Capítulo 10 – Places

places

Yoochun estava cansado de todas aquelas provas e trabalhos. Todo final de trimestre era assim, entregas e mais entregas. Cobranças, notas ruins, notas boas, estresse, tudo junto no mesmo período de tempo. Aquilo corroía seu tempo e suas forças, dando a ele pouquíssima vontade de sair de casa, e um humor difícil de aturar. Yoochun detestava ficar sobrecarregado, mas não tanto quanto fazer trabalhos em grupo.

Ah, os malditos trabalhos em grupo. Encontros infindáveis na biblioteca, demoradas discussões, e pouquíssimos avanços. Ele não gostava daquelas pessoas, de seus assuntos fúteis e sua inteligência limitada. Não tinha paciência para elas, para sua desatenção e seu desleixo com os estudos. Ele não gostava de trabalhos em grupo, e os grupos de estudo tampouco gostavam dele.

Assim, lá estava ele, sozinho na biblioteca selecionando livros que findassem o último artigo do trimestre. Talvez se não tivesse tão distraído teria percebido mais rapidamente os dois pares de olhos sobre si. Era Hyukjae e um colega que ele desconhecia. Junsu e sua infinita quantidade de amigos. Parecia que a cada mês ele descobria no mínimo uma dúzia de amigos do seu namorado. Felizmente ele cumprimentava apenas os mais próximos, como Lee Hyukjae.

Eram nomes e mais nomes, e Yoochun invejava a memória de seu namorado para se lembrar de todos eles. Micky se lembrava dos mais importantes, os mais próximos e os que ele não gostava. Ele se lembrava do casal, Hyukjae e Donghae e de Siwon, o qual ele invejava a inteligência e organização. Afinal, não eram todos que faziam matemática e passavam de semestre a semestre com tanta facilidade e destreza.

Entretanto, havia algo diferente naquele amigo de Hyukjae. Ele o fitou com ar estranho, e sorriu discreto para ele antes de acenar e se afastar de Hyuk. Era um rapaz bonito, do qual ele não se lembrava das feições. Seria ele também do time de futebol? Yoochun o observou distraidamente antes de cumprimentar Hyukjae. O melhor amigo de Junsu, que certamente ainda o julgava mesmo depois de três meses de namoro.

Já haviam passado três meses, desde o pedido oficial. Era bom estar em um relacionamento. Era bom ter compromissos, alguém com quem dividir suas angustias e suas conquistas, e o conforto de estar sempre acompanhado. Sem contar os beijos, os abraços, as declarações, os sorrisos e as longas conversas telefônicas. Junsu era seu porto seguro, e Micky se desdobrava para encaixar seus encontros na vida agitada do rapaz.

Aos poucos, Micky descobria todos os lados de Junsu. Seu lado esportista e preocupado com a saúde, o estudante dedicado, mas distraído e um tanto esquecido, o irmão dedicado e atencioso e por fim, o lado que ele mais amava, o romântico e manhoso. O Junsu que se aninhava em seus braços e murmurava corado o quanto gostava dele, este Junsu que só ele conhecia, e que somente aparecia quando estavam sozinhos, abraçados, trocando carícias.

Micky sorriu com o canto dos lábios ao pensar nele, e suspirou discretamente ao se lembrar que o veria ainda aquela noite. Seu sorriso foi apenas captado por um par de olhos, de um rapaz moreno que deixava a biblioteca, o que ele, distraído com seus pensamentos, não percebeu. E ele sabia que a corrida deveria estar terminando, e embaixo daquele sol pálido de outono, Junsu estaria se lembrando dele.

Junsu saiu do aglomerado de pessoas carregando consigo sua medalha de participação, assim como seu irmão e Donghae. Eles não tinham intenção de ganhar aquela competição, mas se divertiam bastante e terminar o percurso já alimentava o suficiente seu espírito competitivo. Junho ergueu a mão logo que seu irmão se aproximou e suas palmas se chocaram em um cumprimento divertido. Eles se abraçaram brevemente dando tapinhas nas costas e finalmente seguiram para casa.

Cada um saboreava um isotônico de cor diferente, enquanto caminhavam lado a lado. Donghae seguia em seu encalço, observando sua própria medalha. Era a tarde de uma sexta-feira e eles seguiam para suas respectivas residências a fim de descansarem, pois a noite, os gêmeos já tinham seus compromissos. Junho iria ao cinema com uma caloura de direito e Junsu dormiria novamente na casa de seu namorado.

Era comum Junsu dormir na casa de Yoochun. Mesmo seus pais já estavam acostumados com a presença cada vez mais constante nos jantares, e em passeios demorados com seu filho. Ele finalmente tinha um novo melhor amigo, e seus pais estavam satisfeitos com isso. Além disso, Junsu era adorável, gentil e muito respeitoso, ele não poderia encontrar colega melhor. Enquanto Micky sabia que não existia em outro lugar do planeta, homem como seu amado Junsu.

Os gêmeos adentraram o metro ao lado de Donghae, após jogarem em uma lixeira específica a embalagem vazia de isotônico. Eles entraram em um vagão praticamente vazio e sentaram em um canto isolado. Junho acomodou-se ao lado de seu irmão e Donghae à sua frente, que parecia extremamente ansioso e distraído naquele dia, o que foi percebido por seus amigos durante toda a tarde. Finalmente, Junho decidiu sanar sua curiosidade:

– O que você tem, Hae-ah?

– Eu? Nada! – Disse Donghae sorrindo e corando levemente.

– Ele está vermelho. – Riu-se Junsu. – O que foi? Não quer contar pra nós?

– Vocês vão rir. – Disse Donghae ainda mais corado.

– O que você aprontou? Você está com cara de quem aprontou! – Acusou Junho. – O Hyukie aprontou também?

– Nós não aprontamos nada… ainda. – Disse Donghae após uma pausa.

– E o que vocês vão aprontar? – Disse Junsu, rindo quando o rapaz o chamou com uma das mãos para que eles se aproximassem.

– Vocês já foram a algum motel? – Indagou Donghae. Junho assentiu para por fim rir divertido e cúmplice, enquanto Junsu cobria os lábios com as mãos corando. – Ah, Su, não faça essa cara porque eu sei que você também apronta.

– E-eu? Aprontar?

– Junsu! – Chamou a atenção, Junho. – Você está namorando, há três meses e já dormiu na casa dele muitas vezes, não disfarça.

– Disfarçar? E-eu e o C-chunnie… nós não fazemos isso, essas coisas. – Disse Junsu.

– Você prometeu que me contaria quando perdesse a virgindade, Junsu, você prometeu! – Acusou Junho. – E até agora não me disse uma única sílaba sobre isso, seu irmão desnaturado.

– Su, nós não somos bobos. – Afirmou Donghae. – Você e ele podem nunca ter ido a um motel e transado em uma jacuzzi como eu e o Hyuk certamente faremos hoje a noite, mas alguma coisa vocês já fizeram.

– Anda, conta pra gente o que ele fez pra te convencer. – Disse Junho, vendo seu irmão cobrir o rosto com ambas as mãos.

– Eu juro, ainda não aconteceu! – Disse Junsu. – Eu… ainda sou virgem.

– Ainda? Três meses de namoro e ele não tirou a sua virgindade? Por que? – Indagou Donghae.

– Eu não deixei. – Disse Junsu dando de ombros. – Nós combinamos assim.

– Combinaram? Deixar o comedor da faculdade na seca foi um combinado? – Disse Junho. – Você está tentando bater um recorde ou fazer ele voar em você?

– Voar em mim? Ele não voaria em mim, voaria?

– Ou você voaria nele. – Concluiu Donghae. – Fala, Su, vocês nunca fizeram absolutamente nada? Não sabem nem que fica por cima ou por baixo?

– Como assim por cima ou por baixo? – Indagou Junho.

– No sexo gay… – Começou Donghae.

– Não, não! Vamos mudar de assunto, vamos! A corrida, foi muito divertida, não foi?

– Ah, Junsu, você nunca explicou isso pra ele? – Disse Donghae.

– Eu duvido que ele saiba. – Riu-se Junho.

– Ele sabe. – Acusou Donghae, o vendo cruzar os braços. – Ele só tem vergonha de falar disso, mas ele sabe.

– Claro que eu sei. – Afirmou Junsu. – Eu não sou bobo nem nada, mas não sei porque isso te interessa, Jun.

– Curiosidade mórbida, Su. – Sorriu-lhe Junho. – Me explica, se é que você realmente sabe.

– Aish! – Reclamou Junsu. – Bem, como o Hae explicou, tem um que fica por cima e outro fica por baixo. E até onde eu entendo, o que fica por cima, ele oferece e o que fica por baixo, recebe, entende?

– Não muito bem. – Disse Junho.

– Ele quer dizer que tem o passivo e o ativo, Jun. – Explicou Donghae. – O ativo é o homem da relação e normalmente, ele é quem vai fazer a coisa acontecer. O passivo é o que é penetrado pelo ativo, entende?

– O passivo seria uma espécie de mulher da relação, é isso?

– Mais ou menos. – Disse Junsu, pensativo. – Não precisa ser afeminado e afetado pra ser passivo, basta…

– Gostar da coisa. – Completou Donghae. – Agora que você sabe como funciona, Su, por que não pratica um pouquinho?

– E você Hae-ah? É ativo ou passivo? – Indagou Junsu, na tentativa de também constrange-lo.

– Passivo, desde sempre. – Respondeu Donghae sem titubear. – Minha estação é a próxima, hey Jun, boa sorte com a sua gatinha hoje.

– E você divirta-se com o Hyukie. – Desejou Junho.

– E você, vê se anda com esse namoro! – Acusou Donghae, prontamente se levantando. – Já enrolou muito, Su, está na hora de experimentar.

– Você e o Hyukie são dois sem-vergonhas, Lee Donghae!

Donghae riu-se do comentário do rapaz e acenou divertido para os dois. Junsu ainda estava constrangido com a conversa apesar do tom jocoso que eles aplicavam. Ele não gostava de falar de sexo, não estava acostumado com isso, uma vez que escondia sua sexualidade. Ao contrário de seu amigo Donghae que assumia sem problemas seu papel de passivo, aquilo era um tanto mais complexo para Junsu.

Seu irmão agora o analisava. Junho não entendia como seu irmão era capaz de insistir tanto em um relacionamento e então, não usufrui-lo em sua totalidade. Ele afinal, não tinha mais treze anos, quando se espera ter um namoro para segurar as mãos, tirar fotos fofas e mandar bilhetinhos por baixo da mesa da escola. Ele deveria ter um namoro adulto, quando na verdade, apenas trocava meia dúzia de beijos com o rapaz, trancado em seu quarto.

Aquilo satisfazia Junsu até então, e no intuito de satisfazer Yoochun, ele o permitia tocar locais até então pouco explorados, como suas nádegas. Ainda assim, seu namorado era uma bomba-relógio e ele não tinha certeza quanto tempo mais o rapaz aguentaria ficar sem fazer sexo. Junho o abraçou pelos ombros, deixando um sorriso cúmplice brincar em seus lábios. Junsu cruzou os braços com ar defensivo, esperando outra de suas perguntas indiscretas.

– E então? O que você está fazendo?

– O que você quer dizer?

– Está testando a paciência dele? O amor que ele espalha que sente por você? Qual o seu plano?

– Não tem plano, Jun, nós só combinamos assim. – Explicou Junsu. – Eu prometi que iria falar quando eu estivesse pronto e ele prometeu que iria esperar e não iria me pressionar.

– Mas ele não pergunta? Não tenta?

– Claro que ele tenta, sempre que nós estamos sozinhos, mas ele sabe os meus limites. – Explicou Junsu. – E ele aceita os meus nãos, sem reclamar.

– Sem reclamar? Nunca? Quais as chances dele estar te traindo?

– Aish, Jun, ele não está me traindo! – Reclamou Junsu. – Ele tem as vontades dele, e nós satisfazemos elas do jeito que dá.

– Ah, então alguma coisa vocês fazem.

– Sim, nós nos beijamos.

– E o que mais?

– As vezes deitamos juntos e ele me abraça pela cintura. As vezes eu beijo o pescoço dele, ou ele beija o meu.

– E sexo, Junsu? Vocês tiram a roupa e fazem alguma coisa nus? Qualquer coisa!

– Não não, sem roupa não! – Disse Junsu.

– Por que? Você não tem vontade? O que acontece com vocês dois?

– Vontade?

– Tesão, Junsu, você não tem isso?

– Claro que eu tenho, eu sou homem! – Indignou-se Junsu. – Você acha que eu não tenho sangue correndo nas veias?

– E está esperando o que exatamente?

Junsu levantou-se bruscamente e seguiu para a saída do trem, enquanto seu irmão finalmente percebia que sua estação havia finalmente chegado. Ele saiu atrás de seu irmão gêmeo que fazia questão de caminhar alguns passos a frente, com os braços cruzados. Junho conhecia seu irmão, sabia que mais do que chateado, aquilo era uma espécie de manha para não dar suas respostas.

Junsu era incapaz de ignora-lo quando chateado, falava tudo o que vinha à sua mente e não parava até que seu gêmeo o magoasse ou que pedisse desculpas. Naquele dia, Junho não via necessidade de pedir desculpas, não o havia ofendido, nem magoado, apenas o constrangido. Um constrangimento bobo de um homem formado, em um relacionamento, e ainda assim incapaz de falar sobre sua vida sexual. Não que aquele fosse um assunto raro entre eles, mas normalmente, Junho falava e Junsu ouvia.

Eles saíram em silencio da estação e Junho somente o alcançou quando entraram na quadra em que moravam. Junho o abraçou pelos ombros e caminhou lado a lado com seu mimado irmão gêmeo. Não era a toa que ele era o queridinho de sua mãe, nem o temor de Junho sobre sua inocência. Ele era tão romântico, e tinha seus quês e seus caprichos que pouquíssimos homens seriam capazes de sanar.

– Escuta aqui! – Disse Junsu, ainda indignado. – Não é porque nós não fazemos amor que eu não tenho vontade e que ele não tenta, okay? Apenas ainda não encontramos o momento certo para fazer amor.

– E qual seria o momento certo?

– Junho, a sua primeira vez foi tão especial, a noona te tratou de forma tão carinhosa. – Lembrou-se Junsu. – Eu quero que a minha também seja.

– E por que não seria, Su? Você tem medo?

– É que… – Junsu suspirou pesadamente, enquanto adentrava sua casa. Ele somente voltou a se manifestar ao passar pela porta e voltar-se para seu irmão. – Enquanto nós estamos assim, eu ainda consigo controlar ele. Eu tenho medo de que se avançarmos, e eu quiser parar, que ele não pare.

– Então você não confia nele. – Concluiu Junho, deixando sua chave no apoio e retirando a camiseta que ainda estava suada. – Ao menos não para tirar sua virgindade.

– Aish, você ainda não entendeu.

– Claro que entendi, inclusive entendi melhor do que você, Su. – Afirmou Junho. – Se você não acredita que ele vai parar quando você pedir, então não confia nele. E você só tem duas opções, ou confia nele, ou domina ele.

– Dominar? Tipo, ficar por cima?

– E por que não? – Afirmou Junho, subindo as escadas com seu irmão gêmeo em seu encalço. – Você dá conta, não dá?

– A questão não é essa. – Afirmou Junsu. – Não é que eu não queira ficar por baixo, só não quero sentir dor além do normal, porque vai doer.

– Acha que ele vai te machucar?? – Indagou Junho.

– Não sei se ele vai. – Afirmou Junsu. – Eu confio nele, mas e se der errado? E se eu não gostar da coisa?

– Você vai gostar. – Afirmou Junho. – Porque se tem uma coisa pelo qual esse cara é famoso, é por ele ser bom de cama.

– Será que é tudo isso mesmo? – Disse Junsu, sorrindo discreto.

– Me diz você. – Disse Junho se levantando e pegando algo na gaveta de seu guarda-roupa. – Vou te pedir uma coisa, e quero que me prometa que vai fazer.

– O que é? – Indagou Junsu, o vendo se acomodar na beirada de sua cama.

– Quero que se cuide. – Junho abriu-lhe a mão e deixou um preservativo sobre esta.

– Jun, as chances de eu ficar por cima, são realmente pequenas. – Disse Junsu sem jeito. – Ele é realmente dominador, e eu acho que vou ceder. Eu acho que gosto, de um carinho na parte de trás, entende?

– Não entendo não e nem faço questão de entender. – Disse Junho, fazendo o outro rir. – Mas se esse é o caso, então coloque nele.

–  Colocar… aish! – Reclamou Junsu, fazendo uma careta. – E se não couber nele? E se ficar pequeno?

– É grande assim, é? – Disse Junho, sorrindo malicioso para seu tímido irmão.

– Não sei, eu nunca vi. – Disse Junsu, desviando o olhar.

– E nunca sentiu? Nem por cima da roupa? Nada?

– Eu achei que era complicado falar de sexo com o meu namorado, mas você é ainda pior! – Reclamou Junsu. – Por que você quer saber do que tem no meio das pernas dele? Está interessado?

– No seu namorado não. – Explicou Junho. – Me conta, o que vocês fazem quando você dorme lá?

– Nós conversamos até tarde , beijamos, fazemos carinho e dormimos juntos. – Explicou Junsu. – Nada demais.

– Que tipo de carinho?

– Nos cabelos, no rosto e bem, ele gosta de uma parte meio íntima que eu não vou te contar.

– Sua bunda. – Concluiu Junho, vendo o outro arregalar os olhos estapeá-lo. – Eu sei que é, quando você vem com esse papo que gosta de carinho e que ele é dominador, eu sei que é.

– Ótimo, agora chega!

– Você já viu ele sem roupa?

– Está bem, você quer um segredo como o do Donghae, eu te falo, seu curioso! – Confessou Junsu, vendo seu irmão sorrir malicioso. – Eu não fiz nada demais, está bem? Nós somos um casal e por isso…

– O que você aprontou?

– Nós tomamos banho juntos as vezes. – Disse Junsu, atropeladamente. – Os dois sem roupa, ele me fala algumas coisas que quer fazer depois, e me beija, mas tem medo de avançar e eu dizer que não.

– Eu sabia que tinha mais alguma coisa. – Acusou Junho, entre risos. – Não precisa espalhar da sua vida sexual por aí como o nosso amigo Donghae, mas Su, somos adultos, você tem um namorado, meio lerdo, meio chato, meio arrogante, mas que ainda assim gosta de você. Não pense muito, só aproveite.

As palavras de Junho ecoaram em sua mente pelo resto do dia, mesmo quando ele já estava com seu namorado. Junsu adentrou seu banho depois do rapaz e se permitiu pensar no tema. Talvez se Micky soubesse de suas indagações ficasse demasiadamente excitado, e não era essa sua intenção para esta noite. Junsu terminou seu banho, fez a barba e usou a colônia que Micky tanto gostava, para sair de casa ao lado de seu irmão, também devidamente arrumado.

Yoochun não pensava naquele assunto mais tarde naquele dia. Ele estava com uma incômoda dor de cabeça que, mesmo depois de tomar um analgésico forte. Talvez fosse isso que as pessoas chamam de enxaqueca, mas ele nunca fora ao médico perguntar. Incomodado ele se deitou na sala, deixando apenas a luz da TV como iluminação, pois ele precisava que aquilo passasse logo, preferencialmente antes de seu Junsu chegar.

Yoohwan não acendeu as luzes quando passou pela sala, pois sabia que seu irmão estava com dor de cabeça e visivelmente mal-humorado. O mais novo acreditava que seu estado de saúde estava diretamente ligado ao stress da faculdade, uma vez que ele mesmo tivera problemas digestivos aquela semana. E para ajudar, ele ainda não havia se encontrado em seu curso, mas tomar outro rumo agora parecia impossível.

Apenas Yoochun sabia dessa sua frustração, apesar de ainda não ter dado a ele nenhuma ajuda efetiva. Ainda assim, só de seu irmão ouvi-lo, já aliviava brevemente seu coração. O maknae voltou da cozinha com um copo de leite e sentou-se no chão ao lado do rapaz. O rapaz recostou a cabeça ao canto do sofá observando seu irmão que mantinha os olhos fechados apesar de não estar dormindo.

– Quer um remédio? – Indagou Yoohwan em tom sussurrado.

– Eu já tomei um. – Afirmou Yoochun, finalmente abrindo os olhos. – Você está melhor? Leite não vai fazer mal para o seu estômago?

– Nunca fez. – Afirmou Yoohwan. – Você quer um pouco? Você não comeu nada, hyung.

– Não quero que você se preocupe. – Afirmou o mais velho se remexendo incomodado. – Vai passar, você sabe que vai.

– Você é meu único hyung, eu não tenho outro pra me preocupar. – Sorriu-lhe Yoohwan. – Posso ficar aqui com o hyung? Até o seu namorado chegar?

– Eu não estou muito bem para conversar, Yoowhanie, mas você pode ficar se quiser.

O mais velho acabou adormecendo sobre o sofá, apenas um cochilo leve causado pelo medicamento. Yoohwan o observava, com um carinho fraternal não percebido pelo rapaz, tampouco testemunhado por alguém. A campainha tocou e o mais novo levantou-se de um pulo, deixando o copo vazio ao chão, enquanto o mais velho despertava um tanto sobressaltado.

Ele sabia que encontraria seu cunhado favorito do lado de fora. Ele tinha um carinho especial pelo namorado de seu irmão, e já o considerava da família, mesmo com pouco tempo de namoro. Junsu o cumprimentou com algumas reverencias e um breve abraço, sorrindo ao mais novo. Logo Yoowhan o avisou que seu irmão não se sentia bem, e disse que eles precisavam falar baixinho.

– O que ele tem? – Indagou Junsu, visivelmente preocupado.

– Aquelas coisas de sempre, hyung, quando ele tem dor de cabeça e fica deitado quieto no escuro.

– Ele tem que ir ao médico. – Afirmou Junsu, o vendo sentar-se e recostar a cabeça ao encosto do sofá com ar preguiçoso.

– Ele é teimoso. – Afirmou Yoohwan, vendo o mais velho se aproximar de seu irmão e deixar um beijo estalado em sua testa.

– E como está o seu estômago? – Indagou Junsu, contornando o sofá e sentando-se ao lado do rapaz que agora o segurava pela mão.

– Está melhor, mas acho que o leite que eu tomei vai me dar dor de barriga. – Riu-se Yoohwan.

– Eu avisei. – Manifestou-se Yoochun, sorrindo discreto ao mais novo. – E como você está, baby?

– Estou bem, ganhei uma medalha hoje. – Disse Junsu, sorrindo orgulhoso. – Nós três ganhamos.

– Que ótimo, meus parabéns! – Elogiou Micky. – E o gêmeo mau? Como está?

– Bem. – Riu-se Junsu. – Ele ia sair com uma menina hoje.

– Mesmo? Finalmente seu irmão vai sair da seca e parar de implicância?

– Não fale assim. – Disse Junsu, rindo baixinho, enquanto via Yoohwan seguir silenciosamente para seu quarto. – Ainda está com dor de cabeça?

– Só um pouco. – Disse Micky. – Estava me dando vertigem agora há pouco.

– Tsk, assim eu fico preocupado com você. – Afirmou Junsu. – Quer que eu te faça um chá ou uma massagem?

– Não, quero um beijo.

– Vamos para o seu quarto, ficamos no escuro lá.

Junsu levantou-se e o segurou pela mão para sair daquele cômodo. Ele queria beijar o rapaz, queria abraça-lo, mas como sempre, o temor de ser flagrado por seus pais os acuava. Micky abriu a porta de seu quarto, e acendeu apenas o abajur. Ele viu Junsu deixar sua mochila na beirada da cama e depois ir ao corredor acariciar o cachorro que finalmente viera recebê-lo. Felizmente ele decidiu não latir, e sim apenas abanar o rabo e depois voltar para sua cama na sala.

Quando voltou ao quarto, Junsu o encontrou novamente deitado, ainda com os óculos no rosto e sua bermuda bonita, mas desconfortável para dormir. Ele sorriu compreensivo e ajoelhou-se na beirada da cama, deitando-se ao seu lado aos poucos.

Micky o deixou colar o corpo às suas costas e abraça-lo pela cintura. Seu carinhoso Junsu, não faria nada que pudesse piorar sua dor. Ele deixou um beijo em seu ombro, um em seu pescoço, um em sua nuca e Junsu não conteve um sorriso de canto. Micky o segurou pela mão, enquanto o rapaz deixava seu rosto apoiado contra seu corpo, o acariciando sem pressa, sem pretensões.

– Chunnie, nós podemos conversar? Ou você ainda está com sono?

– Não, eu tirei um bom cochilo, mas vamos continuar falando baixinho, tudo bem?

– Sim, tudo bem.

– E sobre o que você quer falar?

– Sobre sexo. – Disse Junsu, vendo o rosto do rapaz voltar-se imediatamente para ele.

– Sabia que um orgasmo pode liberar serotonina o suficiente para curar uma dor de cabeça? Podemos testar.

– Não, seu bobo! – Riu-se Junsu. – Eu não quero começar com você assim, com dores de cabeça.

– Então vamos tocar no assunto? – Disse Micky voltando-se mais adequadamente e o agarrando pela cintura. – Por que hoje?

– Fiquei falando disso com o Junho mais cedo. – Disse Junsu sentando-se na cama e o deixando se apoiar em suas coxas fartas.

– Me diz que ele comeu alguém!

– Não, que horror! – Escandalizou-se Junsu. – Bem, tudo começou porque o Hae-ah decidiu contar que ele e o Hyukjae vão aprontar muito hoje!

– Me conta. – Disse Yoochun exibindo um sorriso malicioso.

– Eles vão a um motel hoje. – Junsu corou ao terminar a frase. – E vão fazer sexo em uma jacuzzi! Já pensou nisso, Chunnie?

– Baby, eu já pensei em muitas coisas. – Riu-se Yoochun. – E como isso chegou ao seu irmão?

– O Jun começou a fazer perguntas, queria saber do que nós fazíamos e depois dele insistir eu contei dos nossos banhos juntos.

– E ele?

– Ele achou pouco. – Afirmou Junsu. – Achou que nós já tínhamos feito algumas coisas e que eu não tinha contado pra ele. Falou que eu tava te testando até você me pegar a força e eu fiquei bravo com ele. Mas aí ele me disse umas coisas, me deu uma camisinha, me disse para me cuidar, depois falou pra colocar em você.

– E aonde você quer chegar, baby?

– Está bem, você quer muito ficar por cima? Todas as vezes?

– Você pode cavalgar em mim também. – Junsu soltou uma exclamação e cruzou os braços. Micky o apertou no abraço e riu-se. – Okay, o que você quer me pedir?

– Da primeira vez, eu sei que não vai funcionar, porque você quer muito a minha bunda. – Constatou Junsu. – Mas precisa ser sempre assim? Quer dizer, não é meio humilhante ser sempre eu?

– Eu não quero que você se sinta humilhado, muito menos quando formos transar! – Afirmou Micky, erguendo-se sobre os próprios cotovelos e o fitando. – Você quer me comer? É isso mesmo que eu entendi?

– É, eu quero te comer. – Afirmou Junsu, cobrindo o rosto. – E não tem nada demais nisso, porque eu sou o seu namorado.

– Não tem mesmo. – Disse Yoochun o vendo retirar as mãos do rosto lentamente do rosto. – Você acha que eu nunca fantasiei você me comendo? Acha que eu não quero isso também? Su, eu tenho uma tara terrível pela sua bunda, porque ela é grande e gostosa, mas você é mais do que isso. Eu não quero ser o macho alpha da nossa relação, se eu quisesse, voltava a comer mulher. Eu quero um macho comigo.

– Como eu te amo, meu Chunnie. – Disse Junsu, o vendo esticar o corpo e selar seus lábios.

Junsu nunca se sentira tão à vontade e sua autoestima nunca estivera tão em alta. Ele o abraçou pela cintura e repousou as mãos em suas nádegas, o sentindo esconder o rosto contra seu pescoço. Junsu sentia-se seguro com ele em seus braços, como se tivesse a certeza absoluta de que nada poderia tira-lo dali. Micky o amava, e apesar de seu irmão dizer o contrário, ele acreditava cegamente em seu namorado.

Em silêncio e tendo como testemunha apenas a noite estrelada de Seul, os dois amantes trocaram beijos e algumas juras de amor não verbalizadas. A mesma noite com uma deliciosa brisa fresca que fez Hyukjae e Donghae decidirem tomar alguns drinks antes de sua aventura ao motel. No bar, eles dividiam um Sex on the beach quando avistaram Jung Yunho, trazendo pela mão um rapaz visivelmente alcoolizado.

Yunho era como Micky, talvez uma versão homossexual dele. Não tinha pudores, não tinha limites. Ele guiou o rapaz até uma cadeira, onde este sentou-se rindo de algo inexistente. Yunho jamais se aproximaria daquele casal, não fosse algo impregnado em sua mente por toda a tarde. Aquele sorriso, aquele olhar frio, a pele clara. Ele os cumprimentou, sabendo que os dois não ficariam satisfeitos se ele prolongasse aquela conversa. E ele seria incapaz de atrapalha-los em sua noite romântica.

– Hyuk-ah, eu preciso te perguntar uma coisa.

– Então pergunte logo, porque eu e o Hae queremos dar o fora aqui. – Riu-se Hyukjae, sentindo Donghae atacar-lhe o pescoço com beijos.

– Quem era aquele cara que te cumprimentou na biblioteca?

– Qual cara?

– Hoje de manhã, na saída da biblioteca. – Disse Yunho, cruzando os braços ao vê-lo forçar a memória. – Estava de óculos, tinha um sorriso bonito.

– O Yoochun? Um meio arrogante que nem fez questão de olhar na sua cara?

– Este mesmo. – Disse Yunho. – Yoochun?

– Park Yoochun. – Disse Hyukjae. – Ele namora o Junsu, então esquece.

– Eu não sou ciumento. – Brincou Yunho.

Hyukjae riu quando ele se afastou acenando, mas aquilo o deixou preocupado. Ele e Donghae conheciam Yunho o suficiente para saber o quão despudorado ele era e do que ele já fora capaz em noites de conquista. Já no taxi, Donghae disse que no dia seguinte contaria a Junho sobre o repentino interesse daquele rapaz. Eles sabiam que Junho saberia o que fazer, que protegeria seu gêmeo.

Enquanto isso, Yunho acariciava os cabelos de um rapaz sentado em seu colo, com o rosto encostado em seu ombro, um ato carinhoso de alguém que não se importa. Mas com ele, Yunho se importava. Ele era diferente, prepotente, arrogante, porém lindo demais. E daí que ele tinha um namorado? Namoros terminam, com uma facilidade incrível, Yunho sabia disso e usaria isso em seu favor. E ele bem sabia que o gêmeo mais inteligente, mais dia, menos dia, o agradeceria por isso.

Era melhor parar de pensar nele e tirar a roupa daquele rapaz logo.

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