Capítulo 08 – Jaejoong’s wish.

overlook 8

O fim do mês chegou ao hotel Overlook, e juntamente com ele o inverno mais rigoroso que aquela região já havia visto. O rádio, enquanto ainda funcionava, anunciou as estradas fechadas antes da hora e o risco de caminhar por aquelas áreas sem proteção. As estradas que não estavam fechadas, estavam escorregadias e até mesmo por vias aéreas seria difícil chegar ao hotel. Eles estavam totalmente isolados e sem contato com o mundo exterior.

Na última semana daquele mês os telefones e o rádio amador pararam de funcionar. Ao mesmo tempo o rádio também não mais anunciava as estradas fechadas e nem tocava músicas que quebravam o silêncio mórbido do hotel. E ao longo de todo o mês anterior, Hyemin não tivera contato algum com seu marido.

Ao contrário de sua previsão, Yunho não pediu desculpas, não voltou para prometer mudar e sequer juntava-se a ela nas refeições. Ela não sabia mais o que esperar dele, era como se ele estivesse irreconhecível desde o dia em que tentara aquilo que a enojava. Ela não queria fazer amor, tampouco queria perder o marido e aquilo tirava o sono da jovem esposa. Fora isso, durante o dia, ela tinha agora que lidar com as crises de choro de Junmin.

O menino andava assustado nas últimas semanas. Assustava-se com o vento, com as janelas batendo, o barulho da máquina de escrever de seu pai, tudo era motivo para correr e se esconder embaixo da cama ou chorar por horas a fio nos calcanhares de sua mãe. Hyemin se irritava com as manhas de seu filho, mas não fazia ideia dos motivos para deixa-lo daquela maneira. Hyemin achou que aquela talvez fosse a sua maneira de dizer que estava sentindo falta da companhia de seu pai.

Yunho andava ocupado, apesar de manter aqueles pequenos diálogos com seu filho nos corredores do hotel, longe de sua mãe. Ele havia mergulhado naquelas reportagens sobre o hotel que o mantinham ocupado por boa parte do dia. Além disso, ele fazia o possível para evitar sua esposa, até então sendo bem sucedido em sua empreitada. Ele bem sabia que grande parte de seu sucesso era devido a Jaejoong, e ele estava imensamente grato ao seu namorado.

Era assim que ele se referia a Jaejoong, seu namorado. Era um apelido estúpido, quase infantil para um amante do nível dele, mas Yunho havia se apegado ao termo. Jaejoong cuidava dele agora. Ele cozinhava para Yunho quando sua esposa não estava na cozinha, mantinha o quarto onde eles estavam, limpo e bem organizado e ainda revisava seus escritos em busca de erros gramaticais.

Hyemin apenas se dava ao trabalho de lavar suas roupas, afinal, como Yunho vivia repetindo, ela era paga para isso. Ela deixava as peças no quarto do cozinheiro e ele ou Jaejoong as levava para o quarto que ocupavam. Yunho amava o fato de Jae ser organizado e prezar por limpeza, além de um ótimo cozinheiro. O único problema nas refeições de Jaejoong, era seu gosto por pimenta o que nem sempre era bom para o estômago sensível de Yunho.

Naquela tarde extremamente fria de fim de novembro, Yunho tomava um chá mate com uma rodela de limão que fumegava em uma xícara de porcelana. Ele havia reclamado de dor de estomago após o almoço e Jaejoong deixara aquele chá em seu escritório antes de ir para a lavanderia lavar suas próprias roupas. Yunho não entendia como Hyemin ainda não percebera a presença daquele rapaz ali, mas caso ela tivesse alguma desconfiança, ele já saberia de suas reclamações.

Yunho já terminava a terceira pasta quando Jaejoong juntou-se a ele. A última matéria era sobre um grande baile de máscaras anos antes, algo absurdamente pomposo que uniu, não somente a alta classe coreana, como também grandes celebridades e conhecidos nomes políticos. Enquanto a lei seca imperava nos EUA, a bebida rolava solta no Overlook, e só de pensar nisso a garganta de Yunho secou.

Há muito ele não sentia necessidade de beber, no entanto, naquele dia era uma vontade diferente. Era vontade de sentir o álcool em seus lábios novamente e não de esquecer sua vida medíocre. Yunho bebericou do chá, enquanto Jaejoong contornava a mesa e se aproximava dele, impregnando a sala com seu cheiro refrescante. Yunho se espreguiçou e desviou o olhar ao rapaz que se encurvava para beijar sua testa.

– Já na terceira pasta, hyung? – Disse Jaejoong se sentando no chão ao lado do rapaz, colocando um caderno desenhos em seu colo e começando a rabisca-lo.

– Algumas matérias são curtas. – Explicou Yunho, fitando o displicente rapaz. – O que você vai desenhar hoje?

– Uma flor, eu acho. – Disse Jaejoong, distraído. – Hyung, eu quero te perguntar uma coisa.

– Pergunte. – Disse Yunho, voltando a olhar para a reportagem que ele lia antes.

– Você gosta de mim?

– Claro que gosto! – Disse Yunho, chegando a rir-se da insegurança do outro.

– A ponto de fazer o que eu te pedir?

– Depende, Jae, nem sempre eu posso atender o que você pede.

– Se separaria dela? – Indagou Jaejoong, tentando disfarçar seu verdadeiro interesse.

– Sim.

– Abandonaria o seu filho?

– Não.

– Morreria por mim?

– Por que me quer morto, Jae-ah? Não sou mais útil vivo?

– Não quero, só quero saber se tem medo de morrer.

– Teria mais medo de que você não fosse real, do que da morte.

– Não diga coisas bobas, hyung! – Reclamou Jaejoong. – Eu assei um bolo de chocolate, você gosta né?

– Adoro! – Disse Yunho, sorrindo discreto da repentina mudança de assunto do outro. Jaejoong era assim, sempre instável.

– Eu morreria por você, se pudesse, hyung. – Explicou Jaejoong.

– Eu também não te quero morto. – Afirmou Yunho. – Te quero comigo, como está agora, lindo.

– Me acha lindo? – Indagou Jaejoong, abrindo um sorriso discreto.

– Claro que acho. – Disse Yunho, voltando a olhar o rapaz. – Gosta de quando eu te elogio?

– Gosto mais quando me beija.

Yunho sorriu divertido com a resposta do rapaz. Ele se levantou de sua mesa e pegou sua própria prancheta para enfim sentar-se ao lado do loiro que ainda mantinha o olhar sobre o papel. Quando o escritor espiou, havia ali o esboço de uma grande rosa central que Jaejoong traçava com precisão. Ele deixou um beijo demorado no rosto do rapaz que sorriu divertido em resposta.

– Quer saber o que eu acho? – Disse Yunho.

– O que, hyung?

– Que você está apaixonado por mim.

– Como é bobo! – Disse Jaejoong entre risos. – Você não seria o meu namorado se eu não estivesse apaixonado.

– Jaejoongie está se declarando hoje e fazendo bolo de chocolate, está todo romântico. – Constatou Yunho o vendo sorrir e estapear sua coxa em resposta. – Vem aqui, me deixe te abraçar.

Jaejoong riu, com seu típico jeito manhoso e se aproximou do rapaz, movendo o corpo até se acomodar entre as pernas do moreno. Yunho deixou o rapaz jogar seu peso contra ele, sentindo as mãos frias do outro se apoiarem em seus joelhos até que ele se sentisse devidamente confortável. Então Jae deitou-se em seus braços como de costume, o sentindo envolve-lo pela cintura com se abraço firme. Um típico casal de namorados.

Yunho havia finalmente admitido em seu interior como estava apaixonado por Jaejoong. Ele se sentia nas nuvens ao lado do loiro, e mesmo quando se separavam era como se ele sentisse aquele rapaz próximo. No entanto, ainda era como se Jaejoong existisse apenas para ele, pois de alguma forma, Hyemin e Junmin não se deram conta da presença do rapaz por ali.

Não era sempre que Yunho se permitia perder-se no ócio de abraçar Jaejoong e olha-lo desenhar, mas não perderia uma oportunidade como aquela. Não quando podia livremente envolver sua cintura com os braços e deixa-lo junto a si, perdido em pensamentos, sensações, cheiros, vontades e naquela feição tranquila que fitava o papel no qual aos poucos uma imagem bonita de um jardim se formava.

Yunho também percebia a mudança de humor do rapaz de acordo com seus desenhos. Desde o desenho do homem morto, Yunho começou a colar o que Jaejoong rabiscava na parede do quarto que eles ocupavam, e a sua maneira ele observava as mudanças de humor do rapaz. As flores indicavam que ele estava particularmente romântico naquele dia, e Yunho sabia que tinha sua parcela de culpa no romantismo do rapaz.

Yunho deixou seu rosto se apoiar na parte de trás do ombro do rapaz, e fechou os olhos pensando em como sua vida havia melhorado desde que ele se afastara de Hyemin e se aproximara do outro. Era bom viver sem estar sob pressão, sem ter que fazer esforços absurdos para agradar, sem mentir. E a reciprocidade dos sentimentos de Jaejoong alimentavam sua força de vontade. Eles se importavam um com o outro, demonstravam carinho, não de forma exagerada, mas com ações simples como um abraço ou um elogio.

E Yunho não poupava seus elogios, ao seu jeito, à sua comida e é claro, à beleza de seu namorado. Jaejoong deixou o desenho pela metade e voltou-se para o moreno, deixando selares em seus lábios de forma carinhosa. Yunho sabia que ele queria namorar aquela tarde e certamente cederia aos seus encantos, trocando com ele beijos e carinhos. Só faltava uma única coisa a ser resolvida, o primeiro desejo de Jaejoong a ser atendido.

Junmin andava sem pressa com seu triciclo pelo andar de cima do hotel. Era a segunda vez que ele passava pela frente do quarto onde agora seu pai havia se instalado. Desta vez ele estranhou o fato de haverem roupas que não pertenciam a ele espalhadas pelo quarto, além é claro, do cheiro mentolado do homem que ele vira antes. Junmin nunca mais havia visto aquele rapaz de perto, apenas o observava rondando seu pai e por isso, manteve uma distancia segura dos dois.

Naquele momento ele sabia que estavam os dois no escritório e por isso foi com seu triciclo mais uma vez até o quarto, investigar. Ele encontrou a porta entreaberta e o quarto vazio como ele havia previsto. A cama estava arrumada, e Junmin se perguntou se aquele homem dormia ali com seu pai, rindo em seguida, afinal era impossível, pois havia apenas uma cama e um menino não deve dividir a cama com outro.

O quarto estava diferente da última vez que ele entrara ali. Ainda estava arrumado, mas parecia mais cheio. Havia um armário entreaberto com as roupas também devidamente arrumadas, no entanto, não eram somente de seu pai. Haviam ali diversas roupas que não pertenciam a ele além de acessórios que o pequeno nunca o vira usar. Junmin então olhou para a longa parede e viu os desenhos colados ali.

Eles estavam espalhados sem nenhuma organização e mostravam diversos tipos de imagens diferentes. Junmin pensou que não fazia sentido dispor desenhos daquela maneira, e certamente sua mãe os teria deixado muito mais organizados. Ele pegou o desenho mais baixo que exibia um leão sobre duas patas, como o arbusto estava no dia que eles chegaram ali. Junmin desprendeu o desenho e seu dedinho percorreu os traços perfeitos e bem detalhados da imagem.

Foi quando ele concluiu que aqueles desenhos não haviam sido feitos por seu pai, afinal ele era escritor e não desenhista. Seu pai dividia aquele quarto com aquele homem e Junmin sabia que o loiro o faria mal em algum momento. Ele ainda pensava nisso quando ouviu passos na escada, cada vez mais próximos, suaves como um felino. O menino bem sabia que não deveria estar ali. E se aquele não fosse seu pai?

Junmin entrou em pânico, pois não sabia o que seria dele se fosse flagrado, mas tinha certeza que seria castigado e se fosse o loiro, ele corria sérios riscos. Junmin não viu alternativa senão se enfiar embaixo da cama e tentar manter-se o mais silencioso possível até que a pessoa fosse embora. Ele não poderia ser notado. Ele ouviu os passos pararem à porta e depois voltaram a ecoar pelo quarto, sem pressa, o imitando ao analisar o quarto.

A pessoa caminhou a passos lentos e Junmin entrou em desespero ao ver aquela mão pálida com as unhas azuis aproximar-se do chão e pegar o desenho que ele havia deixado cair. A pessoa se aproximou da cama e o corpo do menino imediatamente começou a tremer de medo. O homem sentou-se na cama e suspirou pesadamente, como alguém prestes a perder a paciência tentando manter o controle.

– Eu sei que você está aí. – Junmin ouviu a voz conhecida do homem do corredor e seu corpo paralisou com o medo que ele sentia. – O que eu não sei, é o que fazer com o fedelho sapeca que mexeu no meu desenho.

Junmin sentiu vontade de chorar, mas os soluços ficaram presos dolorosamente em sua garganta. Ele não conseguiria chorar e algo em seu consciente lutava para se lembrar das palavras de Junsu. Em silencio, ele pedia para que sua mãe fosse procura-lo, que o encontrasse ali escondido. Os pés de Jaejoong desapareceram do chão quando ele jogou seu corpo sobre a cama, se deitando, com as mãos apoiando sua nuca.

– Crianças sapecas merecem um castigo, você não acha? Saia de baixo da cama, seu filho de uma puta! – Rosnou Jaejoong, vendo o menino engatinhar imediatamente para longe da cama. – Ah, Junmin, como eu queria que você se comportasse.

– Por favor… – Sussurrou Junmin assustando-se ao ouvir a porta do quarto se fechar sozinha com força.

– Se você fosse comportado, não precisaria de um castigo. – Explicou Jaejoong, desviando o olhar sem vida para o pequeno. – Poderia ficar aqui conosco, comigo e com o seu pai e eu cuidaria de você.

– Você não é real, o Junsu-hyung disse que não poderia me machucar.

– Vai discutir comigo?? Quer morrer agora mesmo, seu merdinha??

– Se você me matar, o appa nunca mais vai gostar de você! – Disse Junmin finalmente começando a chorar. – Ele vai pra longe de você!

O sorriso maldoso de Jaejoong desapareceu imediatamente e se ele pudesse empalidecer mais, o teria feito. Seu olhar travou sobre Junmin que chorava em desespero. E se ele tivesse razão? Por mais perfeita que fosse aquela ocasião, ele não poderia perder Yunho, não quando o sentia pertencer a si cada vez mais. Jaejoong ficou tão parado que por alguns instantes, Junmin pensou que ele era apenas um cadáver sobre a cama.

Jaejoong repentinamente se sentou na cama e Junmin sabia que ele estava ponderando o assunto. Ele então engatinhou em direção a porta, esperando conseguir fugir dali, enquanto cada vez com mais força ele pensava em seu hyung, Junsu. E quando Jaejoong percebeu em quem ele pensava, foi a sua vez de temer, não por sua estabilidade, mas pelo bem estar de seu Yunho.

– Pare de pensar nele, cretino! – Ralhou Jaejoong, finalmente permitindo que a porta se abrisse para o menino fugir. – Eu vou te deixar ir, mas se voltar a tocar em qualquer coisa minha, eu corto cada dedinho seu fora. Suma já daqui!

Junmin não esperou duas vezes e correu para longe dali chorando alto. Sua voz infantil ecoava pelas escadarias, enquanto as lágrimas não o permitiam ver para onde corria. Ele nunca sentira tanto medo em toda a sua vida. Junmin o queria longe do hotel, queria que o rapaz loiro fosse embora e deixasse seu appa em paz. Afinal, uma coisa ele havia descoberto, Yunho era mais importante do que ele.

Junmin chorava tanto e corria tão rápido que não percebeu quando seu pai saiu do escritório e esbarrou desajeitado em suas pernas. Junmin caiu sentado e seu choro aumentou de volume, causando surpresa em Yunho. O escritor abaixou-se de frente para ele e o segurou por baixo dos braços, o levantando carinhosamente. Junmin o envolveu pelos ombros, soluçando e tremendo, mas feliz por tê-lo encontrado.

– Minnie? Se machucou?

Junmin negou com a cabeça enquanto ainda soluçava. Yunho se levantou e o segurou pela mão, o guiando sem pressa até a cozinha. Junmin não saiu de seu lado enquanto ele preparava um copo de água com algumas colheres de açúcar. Yunho levou o copo de água aos lábios do menino o vendo tomar sem pressa alguma e graças a isso, seu choro se acalmou.

– Pronto? – Junmin assentiu, ainda sem falar. – Por que estava chorando se não se machucou? Sabe que eu não gosto quando você chora por nada.

Junmin negou com a cabeça e finalmente seu dedinho apontou para cima, ainda sem falar.

– O que tem lá em cima, Minnie?

Junmin negou com a cabeça e levou ambas as mãos ao rosto, escondendo os olhinhos.

– O que tem lá? Algo que te deu medo?

Junmin assentiu, ainda sem tirar as mãos do rosto.

– O que era? – Insistiu Yunho. – Um rato? Uma barata?

– O loiro…

Antes que Junmin pudesse dar continuidade, Hyemin entrou correndo na cozinha, sentindo uma pontada de inveja ao ver seu filho abraçado ao seu marido. Yunho acariciou o rosto do pequeno, enxugando suas lágrimas quentes, sabendo que logo ele seria arrancado de seu abraço. A esposa parou ao lado dos dois e cruzou os braços veementemente. Yunho estranhamente não se irritou com sua expressão, tinha novas preocupações.

“O loiro…” Yunho sabia que Junmin havia descoberto Jaejoong e o rapaz havia assustado ele de alguma forma. O que ele teria feito para fazer Junmin chorar daquela maneira? Hyemin começou a se incomodar com o silêncio, que tipo de segredos eles poderiam estar escondendo, afinal? Junmin ergueu o olhar para a mãe e foi quando ela percebeu que ele havia chorado, muito.

– O que aconteceu, meu filho? – Indagou Hyemin, visivelmente preocupada.

– Alguma coisa assustou ele lá em cima. – Explicou Yunho. – Eu vou verificar, está bem, Minnie?

– Appa…

– Vamos, Junmin. – Chamou Hyemin. – Você precisa terminar o seu desenho.

– Isso, vá terminar o desenho. – Concordou Yunho.

– Mas appa, você vai se machucar! – Alertou Junmin, finalmente fitando seu pai.

– Não vou não. – Disse Yunho, sorrindo com o canto dos lábios.

– Do que ele está falando? – Indagou Hyemin.

– Não faço ideia!

Yunho deixou um carinho nos cabelos de seu filho e finalmente se afastou. Seu sorriso carinhoso se fechou assim que deu as costas ao seu filho e saiu a passos largos da cozinha. Tinha um assunto a resolver. Hyemin olhou para seu pequeno com aquele típico ar de desconfiança materna. Junmin tentou disfarçar seu susto colocando as mãozinhas nos bolsos da jaqueta que usava, mas estranhou ao sentir algo no mesmo.

Ele retirou do bolso um papel dobrado várias vezes, que ele sabia não estar ali antes. Ela mesma pegou o papel e com agilidade, o desdobrou, revelando um desenho macabro. Era um jardim, mas tudo nele parecia morto, queimado e uma única árvore sem folhas se destacava no centro. Seus galhos se erguiam negros pela folha branca e pendurado em um deles, havia um menino enforcado.

Junmin voltou a chorar quando viu o desenho, mas Hyemin não perdeu tempo em jogar o papel fora e agarra-lo em seu colo. Ela andou rapidamente pela cozinha, pegando uma faca grande e afiada, para por fim correr para seus aposentos. Ela trancou a porta e só então escondeu a faca na gaveta de cabeceira de sua cama. Yunho não vira nada, pois já não se encontrava no corredor, ou sequer em seu escritório.

Quando chegou ao quarto, Yunho encontrou o triciclo de seu filho na entrada e do lado de dentro, Jaejoong estava sentado em uma grande cadeira, ao lado da janela. Ele não se movia e por alguns instantes, Yunho acreditou que ele havia adormecido. Jaejoong então virou o rosto e fitou o rapaz que se aproximava a passos lentos. Ele não queria brigar, mas Jae havia feito algo muito errado e ele descobriria o que era.

Jaejoong não parecia defensivo, mas parecia velar uma ira que Yunho ainda não havia presenciado. Ele já observara diversas facetas assustadoras e ameaçadora daquele homem, mas nunca como naquele dia. Era como se, ao tentar esconder, ele revelasse mais do que deveria.

– Você encontrou o Junmin? – Indagou Yunho.

– Ele me encontrou. – Explicou Jaejoong.

– Céus… – Disse Yunho, com ar nervoso. – Jaejoong, o que você fez?

– O que eu fiz? O que eu fiz? – Indagou Jaejoong, se levantando rapidamente. – Ele entra aqui, mexe nas minhas coisas e depois eu que fiz alguma coisa? Você devia educar aquele fedelho!

– Jaejoong, é só uma criança! O que você fez pra ele chorar daquele jeito? Ele estava tremendo, sabia?

– Uma criança que deveria saber dos seus limites! – Reclamou Jaejoong o empurrando com força, fazendo Yunho dar alguns passos para trás.

– Você encostou nele? Bateu nele? Gritou com ele? O que você fez? Fala!

– Eu não fiz absolutamente nada! – Gritou Jaejoong, pegando o desenho que havia caído ao chão e o colando novamente na parede, sentindo seu corpo começar a tremer. – Eu não tenho culpa…

– Olhe só pra você… – Rosnou Yunho, vendo Jaejoong voltar-se para ele imediatamente. – Bravo porque uma criança mexeu nos seus desenhos, agindo como outra criança! A diferença é que você é adulto, e pode machucar ele que eu bem sei.

– Eu não machuquei ninguém! – Disse Jaejoong caminhando em sua direção. – E os desenhos são meus, esse quarto é meu e você é meu e ele não pode me tirar o que me pertence!

– Eu sou seu?? Jaejoong, eu sou pai dele e não vou abandonar meu filho por você!

– Não!!! Você é meu!!! – Gritou Jaejoong.

– Aja como adulto, Jaejoong, eu estou falando com você!

– Você está agindo como um cretino! – Disse Jaejoong cruzando os braços e baixando o rosto. A ameaça do menino começava a se cumprir. – Eu não fiz nada!

– Você fez sim, e você sabe que fez. – Disse Yunho se aproximando do rapaz. – Eu conheço você, sei que seria capaz de causar dor a ele sem deixar uma marca sequer. Sei que o teria trancado aqui no escuro até que ele entrasse em pânico por puro prazer.

– Você nunca se importou com ele, e você é o pai, por que eu deveria me importar??

– Porque ele só uma criança!!

– Não justifica a teimosia! Não justifica os seus gritos e as suas acusações! O que ele te disse que eu fiz?? Seja lá o que for, é a mais pura mentira!

– Eu sei que você fez! – Acusou Yunho. – E meu filho não é mentiroso, ao contrário de você!

– Eu disse que ia cortar os dedos dele se ele mexesse de novo nas minhas coisas.

Jaejoong terminou a frase se encolhendo e virando de costas para o outro. Yunho finalmente reparou, pelo reflexo do espelho, como Jaejoong estava pálido. Sua pele não tinha mais aquele brilho ao qual ele estava habituado e parecia sem vida. No entanto, Yunho estava bravo e sabia como as coisas poderiam ficar facilmente violentas ao lado de Jaejoong. Ele o deixou sozinho.

Yunho precisava consertar os erros de Jaejoong, mas com seu filho sensibilizado, Hyemin não o deixaria em paz. O pior, era que seu segredo estava a um passo de ser descoberto. Era só ela fazer a pergunta certa, o pequeno deixar escapar um detalhe, ou confidenciar a ela a ameaça do homem loiro. Bastava ela checar o quarto, e lá estaria seu Jaejoong, chateado com suas palavras, sentado na poltrona.

Hyemin certamente o acusaria, iria impor que o mandasse para longe, iria afasta-lo. Jaejoong era uma ameaça, era instável, era perigoso e ainda por cima, era seu namorado. Seu querido namorado, que se importava, que prezava, que não o julgava. Ele havia errado em assustar seu filho, mas ouvindo novamente suas palavras de repente aquilo pareceu uma ameaça infantil. Cortar-lhe os dedos, seria Jaejoong assim tão cruel? Como alguém com um sorriso tão lindo poderia pensar algo assim?

Yunho bateu na porta dos aposentos de sua esposa, e ela a destrancou antes de dar-lhe espaço para entrar. Hyemin o olhava desconfiada, mas sabia que precisava de mais informações antes de indagar a ele o que significava aquele desenho no bolso da jaqueta de seu filho. Ela não sabia se Yunho o havia desenhado, ou se havia entregue a ele com o intuito de assusta-lo. Fosse o que fosse, era uma brincadeira de péssimo gosto.

Mesmo a preocupação de Yunho fitando o pequeno que cochilava no sofá a fazia questionar sua sanidade. Ele fez meia dúzia de perguntas e a ordenou que mantivesse a porta aberta. Hyemin estava assustada o suficiente para obedecê-lo, mas ainda assim trancaria a porta de seu quarto. Ela não confiava mais em Yunho e saberia se defender se ele tentasse machuca-los.

Yunho saiu corredor afora sem pressa. Ele ainda iria verificar todos os aquecedores, enquanto esperava Jaejoong se acalmar. Quando passou pelo quarto, ele percebeu que a porta estava agora fechada, mas o cheiro o indicava que Jaejoong ainda estava lá dentro. Quando ele chegou à sala de interruptores se lembrou do quão sensível aquele rapaz era à suas palavras e o fato dele ter amanhecido em um clima tão romântico o fez se arrepender ainda mais daquela discussão.

Jaejoong havia errado, mas fora um erro bobo de alguém que tem ciúmes de suas obras de arte. Yunho decidiu não se demorar a voltar à companhia do rapaz, e seu coração já doía ao pensar na mínima hipótese de tê-lo magoado. Quando entrou no quarto, já não estava organizado como antes. Jaejoong havia trocado de roupas e trajava seu costumeiro conjunto de camiseta e cueca, além das meias de lã.

Os desenhos não estavam mais na parede e grande parte estava rasgado no chão, os outros estavam amassados sobre a cama, espalhados pelo quarto. Jaejoong estava na mesma cadeira e olhava o nada, sem mover um músculo sequer. Continuava pálido e até mesmo seus lábios haviam perdido a cor. Apenas o brilho em seu olhar o indicava que ele ainda estava acordado, que estava vivo. Yunho se aproximou calmamente, e desta vez ele não fez questão de desviar o olhar.

Jaejoong estava magoado.

Yunho se abaixou de frente para o rapaz e sua mão repousou em seu joelho, sem sucesso ao chamar sua atenção. Ele escorregou as mãos por suas coxas nuas pela primeira vez e sua pele estava fria, demasiadamente fria. Era como se Jaejoong tivesse tomado um banho de água gelada, talvez estivesse com hipotermia e isso preocupou o moreno. Ele retirou seu próprio casaco e cobriu as pernas do rapaz, o vendo empurrar a peça para longe logo em seguida.

– Jaejoongie?

– Vai para o inferno! – Rosnou Jaejoong.

– Vamos conversar. – Pediu Yunho.

– Eu já te ouvi demais por um dia, hyung. – Disse Jaejoong, ainda sem fitar o rapaz. – Você não é mais o meu Yunho-hyung.

– Claro que sou, por que diz isso?

– Você disse que não era! – Disse Jaejoong com a voz embargada e lágrimas discretas se formando no canto de seus olhos. – Você é o pai dele, não o meu Yunho!

– Eu sou o pai dele, Jae, não quer dizer que não seja mais o seu Yunho. – Afirmou Yunho, novamente o cobrindo com o casaco. – Eu não entendo essa sua obsessão por propriedade.

– Não entende porque não sabe o que é pertencer a alguém! Eu pertencia ao Changmin e eu sabia que eu era dele e de mais ninguém.

– No que o Junmin mexeu?

– No desenho do leão, ele tirou da parede. – Disse Jaejoong esfregando os olhos com as costas da mão. – Ele não podia mexer, não era dele, é meu!!

– Você rasgou os desenhos.

– São meus e eu faço o que eu quiser com eles! – Disse Jaejoong puxando com força o ar pelo nariz. – Eu fiquei com raiva de você, do seu casamento, de tudo! Você é o meu namorado, não pode ser casado!

– Eu sei, mas não devia ter rasgado, são todos lindos. – Disse Yunho se aproximando mais e o envolvendo pela cintura, demorando o olhar nas lágrimas que escorriam pelo rosto dele. – Jae, você fez algo errado hoje.

– Não fiz não.

– Jae você ameaçou um menininho, ameaçou o meu filho e mesmo que tenha sido da boca pra fora, isso não se faz. – Explicou Yunho. – Ele também errou e quando acordar, ele estará proibido de entrar aqui e no escritório, mas de qualquer maneira, você não pode assustar assim uma criança.

– Ele não pode mexer nas minhas coisas.

– E ele não vai, eu vou garantir isso. – Explicou Yunho. – Mas por favor, fique longe do meu filho.

– Por que me pede isso, hyung?

– Porque você odeia ele, Jae. Eu não tenho certeza dos seus motivos, mas você odeia.

Jaejoong pendeu seu peso sobre ele e o abraçou, escondendo o rosto em seu ombro. Yunho sentiu algo gelado e úmido se depositar em seu ombro, molhando sua camiseta. Por alguns instantes ele achou que Jaejoong estava salivando enquanto chorava, mas quando o afastou percebeu algo intrigante. Uma das lágrimas dele caiu sobre sua mão e era fria como o gelo. Yunho estava fascinado, e para comprovar sua tese passou a mão pelo rosto dele.

Sua pele estava coberta por lágrimas frias, como se ele tivesse acabado de sair de um lago congelado. Algo na mente de Yunho o dizia que Jaejoong não continuaria vivo se continuasse com uma temperatura corporal tão baixa, por outro lado ele também achava que lágrimas frias não eram humanamente possíveis. Jaejoong caiu sobre seu colo e pendeu seu peso ali, recebendo um abraço acalentador de Yunho. Ele precisava desfazer seus erros, precisava calar seus gritos e manter Jaejoong ali.

– BooJae? – Chamou Yunho, por um apelido que até então fazia parte apenas de seu imaginário.

– Hm? – Respondeu Jaejoong aparentemente aceitando o apelido.

– Você precisa de um banho bem quente.

– Não. – Teimou Jaejoong.

– Por que?

– Porque você brigou comigo, depois foi embora e ainda por cima nem se ofereceu para tomar banho comigo! – Reclamou Jaejoong. – Você nem troca de roupas na minha frente, porque tem vergonha de mim.

Yunho suspirou pesadamente. Como ele iria argumentar com um rapaz tão sensibilizado sem magoa-lo? Com o homem que ele amava e apenas desejava um banho? Era apenas um banho, por que afinal ele relutava? Yunho se perdeu naquele olhar, coberto de lágrimas frias e doloridas. Ele queria agradar Jaejoong, como ele o agradara dia após dia, pedindo em retorno apenas alguns beijos e abraços.

Jaejoong se levantou rapidamente após se desvencilhar do abraço. Ele reuniu o que sobrou de seus desenhos, deixando Yunho sozinho com suas dúvidas e inseguranças. Ele os deixou sobre o criado-mudo, e então retirou a camiseta fina que usava, a jogando no chão. Yunho o observou até o rapaz sentar-se na cama, trajando apenas suas roupas íntimas. Ele se levantou finalmente e se aproximou de Jaejoong que pacientemente esperava sua resposta:

– Só um banho, certo? – Indagou Yunho.

– Se você quiser mais alguma coisa eu não vou me opor. – Respondeu Jaejoong segurando discretamente sua mão.

– Não estou com cabeça pra isso, Jaejoongie.

– Você nunca está. – Afirmou Jaejoong após suspirar pesadamente. – Vamos logo, eu quero o meu banho.

Yunho sorriu discreto ao ver o rapaz se levantar e retirar o que restava das roupas à sua frente. Ele sempre o fazia com naturalidade, e como sempre, correu para o banheiro para ligar o chuveiro. Aquele quarto tinha banheira, mas Jae repetia que guardaria seus óleos para banho para ocasiões especiais. Desta vez ele deixou a porta aberta e Yunho a fechou quando entrou logo atrás dele.

Yunho o fitou se esticar para alcançar o registro e ligar o chuveiro, sem se posicionar embaixo d’água, pois ainda estava muito fria. Jaejoong voltou-se para ele e o esperou começar também a tirar as roupas. Yunho se demorou o fitando e por isso o rapaz se aproximou, levando suas mãos frias ao fecho de sua jaqueta. Jaejoong desfez o zíper e as afastou de seus ombros, revelando uma camisa de mangas compridas por baixo.

Jaejoong puxou a barra de sua camisa para cima e o outro ergueu os braços para ajuda-lo a afastar a peça dali. O loiro se aproximou e fitou seu tórax descoberto, deixando suas mãos tocarem a pele quente e firme do local. O coração de Yunho estava descompassado e o rapaz pôde senti-lo por baixo de seu tato. Jaejoong deixou um selar em seus lábios enquanto suas mãos se posicionavam sorrateiras no cós da calça do outro.

Yunho sentiu sua pele se arrepiar quando sua calça foi ao chão e mais uma vez Jaejoong se afastou para fita-lo. O loiro parecia fascinado, seus olhos percorriam cada parte do corpo de Yunho, atentos as cores, formatos, detalhes. Yunho era lindo, muito mais do que sua imaginação poderia sequer pintar. Jaejoong ajoelhou-se à sua frente e com uma delicadeza única retirou a roupa íntima de Yunho.

E lá estava ele, finalmente nu, ao bel prazer de seus olhos. Yunho sabia que ele estava feliz, podia ver o brilho em seu olhar enquanto ele percorria seu corpo. Aquele corpo que o pertencia. Jaejoong sorriu, ainda ajoelhado à sua frente. Ele queria toca-lo, apenas não sabia por onde começar, por isso tratou de dedilhar o abdômen bem definido do outro rapaz. Seu umbigo era perfeitamente posicionado sobre uma trilha de pelos finos que ia até sua virilha.

– Você é perfeito. – Concluiu Jaejoong.

– Não é verdade, Jae.

– É sim, você é, hyung.

Yunho sorriu com o canto dos lábios ao perceber que Jaejoong estava mais ansioso do que ele. Jaejoong se levantou e o abraçou pelos ombros, colando sua pele a dele. Ele continuava frio, sua pele não se aquecia nem mesmo quando o moreno o envolveu em um aconchegante abraço. Yunho deixou um beijo no rosto do rapaz, e o puxou um tanto desajeitado para baixo do chuveiro que escorria solitário.

Jaejoong selou os lábios do rapaz quando a água quente caiu sobre seus cabelos os deixando em cor mais escura. Yunho o retribuiu sem pressa, sentindo a prazerosa sensação da água quente sobre sua pele fria. Suas línguas se encontraram sem pressa, saboreando as sensações daquele beijo único e delicioso. Yunho o apertava, com tanta força que tinha a impressão de que aquele rapaz iria se desfazer em seus braços.

Jaejoong cortou o beijo e o apertou em seu abraço antes de se afastar. Ele apenas se virou para pegar o sabonete já brevemente gasto e finalmente se voltou para ele. Jaejoong esfregou o sabonete no tórax do outro, acompanhando com os olhos o trajeto que a espuma fazia. Sua mão desceu até o abdômen do outro, vendo o sabão se acumular no umbigo do moreno e sua pele se arrepiar com seus toques.

Yunho apoiou a mão na parede quando Jaejoong desviou a atenção para suas coxas. Ele não deixou nada passar, nem mesmo seus pés ficaram sem ser lavados. Yunho virou-se de costas e Jaejoong fez o caminho contrário, passando as mãos em suas nádegas de forma mais carinhosa e delicada, antes de subir por sua lombar, suas costas até seus ombros. Jaejoong então o fez voltar-se para si.

Ele esfregou o sabonete nas palmas de suas mãos até que estas estivessem cobertas com a espuma branca e finalmente o soltou no chão. Yunho sabia o que viria a seguir e fechou os olhos em expectativa, esperando o toque. Jaejoong se aproximou com sutileza, e cobriu sua virilha com a espuma, sendo atencioso com seu membro que inevitavelmente se enrijecia. Há muito tempo Yunho não se excitava.

E como era bom. Era quase como se ele sentisse seu sangue escorrendo por seu corpo e se acumulando em seu membro, o encorpando, endurecendo, se elevando ao seu máximo. O loiro voltou a se afastar para observa-lo. Jaejoong estava satisfeito, ao mesmo tempo em que exibia aquele sorriso tentador, apaixonante. Yunho negou com a cabeça e saiu do box, escondendo seu corpo com a toalha.

– Hyung?

– Hoje não.

– Você não me ajudou a tomar banho ainda.

Yunho voltou o olhar para ele, desconcertado.

– Você…

– Eu te ajudei a tomar o seu banho, você tem que me ajudar no meu.

Yunho suspirou pesadamente e soltou a toalha. O loiro pegou o sabonete do chão e o moreno não pôde deixar de olhar para suas nádegas enquanto ele se abaixava. Jaejoong era impressionante. Seguia suas regras a risca mesmo quando tudo parecia prestes a tomar outro caminho. Tinha um autocontrole sobre-humano. Yunho pegou o sabonete de sua mão e começou por suas costas.

Era a primeira vez que ele tinha um contato tão íntimo com aquele rapaz. Tocar sua pele tão diretamente, senti-la sobre seus dedos, macia e pura. Ele era seu homem, e aos poucos começava a entender a sensação de pertencimento da qual Jaejoong falava tão obsessivamente. Yunho tocou-lhe as nádegas, as coxas, o tórax, os braços, o pescoço, as mãos, os pés e é claro, seu membro. Um órgão sexual igual ao seu, semelhante inclusive em tamanho.

Yunho não acreditava em tamanha perfeição até conhecer aquele homem, seu amante, seu namorado. Jaejoong também se excitou, rapidamente como aquele que o tocava. Era estranho para Yunho, sentir um membro ganhar espaço em suas mãos e elevar-se em riste em função de seus toques, mas de uma estranheza deliciosa.

Finalmente, eles se uniram embaixo da aconchegante ducha e voltaram a se beijar, enquanto a água fazia o trabalho de livra-los de toda aquela espuma que eles haviam produzido. Aquele era sem dúvida o momento mais erótico de Yunho. Beijar aquele homem, visivelmente excitado e tão entregue em seus braços, assim como seu próprio coração que batia em disparada, era digno de ser lembrado para o resto de sua vida.

O cheiro da pele de Yunho agora estava maquiado pelo cheiro floral aconchegante do sabonete. Estava terminado o primeiro banho que eles tomariam juntos. No final das contas, Jaejoong tinha razão em mais uma de suas absurdas teorias. Ele poderia esquecer-se de Jaejoong, de seu sorriso, de seu olhar, de seus desenhos, mas jamais se esqueceria daquele banho, daquelas sensações. E ele jamais se esqueceria do sabor venenoso e mortífero daquele beijo adocicado.

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