Capítulo 06 – Confession

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Era uma noite quente em Seul, o céu estava estrelado e uma lua minguante despontava por trás de algumas nuvens que dançavam inquietas ao uivo do vento. Este, por sua vez, soprava sem piedade, levando consigo as folhas das copas das árvores da cidade. A noite estava propícia para um passeio, em diversos lugares, casais muito bem arrumados com seus perfumes caros e joias reluzentes andavam de mãos dadas e dedos entrelaçados.

A última sexta-feira de férias, um clima delicioso e Yoochun estava em casa, mais especificamente aos fundos de sua casa, onde sua mãe cultivava um pequeno jardim. Ele estava sentado no chão, tentando sem sucesso algum, prestar atenção ao livro que estava em seu colo. Deitado confortavelmente ao seu lado, estava seu grande cão, Harang, sua melhor companhia para aquela sexta-feira. Afinal, ele poderia contar para seu cachorro o que se passava em sua mente, sem ser julgado por ele.

Claro que falar com seu cachorro apenas atestaria ainda mais sua insanidade noite e seus familiares já estavam desconfiados de suas atitudes. Afinal, ele nunca ficava em casa na sexta-feira. Yoohwan imaginava seus motivos, mas decidiu não se intrometer aquela noite. Não quando corria o risco de ser atacado por seu irmão mais velho, que não estava particularmente gentil naquele momento.

Tal qual um personagem melodramático e patético daquele romance mal escrito, Yoochun sentia-se um completo fracassado. Seu estômago afundava toda vez que ele se lembrava dos motivos, e novamente sua mente o convencia de que aquilo era uma tempestade em copo d’água. Uma reação exagerada a algo que não era assim tão importante. Afinal, alguns beijos não foram assim tão importantes.

Junsu não era nada dele, não devia-lhe satisfações de sua vida, era livre tal qual um felino silvestre sobre as colinas. Eles não tinham um pacto, um contrato, nem mesmo promessas feitas ao vento, as quais o rapaz estaria quebrando naquela noite. Ele não devia nenhuma satisfação de suas ações, muito menos de suas decisões, e Yoochun se achava um completo idiota, por achar que ele tinha.

Por que, afinal, Yoochun acreditava que seria ele a enjaulá-lo? Por que ele achava que Junsu levaria em consideração meia dúzia de beijos quando ele mesmo fez amor com diversas garotas e não tinha consideração pro nenhuma delas? Como ele podia ter caído na farsa daquele olhar inocente, infantil, preso ao corpo de um homem já formado? Aquilo era ridículo, e Junsu não era assim tão diferente dele.

Yoochun pensava mal do caráter de Junsu, mas pensava ainda pior sobre seu irmão gêmeo. Junho era prepotente e manipulador, e se Micky sentia-se daquela maneira, certamente aquele rapaz tinha sua parcela de culpa. Uma grande parcela de culpa. Junho conseguia tudo o que queria, e seu irmão fazia de seus caprichos, suas próprias obrigações. Como naquela noite, aquela agradável noite, em que Junsu se enfiara em um encontro as cegas.

Junho o deixara as oito em ponto na porta do restaurante. Ele já via da porta, a mesa em que Hyukjae e Donghae estavam apropriadamente acomodados. Taças de vinho estavam à sua frente, e de costas para a porta, estava na mesma mesa um rapaz alto e encorpado. Junsu se apresentou ao recepcionista e ele o guiou restaurante adentro, sua mão suava frio e o incômodo era visível em seu rosto.

O restaurante era simples, porém tinha alguns quês de sofisticação. Logo que se aproximou, Hyukjae abriu a ele um sorriso bobo que o fez voltar a sorrir, pela primeira vez desde aquela tarde. Ele não queria estar ali, mas a besteira já estava feita. O casal se levantou para cumprimenta-lo e então, seu belo amigo voltou-se para Junsu. Siwon tinha uma beleza diferente, parecia um daqueles artistas de televisão.

Donghae não havia exagerado ao exaltar a beleza do rapaz, quando sorriu-lhe deixou Junsu sem jeito, ao perceber que aquele era o rapaz escolhido para sair com ele naquela noite. Siwon fez questão de cumprimenta-lo por primeiro, dando-lhe a mão de forma cordial e charmosa. Seus amigos o abraçaram logo em seguida, e dessa forma animada, o jantar começou. Junsu se esqueceu do encontro com Micky, por cerca de cinco segundos.

Ele olhou para a taça à sua frente e por alguns instantes, viu ali refletido seu olhar triste. E então, o olhar dele, não necessariamente entristecido, mas com o orgulho ferido. Exatamente porque Junsu não sabia dizer não ao seu irmão, não quando ele cuidava-lhe tão bem. Siwon olhou para ele e sorriu quando passou o cardápio, indicando para ele um aperitivo que poderiam dividir.

Junsu aceitou, acreditando no bom gosto do rapaz com um perfume deliciosamente cítrico. Ele adentrava-lhe as narinas, e acariciava seus sentidos, não tanto quanto o cheiro puro da pele de Micky. Ele se lembrava perfeitamente de como sentira aquele aroma, do quanto se lembrara dele na volta pra Seul, e de como agora ele pouco acreditava que voltaria a sentir. Ao menos não com a proximidade necessária.

– Junsu?

A mão de Siwon acomodou-se em seu ombro, o sobressaltando. Ele divagou sobre o cheiro de Yoochun, enquanto olhava para a delicada taça que ele tratou de pegar para disfarçar seu susto. Coisa que foi obviamente notada pelo casal da frente que agora fazia feições engraçadas na tentativa de segurar seu riso. Siwon continuou com sua voz doce e paciente:

– O Hae perguntou o que você fez hoje a tarde.

– Hoje? Eu fui ao parque, com o meu irmão, fomos passear com o Shaki.

Shaki conseguia ser um cão bonzinho quando queria, era amoroso e dormia aos pés de Junsu e Junho, intercaladamente. No entanto, haviam dias em que ele acordava agitado, mastigava coisas, uivava para o caminhão de sorvete, se punha a latir para gatos no portão, e isso sempre exigia algum passeio. A estratégia era cansa-lo com uma brincadeira de buscar a bola e então deixa-lo dormir em casa.

Junsu e Junho saíram pouco depois do almoço com essa missão. Junho levava alguns utensílios básicos de seu passeio, enquanto Junsu era puxado pelo cachorro agitado. A caminhada até lá era longa, eles normalmente levavam cerca de 40 minutos, mas enquanto conversavam nem viram o tempo passar. Assim que chegaram, encontraram o local cheio, com famílias e crianças por todo lado.

Após comprarem água para aliviarem o calor daquele dia, Junsu e Junho se esforçaram para encontrar um local onde pudessem soltar o cachorro sem incomodar ninguém. Era um canto um tanto afastado, e não tinha muita sombra, mas para eles era perfeito. Eles soltaram o cão que correu em alguns lugares e se divertiram por algum tempo o fazendo correr atrás daquela pequena bola de beisebol.

Eles riram das peripécias do cachorro, se divertiram correndo atrás dele como faziam desde que ele havia sido comprado. Era um de seus programas favoritos para o final de semana, mesmo em sua adolescência. O sol já estava se pondo quando, como de praxe, Shaki se afastou e eles se obrigaram a procura-lo pelo parque. Normalmente ele seguia alguma criança para roubar-lhe o sorvete, ou se engraçava para o lado de alguma poodle charmosa.

Naquele dia, Shaki fez outra escolha de companhia. Junsu o viu de longe, afinal um cão branco e peludo não ficava tanto tempo assim perdido, ele tinha o focinho enfiado na mochila de um rapaz distraído. Junho tomou-lhe a frente a fim de avisar o mesmo que seu cão iria mastigar sua mochila, no entanto ele parou no meio do caminho e deu de ombros, dizendo que esperava que o cachorro comesse seu lanche todo.

Junsu o reconheceu de imediato. Micky estava sentado ao lado daquela mochila que seu cão agora remexia. Ele usava fones de ouvido e estava mergulhado em um livro, desatento ao resto do mundo. Deitado do outro lado, estava um cão tão grande quanto o seu, mas com uma pelagem escura, de uma raça que ele desconhecia. Junho cruzou os braços e deu de ombros, quando Junsu correu em sua direção.

Ele se aproximou e o contornou, pois não tinha a intenção de assusta-lo. Micky ainda se demorou a erguer o olhar para ver quem importunava sua leitura, mas logo que o reconheceu, ele sorriu. E assim que se moveu, percebeu um cão branco, agora comendo o que era seu sanduiche. Ele o fitou indignado, ainda sem saber de onde viera aquele cachorro, enquanto Junsu ria-se de sua reação.

– Chunie, esse é o meu cachorro, o Shaki.

– Ele comeu o meu sanduiche, o meu sanduiche!! – Reclamou Yoochun. – Tem salame italiano nesse sanduiche, e isso é caro!

– Ele está muito agradecido pelo seu sanduiche. – Disse Junsu, entre risos. – Desculpe, ele fugiu de nós.

– Comeu tudo, Shaki? – Indagou Junho quando se aproximou. – Não vá morrer engasgado.

– Ah, o seu chulé veio junto. – Constatou Yoochun, assim que voltou-se para trás.

– Eu vou tirar o meu cachorro daqui, porque não quero ele traumatizado com a sua feiura. – Avisou Junho. – Su, eu espero você na saída do parque e não esqueça, você tem um grande compromisso hoje.

Shaki saiu de perto deles satisfeito com seu lanche recém roubado. Yoochun ainda apontou seu cachorro, antes de Junsu sentar-se ao lado dele e ver o livro que ele debulhava tão atentamente antes de ser interrompido. Micky lia O retrato de Dorian Gray, e o explicou superficialmente do que se tratava aquele retrato da capa. Em seguida, veio o silêncio constrangedor.

Era a primeira vez que se encontravam desde a volta da viagem. Fora isso, apenas entravam em contato por telefone, praticamente todos os dias, e algumas de suas conversas era significativamente longas. Eles falavam de tudo, amigos, família, esportes e até mesmo os cachorros ali presentes eram assunto para os dois, a exceção era a última noite de viagem. Nem Junsu, nem Yoochun falavam dos beijos que trocaram.

Era o fato de tê-lo novamente ao seu lado, sentir novamente seu cheiro, o que deixava Yoochun sem palavras. E é claro, aquele desejo absurdo de rouba-lo e trocar beijos e carícias até saciar suas necessidades, e talvez deixa-lo ofegante, como depois de um jogo de futebol. Enquanto Junsu evitava olhar para ele, se perguntando pela milésima vez, como ele poderia ser assim tão bonito, tão especial.

Micky colocou os cabelos por trás das orelhas e sorriu-lhe, vendo-o corar. O rapaz acariciou os pelos do cachorro adormecido que acordou brevemente, mudou de posição e voltou a dormir com sua preguiça comum. Yoochun pigarreou, e tentou duas ou três vezes iniciar uma conversa, mas ao final, Junsu foi quem cortou o silêncio.

– Você fica bonito de óculos. – Disse Junsu, atropeladamente. – Fica com cara daqueles artistas plásticos intelectuais, sabe?

– Uma pena que eu não saiba nem desenhar bonecos de palitinho, não é? – Riu-se Yoochun. – Eu estava com saudades de olhar pra você.

– Pare de ser bobo, nos falamos quase todos os dias. – Disse Junsu, sem jeito.

– Mas eu não te vejo há algum tempo, estava esquecendo de como você é bonito e de como seu irmão é um chato.

– Ele andou melancólico por causa dos nossos… por causa da última noite.

– Melancólico?

– É, meio entristecido, meio decepcionado. – Explicou Junsu. – Agora eu estou mimando ele, pra ele se sentir melhor.

– Você não se cansa disso? Desse drama sem motivos?

– Ele tem motivos, Chunie, e esse é o jeitinho dele reagir as coisas. – Explicou Junsu. – Meu irmão é tudo pra mim, meu melhor amigo.

– Eu entendo isso, entendo a amizade de vocês, não entendo a implicância que ele tem comigo. – Explicou Yoochun, sorrindo discreto em seguida. – Eu não estou te roubando dele para sempre, só quero um pedacinho pra mim.

– Quando você conseguir se expressar melhor para ele, ele vai parar com essa implicância boba. – Explicou Junsu. – Chunnie, eu quero te fazer uma pergunta.

Junsu falou manhoso, o que arrancou uma risada deliciosa de Yoochun. Ele moveu o cão, de forma que ele se deitasse um pouco a frente de Micky e assim, abriu espaço para que Junsu pudesse se acomodar ao seu lado e apoiar-se em seu ombro. O braço dele o envolveu pela cintura, sentindo seu coração disparar. Era apenas um abraço, coisa que qualquer amigo pode fazer, mas ainda assim, era delicioso.

– O que você quer saber?

– Você saiu com mais alguém? Depois da viagem?

– O que você quer dizer com isso?

– Quero saber se saiu com alguém, foi ao cinema com alguma menina, se entrou em contato com alguém que você tenha interesse, ou sabe, dormiu com alguma amiga do seu irmão, essas coisas.

– Não. Só se passou uma semana, Su, não faria sentido, eu… De onde saiu essa curiosidade?

– É que você poderia ter saído com outras pessoas, você não é o meu namorado. – Disse Junsu, se escondendo contra ele. – Nós só demos uns beijinhos, não é?

– Onde você quer chegar? – Indagou Yoochun, estranhando aqueles comentários.

– Eu não… eu… você se lembra do encontro as escuras que armaram para mim? Com aquele amigo do Donghae?

– Lembro, você ia desmarcar.

– Eu não desmarquei.

– Por que não? Por que quer ter um encontro as escuras?

– Eu não quero! – Reclamou Junsu. – Quer dizer, pra mim não faz diferença, mas para o Junho faz.

– Por que? O que o seu irmão quer?

– Ele me pediu pra ir ao encontro, me pediu várias e várias vezes e convenceu o Hyukie a insistir também. – Comentou Junsu. – Eles querem muito que eu vá a esse encontro, então eu topei.

– Então você vai encontrar com esse cara?

– Mas eu convenci o Hyukie e o Hae a irem comigo e vamos nós quatro, não vai ser bem um encontro. – Justificou Junsu. – O Junho estava tão chateado comigo, eu não tive como dizer não.

– E quando você ia me contar isso?

– Amanhã, depois do encontro. – Afirmou Junsu. – Quando tivesse tudo dado errado e eu tivesse feito tudo como o bom pateta que eu sou, eu ia te contar.

– Você não achou que eu merecia saber antes? Você ouviu todos eles, por que não me ouviu também? – Indagou Yoochun, vendo o outro erguer o olhar. – Eu não sou o seu namorado, mas eu não posso opinar?

– Não é isso, Chunie, mas nós dois sabemos o que você iria dizer. – Afirmou Junsu. – Eu não sou bobo, não vou fazer nada que eu possa me arrepender depois.

– E isso quer dizer o que? Que você não pretende beijar ele? Ou abraçar? Ou transar? Do que você se arrependeria?

– Eu não sei, Chunie! – Disse Junsu, sobressaltado. – Você não é o meu namorado, mas eu não quero fazer nada que te deixe bravo. Por outro lado, você também não se decide!

– Então a culpa é minha?

– Você tinha prometido que ia se explicar! – Avisou Junsu. – E eu ainda não ouvi explicação alguma e fico parecendo um tonto quando meu irmão faz aquelas perguntas! Como você espera que eu argumente?

– Nós não conversamos mais sobre isso, eu achei que não fizesse mais diferença. – Justificou Micky.

– E faz alguma diferença eu sair com o Siwon, então?

Yoochun o fitou indignado. Afinal, como Junsu poderia usar sua incapacidade de expressar seus sentimentos como argumento para ir a um encontro? Micky não fazia ideia de como seu silêncio o incomodava, sobre como aquilo envenenava Junsu, o fazendo acreditar no discurso de seu irmão. Discurso este, exaustivamente repetido em seu ouvido, dia após dia naquela semana.

Micky não estava com ciúmes quando retirou seu braço da cintura do rapaz, afinal, não o afetava o fato de outro homem ter a chance de beijar aqueles lábios macios, ou abraçar aquele corpo que deveria pertence-lo. Ele somente queria que Siwon sofresse um acidente, ou que sua casa pegasse fogo e ele não aparecesse a esse encontro. Ou que ele ao menos fosse feio, ou tivesse mal-hálito.

Junsu apertou a barra da própria camisa quando o outro desfez o abraço. Ele havia conseguido estragar tudo, e agora aquele quem ele realmente queria ao seu lado, se afastava, dando lugar a um desconhecido. Micky não poderia entender a pressão que ele sofrera por conta daquele encontro, por conta da raiva que seu irmão sentia. Era tudo injusto demais, e agora não havia mais volta. Quando Yoochun voltou a falar, as coisas não melhoraram entre eles:

– Eu vou pra casa.

– Por que, Chunie? Você não precisa ir. – Disse Junsu, baixando o rosto.

– Na verdade, eu não quero te segurar aqui. – Afirmou Yoochun, pegando a guia de seu cão. – Você tem um encontro, e deve querer ir pra casa, se arrumar e ficar bem bonito pra ele.

– É, eu vou mesmo e da próxima vez que não quiser que eu vá a um encontro, me chame antes!

Junsu disse que a voz magoada e o fitou demoradamente, se perdendo em suas feições endurecidas e pouco amigáveis. Ele havia irritado o outro, havia desafiado sua masculinidade, suas boa intenções, e tudo mais o que ele poderia oferecer. Aquele olhar o cortou como uma faca muito bem afiada, o expulsando silenciosamente dali. Sem perder tempo, o rapaz se levantou e correu para longe de Yoochun, sem olhar para trás.

No restaurante, naquela mesma noite, Junsu se perdeu pela terceira vez no assunto da mesa. Sua mente refez aquela tarde em imagens mais uma vez, e acrescentou as lamúrias e argumentos de seu irmão gêmeo. Afinal, Junho queria tanto que ele fosse àquele encontro, que lá estava ele, olhando fixamente para Siwon, sem ouvir sequer uma palavra. Yoochun era mais agradável do que ele, ao menos não falava tanto.

– E o Hae ainda está tentando me convencer a entrar no time de futebol, mas eu não acho que eu dou para a coisa, entende? Quer dizer, eu não gosto de atividades competitivas e o futebol é extremamente competitivo. O seu time sabe que você é homossexual?

– Não, eles não sabem. – Respondeu Junsu, quando finalmente entendeu sua pergunta. – Eles não… só o irmão do Chunie sabe.

– Quem é Chunie? – Indagou Donghae, finalmente entrando na conversa.

– O Yoochun, você lembra dele, não lembra? – Disse Junsu.

– Ah, ele! – Riu-se Hyukjae. – O Su teve uma paixonite por um cara na viagem, mas não deu certo.

– E por que não? – Indagou Siwon.

– Ele é hétero, já pegou mais mulheres do que vocalista de banda de rock. – Explicou Donghae. – Não é, Su?

– Mais ou menos. – Disse Junsu, incomodado com o tópico da conversa. – Ele não é de todo hétero, sabe?

– Como assim? Ele é meio gay? – Indagou Siwon.

– Não, não é assim. – Disse Junsu, voltando-se para ele. – Ele é um pouco gay, mas só isso.

– Como alguém pode ser um pouco gay, Su? – Indagou Hyukjae.

– Sendo! – Afirmou Junsu. – Ele gosta de dormir com meninas, mas é um pouquinho gay, as vezes.

– Como você chegou a essa conclusão? – Disse Siwon, sem conter o riso, quando os outros dois começaram a rir.

– Porque nós dois saímos no último dia. – Explicou Junsu, vendo de canto Donghae e Hyukjae pararem de rir e se entreolharem. – Nós fomos nas piscinas, e nadamos um pouco. Quer dizer, ele nadou, eu só boiei. Tinha uma lua linda, Siwon, sabe essas que parecem estar mais perto da terra? Isso é possível? A lua estar mais perto em um lugar do que em outro?

– Não sei, na verdade. – Explicou Siwon, desviando o olhar rapidamente para seus dois amigos que os fitavam estupefatos. – E depois? O que houve entre vocês?

– Nós demos um beijo! – Disse Junsu, animado pela primeira vez na noite.

– E você pretendia contar isso para nós quando? – Disse Hyukjae, indignado. – Você contou para o seu irmão?

– Ele arrancou de mim, na verdade. – Confessou Junsu. – Disse que não ia deixar o Shaki dormir na minha cama a menos que eu contasse o que eu fiz aquela noite com o Chunnie, eu não tive opção!

– Essa foi a ameaça? Não deixar o seu cachorro dormir com você? – Indagou Donghae.

– Ele não é uma gracinha? – Disse Siwon, sem conter o riso. – E então? Depois que vocês voltaram pra cá, o que aconteceu?

– Ele não olha mais na sua cara, não é? – Supôs Hyukjae.

– Nós nos falamos todos os dias por telefone. – Confessou Junsu. – Mas ele não falou mais sobre os nossos beijos, até hoje a tarde.

– Hoje a tarde? – Indagou novamente Siwon.

– Eu encontrei ele no parque e ele se chateou com o meu encontro. – Afirmou Junsu. – Achei que ele não quisesse mais saber dessa coisa de me beijar, mas na verdade…

– Na verdade ele está bancando o possessivo sem motivo. – Afirmou Siwon. – E você veio aqui mesmo assim.

– Eu… eu estou solteiro, tenho o direito de te conhecer e sair com os meus amigos, você não acha?

– Acho que nós deveríamos pedir o jantar, posso escolher o seu? – Interrompeu Siwon.

A voz de Junsu saiu baixa e tímida quando ele topou a proposta do rapaz. Assim, ele voltou a olhar para a taça, pensando se havia estragado seu encontro ao falar de Micky. Siwon sorria para ele, então talvez não estivesse tudo perdido, talvez ele não fosse assim tão abobalhado. Donghae e Hyukjae trataram de contar suas próprias histórias e fingir que não ouviram falar de Yoochun aquela noite, ao menos por aquele momento.

O jantar foi agradável, Siwon era um cavalheiro de primeira categoria, o que deixava Junsu extremamente intrigado, dos motivos dele topar um encontro as cegas e não ter ainda um namorado. Quem não iria querer namorar Choi Siwon, afinal? Deveria ter algo de errado com ele, algo sujo, inescrupuloso, por trás do homem religioso que estudava matemática. Junsu sabia que ele escondia algo, era perfeição demais.

Por outro lado, Micky era cheio de imperfeições e elas brotavam dele como praga no meio de uma bela plantação. Ainda assim, suas imperfeições fascinavam Junsu, desafiavam seu ego a provar que ele era capaz de vencê-las, supera-las. Aquele era o homem que ele queria desvendar, que queria ao seu lado, não o cavalheiro que servia para ele outra taça de água, com tanta gentileza.

Junsu dividiu sua sobremesa com Siwon, o achando particularmente romântico. Eles deixaram o restaurante sem pressa, rindo entre si da conversa de Hyukjae que não perdia a oportunidade de arrancar sorrisos de seu querido Donghae. Já do lado de fora, o casal se abraçou, trocando sussurros carinhosos que não seriam compartilhados com outras pessoas. Aquele foi um momento constrangedor, tanto para Junsu quanto para Siwon.

O maior o pegou pela mão e o afastou da entrada do restaurante, onde havia uma grande circulação de pessoas. Quando ambos pararam, próximos à uma das janelas em estilo gótico do local, Siwon fez questão de segurar sua outra mão. Junsu estava nervoso, pois não queria que aquele encontro culminasse em um beijo. Não era o momento para beijar outro homem que não fosse Micky.

– Su, você é um cara tão legal. – Elogiou Siwon. – É tão gentil e bonito, e eu acho que se nós tivéssemos um segundo encontro, a sós nos daríamos muito bem. Você é uma das pessoas mais interessantes que eu já conheci.

– Você é muito gentil, Siwon-sshi.

– No entanto, você gosta de outra pessoa. – Disse Siwon, vendo Junsu arregalar os olhos. – Tudo bem, não precisa negar, ele deve mesmo ser um cara legal.

– Ele é sim, mas eu estraguei as coisas entre nós ao vir aqui.

– Não está perdido ainda, e você sabe disso. – Afirmou Siwon. – Que tal deixar as chantagens sobre cachorros do seu irmão de lado e seguir o seu coração? Por que uma pessoa romântica como você se deixaria levar, afinal?

– Você acha que eu devo ir atrás dele?

– Por que não?

– Você nem conhece ele, nem me conhece, por que diz isso?

– Aparentemente ninguém conhece ele, só você. – Afirmou Siwon. – Eu queria muito outro encontro com você, Junsu, te levar ao cinema ou algo assim, mas de que adianta? Se você está mesmo querendo sair com outra pessoa?

– Vamos combinar uma coisa? Se eu for procurar o Chunie e não der certo, e se você não estiver saindo com mais ninguém, nós vamos fazer um encontro?

– Enquanto isso, podemos ser amigos?

– Amigos? Que ótima ideia! – Disse Junsu, entre risos. – Eu tenho que ir, Siwon, tenho que correr.

– Eu distraio o nosso casal de amigos, vá atrás dele.

Junsu ainda riu e o abraçou pelos ombros antes de sair correndo. Ele estava feliz, como há muito não se sentia. Era a primeira pessoa que o apoiava, que o livrava daquelas amarras que impediam que ele mantivesse um caso com seu querido Yoochun. Siwon não o questionou, apenas o apoiou, por mais imprudente que fosse. Ainda eufórico, ele entrou no taxi e seguiu para o bairro que ele já conhecia, restava descobrir qual era a sua casa.

Aparentemente, os astros estavam conspirando em seu favor, uma vez que, logo que desceu do taxi, ele encontrou Yoohwan reunido com alguns colegas na praça. Junsu juntou-se a eles, e o mais novo teve prazer em dizer qual era seu endereço para que o outro procurasse seu irmão. Ele sabia que a presença de Junsu o animaria, ainda sem saber da importância daquela visita naquela noite.

Micky já havia desistido de seu livro, também desistira de dormir e agora estava deitado olhando para o teto de seu quarto. Ele não queria sair dali, não queria mover-se para ir jantar por mais que sua mãe já tivesse insistido, ele queria desaparecer e tirar de seu peito aquela sensação ruim. Yoochun ainda amargurado, pensava nisso quando ouviu batidas leves e discretas à sua porta.

Sua mãe iria visitar seus tios aquela noite, e por isso estava devidamente arrumada. Yoochun imaginou que ela estava avisando-o que iria sair, noticia que ele já conhecia, no entanto, foi outro aviso que a senhora Park veio trazer. Ela parecia contente, sorria discretamente, como se estivesse orgulhosa de seu filho. Micky estranhou sua atitude, mas logo entendeu quando ela o disse:

– Filho, um amigo seu está esperando na sala.

– Que amigo? – Disse Micky, sentindo seu estômago afundar alguns palmos.

– Ele disse que o nome dele é Junsu, você conhece?

Quando desceu as escadas, Micky percebeu que sua situação não poderia estar pior. Ele trajava um pijama, ainda não havia tomado banho e seus cabelos estavam desgrenhados. Junsu, por sua vez, estava lindo, com uma roupa brevemente social e um belo relógio adornando seu pulso. Yoochun se odiava naquele momento, mas estava curioso demais para se perder na sua auto-piedade.

Sua mãe o avisou novamente que estava de saída e seu pai deixou as chaves sobre a mesinha, para assim se despedir de seu filho e do amigo dele. Enquanto ele estava longe, sua mãe servira para o rapaz um pedaço da torta que ela fizera de sobremesa, ao que Junsu agradeceu tamanha gentileza. Micky não ouviria os elogios de sua mãe ao rapaz simpático, nem os comentários de seu pai sobre ele finalmente estar se adaptando, apenas os fitaria partir, deixando a casa em silêncio para eles.

Yoochun sentou-se ao lado do rapaz e sentiu seu perfume invadir-lhe as narinas. Junsu havia terminado seu pedaço de torta e brincava com o pequeno e delicado garfo. Diversas perguntas e críticas se formaram na mente do rapaz, brincaram com seu psicológico que buscava as palavras perfeitas para se dirigir ao rapaz. No entanto, a sentença que saiu foi ridícula e mesmo Yoochun se arrependeu de tê-la dito:

– O que você está fazendo na minha casa a essa hora?

– Vim te ver. – Confessou Junsu. – Precisava te ver.

– E o seu encontro com o príncipe encantado?

– Foi ótimo, na verdade. – Afirmou Junsu. – Eu me dei muito bem com ele.

– E por que não está lá com ele?

– Eu quis te ver. – Reafirmou Junsu. – Precisava conversar com você, de verdade.

– Você… aish!

– Eu não queria incomodar, só achei que nós deveríamos ter uma boa conversa. – Afirmou Junsu. – Sobre a noite que nós nos beijamos.

– O que você quer exatamente, Su?

– Eu quero uma resposta!! Quero saber por que você ignora aquela noite, mas tem crise de ciúme quando eu falo em encontro com outro homem! O que você quer, afinal?

– Eu não quero falar sobre isso aqui, vamos para o meu quarto.

Junsu queria questiona-lo, mas o rapaz não esperou por seu questionamento. Assim, ele deixou o pequeno prato sobre a mesinha e seguiu em seu encalço, conhecendo aos poucos sua casa. Na porta de seu quarto, apenas o cachorro esperava, abanando o rabo animadamente. Micky apenas coçou sua orelha, e o animal esperou por Junsu, antes de seguir nos calcanhares dos dois rapazes.

O quarto de Micky era comum, não muito espaçoso e uma grande estante e o armário tomavam boa parte das paredes. A cortina era escura e sua cama era de solteiro, posicionada no meio. Os lençóis estavam amarrotados e seus óculos, jogados sobre o travesseiro. Harang deitou-se na cama e Junsu sentou-se ao lado do grande e dócil animal, tratando de acariciar seu pelo, enquanto esperava por Yoochun.

Micky olhou para ele. A luz do quarto deixava sua pele amarelada, e seus lábios rosados. De onde saiu aquela criatura sentada à sua cama, deixando sua mão percorrer os pelos de seu cachorro. Junsu não parecia real, mas seu olhar entristecido parecia. Ele queria respostas, precisava delas e Micky precisava confessar seus pecados, admitir suas vergonhas, expor seus segredos. Sua garganta arranhou e falhou duas vezes antes dele libertar a frase:

– Junsu, I am gay. – Disse Micky de forma atropelada. – I’m gay.

– Eu não entendi, Chunie. – Disse Junsu, desviando o olhar para ele.

– Eu sou gay. – Confessou Yoochun. – Eu me apaixonei uma vez, pelo meu amigo James, ele gostava muito de mim, mas eu fui covarde e não me declarei pra ele e então tive que vir embora e deixei ele sozinho. Eu não consigo sentir atração por mulher nenhuma, por mais que eu tente me convencer de como elas são bonitas. Eu transo com elas pensando em outros homens, pensando em corpos masculinos sem rosto, senão eu não consigo me excitar. Eu já tentei de tudo, já tentei ler a bíblia, já tentei livros de auto-ajuda, já tentei até pílulas para disfunção sexual e não, eu não consigo.

– Está tudo bem, Chunie.

– Está? Está mesmo? Eu sou o irmão mais velho, o homem da casa, e ainda assim, eu fico à sombra do meu irmão o tempo inteiro. Ele é melhor do que eu em tudo, na única coisa que eu supero ele é em manipular mulheres, porque nem tesão nelas eu tenho. Além de um completo perdedor, eu tinha que ser bicha também?

– Eu sou gay, Yoochun. – Disse Junsu. – Eu sempre soube que eu era, e já beijei alguns meninos na minha adolescência. Eu tenho um irmão gêmeo que nunca vai ser visto com bons olhos quando as pessoas descobrirem o que eu sou, eu não vou me casar, não vou apresentar uma nora para a minha mãe, não vou poder passear de mãos dadas com uma menina bonita ou mostrar a ela como eu sou romântico. Eu não vou ter filhos, minha mãe não vai ter netos meus. Não importa o quanto eu me esforce, nós dois sabemos que o meu irmão vai ser sempre melhor, porque ele vai ter uma família, vai ter filhos, vai ser pai. As pessoas esperam de mim que eu entenda de moda, tendências de decoração ou que aprecie ballet e suas roupas justas. Eu sou uma aberração, um monstro, um problema.

– Você não é uma aberração, você é perfeito, é auto confiante, é bonito, é gentil. – Afirmou Yoochun. – Eu sou o problema, eu sempre fui. Eu sou o cara que não consegue se definir, que nem é homem o suficiente para brigar pelo que deseja. E foi prepotência minha achar que eu poderia ficar com você, Junsu, quase a história clichê do atleta da escola com o nerd estranho. Olhe só para você, tão bonito…

– Quer sair comigo? – Indagou Junsu. – Como namorado, não como amigo. Romântico como foi na piscina, você me deu beijos, andou abraçado comigo, por que não podemos fazer de novo?

– E o seu irmão? E o meu irmão? Os seus amigos?

– Eu vou falar para o meu irmão que agora eu e você vamos sair como um casal. – Explicou Junsu, deixando a mão repousar sobre a mão do rapaz. – Que você quer ser meu namorado, mas que nós não nos conhecemos direito e por isso vamos sair.

– Você também gosta de mim?

– Você é tão diferente. – Afirmou Junsu. – Nenhum homem nunca se aproximou assim de mim, você sabe dizer as coisas certas na hora certa, você sabe ser romântico, e tem um beijo bem gostoso, acho que eu gosto de você sim.

– Você veio até aqui para me chamar para um encontro? Para ouvir uma confissão?

– Eu não quero ter encontro com outro homem, quero um encontro com você. – Explicou Junsu, sorrindo discreto. – Mas eu ganhei bem mais do que isso.

– O que você ganhou?

– Uma chance com você, uma de verdade, de me tornar o seu namorado, sem esse fantasma dizendo no meu ouvido que você não é como eu. Você é gay, como eu quero que você seja e isso pode te tornar uma aberração para o mundo, mas te torna perfeito para mim.

– Você é tão bobo, as vezes. – Zombou Yoochun, o agarrando pelo pulso e o puxando para que se aproximasse. – Me conta o que deu errado no seu encontro?

– Nada. – Afirmou Junsu, pendendo o corpo sobre ele e finalmente deixando seu peso cair sobre esse. – Mas ele percebeu que eu não estava querendo ficar lá.

– E então você veio até a minha casa? Como sabia que eu morava aqui?

– Encontrei seu irmão no parque. – Explicou Junsu, se encaixando em um abraço apertado. – Eu vim para onde eu deveria estar.

– Mais bobo do que um Junsu, só se fossem dois. – Riu-se Yoochun. – O que mais você quer essa noite?

– Quero um beijo! – Pediu Junsu. – Eu vou ter que enfrentar meu irmão quando chegar em casa, então mereço vários beijos, muitos mesmo.

– Eu não acredito que você está aqui.

Junsu riu sem jeito, deixou um sorriso de canto brincar em seus lábios, a medida que Micky se aproximava. Ele mesmo não acreditava que estava ali, nos braços do rapaz que povoava seus sonhos, sentindo aquele aroma que tanto gostava. Seus lábios se roçaram brevemente, mas logo Yoochun o beijou como eles desejavam. A grande diferença era a confissão do rapaz, que agora permitia Junsu beija-lo com mais confiança.

Yoochun percebeu a diferença, percebeu como o rapaz se entregou ainda mais, como sua língua despudorada roçava contra a dele, deixando ali seu sabor. E seus lábios o exploravam, beijavam não só sua boca, mas seu rosto, seu queixo e em uma atitude mais ousada, o pescoço macio de Micky. Aquilo causava-lhes arrepios deliciosos na espinha, e os permitia provar de seus sabores mais uma vez.

Junsu levou algum tempo para se acalmar, ele estava afoito, queria mais beijos, mais carinhos e Micky não negou-lhe toques nem por um minuto. Quando suas vontades amenizaram, Junsu deitou-se sobre a cama, sentindo o peso do corpo do outro rapaz sobre o dele. Sem pena de seu psicológico, Yoochun ainda acariciava sua orelha com a ponta dos dedos, deixando-o sonolento e relaxado, ele acabara de descobrir um de seus pontos fracos.

– Liga para o seu irmão, dorme aqui comigo. – Pediu Yoochun, fitando o outro rapaz fixamente, como há muito desejava fazer.

– Não posso. – Disse Junsu, bocejando demoradamente. – Não hoje.

– Quer fazer um piquenique amanhã? Ali no parque mesmo?

– Posso levar o Shaki?

– Se ele não roubar o meu sanduiche, ele pode ir sim! – Disse Yoochun, rindo discreto. – Eu vou levar um osso para ele.

– Está ouvindo, Harang? Ele vai levar um osso para outro cachorro!

– Eu contei para o Harang que eu gosto de você, ele não vai se importar com um agrado para o seu cachorro.

– E o que mais você contou pra ele?

– Que você é bonito, e simpático e que fica vermelho com qualquer besteirinha que eu fale. – Afirmou Yoochun, roubando um selar de seus lábios. – O resto eu falei em língua de cachorro e não dá pra traduzir.

– Eu não fico vermelho! – Defendeu Junsu, rindo logo em seguida. – Chunnie, eu preciso ir pra casa.

– No baby, liga para o seu irmão, dorme aqui em casa. – Insistiu Micky, apertando o rapaz em seu abraço.

– Não posso.

Yoochun deixou um carinho no rosto do rapaz, discreto, mas significativo. Junsu era tão belo que poderia facilmente ser observado pelo resto da noite pelo outro rapaz, mas ele sabia que não restavam a ele mais do que alguns minutos. O rapaz se desvencilhou de seu abraço e se levantou, passando as mãos espalmadas em uma tentativa fracassada de retirar o amarrotado do tecido de sua roupa.

Micky se levantou logo em seguida, novamente se arrependendo de tê-lo recebido usando roupas tão desleixadas. Talvez ele gostasse mesmo de si, afinal, nem mesmo seus cabelos desgrenhados o impediram de trocar alguns beijos. Junsu segurou sua mão e eles seguiram lado a lado para fora do quarto, descendo sem pressa, as escadas, enquanto evitavam trocar olhares antecipadamente saudosos.

Assim que chegou ao último degrau, Yoochun voltou-se para o outro, o impedindo de descer. Seus corpos se esbarraram e ele o agarrou pela cintura com destreza. Junsu sorriu divertido e se permitiu trocar mais alguns beijos com o rapaz antes de cumprir sua promessa e voltar para sua casa. Eles mal haviam começado, apenas depositavam selares estalados um contra o outro, quando o barulho estridente de um copo quebrando ao chão os fez se separarem bruscamente, assustados.

Espatifado no chão estava o que antes deveria ser um copo de leite, e ao seu lado, Yoohwan trajando somente pijamas os fitava assustado e constrangido. Eles não viram o tempo passar, trancados aos beijos no quarto. O irmão mais novo de Yoochun havia chegado em casa e se preparava para dormir quando se deparou com a cena no corredor, algo que certamente ele não esperava para uma sexta-feira a noite. Junsu baixou o rosto, visivelmente sem jeito, enquanto Micky segurava sua mão.

– Hey, buddy. – Chamou o mais velho. – Deixe isso aí, eu limpo pra você.

– Não precisa. – Disse Yoohwan. – Eu não vou mais atrapalhar vocês, eu não…

– Tudo bem, eu estou indo pra casa. – Interrompeu Junsu. – Está tarde.

– Vá com cuidado, hyung. – Disse Yoohwan, sorrindo sem jeito. – Eu não queria mesmo atrapalhar vocês dois.

– Tudo bem. – Disse Junsu, sorrindo discreto e se aproximando de Yoochun. – Boa noite, Yoohwan.

– Boa noite, hyung.

Yoochun sorriu discreto e puxou Junsu para a porta. Eles não trocaram mais beijos, temerosos com outro flagra familiar, mas se demoraram em um abraço envolvidos por sussurros de declarações românticas. Quando se afastou, Micky acariciou mais uma vez o rosto do rapaz, apenas para se recordar que aquele momento era real. Junsu deu um beijo em seu rosto e então se afastou, acenando divertido e mais tarde, assoprando um beijo a distância.

Quando voltou para a sala, Yoochun encontrou o chão já limpo e seu irmão voltando da cozinha com outro copo cheio de leite. Micky não sabia como reagir, não falara mais com seu irmão sobre aquele assunto tão delicado e sabia que também devia-lhe explicações. Yoohwan parecia decepcionado com a quebra de sua promessa de contar a ele tudo e aquele olhar era a última coisa que Yoochun queria presenciar.

Assim, ele inflou seu peito de coragem e se aproximou do mais novo. Yoohwan o acompanhou com o olhar até ele parar e cruzar os braços. Suas pernas pareciam ter perdido a força e ele sabia que bastava um sorriso mínimo de deboche para se acovardar. Pelo contrário, Yoohwan o encorajou, esperou pacientemente, sem sinal de que riria de sua declaração polêmica. Micky puxou o ar, e então disse em voz alta, como se finalmente libertasse aquilo de seu coração.

– Yoohwan, eu sou gay.

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