ao pensar primeiramente nos dois, uma vez que possuía uma amizade muito forte com eles e que não pensara nos mesmos como homens ou possíveis parceiros. Então ele se lembrou de sua manhã na casa dos dois rapazes e da cena que flagrou na cozinha.

Não era como se ele não estivesse habituado a ver os dois rapazes aos beijos, no entanto, por estar sensibilizado, ele sentiu algo escondido ao analisar a cena. E ele ainda se lembrava perfeitamente de como os vira. As coxas fartas de Junsu abriam espaço para o corpo de Yoochun que certamente se roçava contra ele. As mãos de Micky estavam espalmadas nas coxas do outro, as pressionando brevemente, enquanto seus lábios percorriam a pele alva do pescoço de Junsu. Changmin se flagrou pensando em que sabor deveria ter aquele local, e na textura que os lábios protuberantes de Yoochun sobre a pele sensível de seu pescoço.

Changmin suspirou pesadamente se remexendo no sofá e deitando-se com as costas coladas ao estofado. Fitando o teto de cor clara, ele se perdeu nas feições costumeiras de seus dois amigos. O olhar de Junsu que parecia rasgar a pele de seu namorado, e na malícia que adquiriam as feições de Yoochun quando ele se permitia tocar a pele de Junsu. Changmin sentiu a ponta de seus dedos formigando quase como se ele próprio estivesse tocando as coxas de Junsu.

E um arrepio forte percorreu sua coluna, o fazendo se contorcer involuntariamente. Ele cerrou os olhos e tratou de se recordar daqueles poucos segundos pela manhã. Aos poucos seu corpo se aquecia, sem que ele sequer se movesse. O que eles teriam feito se ele não tivesse aparecido? Teriam ido além na cozinha ou partiriam para o quarto? Aquela seria sua posição favorita, ou eles ainda tinham outras preferências?

Changmin então se perguntou por que, mesmo depois de tanto tempo, ele ainda não parou para falar abertamente de sexo com seus hyung-dul? Não era como se eles não fossem próximos, e se ele não tinha problema para falar disso com Jaejoong, por que o teria com o casal que o acolhera tão bem? Ele deveria ter feito isso antes e talvez os dois tivessem uma solução para seu problema bobo.

Changmin sentiu seu corpo se aquecer mais e ele terminou retirando sua camisa. Ele precisava se acalmar, precisava pensar em outra coisa e retirar seus hyung-dul da cabeça, por mais excitante que olhar aqueles dois pudesse ter sido. Changmin decidiu então, tomar um banho para relaxar. Ele deixou as roupas pelo caminho e quando adentrou o banheiro, percebeu que ostentava uma semi-ereção. E ele se achou patético por isso.

Somente ao pensar em seus amigos se beijando, já o deixara daquela maneira, se os visse fazendo sexo ele pareceria um adolescente. Changmin adentrou embaixo do chuveiro e deixou a água morna relaxar seus músculos e molhar seus cabelos. Ele precisava relaxar, mas sempre que tentava acalmar sua mente, seus dois hyung se faziam presentes em imagens reais e imaginárias. Changmin deixou a ponta de seus dedos escorregarem pela pele macia e firme de sua barriga, até tocarem sua virilha.

Aquilo era errado e ele não deveria se permitir excitar-se imaginando seus amigos. Haviam tantos homens bonitos por aí, por que ele havia se excitado tão rapidamente ao pensar nos dois? Ele não deveria levar aquilo adiante, no entanto, enquanto lutava contra este constante pensamento, sua mão subia e descia por seu membro rijo, já sedento por algum alívio. Ele colou suas costas contra a parede fria, e escorregou por esta até cair ao chão, ainda se contorcendo. Ele precisava de mais, queria mais.

Era demasiadamente pervertido fantasiar com seus dois hyung-dul ao mesmo tempo, logo ele se forçou a pensar em somente um deles. Mas qual seria seu favorito? Junsu era lindo e tinha um corpo incrível e suas coxas e nádegas fartas eram demasiadamente tentadoras, sua voz rouca e máscula, deveria ser algo incrível enquanto gemia. Já Yoochun era mais forte e não deveria ser dominado tão facilmente. E o beijo nos lábios apetitosos de Micky deveria ser algo único. Se ele tivesse que escolher apenas um, talvez levasse o resto de seu final de semana tentando decidir.

E foi assim, com imagens dos dois rapazes viajando por sua mente, fantasiando com os dois nus sobre si, um de cada vez, que Changmin chegou ao seu orgasmo. Ele costumava durar mais, talvez se tivesse segurado seu orgasmo fosse mais intenso, mas o que ele precisava era de algum alívio. Changmin ainda sentia a água caindo sobre si, enquanto ele se mantinha jogado ao chão do banheiro. Seu sêmen escorreu ralo abaixo e finalmente ele decidiu se banhar. Changmin não podia acreditar que ao buscar em sua mente possíveis parceiros sexuais, terminou fantasiando com seus amigos.

Naquela tarde, Changmin cumpriu com o que disse e foi visitar Jaejoong, com o intuito de desabafar sobre o assunto. No entanto, a empolgação do rapaz por conta da nova câmara de bronzear de sua clínica o fez acovardar-se. Por outro lado, aquele era um assunto que ele não saberia como começar. E ele já podia ouvir os risos esganiçados de seu amigo se ele dissesse que antes de almoçar, ele havia se masturbado enquanto pensava em seus dois amigos. Afinal, não era como se Changmin quisesse transar com eles, ou era?

Junsu deu algumas voltas diante do espelho, a fim de checar se aquela camisa estava bem em si. Ele então voltou-se para seu namorado, em busca de sua opinião e o encontrando com os olhos fixos em suas nádegas. Junsu riu-se enquanto Yoochun tentava justificar seu ato, por mais desnecessário que fosse.  Eles haviam acabado de sair do cinema, e depois de convencer Junsu a assistir um filme de terror, Yoochun precisava mima-lo, uma vez que o rapaz detestava aquele gênero.

Não que aquele tipo de filme o entediasse, no entanto, ele sentia tanto medo com o suspense que passava grande parte do enredo com as mãos tapando seus olhos. Sendo assim, Junsu provava uma das três camisas que seu namorado daria para ele naquele dia, todas de muito bom gosto e que o deixavam ainda mais belo aos olhos de Yoochun. Eles saíram da loja e caminharam pelo grande shopping de mãos dadas, enquanto esperavam o contato de Changmin.

Os dois se distraíram com a grande livraria do local, percebendo que o horário havia avançado, pois eles já começavam a se sentir famintos. Yoochun estava recostado a uma estante, atento a sinopse de um livro quando as mãos atentas de seu namorado envolveram sua cintura e seus lábios roubaram um beijo de seu pescoço antes de apoiar seu queixo no ombro alheio. Micky arrepiou-se e um sorriso bobo brincou em seus lábios.

– Ele ainda não ligou? Eu tô com fome, Chunnie! – Reclamou Junsu.

– O Changmin está atrasado mesmo, será que ele esqueceu que ia jantar com a gente?

– Só se ele se distraiu muito com o Jae-ah. – Concluiu Junsu, enquanto Yoochun retirava seu celular do bolso.

– Só se ele estiver comendo o Jae-ah! – Ironizou Yoochun, fazendo Junsu rir-se de seu comentário.

– Pare com isso e ligue logo pra ele!

Yoochun riu do comentário de seu amado e tratou de discar para seu amigo. Ele teve que tentar três vezes até Changmin atender. O mais novo havia parado em uma confeitaria para comprar uma torta que seria a sobremesa da noite. Yoochun ainda ralhou com ele por não ter entrado em contato antes, mas assim eles combinaram de se encontrar em um restaurante típico do centro. Não era nada sofisticado, mas o que eles buscavam aquela noite era discrição. Yoochun e Junsu deixaram o shopping com algumas sacolas em mãos. Eles não passaram em casa antes de ir ao restaurante, pois sabiam que ficariam preguiçosos se o fizessem.

– O Changminie estava melhor? – Indagou Junsu. – Ele estava estranho hoje de manhã.

– Ah, não sei, não nos falamos muito. Se foi dor de barriga, acho que já passou. – Riu-se Yoochun. – Ou ele comeu…

– Ele não comeu ninguém, Chunnie! – Ralhou Junsu. – Aliás, pode ser isso não é? De repente ele está a fim de alguém e não sabe como contar pra gente.

– Afim de alguém? Mas de quem?

– Ah, sei lá, alguém que a gente não conhece.

– Não, não é isso.

– E como você sabe? – Riu-se Junsu.

– Claro que não é. – Afirmou Yoochun incomodado. – Se ele tivesse alguém, eu saberia.

– E por que você está todo estranho assim? – Indagou Junsu, desconfiado.

– Não é nada, Su, é que eu não gosto quando o Changminie me esconde as coisas. – Reclamou Yoochun.

– Tem alguém com ciúme do amiguinho. – Riu-se Junsu.

– Aish, lá vem você! – Reclamou Yoochun. – Não é ciúme! Aliás, o único de quem eu tenho ciúme, é de você!

– Como é bobo! – Riu-se Junsu.

Yoochun ainda resmungou algo que Junsu não pôde escutar, e logo o rapaz voltou sua atenção para a estrada. Vez ou outra Junsu o fitava de soslaio com um sorriso bobo nos lábios, e uma feição brincalhona. Yoochun dirigiu silencioso até o restaurante e já no local deixou as chaves de seu carro com um manobrista. Quando ele e Junsu adentraram o local, avistaram Changmin em uma mesa afastada, saboreando sozinho uma travessa de batatas fritas como aperitivo.

Eles atravessaram o grande salão e Changmin sorriu-lhes e acenou assim que os avistou. O que quer que fosse que ele estivesse sentindo naquela manhã, aparentemente havia passado. Logo que eles se sentaram à mesa, o rapaz começou a relatar como fora sua tarde ao lado de Jaejoong, dando detalhes do delicioso doce de abóbora que eles haviam feito juntos. Estar com Jae parecia ter animado Changmin, mas ao contrário do que seus hyung-dul sabiam, outro tipo de pensamento havia se fixado em sua mente.

Changmin havia fantasiado com os dois naquele dia pela manhã e agora que eles estavam à sua frente, pareciam ainda mais atraentes. Os dois estavam bem vestidos e os olhos atentos de Changmin captavam os carinhos discretos que eles deixavam um sobre a pele do outro. O que ele faria? Não era como se pudesse perguntar durante a sobremesa se ele poderia se unir a eles em uma noite de sexo selvagem. Na tentativa de encontrar um parceiro perfeito, ele acabara encontrando dois e não queria de forma alguma escolher entre um deles.

Os dois pararam de falar sobre o assunto anterior para que pudessem dar atenção ao cardápio. Changmin fez o mesmo como manda a etiqueta e logo o garçom se aproximou e anotou os pedidos dos três rapazes para momentos depois voltar com uma garrafa de vinho para degustação, com a qual os três rapazes ficaram. Os três encheram suas taças e em seguida voltaram a conversar. Desta vez, foi Changmin que tentou ser sutil ao adentrar em um assunto delicado, mas que não saía de sua mente:

– Você está bonito hoje, hyung. – Disse Changmin, fitando Junsu que sorriu ao seu elogio. Yoochun por outro lado arqueou as sobrancelhas e seu olhar penetrou a íris de Changmin que sentiu seu rosto corar com tal pressão.

– Ele está bonito mesmo, mas só ele, Changmin? – Brincou Yoochun.

– Você também está bonito, Micky-hyung. – Riu-se Changmin. – Não precisa ficar enciumado, os dois estão bonitos.

– Estamos os dois bonitos, então? – Indagou Junsu, sorrindo ao mais novo.

– Sim, os dois. – Concluiu Changmin, fitando-os atentamente enquanto bebia de sua taça.

– E qual está mais bonito? – Indagou Yoochun.

– Mais bonito? – Disse Changmin olhando de um ao outro. – Não não, isso é uma armadilha, vocês dois estão bonitos.

– Ele começou por mim, aposto que ele está me achando o mais bonito. – Concluiu Junsu.

– Eu também acho. – Concordou Yoochun.

– Não é isso, hyung, os dois estão lindos.

– Então não somos mais bonitos, somos lindos. – Concluiu Yoochun, rindo-se do constrangimento do rapaz. – Está cheio dos elogios hoje, não é, Changminie?

– Mas eles são sinceros. – Concluiu Changmin. – Vocês estão especialmente bonitos hoje.

– Você também está bonito, Changminie. – Concluiu Yoochun.

Changmin sorriu orgulhoso pelo elogio, de seus hyung-dul que riam da conversa sem sentido. Eles teriam dado continuidade ao divertido assunto, não fosse o garçom voltando com seus pratos.  Eles elogiaram os pratos e repassaram garfadas para que todos pudessem provar o que foi pedido, e logo deram atenção à sua comida e ao delicioso vinho que haviam pedido.  Quando terminaram seus pratos, Yoochun fitou Changmin novamente e o indagou:

– O que vai fazer depois do jantar?

– Vou pra casa, hyung. – Afirmou Changmin. – Por que?

– Porque amanhã é domingo e você pode dormir lá em casa de novo, é claro! – Riu-se Yoochun.

– Ah não, hyung, eu estou ficando mal acostumado!

– Deixa de ser bobo, Changminie, assim você faz companhia para nós! – Insistiu Junsu. – Nós podemos deitar os três na sala e assistir a um filme, o que acha?

– Nós três? Deitados juntos?

– Nós nunca fizemos isso! – Afirmou Yoochun. – É uma boa ideia, não acha?

– Eu topo o filme, mas deitar junto… é melhor em outra ocasião, não é? – Indagou Changmin.

– Se você diz. – Sorriu-lhe Junsu.

– Vai ficar me devendo essa. – Riu-se Yoochun.

Changmin também riu, mas sua mente estava longe da conversa que eles tinham à mesa. Ele se perguntava como reagiria se deitasse na mesma cama que os dois rapazes. Ficaria excitado como naquela manhã? Eles se beijariam ao seu lado? Ele estava curioso, mas temia ser flagrado excitado com os dois rapazes, sem motivo aparente. Talvez se ele fosse sincero e dissesse o que se passava em sua mente, uma reação como aquela fosse mais plausível.

Eles terminaram o jantar e não demoraram a sair dali, uma vez que o restaurante estava muito cheio e eles não podiam conversar apropriadamente sem ter que falar alto. Depois que suas contas estava devidamente pagas, eles saíram dali e Junsu e Changmin esperaram, enquanto Yoochun foi buscar seu carro, uma vez que o manobrista estava ocupado demais com o grande fluxo de clientes. Changmin sentiu as mãos firmes de Junsu envolverem sua cintura em um abraço ao qual ele aos poucos cedeu. Quando seu rosto apoiou-se no ombro de seu amigo, o mais velho o perguntou:

– Tudo bem, Changminie?

– Tudo sim, hyung. – Afirmou Changmin.

– Você parece avoado hoje. – Constatou Junsu. – Tem algo que queira me contar?

– É que…  – Junsu ameaçou se afastar para fitar seus olhos, mas o mais novo apertou o abraço e afundou mais o rosto contra o ombro do outro. – Eu tenho sentido falta de algumas coisas, hyung.

– Do que?

– De homens, sabe? – Concluiu Changmin. – Não especificamente de um homem, mas de… entende?

– De homens? Como assim? De companhias masculinas? Amigos? Ou de um companheiro?

– De um companheiro, hyung. – Afirmou Changmin se escondendo mais contra o ombro alheio. – De um homem.

– Tudo bem, Changminie, é assim mesmo. – Afirmou Junsu. – Logo você vai conhecer um cara legal e se interessar por ele.

– Eu acho que sim. – Disse Changmin se afastando ao ouvir a conhecida buzina do carro de Yoochun. – Não é nada demais, é só uma bobagem minha.

– E vai passar logo, você vai ver.

Logo que Yoochun chegou, Changmin pegou seu próprio carro onde o que comprara para a sobremesa já derretia no banco de trás. Sua mente estava realmente avoada e nesse aspecto, Junsu tinha razão. Changmin se perdia em devaneios com facilidade e naquele dia ele estava especialmente distraído. E por mais que ele evitasse, o convite para se deitar na mesma cama que seus dois amigos parecia cada vez mais tentador.

Enquanto ele dirigia, pensou no que poderia aproveitar quando estivesse embaixo das cobertas. Talvez suas peles se roçassem e ele certamente sentiria o cheiro dos dois rapazes com mais intensidade, assim como sentira quando Junsu o abraçou momentos antes. Gostar daqueles dois rapazes parecia proibido em sua mente, para ele, era quase um relacionamento incestuoso como em um filme depravado.

No carro, Junsu relatou ao seu namorado a confissão que finalmente havia arrancado de Changmin por mais superficial que esta fosse. Eles passaram todo o caminho discutindo as possibilidades do que aquela “falta de homens” realmente significava para Changmin. Claro que Junsu acreditou que aquela fosse a sua maneira dele dizer que sentia falta de Kyuhyun, enquanto Yoochun acreditava se tratar de uma carência mais profunda do que saudade. No que eles concordavam, era que Changmin precisava de seu apoio.

Eles estacionaram o carro no subsolo, sabendo que já encontrariam Changmin no andar de seu apartamento, uma vez que o carro deste já estava devidamente estacionado. Quando chegaram ao corredor, viram o rapaz com a torta quase derretida em mãos e correram para colocar o doce na geladeira. O que deveria ser a sobremesa da noite acabou ficando para o desjejum no dia seguinte.

Yoochun havia se jogado contra uma poltrona, lendo a primeira página do livro que havia adquirido, quando Changmin atravessou a sala e seguiu para o quarto onde colocaria um pijama mais confortável. Junsu fez o mesmo e ainda levou um cobertor fino para a sala, para que os três cobrissem as pernas enquanto assistiam televisão ou conversavam como costumavam fazer. Yoochun, preguiçoso demais para se trocar apenas retirou os sapatos e se sentou ao lado de seu namorado que fitava a televisão enquanto passava os canais analisando a programação.

Quando chegou à sala, carregando consigo também um livro, Changmin fez menção de se sentar na poltrona que antes havia acomodado Micky, mas Junsu fez questão de que ele se sentasse ao seu lado. Changmin se acomodou ao lado do rapaz, e o deixou que o cobrisse com o fino cobertor.  Assim que o rapaz estava devidamente acomodado e pronto para ler seu livro, Yoochun se manifestou sem desviar o olhar de sua leitura.

– O Su disse que você anda meio saudoso de algumas coisas, quer me contar do que é?

– É bobagem, hyung. – Acovardou-se Changmin, tentando fingir que não se importava com a curiosidade de seus amigos.

– Então por que você não explica direitinho o que é essa bobagem?

Changmin suspirou pesadamente ainda fitando seu livro. Ele sabia que os olhares dos dois rapazes agora estavam em si e aquilo de certa forma o incomodou. Ele piscou desconcertado antes de fitar seus amigos que silenciosamente esperavam por sua explicação, ou por outra resposta esquiva.

– Quanto tempo vocês já passaram sem fazer sexo? – Indagou Changmin, surpreendendo os dois rapazes que se demoraram a responder.

– Sem fazer sexo? – Indagou Junsu, pensativo. – Seis meses, eu acho.

– Três meses. – Respondeu Yoochun, logo após seu namorado, sem ter certeza da exatidão de sua resposta.

– E quanto tempo vocês ficariam sem dar um único beijo na boca?

– Acho que eu sei aonde você quer chegar… – Comentou Yoochun.

– Eu não consigo me interessar pelas pessoas, mas também não estou gostando da situação que eu estou. – Afirmou Changmin, uma vez que percebeu que seus hyung-dul sabiam do que se tratava. – É como você disse, hyung, é como se eu não tivesse sangue quente nas minhas veias.

– Mas você tem. – Concluiu Yoochun. – E não consegue pensar em ninguém que possa suprir isso? Você costumava a ficar com as menininhas da faculdade, não?

– Eu quero um homem, hyung. – Afirmou Changmin. – Eu quero… você sabem.

– Conta, o que você quer, Changminie? – Indagou Junsu.

– Vocês sabem, eu quero um corpo como o meu, quero cheiro de homem na pele, quero toques bruscos, e isso eu não vou ter com mulher alguma. – Explicou Changmin deitando sua cabeça no ombro de Junsu que o abraçou carinhosamente. – E por isso não pode ser qualquer homem.

– E que tipo de homem é esse? – Indagou Yoochun.

– Ah, é alguém como… – Changmin ergueu o rosto e flagrou o rosto de Junsu muito próximo ao seu, por isso parou sua frase. Seus olhos se fixaram nos lábios carnudos do rapaz que fez menção de afasta-lo.

– Alguém como o Junsu?

A frase de Yoochun, no entanto, ficou solta no ar sem resposta alguma, uma vez que Changmin cortou o pouco espaço entre eles e em uma atitude impensada, colou seus lábios aos de seu hyung. Micky ficou abismado com a ousadia de seu amigo, enquanto seu namorado se debatia tentando afasta-lo. Ainda assim, a teimosa mente de Junsu fazia anotações de como os lábios do rapaz eram macios enquanto se moviam forçadamente sobre os seus.

Yoochun interviu e o puxou pela gola para que ele se afastasse de Junsu, e Changmin não tinha forças para lutar contra os dois. Ele abriu os olhos e por alguns instantes, focalizou Junsu com seu olhar desapontado, enquanto imaginava que tipos de sentimentos aquele rapaz nutria por ele. Foi quando ele inesperadamente avançou em Yoochun, o agarrando pela gola e jogando seu peso contra ele, para por fim colar os lábios aos do outro.

Tudo então ficou confuso demais. Os corpos dos três rapazes estavam em posições desconfortáveis e o cobertor caiu embolado no chão, enquanto Yoochun se preocupava apenas em afastar o outro de si. Ele sentiu suas costas afundarem contra o estofado quando o tórax de Changmin pendia contra ele, e o rapaz desajeitadamente se posicionava entre o casal. Sua língua pediu passagem, mas antes que Yoochun pudesse ceder, Junsu o puxou pelo braço e o obrigou a se afastar. Foi quando Changmin teve certeza que havia ido longe demais.

A mão de Junsu se posicionou em sua nuca e puxou seus cabelos curtos com firmeza. E eles voltaram a se aproximar, e desta vez, Junsu o beijou. A princípio, Changmin estava afoito, mas aos poucos cedeu ao beijo que agora era guiado por Junsu. Ao contrário do costumeiro, Changmin se permitiu ser beijado e seu corpo relaxou ao sentir boca de outro homem sobre a própria. Ele relaxou e se permitiu sentir o momento. Era a realização de sua fantasia proibida e ele estava adorando.

A mão de Yoochun continuava pressionando sua cintura, como se caso ele fizesse qualquer outro movimento, seria imediatamente afastado de sua fonte de luxuria. Era como ele definiria o beijo de Junsu, aqueles lábios protuberantes, macios e mornos eram molhados com sua saliva e faziam seu coração acelerar. O sabor de sua língua quente e áspera explorando sua cavidade bucal era algo inigualável, era excitante e ao mesmo tempo romântico, pois Junsu mantinha um ritmo calmo, explorando sua boca com destreza.

Quando se deu por satisfeito, Junsu cortou o beijo. Ele não tinha certeza de seus motivos para beijar, Changmin e tinha certeza que seu namorado ralharia com ele. No entanto, Yoochun não havia tentado separa-los ao longo do ósculo e assim que seus lábios se desprenderam, o rapaz agarrou o rosto de Changmin e o fez voltar-se na sua direção. Changmin estava ofegante e puxava o ar com força pelos lábios, tentando acalmar as reações de seu corpo. Ele não fitava Yoochun por mais que ele estivesse logo à sua frente.

Quando sua respiração se acalmou, Yoochun se aproximou e beijou seus lábios. E o beijo de Yoochun era de muitas formas diferentes do de seu namorado. Ele era mais firme, e decidido. Parecia querer deixar claro que ele controlaria aquele beijo, que sua língua iria onde ele desejasse, e Changmin não se preocupou em ceder as vontades do hyung. Sua língua brigou com a do outro por espaço enquanto estas se roçavam insistentemente. Os braços de Micky o envolveram pela cintura e o mais alto deixou o peso de seu corpo pender sobre o autoritário rapaz. O beijo de Micky era menos romântico do que o de seu namorado, mas tão envolvente quanto.

Changmin estava amando aquele contato, muito mais do que admitiria mais tarde, mas ele estava mais satisfeito de tê-los provado juntos.  Seus sabores se misturavam em sua boca, enquanto sua mente anotava a diferença deliciosa entre o toque sutil e delicado de Junsu, contra o abraço possessivo de Yoochun, que de repente se tornara dominador sobre Changmin. Ele não estranhou, afinal, aquilo era o que ele queria. Sentir testosterona na ponta de seus dedos, emanando da pele de seu hyung.

Yoochun sabia que aquilo era errado, sabia também que seu namorado havia errado ao beijar Changmin, e ainda pior, ele dera continuidade àquilo. Quando eles cortaram o beijo, Micky viu uma faceta de seu amigo que ainda não presenciara. Sua pele estava arrepiada e seus lábios fartos estavam agora em um tom mais rosado. Seu rosto havia ganhado uma tonalidade mais corada e o ar entrava e saía pesado por sua boca.

Os olhos de Changmin estavam presos aos de seu hyung, e logo ele sentiu a mão pesada de Junsu delicadamente o afastando de seu namorado. O mais novo desviou o olhar para Junsu que ainda tinha os lábios inchados com a fricção sobre os seus. Ele acariciou os cabelos de Changmin que gradativamente entrava em pânico. O mais novo olhava de um para outro, ainda sem saber por onde começar, e assim, optou pelo mais óbvio e eficiente:

– Desculpa! Me perdoem, por favor, eu não…

– Tudo bem, Changminie… – Disse Yoochun, deixando um selar estalado em seu rosto e em seguida baixando para seu pescoço. – Come here baby.

Foi quando ciúme tomou verdadeiramente conta de Junsu. Changmin estava se deixando levar por aqueles deliciosos beijos no pescoço, quando delicadamente o rapaz afastou Micky de si, o fazendo encara-lo com um ar duvidoso. Changmin voltou a baixar o rosto, constrangido de sua situação e Junsu voltou a acariciar os cabelos do rapaz, e finalmente disse baixinho em seu ouvido:

– Acho melhor você ir dormir.

– Se você quiser, eu posso ir pra minha casa, hyung.

– E por que eu iria querer isso? – Indagou Junsu.

– Porque eu beijei o seu namorado.

– O meu também, sabe? – Brincou Yoochun. – Não vamos te expulsar daqui por isso, Changminie.

– No entanto, eu e o Chunie precisamos conversar. – Explicou Junsu. – E amanhã pela manhã eu vou querer uma boa explicação. Sem meias palavras e sem esconder mais nada de nós dois.

– Está bem, hyung. – Concordou Changmin. – Vocês vão brigar?

– Não, não vamos. – Afirmou Yoochun. – Vá descansar, Changminie.

Changmin os fitou com ar desconfiado, esperando qualquer sinal de raiva entre os dois e não o encontrando. Ele então lhes desejou boa noite, beijou o rosto de cada um e cedeu aos seus pedidos, os deixando a sós na sala. Ele ainda cogitou esperar no corredor e saber do que eles tratariam, mas sabia que já havia passado dos limites por uma noite, então se recolheu solitário ao quarto de hóspedes, ainda com os sabores deliciosos dos dois rapazes em sua boca.

Na sala, Junsu estava agora de frente para Yoochun que o encarava. Era uma situação estranha e os dois não sabiam direito como reagir. De determinado ponto de vista, aquilo fora, em seu estado mais puro, uma traição, afinal ambos haviam beijado um homem fora de seu relacionamento. No entanto, não haviam mentiras, ou mágoas profundas. Eles sabiam que era a primeira vez que aquilo acontecia entre eles, pois a reação de Changmin denunciava seu nervosismo e impulsividade.

– Chunie… eu não quero brigar. – Começou Junsu.

– Nem eu, meu amor. – Explicou Yoochun. – No entanto, nós precisamos conversar, porque isso não foi certo.

– Não foi mesmo. – Explicou Junsu. – Eu quero que você saiba, que eu só beijei ele porque você estava comigo. Eu não faria isso sozinho.

– E eu só beijei ele porque você beijou ele também. – Explicou Yoochun. – Eu vi você fazendo e me deu vontade.

– Não te deu raiva?

– No primeiro beijo sim, mas eu não consegui ficar com muita raiva porque era o Changminie.

– Ele queria muito um beijo. – Afirmou Junsu. – Tanto que ele pulou em você!

– Você também ficou com raiva, não ficou? – Indagou Yoochun.

– Fiquei. – Afirmou Junsu. – E eu beijei ele porque não queria que ele beijasse você de novo, mas depois, ele acalmou.

– Você achou o beijo dele gostoso?

– Você não achou?

– O seu é melhor! – Justificou-se Yoochun.

– Eu não perguntei qual é melhor, perguntei se foi gostoso! – Riu-se Junsu.

– Foi gostoso sim, mas você sabe, você também beijou ele! – Disse Yoochun, sorrindo a ele. – Tudo bem então?

– Acho que sim. – Disse Junsu deitando-se sobre o tórax de seu namorado que o abraçou. – Agora seja sincero, até onde você iria com o Changminie?

– Como assim até onde eu iria?

– Se eu não tivesse te parado, o que faria com ele?

– Ah, Su, eu estava envolvido, não sei até onde eu iria se você não tivesse me afastado.

– Você ficou excitado. – Concluiu Junsu.

– Você não?

– Um pouco. – Afirmou Junsu dando de ombros. – Eu sei que você gostou, porque você chamou ele de “baby” e eu acho que você teria ido longe.

– E você? Teria ido até onde?

– Até… até o momento que eu achasse que ia te magoar. – Explicou Junsu. – Eu pararia antes que você se sentisse mal.

– E o Changminie? Acha que ele está bem?

– Ele deu uns beijinhos hoje, acho que está melhor do que pela manhã. – Riu-se Junsu. – Chunnie, por que nós não damos uns beijinhos nele, sabe, de vez em quando?

– O que está propondo? Repetir a dose?

– Eu posso sonhar um pouquinho, não posso? – Riu-se Junsu.

– Acho que ele beijou a gente porque confia em nós. – Explicou Yoochun. – E ele deve ter cogitado o assunto antes também.

– Não acho que ele teria feito se nós estivéssemos sozinhos e nem que ele queria nos magoar. – Afirmou Junsu. – Só acho que ele está carente de contato, você viu como ele estava afobado?

– Eu vi, e foi bonito de observar você acalmando ele. – Afirmou Yoochun. – Dava pra ver ele recuperando o fôlego aos pouquinhos e relaxando.

– Nós não somos um casal normal, deveríamos estar morrendo de ciúmes agora. – Ressaltou Junsu. – Não é que eu não tenha sentido ciúme, mas não estou irritado com isso.

– Nem eu. – Afirmou Micky. – Volte a falar sobre o que você falava antes, repetir a dose.

– Ah, desde que estejamos os dois juntos e tenhamos a permissão um do outro, qual o problema em dar uns beijinhos no Changminie?

A pergunta de Junsu pareceu ecoar na mente de Yoochun, despertando nele algo novo. Seu namorado estava verdadeiramente interessado em Changmin, e de repente ele acabou por perceber que ambos estavam. Não havia ciúmes entre eles se tratando do mais novo e certamente ele era um homem interessante. No entanto, o que atraiu os dois rapazes, fora a ousadia dele ao beija-los, quase como um sentimento inconsequente da adolescência, que encontra uma brecha nas regras tradicionais.

Foi o proibido que atraiu Changmin naquele sentido e o não convencional atraía Yoochun e Junsu na mesma direção. Eles se trancaram em seu quarto naquela noite, cheio de ideias que não foram prontamente explanadas. Ousar em uma situação como aquela era o mesmo pisar em um campo minado, pois o ciúme é um sentimento traiçoeiro e os dois bem sabiam como isso poderia corroer um relacionamento.

Eles precisavam de regras, limites a serem impostos para que uma aventura não terminasse impugnando seu relacionamento. Ainda assim, o principal elemento eles já tinham e ele estava dormindo no quarto ao lado, cheio de expectativa, desejo e luxuria. E Yoochun e Junsu saberiam como usar aquilo ao seu favor, e saberiam abusar de suas vontades mais insanas e secretas.  Changmin os havia provocado, e agora deveria sofrer as consequências de seus atos.

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