Capítulo 01 – At first sight.

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Park Yoochun nunca foi o cara mais popular da escola. Tampouco se achava o mais bonito. Ele apenas era esperto, o suficiente para andar com as pessoas certas e passar por toda a high school sem chamar a atenção. Ele não ganhou prêmios, não entrou em times ou clubes, apenas sobreviveu. Passar a adolescência nos Estados Unidos tinha seus prós e contras, mas ao final ele gostava de lá. Havia se acostumado com o meio de vida norte americano. Com as festas na casa dos amigos regadas a ponche e os churrascos de hambúrguer no final de semana.

Ele não era totalmente deslocado. Tinha alguns amigos que compartilhavam os mesmos gostos e frequentavam os mesmos locais. Eles o chamavam de Micky e ele bem sabia que ele era o líder daquele grupo. Era nele que seus colegas se baseavam, talvez por ele ser o mais inteligente dos quatro. Esse era o mundinho limitado e feliz de Yoochun nos Estados Unidos, tão diferente de seu irmão mais novo, Park Yoohwan.

Yoohwan era o garoto prodígio da escola. Presidente do grêmio, destaque jogador de hockey e futebol, rei dos três bailes de primavera, e apesar de suas notas não serem as mais altas, ele era amado, popular. Mais do que para Yoochun, deixar os Estados Unidos fora um grande problema para o caçula da família. Seus amigos e toda sua vida havia sido construída na Califórnia e de repente, eles se obrigavam a recomeçar em Seul.

Na Coréia, os dois irmãos ingressaram para a mesma faculdade, mas para áreas diferentes. Yoohwann foi fazer história e tanto seus pais, quanto seu irmão, se surpreenderam com tal escolha. Yoochun foi para contabilidade, uma área de fácil ingresso no mercado de trabalho, e aproveitando seus dotes razoavelmente bons em matemática. O primeiro ano foi o mais complicado para Yoochun e o mais tranquilo para Yoohwann.

Micky sentia mais falta de seus amigos do que seu irmão mais novo, que por sua vez, rapidamente substituiu os seus por novos colegas de classe e veteranos da faculdade. Em menos de três meses, Yoohwan já participava do time de futebol da faculdade e fazia corrida de rua com os hyung-dul de educação física. Ao final do primeiro semestre, Yoochun ainda tinha dificuldades em formar grupos de trabalho em sala de aula.

Por não ter companhia para sair e ter algum tempo ocioso, Yoochun começou a frequentar a academia próximo à sua casa e aos poucos ele percebia seu corpo tomando alguma forma. Claro, ele não foi o único que percebeu. As moças se aproximaram dele aos poucos, eram discretas, porém deixavam claras suas intenções. E ele não fez questão de afasta-las, por que não se aproveitar da situação?

Essa se tornou a vida de Yoochun em seu primeiro ano de faculdade. Casa, faculdade, academia e sair com moças que se aproximavam sorrateiras dele na cafeteria ou na biblioteca. Essa era sua vida aos dezenove anos. Tranquila, apesar de um tanto solitária. Yoochun era fechado, não confidenciava suas emoções a ninguém e nem sempre isso era bom. Ele queria namorar, mas não achava ninguém a altura, queria amigos, mas não sabia como se aproximar sem parecer estranho ou interesseiro.

Ele tivera apenas uma namorada ao longo de sua vida e ela havia ficado na América. Aos 16 anos ele a conheceu e eles namoraram ao longo do ano seguinte. Não era nem de longe a menina mais bonita da escola, tampouco a mais feia. Ainda jovem, Yoochun percebeu como as mulheres poderiam ser complicadas, com seus quês e suas variações hormonais. Ainda assim, ele desejava namorar uma moça da Coréia, talvez fosse a sua chance de encontrar alguém com quem compartilhar seus sentimentos e pensamentos.

Yoochun decidiu que aquela viagem dos Jogos Acadêmicos seria a sua despedida de solteiro, antes de entrar em uma empreitada para encontrar uma namorada razoável. Era a primeira vez que Yoohwan iria jogar pelo time da faculdade, e ele o chamou para acompanha-lo na viagem a Munhyeong. Ele participaria dos jogos durante o dia, e a noite os dois iriam para as festas Open Bar organizadas pelas instituições acadêmicas. Foi animado com isso que Yoochun saiu devidamente arrumado do banheiro do quarto de hotel que ele dividia com seu irmão.

Ele apenas calçou um tênis confortável e deixou algumas gotas de colônia atrás dos lóbulos de suas orelhas antes de sair do quarto e seguir para o complexo esportivo em frente ao hotel. Yoochun não gostava de caminhar em meio a multidão de universitários que se acumulara ali. Essa sensação claustrofóbica o incomodava em demasia. Yoochun cruzou os braços em frente ao peito, sem fazer questão de cumprimentar as pessoas por quem passava, nem mesmo as conhecidas.

Ele mostrou seu passe ao homem que atendia na entrada do complexo e o pediu instruções de como chegar ao campo de futebol. Ele ficou satisfeito ao perceber que o local ainda estava vazio e ele não pegaria fila, nem mesmo para comprar seu copo geladíssimo de cerveja. Ele se acomodou em uma das cadeiras e tratou de saborear sua bebida, sem pressa, já que o jogo estava para começar. Faltando cinco minutos para a partida se iniciar, a arquibancada começou a se encher.

Yoochun havia pago a mais para sentar-se em cadeiras mais confortáveis e longe da bateria da faculdade que certamente tiraria sua concentração e o daria dores de cabeça. Próximo a ele estavam alguns professores, mães com crianças e poucos universitários. Certamente ele era um dos poucos que queria sossego. Yoochun chegou a rir-se de sua escolha ao recordar-se dos motivos de estar ali.

Ele bem se lembrava de ter dito que não iria aos jogos, pois não gostava de grandes aglomerações. Então, certa noite depois do jantar, seu irmão entrou em seu quarto e o confidenciou que haviam meninas de sua sala e noonas que desejavam conhece-lo. Que mal fazia se ele desse as caras por lá, afinal? Foi seu irmão que o contou que elas o disseram que ele era bonito e misterioso, o que fez o próprio Yoochun rir. Talvez ele fosse mesmo.

Yoochun bebericou a espuma de seu copo e desviou o olhar para o campo quando o público começou a aplaudir e as baterias das duas faculdades começaram a tocar. Micky aplaudiu e acenou para seu irmão quando ele entrou no campo, trajando o uniforme azul claro com o emblema da faculdade no peito. Yoohwan acenou para seu irmão e tratou de se aquecer, sem perceber o olhar dele recair sobre outra pessoa.

Yoochun protegeu os olhos com a mão, a fim de evitar o sol quando o viu adentrar o campo pela primeira vez. Era o penúltimo jogador do time e atrás dele, veio um rapaz extremamente parecido com ele. Quem seria ele? Yoohwan nunca o havia mencionado antes, não com uma descrição que combinasse com as feições do sorridente rapaz. Talvez aquele jogador em específico não fosse tão amigo assim de seu irmão.

As suspeitas de Yoochun foram logo sanadas quando o rapaz que ele observava chocou as mãos com seu irmão em um cumprimento cordial e deixou alguns tapinhas em suas costas. Eles se conheciam, e conversavam enquanto faziam alongamentos. Yoochun tomou um longo gole de sua cerveja, com seus olhos ainda vidrados no belo colega de seu irmão. Ele demorou-se a reagir novamente, constrangido por fitar tão obsessivamente os trejeitos do rapaz.

Ele se sentou enquanto seu olhar se mantinha fixado no jogador que se alongava apoiado em seu irmão. Ele era angelical, e de longe parecia tão inocente. Ele tinha um sorriso grande, animado e seus dentes eram perfeitamente alinhados um ao lado do outro. Seu cabelo formava um penteado moderno e repicado e ele tinha olhos grandes, proporcionais ao seu rosto magro. Ele era lindo.

Yoochun manteve seu olhar fixo nele até que o jogo começou. Foi quando ele se obrigou a aplaudir e torcer por seu irmão e pelo time da faculdade. Afinal, era por isso que ele estava ali, certo? Yoochun tornou a beber, desta vez um gole maior, enquanto seus olhos procuravam aquele que se movia com graciosidade pelo campo. O rapaz era ágil e era bom no que fazia, fez passes bem feitos e dois deles geraram gols. O terceiro foi feito por Yoohwan, que foi devidamente aplaudido por seu irmão mais velho.

O jogo não fora dos mais emocionantes ou difíceis, mas o time da faculdade de Yoochun ganhou, por isso ele saiu de lá satisfeito. Ele estava feliz, mas seus colegas estavam eufóricos e saíram de lá aos berros em direção ao hotel, o que o fez decidir que não ficaria lá aquela tarde. Ele comprou um pacote de amendoim doce e esperou seu irmão na saída do estádio. Ele tentava focar sua mente no jogo e em como estava feliz por seu irmão, mas aquele rapaz não saía de sua mente.

Ele não entendia os motivos de prestar tanta atenção nele. Não é como se ele tivesse algum interesse no jogador. Yoochun ainda pensava no rapaz quando ouviu a risada de seu irmão e o burburinho do time se aproximando. Ele então ergueu o olhar e se deparou com Yoohwan, lado a lado com o jogador que chamou a atenção, assim como o outro, extremamente parecido com ele. Yoochun, que antes estava recostado à parede se ergueu e os reverenciou polidamente.

Ele era ainda mais bonito de perto. Sua voz rouca descrevia animada como ele fizera em um passe especialmente difícil para outro de seus colegas, no qual Yoochun não tinha o menor interesse. O rapaz estava eufórico com a vitória, tanto quanto seus colegas do time. Quando seus olhares se encontraram, o rapaz parou de falar, mas abriu um sorriso largo e simpático que deixou Yoochun estático. Ele era lindo.

– Esse é o meu irmão, Park Yoochun. – Apresentou Yoohwan, atento a repentina timidez de seu irmão.

– E você é? – Indagou Yoochun sem perceber o quão arrogante soava.

– Kim Junsu. – Disse o rapaz, diminuindo o sorriso. – Eu jogo no mesmo time que o seu irmão.

– Eu notei. – Respondeu Yoochun, recebendo um olhar curioso do rapaz. – Vocês jogaram bem.

– A gente tá sabendo! – Brincou Yoohwan, fazendo Junsu sorrir mais abertamente. – E aí, vai voltar pro hotel?

– Tava pensando em dar uma volta, não quero entrar no burburinho. – Reclamou Yoochun.

– O Junho e o Yoohwan estão querendo ir para aquele bar atrás do complexo. – Disse Junsu fazendo uma careta.

– Quem é Junho?

– Meu irmão gêmeo! – Disse o rapaz de voz rouca, apontando para a direita de Yoochun. – Aquele ali!

– Vocês são gêmeos? – Indagou Yoochun, sem esconder sua surpresa. – Legal!

– E aí, quer ir para o bar com a gente? – Indagou Yoohwan. – O Junho vai chamar umas gatinhas.

– Ah, pode ser! – Disse Yoochun dando de ombros.

– Eu vou para o meu quarto. – Concluiu Junsu. – Estou cansado.

– Oras, vai me fazer essa desfeita? – Reclamou Yoochun. – Só porque eu sou nerd e não faço parte do time?

– Olha só, o terror das menininhas quer a minha companhia, mas que honra! – Riu-se Junsu.

– Não sei de onde você tirou isso. – Reclamou Yoochun.

– Qual é, todo mundo sabe que você pega geral! – Afirmou Yoohwan acenando para o irmão de Junsu. – E deixa o Su-hyung, ele não bebe.

– Não? – Indagou Yoochun, sem perceber seu irmão se afastando. – Por que?

– Não gosto. – Disse Junsu, dando de ombros. – E o que eu vou fazer no bar, se eu não bebo?

– Ah, você pode comer aperitivos e paquerar umas menininhas. Ou disso você também não gosta?

– Que tipo de aperitivos? – Indagou Junsu, cruzando os braços em frente ao peito e se recostando ao muro.

– Batata frita, bolinho, amendoim, tem muitas opções.

–  Ah, é mesmo? E o que mais vocês fazem no bar?

– Além de beber e paquerar? Ah, dá pra jogar sinuca também, você gosta?

– Mais ou menos. – Disse Junsu, fazendo outra careta.

– Você não gosta de muita coisa né?

– Me chamou de chato?

– Você é um pouquinho. – Afirmou Yoochun fazendo o rapaz rir.

– E eu não sei o que essas meninas veem em você. – Afirmou Junsu desviando o olhar para duas delas que obviamente falavam deles, apontando sem discrição alguma.

– Nem eu. – Confessou Micky, sorrindo satisfeito ao ouvir novamente a risada do rapaz.

Era uma risada deliciosa. Rouca, mas fina, até mesmo um tanto escandalosa. Yoochun adorou a risada dele, que não parecia maliciosa ou falsa, nem mesmo diante de comentários ácidos. O irmão de Junsu chamou os dois para que os acompanhassem ao bar estranhando quando seu irmão decidiu acompanha-los. Ele nunca frequentava bares, tampouco se importava com garotas.

Bar não era um ambiente que Junsu normalmente se sentiria confortável e nem ele, nem seu irmão entendiam seus motivos de acompanha-los, mas algo o compelia a ir. Talvez fosse o olhar vidrado de Park Yoochun que tentava com esforço disfarçar, mas deixava olhares escaparem detalhistas e analistas. Era estranho ter aquele rapaz olhando para ele daquela forma, mas ao mesmo tempo interessante a sua maneira.

Yoochun estava fascinado com tamanha inocência em uma pessoa adulta. Pelo menos era essa a primeira impressão que ele tivera do rapaz. Uma inocência latente e visível até mesmo em seu sorriso e em seu olhar. Não que ele parecesse bobo, ou fora da realidade, Junsu certamente a conhecia, mas renegava os preceitos sociais de acordo com suas vontades. Era assim que ele mantinha sua pureza.

Yoohwan os apressou quando um grupo de meninas se uniu a eles, mas a atenção de Yoochun não recaiu sobre nenhuma delas, se mantinha presa ao rapaz ao seu lado. Junsu sequer as observava enquanto caminhava. Seu olhar recaía sobre a paisagem por onde eles andavam. Yoochun estranhou quando o rapaz saiu correndo, mas o compreendeu quando ele voltou com um pequeno pacote de pipoca nas mãos.

– Que curso você faz? – Indagou Yoochun repentinamente, assim que o rapaz se posicionou novamente ao seu lado.

– Moda, oppa! – Respondeu a menina do lado oposto de Yoochun o surpreendendo. – Ah, pipoca!!

– Que bom. – Respondeu Yoochun. – E você, Junsu?

– Eu? – Indagou Junsu, parecendo descontente de ter que dividir seu quitute com a moça. – Eu faço engenharia civil, e você?

– Ciências contábeis. – Explicou Yoochun esperando a moça sair do meio dos dois antes de voltar a falar. – Achei que você fizesse educação física.

– Por que? – Sorriu-lhe Junsu.

– Você tem um bom porte físico.

– Até aí, você também tem. – Afirmou Junsu. – Faz atividade física?

– Só academia, e você? Além de jogar futebol?

– Faço academia também, você usa a da faculdade? Eu nunca te vi lá!

– Aqueles aparelhos não são só para o pessoal da educação física?

– Claro que não! Se você tem acesso a biblioteca, tem acesso a academia também! – Explicou Junsu. – E é de graça.

– Eu não sabia disso. – Disse Yoochun, pensativo. – E tem instrutor lá também?

– Ah, as vezes. – Afirmou Junsu. – Mas tem umas meninas bonitas, pra você que…

– Pra mim que…

– O Yoohwan disse que vocês criam um cachorro grande, não é? – Interrompeu Junsu.

– Sim! É um Malamute do Alaska, uma raça americana. – Explicou Yoochun, sem perceber a repentina mudança de assunto. – Ele é incrível, é quase do meu tamanho e tem pelo longo.

– Eu também tenho um cachorro. O nome dele é Shaki. Ele é grande, branco e tem muito pelo.

– É mesmo? – Disse Yoochun, deixando escapar um sorriso ao rapaz.

– Sim, ele é um cachorro lindo e muito brincalhão. Ele costuma dormir no meu quarto, do lado da minha cama.

– Eu queria que o Harang dormisse no meu quarto também, mas eu tenho alergia ao pelo dele. – Explicou Yoochun. – Acho que ele não se importa em dormir na sala.

– Ele tem uma cama própria? O Shaki tem, e lá dentro ficam todos os brinquedos dele.

– Tem, mas não sei se posso chamar aquilo de cama, é mais uma caixa de plástico com uma almofada cheia de pelos dentro.

– Pra ele deve ser confortável e quentinho né?

– Eu espero que sim! – Riu-se Yoochun, vendo seu irmão adentrar um estabelecimento que começava a ficar cheio. – É aqui?

– Deve ser. – Disse Junsu, parando de caminhar, com uma feição descontente. – Não parece ser muito ventilado aí dentro né?

– Mas tem batata frita. – Afirmou Yoochun.

– Espero que tenha queijo em cima. – Disse Junsu, adentrando o local, sendo seguido por Yoochun.

– Eu também. Adoro batata frita com queijo! – Afirmou Yoochun seguindo atrás do rapaz, desviando da grande quantidade de mesas.

Junsu sorriu de canto com o rapaz concordando tão rapidamente com sua opinião. Era estranho, mas Yoochun não parecia estar se esforçando para se aproximar de nenhuma das moças ali presente, tampouco causar-lhes boa impressão, mas parecia querer a sua maneira impressionar Junsu. Talvez fosse aquela homossexualidade escondida que todos nós temos como explica a psicanalise.

Yoochun se acomodou ao lado de seu irmão e uma das moças rapidamente sentou-se ao seu lado. Junsu prontamente se sentou de frente para ele, ainda deixando seu olhar percorrer por toda a decoração do bar, com seu mesmo olhar de curiosidade. Ele terminou seu pacote de pipocas e deixou a embalagem vazia sobre a mesa, finalmente voltando seu olhar para Yoochun que ainda o observava.

– Junsu-oppa? Você tem namorada? – Indagou a moça que se acomodou ao seu lado, entre ele e seu irmão gêmeo.

– Na verdade não. – Disse Junsu, corando. – Você quer pedir a batata agora? Quer dividir?

– Pode ser. Hey, Yoohwan, passe o cardápio para nós!

– Ah, nós vamos dividir batatinhas? – Indagou a moça ao lado de Yoochun.

– Eu e o Junsu vamos, se quiserem podem pedir pra vocês. – Afirmou Yoochun, ainda arrogante.

– Aliás, qual é mesmo o nome de vocês duas?

– Eu sou Sora e ela é a Hyorin. – Afirmou a moça ao lado de Junsu. – E por que nós quatro não dividimos uma batata frita bem grande e uma cervejinha?

– Eu não bebo, na verdade. – Disse Junsu, desconcertado. – Mas vocês podem ficar a vontade?

– Nem uma cervejinha? – Disse a moça ao lado de Yoochun com ar debochado. – Por que você não bebe? É um padre por acaso?

– Não, na verdade não.

– O que você veio fazer no bar se não beber? – Indagou Sora. – Está interessado em alguma de nós já?

– Não, também não. – Disse Junsu.

– Ele veio porque eu insisti. – Interrompeu Yoochun. – Você gosta de chá gelado, Junsu?

– Gosto, por que?

– Tem alguns aqui, dá uma olhada!

Junsu agradeceu quando pegou cardápio e Yoochun observou o sorriso brincar timidamente em seus lábios. Seus olhos recaíram sobre o papel plastificado, se atentando ao final dele com as bebidas não alcoólicas. Yoochun não tirava seus olhos do rapaz, e mesmo a bela moça ao seu lado reparou na grande diferença. Ao perceber o olhar da mesma sobre si, Yoochun disfarçou e sorriu discreto a ela, demonstrando alguma simpatia.

Junsu não fazia tanta questão, nem mesmo quando Sora aproximou o rosto do seu para ler o que ele lia. Ele sequer se moveu para fita-la ou falar com ela, e quando dirigiu a palavra, o fez diretamente para Yoochun. Claro que ela não gostou nem um pouco, mas a frieza do rapaz não era nada surpreendente. Ela conhecia Junsu de vista, e nunca o vira ser particularmente simpático com mulher nenhuma.

– O que é cranbêri?

– É cranberry. – Corrigiu Yoochun, sorrindo a ele. – É uma fruta bem gostosa.

– É mesmo? Tem chá disso aqui.

– Por que você não experimenta?

– Pode ser. – Afirmou Junsu, finalmente retribuindo o sorriso e repassando o cardápio a moça ao seu lado para que ela despendurasse de seu ombro.

– Vocês já escolheram? Eu tô afim de uma cerveja! – Afirmou a moça deitada no ombro de Yoohwan.

– Eu vou acompanhar o Junsu no chá de cranberry. – Anunciou Yoochun. – Depois eu peço um drink.

Junsu sorriu a ele e ambos saborearam a mesma bebida gelada, que apesar de não ter álcool era deliciosa. Quase tão deliciosa quanto a risada do rapaz, que ecoava a cada piada nova que seu irmão gêmeo fazia. Yoochun e Junsu dividiram uma grande porção de batatas fritas com queijo, comentando um com o outro a grande lista de coisas que eles gostavam de comer, entre doces e salgados.

Em certo momento, Yoochun pediu licença ao rapaz com quem conversava e se dirigiu ao banheiro. Na volta, ele encontrou com Hyorin que o puxou para um canto escuro do local e atacou seus lábios. Ele não poderia afasta-la, afinal que desculpa daria ao seu irmão? Ela era linda, tinha um corpo escultural, e era interessante e divertida. Aliás, por que mesmo ele não a desejava?

Yoochun se permitiu beija-la pela meia-hora seguinte, alheio a reação de Junsu com sua demora. Assim que viu sua amiga avançar sobre o rapaz, Sora deixou claras suas intenções com Junsu e o rapaz fugiu como se ela tivesse uma espécie de doença contagiosa. Sorte a dele Hyukjae e Donghae terem entrado para comprar água e ele poder segui-los para a saída. Nenhum deles voltaria a conversar com ele aquele dia.

Passado meia hora de beijos com carícias discretas, pois Yoochun não queria chamar a atenção, eles voltaram para a mesa. Qual não foi o desapontamento de Micky ao ver que Junsu havia partido e ele não mais desfrutaria de sua risada deliciosa e seu jeito cativante. Sora estava agora recostada ao balcão escrevendo seu telefone em um guardanapo a fim de entrega-lo a um dos garçons do local.

– Onde foi o Junsu? – Indagou Yoochun.

– Ele saiu com os amiguinhos dele. – Disse uma das meninas, visivelmente alcoolizada. – Deu um fora na Sora, aquele cego!

– Sério? – Disse Hyorin escandalizada. – Não sabe o que está perdendo.

– O meu irmão é tímido. – Justificou Junho. – E meio romântico, eu diria.

– Que pena que ele foi embora. – Constatou Yoochun, chamando a atenção de todos. – É que nós estávamos conversando… por que estão me olhando?

– Você mata a saudade dele amanhã. – Disse Yoohwan, fazendo os outros rirem.

– Na real, eu vou voltar pro hotel. Já deu de bar para mim hoje. – Avisou Yoochun.

– Tá com tanta saudade assim, hyung?

– Começa de baixaria e você dorme pra fora do quarto hoje! – Ameaçou Yoochun.

– Mas nós estávamos nos divertindo. – Reclamou Hyorin.

– Vamos nos divertir mais amanhã. – Prometeu Yoochun sem a real intenção de cumprir. – Até mais.

Antes que eles pudessem argumentar, Yoochun deixou o local a passos largos. Não que ele não quisesse ficar com a moça, ou que ela não fosse bonita, afinal ela era, mas sua conversa com Junsu estava muito mais atrativa. Ele era mais interessante do que ela, certamente. Por que aliás, ele não teria ficado e desfrutado da moça ao seu lado? Com certeza ela era tão bela quanto Hyorin. Romantismo não justificava sua fuga.

Yoochun riu-se ao pensar na saída do rapaz como uma fuga. Afinal, ele não estava mesmo fugindo dela, apenas arrumou algo mais emocionante para fazer. O que deveria ser tão interessante para ele ir tão repentinamente embora? E afinal, por que ele não parava de pensar naquele rapaz e se sentia tão mal pelo mesmo não ter se despedido antes de sair?

Yoochun passou pela recepção do hotel e pediu a eles que levassem um chá para ele em seu quarto e alguns biscoitos, pois ele não sairia de lá. A maioria de seus colegas não utilizavam o serviço de quarto, mas ele era mimado e gostava de algum conforto. Junsu tinha um jeito mimado também, talvez um pouco mais frescalhão do que ele, cheio de seus ‘não me toques’.

Yoochun sabia que a essa hora seus colegas estariam na festa, mas ele deixaria para aproveita-la no último dia. Naquele dia, ele desejava algum silencio, e um delicioso chá de camomila com algumas gotas de limão siciliano. Yoochun jogou-se na cama e ligou a TV em um canal de música que passava uma seleção de clipes românticos e bobos. Ele nunca fora adepto a esse tipo de musica, sempre preferia as mais agitadas, mas para aquela noite algumas baladinhas pareceram uma boa pedida.

Yoochun recebeu seu chá no quarto e se recostou à janela para saboreá-lo. Ele conhecia uma cafeteria em Seul que fazia um chá mais saboroso do que aquele, mas ele não estava particularmente exigente naquela noite, afinal, havia se contentado com alguns beijos de uma garota mediana. Certamente o ponto alto de seu dia fora conhecer Junsu, afinal ele era diferente de qualquer um que ele já tinha conhecido, mesmo sua beleza era fora dos padrões.

Aquilo estava passando dos limites, e ele decidira voltar sua atenção a TV e não pensar mais no rapaz, quando o viu pela janela. Haviam dois rapazes com ele, que ele presumia serem seus amigos dos quais ele não sabia o nome. Ele parecia ainda mais bonito a noite, e se Yoochun ficasse em silencio, conseguiria ouvir sua voz rouca, contando uma piada da qual seus amigos riam.

Na televisão a voz afinada de Bon Jovi cantava I’ll be there for you. Junsu se aproximou da entrada do hotel, alheio ao olhar fixo que o acompanhava. Seu andar, seu sorriso, seus cabelos finos que se moviam de acordo com o vento. Junsu era como um anjo caminhando entre pecadores e…

“When you breath, I wanna be the air for you…”

Yoochun encurvou o corpo janela afora, para acompanhar por mais alguns segundos o rapaz que logo desapareceu hotel adentro com seus amigos, deixando o rapaz com uma vontade insana e incontrolável de correr para a entrada do hotel e olhar para ele mais uma vez. Apenas olhar.

“And baby, you know my hands are dirty. But I want to be your valentine…”

Yoochun estava prestes a correr para a porta quando esta se abriu repentinamente, revelando seu irmão mais novo. Ele sequer vira Yoohwan entrar no hotel, pois seu olhar aficionado apenas captou Junsu em direção ao hotel. Yoochun suspirou pesadamente e bebericou seu chá agora morno enquanto seu irmão sorria e deixava os sapatos ao lado da cama.

– Você foi embora correndo, deu dor de barriga?

– Não, só não estava afim de ficar muito tempo com aquela lá. – Afirmou Yoochun. – Ela parece meio grudenta.

– Faz sentido. – Concordou o mais novo. – Por que está assistindo esse programa brega?

– Sei lá. – Mentiu Yoochun, sentando-se ao lado de seu irmão.

– Posso te perguntar uma coisa?

– Claro.

– Você acredita em amor a primeira vista? – Disse Yoohwan, o encarando profundamente.

– Ahn? Por que está me perguntando isso? – Disse Yoochun visivelmente incomodado.

– Porque eu acho que vi acontecer hoje.

Yoochun olhou para ele desconfiado e em seguida desviou o olhar para a janela por onde ele olhava. A lua aparecia em um canto, cheia, iluminando prateada toda a bela cidade. E como ele a invejava, pois de sua altura, ela poderia olhar para Junsu. Yoochun piscou algumas vezes e sentiu o nervosismo tomar conta de seu corpo, quando finalmente decidiu mentir para seu irmão com uma única expressão:

– Bullshit.

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