Capítulo 07 – Boyfriend

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A toalha quadriculada era idêntica à dos filmes americanos. Era de um tom rosa claro, misturado ao branco. A mãe de Micky o permitira leva-la para o piquenique com seu adorável amigo, e até mesmo o clima parecia colaborar. No último domingo de férias, o sol da tarde ardia, mas uma brisa leve acalmava o clima quente. Era um frescor delicioso, quase um clima praiano. Ele escolheu uma grande sombra embaixo de uma árvore para se acomodar, longe do olhar curioso de crianças e mães.

Yoochun sentou-se sobre a toalha, deixando sua mala com comida logo ao seu lado. Sua mãe também o emprestaria sua cesta de piquenique, mas Yoochun afirmou que pareceria o Zé Colmeia chegando com a mesma ao parque. Assim, ele saiu de casa, conversando animadamente dom Yoohwan que, por sua vez, guiava o cachorro. De longe ele viu seu irmão, correndo com seu cachorro logo ao seu lado. Harang também se divertia, com seu rabo grande e peludo abanando em animação.

Micky se recostou à arvore ali próxima e como de costume, tratou de colocar seus fones de ouvido e mergulhar em um livro. Ele bem sabia que seu irmão logo se dispersaria e encontraria seus amigos, apesar de ainda se sentir rondado por ele. Yoochun nunca se sentira tão a vontade com ele próximo, era quase como se sentir protegido, um sentimento estúpido, porém fraternal.

A noite anterior fora tão gratificante que Yoochun sentia-se alguns quilos mais leve naquele dia. Sua consciência estava finalmente limpa e ele tinha a proximidade de que o mais novo sentia falta. Depois de se confessar para seu irmão, Yoohwan deu a ele o abraço mais demorado que ele se lembrava. Nem mesmo em seu aniversário ou formatura, seu irmão dera a ele um abraço tão caloroso, tão amigo. Após se afastar, Yoohwan disfarçou uma lágrima teimosa que fez o mais velho rir.

Yoochun ainda se deitou na mesma cama que o seu irmão em seu quarto, e pelas horas seguintes eles conversaram. Falaram sobre relacionamentos, amores, o passado e o futuro. Yoohwan contou-lhe como se sentira ao vê-lo segurando as mãos de seu amigo nos fundos de sua casa, enquanto esse derramava lágrimas discretas ao descobrir que Micky tinha uma namorada e como soube que ele ficou desolado com o afastamento do garoto.

E então, eles falaram de Junsu. Yoohwan ressaltou como seu hyung era gentil, enquanto Yoochun contou-lhe sobre os beijos que trocaram. Assim a noite se passou, falando de Junsu e combinando o que eles fariam para o piquenique no dia seguinte. Eles se apressaram para dormir após ter tudo combinado e na manhã seguinte acordaram cedo para preparar os sanduiches e sucos.

E lá estava ele, confortavelmente sentado enquanto esperava pelo rapaz. Ele não queria ficar ansioso, mas a premissa de encontra-lo era por demais excitante. Aquilo era um encontro, e ele sabia que seria demasiadamente romântico. Micky viu de longe, Yoohwan se aproximando deu um rapaz que trazia consigo um cachorro extremamente branco e peludo. Ele sentiu seu coração disparar e um frio percorrer sua espinha.

Antes que ele pudesse se levantar e chamar por Junsu, sua visão ficou escura e mãos firmes se prenderam aos seus olhos. Yoochun estranhou, mas logo aquela risada tão característica e deliciosa se fez presente. Micky chamou-lhe pelo nome e a risada aumentou antes do rapaz se jogar sobre seus ombros e abraça-lo apertado. Junsu soltou-o e se acomodou ao seu lado, ainda com o mesmo sorriso largo nos lábios.

Foi quando Micky percebeu que aquele que ele vira de longe era Junho carregando consigo o cachorro da família. E de imediato, Yoohwan chamou-lhe a atenção para que ele não rondasse o casal e deixasse os dois rapazes terem sua privacidade. Logo que Junsu apareceu à sua frente, Micky percebeu que ele carregava consigo uma flor branca. Era um belíssimo copo de leite que o rapaz o estendeu, indicando que era um presente.

– Uma flor, por que isso?

– Porque eu gosto de você. – Disse Junsu. – E quando uma pessoa gosta da outra, tem que dar flores.

– Eu não te trouxe nenhuma flor. – Disse Micky.

– Então da próxima você já sabe. – Riu-se Junsu. – Eu estava passando pela floricultura e ela estava lá, exposta sozinha em um vaso. Eu achei injusto ela ser tão bonita e ficar lá sozinha, então trouxe pra você cuidar dela.

– Ela é mesmo muito bonita. – Disse Yoochun. – Só perde para o seu sorriso.

– E depois o bobão sou eu! – Riu-se Junsu.

Junsu colou o lado do corpo ao dele, e recostou o rosto em seu ombro, e se permitiu ficar ali. Não era uma posição muito comum entre dois amigos, mas ele não se importava se as pessoas percebessem que aquilo era na verdade um encontro. Micky de forma discreta o envolveu pela cintura, o encaixando perfeitamente em seus braços e finalmente relaxando com o tronco da árvore como encosto.

Os dedos de Yoochun brincaram com a barra da camisa do rapaz que tinha o rosto corado. Junsu havia apostado corrida com seu irmão até ali e por isso estava cansado e com o rosto vermelho. Ao contrário do rapaz que o abraçava, sua conversa com seu irmão não fora assim tão pacífica. Junho ainda não apoiava sua tentativa e se irritou ao ver sua última esperança de manter Junsu longe daquele rapaz ir por água abaixo.

Ele havia apostado suas fichas naquele encontro às escuras com Siwon, mas tudo o que conseguira foi Junsu ainda mais próximo a Yoochun. Junho ainda discutiu com ele seus motivos por quere-lo longe do rapaz, mas seu irmão gêmeo não estava disposto a acatar seus conselhos. Assim, para tranquiliza-lo, Junsu o levou ao encontro, sabendo que o rapaz ficaria observando de longe sempre que pudesse.

Junsu entendia o medo de seu irmão, mas se deixasse se levar pelas paranoias dele, certamente jamais encontraria um namorado. Ele era extremamente apegado ao seu gêmeo, e jamais ignoraria uma necessidade dele, no entanto, aquilo era somente uma birra. Junho implicava com o rapaz mesmo ele deixando clara sua homossexualidade. Ele ergueu o rosto e deixou um beijo discreto no rosto do outro, coberto pelas mãos.

Junsu estava tranquilo, mesmo tendo discutido com seu irmão na noite anterior e ter dormido abraçado a ele para acalma-lo. Ele sabia que o outro tinha medo que ele se machucasse, mas imaginava se ele não teria medo de perdê-lo. Poderia ser um medo bobo, mas que só seria curado com o tempo e com a ajuda daquele que tão carinhosamente o abraçava. Micky o tirou de seus devaneios deixando um beijo em sua testa.

– Eu quero te dar um beijo. – Afirmou Yoochun.

– Não pode beijar em público. – Afirmou Junsu. – Muito menos nós que somos dois meninos.

– Mas você é tão lindo. – Elogiou Micky. – E me deu uma flor.

– Não quero nada em troca.

– Ah, eu trouxe comida! – Lembrou-se Yoochun. – Eu fiz sanduiche de pasta de amendoim e geléia, e tem suco de uva.

– Pasta de amendoim e geléia? Nunca comi isso.

– Não acredito. – Disse Micky, com ares de indignação. – É o melhor sanduiche da América, você nunca comeu?

– Não tem essas coisas aqui. – Explicou Junsu. – Me dá um para eu experimentar.

Yoochun roubou um beijo de seu rosto e soltou o abraço sem pressa. Ele retirou da mochila um pote plástico com enfeites de flores e uma tampa azul. De dentro deste, Yoochun retirou um sanduiche e o entregou ao rapaz ao seu lado que o observava. Junsu mordeu o sanduiche, estranhando a mistura do sabor do amendoim com o doce da geléia que o rapaz escolhera. Ainda assim, imagina-lo preparar aquela refeição sendo preparada com tanto carinho, fazia seu coração bater mais forte.

Yoochun ainda remexia na bolsa e Junsu riu ao vê-lo retirar um osso sintético apropriado para cães e coloca-lo no colo do rapaz. Micky sorriu com o outro, parando para observa-lo novamente. Era até difícil para ele desviar o olhar, mas sua necessidade de abraça-lo se fez urgente. Ele se levantou e se acomodou atrás dele com as pernas afastadas. Junsu corou com a posição, mas se permitiu ficar e se deitar no colo do outro.

– Então é assim ter um namorado? – Indagou Yoochun. – É isso que namorados fazem?

– Eu acho que namorados fazem o que tem vontade. – Disse Junsu, sentindo Micky limpar seu rosto com a ponta dos dedos. – Acho que fazem as coisas para se sentirem bem.

– E o que você faz para se sentir bem?

– Eu gosto de jogar futebol, conversar com o meu irmão e atualmente, ficar abraçado a você. – Disse Junsu. – E você? O que te faz se sentir bem?

– Pensar em você. – Afirmou Micky. – E esse encontro, esse lugar, esse clima, tudo isso faz com que eu me sinta bem.

– Acho que alguém está gostando de mim, e quer me namorar, me beijar. – Riu-se Junsu.

– Você é sempre assim bobão. – Afirmou Yoochun apertando sua cintura e beijando demoradamente seu pescoço. – Acho que eu gosto disso.

– Não me beija assim, está todo mundo olhando. – Disse Junsu, pendendo o rosto de lado e expondo seu pescoço.

– Vamos pra outro lugar então. – Disse Yoochun deixando outros beijos. – Um lugar mais reservado.

– Eu conheço um lugar.

Não levou mais do que cinco minutos pra que os rapazes juntassem suas coisas e saíssem correndo dali. Eles foram para um lado mais sujo e com pouco gramado, por isso era pouco movimentado. Junsu o guiou para uma área mais solitária, com um barracão abandonado no qual uma placa indicava um antigo posto médico que fora relocado do outro lado do parque. Yoochun riu-se ao perceber o quão afastado eles estavam e olhou desconfiado para Junsu.

Junsu recostou-se contra a parede e o puxou pelo pulso para que ele o abraçasse. Ele deixou Micky colar os lábios aos dele e tratou de beija-lo como o rapaz disse que desejava. Eles se beijaram, demoradamente, no entanto a curiosidade de Yoochun falou mais alto. Ele cortou o beijo, roubando do rapaz diversos selares. Quando sua vontade de beija-lo diminuiu, ele recostou o rosto ao do outro e o indagou:

– Como você conhece esse lugar?

– Um menino me trouxe aqui quando eu era mais jovem. – Disse Junsu. – Já faz muito tempo.

– Veio aqui dar uns beijos nele também?

– Foi um beijo só. – Disse Junsu. – Depois eu saí correndo pra casa.

– Então, por motivo de orgulho, eu terei que te dar mais um beijo.

Junsu riu e se permitiu ser beijado novamente, sentindo o corpo do rapaz colar ao seu, separado apenas pelas roupas. Micky pressionou o corpo do rapaz contra a parede, sentindo pela primeira vez suas coxas firmes e grossas se roçarem as suas. As mãos de Junsu haviam sutilmente repousado em sua cintura e os dedos brincavam com a barra de sua camisa, arrepiando-se quando alcançavam sua pele quente.

Já Yoochun era extremamente mais ousado. Suas mãos firmemente se agarraram nos cabelos de sua nuca, enquanto a outra passeava pelo abdômen bem definido do rapaz, arrancando suspiros quando seus dedos passeavam na região abaixo do umbigo. Junsu estranhou quando o rapaz deixou seus lábios e atacou seu pescoço de imediato. Ele arregalou os olhos, pois um arrepio muito forte percorreu sua espinha, esquentando seu corpo e corando seu rosto.

Para piorar sua situação a mão do rapaz acomodou-se sem pudor em sua nádega direita, e ele de imediato a pressionou, sentindo entre seus dedos as carnes fartas daquele local. Junsu constrangeu-se não somente com sua situação, mas com as sensações deliciosas que ele se permitia sentir ali, em público. Suas mãos afastaram a mão do rapaz de sua nádega e o freou antes que ele se adiantasse, ou pior, ele próprio se excitasse.

– Que foi, Su? – Disse Yoochun com a voz rouca contra seu ouvido, uma vez que não desejava se afastar demais de seu pescoço ou deixar de beija-lo.

– Você está pegando onde não deve, estamos em público! – Constatou Junsu.

– Mas estamos sozinhos. – Argumentou Yoochun, mordendo o lóbulo de sua orelha. – E você estava chamando o meu nome.

– Eu estava? – Disse Junsu, assustado. – Pois eu não vou chamar mais.

– Qual é o problema, Su? – Disse Micky, finalmente se afastando para fitar o rapaz. – Tudo bem, eu entendi que você não quer que eu pegue, como você chamou? Onde não deve?

– Você sabe onde é! – Reclamou Junsu.

– Eu sei, eu sei. – Disse Yoochun, rindo ao perceber o constrangimento do rapaz. – Você não gosta? Que peguem na sua bunda?

– Ssshhh, por que está falando isso tão alto? – Reclamou Junsu, novamente.

– Você tem vergonha? – Riu-se Yoochun. – Não somos dois adultos?

– Para com isso, Chunnie. – Disse Junsu, baixando o rosto. – Eu não quero e pronto.

– Tudo bem, eu não faço mais. – Disse Yoochun, o abraçando pelos ombros, o deixando encaixar seu rosto. – Posso te perguntar uma coisa?

– Pode. – Disse Junsu, emburrado.

– Ninguém nunca passou a mão em você? Ninguém nunca tentou?

Junsu apenas negou com a cabeça, sem afastar o rosto dele e consequentemente, sem visualizar o sorriso malicioso que se formou em seu rosto antes da pergunta seguinte.

– Então, afinal, você é virgem?

– Aish! – Junsu reclamou em alto e bom som e de imediato se afastou do rapaz.

– Hey, hey, espere! – Disse Yoochun o agarrando pela cintura. – Eu falei algo errado?

– Falou, claro que falou!! – Reclamou Junsu.

– Foi só uma pergunta, nada demais!

– Eu não sou como você que… sai por aí e…

– Você é virgem?

– Park Yoochun!! – Ralhou Junsu.

– Me conta! – Disse Yoochun, rindo. – Eu não vou contar para ninguém e nem rir de você.

– É só isso o que você quer? Fazer sexo comigo?

– E de onde você tirou essa bobagem? – Disse Yoochun. – Eu estou acostumado em não pensar antes de transar, não tenho o direito de saber no que estou me metendo?

– Vai desistir se eu for virgem?

– Céus, você é! – Constatou Yoochun, vendo o outro corar e cruzar os braços. – Você é mesmo! Quantos anos você tem, Su?

– Você sabe que eu tenho 22 e que nós temos a mesma idade.

– Hey, não fica bravo, olha pra mim. – Chamou Yoochun. – Vamos falar a sério.

– Eu não quero falar disso.

– Fala baixinho, no meu ouvido, como um segredo.

– Não pergunte coisas obscenas. – Disse Junsu, aceitando seu abraço e deixando seu rosto próximo ao ouvido do outro.

– Por que você ficou tão assustado? Ninguém nunca avançou o sinal antes?

– Uma vez, um cara tentou, mas eu empurrei ele e saí correndo. – Disse Junsu. – Ele pegou na minha bunda, igual você. Não sei qual é o negócio com esse pedaço meu.

– Não sabe? Ela é enorme. – Disse Yoochun, rindo, mas logo perdendo o fôlego e tossindo quando sentiu um soco no peito. – Está bem, sem obscenidades.

– Ótimo!

– E por que você nunca fez? O que acontece? Faltou oportunidade? Ou não tem vontade?

– Claro que tenho, eu sou homem! – Disse Junsu engrossando a voz, mas suspirando pesadamente logo em seguida. – Eu não quero fazer com o primeiro que quiser me dar um beijo. Tem que ser especial, Chunnie!

– Especial?

– A sua primeira vez com uma menina foi especial, não foi?

– Foi desajeitada, isso sim! – Riu-se Yoochun. – Eu broxei nas cinco primeiras tentativas, e na sexta, fiquei olhando para a foto do irmão dela no porta-retrato para conseguir e enfim… ela era a minha namorada, e foi bastante compreensiva.

– É uma lembrança boa?

– É uma lembrança. – Disse Yoochun, deixando a ponta de seus dedos acariciarem seus cabelos. – Nada demais.

– Você gosta de mim?

– Claro que gosto.

– Se importa de esperar?

– Não. – Disse Yoochun, roubando um selar de seus lábios. – E nem vou ficar te chateando com cobranças indevidas, está bem?

– Mesmo? – Disse Junsu, erguendo o olhar desacreditado. – Quer dizer, você é sempre… todo… guloso. Não vai me cobrar?

– Eu já não disse que gosto de você? – Disse Yoochun. – É bom fazer as coisas com calma e apropriadamente para variar. Só me diz uma coisa, apertar a sua bunda está mesmo fora de cogitação?

– Aish!! – Reclamou novamente Junsu. – O que você quer?

– Eu preciso ser mais específico? – Disse Yoochun, vendo o outro se afastar e cruzar os braços. – Eu quero a permissão para apertar a sua bunda quando nós estivermos nos beijando e quando ninguém estiver vendo.

– Não quero discutir isso.

– Se você não argumentar, eu vou pegar gostando você ou não. – Disse Yoochun, repousando sua mão na curva entre a cintura do outro e suas nádegas. – Então trate de ir falando.

– Por que você quer tanto isso? Por que está me constrangendo assim?

– Você não sabe? Não sabe que você é lindo, charmoso e muito gostoso? – Afirmou Yoochun. – Claro que eu gosto de tudo em você, do pacote completo, mas eu não posso ignorar a sua aparência. E por último, não vejo por que esconder de você que eu gosto da sua bunda e quero pegar nela, quando estivermos sozinhos.

– Se você contar isso para alguém, ou pior, se o meu irmão souber, está tudo acabado, estamos entendidos?

– E por que eu contaria? Pra te ridicularizar? Pra me ridicularizar? Eu gosto de você, e ninguém tem nada haver com isso.

– Você é tão perfeito para mim. – Disse Junsu. – Mesmo com esses desejos promíscuos, essa boca suja e esse olhar sem pudor.

– Então me dá um beijo, eu quero namorar você.

Junsu riu discreto e o abraçou com força pelos ombros, deixando um beijo em seus lábios. E com a questão terrível das nádegas de Junsu sob controle, eles voltaram a se beijar. Yoochun saboreou seus lábios por boa parte da tarde, sem se importar com tudo à volta, ou com o tempo que eles passaram ali. O cheiro da relva já estava sobreposto pelo cheiro de Junsu, e os barulhos do parque já não se sobressaiam aos gemidos discretos que eles soltavam.

Suas mãos brincavam, exploravam, pressionavam, incitando seu tato, causando arrepios e aquecendo seu corpo. Seus lábios estalavam e vez ou outra Junsu se arriscava a beijar o delicioso pescoço do outro. Se Yoochun tinha desejos reprimidos por suas nádegas, Junsu tinha por seu pescoço, apenas era conservador demais para verbalizar seu desejo. No entanto, uma vez que o outro tinha permissão de apertar-lhe as nádegas ao seu bel prazer, Junsu tinha o direito de saborear seu pescoço e até mesmo marca-lo com os dentes.

E ele o fez. Deixou duas ou três marcas roxas naquele pescoço tão cheiroso e delicioso. E Yoochun não se importou, e até se imaginava dizendo para as pessoas que seu namorado Junsu o havia marcado daquela maneira. Micky não marcaria seu pescoço, pois não desejava mais problemas com Junho, mas suas mãos ficaram devidamente presas à suas nádegas, as apertando e massageando com vontade. Se assim era ter um namorado, Yoochun não se demoraria a pedi-lo em namoro.

Em um lado mais movimentado do parque, Junho sentou-se no chão, ao lado de Yoohwan depois de se cansar de procurar seu irmão pelo local. Ele já passara por aquilo antes, e sabia que Junsu iria aparecer somente quando quisesse aparecer. Uma mania irritante de seu irmão apaixonado. Ele estava verdadeiramente apaixonado e aquilo preocupava Junho, enquanto o caçula da família Park brincava com os dois cães.

Junho se demorou em fita-lo. Como poderia ele estar tão tranquilo enquanto seu irmão tinha um caráter tão deturpado? Usando meninas como objetos e incapaz de manter um relacionamento saudável. Yoochun tinha sérios problemas e talvez tivesse segredos negros que o tornavam uma companhia ainda mais imprópria para Junsu. Junho suspirou baixinho ao pensar no assunto e Yoohwan percebeu as rugas de preocupação se formando em sua testa.

– Hyung! – Chamou Yoohwan. – Quer tomar um sorvete?

– Não, obrigado, Yoohwanie. – Disse Junho.

– Eles não fugiram pra casar. – Disse Yoohwan, arrancando uma risada discreta do rapaz. – Devem ter ido para um lugar mais discreto.

– Que ótimo, seu irmão levou o meu pra um canto escuro. – Ironizou Junho. – Bem tranquilizador.

– Não é isso, hyung! – Riu-se o dongsaeng. – É que eles não são como qualquer casal, devem ter tido vontade de andar de mãos dadas, abraçar, beijar e por isso estão em um lugar mais reservado.

– Você sabe?

– Ele me contou tudo ontem a noite. – Disse Yoohwan, visivelmente animado. – Eu sempre soube, desde que nós éramos adolescentes.

– Sempre? Não te surpreendeu em nada?

– Quando eu descobri sim. – Recordou-se o mais jovem. – Quando percebi que não era normal meu irmão assistir filme abraçado ao amigo, ou sorrir quando ganhava um beijo no rosto dado por outro menino.

– Ele agia assim?

– Hyung, meu irmão pode ter todo aquele jeito de quem não liga pra nada, aquele ar debochado, mas no fundo eu sei que ele é uma manteiga derretida. – Disse Yoohwan. – Deixe eu te contar uma coisa. Quando nós éramos mais novos, ele tinha uma namorada e nunca estava nem aí pra ela, a coitada corria atrás dele igual cachorro e o máximo que ele dava era alguns beijos nela. Quando ele começou a namorar com ela, o melhor amigo dele parou de falar com ele, porque eles se gostavam.

– Ele gostava dele, mas namorava com ela?

– Exatamente. E então, um dia ele foi lá em casa e eles passaram o resto da tarde conversando, eu nunca soube o conteúdo daquela conversa, mas dava para imaginar. Quando eles saíram do quarto, dava pra ver que os dois tinham chorado e eles saíram de mãos dadas. Quer dizer, deve ser difícil, aos dezesseis anos lidar com algo do gênero. Ele gostar de um menino, não poder ficar com ele e ainda ter que lidar com o ciúme do outro, ele só tinha dezesseis anos!

– O Junsu teve algumas coisas parecidas. Ele sempre foi o mais sensível. O nome dele é Junsu porque ele era o mais bonito e eu sou Junho porque sou mais masculino. De alguma maneira, meus pais perceberam essa diferença logo que nós nascemos. Ele chorava mais, era mais manhoso, mas também mais simpático e mais atencioso. Então vieram os namoros, eu arrumava uma namorada e o Su preferia passar horas jogando videogame com o irmão dela. Então eu apresentei um amigo para ele, e duas semanas depois lá estava meu irmão beijando ele na cozinha.

– O que você fez? – Disse Yoohwan entre risos.

– Eu fiquei com raiva, a princípio, depois fiquei muito desapontado. Quer dizer, ele era diferente, diferente demais, e eu não sabia o que fazer sobre isso. Ainda assim, eu gostava muito do Su e não consegui me afastar dele como me deu vontade. Eu queria castigar ele por ser assim, mas depois vi que não ia adiantar. Um dia ele se deitou na minha cama comigo e me pediu desculpas por ser assim, mas era inevitável. Então eu decidi, que se o meu irmão ia ser assim, eu ia cuidar dele. Isso quer dizer, ninguém vai magoar ele enquanto eu estiver por perto, e isso inclui o seu irmão. O que me incomoda, é que, apesar de saber que um ou outro cara deu uns beijos no meu irmão, ele nunca se apegou a nenhum deles, mas é apegado ao Yoochun.

– Você não conhece o meu irmão, hyung. – Disse Yoohwan. – Ele faz essa pose de sarcástico, implicante, chato, mas ele é todo meloso. Ele é romântico, hyung, apesar eu saber que ele nunca vai admitir isso em voz alta. Eu sei que você não quer que o Junsu-hyung cometa erros e nem que sofra, mas vai privar ele de ter momentos bons porque tem medo?

– E que tipo de bons momentos o seu irmão poderia proporcionar? O mesmo que ele proporciona para essas meninas por aí? Você entende que eu não posso ficar sentado, apostando que o Su vai ser a grande exceção da vida do seu irmão, exclusivamente porque ele é homem?

– Ele vai ser a exceção porque meu irmão gosta dele. Não posso te dar nenhuma garantia de que eles vão dar certo para sempre, que o Chunnie-hyung não vai pisar na bola, mas ele não vai usar o Junsu-hyung, não vai fazer com ele o que faz com as meninas. E se você quer saber que tipo de bons momentos o meu irmão pode trazer, por que não olha para o seu irmão ali?

Quando olhou para frente, Junho viu seu irmão se aproximando. Eles não estavam de mãos dadas, nem abraçados e se passariam por bons amigos com facilidade. Entretanto, estavam felizes. Yoochun segurava a flor que recebera com delicadeza, pois queria suas pétalas ainda inteiras quando chegasse em casa, e Junsu vinha comendo outro sanduiche que o rapaz havia preparado. E eles riam.

Dividiam piadas e histórias que os faziam rir divertidamente. Seus olhares, porém, dividiam outro tipo de sentimento, de uma cumplicidade que mais uma vez causou ciúmes no gêmeo que os observava. Apenas os mais sensíveis perceberiam tamanho sentimentalismo velado, antes demonstrado em beijos e agora velado apenas por olhares trocados e alguns sorrisos mais cúmplices.

O cachorro Shaki certamente foi o mais animado do grupo com a chegada dos dois. Ele pulou, latiu, correu, tudo em sinal de boas vindas a eles. O cão de Yoochun também se aproximou, abanando seu rabo, mas de forma mais contida. Os dois rapazes, então se levantaram e se aproximaram do casal que se ocupava com as peripécias do cachorro branco. Nenhum dos dois poderia negar que eles estavam felizes, e que aquela tarde fora um bom momento para eles.

– Acho que deveríamos ir para casa, Su. – Avisou Junho. – Está tarde.

– Acho que sim. – Disse Junsu, sentindo Yoochun envolve-lo sutilmente pela cintura. – Eu não quero preocupar a omma, e já está anoitecendo.

– Nós também não vamos demorar aqui, não é Chunnie-hyung? – Disse Yoohwan.

– Não mesmo. – Disse Yoochun. – Vamos nos ver na faculdade?

– Com certeza. – Afirmou Junsu. – Você me liga?

– Vocês ainda estão juntos e já estão combinando ligações? – Reclamou Junho. – Que coisa mais melosa!

– Você precisa de uma namorada, hyung. – Disse Yoohwan. – É uma boa dica.

– Eu estava achando que era só um, mas os dois são assim, abusados! – Reclamou Junho. – Mesmo você sendo tão chato quanto o seu irmão ali, valeu pela companhia hoje.

– Vamos fazer mais vezes, hyung. – Sorriu-lhe Yoohwan.

– Vamos, Su?

Quando voltaram-se para os outros dois, eles estavam afastados se despedindo de forma não muito discreta. Junsu acariciava seu rosto com as mãos, sentindo sobre seu tato a pele macia do rapaz, enquanto Yoochun o mantinha junto a si, com um abraço firme pela cintura. Eles faziam promessas de curto prazo de voltarem ao parque, ou encontrarem outros lugares escondidos para trocarem beijos. Combinavam idas ao cinema e escapadas entre as aulas para a biblioteca da faculdade.

Eles apenas se afastaram ao perceberem aqueles olhares sobre eles. Eles não queriam constranger seus irmãos, muito menos impacientar o gêmeo ciumento, portanto voltaram para a companhia deles. A segunda despedida foi mais demorada, pois eles demoraram-se rindo e colocando a coleira em seus cães. Os quatro seguiram juntos, porem mais silenciosos para a saída do parque e finalmente seguiram para seu rumo. Assim que viram os dois afastados, Yoohwan finalmente cortou o silêncio:

– Ganhou uma flor?

– O Su gosta dessas coisas românticas. – Afirmou Yoochun. – Acho que eu vou ter que ser um namorado romântico para ele.

– Vocês vão namorar logo?

– Logo eu não sei, mas eu quero namorar com ele. – Disse Yoochun. – Tudo bem pra você? Eu namorar o Junsu?

– Ele é um cara bem legal, se ele gostar de você e você gostar dele não tem porque não namorar. – Disse Yoohwan.

– Obrigado por… isso. Por tudo.

– Não precisa agradecer, você é meu irmão. – Disse Yoohwan o abraçando pelos ombros. – Só não pense que eu não vou te zoar quando você for comprar flores ou ursinhos de pelúcia, porque eu vou.

– Aish!!

Yoohwan riu e soltou o abraço para sair correndo e ser perseguido por seu irmão e seu cachorro que era bem adepto a uma corrida. Suas conversas eram sempre assim, curtas, porém cheias de significados. Yoohwan já conhecia seu irmão, e vê-lo feliz daquela maneira era certamente uma novidade. Naquela noite ele abdicaria uma noitada com os amigos para jogar videogame com Yoochun, e não se arrependeria dos momentos passados com ele. E Micky até mesmo deixou-o ganhar algumas vezes, afinal, mais do que nunca, ele era grato ao seu dongsaeng.

Mais tarde, naquele dia, Junho entrou no quarto que dividia com seu irmão, trazendo consigo duas xícaras de chá. Junsu que estava cansado, já havia se deitado e esperava seu irmão voltar para poder adormecer. Ele sentou-se novamente assim que o viu entrar com as xícaras e recebeu a própria, para por fim se afastar e deixa-lo sentar-se logo ao seu lado. Junho havia falado pouco desde a volta do parque, e isso o havia preocupado até aquele momento. Junho tomou um gole do chá e desviou o olhar para seu irmão, para por fim pergunta-lo:

– Você está feliz?

– Estou preocupado. – Confessou Junsu. – Não sei no que você está pensando.

– Estou me perguntando se a sua tarde foi boa. – Disse Junho. – Como foi a sua tarde?

– Eu fiquei com o Chunnie. – Disse Junsu. – Ele fez sanduiches para um piquenique, mas só eu comi, e na maior parte da tarde nós namoramos e conversamos. Foi uma tarde tão divertida e romântica, para mim.

– E você está feliz?

– Estou. – Afirmou Junsu. – Eu acho que ele gosta de mim.

– É, eu também acho. – Disse Junho. – Você quer mesmo arriscar com esse cara? Ele vale a pena assim? Ele nem é tão bonito, ou esperto, tem certeza que é o Yoochun que você quer para seu primeiro namorado?

– Eu nem sei se ele vai ser mesmo meu namorado. – Disse Junsu. – Mas eu queria tentar, ver como as coisas vão. Ele acabou de se assumir, tudo ainda é muito recente para nós.

– Se ele só quiser transar com você, você vai se desapontar.

– Isso pode demorar um pouco, porque eu não vou transar com ele agora.

– E ele sabe disso?

– Ele disse que vai esperar. – Afirmou Junsu. – Quando acontecer pela primeira vez, eu te conto, pode ser?

– Pode. – Disse Junho. – Eu não quero que me esconda nada, e nem minta para mim, está bem? Gosto de te ver feliz, mesmo sendo com aquele bobalhão.

Junsu sorriu a ele e o abraçou pelos ombros, o sentindo dar tapinhas discretos em suas costas. Era bom ver seu irmão aos poucos aceitando suas decisões, mesmo ainda estando desconfiado. Eles tomaram o chá silenciosos e depois, Junho deixou-lhe a cama, ajeitando os lençóis sobre o corpo de seu irmão gêmeo. Ele gostava de ver aquele sorriso nos lábios dele e apenas torcia para que aquele outro não estragasse a felicidade de Junsu.

Por outro lado, Junsu estava mais do que otimista. Com seu irmão o apoiando aos poucos, aqueles beijos que eles trocaram não pareciam mais tão proibidos. Ele fechou os olhos para adormecer, e ainda sentia o sabor daqueles lábios quentes e firmes. Seu coração disparava somente com a lembrança do rapaz, enquanto ele aos poucos se convencia que aquele era seu novo namorado.

Ao mesmo tempo, Yoochun estava deitado sobre sua cama, olhando para a janela, onde um pequeno vaso abrigava o copo de leite que ele havia ganhado. Ele estava feliz, mais do que satisfeito com os beijos e promessas que trocara com Junsu. Mesmo o fato de ele ser virgem, o tornava mais perfeito aos seus olhos e sua mente divagou por horas, o quão especial seria, se ele fosse seu primeiro homem. Assim como Junsu fora o primeiro que ele beijou, o primeiro a quem ele se declarou, e certamente, seria seu primeiro namorado.

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