Capítulo 07: Their Room

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A luz entrando pela janela acordou Yunho, o despertando aos poucos para o dia que começava. Ele se remexeu preguiçoso e com uma estranha sensação de frio. Era como se ele tivesse dormido com um cobertor pesado e acordado somente com um lençol, sentindo falta do calor confortante que sentia antes. Ele se encolheu na cama em busca daquela sensação, quando se deu conta do que faltava sobre seu corpo, o calor de Jaejoong.

Yunho tateou a cama em busca do rapaz, lembrando-se então de que estava em uma cama de solteiro e seria impossível ele estar deitado ali sem estar encostado ao seu corpo. Ainda era cedo, onde poderia ter Jaejoong se enfiado? Yunho virou-se novamente na cama e abriu os olhos fitando o teto branco, enquanto a noite anterior aos poucos voltava a se montar em sua mente. E ele se lembrou do beijo.

Antes mesmo que o constrangimento pudesse tomar conta de si, Jaejoong entrou no quarto, trajando o mesmo que na noite anterior, sua cueca azul marinho e a camiseta larga em seu corpo magro. Em uma de suas mãos havia uma xícara que fumegava e na outra, um pedaço de bolo de coco no qual ele dava grandes dentadas. Assim que o viu acordado, Jaejoong sorriu a ele e fechou a porta com um empurrão.

Yunho aos poucos começava a entender o que havia se passado na noite anterior. Ele havia traído sua esposa, enquanto dormia na mesma cama que outro homem. Ele havia permitido que Jaejoong o beijasse, e havia gostado, aproveitado da deliciosa sensação dos lábios macios do rapaz sobre os seus. Jaejoong colocou o que restava do bolo na boca e deixou a xícara sobre a mesinha antes de correr em direção ao outro rapaz.

– Hyung, você já acordou! – Disse Jaejoong se jogando sobre a cama, enquanto Yunho tentava se desvencilhar e sentar-se. – Você dormiu bem? Sonhou com os anjinhos?

– Dormi. – Respondeu Yunho se recostando à cabeceira, e não permitindo que Jaejoong sentasse em seu colo, o afastando delicadamente pelos ombros.

– Que foi? – Indagou Jaejoong se esticando e pegando sua xícara de café quente com as duas mãos.

– Nada, só não senta no meu colo. – Disse Yunho esfregando o rosto na tentativa de afastar o sono.

– Por que? Está com dores nas pernas? – Indagou Jaejoong ajoelhando na cama e se sentando sobre seus próprios calcanhares.

– Não é isso, é que… Jaejoong, por que me beijou?

– Porque sim. – Disse Jaejoong dando de ombros. – Se você quer uma explicação lógica para o beijo, eu sinto muito, mas não posso te ajudar, hyung.

– Jaejoong, entenda…

– Ah, eu entendo. – Interrompeu Jaejoong, obviamente chateado. – Você não é gay, é um pai de família, casado, um escritor de sucesso jamais poderia se envolver com alguém degenerado como eu.

– Jaejoong, você não é degenerado, eu só… eu não quero isso pra mim.

– Como você é mimado, Yunho-hyung! – Reclamou Jaejoong. – Você vive repetindo que é homem, que é macho, mas depois que eu te beijo fica agindo como uma bichinha que não sabe o que fazer! Se você soubesse como tratar um homem, teria me dado um beijinho de bom dia, e estaria tomando café comigo agora.

– Então você sabe o que eu quero e eu não? Faz ideia de como isso soa absurdo?

– Você sabe o que você quer, só tem medo de assumir! – Acusou Jaejoong. – Tem medo da sua esposa, do seu filho, do editor, do gerente do hotel, você tem medo de todo mundo!

– Você não sabe porra nenhuma! – Reagiu Yunho cruzando os braços em frente ao peito. – Você não está na minha pele, Jaejoong!

– Se eu estivesse, certamente não estaria preso nesse hotel! – Afirmou Jaejoong. – Estaria em um bar, bebendo o que eu gosto, flertando com pessoas bonitas, se eu fosse casado com a Hyemin já teria traído ela, batido nela, já teria…

– Eu não bato em mulher.

– É porque você tem medo dela! – Acusou Jaejoong. – Aish, hyung, você realmente teria aprendido muito com o Changmin, e como teria.

– Pare de falar nesse Changmin! – Reclamou Yunho.

– Não paro, não paro!!! – Afirmou Jaejoong. – Pare você de ser um bobão!!

Yunho ergueu-se na cama e se aproximou do outro rapaz sentado à beirada da mesma. Jaejoong o fitou, desafiador, como se dissesse aos berros que o provocava a enfrenta-lo. E Yunho estava de saco cheio de ser chamado de covarde pelo outro rapaz, de reprimir sentimentos, de esconder sua raiva. E sua forma de demonstra-lo foi agarrando os cabelos finos de Jaejoong e os retirando de seu rosto.

Yunho puxou os fios de sua franja com força e alguns se soltaram em sua mão, enquanto o loiro fazia uma careta de dor. Com a mão livre, o moreno o segurou pelo pescoço, fechando pouco a pouco seus dedos contra aquela pele macia, sentindo o pomo de adão do outro se mover quando ele tentou engolir. Ele queria calar Jaejoong, mas algo o fez fraquejar e foi o medo que passou pelos olhos do rapaz. Aquele medo trouxe empatia e novamente a vontade de cuidar do rapaz e não de cala-lo.

E de repente Jaejoong parecia novamente frágil demais, alguém que inspira cuidados de alguma forma. Quando ele soltou seu pescoço o loiro baixou o rosto com ar atordoado, fitando a xícara agora vazia em suas mãos. Yunho baixou seu próprio rosto e o aproximou de Jae, fitando-o demoradamente antes de puxa-lo pelos cabelos e unir seus lábios em um beijo urgente.

Suas línguas se encontraram quase de imediato e seus dentes se roçaram brevemente com o repentino choque. E Yunho relaxou a mão para em seguida puxar os cabelos do rapaz novamente, enquanto o envolvia pela cintura para aproxima-lo mais de si. Sua mente girava, mas a única coisa que ele queria era mais daquele beijo e daquele homem. Jaejoong colou-se a ele sem constrangimento algum, enquanto retribuía seus toques de forma mais sutil. Os dedos de Jaejoong brincavam com o tórax bem definido de Yunho e escorregavam para seu abdômen, se aproveitando da repentina entrega do outro.

O sabor do beijo de Jaejoong era algo inigualável. Seus lábios estavam quentes devido ao café que ele tomava antes e era esse sabor amargo e viciante que predominava em sua boca naquele momento. Seus lábios protuberantes e macios eram pressionados contra os de Yunho, e se encaixavam perfeitamente aos dele, escorregando e se acariciando de forma íntima e sem escrúpulo algum.

Repentinamente Yunho se afastou e o empurrou pelos ombros com força. O corpo de Jaejoong bateu sonoramente contra a parede e o rapaz soltou um gemido de dor, fazendo uma careta direcionada para o outro. Yunho o puxou pela cintura, deixando o outro finalmente se sentar sobre suas coxas, em seu colo como ele desejava no início da manhã. Ele recostou a testa à do outro, que ainda o fitava com desgosto de seus gestos bruscos.

– Hyung, isso não se faz. – Reclamou Jaejoong recostando seu rosto ao outro.

– Eu sei, Jae.

– É ruim brincar com as pessoas assim. – Criticou Jaejoong. – Me dá mais um beijinho.

– Mais um beijo é? – Indagou Yunho, deixando alguns selares nos lábios do outro que calmamente o retribuiu. – Faz tempo que eu não namoro assim.

– Eu sei. – Disse Jaejoong passando a mão no rosto do outro com a ponta dos dedos. – Eu preciso te dizer uma coisa.

– Diga, Jae.

– Meu canivete está embaixo do travesseiro, se você apertar meu pescoço de novo, eu vou usar ele.

Yunho piscou algumas vezes incrédulo. Jaejoong o ameaçava e de forma alguma parecia brincadeira ou uma daquelas histórias absurdas. Ele fitou o travesseiro por alguns instantes e esticou o braço para retira-lo dali, sem acreditar na ameaça do outro rapaz. Yunho puxou o travesseiro e lá estava a arma, fechada em seu compartimento e pronta para ser usada. Ele baixou o travesseiro e voltou a olhar o rapaz que deixou alguns selares em seus lábios, sendo prontamente correspondido.

– Não confia em mim. – Constatou Yunho.

– Ah não, hyung, não diga isso. – Disse Jaejoong. – Eu confio tanto em você, que me entregaria de um jeito que você nunca viu antes. O problema, e que no pescoço dói, me machuca muito mais do que se você puxar o meu cabelo ou bater no meu rosto. E é por isso que eu estou te avisando, se você machucar o meu pescoço, eu vou ter que revidar.

– Você é o próprio demônio.

– Então eu sou o seu demônio. – Explicou Jaejoong deixando seu rosto roçar ao do outro.

– Eu não entendo você. – Afirmou Yunho o envolvendo com firmeza pela cintura. – Você as vezes parece um homem pronto pra me seduzir e no momento seguinte parece um menino, fazendo traquinagens. As vezes eu acho que você é uma alucinação e que tudo o que você fala é mentira.

– Eu não sou mentiroso. – Retrucou Jaejoong.

– Eu sei que você não é, só não sei se você sabe a diferença do que é imaginário e do que é realidade, Jaejoong.

Yunho fitou o outro rapaz baixar o rosto pesaroso e esconde-lo em seu ombro como quem busca por proteção. Jaejoong se encaixou naquele abraço como podia, sabendo que logo o moreno iria afasta-lo. E assim Yunho o fez, no entanto, desta vez, de forma mais delicada. Ele o segurou com firmeza e o guiou até que o rapaz se deitasse na cama, e ele pudesse se posicionar sobre ele, selando seus lábios.

Jaejoong retribuiu seu selar se acomodando sobre a cama confortavelmente, enquanto Yunho acariciava seu couro cabeludo o qual antes ele mesmo machucara. Eles se fitaram demoradamente, enquanto o moreno tentava entender o que se passava ali, e o que exatamente ele sentia por Jaejoong. Talvez ele fosse mesmo uma espécie de demônio.

Um demônio lindo de olhos expressivos e hipnotizantes e lábios macios e rosados, quase tão doces como uma uva. Yunho suspirou pesadamente quando o outro começou a beijar suavemente seu maxilar, tão carinhosamente que o escritor chegou a estranhar. Um estranhamento preconceituoso como ele bem sabia. Ele recebeu um ultimo beijo de Jaejoong e saiu de cima do rapaz, finalmente se afastando.

– Aonde você vai? – Indagou Jaejoong, ainda deitado preguiçosamente sobre a cama.

– Ligar os aquecedores. – Afirmou Yunho, desviando o olhar do rapaz. – Eu preciso pensar, Jae.

– Você pensa demais. – Disse Jaejoong, mais uma vez emburrado. – Fica aqui.

– Eu penso demais? – Indagou Yunho com ar irônico.

– É, pensa. – Afirmou Jaejoong se sentando novamente. – Pensa na sua esposa, nos seus medos, nos seus livros, só que você pensa tanto que se esquece de sentir. Você é quase tão frígido quanto ela.

– Chega dessas críticas, elas me dão dores de cabeça! – Reclamou Yunho seguindo ao armário onde estavam suas coisas e pegando roupas que ele vestiria no banheiro.

– E você tem medo de mim.

– Eu não tenho medo de você.

– Tem medo do meu desejo por você. – Explicou Jaejoong. – E do seu por mim.

– Cala a boca!

Yunho concluiu sua frase se enfiando no banheiro e trocando suas roupas rapidamente para não ser flagrado pelo rapaz ali. Ele ainda lavou o rosto, escovou os dentes com a escova que deixara no armário e penteou os cabelos. Quando saiu do banheiro, Jaejoong estava na escrivaninha e desenhava algo que Yunho não conseguiu reconhecer a princípio, ainda não percebendo os efeitos que suas palavras tinham no outro. Ele se aproximou do rapaz e encurvou o corpo, não demorando a ser empurrado pelo outro.

– Sai! – Reclamou Jaejoong.

– Não posso ver o seu desenho?

– Não, me mandou calar a boca, então não pode ver o seu desenho.

– Você é tão irritante as vezes. – Concluiu Yunho agachando ao lado do rapaz e tocando sua coxa, fria. – Eu volto daqui a pouco, está bem?

– Faz o que você quiser. – Disse Jaejoong sem desviar o olhar ao outro.

– Coloca uma calça, você está todo gelado.

– Eu não quero.

Yunho suspirou pesadamente e se levantou deixando um beijo no topo da cabeça do rapaz antes de sair dali. Mal sabia ele dos sentimentos de Jaejoong, e de quanto tempo aquela frieza iria continuar. Incertezas que estragaram sua manhã, tanto quanto o olhar pesaroso e melancólico de sua esposa na cozinha. Ele pegou uma xícara do café amargo que Hyemin havia feito e deixou-a sozinha.

Ele precisava andar, sozinho com seus pensamentos. Precisava esquecer por alguns instantes seu iminente divórcio e suas responsabilidades como pai e finalmente pensar única e exclusivamente em Jaejoong e no que ele significava. Yunho mal podia acreditar que havia beijado outro homem, e como havia gostado daquele beijo. Era o melhor beijo que havia experimentado até então, deixando aquele sabor marcante em seus lábios.

Sem contar o frio na barriga quando ele se aproximava, quando sorria para ele e o fitava com aquele olhar penetrante e encantador. Um verdadeiro príncipe, concluiu Yunho. Sua noite anterior fora um completo fiasco com relação à sua esposa. E ele bem sabia que era graças a Jaejoong que ele não estava tão frustrado, ou se sentindo um completo babaca. E mesmo jogando verdades na sua face, de certa forma, aquele rapaz aumentava sua autoestima.

Sendo menos egoísta, Yunho percebeu enquanto movia as chaves de aquecimento em uma sala própria e separada dos quartos, que não havia correspondido de forma apropriada os carinhos que o rapaz. E como seria se ele retribuísse? Onde eles iriam parar? Yunho tinha aquela mania típica de esperar por uma aventura, mas não adentra-la quando tinha uma oportunidade. Jaejoong era sua grande chance de mudar.

Yunho sabia que dormir com Jaejoong e se deixar levar por ele seria quase como adentrar em um de seus romances fantasiosos. Seria assustador, e ao mesmo tempo fascinante. E o que exatamente o impedia de beija-lo como ele fizera aquela manhã? Seu casamento falido? A paternidade? Seu status? A imagem realmente importava naquele isolamento?

Yunho bem sabia que Jaejoong não se prenderia a ele, a menos que ele tomasse uma atitude. E ele o queria preso, se possível, dependente dele. O queria sempre com aquele ar desejoso sobre si, com aquele jeito meio inocente, meio malicioso que o envolvia e o enclausurava. Yunho se recostou na parede da sala dos disjuntores e olhou ao teto mofado do local. Era uma sala úmida aquela, e obviamente fria, já que o aquecimento não funcionava. Ele fitou demoradamente a escada que dava acesso ao sótão, que Hyukjae o mostrara na semana anterior.

Yunho tomou aquela escada, sem pressa, adentrando pela penumbra do local sem iluminação. Ele puxou uma corda que acendeu a lâmpada amarela que iluminava o local, ainda mais úmido e inóspito do que a outra sala. Tudo ali tinha cheiro de mofo, umidade e veneno para insetos e ratos. Yunho deu a volta pelas estantes entupidas de caixas que ele sabia serem notas fiscais e toda papelada dos funcionários que já passaram por ali.

No entanto, algumas pastas no alto de uma estante chamaram sua atenção. Elas pareciam mais bem cuidadas do que as outras coisas dali, e seu formato de fichário indicava que também guardavam papéis. Elas estavam datadas a cada cinquenta anos, e Yunho puxou a mais antiga. Ele a abriu, ouvindo a lâmpada zunir ameaçadoramente, o que causou-lhe um frio na barriga, aquela excitação assustadora que ele tinha quando estava com seu Jaejoong.

Yunho abriu a pasta e a primeira página era uma matéria de jornal datada de primeiro de março de 1890. Era a inauguração do hotel, com uma foto panorâmica da entrada do lugar com seus fundadores sorrindo. A matéria era relativamente curta, falava de algumas celebridades da época presentes na abertura e detalhes do luxuoso hotel. Yunho folheou a pasta e percebeu que eram diversas matérias de jornal sobre o Overlook, dos mais diversos acontecimentos que ocorreram na época.

Eram encontros políticos, estreias de filmes e peças, celebridades que passaram por ali, crimes que aconteceram, escândalos de antigos proprietários, tudo o que estava relacionado ao Overlook, guardado em páginas amareladas de jornal ao alcance de sua curiosidade. Yunho pegou todas as pastas e desajeitado tomou seu caminho para fora dali. A lâmpada zuniu uma última vez e apagou fazendo Yunho apertar o passo para fora do local.

Ele pensava com animação na curiosidade de Jaejoong e em como ele deveria gostar de coisas como aquela. Ele fechou a sala e desceu as escadas com cuidado devido à grande quantidade de papéis que carregava, esbarrando em Junmin no caminho. O menino pegou uma das pastas que caiu de seus braços e o seguiu até o escritório, curioso quanto àquelas coisas. Seu pai parecia certamente mais feliz aquela manhã, ao contrário de sua mãe, que estava fria e tristonha.

– Appa, o que é isso?

– São jornais, Minnie, jornais antigos. – Explicou Yunho. – Eu quero ler eles, deixe essa pasta na mesa.

– Sim, appa. – Afirmou Junmin. – Eu posso andar de triciclo?

– Pode, mas evite as escadas, são perigosas.

– Está bem, appa. Por favor, não brigue mais com a omma, ela está triste.

– Minnie, ela atraiu isso para ela. – Concluiu Yunho. – Esqueça isso, você não vai entender, é muito novo. Vá brincar com seu triciclo.

– Está bem.

Junmin concordou decepcionado com a resposta de seu pai. Ele não queria vê-los brigando, e tampouco via motivos para isso. Claro que sua mente infantil não entenderia sentimentos tão complexos e sua inocência desejava que eles fizessem as pazes e tudo ficasse bem. Ele ainda pensava isso quando o viu no corredor. O rapaz de cabelo loiro usava roupas claras e finas e de caimento leve em seu corpo.

Jaejoong estava parado no meio do corredor olhando fixamente para Junmin. O menino havia paralisado o fitando, afinal, como Junsu havia previsto, ele via coisas que seus pais não viam. Enquanto Yunho via Jaejoong corado e cheio de vivacidade, Junmin o via pálido como uma folha de papel. Seus lábios protuberantes ganharam um tom quase azulado, e em seus olhos haviam manchas esbranquiçadas como em um homem cego.

Mas o que chamou a atenção do pequeno Junmin foram as marcas em seu pescoço. De dedos longos que o envolveram com tanta força que deixaram feios hematomas naquela região. Jaejoong sorriu, um sorriso claro, torto, sem vida. Ele pendeu o rosto de lado e se abaixou, estendendo ao menino a mão de unhas roxas. Junmin podia ver veias avermelhadas nos olhos do rapaz, como se seu crânio estivesse sobre forte pressão.

– Oi, menininho, quer brincar? – Indagou Jaejoong com sua voz calma.

Junmin negou freneticamente, dando alguns passos para trás.

– Vamos brincar de pega-pega? – Indagou Jaejoong dando um passo a frente. – Melhor correr, senão eu vou te pegar.

Junmin colocou as duas mãos em frente aos olhinhos, enquanto repetia baixinho “não pode me machucar, não pode me machucar”.  Ele ainda ouviu a risada tilintada e arrastada de Jaejoong e suas perninhas estremeceram quando ele passou por si em direção ao escritório. E quando Junmin abriu os olhos ele não estava mais ali, havia ido embora. À sua maneira a técnica de Junsu havia funcionado, mas ainda assim, ele estava com muito medo daquele rapaz.

Logo que Jaejoong desapareceu de sua vista, Junmin correu para a cozinha onde sua mãe enxugava a louça. Ele passou o resto do dia grudado nela, a ajudando à sua maneira, com os afazeres da casa. Era entediante, mas estar com Hyemin o deixava muito mais seguro do que ficar ao lado de seu pai. E ele não voltou a vê-lo, mas de alguma forma, Junmin sabia que aquele homem pálido e assustador estava com ele, ainda sem saber que aquele era Jaejoong, a obsessão de Yunho.

Yunho havia se sentado na cadeira de Hyukjae e voltou a abrir o fichário que pegara no sótão quando Jaejoong entrou, ainda rindo do susto do pequeno Junmin. Ele olhou para Yunho e seu sorriso diminuiu drasticamente ao ver as pastas sobre a mesa, espalhadas displicentemente. Ele sabia o que eram, e não queria que Yunho as lesse, ao menos uma delas era proibida naquele momento. Jaejoong se aproximou da mesa, agora com ar sério e o indagou:

– Onde você achou isso, hyung?

– No sótão. – Respondeu Yunho erguendo o olhar ao rapaz.

– Você não acha feio bisbilhotar assim?

– O que foi, Jae? Achei que você ia gostar disso. Aliás, você sabe o que são? São reportagens…

– Claro que eu sei. – Disse Jaejoong contornando a mesa. – São matérias de jornal sobre o hotel.

– E por que você acha que eu sou bisbilhoteiro? Só estou curioso, Jae.

– Porque você é. – Disse Jaejoong passando a ponta dos dedos pelo tampo da mesa.

– Ainda está bravo comigo?

Jaejoong assentiu silenciosamente.

– Como é manhoso! – Reclamou Yunho se levantando e se aproximando do rapaz. – E se eu te disser que quero ficar com você?

– Ficar comigo?

– Acho que você poderia pegar as suas coisas, eu pego as minhas e nós escolhemos um quarto com uma cama de casal bem confortável e nos alojamos lá, o que acha?

– Um quarto? Para nós dois? E aí você vai dormir comigo pra sempre?

– Pra sempre é muito tempo, Jaejoongie, mas enquanto nós dois estivermos por aqui, eu durmo com você.

– Isso é pouco, eu quero mais.

– E o que mais você quer?

– Os beijos que você me deve, quero abraços, quero tudo!

– Tudo não é muita coisa não?

– Tudo, é perfeito, hyung. – Explicou Jaejoong. – Eu vou reunir as minhas coisas enquanto você fica aí com essa velharia.

– Por que a pressa?

– Por que me enrolar se eu posso fazer agora?

– Tente não ser flagrado pela minha esposa, está bem?

– Ela só vai me ver se eu quiser. – Afirmou Jaejoong deixando um beijo no rosto do outro. – E você, não se demore.

– Não vou demorar.

Yunho sorriu para o rapaz que rapidamente deixou o escritório. Ele se sentou e leu sem pressa a primeira matéria e as seguintes se passaram rapidamente por seus olhos. O começo do Overlook foi muito tranquilo e promissor de acordo com os jornais. O primeiro dono manteve sua imagem intacta, e apenas notícias boas e honrosas saíram sobre o hotel nessa época.

A segunda época foi marcada por escândalos leves. Um pequeno incêndio no depósito, um ataque de abelhas raras deixou uma pessoa hospitalizada e por último um mafioso japonês disfarçado de jardineiro que trabalhou uma longa temporada no Overlook foi finalmente identificado. Então ele leu uma reportagem que o intrigou, não somente devido ao seu conteúdo, mas àquelas estórias absurdas que Jaejoong contava.

Comitiva de circo sofre acidente.

Um grave acidente ocorreu nessa manhã aos arredores do hotel Overlook. Em uma estrada afastada um dos carros da comitiva do circo Esperança explodiu, causando inúmeras mortes de animais, entre eles o famoso leão domesticado, Radagast. As causas da explosão ainda estão sendo investigadas. O circo viajava em direção a Seul, onde ficaria pela próxima temporada.

Em seguida uma pequena nota colada abaixo da matéria:

Em homenagem ao leão Radagast, o jardineiro do hotel Overlook, Park Yoochun, fará uma réplica em arbusto do animal.

Yunho ouviu a porta abrir e ergueu o olhar, atordoado. Jaejoong adentrou o local a passos largos com aquele típico ar emburrado. O moreno inspirou profundamente e se espreguiçou quando o outro parou diante de sua mesa com os braços cruzados em frente ao peito. Adorável aos olhos de Yunho.

– Está demorando, aposto que mudou de ideia! – Reclamou Jaejoong.

– Não mudei não. – Respondeu Yunho, sorrindo com o canto dos lábios. – Já levou as suas coisas?

– Claro que já e escolhi um quarto simples próximo à escada.

– É uma suíte? – Indagou Yunho marcando a página que havia terminado e finalmente se levantando.

– Claro que é, senão você não poderia se banhar comigo. – Explicou Jaejoong.

– Você não desiste mesmo, não é? – Disse Yunho se aproximando do rapaz. – E o leão? Ainda está lá fora?

– Claro que está, ele gosta da neve. – Explicou Jaejoong. – Vá buscar as suas coisas logo, hyung!

– Vai me explicar essa história, Jaejoong. – Mandou Yunho o enlaçando pela cintura. – Me espera lá no quarto, não quero que te peguem aqui.

– Você tem dez minutos pra aparecer lá! – Reclamou Jaejoong, sentindo os lábios macios de Yunho repousarem em seu rosto. – Senão não é mais o meu namorado!

– Eu sou o seu namorado agora?

– Eu decidi que a partir de hoje você é o meu namorado. – Explicou Jaejoong. – Eu quero assim.

– Você é maluco, sabia? – Disse Yunho entre risos.

– Você que é! – Reclamou Jaejoong.

Yunho riu e o apertou pela cintura antes de se afastar. Ele deixou Jaejoong sozinho, sabendo que o rapaz ia bisbilhotar o que ele estava lendo. Ele seguiu em silêncio até seu quarto, onde Hyemin cochilava e seu filho brincava sobre o tapete. Ele pegou a mala que eles usaram e a abriu no chão, sob o olhar curioso de Junmin. O menino rapidamente se levantou assustado e se aproximou de seu pai.

Yunho não o fitou de primeira. Retirou algumas roupas do armário e as colocou na mala com alguma pressa. Ele queria sair dali o quanto antes e unir-se novamente ao seu querido Jae. Yunho ainda guardava as coisas quando percebeu o olhar assustado do pequeno Junmin. Suas mãozinhas apertavam um brinquedo de borracha enquanto o menino rodeava a grande mala jogada no chão.

– Você está indo embora, appa?

– Não, Minnie, eu apenas vou mudar de quarto.

-Por que?

– Porque eu não preciso mais ficar aqui, mas não se preocupe, não vou sair do hotel. – Explicou Yunho.

– A omma vai com você?

– Não, Minnie, ela vai ficar aqui.

– Por que?

– Porque é melhor assim, ou você prefere ver nós dois brigando?

– Não, appa, isso não! – Disse Junmin com ar de urgência. – Appa, você vai ficar sozinho no outro quarto?

– Mas é claro. – Disse Yunho o fitando com ar desconfiado. – Quem mais poderia ficar comigo? Só estamos nós três aqui e você vai cuidar da sua omma, certo?

– Certo, mas…

– Mas o que, Junmin? – Indagou Yunho com ar impaciente. – Deixe de perguntas bobas e pegue a minha colônia no banheiro.

– Está bem. – Junmin se afastou e Yunho o observou ainda desconfiado. Quando o menino voltou deixou a colônia sobre a pilha de roupas, assim como a espuma de barbear de seu pai. – Quanto tempo você vai ficar no outro quarto, appa?

– Até nós irmos embora do hotel. – Explicou Yunho fechando a grande mala. – Não precisa se preocupar, appa só precisa de um tempo, pra terminar o livro e colocar as ideias no lugar. Vai dar tudo certo.

– Está bem, appa, tome cuidado.

– Não se preocupe.

Yunho sorriu e bagunçou os cabelos do menino antes de sair do quarto a passos largos e apressados. Junmin o acompanhou com o olhar, e a sua maneira, ele sabia que seu pai estava mentindo. Ele não estava sozinho, nunca estava sozinho. Hyemin acordou logo depois, ouvindo com atenção a versão de seu filho e finalmente se abalando, sentindo pela primeira vez o abandono de Yunho. E no final das contas o orgulho não a permitiria procurar por ele.

Yunho subiu as escadas e viu um único quarto com a luz acesa, e a porta entreaberta. Ele andou em direção a ele e encontrou Jaejoong na cama, sentado com as pernas dobradas e uma prancheta apoiada nas mesmas. Ele desenhava, concentrado, silencioso. Yunho o adentrou e seguiu ao armário que estava preenchido pela metade com as roupas do rapaz. Ainda era estranho dividir o guarda roupa com outro homem e Yunho sentiu-se incomodado ao colocar suas cuecas junto às dele.

Yunho colocou as peças em cabides ou dobradas em prateleiras. Elas se misturaram às roupas estilizadas e bonitas que Jaejoong tinha. Assim que terminou, ele fitou o silencioso rapaz que sequer parecia respirar enquanto desenhava. O moreno se levantou e percebeu que não havia almoçado e a tarde já havia avançado. Ele se sentou ao lado do rapaz que ergueu o olhar para ele, antes de puxa-lo pela mão.

Yunho o envolveu pelos ombros ao sentar-se ao seu lado e ali Jaejoong se ajeitou, agora que trajava uma calça de tecido confortável e um moletom com uma estampa de bicho na frente. Yunho finalmente olhou o desenho, e nele havia um dos quartos simples do hotel, com sua cama bem arrumadas, a janela de cortina esvoaçante e os grandes e úteis armários. Apenas um detalhe deixava a paisagem mórbida.

Havia um homem morto sem rosto no desenho. Ele estava dependurado pelo pescoço e seus pés flutuavam no ar. Yunho chegava a ter a impressão de ver aquele corpo desenhado em grafite balançando no ar, como se ele tivesse acabado de pular do pequeno banco. E foi a primeira vez que Yunho percebeu o efeito de suas palavras em seu querido Jaejoong, como o fato de negar-lhe beijos e abraços o afetavam negativamente.

– Está triste? – Indagou Yunho.

– Por que eu estaria? – Disse Jaejoong dando de ombros.

– Porque eu te desagradei? Por causa da nossa manhã?

– É uma constatação ou uma pergunta?

– Jaejoongie, desculpe. – Disse Yunho chamando a atenção do rapaz. – Eu estou em um péssimo relacionamento, eu não estou mais acostumado com tantos carinhos e passar tanto tempo próximo a outra pessoa. Não estou acostumado com beijos surpresa, com sorrisos destinados a mim. Aí vem você, um homem e…

– E o que, hyung?

– E bagunça tudo! – Disse Yunho rindo discreto. – Me faz rir de bobagens, me conta histórias malucas e fantasiosas, me beija sem pedir permissão. E eu gostei, eu gostei de verdade.

– E é por isso que você é o meu namorado. – Disse Jaejoong sem conter seu sorriso e se ajeitando ao lado do rapaz.

– Jae, seja realista, eu não posso te namorar porque eu sou casado.

– Logo você não vai ser mais. – Disse Jaejoong. – Até lá, quero que seja meu namorado e depois meu marido.

– Você fantasia muito, Jae.

– Não é uma fantasia. Se não namorar comigo, eu vou embora e você vai entristecer tanto que será incapaz de continuar a sua vida e aí vai morrer, como no meu desenho. Eu sei que vai.

– Sorte a minha ter você ao meu lado então, não é? – Desconversou Yunho, sem acreditar no que ele falava.

– Muita sorte. – Disse Jaejoong deixando um selar no rosto do outro. – Hyung, eu tenho algo para te pedir.

– Se estiver ao meu alcance, eu posso fazer.

Jaejoong imediatamente se desvencilhou do abraço e saiu da cama, caminhando silenciosamente até o armário. E de cima deste ele retirou uma das pastas que Yunho havia pegado naquela manhã do sótão. Jaejoong abraçou a pasta e o moreno pôde perceber que ele estava um tanto agoniado com aquele momento, e isso preocupou o escritor.

– Você poderia deixar para ler essa pasta por último? – Pediu Jaejoong.

– Por que?

– Porque tem notícias ruins aqui, obscuras, vão te assustar.

– Do que eu teria medo?

– Deixe eu te mostrar! – Disse Jaejoong se sentando ao lado do outro ainda abraçado à pasta. Ele abriu na primeira página que tinha a foto de um cadáver coberto por um lençol branco e começou a ler. – Esposa de executivo é encontrada morta em quarto de hotel. Essa manhã foi encontrada morta Park Hyorin, a esposa de Satou Tsukasa, um dos grandes investidores japoneses da bolsa coreana. A mulher de 68 anos foi encontrada em um quarto de luxo no hotel Overlook, um lugar isolado e de difícil acesso. Ao lado do corpo um cartel de comprimidos vazio e um único copo vazio. Apesar de a cena indicar suicídio, as causas e circunstâncias da morte ainda estão sendo investigadas.

– Jaejoongie, é só uma história antiga de um suicídio. – Tranquilizou-o Yunho.

– Quer saber como ela morreu? Quer saber por que?

– Por que?

– Ela veio pra cá com um amante, quarenta anos mais jovem do que ela. Ele era muito bonito, e tinha um volume bem grande entre as pernas, dava pra ver por cima das calças. Paquerava todas as garçonetes quando a velha não estava olhando, sabia? Os dois sempre desciam dos quartos na hora do jantar, ela toda adornada em joias e casacos de pele e ele sempre de smoking, cabelo penteado para trás, perfume caro e francês. Eles jantavam, mas ela gostava de beber e depois do jantar eles sempre esticavam e a velha bebia, uma garrafa atrás da outra. Aí, mais tarde, eles subiam, ele arrastando ela escadaria acima até o quarto, onde ele tinha que fazer jus ao dinheiro que ganhava dela. Depois ele descia e se divertia com as garçonetes e as vezes até com o garçom.

– Uma aventura dessas aos 68 anos?

– Ela estava apaixonada, hyung e o pior, estava apaixonada por um aproveitador! Então um dia, ele desapareceu, levando o carro caro que ela tinha, acho que era um Mustang ou algo assim. Ele levou todas as joias dela, a carteira abarrotada de dinheiro e apenas deixou na portaria o necessário para as despesas e para a viagem de volta. Os empregados perguntaram se ela queria que chamassem a polícia, mas ela apenas riu e disse que logo ele estaria de volta, mesmo sabendo que aquilo era uma mentira. Naquela noite ela jantou, bebeu uma garrafa de soju e subiu para o quarto dela. E depois, tomou todos os remédios, um por um, para cada comprimido, um gole de água gelada, ela queria soju, mas ficou com medo de vomitar e ter que começar de novo. Alguns ela mastigou para se distrair, ela já tinha os dentes amarelados de tanto fumar. Ela tomou uma última dose de soju depois que a cartela de remédios acabou, e então caiu no tapete, morta.

– Céus. – Disse Yunho sentindo um arrepio percorrer a espinha. – Como você pode saber tantos detalhes?

– Ah, eu ouvi as conversas, por trás das portas, falando dela. – Disse Jaejoong. – Dizem que ela ainda está aqui, esperando pelo amor dela voltar no Mustang.

– Eu não acredito em fantasmas.

– Você não precisa acreditar para que exista. – Disse Jaejoong. – São várias histórias mórbidas, hyung, quero que leia depois de ler todas as outras reportagens do hotel, faça isso para mim, por favor?

– Ainda não faz sentido, Jae, mas eu posso fazer isso. – Disse Yunho.

– E vou deixar essa pasta aqui, para você não ficar tentado. – Explicou Jaejoong voltando a se levantar e guardar a pasta. – Não quero que leia histórias ruins de pessoas mortas, eu quero que leia histórias bonitas para que a sua história também seja bonita.

– Um dia você vai me contar de onde tira as suas histórias? – Indagou Yunho.

– Vou, mas não hoje. Hoje eu quero namorar um pouquinho, porque o meu namorado escritor logo vai ter que se dedicar ao livro dele, eu sei.

– Vou mesmo. – Disse Yunho, sorrindo dos trejeitos do rapaz quando o puxou pela mão. – Vem aqui então, namorado.

E Jaejoong abriu seu sorriso, aquele destinado somente a Yunho. O loiro se deitou na cama e puxou o outro para que se deitasse por cima, encaixando suas pernas confortavelmente. Yunho o beijou, desta vez sem pressa, sem afobação, sem medo, sem culpa. O moreno deixou alguns beijos no sensível pescoço do rapaz, como um pedido mudo de desculpas por ter pensado em machuca-lo durante aquela manhã.

Logo ele desviou o beijo e o posicionou nos lábios do outro, os provando mais uma vez, finalmente tendo a chance de faze-lo apropriadamente. Um beijo apropriado para um homem apaixonado. Desta vez o gosto do café não maquiava o gosto dos lábios do rapaz, que começaram um tanto frios, como se ele tivesse acabado de tomar um sorvete e que logo se aqueceram com a fricção.

Jaejoong o retribuía, brincando com sua língua, com suas mãos, sem se importar se estava avançando muito além da zona de conforto do outro. As costas fortes de Yunho foram exploradas sem dó, com a calma de um artista que trata de sua obra de arte. E aos poucos o moreno o correspondia, demorando-se na pele macia e fria do rapaz, quando seus dedos brincaram com a barra de sua blusa.

Ainda tinha aquele volume entre as pernas de Jaejoong, o lembrando constantemente de que aquele era um homem, e de que aquilo era constantemente proibido pela sociedade coreana. E aos beijos eles perderam a noção das horas, dos minutos, das necessidades humanas, das vontades, das responsabilidades. Yunho nunca se sentira tão bem ao lado de alguém e nem mesmo sua lua de mel no Japão o deixara tão inebriado.

Yunho ousou naquela tarde muito mais do que imaginou, afinal ele jamais se aproximaria de outro homem dessa maneira, e se não fosse Jaejoong, ele nunca teria provado daquele fel que era um belo corpo masculino. Seus dedos testaram os limites de Jaejoong, o percebendo com os mamilos sensíveis por baixo da blusa, que se eriçavam com o mais leve toque. Sua pele estava arrepiada e não mais expelia aquele cheiro mentolado, era algo mais forte, mais masculino.

E seu membro pulsava, ameaçando endurecer diante das carícias de Jaejoong, o fazendo perceber o quão sensível ele estava a toques em sua pele. Sorte de Yunho ter um auto controle tão bem treinado ao longo dos anos com sua esposa. Jaejoong não o provocava em demasia, apenas cuidava de seu corpo, o acariciando e demonstrando por meio de toques o quanto o amava.

Ao pôr do sol, Jaejoong estava deitado de lado, olhando para a grande janela aberta com vista para as árvores agora sem folhas, plantadas no gelo branco. E atrás dele, Yunho estava agarrado à sua cintura, deixando beijos tenros em sua nuca, sua maneira muda de repetir que não o queria longe. Yunho não sentia fome ou sede, era como se dependesse apenas daquele homem para sobreviver ali, uma ilusão boba, mas que vivida com cuidado era deliciosa.

– Hyung?

– Jae?

– Você está feliz agora?

– Estou. Acho que é disso que consiste a felicidade, não é? Momentos bobos como esse?

– Se você souber aproveitar eles podem ser perfeitos. – Disse Jaejoong, sorrindo discreto e virando o rosto de lado. – Desde que você esteja com a companhia certa.

– Você está feliz?

– Como há muito tempo eu não me sentia.

Yunho sentiu seu coração acelerar no peito. Pela primeira vez em anos ele não precisava mentir, fingindo ser alguém que não era. Não devia satisfações de seus sentimentos e sequer precisava escondê-los. Jaejoong poderia julga-lo por suas atitudes, por seus defeitos, mas nunca por seus sentimentos. Ele o aceitava em sua forma mais pura, o acolhera com toda a sua bondade, mesmo com toda a sua complexidade.

Jaejoong era único, não somente por prova-lo que beijar um homem pode ser muito mais intenso, interessante e erótico do que beijar uma mulher, mas por acolhê-lo na hora mais sombria de sua vida. Ele o despiu de seus preconceitos, de seu moralismo hipócrita de pai de família, de sua preguiça de viver, e o mostrou do que ele era capaz se tivesse alguma força de vontade.

Yunho mal o conhecia, tinha informações superficiais sobre seu passado e sua vida, mas confiava em Jaejoong. Ele sabia de alguma forma que aquele rapaz seria incapaz de fazer mal a ele, por mais que vez ou outra assumisse uma faceta ameaçadora. O que ele não sabia era que alimentava uma paixão arrebatadora no coração de Jaejoong.

Enquanto aproveitava aquele abraço quente e a sensação de formigamento nos lábios, a mente de Jaejoong maquinava seus segredos mais obscuros e maquiavélicos. Pois o que era antes um desejo superior, havia se tornado pessoal. Ele não iria mais dividir Yunho, ele seria seu, por completo, de corpo e alma. Jaejoong o amava, e o ódio antes instintivo de Junmin e Hyemin agora era algo mais profundo. Uma mistura de vingança, nojo e raiva o guiavam em direção ao que ele deveria fazer.

Ele sabia o que deveria fazer, mas não tinha pressa. Não enquanto tinha os braços de Yunho rodeando seu corpo, não enquanto sua pele o aquecia e seus beijos eram deixados ao seu bel prazer em seu pescoço. Ele não tinha pressa, pois sabia que teria muito que viver com Yunho antes que se cumprissem suas vontades, e ele viveria plenamente se o rapaz assim o permitisse. Quando o sol desapareceu por trás das árvores, Jaejoong percebeu como ele estava satisfeito. Yunho poderia não ser completamente seu, mas ele dera seu primeiro passo, e ele ainda o pertenceria. Yunho ainda seria completamente, unicamente, indubitavelmente pertencente a Jaejoong.

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