Capítulo único.

A caixa de morangos estava aberta sobre a mesa de centro. O aroma doce da fruta pairava sobre a sala espaçosa e silenciosa. Em volta desta discreta mesinha de mogno estava um sofá de canto, de veludo azul, combinando com o tapete belga que adornava o chão da sala. Sobre as paredes, diversas obras de arte, todas de paisagens naturais ou abstratas. Talvez aqueles quadros ou as esculturas chamassem a atenção, não fosse a grande porta de vidro que ia de um canto a outro de uma das paredes.

A vista do local era magnifica, e a grande varanda era funcional para que ela fosse devidamente aproveitada. Era possível ver uma belíssima Seul do alto daquele local, todas as suas luzes pareciam não passar despercebidas aos olhos do homem ali parado. Os ventos pareciam vir de todos os locais, enquanto, saboreando um grande e suculento morango, Changmin observava a cidade.

Os ventos moviam seus cabelos castanhos e extremamente lisos, cobrindo seus olhos de um negro tão profundo. Changmin soltou um suspiro e afagou os pelos de sua pequena maltes que descansava em uma cadeira próxima a si. Seus olhos analisavam a cidade, mas sua mente analisava seu dia, enquanto processava os sabores intensos daquele apetitoso morango. Ele jamais comprava morangos.

Changmin era um designer de interiores de sucesso. Por isso mesmo seu apartamento tinha a última moda em termos de decoração. Ele entendia do assunto, tinha bom gosto e era bastante charmoso perante seus clientes. E era devido ao seu vasto conhecimento, que ele sabia, que pinturas destacando uma paisagem ou objeto de maneira fiel, era algo tão démodé, que ele o repudiaria se o visse em uma exposição ou um leilão.

Ainda assim, lá estava ele, comendo morangos e lembrando-se do artista que vira mais cedo. O dia mais incomum de toda a sua vida, mas que ainda o perseguia enquanto a noite avançava.

Aquele havia sido um dia ensolarado. Changmin detestava dias ensolarados. Faziam seus ternos parecerem quentes demais e o cheiro de sua colônia favorita desaparecer em poucas horas. Ao meio dia, o clima já o havia deixado mal-humorado e reduzido drasticamente seu apetite para o almoço. Ele atravessava o parque, como sempre andando com pressa, usando seus óculos escuros e caros e seu relógio Armani.

Atrás de um eucalipto, ele estava. A toalha verde estendida e sobre ela, somente uma caixa de morangos. Alguns metros atrás, estava o rapaz, com um lápis comprido na mão, e um óculos de grau simples no rosto. Ele se movia com leveza, pendendo o corpo, olhando para os morangos e voltando para seu cavalete, onde desenhava sem pressa alguma as frutas. Ao contrário dele, aquele rapaz não parecia nem de longe se importar com o clima, nem com nada a sua volta.

Ele usava uma regata justa, que estava grudada ao seu peitoral e mostrava seus braços, nem finos demais, nem grossos demais. Os ombros largos apareciam, brancos como a neve, com algumas pintas apropriadamente posicionadas. Os cabelos deviam ter sido penteados em algum momento do dia, mas agora estava desgrenhados e as pontas embebiam o suor de sua testa.

Ele não devia ter mais de vinte e cinco anos, tinha ar jovial e um olhar distraído. Ele parou, colocou as duas mãos na cintura e olhou seu esboço e então para o moreno bem apessoado que o fitava fixamente. Changmin o viu percebe-lo, e então olhar para trás em busca do que ele observava e então para ele novamente. E finalmente ele sorriu, apenas um discreto curvar de lábios, mas simpático, gentil.

Changmin desviou o olhar, desconcertado. Fora pego no flagra e não ganhara o que ele esperava, um revirar de olhos, um suspiro impaciente e talvez até um impropério verbal. Ele ganhara um sorriso, que brincou nos lábios do rapaz. Ele deu-lhe as costas e continuou seu caminho, tinha afazeres e não podia se deixar levar pela primeira bizarrice que visse no parque. E lá voltava ele com um copo de café expresso e um assado nada saudável.

Ele tomou um caminho diferente na volta. Sua desculpa era que não gostaria de encarar novamente aqueles olhos curiosos do rapaz, mas no fundo ele sabia, queria ver o quadro. Ele seguiu a passos lentos, enquanto se esgueirava para trás do rapaz. Era um quadro simples, da paisagem que ele observava e que era esboçado pelo esforçado e distraído rapaz. E lá era ele flagrado, quando o rapaz, atraído por uma buzina alta, olhou repentinamente para trás.

“Posso ajudar?”

– É… não! Na verdade…

Changmin tropeçou nas palavras, enquanto olhava a volta, em busca de algo que pudesse usar de desculpa por encarar o rapaz tão fixamente, pela segunda vez em um espaço tão curto de tempo. O rapaz sorriu-lhe novamente e riu-se de seu desconcerto, o que o fez fechar as feições, como fazia quando seus subordinados faziam algo errado. O rapaz negou com a cabeça e deu-lhe as costas por mais que ainda sorrisse, retomando sua concentração.

O mais alto se aproximou e fitou o esboço. Não era grande coisa, não tinha muita técnica, tampouco um estilo arrojado e chamativo. O rapaz decidiu-se por ignora-lo. Apesar de não conseguir ignorar seu cheiro, tampouco o olhar pesado sobre suas costas. Changmin cruzou os braços, na tentativa de chamar-lhe a atenção, ainda sem sucesso. Finalmente ele decidiu esse manifestar, e dizer uma frase coerente:

– O que você está pintando?

– Morangos. – Disse-lhe o rapaz, ainda sem fita-lo.

– Por que?

– Porque são gostosos, oras.

– Você é pintor, por acaso?

– Só aos finais de semana, inclusive você está atrapalhando a minha concentração.

– Pois saiba que não vai vender. – Criticou Changmin.

– E você é o que? Um crítico por acaso? – Atacou-lhe o jovem. – Pois saiba que não está a venda. Arte de verdade não é feita para ser vendida, ou você acha que Van Gogh cortou a própria orelha por conta de alguns xelins?

– E o que você pretende fazer depois de pronto?

– Eu só decido depois que termino. – Explicou-lhe. – Vai me prender por vandalismo, senhor policial?

– Não sou policial, sou designer de interiores.

– Ah, decorador. – Riu-se o rapaz, vendo o outro fechar a cara. – Eu sei, vocês detestam ser chamados de decoradores.

– Eu não sei porque parei aqui, preciso voltar ao trabalho. – Falou Changmin, vendo o outro sorrir discreto. – E você? Se não é pintor é o que?

– Sou dançarino, senhor designer e gosto de pintar para me distrair. Agora se me permite, essa sua aura escura está sugando toda a minha criatividade.

– Não tem criatividade alguma aí, você só está copiando. – Acusou Changmin.

– Já parou para pensar se eu fosse um serial killer? – Indagou ele, vendo o outro rir. – Pois saiba que você seria o segundo da minha lista, perdendo só para o filho da mãe que atropelou meu cachorro quando eu era criança.

– Qual o seu problema? – Indagou Changmin bebericando de seu café.

– Não sou eu quem estou parado em um parque tomando café e interrompendo o trabalho alheio. – Disse ele, pensativo. – Aliás, é hora do almoço, não do café.

– Estou sem fome. – Explicou Changmin. – Eu preciso voltar mesmo, foi algo próximo a um prazer te conhecer.

– Qual o seu nome? – Indagou-lhe o rapaz.

– Choikang Changmin e o seu?

– Cho Kyuhyun, ao seu dispor. – Afirmou o rapaz, rodando o lápis entre os dedos. – Volte para o seu trabalho, você não parece confortável com esse terno no sol. Deve ser por isso que você é tão simpático quanto um tigre com dor de dente.

– Você é matusquela, sabia?

Changmin finalmente riu-se e se afastou do rapaz acenando, sabendo que ficaria sem resposta. Kyuhyun sorriu de lado e voltou-se para seu quadro novamente. O mais alto não conteve seu olhar e o observou até ficar complicado demais para fita-lo e assim ele seguiu para seu trabalho, um local de ar condicionado fresco, mas demasiadamente entediante.

Ao final do dia, ele ainda esperava encontrar Kyuhyun no mesmo lugar do parque, entretanto ele já não estava mais lá. Changmin, por mais que tenha monitorado por sua janela o dia todo, não o viu partir. Estranhamente aquilo o decepcionou, mais do que ele havia previsto. Por que afinal, ele iria querer ver novamente aquele rapaz sem juízo algum?

A noite chegou calma e demasiadamente silenciosa. Changmin colocou mais um morango na boca e entrou novamente em seu luxuoso e confortável apartamento. Por que não pegara seu telefone ou ao menos um endereço onde pudesse encontra-lo? Enquanto sua memória repetia como em um gravador “Cho Kyuhyun, dançarino, pintor de final de semana”.

E foi esse mantra que o fez adormecer e ele se lembrou destas palavras ao acordar com o relativamente humor melhor no dia seguinte. Ele ainda tinha que usar seu terno, ainda estava um calor insuportável, ainda tinha um transito infernal até o trabalho, mas talvez, com uma boa dose de sorte, ele estaria lá. Estaria com seu cavalete gasto, sua tela agora com alguns sinais de tinta e o suor que cobriria novamente sua pele clara.

Não estava. O parque ainda estava vazio, não fosse por alguns aposentados passeando com seus cães. Changmin estacionou o carro e quando saiu, ainda encurvou seu corpo com ar esperançoso, mas nada a não ser os costumeiros visitantes do local. Seu humor volátil voltou a piorar, ele não podia se deixar levar, tinha muito trabalho a fazer.

Kyuhyun chegou ao parque por volta das dez da manhã, desta vez trouxe consigo alguns refratários com tinta. E lá ele ficou, entre suas cores chamativas e o pote com morangos mais uma vez apropriadamente posicionados, enquanto ele os pintava por primeiro, pois poderiam estragar. Ele adorava fazer aquilo, por mais que não fosse especialmente talentoso e não tivesse tanto tempo livre.

Ele se concentrou em seu trabalho até a hora do almoço, quando o sol aumentou, assim como o calor. Os morangos e o céu estavam devidamente pintados, o resto poderia ser feito na calmaria de sua casa. Kyuhyun estava faminto, mas desejava saber se aquele rapaz passaria por ali de novo. Talvez ele até mesmo pagasse-lhe um café, como o que ele saboreava no dia anterior.

Seria muita pretensão sua acreditar que ele havia se interessado por sua pessoa, e ele sabia que estava sendo pretensioso. Porém, nada como um pouquinho de bajulação para amaciar seu próprio ego. Kyuhyun riu-se de seu próprio pensamento e encostou sua tela próximo a um banco, onde sentou-se, à sombra de uma das árvores. O calor começou a incomodar, então ele ficou satisfeito ao ver o vendedor de sorvetes.

Kyuhyun pagou por seu picolé e acomodou-se novamente na sombra. Aos poucos ele começou a perceber a movimentação diferenciada na praça, de pessoas que trabalhavam a volta, como seu visitante inesperado no dia anterior, usando gravatas bonitas e saltos tiquetaqueando a calçada. Changmin não era assim tão diferente das pessoas, ali, apenas ele ainda não havia reparado neles.

Logo que terminou seu picolé ele o avistou. Estava devidamente acomodado em um banco perto dali, ainda com seu terno, mas desta vez em um risca giz charmoso. Outro relógio bonito, desta vez com um brilho prateado adornava seu pulso. Entretanto, o mais interessante era como ele olhava para onde eles se conheceram no dia anterior. Ah, como ele trocaria todo seu talento na dança para saber o que aquele atraente designer pensava.

Kyuhyun se aproximou silencioso de onde ele estava, deixando o palito do picolé em uma cesta de lixo próxima. Ele apoiou os braços no encosto do banco, logo ao lado do distraído rapaz. E a primeira coisa que Changmin percebeu foi seu cheiro, o desodorante masculino, sua pele e o suor salgado que seus poros destilavam. Em seguida ele o viu, lá estava o dançarino o fitando fixamente.

– Só passei para dizer olá. – Afirmou Kyuhyun, o vendo soltar um suspiro pesado e antipático.

– Olá Kyuhyun.

– Você não está bem hoje. – Afirmou Kyuhyun, acomodando-se no encosto do banco, ficando de costas para o mais alto. – Parece algo pior do que este terno te impedindo de se refrescar.

– Não estou no meu melhor dia, tampouco sou uma boa companhia. – Afirmou Changmin.

– Fique aqui. – Indicou Kyuhyun, pendendo o corpo, o máximo que sua flexibilidade permitia. – Eu preciso guardar os meus pertences, antes que um andarilho desocupado os leve. E eu volto, porque você precisa de companhia.

Changmin o viu se afastar com os passos leves de um bailarino. Kyuhyun desapareceu por alguns instantes, e mesmo quando ele o procurou com o olhar ele não parecia estar na praça. E de fato não estava.  Ele voltou de um dos restaurantes aos arredores, trazendo consigo um pequeno pote de isopor e duas colheres de plástico nele apoiadas.

Kyuhyun sentou-se ao seu lado novamente, como havia prometido. Changmin não achava que fazia sentido fazer companhia a alguém com um humor tão azedo quanto o seu, talvez isso tornasse o ousado rapaz tão adorável. Kyu sentou-se ao seu lado, parecendo a única pessoa relaxada naquele local cheio de trabalhadores, com seus ares estressados.

Changmin o viu pegar uma pequena porção do conteúdo do pote e saboreá-lo. Ele conhecia aquele cheiro, era da barraca de kimchi da esquina, a qual ele nunca tivera coragem de experimentar. Ele era desconfiado demais em relação a comida e já se imaginava tendo uma terrível má digestão depois de prova-lo. Entretanto, Kyu parecia estar saboreando um delicioso manjar.

– Pegue um pouco. – Ofereceu Kyuhyun de boca cheia. – Está uma delícia.

– Não estou interessado.

– Ah, qual é, você é fresco? – Disse Kyuhyun pegando uma porção com a colher e a aproximando de seus lábios. – Come um pouco.

– Eu vou passar mal. – Afirmou Changmin, vendo o outro revirar os olhos e encostar a colher em sua boca. – O que é isso afinal?

– Kimchi com arroz, nada demais. – Afirmou Kyu. – Anda, come.

– Se eu passar mal, você vai comprar remédio. – Acusou Changmin abrindo os lábios para receber a colher e finalmente provando da comida. Estranhamente estava deliciosa.

– Viu? Está muito gostoso!

– É, não está ruim. – Afirmou Changmin pegando mais uma porção do recipiente.

– Você é sempre fresco assim? – Indagou Kyuhyun. – Ou hoje está pior?

– Não estou de bom-humor, Kyuhyun. – Afirmou Changmin.

– Isso é porque você não come! Comer é um dos grandes prazeres da vida e você ainda se priva disso.

– Tsk, não é por isso. – Reclamou Changmin. – Não vou ficar reclamando da vida pra você, eu nem te conheço.

– Chato. – Acusou Kyuhyun de boca cheia.

– Você só veio almoçar comigo hoje? Não vai concluir seu quadro?

– Ah, eu estava trabalhando nele, mas tenho compromisso daqui a pouco.

– Mentiroso, eu passei por aqui de manhã.

– Hey! Eu não sou mentiroso. – Ralhou Kyuhyun, ficando imediatamente emburrado. –  Eu estava aqui.

– Okay, eu não quis ofender! – Defendeu-se Changmin.

– Mas ofendeu. – Disse o mimado dançarino. – Aqui, pegue o resto do kimchi, eu preciso ir.

– Precisa mesmo?

– Eu tenho yoga daqui a pouco. – Explicou ele, deixando o kimchi sobre seu colo. – Quero deixar essas coisas em casa e ir de metrô, porque o transito fica ruim no final da tarde.

– Não, espere. – Disse Changmin vendo o rapaz se levantar de um salto e se lembrando de sua noite anterior. – Me desculpe, eu não quis te chamar de mentiroso.

– É, mas chamou. – Reclamou Kyuhyun. – Changmin, é sério, eu preciso ir.

– Então… venha jantar comigo mais tarde.

– Eu? Jantar com você?

– Sim, para eu me desculpar. – Afirmou Changmin. – Aceite, por favor.

– Não sei se devo. – Afirmou Kyuhyun, voltando-se para ele com ar inseguro.

– Eu te deixo em casa mais tarde. – Afirmou Changmin. – Pense bem, eu não chamo qualquer um para sair comigo. Se você aceitar, eu te espero aqui às 19hs de hoje.

Changmin se levantou, deixou o resto de kimchi no lixo, e seguiu para seu trabalho sem olhar para trás, sem saber do olhar surpreso de Kyuhyun. Ele era assim, não implorava por um encontro, tampouco esperava para ter um não ao vivo em sua face, assim a decepção vinha apenas mais tarde. Apesar de saber que ficaria extremamente mal-humorado se aquele rapaz não estivesse lá mais tarde.

Changmin seguiu para seu prédio, sentindo-se brevemente melhor. Talvez ele tivesse razão, comer era um ótimo remédio para o humor, mesmo vindo de um local tão suspeito. Ele adentrou o prédio e seguiu para sua ala, pedindo para sua secretária que reservasse dois lugares no Goraebul, um restaurante que ele costumava ir mas que há algum tempo havia deixado de frequentar.

A própria secretária estranhou seu pedido, mas tratou de atende-lo assim que ele adentrou sua sala e mergulhou em seus projetos. Changmin era ótimo em trabalhar sozinho, mas tinha problemas com estagiários, uma vez que eles pareciam incapacitados de ouvi-lo adequadamente. Changmin sentou-se em sua grande mesa e lá ele esperou que o dia não se arrastasse.

E se arrastou, lento e tortuoso até o final de seu dia. Da janela ele não via nem sinal do rapaz, imaginando se havia passado dos limites ao convida-lo para jantar. Talvez ao contrário do estereótipo, nem todo dançarino era homossexual. Changmin suspirou pesadamente quando viu no relógio que faltavam apenas quinze minutos para as 19hrs, sentindo um arrepio na espinha. Era ridículo sentir-se nervoso, então por que mesmo ele sentia isso?

Changmin fechou sua sala, arrumou sua mesa, agarrou sua pasta cara e de couro legítimo e deixou o local, se despedindo de sua secretária que retocava o batom de um rosa gritante. Ele a desejou um frio ‘bom final de semana’ e deixou o local, pendurando sua pasta nos ombros. Changmin destravou seu carro e esticou o corpo e lá estava ele, com roupas justas de ginástica e o olhar perdido no céu.

Changmin não conteve um discreto sorriso e depois de deixar sua pasta no banco traseiro e travar seu carro novamente, ele atravessou a rua a passos largos. Kyuhyun demorou a desviar seu olhar para ele e quando o fez deixou um suspiro tranquilo escapar por seus lábios. Ele não estava o fazendo de bobo afinal, apesar de ainda ser imprudente entrar em um carro com um estranho tão temperamental.

– Que bom que você veio. – Elogiou Changmin, logo que o rapaz uniu-se a ele.

– Fiquei curioso. – Justificou Kyuhyun, ajeitando nos ombros seu leve casaco. – Aonde nós vamos?

– Não vou estragar a surpresa. – Disse Changmin destravando seu carro.

– Esse é o seu carro? – Indagou Kyu, parando ao lado do veículo com ar surpreso.

– Sim, algum problema?

– Sei lá. – Disse Kyuhyun, ainda admirando o mesmo. – Não é perigoso deixar aqui fora?

– Não nesse bairro. Pode entrar, ele não vai te levar para o futuro.

– Tem certeza? Você tem cara de cientista maluco. – Disse Kyuhyun, vendo o outro rir e adentrar o carro.

– Vamos, eu estou com fome. – Apressou Changmin.

– Eu me pergunto se estou adequado para sair com um membro da realeza. – Afirmou Kyuhyun. – Se eu soubesse que design dava tanto dinheiro, teria escolhido outra profissão.

– Não seja bobo, há espaço para todas as áreas.

– Não para a arte. – Afirmou Kyuhyun. – Nós sempre precisamos de apoio e mendigamos por patrocínio. Mas eu não quero falar disso e acho que você precisa parar de falar do seu trabalho.

– Por que?

– Porque ele parece irritante demais, você está sempre estressado, com cara feia e esses ternos quentes de 5 milhões de won.

– Faz sentido, meu trabalho é estressante. No geral, conviver com seres humanos é complexo.

– Você tem família? – Indagou Kyuhyun, mudando drasticamente de assunto.

– Tenho meus pais, minhas noonas e minha cachorrinha, nos visitamos no ano novo e em alguns aniversários.

– Você é casado? Não vejo nenhuma aliança, mas é bom perguntar.

– Não. Eu sou gay, Kyuhyun.

– Essa era a minha próxima pergunta. – Riu-se Kyuhyun, fechando brevemente o sorriso ao perceber os prédios de luxo à sua volta. – Talvez você devesse ter me avisado que estamos indo a um encontro.

– Oh, então é mesmo um encontro? Que interessante. E o que teria mudado se você soubesse do que se tratava?

– Talvez eu usasse roupas mais justas ou um perfume mais marcante. – Afirmou Kyuhyun.

– Não precisa de tanto, está bom assim. – Afirmou Changmin. – Ah, estamos chegando.

– Espera, nós vamos jantar aqui? Em Gangnam?

– No Goraebul, para ser mais específico. – Afirmou Changmin. – Espero que goste de frutos do mar.

– Okay, péssima ideia! – Ralhou Kyuhyun. – Eu não estou vestido adequadamente para jantar aqui, você deveria ter me avisado.

– O que? E perder esse seu encanto da naturalidade? Por que eu faria essa besteira? Não se preocupe, Kyu, ninguém vai te humilhar ali dentro e isso eu vou garantir pessoalmente. Você é meu convidado esta noite e assim você será tratado.

Kyuhyun ainda pensava em que besteira havia se metido ao entrar naquele carro, entretanto, Changmin passava-lhe tanta confiança que ele sentia-se amuado de contraria-lo. A medida que se aproximavam e Kyu percebia as pessoas com joias reluzentes e perfumes franceses adentrando o local, mais desencorajado ele ficava. Assim, ele agarrou a mão do mais alto, após vê-lo dar as chaves de seu carro ao manobrista.

– Olha, Changmin, você é um cara bem legal…

– Aish, vou levar um pé no traseiro, bem na porta do restaurante, é muita sacanagem.

– Não, não! – Disse Kyuhyun entre risos. – Não vai levar um pé em lugar algum.

– Então diga, o que é?

– Eu já disse, sou dançarino. Se eu pagar um copo d’água nesse lugar, não quito minhas contas no final do mês então…

– Então?

– Então nós vamos comer sobremesa em outro lugar e eu pago.

– Tem certeza? Devo te lembrar que você é meu convidado.

– Pois saiba que sou um dos poucos convidados que não irá abusar dessa sua ostentação toda. – Afirmou Kyuhyun. – Não sou nenhuma Julia Roberts, Changmin, ou eu pago a sobremesa em um lugar que não vai me falir, ou eu pego o metrô de novo para o meu apartamento e finjo que nunca te conheci.

– Você é sempre orgulhoso assim?

– As vezes. – Afirmou Kyuhyun, segurando-lhe pela mão. – Isso é ridículo, eu acabei de te conhecer.

– Eu sei, não se preocupe com isso, aliás, não se preocupe com nada.

– Eu vou tentar não me preocupar.

Kyuhyun sorriu-lhe e o acompanhou, com suas mãos discretamente roçando-se uma na outra. Eles foram guiados para um local discreto, com uma mesa única, rodeados por janelas e algumas pilastras que afastavam os olhares curiosos. Changmin ainda puxou uma cadeira para o rapaz que riu a aceitando e assim que se acomodou de frente para ele, tomaram os cardápios e percorreram os olhos.

Kyuhyun se obrigou a ignorar os preços, por mais que sua mente trabalhasse em pegar não o mais caro, nem o mais barato. Ele finalmente optou por um prato de frutos do mar, pedindo por alcaparras extras. Changmin sorriu a ele e pediu saladas de entrada e em seguida pediu seu próprio prato principal, com um medalhão de uma carne nobre selado, porém brevemente mal passado e alguns vegetais sauteé.

Kyuhyun fechou o cardápio e o entregou ao garçom, que os indagou se desejavam um vinho para degustação. Changmin, visivelmente mais familiarizado, ainda trocou meia dúzia de palavras com o simpático atendente, pois costumava frequentar aquele lugar com certa assiduidade. Ainda assim, em tempos recentes ele havia abdicado da deliciosa comida do local em troca de mais algumas horas de sono.

E ali estava ele, sob o olhar curioso e languido de Kyuhyun. Changmin era indecifrável aos seus olhos, e parecia que a medida que ele o conhecia, mais gostava dele. Houve um silencio constrangedor e frio entre eles. Os dois se remexeram incomodados e deixaram risinhos nervosos no ar. Afinal, agora eles estavam oficialmente em um encontro e ambos queriam que funcionasse.

– Então… você costumava vir aqui? – Indagou Kyu, cortando o silêncio.

– Sim, eu vinha aqui com o Yoochunnie-hyung.

– Quem era ele?

– Meu chefe e meu amante. – Explicou Changmin. – Nós costumávamos vir aqui sempre na sexta-feira, e depois íamos pra casa dele. Sempre na casa dele.

– Por que sempre lá?

– Ele não gostava de acordar cedo aos sábados e se fossemos para a minha casa, ele teria que levantar, tomar banho e ir para casa.

– Vocês faziam amor?

– Se você chama assim. – Riu-se Changmin. – Eu acho que comigo ele fazia sexo, com o atual namorado dele ele deve fazer amor. Ele está muito apaixonado e teve que mudar de emprego para ir morar com ele em outra cidade.

– E te deixou sozinho? Você foi trocado?

– Ah não, nós nunca tivemos um relacionamento de verdade. Eu estou feliz por ele, tinha um carinho muito grande pelo meu hyung. – Contou-lhe Changmin. – E você? Tem namorado?

– Não. Não gosto de relacionamentos, são complicados. Ah, lá vem a entrada!

Antes que Changmin pudesse desacreditar aquela afirmação o garçom chegou com as entradas e novamente em silêncio eles comeram. Apesar de um tanto diferente, não era tão incomum aquele sabor no palato de Kyuhyun, o prato principal certamente o surpreendeu mais. E desta vez ele voltou a falar, elogiando sem parar os sabores do prato.

Changmin estava mais satisfeito em agradar o rapaz do que com a própria comida. E assim eles se demoraram naquele delicioso jantar, apenas se dando por satisfeito após o último copo de suco estar devidamente vazio. O próprio Kyuhyun renegou o menu de sobremesas e eles apenas aceitaram um copo de chá antes do mais alto pagar a conta. Ele pediu que Kyu o esperasse do lado de fora, pois não o queria incomodado com aqueles números.

Changmin estranhou quando, após dar sua chave ao manobrista, não encontrou Kyuhyun no local combinado. E por alguns instantes, ele acreditou que o rapaz o deixara e assim, ele voltaria para sua costumeira vida solitária. Kyu não tinha vinculo algum com ele, mas Changmin ainda sentia-se incomodado com a possibilidade de não vê-lo nunca mais.

Ele o avistou assim que o manobrista parou seu carro à sua frente. Kyuhyun vinha correndo de um mercado recém fechado, com uma caixa em mãos e um largo sorriso no rosto. E que sorriso lindo, concluiu Changmin. O mais alto não conteve seu próprio sorriso quando o rapaz se aproximou mostrando a ele o que seria sua sobremesa. Uma bandeja de vermelhos e apetitosos morangos.

Kyuhyun adentrou o carro e disse-lhe que eles poderiam comer no caminho até em casa, ao que Changmin propôs que comessem em seu apartamento. Em partes, Kyu sabia de suas intenções. Ele sabia que aquele rapaz não o levaria para casa apenas para comer morangos, mas parte dele queria testa-lo e é claro, testar seus próprios limites.

Kyuhyun havia topado. Changmin tentava não aparentar sua afobação por mais que estivesse amando a ideia de ficar com ele sozinho em casa. E mais uma vez, Kyu se surpreendia com suas posses. Ele diminuiu sua fala ao adentrar o bairro e fechou o sorriso ao estacionar no luxuoso apartamento. Changmin saiu do carro primeiro e enquanto Kyu ainda pensava no que estava se metendo, ele abriu-lhe a porta e estendeu ao rapaz a mão.

Kyu a tomou, sentindo desta vez mais adequadamente a textura da pele do mesmo. Era quente, macia e aconchegante, sequer parecia pertencer ao rapaz de temperamento irritadiço que ele conhecera. Eles caminharam de mãos dadas até o apartamento de Changmin, que abriu a porta e o deixou adentrar o local primeiro, acendendo as luzes para ele. Kyuhyun perdeu-se entre as obras de arte do rapaz, enquanto este lavava os morangos na cozinha.

Quando cansou-se de suas indagações silenciosas, Kyuhyun adentrou a cozinha. Era tão espaçosa quanto a sala e tinha todos os tipos de eletrodomésticos imagináveis. Changmin sorriu-lhe quando ele se aproximou e parou ao seu lado, o vendo retirar as folhas do morango. O menor girou nos calcanhares e apoiou os quadris ao fogão, enquanto, fitando fixamente o moreno, o indagou:

– Eu entrei em algum tipo de cinquenta tons de cinza, por acaso?

– O que?? – Disse Changmin sem segurar o riso. – Você viu algum chicote por aqui?

– Não, não é isso! É que assim, quais as chances de eu achar um cara como você no parque? E ainda de você se interessar por mim? Só em livro essas coisas acontecem.

– Eu não sou esse depravado que você está imaginando. – Disse Changmin, aproximando um morango dos lábios do rapaz. – E você é mais bonito do que pensa.

– É, você também não é feio. – Brincou Kyuhyun após morder a fruta. – Está docinho, do jeito que eu gosto.

– E de que jeito mais você gosta? – Indagou Changmin, colando lado do corpo ao dele.

– Aish, como você é sem vergonha! – Acusou Kyuhyun, pegando outro dos morangos e aproximando dos lábios dele.

– Eu? Achei que eu só era chato! – Riu-se Changmin o envolvendo pela cintura ao abocanhar a fruta. – E então, vamos ao que interessa? Afinal, você me prometeu uma sobremesa deliciosa.

– Quem te conhece que te compre, hein Changmin? – Riu-se Kyuhyun, o vendo posicionar-se à sua frente e o agarrar apropriadamente pela cintura. – Mas, sendo sincero, eu não sei se é uma boa ideia começarmos assim.

– E por que não? Perdeu o interesse?

– Ah, de forma alguma. Me apetece muito saber o que tem por baixo desses panos caros. – Changmin riu-se e aproximou o rosto do outro, que desviou o olhar. – Mas a minha companhia de dança vai começar uma turnê Europeia e eu viajo amanhã à noite.

– Ahn, é mesmo? – Disse Changmin, visivelmente surpreso. – E você precisa mesmo ir?

– É assim que eu pago as minhas contas e compro morangos para desconhecidos. – Sorriu-lhe Kyuhyun. – Eu só não gosto de começar nada com prazo de validade.

– Não se preocupe, eu fico aqui te esperando.

– Como é… como é… lindo.

Changmin sorriu ao sentir os dedos longos do rapaz retirarem seus cabelos do rosto. Quando em sua vida ele encontraria outra figura como Kyuhyun? Perdido entre pinceis e tintas de uma tarde ensolarada? O mais alto encurvou o corpo e deixou um selar no rosto do outro, sem pressa, aproveitando da textura de sua pele e deixando aquela carícia ali.

Kyuhyun esticou o corpo e deixou um selar em seus lábios. Changmin o retribuiu e roubou um para si, sem pressa, permitindo-se sentir a textura da boca do rapaz. E assim deu-se inicio ao seu primeiro beijo, entre selares roubados e alguns sorrisos e sussurros discretos. Changmin se afastou e puxou-o pela mão até a sala, onde o rapaz desabotoou e retirou seu terno.

Kyuhyun deitou-se em seu sofá após retirar os sapatos, enquanto Changmin ia ao seu quarto a fim de pegar o que era necessário. Seu kit foi deixado sobre a mesa, e logo ele voltou-se ao menor. Kyu brincava com seus dedos na pele branca em sua barriga e sobre os pelos finos e escuros que faziam uma trilha logo abaixo de seu tentador umbigo. Changmin apoiou um de seus joelhos entre as pernas do rapaz e afrouxou sua gravata.

Kyu puxou sua gravata e só então percebeu o prendedor que ele usava. Uma bela peça dourada em formato de grampo e que ficava escondida pelo terno. Kyu o desprendeu e começou a fita-lo com atenção, era ouro maciço. Ao desviar novamente a atenção ele percebeu Changmin desabotoando sua camisa, de baixo para cima. Kyuhyun observou a pele morena do rapaz se revelar, primeiro no abdômen, em seguida seu estômago e então seu tórax, e por fim seu pescoço.

Ele não parecia ter uma falha sequer. A pele era uniforme e seus pelos eram ralos e finos. Os mamilos estavam entumecidos com o arrepio que percorria sua espinha, somente com o pensamento do que viria a seguir. Kyu lambeu o lábio inferior, o esperando e indicando o quanto o desejava. Changmin encurvou o corpo sobre o dele que se remexeu em expectativa.

Aos poucos seu peso se encaixou sobre o do rapaz. Kyuhyun sentia a pressão do corpo do outro sobre seu abdômen, sua pélvis e suas coxas e finalmente seus lábios. Changmin os pressionava com os próprios enquanto suas línguas se roçavam sem pudor algum. Ah, como era despudorado aquele Changmin, ao mesmo tempo tão tentador.

Kyuhyun repousou a mão sobre seu tórax, sentindo sua respiração pesada e seu coração descompassado. Foi quando ele percebeu o nervosismo e a ansiedade do rapaz, e um tanto escondida, alguma insegurança. Ele havia desnudado Changmin e aos poucos o desmascarava, romântico e carinhoso como verdadeiramente era. Os lábios do menor selaram a pele quente de seu pescoço, o indicando o que viria a seguir.

Seus dentes o marcaram sem dó alguma, forçando-se sob sua pele, para em seguida suga-lo e lambe-lo e beija-lo. Changmin afundou os dedos em seus cabelos os puxando com vontade, deixando uma sensação ardida no local, enquanto sua mão livre adentrava a camiseta fina do rapaz e procurava por seu mamilo. Ele o encontrou, também rijo e pronto para suas carícias.

Kyu parou o que fazia para erguer sua própria camisa, a deixando na altura do pescoço, exibindo sem pudor algum seu corpo ao rapaz. Changmin desceu seus lábios e lambeu com vontade o tórax do mesmo, recebendo deste um gemido alto. Kyuhyun retirou sua própria camisa e então livrou-se da dele e assim, seus lábios voltaram a se encontrar, desta vez, afoitos.

Suas mãos se exploravam sem piedade, irritando suas peles, apalpando as partes mais carnudas e marcando as mais apetitosas. Há tempos Kyu não sentia suas nádegas serem abusadas tão afoitamente por mãos tão voluptuosas. E como ele gostava de senti-las, apertando e abusando das partes mais sensíveis de seu corpo. Changmin desejava domina-lo, e seu desejo aos poucos se tornava visível.

O volume entre suas pernas começou a tornar-se evidente, mesmo por cima das calças de cor escura. Kyuhyun apalpou sua virilha e arrancou de Changmin seu primeiro ofego alto, seguido por um discreto gemido. O mais alto ergueu-se em seus joelhos e os separou, em um pedido mudo para ser novamente acariciado ali. E Kyu o satisfez, envolvendo sem pressa seu membro e o massageando por cima das roupas.

Kyuhyun o viu ganhar rigidez a medida que seus dedos o manipulavam. Changmin sorriu a ele e puxou-o pelos pulsos, para que ele se acomodasse em seu colo. E suas nádegas se encaixaram ali, com tanta maestria, que eles mal perceberam ainda estar de roupas. O menor de repente pareceu demasiadamente impaciente e Changmin sabia que devia fazer algo sobre isso.

Kyu o observou desafivelar seu cinto e abrir sua calça. Seu membro estava tão rígido quanto o do outro rapaz e necessitava de alguma atenção. Changmin sentiu seu cheiro e salivou, ele queria prova-lo. A boxer estava úmida e morna, e seu membro pulsava necessitado por baixo da mesma. Mesmo Changmin ficou surpreso com o volume que este fazia e se perguntava se algum orifício de seu corpo o comportaria adequadamente.

Talvez sua boca.

Changmin baixou-lhe a boxer azul sem pressa, revelando aos poucos seu membro, primeiro sua virilha e seus pelos de cor escura, então seu membro em riste, e por fim seus testículos sensibilizados. Tudo tão belo quanto o resto do corpo de seu Kyuhyun. Ele poderia ainda não pertence-lo, mas certamente, mais dia menos dia, ele seria seu.

Changmin ergueu-o pela cintura e guiou sua perna até que esta se apoiasse em seu ombro, deixando sua virilha perigosamente próxima ao seu rosto. Como no começo, Kyu afastou seus cabelos, afinal, não admitiria o quanto gostava daquele olhar profundo. Changmin o agarrou pela base e o abocanhou, sentindo seu sabor pela primeira vez.

Era ainda mais intenso do que seu cheiro. Não era um sabor incômodo, era sutil, mas marcante o suficiente para impregnar em seus lábios. E ele o sugou, como se aquele fosse seu doce favorito, como se pudesse retirar dele o veneno que o mataria. E ele o retirava, em gemidos, ofegos, os mais lascivos chamava seu nome, completo, brincando com as sílabas.

Kyu investia contra os lábios do rapaz, liberando seu pré-gozo sem controle algum. Talvez ele devesse se permitir terminar aquilo ali, entretanto a possibilidade do que viria a seguir o deixava ainda mais animado. Kyu afastou sua virilha dos lábios do outro e gemeu ao ter suas nádegas apertadas pelas mãos firmes dele. Toda aquela excitação, ele precisava retribuir.

Changmin o viu ajoelhar-se entre suas pernas, e abrir suas calças com certa pressa. Kyu puxou-as para baixo com vontade, liberando finalmente seu membro daquela prisão de tecidos. E sem que ele precisasse pedir, sem que desse uma dica sequer, Kyuhyun o abocanhou, tal qual um sorvete em um dia extremamente quente.

Kyu era bom no que fazia. Sua boca fazia os movimentos perfeitos, se perdendo entre seus sabores e no olhar lascivo do mais alto. Changmin acariciava seus cabelos, enquanto seu suor escorria por suas têmporas e seu pescoço. Seus olhos explicavam o que ele sentia, e o desejavam em silêncio.

E Kyuhyun amava aquilo, amava ser desejado, amava os sinais claros, evidentes que de que seus movimentos surgiam efeito. Vez ou outra ele o retirava da boca, apenas para circular a glande com a ponta de sua língua. E ele o beijava, ósculos estalados apenas na ponta, no intuito de demonstrar seu carinho único. Também beijava-lhe as coxas, a virilha e a medida que Changmin permitia, até mesmo suas nádegas.

Kyu se afastou de repente, lambendo seus lábios, o indicando o quão satisfeito ele estava com aquilo. Ele desejava ainda sentir daquele sabor, retirar mais de seu corpo, entretanto seu próprio desejo pedia por algo mais, algo que somente Changmin poderia fornecer a ele. Ele desejava ser dominado por seu querido desconhecido, e o desejava com cada poro de seu corpo.

Changmin não demorou em entendê-lo, afinal, compartilhava de seus desejos. Queria toma-lo, domina-lo, faze-lo seu homem. Ele viu Kyuhyun esticar-se e pegar o preservativo sobre a mesa, abri-lo com os dentes e posiciona-lo em seu membro. Enquanto Kyuhyun carinhosamente e com certa destreza o protegia, Changmin retirava de um pequeno pote de vidro uma capsula arredondada de lubrificante.

Kyuhyun sorriu em expectativa e deitou-se de lado esperando por sua própria diversão. Changmin acomodou-se logo atrás dele, o abraçando pela cintura e o fitando acariciar lentamente seu próprio membro. O mais alto penetrou o pequeno objeto e o abraçou, esperando o mesmo derreter e lubrifica-lo adequadamente. Kyuhyun sentiu e apreciou os beijos deixado em seu ombro, entretanto ele suspirou ao sentir o liquido se espalhar em seu interior.

E assim, seu despudorado dançarino pressionou as nádegas contra seu membro. Era impossível resistir, àquelas nádegas que se encaixavam ali tão perfeitamente. Changmin segurou seu membro pela base e o encaixou adequadamente, para finalmente forçar a passagem, sem pressa, aproveitando de cada sensação nova. E Kyu adorava aquilo, mesmo a dor, era emocionante.

Changmin era carinhoso, assim, ele sentia menos e seu corpo o aceitava com mais facilidade. Seu membro ganhou espaço, lentamente, sentindo seu corpo ceder, mas o mantendo apertado contra suas paredes. Changmin colou o corpo ao dele, sentindo sua pele brevemente suada, escorregar contra a própria. Assim, Changmin o dominou pela primeira vez.

Kyuhyun virou o rosto a fim de observa-lo, de reencontrar o olhar negro do rapaz mais uma vez. E Changmin o observava, como se fosse a maior riqueza que ele possuía. Mais deslumbrado do que qualquer carro de luxo ou restaurante caro poderia deixa-lo. Kyuhyun era único, era amável, era sensual e o mais alto o prendia como se fosse sua posse.

Seus movimentos começaram, lentos, inicialmente se afastando e depois o invadindo novamente. Kyuhyun desviou novamente o olhar e apoiou a nuca em seu ombro, deixando os olhos fechados para poder sentir melhor o que o outro fazia. Changmin afundou o rosto em seus cabelos, enquanto suas costas suadas colavam contra o sofá. E assim, seu quadril ganhou algum ritmo.

Kyuhyun decidiu ajuda-lo e tratou de ondular seu corpo contra o do rapaz, entretanto  que mais trabalhava era sua mão, que castigava seu membro causando sons estalados. Changmin se apoiou pela cintura do rapaz que aos poucos se voltava contra o sofá. Ele queria ficar de costas, queria que ele fosse mais profundamente, mais plenamente. Ele saiu de seu interior e o deixou se posicionar como desejava.

Kyuhyun deitou-se contra o sofá e empinou os quadris em direção ao outro. Tão convidativo, tão despudorado. Changmin ajoelhou-se atrás dele e agarrou-o mais uma vez pela cintura, para por fim, voltar a penetra-lo. Desta vez ele iniciou com vontade, com velocidade, desejando retirar mais de seu corpo. Aquele corpo delicioso, único, de pele tão clara e macia.

Eles ganharam ritmo e sincronia, e assim, seus corpos se moviam, sentindo e entregando-se um a outro. Changmin puxava-o pela cintura e vez ou outra pelos ombros, na tentativa de penetra-lo com mais profundidade. Ele entrava e saía com força de seu corpo, abusando de sua entrada com maestria. Kyuhyun acariciava seu próprio membro, com a mesma vontade que o rapaz o dominava.

Changmin começou a sentir seu orgasmo se aproximando, aos poucos, com pontadas sutis em seu baixo ventre. O corpo de Kyuhyun também pedia por mais, tensionava e relaxava, e implorava por mais. O designer pendeu seu corpo contra o dele, queria senti-lo, e queria que ele soubesse de seu orgasmo e que o aproveitasse tanto quanto ele aproveitaria.

O que ele não previu foi o orgasmo de Kyuhyun se aproximando sem piedade, sem dar a menor chance dele segura-lo. O menor tampouco fez questão e forçou seu braço contra seu membro até que fosse impossível parar. E assim, seu orgasmo chegou, intenso, longo, o fazendo ofegar e gemer demoradamente. Ele sujou o sofá do rapaz e então relaxou sobre o mesmo.

E Changmin o acompanhou. Ele apertou-lhe a cintura, com vontade, com afinco, marcando a pele clara do mesmo. Assim, ele derramou seu sêmen, o prendendo contra o preservativo que Kyu tão carinhosamente o colocara. Ele caiu fraco sobre o corpo do menor, que respirava sôfrego, tentando reaver seu fôlego. Kyuhyun virou o rosto e o sentiu selar seu ombro, o que o fez sorrir.

– Tudo bem, Changmin? – Disse Kyuhyun, assim que seu fôlego o permitiu.

– Melhor impossível, estou apenas cansado. – Afirmou Changmin, se levantando e retirando seu preservativo. – Venha dormir comigo.

– Vai cuidar de mim e dormir abraçado comigo? –Disse Kyuhyun ao ser apoiado pelo outo para se levantar.

– E se você deixar, nunca mais vou soltar. – Afirmou Changmin, andando agarrado ao rapaz até o quarto. Já no cômodo, Kyu deitou-se sobre a cama, sentindo seu corpo amolecer enfraquecido.

– Eu nunca vou me esquecer desta noite, Changmin. – Afirmou Kyuhyun, assim que o rapaz deitou-se ao seu lado.

– Por que está se despedindo? – Indagou o rapaz.

– Porque eu preciso.

Assim, Kyuhyun adormeceu, sem esperar pela indagação seguinte do rapaz. Ele precisava ir e aquilo estrangulou o coração de Changmin. Ele o abraçou, com força, com possessividade, desejando não deixa-lo partir. Prender-se a ele e aproveitar eternamente de seus trejeitos, de sua beleza e até mesmo de suas provocações e manhas.

Mas infelizmente o cansaço o derrotou e assim, Changmin o seguiu para o mundo dos sonhos, onde estaria junto de seu Kyuhyun. Era incomum aos rapazes esperarem tanto de uma única noite, de se demonstrarem tão românticos e carentes, perante suas poses arrogantes e prepotentes. Entretanto eles se entendiam, compreendiam suas vontades, mesmo quando estas jamais eram verbalizadas.

Assim, eles adormeceram, aproveitando-se da companhia e das carícias um do outro, pela primeira e última noite. Changmin acordou com o sol alto, a cabeça pesada e uma sensação extremamente melancólica. Ele estava sozinho na cama e em seu apartamento. Não havia nem sinal de Kyuhyun pelo local e ele certamente acreditaria em um sonho, não fosse o cheiro do rapaz impregnado em sua pele.

Changmin se levantou e enrolou-se no lençol branco e amarrotado. Ele caminhou com seus passos pesados, coçando os olhos e se convencendo de que era uma necessidade retomar o rumo normal de sua vida. E como ele detestava a normalidade. Changmin adentrou sua sala e o que ele viu o surpreendeu e certamente reaqueceu seu desacostumado coração.

O quadro que Kyuhyun pintava estava em seu apartamento, recostado em um canto, devidamente pronto. Os morangos pareciam vivos, enquanto a cidade atrás, parecia borrada, como uma paisagem sem importância. Ele não era nenhum grande artista, mas olhar para aquele quadro e lembrar-se dele, tornava aquela obra de arte mais valiosa do que qualquer outra coisa em seu apartamento.

Changmin sorriu e ajoelhou-se de frente para o objeto, o admirando, pensando nele. Foi quando ele reparou no pequeno pedaço de papel recostado ao mesmo. Borboletas tomaram seu estômago e ele pegou o singelo bilhete. Em uma letra corrida e pouco encurvada, Kyuhyun deixou-lhe uma nota de despedida.

Au revoir mon petit Changmin. Nos encontraremos novamente em alguma volta da vida. Queria ter a certeza de que você não se esquecerá de mim como eu não me esquecerei de você, mas nunca terei esta confirmação. De qualquer maneira, caso algum tropeço ou acaso da vida te leve à Paris vou deixar aqui embaixo o endereço do meu dormitório. Se for pessoal demais, apenas apareça no teatro municipal em alguma segunda-feira fria e chuvosa. E tenho certeza que um último olhar seu, apenas um olhar, seria capaz de me levar para uma dimensão ainda mais bela do que as luzes de Paris. Au revoir mon Changmin, de baiser fraises, au revoir.

C’est toujours votre

Kyuhyun.

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