Capítulo 03 – That guy

once in a lifetime 03

Junsu se olhou no espelho pela última vez antes de deixar o quarto. Ele estava usando roupas relativamente simples, mas ainda assim muito bonitas. A camiseta de mangas compridas era de cor escura e ficava relativamente justa em seu corpo esguio, assim como sua jeans que delineava muito bem suas costas curvilíneas. Algumas borrifadas de seu perfume Chanel que ele ganhara quando entrou na faculdade, e ele estava pronto.

Ele não era um grande adepto de festas, não bebia e a música alta incomodava seus ouvidos acostumados a baladas românticas. Junsu adornou seu pescoço com uma corrente e voltou-se para seu irmão que estava trajado com roupas um tanto mais chamativas. Um blazer de cor escura alinhava o corpo de Junho, o deixando esguio e também muito bonito.

Junho também era um rapaz costumeiramente discreto, no entanto, seu irmão sabia que ele procurava uma garota aquela noite. Provavelmente todos os homens daquele lugar buscavam pelo mesmo tipo de companhia, meninas bonitas, fofas, sexys, interessantes, que infestavam as boates com suas pernas a mostra e decotes relativamente avantajados.  Junsu se enojava delas, e aos poucos estava se tornando realmente incômodo o interesse que Micky tinha por elas.

Junsu sentou-se ao seu lado na cama, enquanto o rapaz calçava botas iguais as suas. Ele estava muito bonito aquela noite, mas Su não o elogiaria, seu irmão não gostava que mexessem com seu ego. Junho o observou se aproximar e deitar a cabeça em seus ombros, com ar de desanimo. Ele não tinha certeza porque seu irmão insistia em ir aquela festa, mas não o deixaria sozinho na noite. Finalmente Junsu se levantou e desamarrotou sua camisa com as mãos, olhando inseguro para seu irmão:

– Esta roupa está boa?

– Meio homossexual, eu diria. – Brincou Junho, vendo o outro revirar os olhos. – Está ótimo, Su.

– Não brinca com isso! – Disse Junsu, emburrado. – Nós vamos ser os mais lindos com botas iguais!

– Tem que ter um lado bom de ganharmos roupas iguais, não é? – Disse Junho, sorrindo-lhe.

Junsu sorriu discreto e se levantou para pegar seus pertences espalhados pelo quarto. Sobre a cama, seu celular piscou e vibrou indicando uma nova mensagem e ele puxou o ar pela boca ao ver quem era. Seu rosto corou involuntariamente, o que foi prontamente captado por seu irmão. Sem demora, Junho se levantou e parou atrás de seu irmão, esticando-se sobre seu ombro para ler o que ele recebera.

– Quem é? – Indagou Junho.

– Ah, é o Micky. Ele disse que pegou meu número com o irmão dele e perguntou se eu ia demorar, porque ele guardou uma cadeira na mesa deles pra mim.

– Ah, ele. – Disse Junho com ar sério. – Tá afim desse cara, Su?

– Não, claro que não! – Disse Junsu, incomodado. – Por que?

– Porque parece que está! – Acusou Junho.

– Não seja bobo!!

– Posso ler o que ele escreveu?

– Não, é pessoal!

– Ah, está bem.

Junho fingiu se afastar, mas com agilidade tomou o celular das mãos de seu irmão e correu pelo quarto. Junsu gritou com ele, correu atrás, emburrou-se mas ao final seu irmão se jogou sobre a cama, e leu a mensagem. Junsu se jogou sobre ele e arranhou suas mãos para que ele soltasse o aparelho, sem sucesso.  Junho ficou repentinamente sério e desviou o olhar reprovativo para seu irmão. Junsu se afastou receoso e o fitou, esperando seu comentário que ele sabia que seria ácido. O rapaz devolveu seu celular e suspirou pesadamente antes de questiona-lo:

– Ele te chama de baby?

– Chama sim. – Confessou Junsu. – É o jeito dele.

– Ele nem te conhece, Su, como pode…

– É só o jeitinho dele!

– Tá na hora de levar um papo com esse cara. – Avisou Junho, se levantando e o puxando delicadamente pela mão.

– Por que? – Indagou Junsu, se levantando ao lado do rapaz.

– Porque eu quero. – Afirmou Junho também reunindo seus pertences e seguindo para a saída do quarto. – Não conheço ele e não gosto dele.

– Porque você é implicante!

– E tenho razão na minha implicância!

Junho fechou a porta assim que seu irmão saiu e eles seguiram juntos para a saída do hotel. Junsu estava emburrado e deixara claro com sua feição endurecida e os braços cruzados em frente ao peito. Ele na verdade estava ‘afim’ de Yoochun, ele sabia disso e Junho também. No entanto, nenhum dos dois admitiria em voz alta, pois também não admitiriam que ele não tinha a menor chance.

Yoochun não era o tipo de cara que ligava no dia seguinte, que acordava sorrindo e tampouco que se interessava por outros homens. Não era nem de longe o que Junsu esperava em um namorado, e seu irmão sabia que Yoochun não o merecia. Eles encontraram Hyukjae com Donghae pendurado em seus ombros. Eles também não eram um casal chamativo, na verdade pouquíssimas pessoas conheciam seu relacionamento. Portanto se viam obrigados a aproveitar momentos de calmaria para trocar beijos e carícias.

Eles haviam chamado o taxi que os levaria para o local da festa. Junsu se acomodou ao lado do casal enquanto seu irmão ia na frente, falando ao celular com seus amigos. Su decidiu responder Micky pois ele havia se dado ao trabalho de separar-lhe uma lugar com seus amigos. Ele se distraiu no caminho, pois por mais que digitasse as mensagens, nenhuma parecia boa o suficiente para envia-lo. “Muito obrigado” era frio demais, porém “Como você é gentil, Chunnie” era exagerado demais.

Antes mesmo que ele percebesse, Hyukjae esticou o pescoço para ler o que ele escrevia e riu-se ao ver o nome no topo da mensagem para o qual o rapaz olhava atentamente. Donghae prontamente jogou o corpo sobre o deu seu namorado pois queria ler também e os dois ouviram as reclamações de Junsu por serem tão bisbilhoteiros. Ao se afastarem novamente, Hyuk o indagou, atraindo a atenção de seu irmão gêmeo:

– E aí, quem é o gatinho?

– Que gatinho? Não tem gatinho nenhum, e nem gatão!

– Tem sim!! – Acusou Hyukjae.

– É aquele? Do café da manhã? – Indagou Donghae.

– Qual o nome dele? – Indagou Hyuk.

– Aish, eu não lembro! – Reclamou Donghae. – Qual é o nome dele, Su?

– Eu não vou dizer, porque vocês estão me zoando.

– Park Yoochun. – Disse Junho, vendo pelo retrovisor seu irmão revirar os olhos. – Você tá mesmo afim dele, não tá?

– Pare com isso! – Ralhou Junsu cruzando os braços.

– Você tá afim do Yoochun? – Indagou Donghae. – Su, ele é hétero!

– Eu não tô afim dele! – Mentiu Junsu. – E eu sei o que ele é, e eu respeito isso.

– Sabe? – Disse Junho. – Então me fala, o que ele é?

– Heterossexual. – Respondeu-lhe Junsu.

– Que mais? O que ele quer de você? Quem é esse cara, Su?

– Por que você não vai e pergunta pra ele? – Reclamou Junsu. – Vocês estão implicantes hoje!

– Ah, eu vou. – Ameaçou Junho. – Não se preocupe com isso, porque eu vou.

Junsu cruzou os braços emburrado e recebeu em troca um abraço de Hyukjae, que sorria-lhe carinhoso. Donghae não deixou aquele abraço durar muito o que arrancou risadas dos quatro. Hyuk sabia o quão incomodado seu amigo ficava com determinados assuntos, por isso não o incomodaria mais a fim de não estragar sua a noite. Ele estava satisfeito com sua companhia, por mais que acreditasse que já passava da hora dele arrumar um namorado.

Junsu acabou deixando o exagero tomar conta de si e disse que Micky era gentil e amável na mensagem que não deixou seus amigos lerem. Ele não veria o sorriso que adornou o rosto do rapaz quando leu seu agradecimento. Eles não demoraram a chegar ao local que não tinha mais fila devido ao horário avançado. O lugar estava lotado, e Junho ficou feliz por ser do time e ter um passe para a área vip.

Eles seguiram para o andar superior devidamente mais vazio e com algumas mesas espalhadas. Yoohwan foi o primeiro a visualiza-los ainda ao pé da escada. Ele se levantou e acenou-lhes, avisando ao grupo com que estava que os quatro rapazes haviam chegado. Junsu soube que ele os havia avisado de sua presença quando Yoochun voltou-se a eles, e sorriu assim que seu olhar encontrou o dele.

Junsu estava lindo naqueles trajes, apesar de serem simples. Eles se aproximaram, sem pressa, ouvindo saudações dos outros jogadores do time e de suas companhias. Micky se permitiu observar o rapaz sem pudores, e o viu sorrir quando chegou mais perto. Junsu o reverenciou e o viu retirar sua jaqueta que estava dobrada na cadeira ao seu lado reservando-a especialmente para ele. Micky o esperou se sentar, para só então se acomodar ao seu lado, sob o olhar curioso da moça a sua frente com quem ele flertava antes do outro chegar.

Hyukjae e Donghae, assim como Junho tomaram lugares ao lado da moça, na tentativa de observar a interação de Junsu com Yoochun, uma vez que eles eram o assunto durante a vinda até a boate. O grupo recém chegado foi devidamente apresentado para as moças na mesa, e algumas delas já eram conhecidas, como Hyorin que lançava olhares sedutores nas poucas vezes que Yoochun se manifestava.

– Vocês demoraram! – Reclamou Yoohwan. – Achei que nem viessem mais!

– Os super gêmeos demoraram a se arrumar! – Reclamou Donghae.

– E por isso mesmo eu tô mais bonito que você! – Brincou Junho.

Yoochun riu, mas discordou do rapaz. Junsu era o mais bonito daquela mesa, talvez até mesmo de toda a boate. Ele não faria essa constatação verbalmente, mas sabia que seu olhar o entregava de alguma forma. Yoohwan o olhava de longe, um tanto reprovador. Enquanto o grupo entrava em uma conversa nada produtiva sobre seu visual e seu atraso, Junsu decidiu se dirigir aquele que o olhava tão fixamente. Ele passou seu braço no encosto da cadeira do outro e aproximou-se dele.

– Nós demoramos porque o meu irmãozinho ali resolveu implicar com a sua mensagem.

– A minha? – Disse Yoochun olhando discretamente para Junho. – Eu já saquei que ele não vai com a minha cara.

– Ele é bobo. – Defendeu Junsu, deixando um sorriso brincar em seus lábios. – Obrigado por guardar o meu lugar.

– Eu também vi uns coquetéis sem álcool lá no bar. Até pensei em pedir um para você, mas fiquei com medo de você demorar e o gelo derreter.

– Vamos pegar um agora?

– Claro!

Os dois se levantaram e sem dar satisfações deixaram a mesa lado a lado. Junho não gostara nem um pouco daquilo, mas sabia que pareceria paranoico se seguisse seu irmão pela boate. Hyukjae e Donghae se entreolharam quando viram ao longe, Yoochun escorregar a mão pelas costas do rapaz, em uma carícia discreta apenas observada por eles e sentida com um arrepio por Junsu.

O bar ficava no andar de baixo, por isso eles precisaram de alguns minutos entre a multidão para chegar ali. Micky pediu para que o rapaz o esperasse em um canto e se enfiou em meio a multidão para pegar os drinks. Por alguns instantes, Junsu achou que aquela fosse sua maneira de se livrar dele, mas Yoochun não demorou nada a voltar com dois drinks cor de rosa em taças transparentes.

Junsu sorriu quando o rapaz entregou-lhe a taça, repetindo que naquela não havia álcool e na sua havia. Era um coquetel de cereja, deliciosamente adocicado. Junsu aprovou de primeira a bebida, apesar de desanimar-se em ter que atravessar aquele salão novamente para chegar ao local em que estavam antes acomodados. Yoochun recostou-se a uma parede ao lado do rapaz, um tanto próximo do banheiro e que por isso mesmo estava vazio.

– Está uma delícia, Chunnie!

– Eu sabia que você ia gostar, baby, mas essa bebida fica melhor gelada! – Afirmou Yoochun.

– Posso te confessar uma coisa?

Yoochun assentiu, sorrindo discreto ao ver o rapaz se aproximar e colar seu braço ao dele.

– Tem um lado bom em ser gay.

– E qual é?

– Eu posso dizer que você está muito bonito esta noite, e não preciso me preocupar em não parecer gay. – Disse Junsu, vendo o outro rir discreto. – Você está muito bonito esta noite.

– Então eu devo ter um problema, porque eu sou hétero, mas quero retribuir o elogio de uma forma sincera. Como eu faço isso sem parecer gay?

– Tente ser sincero.

– Está bem. Esta noite você está… lindo. Não, espera, lindo não, lindo é pouco.

– Hey, não precisa exagerar! – Disse Junsu entre risos.

– Espera, eu vou encontrar a palavra certa! – Disse Yoochun, ficando de frente para o rapaz e o fitando demoradamente. – Você está… deslumbrante. Acho que essa é a palavra.

– Melhor você não sair espalhando a sua opinião por aí, ou vão mesmo dizer que você é gay. – Junsu mudou de assunto, e a luz do local não permitia o rapaz a sua frente ver o quão ruborizado ele estava.

– Você sabe guardar segredos. – Afirmou Yoochun, o vendo sorrir sem jeito. – Hey, baby, eu preciso te devolver para o seu gêmeo, senão ele vai implicar ainda mais comigo, você não acha?

– Talvez.

– Você quer me contar por que ele implica comigo?

Junsu negou com a cabeça voltando a beber de sua taça.

– Está bem, quando quiser me contar, eu vou estar esperando.

Junsu sorriu e meneou a cabeça afirmativamente. Yoochun puxou-o pela mão e eles adentraram mais uma vez a multidão para seguir em direção a onde antes estavam reunidos. Micky o apoiou pela cintura ao subir a escada pois não queria se perder do rapaz, no entanto não deixou de perceber como seu corpo era firme e esguio. Ao chegarem ao andar superior, Junsu repentinamente parou de caminhar.

O DJ havia escolhido uma versão remix de Larger Than Life dos Backstreet Boys e Junsu imediatamente a reconheceu. Yoochun levou alguns instantes para perceber porque o rapaz havia parado de caminhar, mas logo a música foi captada por ele. Junsu sorriu divertido puxando pela o rapaz que negava veementemente qualquer que fosse sua ideia em relação a música.

– Vamos, a gente tem que dançar!! É o seu grupo favorito!

– Su, eu não vou dançar, eu nem sei dançar!

– Sabe sim, aposto que você treinava na frente do espelho. – Acusou Junsu, parando em um canto da pista de dança e o puxando para que se aproximasse. – Vem, me ensina!

Yoochun riu, ainda envergonhado de sua situação. Ele adorava aquela música e Junsu se movendo a sua frente o contagiou. Ele não imitou a coreografia toda, mas se lembrava de alguns passos, improvisava outros e ria-se de Junsu o imitando. Yoochun ainda se lembrava da letra toda, enquanto Junsu cantava partes soltas com seu inglês falho, o que os fazia rirem juntos ainda mais.

Quando a música acabou, Junsu caiu na risada e o abraçou pelo pescoço. Yoochun surpreendeu-se com o ato, mas não deixou de envolve-lo com firmeza pela cintura e até mesmo tira-lo do chão rapidamente. O abraço não durou mais do que alguns segundos, mas foi o suficiente para o cheiro do rapaz permanecer em suas narinas, assim como a sensação de seus cabelos finos roçando em seu rosto.

Junsu agarrou-se em se braço enquanto eles caminhavam em direção à mesa. Os dois ainda riam do momento anterior e dos segredos que compartilhavam. Antes de se sentar, Yoochun confidenciou ao rapaz que havia gostado de seu perfume, o que deixou o orgulhoso. Junsu somente soltou seu braço quando chegaram a mesa. Eles terminaram seus drinks ainda conversando um com o outro ignorando os olhares sobre eles.

– Onde vocês foram? – Indagou Junho, após cansar de observar aqueles dois.

– Comprar uma bebida. – Contou-lhe Junsu. – Mas nos distraímos no caminho.

– E tem outras distrações fora da nossa mesa? – Indagou a moça com quem Yoochun flertava antes.

– O Micky me indicou uma bebida deliciosa de cereja! – Elogiou Junsu.

– Nossa, ele é incrível, não é mesmo? – Ironizou Junho.

– Pare com isso! – Ralhou Junsu.

– Indica uma pra mim também, Micky-oppa! – Pediu Hyorin.

– Eu não sei do que você gosta, mas eles têm uma grande variedade. – Explicou Yoochun, arrancando um sorriso da moça na qual ele não tinha o menor interesse.

– Eu gostei dessa. – Disse Junsu, sorrindo discreto para o rapaz ao seu lado.

– Eu também. – Respondeu Yoochun com ares de cumplicidade.

Yoochun acariciou discretamente a mão do rapaz por baixo da mesa. Ele estava tão feliz em tê-lo ao seu lado, que apesar de tentar disfarçar, seus olhares acabavam recaindo sobre ele. Ao longe ele viu um casal abraçado e por alguns instantes teve ímpetos de abraçar o rapaz ao seu lado. No entanto, ele queria um abraço mais duradouro, mais carinhoso, mais amoroso. Queria sentir por mais tempo os cabelos finos do rapaz roçarem em seu rosto e seus braços firmes penderem contra seus ombros.

Junsu percebeu que ele o olhava daquela maneira novamente. Como se o desejasse. Como se seus olhos fossem capazes de ultrapassar aqueles tecidos e arrancar arrepios de sua pele. Era tão intimo que constrangia Junsu, o deixando corado. Poucos entenderiam aquelas sensações e ele não tinha certeza se o rapaz tinha conhecimento de suas ações ou se o fazia com naturalidade. Mal sabia Junsu o quanto o outro gostava de vê-lo corado.

A noite avançou, rápida e fria do lado de fora enquanto o grupo se divertia regado a álcool e música alta. Junsu prometeu não ficar muito tempo, mas Yoochun o distraía, o inebriava com seu charme, mais parecendo um galã das novelas que sua mãe acompanhava. Uma pena que qualquer uma com um belo par de seios tivesse mais chance do que ele, qualquer uma naquela mesa tinha mais chance do que ele.

Junsu estava perdido em seus pensamentos quando Yoochun o avisou que iria ao banheiro. Ele sorriu ao rapaz que acariciou seu ombro discretamente antes de deixar a mesa e seguir ao banheiro em péssimas condições, mas vazio. Nenhum dos integrantes a mesa percebeu quando Junho seguiu-o. Ele não estava gostando daquilo, daquela química, daquele clima, daqueles olhares.

Yoochun se afastou do urinol o mais rápido que conseguiu, pois aquele cheiro o nauseava e ele já sentia falta do aroma delicioso que Junsu usava aquela noite. Enquanto lavava a mão na pia, Yoochun viu através do espelho um rapaz entrar, e por alguns instantes ele o confundiu com Junsu. Um frio delicioso instalou-se na sua barriga ao se pensar sozinho com Junsu em um banheiro escuro, mas as coisas mudaram a medida que ele se aproximou.

Não era Junsu, era Junho, com cara de poucos amigos. O rapaz parou ao seu lado o fitando demoradamente pelo espelho, e Yoochun fez questão de encarar o implicante de volta. Junho suspirou pesadamente, no entanto aquele banheiro parecia o pior lugar para conversar com o rapaz. O irmão de Junsu fez um sinal pra que eles saíssem dali e sem questiona-lo, Yoochun o seguiu. Ambos atravessaram sérios e silenciosos toda a boate, até a saída para a área de fumantes do lado de fora.

Yoochun recostou-se a parede, sentindo o frio da madrugada arrepiar sua pele enquanto fitava o rapaz ao seu lado. Tão belo quanto seu irmão, mas sem nem metade de sua graciosidade. Junho o analisava, buscava insegurança em seu olhar e de alguma forma ódio e repulsa. Apenas encontrava o véu misterioso que Yoochun mantinha sobre sua faceta, impenetrável, tornando impossível lê-lo com facilidade.

– Qual é a sua? – Indagou Junho, quando finalmente foram deixados sozinhos.

– A minha?

– Você é uma bicha enrustida ou o que?

– Você tá bêbado? – Indagou Yoochun.

– Não vai assumir que está afim do Su?

– De repente porque eu não estou afim dele. – Disse Yoochun cruzando os braços.

– Eu te saquei, Park Yoochun. Você conhece o Junsu é um cara legal, gentil, adorável e seria prepotência minha falar que ele é bonito, já que ele é a minha cara. E no dia seguinte, convenientemente, você descobre que ele não é o tipo de cara que ficaria feliz em ter uma mulher nua de pernas abertas em cima da cama. Aí vocês se aproximam e em questão de poucas horas parecem que se conhecem há anos, e o que vem depois? Qual o próximo passo, Yoochun? Embebedar ele?

– Por que eu faria isso?

– Me diz você. – Junho cruzou os braços em frente ao peito.  – O que você quer dele?

– Eu não posso ser amigo do seu irmão? Ele é sua propriedade?

– Você já viu quantos amigos o Su tem? Você não é exclusivo, nem é o primeiro, mas é o único que chama ele por apelidinhos e paga a bebida dele.

– Eu… não… eu… você está errado, Junho, não é o que você está pensando!

– Não é? Eu acho muito bom que não seja, porque eu tenho uma novidade pra você, meu irmão não é para o seu bico. Ele não é como essas vadias que você come por aí e eu vou garantir que ele não seja tratado como uma.

– O Junsu…

– Não é homem pra você. Tá enjoado dessas vagabundas? Quer tentar algo novo? Resolveu assumir que você gosta de outra coisa? Eu não quero nem saber, mas você não vai usar meu irmão. Sendo um pouco mais específico, você não vai encostar nele. Eu me fiz claro?

– Fuck you! Ele não é sua propriedade!

“Achei vocês!”

Quando ambos estavam prestes a se alterar, Junsu apareceu no local, sorrindo para os dois. Por alguns instantes ele ficou feliz com a premissa de uma amizade entre seu irmão e seu… Yoochun. Os dois se entreolharam com ar sério quando Junsu se aproximou contando animado como havia mentido para o barman dizendo que não podia tomar álcool, pois iria dirigir aquela noite.

Yoochun queria dizer boas verdades para Junho, esfregar em seu rosto como ele não estava errado e como queria apenas o melhor para Junsu. No entanto, aquilo seria impossível sem que Junsu começasse a achar que ele era o novo implicante. Em partes ele sabia que o rapaz tinha razão em defendê-lo, uma vez que aquela inocência aparente poderia ser facilmente inebriada por palavras bonitas.

– Tudo bem por aqui?

– Tudo, Su. – Disse Junho. – Mas já está na hora de voltarmos para o hotel, você não acha?

– Está sim. – Concordou Junsu, sorrindo sem jeito, antes de pedir. – Eu só queria ficar um pouquinho aqui fora com o Chunnie antes de ir embora e jogar ele de novo na cova das leoas.

– Não demore, então. – Disse Junho, deixando tapinhas no ombro de seu irmão. – E eu espero que as leoas arranquem o seu braço fora. Boa noite, Yoochun.

– Kiss my ass.

– O que você disse? – Indagou Junsu.

– Eu desejei boa noite. – Mentiu Yoochun.

– Eu sei que não foi isso. – Sorriu-lhe Junsu, se recostando ao lado do rapaz, onde antes estava seu irmão. – O Jun veio implicar com você?

– Só um pouquinho. – Disse Yoochun, sorrindo discreto. – Tudo bem, no lugar dele acho que eu faria o mesmo.

– Você se divertiu essa noite?

– Muito, Su, e olha que eu nem bebi tanto. – Afirmou Yoochun. – Você tem mesmo que ir?

– Tem jogo amanhã. – Justificou-se Junsu. – E eu nem gosto de baladas.

– Eu sei, você é um chato! – Brincou Yoochun, mas parando de rir ao ver que o outro não achou graça. – Hey, eu estou brincando, baby!

– Você é bobo!

– Manhoso…

Junsu chegou a rir sem jeito, mas logo puxou o ar assustado quando as mãos do outro sorrateiramente foram se apossando de sua cintura. Ele estava finalmente ganhando território e suas mãos agora se apoiavam na cintura do outro o pressionando. Junsu poderia tê-lo afastado, talvez fosse até mesmo sua obrigação afasta-lo, mas era bom demais ter outro homem o abraçando daquela maneira. Logo o mais atraente que ele conhecia.

Junsu deu um passo atrás para fugir dele, mas as mãos do rapaz pressionaram sua cintura com firmeza, em um pedido mudo para que ele parasse. Yoochun queria abraça-lo com força, mas temia uma reação severa do rapaz, e pro isso apenas o circundou pela cintura com leveza. Seus corpos se aproximaram e ele sentiu a pele do outro, coberta por algumas camadas de roupas que adquiriam sua temperatura corporal.

Junsu até mesmo desejou estar constrangido com aquela invasão de sua zona de conforto, mas desconforto era a última coisa que ele sentia naquele momento. Aquela respiração tocando o rosto e a sensação de segurança ao ser apoiado pelo outro eram por demais deliciosas. Ele invejou todas as moças do mundo por terem mais chance do que ele com aquele homem a sua frente que esperava um retorno por seu abraço.

As mãos de Junsu se posicionaram nos braços do rapaz e por alguns instantes ele acreditou que ele pediria distância. No entanto seus habilidosos dedos escorregaram por seu braço, subindo sem pressa até seus ombros onde ele se apoiou e escondeu o rosto. Tudo era mais difícil e complexo quando ele olhava nos olhos do outro, por isso tratou de se esconder e se aproveitar do cheiro de sua pele.

Eles compartilhavam sensações tão puras, mas ao mesmo tempo tão proibidas que seus corações não evitavam temer serem flagrados naquele abraço íntimo. Poucas pessoas entenderiam seus sentimentos, e se os perguntassem, eles não saberiam explica-los com nenhuma palavra que conheciam. Era forte, mas suave, perfeito, mas errado, dolorido, mas macio.

Yoochun havia pressionado o rosto contra os cabelos do rapaz, os deixando acariciar seu rosto e o cheiro de seu shampoo invadir suas narinas e se impregnar nele. Seus olhos se mantinham fechados enquanto ele desejava um universo paralelo, onde estivessem somente os dois e aquele abraço deliciosamente demorado. Ele deixou um beijo estalado e discreto no topo de cabeça do outro quando percebeu que ele iria se afastar.

– O cara que você escolher como namorado vai ser um cara de sorte. – Concluiu Yoochun, logo que o outro se afastou.

– Por que diz isso?

– Porque é a verdade. – Disse Yoochun, desviando o olhar para o dele.

– Fale sério, por que está me dizendo essas coisas?

– Eu pensei alto, não foi nada demais. – Negou Yoochun, deixando uma carícia discreta no rosto do rapaz. – E no que você está pensando?

– Que as moças da nossa mesa também tem sorte. – Confessou Junsu. – Mas elas não têm nem ideia.

– E por que você está dizendo isso?

– Nada, só pensei alto. – Disse Junsu, sorrindo sugestivo ao rapaz. – Eu preciso voltar, Chunnie, deixar meu irmão esperando não é nada legal.

– Se você ficar, depois eu te levo para o hotel. – Sugeriu Yoochun.

– Eu não vou te prender de desfrutar uma das belas damas dessa boate. – Disse Junsu, sorrindo discreto. – Posso te pedir uma coisa?

– Claro! – Disse Yoochun, sentindo seu estômago revirar em nervosismo.

– Vá ao jogo amanhã. – Pediu Junsu, brincando com os dedos, ao sentir o nervosismo tomar conta de si. – Eu quero que você esteja lá, e queria que torcesse por mim.

– E por que o melhor jogador do time acha que precisa de torcida?

– Eu não sou o melhor, e não preciso de todos torcendo por mim, só você.

– Eu não perderia o seu jogo por nada.

Junsu sorriu discreto e acenou para ele, que correspondeu o aceno. Assim eles se despediram, deixando na calçada fria a vontade que tinham de trocar outro abraço. Hyorin parou ao lado de Yoochun logo que Junsu o deixou e o ofereceu um cigarro. Há muito ele não tragava um cigarro, desde que sua mãe o flagrara fumando aos dezessete anos e dera-lhe uma surra inesquecível. No entanto, ele não era mais vigiado e só um não faria mal algum.

Ele aceitou e se sentou em um muro de concreto ao lado da boate. Enquanto seus lábios tragavam a fumaça tóxica, ele pensava nos perigos de perder-se tão profundamente no sorriso meigo de Junsu. Tão intoxicante, viciante e delicioso quanto aquele cigarro. A ansiedade tomou conta de seu coração, enquanto ele pensava no rapaz dizendo ‘eu só preciso de você’. Talvez fosse apenas seu imaginário brincando com palavras de um homem, ou Junsu deixara indiretas a ele, na tentativa de testa-lo.

Ele acabou levando a garota ao seu lado para seu quarto e como Junsu havia previsto, desfrutou de sua companhia, e de seu corpo. Ela fazia perguntas demais sobre seus pensamentos e opiniões, e aquilo tirou-lhe a paciência em alguns momentos. Ele ficou satisfeito quando a garota adormeceu e ele se pegou sozinho novamente com seus sentimentos e desejos.

Aquela noite havia sido memorável. Não pela bela moça deitada nua em sua cama, ou pelas doses de álcool que ainda viajavam em seu sangue, mas por Junsu. Até mesmo as ameaças do irmão gêmeo do rapaz tornaram a noite emocionante, o retiravam de sua rotina. Sua mente maquinava em vieses diferentes, tentando provar sua masculinidade para Junho, sem abandonar sua fascinação por Junsu.

Ainda que achasse necessário, sua fascinação por Junsu não poderia ser deixada de lado. Não quando seu perfume estava impregnado em suas roupas e a textura de sua pele e de seus cabelos ainda formigavam nas pontas de seus dedos. A vontade de toca-lo permanecia escondida, mas pulsante, pronta para ser satisfeita na primeira oportunidade. Desejos absurdos de uma liberdade que ele não teria sem ferir sua masculinidade.

Junsu era seu pecado. Um pecado com feições de anjo, tão ambíguo como se água e fogo pudessem de alguma maneira se misturar. Yoochun divagava sobre Junsu, sem saber que, no quarto ao lado o objeto de seus pensamentos abraçava um travesseiro na tentativa de reaver seus braços em volta de seu corpo. Micky era cruel com seu psicológico, o deixando frágil e um tanto abobalhado. Talvez Junho tivesse razão. Talvez ele estivesse mesmo afim daquele cara.

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